UMA BIOINDÚSTRIA
NO LADO CERTO DO FUTURO
Relatório e Contas 2021
Relatório e Contas 2021
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Uma bioindústria
no lado certo do futuro
Na The Navigator Company, tudo começa e acaba na natureza,
num ciclo sustentável que tem o eucalipto como base
e a inovação como aliada.
Num tempo e numa sociedade em que os inúmeros movimentos
transformadores estão a moldar a nossa forma de viver, o progresso
redefine prioridades, eleva a exigência e demanda novas formas
de suprir necessidades.
A capacidade de pensar diferente e de encontrar oportunidades de negócio
inovadoras e sustentáveis está no nosso ADN. Encaramos os complexos
desafios globais da atualidade com o mesmo inconformismo e vontade
de superação com que, na década de 1950, um grupo de pioneiros olhou
para o eucalipto globulus e viu nele o futuro.
Esta matéria-prima natural e renovável, obtida em florestas geridas
de forma sustentável e devidamente certificadas, permite-nos, hoje, liderar
uma agenda “from fossil to forest”, procurando, através da tecnologia
e do conhecimento, alicerçar uma verdadeira economia circular
baseada na floresta.
É neste quadro que desenvolvemos investigação e criamos novos
bioprodutos a partir da árvore, procurando encontrar alternativas
mais sustentáveis aos materiais de origem fóssil e encabeçando a transição
para uma bioeconomia favorável para a natureza e neutra para o clima.
A nossa visão de crescimento assenta num caminho de inovação
e diferenciação que nos permite explorar novas oportunidades de negócio
e investir nas imensas possibilidades das matérias-primas
de origem florestal.
Mas a tecnologia e a inovação só fazem sentido como pilar estratégico
da Navigator se forem usadas para criar um mundo melhor,
servindo as pessoas. As de hoje e as das próximas gerações.
É por isso que somos uma bioindústria no lado certo do futuro.
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ÍNDICE
1. VISÃO GERAL 6
MENSAGEM DO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO ................................ 7
MENSAGEM DO CEO ................................................................................................ 9
NAVIGATOR EM 2021............................................................................................. 13
Um Negócio Responsável ....................................................................................... 23
2. DESEMPENHO NOS NEGÓCIOS 28
2.1. Papel UWF ..................................................................................................... 29
2.2. Pasta de eucalipto branqueada (BEKP) .............................................................. 32
2.3. Tissue ........................................................................................................... 34
2.4. Energia.......................................................................................................... 36
2.5. Packaging ...................................................................................................... 38
2.6. Desempenho financeiro ................................................................................... 39
2.7. Gestão da dívida ............................................................................................. 41
2.8. Desempenho no mercado de capitais ................................................................ 42
2.9. Contributo para a receita fiscal do Estado em 2021 ............................................. 43
2.10. Gestão de risco ............................................................................................. 47
3. ENVOLVIMENTO COM OS STAKEHOLDERS 52
3.1. A nossa equipa ............................................................................................... 52
3.2. Os nossos Clientes .......................................................................................... 57
3.3. Os nossos Fornecedores .................................................................................. 59
3.4. Logística ........................................................................................................ 60
3.5. Responsabilidade Social ................................................................................... 61
4. PRIORIDADES ESTRATÉGICAS 67
4.1. Floresta ......................................................................................................... 67
4.2. Investigação e Desenvolvimento ....................................................................... 80
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4.3. Packaging ...................................................................................................... 85
4.4. Moçambique ................................................................................................... 87
4.5. Projeto de descarbonização .............................................................................. 92
5. PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS 94
6. DECLARAÇÃO A QUE SE REFERE A ALÍNEA C) DO N.º 1 DO ARTIGO 29.º-G DO CÓDIGO
DOS VALORES MOBILIÁRIOS 95
7. RELATÓRIO DO GOVERNO SOCIETÁRIO 96
PARTE I – INFORMAÇÃO SOBRE ESTRUTURA ACIONISTA, ORGANIZAÇÃO E GOVERNO DA
SOCIEDADE .......................................................................................................... 99
PARTE II – AVALIAÇÃO DO GOVERNO SOCIETÁRIO .................................................. 175
PARTE III – OUTRAS INFORMAÇÕES ....................................................................... 188
8. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS 204
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS CONSOLIDADOS PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31
DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020 ............................................................................. 205
DEMONSTRAÇÃO DO RENDIMENTO INTEGRAL CONSOLIDADO PARA OS PERÍODOS
FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020 ....................................................... 206
DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO FINANCEIRA CONSOLIDADA EM 31 DE DEZEMBRO DE
2021 E 2020 ........................................................................................................ 207
DEMONSTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES NOS CAPITAIS PRÓPRIOS CONSOLIDADOS PARA OS
PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020........................................ 208
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA CONSOLIDADOS PARA OS PERÍODOS FINDOS
EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020 ................................................................... 209
NOTAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS .................................... 210
9. CERTIFICAÇÃO LEGAL DAS CONTAS E RELATÓRIO DE AUDITORIA DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS CONSOLIDADAS 330
10. RELATÓRIO E PARECER DO CONSELHO FISCAL DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
CONSOLIDADAS 339
11. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS SEPARADAS 343
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS SEPARADA PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE
DEZEMBRO DE 2021 ............................................................................................. 344
DEMONSTRAÇÃO DO RENDIMENTO INTEGRAL SEPARADA PARA OS PERÍODOS FINDOS EM
31 DE DEZEMBRO DE 2021 ................................................................................... 345
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DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO FINANCEIRA SEPARADA EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E
2020 .................................................................................................................. 346
DEMONSTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES NOS CAPITAIS PRÓPRIOS SEPARADA PARA OS
PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 .................................................. 347
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA SEPARADA PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31
DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020 ............................................................................. 348
NOTAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS SEPARADAS .......................................... 349
12. CERTIFICAÇÃO LEGAL DAS CONTAS E RELATÓRIO DE AUDITORIA DEMONSTRAÇÕES
FINANCEIRAS SEPARADAS 422
13. RELATÓRIO E PARECER DO CONSELHO FISCAL DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
SEPARADAS 429
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1. VISÃO GERAL
Propósito
São as pessoas, a sua qualidade de vida e o futuro do planeta que nos inspiram e nos movem.
Queremos partilhar com a sociedade não só os nossos resultados, mas também o nosso saber,
a nossa experiência e os nossos recursos na busca de um futuro melhor.
Assumimos, por isso, um compromisso com a criação de valor sustentável para os nossos
Acionistas, e para a sociedade como um todo, deixando às futuras gerações um planeta
melhor, através de produtos e soluções sustentáveis naturais, recicláveis e biodegradáveis,
que contribuem para a fixação de carbono, para a produção de oxigénio, para a proteção da
biodiversidade, para a formação de solo e para o combate às alterações climáticas.
Missão
A nossa missão consiste em ser uma empresa global, reconhecida por transformar, de forma
inovadora e sustentável, a floresta em produtos e serviços que contribuam para o bem-estar
das pessoas.
Visão
Estender a outros negócios a liderança conquistada no papel de impressão e escrita, e assim
afirmar Portugal no mundo.
Valores
Confiança − Acreditamos nas pessoas, acolhemos o contributo de cada um, respeitamos a
sua identidade, promovendo o desenvolvimento, a cooperação e a comunicação.
Integridade − Somos norteados por princípios de transparência, ética e respeito na relação
entre nós e com os outros.
Empreendedorismo − Temos paixão pelo que fazemos, gostamos de sair da nossa zona de
conforto, temos coragem para tomar decisões e assumir riscos de forma responsável.
Inovação − Promovemos o conhecimento e o potencial criativo de todos para fazer o
impossível.
Sustentabilidade − A sustentabilidade empresarial, social e ambiental representa o nosso
modelo de negócio.
Excelência − A nossa atuação assenta na qualidade, na eficiência, na segurança e no rigor.
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MENSAGEM DO PRESIDENTE
DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Os resultados de 2021 da The Navigator Company confirmam a solidez da Companhia e o
mérito da sua estratégia. Mas são acima de tudo um testemunho de perseverança,
inconformismo e de capacidade de antecipação e inovação de todos os Colaboradores da
Navigator, muito mais do que reação, num contexto mundial difícil e, acima de tudo, repleto
de incertezas e volatilidade.
Os primeiros sinais de retoma económica foram acompanhados de fatores de pressão
inequívocos, de que destaco os elevados preços das matérias-primas, bem como da
componente logística e de energia, aos quais a Navigator soube responder com uma política
de controlo de custos fixos, com o aumento de volumes de papel de impressão e escrita (UWF)
e com uma estratégia ajustada de aumento de preços dos seus produtos, por forma a
assegurar a consolidação da rentabilidade e as perspetivas de desenvolvimento do negócio.
A Navigator demonstrou, num ano a todos os títulos complexo, a sua robustez enquanto
projeto empresarial e a sua vitalidade enquanto pilar da economia portuguesa, onde
representa cerca de 1% do PIB e assegura cerca de 3% das exportações nacionais de bens. A
Empresa é a terceira maior exportadora do país e a que cria o maior Valor Acrescentado
Nacional, fruto da elevada incorporação local.
O impacto socioeconómico é, de resto, determinante, já que a sua cadeia de valor é constituída
por uma esmagadora maioria de Fornecedores nacionais. A Navigator é, ainda, geradora de
mais de 30.000 empregos diretos, indiretos e induzidos, muitos deles em regiões rurais, tantas
vezes afastadas das oportunidades de desenvolvimento num país ainda dominado por
assimetrias territoriais flagrantes.
Para além dos resultados em si mesmos, é a forma como eles foram alcançados que nos
permite olharmos com confiança para o futuro e posicionarmos a The Navigator Company num
mundo em mudança, cada vez mais orientado pela consciencialização da urgência de novos
modelos de desenvolvimento mais sustentável.
Mesmo num ano repleto de desafios, o segundo consecutivo de disrupção acentuada na vida
das pessoas e das empresas, a Navigator não perdeu de vista o compromisso, expresso no
seu Propósito Corporativo, com a criação de valor sustentável para os seus Acionistas, e para
os Colaboradores, Clientes, Fornecedores e a sociedade como um todo, deixando às futuras
gerações um planeta melhor, através de produtos e soluções sustentáveis naturais, recicláveis
e biodegradáveis, que contribuem para a fixação de carbono, para a produção de oxigénio,
para a proteção da biodiversidade, para a formação de solo e para o combate às alterações
climáticas.
O lançamento da nova linha de papéis de embalagem em 2021, para além de um sinal de
vitalidade empresarial num ano adverso, é um sinal claro da contribuição para um futuro mais
sustentável, através do desenvolvimento de novos produtos de base florestal, substitutos dos
produtos fósseis, no quadro de uma transição socialmente justa para uma economia positiva
para a natureza e neutra para o clima.
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Denominada gKraft, esta nova marca é também um sinal do compromisso inabalável da
Navigator para com a inovação e a investigação científica e tecnológica. Característica sempre
presente no ADN da Companhia.
Também por isso, e fruto desse impulso que perdura e define a sua identidade, a Navigator é
uma empresa que sabe ler o tempo em que vive. Ler e atuar, uma vez que a Companhia
pretende liderar as novas oportunidades para os produtos de base florestal na substituição dos
artigos de origem fóssil por outros elaborados a partir da celulose, contribuindo assim para a
resposta aos desafios das alterações climáticas e a perda de biodiversidade.
A Navigator está, por isso, envolvida em projetos promissores de investigação para gerar uma
ampla gama de bioprodutos a partir da matéria-prima florestal, num processo aglutinador de
competências e de entidades, desde o instituto RAIZ a organizações não empresariais do
sistema de investigação e inovação, como Universidades, Laboratórios Colaborativos e outras
instituições de I&D.
Este modelo de colaboração sistemática e consequente é um exemplo de liderança e deve
servir como referencial para o país no domínio da transferência de tecnologia, potenciando a
conversão do conhecimento científico em soluções para o mercado e, consequentemente, o
desenvolvimento das empresas e da economia de uma forma sustentável.
Enquanto empresa de base florestal com vocação tecnológica e científica, a The Navigator
Company posiciona-se já hoje nesta transição do atual modelo linear de desenvolvimento para
uma bioeconomia circular assente na inovação.
Os últimos dois anos vieram demonstrar de forma clara e indubitável até que ponto as
empresas, e as organizações de uma forma geral, são motores de mudança num mundo em
transformação profunda.
Mais do que um desafio, a Navigator assume-o como um elemento incontornável do futuro.
Ricardo Pires
(Presidente do Conselho de Administração)
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MENSAGEM DO CEO
Na Física, o conceito de “resiliência”, de forma simples, traduz a capacidade de um material
voltar ao seu estado original, sem apresentar danos ou rutura, depois de ter sofrido tensão.
Na ecologia, o termo vai mais longe, definindo nos ecossistemas essa capacidade de
regeneração, mas também de crescimento após perturbações de maior ou menor gravidade.
As ciências humanas adaptaram este termo e a sua definição, passando a aplicá-lo para
descrever um aspeto fundamental do comportamento humano - a capacidade que as pessoas
têm, individualmente e em equipa, de se adaptarem às dificuldades e à pressão de situações
adversas. É bem distinto de “resistência”, que significa, essencialmente, uma atitude de defesa
perante a adversidade.
O ano de 2021 na The Navigator Company foi pródigo na forma como vincou a diferença entre
uma coisa e outra.
O trabalho desenvolvido no ano anterior, em que a Companhia e as suas pessoas convergiram
coletivamente para uma ação de resistência perante uma, na altura, desconhecida situação de
emergência sanitária à escala global, não seria consequente, nem lhe faria justiça, se não
tivéssemos a capacidade de, em 2021, virar a página e olhar para o futuro com confiança e
motivação. É, portanto, da mais elementar justiça evidenciar a notável resiliência da Navigator
e das suas equipas.
Foi por isso que, e apesar das incertezas mundiais e dos múltiplos desafios de contexto,
assumimos uma posição investidora, dando impulso aos negócios existentes e intensificando
um programa de I&D&I que culminou no lançamento de novos produtos, entre os quais uma
gama de papéis de embalagem pioneira no mundo e artigos tissue inovadores.
Denominada gKraft, a nova gama de packaging materializa a diversificação e crescimento do
portefólio do Grupo e representa uma expressão da estratégia “From Fossil to Forest”. Este
que é dos lançamentos mais importantes da história recente da Navigator, demonstra como a
inovação é um caminho incontornável quando procuramos a sustentabilidade duradoura e
relevante para a vida e para o futuro das pessoas. Neste caso, ao oferecer uma alternativa ao
uso de materiais de origem fóssil, como o plástico, substituindo-os por materiais de base
renovável e a partir da floresta.
Em 2021, o setor de embalagem representou vendas superiores a €40 milhões, servindo
indústrias transformadoras de sacos, embalagens flexíveis e cartão canelado. Esta
performance radicou em condições favoráveis da procura, assim como no esforço de
desenvolvimento de produtos inovadores e a criação de uma base alargada de novos Clientes,
atingindo-se uma base sólida de 125 Clientes de packaging regulares. Este ambicioso plano
iniciado em 2020 terá continuidade em 2022, num rumo que passa pelo alargamento da oferta
em gramagens, assim como pela inovação e desenvolvimento de novas soluções de
embalagem sustentáveis.
Durante o ano assinalaram-se também lançamentos de produtos diferenciados e inovadores
no segmento de Tissue, como o Amoos
®
Naturally Soft, com elevada suavidade e sem
utilização de químicos branqueadores, o Amoos Aquactive™, que representa uma nova
geração de papel tissue com sabão incorporado, e o Amoos Air Sense™, com perfume ativado
a cada utilização.
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Ao longo de 2021 também não abdicámos da nossa agenda de gestão responsável para a
próxima década, incluindo a implementação do Roteiro de Descarbonização, o caminho para a
neutralidade carbónica dos complexos industriais que a Empresa voluntariamente se propôs
atingir em 2035. Este foi o primeiro ano completo de funcionamento da nova caldeira de
biomassa na fábrica da Figueira da Foz, um investimento de 55 milhões de euros que permitiu
alcançar, em 2021, uma redução global de 57% das emissões globais de CO
2
deste complexo.
Sintomático do empenho da Companhia e das suas equipas, foi ainda o facto de nos termos
mobilizado para a adesão à iniciativa Science Based Targets (SBTi) e, acima de tudo, de termos
submetido desde o primeiro momento as metas para validação. Ao contrário do que tem sido
feito pela generalidade das empresas que aderem aos SBTi, a Navigator decidiu assumir este
desafio de forma assertiva, dispensando o período de dois anos que as empresas dispõem e
tipicamente utilizam para o fazer, comprometendo-se de imediato com metas de curto prazo
– e com base em ciência - consistentes com a ambição de reduzir as emissões de GEE a níveis
necessários para limitar o aquecimento global a 1,5ºC, no caso das de âmbito 1 e 2, e bem
abaixo de 2°C, nas de âmbito 3. Com a adesão à SBTi, a Navigator induzirá reduções
significativas das emissões dos seus fornecedores no âmbito do scope 3. Foi igualmente em
2021 que a Empresa viu reconhecidos, uma vez mais, os seus esforços de redução de impacto
ambiental, voltando a subir no ESG Risk Rating da Sustainalytics, uma avaliação segundo os
critérios ESG (Environmental, Social and Corporate Governance).
A Navigator reforça, assim, o seu compromisso e objetivos para a próxima década em torno
de um dos temas relevantes identificados no âmbito da sua Agenda 2030 de gestão
responsável do negócio – “Alterações Climáticas e Fixação de CO
2
” –, perseguindo a ambição
de contribuir para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (Ação Climática) e causar
um impacto positivo nas Pessoas e no Planeta.
E porque as pessoas são o elemento mais estruturante do negócio, que o fortalecem e
diferenciam diariamente, 2021 foi igualmente um período durante o qual apostámos em
reforçar a qualificação e os apoios ao capital humano da Companhia.
Estes são alguns dos marcos de um caminho estratégico que devolveu resultados robustos em
2021 e permitiu superar de forma assertiva um ano repleto de desafios aos mais variados
níveis.
O ano foi pautado pelo agravamento generalizado dos custos das matérias-primas, com ênfase
para o preço da madeira, da energia e da logística, em especial no segundo semestre. A
Navigator compensou essa tendência desfavorável nos custos variáveis com um esforço de
contenção de custos fixos, assim como com o aumento de volume de UWF (Uncoated Wood
Free – papeis finos de impressão e escrita não revestidos) e a implementação de incremento
de preços, transversal a todos os negócios, e que no UWF se situou em quase 30%, aumento
sem paralelo na história do grupo.
A resiliência e agilidade do modelo de negócio, baseado na excelente qualidade da fibra do
eucalyptus globulus, verticalmente integrada em ativos world-class state-of-the-art, que
permitem operar com custos competitivos, bem como o profundo conhecimento de todas as
equipas, e uma estratégia de diferenciação alicerçada em produtos premium e marcas próprias
de prestígio e reputação internacional, são os ingredientes fundamentais para o bom
desempenho da Companhia. A Navigator registou uma forte entrada de encomendas, com
valores historicamente altos no terceiro e quarto trimestres, e atingiu, em particular no caso
do papel UWF, a maior carteira de encomendas de sempre nos últimos meses do ano.
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As vendas de papel de impressão e embalagem representaram cerca de 72% do volume de
negócios, face aos 68% de 2020, num ano que acabaria por ficar marcado pela evolução
positiva da procura de UWF, particularmente na Europa, depois de uma queda expressiva no
consumo global de papel em resultado da pandemia. Ao longo de 2021 foram realizados
sucessivos aumentos de preços a par com otimização expressiva dos mixes de vendas.
A Portucel Moçambique iniciou a colheita e exportação de madeira proveniente de plantações-
piloto instaladas na província de Manica há cerca de 8 anos, sob gestão responsável e com
certificação de origem controlada. No âmbito desta operação a Empresa assegurou a formação
e capacitação de mão-de-obra local no corte e extração de madeira, transporte, carga e
expedição dos primeiros três navios através do porto da Beira para Portugal. Trata-se de um
passo fundamental para a criação de um novo cluster de base florestal e para o posicionamento
da Empresa e de Moçambique no mercado internacional da indústria florestal. Esta operação
de exportação inédita em Moçambique permite testar várias fases desta cadeia de valor e,
esperamos, preparar o lançamento de uma primeira fase do projeto industrial, com a
construção de uma fábrica de estilha, com um significativo valor acrescentado nacional.
Os resultados de 2021 da The Navigator Company refletem e reforçam as nossas prioridades
estratégicas, mas projetam também o futuro de uma Companhia cujo Propósito Corporativo
preconiza o compromisso de “deixar às futuras gerações um planeta melhor, através de
produtos e soluções sustentáveis naturais, recicláveis e biodegradáveis, que contribuem para
a fixação de carbono, para a produção de oxigénio, para a proteção da biodiversidade, para a
formação de solo e para o combate às alterações climáticas”.
Alicerçados nos sólidos resultados já conquistados e na competência do nosso capital humano,
olhamos hoje com confiança para as novas oportunidades nos produtos de base florestal e
estamos mobilizados em promissores projetos de base científica e tecnológica para gerar uma
gama mais ampla de bioprodutos, alguns deles substituindo produtos atualmente obtidos pela
petroquímica, reduzindo o paradigma de base fóssil.
Na base deste modelo de desenvolvimento estão os mais de 104.000 hectares de floresta que
a Navigator gere de forma sustentável, compatibilizando os objetivos de produção com os
múltiplos serviços do ecossistema que as florestas plantadas oferecem.
O eucalipto globulus, que plantamos em Portugal e é matéria-prima de excelência para
produtos papeleiros de referência a nível mundial, desempenha um papel especialmente eficaz
num desses serviços do ecossistema, o sequestro de CO
2
: anualmente, e por hectare, esta
espécie sequestra cerca de 11,3 toneladas de CO
2
, o equivalente às emissões de cada cidadão
português durante mais de 22 meses. Trata-se de valores que representam os maiores níveis
de sequestro anual das espécies presentes na floresta nacional.
O Plano Nacional de Energia e Clima 2021-2030, de 2019, indica, de resto, que não basta
reduzir emissões: a floresta nacional, que, atualmente, absorve 8,7 milhões de toneladas de
CO
2
, terá de passar para uma absorção de 12,7 milhões de toneladas até 2030. Esta meta só
será possível de alcançar através do aumento expressivo das florestas de crescimento rápido,
que fixam, pelo menos, de 3 a 7 vezes mais CO
2
que as outras espécies presentes nos pinhais
e nos montados de sobro, assim como com uma floresta gerida de forma sustentável, com
espécies em mosaico, resiliente a pragas e doenças, e com menor risco de incêndio, como a
indústria pratica e defende há décadas.
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O equilíbrio entre as florestas naturais e as florestas plantadas e bem geridas, apostando nas
de rotação mais curta, pode conter uma das chaves fundamentais do futuro do Planeta,
potenciando a preservação das primeiras e reconhecendo o papel substitutivo e de sumidouro
de carbono dos produtos oriundos das segundas.
Já em 2020, a CEPI, confederação europeia do setor papeleiro, estimava que, na Europa, este
“efeito de substituição” das indústrias de base florestal era quase igual ao sequestro (líquido)
nas florestas, ou seja, que correspondia a 10% das emissões fósseis anuais no continente.
E há ainda uma grande margem para progredir!
A The Navigator Company é hoje uma bioindústria consciente do seu tempo e atenta às
preocupações das pessoas, partilhando com elas a vontade de encontrar novos modelos de
desenvolvimento no quadro da bioeconomia circular.
É com esta dimensão humana, e norteada por ela, que inovamos, que cultivamos a excelência
e o rigor de implementação, e que criamos novas soluções para um futuro mais sustentável.
Porque é nas pessoas – e não na Física – que reside o verdadeiro motor da resiliência das
organizações.
António Redondo
(Presidente da Comissão Executiva)
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NAVIGATOR EM 2021
Principais Indicadores 2021
Volume de Negócios
€1.596 milhões
3.º exportador
≈1% do PIB
≈3% das exportações de bens
1.º em Valor Acrescentado Nacional
EBITDA
€355 milhões
Margem EBITDA/Vendas
22,2%
Resultados líquidos
€171 milhões
Cash flow Livre
€235 milhões
CapEx
€80 milhões
Dividendos pagos
€150 milhões
Net Debt/EBITDA
1,68 vezes
ROE
16,4%
ROCE
13,7%
.
N.º de Colaboradores
3.150
> 30 mil empregos (diretos, indiretos e induzidos)
74% dos Fornecedores (7.172) são portugueses
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Valor gerado e distribuído
Receitas
€1.627 Milhões (vs. 1.424 Milhões em 2020)
Gastos com Fornecedores
€1.382 Milhões (vs. 1.159 Milhões em 2020)
Acionistas – Pagamento de dividendos
€150 Milhões (vs. 198 Milhões em 2020)
Colaboradores – Salários e benefícios
€155 Milhões (vs. 132 Milhões em 2020)
Estado – Tributos suportados
€90 Milhões (vs. 56 Milhões em 2020)
Investimento na comunidade
€1,65 Milhões (vs. 1,7 Milhões em 2020)
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OS NOSSOS NEGÓCIOS
I&D + I
Aveiro/Espirra
RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel
Maior instituto privado europeu, e um dos maiores do mundo,
dedicado ao I&D da floresta de eucalipto e seus produtos
(pasta, papel, tissue, bioprodutos derivados, etc.).
93 Colaboradores
8 patentes submetidas em 2021
Floresta
104.673 ha*
de floresta com gestão certificada em 166 concelhos
12 milhões
de plantas/ano nos viveiros de Espirra, Caniceira e Ferreiras
73% eucalipto
11,8% áreas de conservação e Rede Natura 2000 (4.075 ha
de habitats classificados)
16,3% outras espécies florestais (pinho, sobro, etc.)
245 espécies de fauna
>800 espécies de flora
5,9 milhões tCO
2
sequestradas
Pasta
Setúbal, Figueira da Foz e Aveiro
1,6 milhões de toneladas**
1.º produtor europeu na produção de pasta branqueada
de eucalipto (BEKP)
e 5.º a nível mundial
Papel UWF
Setúbal e Figueira da Foz
1,6 milhões de toneladas**
1.º produtor europeu de papel de impressão e escrita
não revestido (UWF/Uncoated Woodfree Paper)
e 6.º a nível mundial
Papel tissue
Vila Velha de Ródão e Aveiro
130 mil toneladas**
de produto acabado
1.º produtor português e 3.º ibérico
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* 105.274 ha, incluindo Galiza (Espanha)
** Capacidade nominal
Energia
1,74 TWh
energia elétrica
77% de energia renovável
€135 milhões em vendas
35% da energia elétrica produzida a partir de biomassa no
país
Projeto em
desenvolvimento
Moçambique
USD $125 milhões
investidos
Mais de USD $6 milhões
investidos no Programa de Desenvolvimento Social,
desde 2015
13.600 ha
Plantados
90.000 m
3
de madeira própria colhida, em 2021, para exportação
1,7 milhões de toneladas
de CO
2
capturado
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INDICADORES ECONÓMICO-FINANCEIROS
2017
2018
2019
2021
Milhões de euros
Vendas Totais
1.636,8
1.691,6
1.687,9
1.595,9
EBITDA
(1)
403,8
455,2
372,1
354,7
Resultados Operacionais (EBIT)
255,0
303,2
233,6
229,6
Resultados Financeiros
-7,7
-22,5
-18,9
-17,8
Resultado Líquido
207,8
225,1
168,3
171,4
Cash flow Exploração
(2)
356,6
377,2
306,8
296,6
Cash flow livre
198,1
210,5
186,2
234,7
Investimentos
114,7
216,5
158,0
80,1
Dívida Líquida Remunerada
(3)
693
683
715
595
Ativo Líquido
2.427,6
2.549,8
2.533,7
2.534,4
Passivo
1.248,0
1.362,6
1.506,2
1.489,3
Capitais Próprios
1.179,6
1.187,2
1.027,4
1.045,1
Dívida Bruta
818,1
763,8
877,1
833,9
Caixa
125,3
80,9
161,9
239,2
Ações próprias (v. mercado)
(4)
2,1
3,1
22,7
0,0
Nº ações próprias detido em 31/12 (milhões)
0,5
0,9
6,3
0,0
EBITDA/Vendas (%)
24,7%
26,9%
22,0%
22,2%
ROS (%)
12,7%
13,3%
10,0%
10,7%
(1) Resultados operacionais + amortizações + provisões
(2) Resultados líquidos + amortizações + provisões
(3) Dívida bruta remunerada - caixa
(4) Em 2021 foram extintas 6,3 milhões de ações próprias por redução de capital social, seguido de aumento de capital
por incorporação de reservas
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Perfil
A The Navigator Company é um produtor integrado de floresta, pasta, papel, tissue, soluções
sustentáveis de packaging e bioenergia, cuja atividade se encontra alicerçada em fábricas de
última geração à escala mundial, com tecnologia de ponta. É reconhecida como uma referência
de qualidade no setor em todo o mundo.
As pessoas, a sua qualidade de vida e o futuro do planeta inspiram e movem a The Navigator
Company. A Companhia assume um compromisso com a criação de valor sustentável para os
seus acionistas e para a sociedade como um todo, deixando às futuras gerações um planeta
melhor, através de produtos e soluções sustentáveis naturais, recicláveis e biodegradáveis,
que contribuem para a fixação de carbono, para a produção de oxigénio, para a proteção da
biodiversidade, para a formação de solo e para o combate às alterações climáticas.
A produção de pasta e papel por parte da The Navigator Company tem por base a utilização
de florestas plantadas exclusivamente para este efeito. Todos os anos, os viveiros da Navigator
dão vida a mais de 12 milhões de árvores. Estes viveiros – os maiores da Europa – produzem
135 espécies diferentes de árvores e arbustos. Muitas destas, ainda que não tendo viabilidade
económica per se, são produzidas pela Companhia, para conservação da biodiversidade e para
garantir a continuidade das espécies.
As florestas sob gestão da The Navigator Company em Portugal têm um stock de carbono,
excluindo o carbono no solo, equivalente a 5,9 milhões de toneladas de CO
2
, valor que se
mantém estável graças ao modelo de gestão sustentável seguido pela Empresa.
O Grupo desenvolve uma atividade florestal verticalmente integrada, com o seu próprio
instituto de investigação florestal, e é responsável pela plantação de uma vasta área florestal
em Portugal continental (1,2% da área do país), 100% certificada pelos sistemas FSC
®
1
e
PEFC
2
. A Companhia dispõe de uma capacidade de produção de 1,6 milhões de toneladas de
papel, 1,6 milhões de toneladas de pasta, 130 mil toneladas de tissue e 2,5 TWh de energia
renovável por ano. Em 2021, 66% (vs. 60% em 2020) da energia produzida pela Navigator
nos seus quatro complexos industriais teve origem na biomassa, dando-lhe o papel de
liderança no setor, com cerca de 35% do total do país utilizando este combustível ecológico e
não fóssil.
Em novembro de 2021, a The Navigator Company lançou uma nova linha de produtos de
packaging, alicerçado pela nova marca gKraft, com o objetivo de contribuir para acelerar a
transição do uso do plástico para a utilização de fibras naturais, sustentáveis, recicláveis e
biodegradáveis, assumindo assim, e uma vez mais, o seu compromisso com a sustentabilidade
e com a preservação do ambiente.
A Empresa é a terceira maior exportadora em Portugal e a maior geradora de Valor
Acrescentado Nacional, representando aproximadamente 1% do PIB nacional, cerca de 3%
das exportações nacionais de bens, e mais de 30 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.
Em 2021, a The Navigator Company teve um volume de negócios de €1,596 mil milhões. Mais
1
FSC – Forest Stewardship Council® (Licença n.º FSC® – C010852)
2
PEFC – Programme for the Endorsement of Forest Certification schemes (Licença n.º PEFC/13-23-001)
Relatório e Contas 2021
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de 90% dos produtos do Grupo são vendidos para fora de Portugal e têm por destino
aproximadamente 130 países.
A The Navigator Company assumiu formalmente o compromisso de atingir a neutralidade
carbónica nos seus complexos industriais até 2035, antecipando em 15 anos as metas
estabelecidas pela União Europeia e por Portugal. Tornou-se, assim, a primeira empresa
portuguesa, e uma das primeiras a nível mundial, a definir este ambicioso objetivo, para o
qual alocou um investimento total de €154 milhões, dos quais 55 milhões já realizados até ao
final de 2021.
Este compromisso é o culminar de uma estratégia de gestão responsável do negócio que já
havia sido distinguida pelo CDP (antes Carbon Disclosure Project, agora Disclosure Insight
Action), em 2019 e 2020, com a classificação de líder global no combate às alterações
climáticas. A The Navigator Company foi reconhecida pela sua atuação na redução de
emissões, diminuição dos riscos climáticos e desenvolvimento de uma economia de baixo
impacto de carbono.
No final de 2021, a The Navigator Company aderiu à iniciativa Science Based Targets initiative
(SBTi), tendo submetido logo no momento da adesão as suas metas de redução de emissões
de gases com efeito de estufa (GEE) com base na mais atual ciência climática, dispensando,
assim, o período de dois anos que as empresas dispõem e tipicamente utilizam para o fazer.
A Companhia tem vindo a desenvolver um conjunto de estratégias para medir e reduzir a sua
pegada total de GEE, bem como promover a mitigação e adaptação aos riscos gerados pelas
alterações climáticas. Com a adesão aos SBTi, a Empresa avança no alinhamento com critérios
e metodologias de base científica que merecem reconhecimento internacional no âmbito da
agenda global do clima, afirmando a sua liderança em sustentabilidade.
Já em 2022, a Navigator obteve uma pontuação de 14,3 no Environmental Social and
Governance Risk Rating referente a 2021, voltando a posicionar-se entre as melhores
empresas do mundo em matéria de sustentabilidade, sendo esta a melhor classificação obtida
desde que começou a integrar as avaliações da Sustainalytics. Com esta classificação, a
Empresa mantém-se na categoria “Low Risk”, significando que apresenta um baixo risco para
investidores, e ocupa o terceiro lugar, tanto no ranking das empresas do grupo de indústrias
do “Papel e Floresta” – num total de 81 empresas globais que fazem parte deste cluster –,
como no do subgrupo “Papel e Pasta”, num total de 60 empresas a nível mundial.
Crescer pela inovação
Depois de um 2020 dominado pela pandemia, em que a segurança das pessoas e a
continuidade do negócio foram o eixo motor das atividades da Companhia, em 2021 a The
Navigator Company focou-se no aumento da contribuição que pode dar para um futuro mais
justo, mais inclusivo e mais sustentável.
A Estratégia de Gestão Responsável do Negócio da Navigator, refletida na Agenda de Gestão
Responsável para a década 2020-2030, representa um novo patamar, ainda mais ambicioso e
abrangente, de um compromisso que a Navigator tem vindo a assumir, de forma sistemática,
para com a sustentabilidade.
Finalizada em 2020, e consolidada em 2021, a Agenda 2030 reflete o empenho em Criar Valor
com Responsabilidade, alinhado com as macrotendências globais de sustentabilidade, como a
Relatório e Contas 2021
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emergência climática e a perda de biodiversidade, as transformações demográficas e sociais,
e as inovações tecnológicas.
O setor florestal tem uma posição de destaque na transição para uma bioeconomia circular,
não só pelos seus atributos próprios, mas pelos esforços e liderança em termos de
desenvolvimento de soluções inovadoras para alcançar esse objetivo – a floresta não é apenas
o maior ecossistema terrestre de armazenamento de carbono e principal polo de
biodiversidade, é também a maior fonte de recursos naturais que, geridos de forma
sustentável, são renováveis e circulares por natureza.
Para além das aplicações tradicionais, a Navigator está envolvida em promissores projetos de
I&D para gerar uma gama ampla de bioprodutos a partir da árvore, alguns deles substituindo
produtos atualmente obtidos pela petroquímica.
2021 fortaleceu esta visão de crescimento da Companhia, assente num caminho de inovação
e diferenciação.
Ano histórico no packaging
O ano de 2021 fica assinalado na história das marcas da The Navigator Company pelo
lançamento da linha gKraft de papéis para embalagem, que veio complementar o portefólio da
Companhia num segmento com rápido potencial de crescimento na atual conjuntura de
substituição de plásticos de uso único por alternativas de origem sustentável.
Este produto, alinhado com o compromisso da Navigator de contribuir para a substituição de
produtos de base fóssil por outros de origem florestal, renováveis, biodegradáveis, recicláveis
e neutros em carbono, é o resultado de um intenso programa realizado pelo RAIZ – Instituto
de Investigação da Floresta e Papel, em estreita colaboração com as direções fabris de Aveiro
e Setúbal, e a Direção Técnica de Produto.
Na sua base está uma pasta inovadora de alto rendimento, a partir da fibra virgem de
Eucalyptus globulus, que atribuiu ao produto várias vantagens, nomeadamente em termos de
sustentabilidade: a celulose é um material de origem natural, renovável, reciclável e
biodegradável, que substitui o plástico numa ótica de bioeconomia circular, e as características
particulares do globulus atribuem-lhe benefícios também em comparação com outras fibras
celulósicas longas, como menor consumo de madeira para produzir o mesmo papel (o pinheiro
nórdico consome entre 65% a 105% mais), maior compostabilidade (devido ao menor teor de
lenhina) e maior reciclabilidade (mais 60% a 150%).
O papel gKraft tem ainda um forte argumento ao nível da segurança e higiene alimentar: ao
utilizar apenas fibra virgem, é mais seguro e higiénico para o contacto com alimentos, já que,
ao contrário da fibra reciclada, evita o perigo de contaminações.
Rumo a 2035
Em 2021, a Navigator levou a cabo um projeto para completar o seu inventário de gases com
efeito de estufa (GEE), que culminou na adesão à Science Based Targets initiative (SBTi) e à
submissão das metas para validação, com base na mais atual ciência climática.
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As emissões diretas de CO
2
da Companhia caíram das 717 mil toneladas registadas em 2020
para as 562 mil toneladas. A entrada em funcionamento, no final de 2020, da nova caldeira
de biomassa no complexo industrial da Figueira da Foz, financiada em 50% do seu custo pelo
Banco Europeu de Investimento (BEI), foi determinante para esta redução acentuada, sendo
responsável pela diminuição de 57% das emissões de CO
2
neste complexo industrial.
A descarbonização integra, de resto, um dos três eixos de atuação da Agenda de Gestão
Responsável 2030 da Navigator (o eixo pelo Clima, que visa contribuir para uma economia
circular e de baixo carbono), no caminho para atingir a neutralidade carbónica dos seus
complexos industriais até 2035.
Tendo como objetivo criar valor sustentável e competitividade no longo prazo, a Agenda 2030
da Navigator, que orientou a estratégia responsável de negócio da Empresa em 2021,
contempla um foco central – Um Negócio Responsável – e três eixos estratégicos de atuação.
Para além do eixo pelo Clima, o eixo pela Natureza tem como ambição preservar e valorizar o
Capital Natural, e o eixo pela Sociedade tem como objetivos desenvolver os seus
Colaboradores, criar envolvimento com as comunidades e partilhar o valor com a sociedade
de forma justa e inclusiva.
Investir na floresta
A Navigator geriu um total de 104.673 hectares de floresta em Portugal continental,
representando um investimento direto na cadeia de valor florestal, nos 18 distritos de Portugal
continental, de 35,6 milhões de euros (€32,4 M em 2020).
Os baixos níveis de pluviosidade de 2021 não foram favoráveis às operações de silvicultura, o
que reduziu os níveis de reflorestação em relação ao ano anterior, fixando-se nos 2.162
hectares.
As mesmas condições meteorológicas foram, no entanto, favoráveis às operações de corte de
madeira, tendo sido intensificadas em plantações maduras, de forma a colmatar a grande
dificuldade de abastecimento de matéria-prima das fábricas, devido à menor disponibilidade
de madeira no mercado.
A Navigator manteve o fomento à certificação da gestão florestal, aumentando a percentagem
de madeira nacional certificada que adquiriu (já que a madeira que produz é 100% certificada)
para 63%. A percentagem de madeira certificada adquirida no mercado nacional é um dos
indicadores ESG a que estão indexadas as condições financeiras de um empréstimo
obrigacionista (Sustainability-linked bond 2021-2026) de €100 milhões emitido pela Navigator.
Ao nível da biodiversidade, o desafio de 2021 foi promover a quantificação dos ganhos das
diversas ações e projetos de conservação e restauro de habitats levadas a cabo nos últimos
dez anos.
Num património florestal sob gestão que inclui 12.364 hectares de Zonas de Interesse para a
Conservação (11,8% do total, e mais 441 hectares do que em 2020) e em que 31% do total
é intersectado por diferentes tipos de Áreas Classificadas, a Navigator protege 245 espécies
de fauna e mais de 800 espécies e subespécies de flora.
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Moçambique inicia colheita e exportação
A Portucel Moçambique, que conta atualmente com 250 Colaboradores diretos e indiretos,
iniciou em dezembro de 2020, 12 anos após a sua criação, a colheita e exportação de madeira
proveniente de plantações piloto instaladas na província de Manica, sob gestão responsável e
com certificação de origem controlada – um passo importante para a formação de um cluster
de uma indústria de base florestal em Moçambique e para o posicionamento da Empresa e do
país no mercado internacional de exportadores de produtos com origem em florestas
plantadas.
No âmbito desta operação, saíram três navios do porto da Beira em 2021, com uma carga de
90.000 m
3
, com destino aos centros fabris da The Navigator Company.
A atividade de colheita e exportação foi acompanhada por um envolvimento também com os
Stakeholders institucionais, entre os quais as entidades governamentais ao nível central, assim
como das províncias e dos distritos nas áreas do projeto, tendo em vista expor os benefícios
da cadeia de valor da plantação de árvores, para a economia, para as comunidades
envolventes e para o ambiente. Esta operação tem sido igualmente acompanhada pelo nosso
parceiro de know-how e de capital, o IFC, na medida da sua experiência com projetos similares
noutras geografias.
O Programa de Desenvolvimento Social, que visa contribuir para responder às prioridades
socioeconómicas das comunidades, reforçou em 2021 as suas áreas de ação, entre as quais a
promoção da segurança alimentar, o fomento nas vertentes agrícola, pecuária, apícola e
piscícola e, na área da melhoria do bem-estar, as infraestruturas de saúde e de educação, o
acesso a água potável e energia e as vias de acesso.
Valorizar as pessoas
A The Navigator Company deu particular destaque à valorização e gestão das carreiras em
todos os setores e áreas de negócio ao longo do ano de 2021.
Destaca-se a criação do Plano Jovens Quadros, de um Novo Plano de Carreiras destinado aos
técnicos operacionais das áreas do tissue, do papel e da pasta, e de uma nova tabela salarial
com escalões discretos de remuneração, na qual as etapas de progressão estão claramente
definidas. De salientar a assinatura de um novo instrumento de regulamentação coletiva para
as empresas do tissue.
Com prazo de execução estendido até ao final do primeiro trimestre de 2022, o plano de
formação de 2021, que previa 588 cursos, acabou por contemplar mais 306 extra plano,
atingindo-se um total de 744 cursos efetivamente ministrados.
No âmbito da Política de Recursos Humanos do Grupo e ao abrigo do Programa ATIVAR do
IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional, a The Navigator Company integrou 89
estagiários, dos quais 33 licenciados/mestres e 56 futuros operadores. O Programa de Estágios
reflete o papel de dinamização na formação de futuros profissionais, ao mesmo tempo que
reforça a aposta do Grupo na ligação do mundo académico e escolar à realidade empresarial.
Relatório e Contas 2021
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Com o menor peso dos confinamentos associados à Covid-19, foram retomadas as formações
externas, embora a um ritmo inferior a períodos pré-pandemia. Ao mesmo tempo, houve o
reforço da oferta formativa em formato online, disponível através do portal Learning Center.
A continuação da situação pandémica em 2021 levou a que a implementação do Plano de
Contingência Covid-19, criado no ano anterior, permanecesse na ordem do dia. As medidas
tomadas permitiram manter controlada a propagação da doença, nomeadamente através da
testagem de todos os Colaboradores internos e externos, feita a cada 15 dias, sendo que só o
esforço de todos possibilitou as fábricas operarem 24/7, pese embora as baixas por Covid-19
e os isolamentos profiláticos.
Um Negócio Responsável
2021 foi o ano de publicação da Agenda de Gestão Responsável 2030 da Navigator, que visa
aumentar a contribuição positiva da Companhia para a criação de valor e crescimento
sustentável num mundo em mudança. A Agenda 2030 foi elaborada tendo por base um
processo de reflexão estratégica que incluiu a análise das macrotendências globais e principais
desafios para o negócio, considerando a sua importância, os riscos ESG (Environmental, Social
& Governance) e as oportunidades, além de uma ampla auscultação a mais de 540
Stakeholders internos e externos.
Esta Agenda é um reflexo da Estratégia de Gestão Responsável da The Navigator Company,
que assenta na Ética, Responsabilidade e Transparência. A Empresa é responsável por
produtos de base florestal que contribuem para o desenvolvimento sustentável e para o bem-
estar da sociedade, em alinhamento com a Agenda 2030 das Nações Unidas. A sua estratégia
tem por base uma estrutura de governação que visa atingir o sucesso económico, de uma
forma justa e responsável, atendendo aos interesses dos Stakeholders e estimulando a
cooperação com os mesmos.
A Agenda 2030 da Navigator inclui um foco central – Um Negócio Responsável – e três eixos
estratégicos de atuação: pela Natureza, pelo Clima e pela Sociedade. O eixo da Natureza tem
como ambição preservar e valorizar o Capital Natural; o eixo do Clima visa contribuir para uma
economia circular e de baixo carbono; e o eixo da Sociedade tem como objetivos desenvolver
os seus Colaboradores, criar envolvimento com as comunidades e partilhar o valor com a
sociedade de forma justa e inclusiva.
A experiência da Empresa na construção da sua Agenda 2030, através de um extenso e efetivo
processo de envolvimento de Stakeholders, foi matéria de um case study publicado na
Biblioteca de Casos de Estudo do BCSD Portugal (Business Council for Sustainable
Development).
O envolvimento com os Stakeholders traduziu-se ainda, durante 2021, na realização de duas
sessões do Fórum de Sustentabilidade da Navigator, uma interna, para apresentação e reflexão
sobre os resultados do processo de auscultação no âmbito da análise de materialidade da
Agenda 2030, e uma externa dedicada ao tema da “Proteção Dinâmica da Floresta”, que
ocorreu em Torres Vedras.
Relatório e Contas 2021
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Todo este compromisso da Companhia com a Sustentabilidade tem sido alvo de
reconhecimento por entidades externas independentes, tendo em 2021 sido possível obter
uma avaliação muito positiva no ESG Risk Rating da Sustainalytics. Na revisão efetuada no
final do ano, a Navigator alcançou uma classificação de 14,3, o que a posiciona no terceiro
lugar num conjunto de 81 empresas do setor industrial Paper & Forestry. A Companhia situa-
se, assim, entre as melhores empresas do mundo em sustentabilidade, tendo sido classificada
novamente como “Empresa de Baixo Risco ESG” para investidores.
No final do ano, a Companhia aderiu à Science Based Targets initiative (SBTi), submetendo
para validação as suas metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE)
com base na mais atual ciência climática, aspeto que vem reforçar o seu empenho em
contribuir para o combate às alterações climáticas.
Este foi também um ano de aprofundamento de temas chave de sustentabilidade, para
melhorar o alinhamento com iniciativas da agenda internacional e dar resposta ao crescente
escrutínio externo da Empresa. Nesse sentido, a Navigator continuou a participar ativamente
na iniciativa The Forests Dialogue e no programa Forests Forward, da WWF – World Wide Fund
for Nature, plataformas multistakeholders que contribuem para o debate de temas
diversificados em torno da floresta.
Enquanto membro do Forest Solutions Group do WBCSD – World Business Council for
Sustainable Development, uma das atividades em que a Navigator participou foi a preparação
de um vídeo subordinado ao tema “Choose Sustainable Projects”, com o objetivo de sensibilizar
para o papel das florestas plantadas e dos produtos florestais no âmbito da agenda global de
desenvolvimento sustentável. Uma chamada de atenção para o facto de nestas florestas a
gestão ser feita em equilíbrio com a sua envolvente natural e as árvores serem repostas após
cada colheita, continuando a remover o dióxido de carbono da atmosfera, garantindo-se a
biodiversidade, os ecossistemas, a qualidade da água e habitats para a vida selvagem, bem
como as condições para a subsistência das comunidades locais.
Para um conhecimento mais detalhado das ações no âmbito da Agenda 2030 e da Estratégia
de Gestão Responsável do Negócio da The Navigator Company como um todo, consulte o nosso
Relatório de Sustentabilidade 2021.
SBTi: um compromisso com a redução de emissões de GEE
Em 2021, a The Navigator Company completou o seu inventário de gases com
efeito de estufa (GEE), processo que culminou na adesão à Science Based Targets
initiative (SBTi) no final do ano. Ao contrário do que é comum, a Companhia
dispensou o período de dois anos que as empresas têm para submeter os seus
compromissos, tendo imediatamente entregado para validação as suas metas de
redução de emissões de GEE, com base na mais atual ciência climática.
A Science Based Targets, criada em 2015, é uma organização que integra o CDP,
a United Nations Global Compact, o World Resources Institute e o World Wide
Fund for Nature, com o objetivo de mobilizar o setor privado a assumir um papel
de liderança em ações urgentes no âmbito das alterações climáticas.
Relatório e Contas 2021
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Distinção no rating Sustainalytics
A The Navigator Company está entre as melhores empresas mundiais nos
parâmetros de sustentabilidade, de acordo com a classificação no ESG Risk Rating
da auditora especializada Sustainalytics. Na revisão efetuada no final de 2021, a
Companhia obteve uma classificação de 14,3, evidenciando uma melhoria face à
avaliação anterior. Esta classificação posiciona a Navigator no terceiro lugar, tanto
num total de 81 empresas a nível mundial que fazem parte do cluster de indústrias
Paper & Forestry, como no subconjunto de 60 empresas que integram o cluster
Paper & Pulp.
Nova ferramenta de quantificação da circularidade
No âmbito da participação da Navigator no grupo de trabalho de Economia Circular
do BCSD Portugal, a Companhia levou a cabo um teste piloto da ferramenta
Circular Transition Indicators (CTI tool), desenvolvida pelo WBCSD e pela Circular
IQ, com o objetivo de medir e quantificar a circularidade de produtos e processos
nas empresas. A Navigator integrou o grupo piloto que preparou a versão
portuguesa da CTI V2.0, avançando com um teste piloto que envolveu as áreas
de I&D, de Ambiente e de Sustentabilidade. A experiência confirmou a elevada
circularidade do papel UWF produzido na fábrica da Figueira da Foz e sublinhou a
importância do envolvimento dos diversos agentes da cadeia de valor nas métricas
de circularidade.
Uma aliança pela bioeconomia circular
A Navigator foi uma das primeiras empresas a aderir, em 2021, à Circular
Bioeconomy Alliance (CBA), uma plataforma estabelecida por iniciativa do Príncipe
de Gales, no âmbito da sua Sustainable Markets Initiative, para acelerar a
transição para uma bioeconomia circular, neutra para o clima, inclusiva e em
harmonia com a natureza. A CBA desenvolveu um enquadramento conceptual
para o uso do capital natural renovável como base para a gestão e transformação
da terra, da alimentação, dos sistemas industriais e de saúde, e das cidades. Neste
âmbito, a Companhia tem trabalhado com o European Forest Institute (EFI), que
é facilitador da plataforma.
Relatório e Contas 2021
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26
“Atuar pela natureza”
A Navigator coorganizou, patrocinou e participou ativamente num dos painéis da
conferência anual do BCSD Portugal – Business Council for Sustainable
Development, centrada no tema "Sustentabilidade: desafios da década 20-30",
que decorreu após a COP26 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças
Climáticas. O painel, com o título “Atuar pela natureza”, debateu os desafios da
perda de valores naturais e o papel dos governos e das empresas na transição
para uma economia neutra para o clima e positiva para a natureza. Uma
oportunidade para a Companhia dar a conhecer o seu posicionamento e as
principais atividades realizadas no contributo para a conservação da natureza e
da biodiversidade através da gestão sustentável dos espaços florestais.
Relatório e Contas 2021
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A SUSTENTABILIDADE EM NÚMEROS
NEGÓCIO
€12,1 Milhões de investimento em I&D+i*
* Despesa global da Navigator, com base no montante elegível para SIFIDE (o valor apresentado
é relativo a 2020, pois o valor final de 2021 só estará apurado em junho de 2022)
PELA NATUREZA
90% utilização de matérias-primas de origem renovável
88% dos resíduos são valorizados
84% da água é devolvida ao ambiente
104.673 ha área florestal gerida
PELO CLIMA
Redução de 30% das emissões diretas de CO
2
(ano base: 2018)
77% energia renovável consumida
5,9 Mt CO
2
retido nas florestas geridas
PELA SOCIEDADE
3.150 Colaboradores
136.118 horas de formação*
744 cursos realizados*
Mais de 7.000 famílias apoiadas em Moçambique
€1,65 Milhões investimento na comunidade
* Dados relativos ao total da formação ministrada.
Relatório e Contas 2021
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2. DESEMPENHO NOS NEGÓCIOS
SÍNTESE DOS PRINCIPAIS INDICADORES
Ano
Ano
Variação
(7)
Milhões de euros
2021
2020
2021 / 2020
Vendas Totais
1.595,9
1.385,4
15,2%
EBITDA
(1)
354,7
285,5
24,2%
Resultados Operacionais (EBIT)
229,6
140,4
63,5%
Resultados Financeiros
- 17,8
- 14,7
21,1%
Resultado Líquido
171,4
109,2
57,0%
Cash Flow Exploração
296,6
254,3
42,3
Cash Flow
Livre
(2)
234,7
233,5
1,2
Investimentos
80,1
80,6
- 0,5
Dívida Líquida Remunerada
(3)
594,8
680,0
- 85,2
EBITDA/Vendas
22,2%
20,6%
1,6 pp
ROS
10,7%
7,9%
2,9 pp
ROCE
(4)
13,7%
8,1%
5,6 pp
ROE
(5)
16,4%
10,6%
5,8 pp
Autonomia Financeira
41,2%
40,2%
1,0 pp
Dívida Líquida Remunerada /EBITDA
(6)(7)
1,68
2,38
-0,70
(1) Resultados operacionais + amortizações + provisões;
(2) Variação dívida líquida + dividendos + compra de ações próprias
(3) Passivos remunerados – disponibilidades (não inclui o efeito do IFRS 16)
(4) ROCE = Resultados operacionais anualizados / Média do Capital investido (N+(N-1))/2
(5) ROE= Resultados líquidos anualizados / Média dos Capitais Próprios (N+(N-1))/2
(6) (Passivos remunerados – disponibilidades) / EBITDA correspondente aos últimos 12 meses; Impacto IFRS 16:
Net Debt / EBITDA 2021 de 1,83; Net Debt / EBITDA 2020 de 2,58;
(7) Variação de valores não arredondados
A retoma económica que potenciou a recuperação do consumo de papel, conjugada com a
melhoria do equilíbrio entre a oferta e a procura nos Estados Unidos, na Europa e na região
MENA, na sequência da saída de capacidades e conversões já anunciadas, e da redução de
importação na Europa, na sequência dos constrangimentos logísticos, permitiram um bom
desempenho da indústria em 2021 e em particular da Navigator. Depois de um ano 2020
marcado pelo forte impacto da pandemia na procura e por uma quebra acentuada de preços,
no ano 2021, o Grupo registou uma forte entrada de encomendas, atingindo valores
historicamente altos no 3.º Trimestre e, de novo, no 4.º Trimestre. Por outro lado, a Navigator
conseguiu, com o aumento de volumes de UWF e aumento transversal de preços, compensar
o forte aumento de custos de matérias-primas e dos custos logísticos, que se fez sentir
sobretudo no segundo semestre do ano, evidenciando mais uma vez a resiliência e a
flexibilidade do seu modelo de negócio.
A Navigator registou um volume de negócios de €1.596 milhões em 2021, tendo as vendas de
papel representado cerca de 72% do volume de negócios (vs. 68%), as vendas de pasta 11%
Relatório e Contas 2021
28/03/2022
29
(vs. 11%), as vendas de tissue 9% (vs. 10%) e as vendas de energia 8% (vs. 10%). O ano
ficou marcado pela evolução positiva da procura de UWF, particularmente na Europa, depois
de um ano de queda expressiva no consumo global de papel, em resultado da pandemia. Por
outro lado, foi um ano marcado por um forte aumento de custos de matérias-primas, energia
e logística, essencialmente no 2.º semestre. A Navigator conseguiu compensar o forte aumento
de custos variáveis, continuando o esforço iniciado em 2020, de contenção de custos fixos,
com o aumento de volume de UWF e a implementação de aumentos de preços, transversal a
todos os negócios. Ao longo de 2021, foram realizados sucessivos aumentos de preços, a par
da otimização expressiva do mix de vendas, nomeadamente pelo upgrade do mix de produtos.
No negócio de UWF, o preço entre janeiro e dezembro aumentou quase 30%, aumento sem
paralelo na história do Grupo.
2.1. Papel UWF
Mercado recupera em ano de desafios
O mercado do papel de impressão e escrita (UWF) atingiu em 2021 um volume de negócios
de €1.154 milhões (mais €212 milhões do que em 2020), o que se traduziu num crescimento
do volume de vendas de 198 mil toneladas em relação ao ano anterior, num contexto em que,
particularmente no 2.º semestre, se verificaram restrições de oferta e aumento da procura, o
que, por sua vez, levou a carteira de encomendas a registar níveis máximos nos últimos meses,
superiores a 80 dias de produção.
Em paralelo, assistimos a uma conjuntura de grande aumento do preço das commodities,
destacando-se um incremento do preço da pasta superior a 450 dólares por tonelada entre o
início e o final do ano, atingindo máximos históricos. No final do verão, assistiu-se também a
um aumento significativo do custo da energia, dos químicos, dos materiais de embalagem, da
logística por via marítima e terrestre, e do Brent, assim como à falta de meios humanos para
conduzir camiões, entre outros fatores.
De facto, os desafios surgiram em diferentes vetores. As ações comerciais tiveram de refletir
com agilidade o mercado, com aumentos rápidos de preço, como meio de proteção da margem,
e uma adaptação de estratégia ao longo do ano, que influenciou, por exemplo, as opções de
melhoria mix de produto. A Navigator passou a concentrar a produção das suas máquinas nos
segmentos com margens mais satisfatórias, como o Premium (52% do volume), em
detrimento dos produtos económicos. Foi possível também aumentar as quantidades vendidas
em Clientes europeus e norte-americanos.
A entrada em 2021, e o agravamento da crise pandémica um pouco por toda a Europa, com
confinamento e teletrabalho obrigatórios em muitos mercados, traduziu-se numa redução do
consumo aparente de papel, que, no final de abril, tinha decrescido 3% relativamente ao
período homólogo de 2020 e 11% face ao mesmo período de 2019. A partir de maio, com a
melhoria da situação pandémica, o consumo de papel foi recuperando gradualmente, em
especial em Folio e Bobinas, menos afetados que o Papel de Escritório, que sofreu maior
impacto devido ao trabalho remoto.
Relatório e Contas 2021
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30
O ano acabou por terminar nos mercados europeus com uma procura global de papel cerca de
7% superior a 2020, ainda que também cerca de 7% abaixo de 2019. O consumo de Folio e
Bobinas ficou perto dos níveis de 2019 e acima de 2020, em 14% e 10%, respetivamente,
mas no Cut Size ainda cerca de 12% abaixo de 2019 e apenas 2% acima de 2020. No global,
as Marcas de Fábrica representaram 69% do volume vendido e os Produtos Premium 52%
(atingindo mesmo 73% e 59%, respetivamente, no último trimestre do ano), neste último
caso, o melhor registo dos últimos 10 anos.
No total, a Navigator vendeu na Europa 815.000 toneladas de papel, 9% acima de 2020 e
cerca de 5% abaixo de 2019, uma performance acima do consumo do mercado, sendo de
realçar as vendas de papéis para embalagem, que superaram o objetivo estabelecido.
Nos mercados internacionais fora da Europa, 2021 foi também um ano recorde de vendas,
com um crescimento de 25% em volume. Os Produtos Premium atingiram 43% do volume (5
pontos percentuais acima de 2020) e as Marcas de Fábrica representaram 74% (mais 1 ponto
percentual). Os resultados traduziram-se ainda num aumento da quota de mercado, devido à
aposta continuada de crescimento nestes mercados. A presença da Navigator nas exportações
europeias cresceu 6 pontos percentuais, passando a representar 57%, aproveitando o facto
de algumas empresas terem saído do mercado ou reduzido capacidade.
No mercado dos Estados Unidos da América, a procura de papel cresceu 3%, mas ainda ficou
significativamente abaixo de 2019 e, a par disto, houve restrições de oferta por via de
fechos/conversões de capacidade (em parte, devido à situação pandémica). O mercado reagiu
rapidamente à falta de papel, com uma subida mais rápida dos preços, e o ano fechou para a
Navigator com uma acentuada evolução das vendas.
Apesar da situação atípica de mercado, a Companhia continuou igualmente a apostar no
desenvolvimento da sua gama de produtos, tendo o ano ficado marcado pela investigação,
desenvolvimento e lançamento de vários novos produtos em segmentos tão distintos como o
papel para embalagem (com características de substituto do plástico de origem fóssil), o Cut
Size para escritório e uso doméstico, e papéis para transformação industrial, concebidos para
áreas como a editorial e os cadernos.
Aproximação aos Clientes: desafios e oportunidades
No âmbito da iniciativa “Together for the Win”, um incentivo criado no início da
pandemia para os distribuidores e as suas forças de venda, um dos prémios em
2021 consistia numa visita à fábrica, numa altura em que o acesso ao público
estava restringido. A ação teve um feedback muito positivo e é mais um exemplo
de como a Navigator lidou com os constrangimentos criados pelo confinamento
na relação com os Clientes, transformando os desafios em oportunidades. E até
mesmo o facto de as reuniões deixarem de ser presenciais permitiu trabalhar de
forma mais abrangente. Se, antes da virtualização, uma reunião com um grande
Cliente decorria de forma mais circunscrita nas suas instalações, em 2021, pelo
contrário, os encontros em modo remoto passaram a permitir a discussão de
temas e a partilha de experiências de diversos mercados, em tempo real e em
simultâneo com todos os escritórios da Empresa.
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Reposicionamento ecoeficente da marca Discovery
Em 2021, o papel Discovery, que já tinha um ADN sustentável (produto
exclusivamente disponível em 70 g/m
2
e 75 g/m
2
, utilizando menos recursos e
produzindo menos resíduos), foi alvo de um reposicionamento, focando agora a
sua argumentação em ecoeficiência, reforçando as vantagens dos produtos com
origem em florestas certificadas e renováveis, que retêm dióxido de carbono. Para
além de serem produtos recicláveis e biodegradáveis, num exemplo perfeito de
bioeconomia circular.
Diversificação da gama de papéis Navigator
Em 2021, a Companhia lançou dois novos produtos para nichos do mercado
industrial: as gamas Navigator Premium Writing e Navigator Premium Books. O
primeiro representava uma ambição já com algum tempo e foi desenvolvido a
pensar no mercado dos cadernos e agendas, pois é mais opaco e resistente aos
meios aquosos, o que permite que a tinta, mesmo de caneta permanente ou de
caneta de feltro, não trespasse para o verso da folha. Este foi, de resto, o papel
escolhido pela conhecida marca portuguesa Ambar para a sua coleção sustentável
#ClassroomMates. Já o Navigator Premium Books, um offset natural com diversas
gramagens, é dedicado, sobretudo, à produção de livros e distingue-se pela
excelente lisura, pela maior longevidade e, graças à sua brancura natural, por
proporcionar maior conforto durante a leitura, independentemente da luz
ambiente. Apresenta ainda outra vantagem para a impressão de livros de bolso:
permite usar gramagens mais baixas, mantendo a opacidade. Este último foi o
papel utilizado na coleção de livros “Ex-libris - Tesouros das Bibliotecas de
Portugal”, uma parceira entre a Navigator e o jornal Público.
Home Pack XS: nova vida, nova resma
O lançamento desta nova resma de papel refletiu as necessidades que advêm da
alteração da realidade laboral, com o aumento substancial do teletrabalho. O
Home Pack XS oferece a reconhecida qualidade do papel de impressão da marca
Navigator, mas agora com um número mais reduzido de folhas por resma, apenas
150, face às 250 da versão Home Pack original, o que reduz o peso, facilita o
transporte e o armazenamento em casa.
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DADOS OPERACIONAIS
PAPEL UWF (kton)
2017
2018
2019
2020
2021
Figueira da Foz
771,3
744,1
718,9
649,2
729,0
Setúbal
821,3
791,2
721,8
646,3
732,0
Produção Total de Papel
1.592,6
1.535,3
1.440,8
1.295,5
1.461,0
Vendas Totais de Papel
1.578,1
1.512,9
1.447,0
1.276,1
1.474,4
FOEX - A4-Bcopy EUR/t
815
873
903
836
844
2.2. Pasta de eucalipto branqueada (BEKP)
Preço da pasta na Europa atingiu o valor recorde de 1.140 USD/ton.
No início do ano, enquanto a Europa estava em confinamento, os mercados overseas
registavam grande dinamismo, com a China a laborar em pleno e a assistir a uma subida
consistente do preço da pasta, que chegou aos 780 USD/ton. Contudo, com a reabertura do
Navigator Universal com selo CO
2
Neutral
A The Navigator Company lançou, em 2021, o papel Navigator Universal com selo
CO
2
Neutral, traduzindo o seu compromisso para com a neutralidade carbónica
dos seus complexos industriais até 2035 e com o combate às alterações
climáticas. Durante o mês de outubro, a Companhia desenvolveu um programa
de reflorestação de pinheiro, certificado pela entidade independente
Ecoprogresso, que neutraliza a pegada carbónica da produção e distribuição de
todas as resmas deste papel de 80 g/m
2
.
#PioneerInspireHope contra o cancro da mama
No Mês Internacional de Prevenção do Cancro da Mama, outubro, a marca de
papel Pioneer voltou a promover a sua parceria com o Fundo iMM-Laço, que apoia
a investigação realizada pelo Instituto de Medicina Molecular na área do cancro
da mama. No âmbito da campanha #PioneerInspireHope, no site da Pioneer foi
possível enviar mensagens personalizadas e criar uma flor de papel em origami
para oferecer e partilhar a esperança. No Dia Mundial da Saúde da Mama, 15 de
outubro, a The Navigator Company distribuiu 1.200 flores de papel brancas na
sua sede, no Hospital de Santa Maria e no iMM. Desde 2005, a Pioneer apoia a
luta contra esta doença, através do financiamento do projeto iMM-Laço-HUB.
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mercado europeu e a crise logística a impor dificuldades de exportação de papel da China para
a Europa e Norte de África, os preços no mercado chinês registaram quebras sucessivas, caindo
para 550 USD/ton no final de novembro. Em simultâneo, a América do Sul, o maior produtor
mundial de pasta, não conseguiu fazer as alterações logísticas necessárias para redirecionar
significativamente as operações da China para a Europa.
O aumento dos preços da logística – que, no frete marítimo, se aproximaram dos 100% –, da
energia e dos produtos químicos também pesaram negativamente sobre o mercado da pasta,
que sentiu uma maior pressão em termos de custos.
As questões ambientais e as diretrizes internacionais para uma economia mais sustentável
voltaram a impactar positivamente o mercado de pasta, numa tendência que mostra
intensidade crescente nos últimos anos. A substituição paulatina do plástico por materiais mais
ambientalmente responsáveis, e, ao nível do setor têxtil, a cada vez maior procura de materiais
baseados em fibra de madeira, têm vindo a beneficiar a pasta – um produto sustentável e
100% reciclável, que desempenha um papel fundamental na transição para uma economia
verde.
Todos estes fatores conjugados fizeram subir a procura de pasta na Europa, que, em
simultâneo, assistiu ao crescimento da procura de papéis gráficos, acentuada durante o
segundo semestre do ano, com o consequente aumento dos preços da pasta e a manutenção
dos stocks em baixa. Embora a subida do valor da pasta tenha começado mais tarde na Europa,
esta foi consistente, com o preço a passar dos 680 USD/ton em janeiro para os 1.140 USD/ton
no final de julho, valor em que se manteve até ao final do ano.
Durante o ano de 2021, a The Navigator Company registou um decréscimo de 26% nas vendas
globais de pasta, que atingiram as 292 mil toneladas. De sublinhar que esta quebra se deveu
em parte à maior integração em papel e a redução de vendas foi unicamente nos mercados
overseas – com uma quebra de 72% –, já que na Europa as vendas em volume tiveram um
crescimento de 20%. Devido às condições do mercado, este foi um ano globalmente favorável
para a pasta, com a subida de preços a influenciar positivamente o resultado final, tendo o
valor das vendas atingido os 161 milhões de euros.
Ao longo do ano, e ainda como reflexo da pandemia e dos sucessivos confinamentos, o
segmento da embalagem esteve muito forte, bem como o segmento das especialidades – que
representou 70% das vendas da The Navigator Company para a Europa –, a que se juntou, a
partir de meados do ano, o segmento dos papéis gráficos. Tendo em conta o peso da área das
especialidades nas vendas do Grupo, ao longo de 2021 a Companhia levou a cabo diversas
iniciativas técnico-comerciais com o intuito de reforçar nesse segmento a sua presença em
2022. Simultaneamente, foram realizadas ações de benchmarketing que levaram a uma cada
vez maior presença da pasta da Navigator junto dos seus Clientes.
20% crescimento de vendas na Europa
€161 milhões vendas em 2021
Relatório e Contas 2021
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DADOS OPERACIONAIS
PASTA BEKP KtAD
2017
2018
2019
2020
2021
Aveiro
353,9
357,5
350,2
323,9
347,4
Figueira da Foz
593.,1
575,1
585,5
572,7
582,9
Setúbal
542,1
519,1
490,2
467,5
529,7
Produção Total de Pasta
1.489
1.452
1.426
1.364
1.460
Vendas Totais de Pasta
310,9
253,4
313,8
394,1
292,2
FOEX - BHKP EUR/t
729
880
762
596
867
FOEX - BHKP USD/t
819
1.038
855
680
1.023
2.3. Tissue
Península Ibérica alavanca crescimento nas vendas
Em 2021, o mercado de tissue continuou a sentir os efeitos do contexto pandémico. A Europa
do Sul registou já alguma recuperação da procura, apesar do atraso na reabertura das
economias e das restrições à mobilidade a limitarem a retoma do segmento Away from Home,
que está essencialmente relacionado com o turismo e com o canal Horeca. No segmento At
Home verificou-se um efeito de redução de stocks, sobretudo quando comparado com igual
período do ano passado, traduzindo uma normalização do consumo face ao pico de procura
registado em 2020.
Em 2020, a área de negócio tissue registou um comportamento diametralmente oposto nos
segmentos At Home e Away from Home, com o primeiro a revelar um grande crescimento e o
segundo a sofrer com os vários confinamentos provocados pela pandemia.
O crescimento no negócio Away from Home em 2021 deveu-se, em grande parte, às vendas
realizadas em Portugal e Espanha. No entanto, na sua totalidade, este segmento não voltou
aos níveis pré-pandémicos, sobretudo devido ao impacto dos mercados internacionais – em
particular o norte de África –, que ainda não recuperaram.
No segmento At Home, depois do pico sentido em 2020, foi possível manter o crescimento,
uma tendência a que o Grupo quer dar continuidade, através da aposta num crescimento
orgânico, com a captação de mais Clientes e reforço nos Clientes atuais. Também aqui, as
vendas realizadas na Península Ibérica, que registaram um crescimento na ordem dos 11%,
foram determinantes para o bom resultado.
Em paralelo, a subida acentuada ao longo do ano dos custos de energia, logística e
commodities, em particular do preço da pasta, colocou uma grande pressão na margem dos
produtores de tissue, tendo um número alargado anunciado aumentos de preço.
Consequentemente, a Navigator efetivou aumentos de preço duas vezes durante o ano, em
abril e em dezembro.
Relatório e Contas 2021
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O volume de vendas de tissue atingiu 105 mil toneladas, uma redução de perto de 1% face a
2020, com as vendas de produto acabado a superarem as 80 mil toneladas, e 1% acima de
2020. O valor das vendas foi impulsionado pela subida de preços, evidenciando assim um
crescimento de cerca de 3% em 2021.
Ao longo de 2021, a The Navigator Company continuou a investir na Investigação &
Desenvolvimento, com o lançamento de produtos mais sustentáveis e adaptados à atual
realidade, apostando também na inovação disruptiva e no desenvolvimento de produtos de
valor acrescentado. Com esta estratégia – desenvolvida em parceria com universidades e
centros de investigação –, a Companhia está determinada a ganhar quota e mercado junto
dos Consumidores.
No segmento At Home, foi lançada a gama Naturally Soft, que utiliza fibras virgens não
branqueadas, e duas novas gamas de produtos com aditivos – Amoos Aquactive™, com sabão
incorporado, e Amoos Air Sense™, com pérolas de fragrância. No segmento Away from Home,
foi lançada uma gama de superabsorção, com uma tecnologia diferenciada que introduz bolsas
de ar entre as duas folhas, o que resulta em produtos de alto rendimento. Foi potenciada a
tecnologia já existente, nomeadamente no complexo de Cacia, em Aveiro.
Foi ainda criada uma linha de desenvolvimento para permitir levar até ao mercado Away from
Home algumas novidades de produto com funcionalidades acrescidas. Atendendo que este é
um segmento que está a sair de uma crise profunda, foi desenvolvida uma linha de produtos
cost competitive, por forma a responder a esta necessidade do mercado.
O Grupo continuou também a investir no trabalho com os Clientes, apostando na partilha de
conhecimento, tanto através de ações formativas, como através do trabalho de parceria
centrado no negócio e na gestão de categorias.
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DADOS OPERACIONAIS
TISSUE (Kton)
2017
2018
2019
2020
2021
Produção de Bobines
56,2
71,7
102,3
112,7
111,1
Produção de Produto Acabado
48,9
66,0
72,8
79,5
82,0
Vendas de Bobines
7,3
1,9
21,1
25,9
24,5
Vendas de Produto Acabado
48,1
61,2
74,5
80,1
80,9
Vendas Totais de Tissue
55,4
63,1
95,7
106,0
105,4
2.4. Energia
Autoconsumo de energia renovável aumenta, em ano de quebra
nas vendas
Desde o início de 2021, a central de ciclo combinado a gás natural do complexo industrial de
Setúbal passou a operar em regime de autoconsumo, abastecendo uma das máquinas de
papel, e vendendo apenas o excedente de produção à rede. Isto levou a um decréscimo no
volume de energia vendida, que passou dos 1.655 GWh totalizados em 2020 para 1.439 GWh.
Esta redução, que acompanhou também a menor produção de energia, traduziu-se nos valores
das vendas, que caíram de 144 milhões de euros para 135 milhões.
Inovação e sustentabilidade
Em 2021, a The Navigator Company desenvolveu e lançou no mercado a gama
Naturally Soft, uma gama de papel higiénico e guardanapos com fibras cruas –
fibra virgem não branqueada. Este produto mais sustentável, produzido sem
químicos branqueadores, foi concebido como um projeto multidisciplinar que
nasceu no RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel e passou pelo
envolvimento total da Companhia. A sua concretização recorreu ao
aproveitamento das tecnologias já existentes, mas de forma diferenciadora, e
exigiu alterações de processo, nomeadamente ao nível da fábrica de pasta.
Atualmente, é uma tecnologia usada tanto na marca própria do Grupo como nas
marcas de Clientes, aos quais é dado acesso à inovação desenvolvida
internamente.
Assinalam-se também os lançamentos das gamas Amoos Aquactive™ e Amoos Air
Sense™, que representam uma nova geração de produtos tissue. A tecnologia
Aquactive™ faz surgir no papel espuma que é ativada quando em contacto com a
água, e o Amoos Air Sense™ contém pérolas perfumadas ativadas a cada
utilização pelo movimento do papel. Estas novas gamas foram igualmente
desenvolvidas em ambiente de projeto multidisciplinar em colaboração profunda
com o RAIZ.
Relatório e Contas 2021
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37
Com a entrada em funcionamento das novas centrais solares fotovoltaicas da Figueira da Foz
e, já no final do ano, de Setúbal, a Navigator totaliza cerca de 7 MW de potência instalada
para autoconsumo. Este foi mais um passo dado pelo Grupo na sua política de sustentabilidade
energética, já que se trata de energia gerada localmente, a partir de uma fonte renovável, e
que permite a redução de compras de energia à rede.
Com 7.700 painéis e uma capacidade instalada de 2,6 MWp, a central da Figueira da Foz,
instalada na cobertura da máquina de papel n.º 2, tem uma produção anual aproximada de
3.500 MWh de energia renovável para autoconsumo, a qual é canalizada para a máquina de
papel e para a fábrica de pasta. A poupança na fatura energética será de, aproximadamente,
300 mil euros anuais. Este é também um projeto com impacto na estratégia de
descarbonização da Navigator, permitindo evitar a emissão de 1.296 toneladas de CO
2
por
ano.
Em Setúbal, o projeto sofreu alguns atrasos, e a central, com capacidade instalada de
1,9 MWp, só começou a operar já no final do ano. Localizada num terreno com cerca de quatro
mil metros quadrados, conta com 4.086 painéis solares e tem uma produção anual prevista
de, aproximadamente, 3.200 MWh. A operação normal da nova central poderá representar
uma redução anual da fatura de energia elétrica superior a 250 mil euros, e evitar emissões
na ordem das 1.187 toneladas de CO
2
.
Ao longo de 2021, a Navigator avaliou outro projeto na área da energia solar fotovoltaica, que,
depois da adjudicação prevista para o início de 2022, acrescentará cerca de 25 MW de potência
instalada para autoconsumo. Um salto substantivo, que permite aumentar, de uma só vez, a
capacidade instalada nos últimos anos para o triplo. Com um prazo de execução calculado
entre os 12 e os 15 meses, este projeto – que será instalado em várias unidades industriais
do Grupo – entrará em funcionamento em 2023.
O investimento global já realizado da Navigator em energia solar fotovoltaica ascende a cerca
de 4,7 milhões de euros, dos quais 0,9 milhões foram concretizados em 2021.
Planos de Eficiência Energética
Aveiro
Um investimento de €170.000 permitiu melhorar a eficiência de três crivos no equipamento
de lavagem e crivagem de Pasta Crua, responsável pelo maior uso de energia da unidade
industrial de Aveiro. Esta melhoria conduziu a uma redução de consumo de 752 MWh/ano,
traduzida numa poupança de €68.000/ano.
Figueira da Foz
A área da iluminação interior e exterior do complexo industrial da Figueira da Foz apresenta
um grande potencial de redução de consumos, e totaliza já mais de 20 projetos de iluminação
LED executados, com um investimento acumulado acima dos €600.000. Em 2021, foram
investidos aproximadamente €30.000 num novo projeto de iluminação exterior num dos
parques de estacionamento do complexo.
Relatório e Contas 2021
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38
Vila Velha de Ródão
O investimento de cerca de €20.000 na instalação de um novo permutador de calor na Caldeira
n.º 2 da fábrica de Vila Velha de Ródão, permite o aproveitamento do calor dos gases de
exaustão para aquecimento do ar de combustão. Os ganhos de eficiência da operação
traduzem-se numa redução do consumo de gás natural.
Setúbal
A instalação de LED na área de desintegração da máquina de papel n.º 4 do complexo industrial
de Setúbal, permitiu reduzir a fatura energética daquele espaço em cerca de €9.000 anuais.
Este projeto de eficiência energética, dotado também de sensorização, contou com um
investimento de cerca de €25.000.
2020
2021
Energia produzida
1.802 GWh
1.744 GWh
Energia vendida
€144 milhões
€135 milhões
68 mil euros – poupança anual conseguida na unidade de Aveiro,
no âmbito do Plano de Eficiência Energética.
1.296 toneladas de CO
2
por ano – poupança de emissões associada
à Central Fotovoltaica da Figueira da Foz.
2.5. Packaging
Nova marca gKraft impulsiona vendas
O início da comercialização da nova linha de papéis para embalagem gKraft, em 2021, veio
complementar o portefólio da Navigator num segmento com rápido potencial de crescimento
na atual conjuntura de substituição de plásticos de uso único por alternativas de origem
sustentável. [Veja mais sobre o papel gKraft na secção “Prioridades Estratégicas”]
O e-commerce teve um crescimento ainda mais acentuado durante a pandemia e é
referenciado como um dos vetores de crescimento do negócio de embalagens.
No total do packaging, as vendas superaram o target estabelecido de 53 mil toneladas deste
tipo de papéis, atingindo as 54 mil toneladas. Destas, cerca de 47 mil toneladas foram do novo
papel gKraft.
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39
As vendas, embora sobretudo focadas na Península Ibérica e Sul da Europa, tiveram lugar em
23 países e chegaram a mais de 120 Clientes. De acordo com a estratégia definida, as vendas
na Europa assumiram 91% do volume total, com a região ibérica a representar cerca de 36%
e Itália cerca de 31%.
Com um Net Turnover de 42,4 milhões de euros, o papel para embalagens da Navigator
representou, já este ano, 3,8% do volume de negócio do UWF. Em 2022 o objetivo será
diversificar para outros mercados atrativos – como a Alemanha, UK e o Norte de África – e
criar uma base de Clientes assente nos produtos e segmentos de maior valor acrescentado,
com a expectativa de duplicar as vendas nos dois próximos anos, e melhorar a atratividade do
negócio.
2.6. Desempenho financeiro
Aumento de preços transversal e de volumes de UWF compensam o aumento
de custo de matérias-primas e permitem registar EBITDA de €355 milhões
A Navigator atingiu um EBITDA de €355 milhões e um EBITDA/vendas de 22,2%, beneficiando
do crescimento de volumes de papel, melhoria de preços de papel, pasta e tissue.
Ao longo do ano, destaca-se uma evolução negativa dos custos de produção em cerca de €20
milhões, penalizados essencialmente pelo aumento de custo da madeira, por via de uma maior
predominância de madeira extraibérica, e também pelo aumento do custo das fibras externas,
da energia e dos químicos.
14.103
26%
19.619
36%
13.261
25%
7.115
13%
Volume de vendas da gama de papel para embalagem
(em toneladas)
Packaging Premium (Kraft de brancura superior)
Packaging Natural Premium (Kraft de brancura natural)
Packaging Unbleached Premium (Kraft não branqueado)
Offset Standard (para mercado packaging)
Relatório e Contas 2021
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Verificou-se também um agravamento significativo dos custos de logística, que apresentam
uma evolução negativa de €35 milhões, com particular incidência no segundo semestre, no
seguimento dos atuais constrangimentos logísticos que estão a afetar de forma transversal a
economia. Apesar do momento difícil que se vive, quer ao nível de preços, quer ao nível da
disponibilidade de meios, a Navigator conseguiu manter a sua atividade a 100% e operar sem
qualquer disrupção de fornecimento a montante e a jusante.
Na Energia, destaca-se o aumento dos preços da energia elétrica e do gás natural, decorrente
do volume exposto a mercado. De referir que o efeito do aumento de custos de energia foi
mitigado pela política de cobertura de risco com contratação a taxa fixa para grande parte das
compras de 2021, bem como pela redução de consumo de gás natural, devido à nova caldeira
de biomassa na Figueira da Foz. De destacar também que a mencionada passagem da central
de ciclo combinado a gás natural do complexo industrial de Setúbal para o regime de
autoconsumo, desde o início do ano, abastecendo uma das máquinas de papel do complexo,
permitiu eliminar a compra de energia elétrica da máquina de papel n.º 4.
Persistiram os esforços de contenção de custos fixos iniciados em 2020, com uma nova redução
nos custos de funcionamento de €3 milhões em relação a 2020, tendo os custos com pessoal
e manutenção registado uma evolução inversa, como antecipado, aumentando 18% e 5%
respetivamente. No caso dos custos de manutenção, o aumento justifica-se muito devido aos
programas incompletos de manutenção em 2020, devido às dificuldades criadas pelo contexto
pandémico.
O aumento de gastos com pessoal acompanhou o bom desempenho da Navigator em 2021,
que permitiu a distribuição de prémios aos Colaboradores e o retomar do programa de
rejuvenescimento suspenso em 2020. Por outro lado, o montante de gastos com pessoal em
2021 compara com gastos em 2020 que foram impactados favoravelmente pelas medidas de
apoio em vigor no âmbito da pandemia. Por outro lado, durante o ano foi feito um trabalho
exaustivo com as estruturas representativas de Trabalhadores no âmbito das negociações
laborais das diferentes áreas negócio da Navigator. No âmbito do referido processo negocial
destaca-se o novo regulamento de carreiras para os técnicos operacionais, que permitiu, em
janeiro de 2022, a evolução de carreira, de mais de 1.235 Colaboradores, que representam
cerca de 70% dos Colaboradores das áreas de negócio. Foi também celebrado, pela primeira
vez, um acordo coletivo de trabalho para o segmento do tissue com condições que refletem a
realidade atual deste negócio.
Os custos fixos totais acabaram por situar-se 7% acima dos custos fixos do período homólogo.
Valor essencialmente explicado pela rubrica de gastos com pessoal.
Neste enquadramento, os esforços de contenção de custos, o aumento de preços transversal
e o aumento de volumes de UWF compensaram o forte aumento de preços dos fatores de
produção e permitiram atingir um EBITDA, em 2021, de €355 milhões, valor que compara com
€286 milhões de 2020 (+24%). A margem EBITDA/Vendas foi de 22,2% e compara com uma
margem de 20,6% em 2020. De realçar o impacto negativo líquido da taxa de câmbio no
EBITDA, de cerca de €10 milhões, com um EUR/USD médio de 2021 de 1,18 vs. 1,14 de 2020.
Custos financeiros de €17,8 milhões
Os resultados financeiros situaram-se em €17,8 milhões (vs. €14,7 milhões), um agravamento
de €3,1 milhões, resultante essencialmente da variação negativa de um conjunto de proveitos
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financeiros que, em 2020, tiveram um valor muito expressivo, relacionados com valores ainda
a receber pela venda do negócio de pellets em 2018, juros compensatórios obtidos e valores
associados ao processo de antidumping nos EUA (em conjunto - €3 milhões vs 2020), assim
como do cancelamento de um swap de taxas de juro associado a um empréstimo obrigacionista
reembolsado em dezembro de 2020 (€-1,5 milhões). Em sentido contrário, os custos das
operações de financiamento tiveram uma evolução positiva (€1,1 milhões) devido à diminuição
da dívida média face ao período homólogo, não obstante um pequeno agravamento do custo
médio resultante do menor peso de dívida de curto prazo, que em 2020 ganhou uma expressão
significativa devido à liquidez obtida para fazer face à pandemia.
Os resultados antes de impostos totalizaram €211,8 milhões e o encargo de IRC do exercício
foi de €40,4 milhões, com uma taxa de imposto no período de 19,1%, face aos 13,1%
registados no período homólogo, a qual decorre do aumento dos resultados do Grupo, que é
contrabalançado por atualizações das responsabilidades com matérias fiscais. Os resultados
líquidos foram €171,4 milhões vs €109,2 em 2020.
Forte geração de cash flow livre em 2021, de €235 milhões
Em 2021, a Navigator gerou o muito expressivo valor de cash flow livre de cerca de €235
milhões.
A geração de Free Cash Flow acompanhou a evolução favorável do desempenho operacional
do Grupo, em particular no que diz respeito a vendas e preços. O foco sistemático na gestão
do fundo de maneio continua a ser um elemento complementar relevante para melhorar a
regularidade dos fluxos financeiros.
Verificou-se, ao longo do ano, a manutenção do valor investido em fundo de maneio em níveis
reduzidos, num contexto em que se verifica uma subida moderada dos níveis de alguns stocks,
acompanhando a retoma progressiva dos níveis de atividade, sobretudo dos stocks de pasta
que, apesar de se manterem com volumes historicamente baixos, aumentaram, em 2021,
cerca de 25 mil toneladas face ao nível muito reduzido atingido em final de 2020.
De referir também o impacto da nossa política de gestão de Fornecedores que, articulada com
a disponibilização de soluções de suporte à liquidez dos nossos Parceiros, contribuiu
ativamente para o nível de geração de cash evidenciado.
2.7. Gestão da dívida
No ano de 2021, foram realizadas duas operações de financiamento importantes,
nomeadamente pelo seu cariz de financiamento sustentável. No primeiro semestre, foi
concretizado o encaixe de €27,5 milhões de um empréstimo contratado em 2020 junto do BEI,
financiamento diretamente ligado à nova caldeira de biomassa no complexo industrial da
Figueira da Foz, com investimento global equivalente a €55 milhões, que permitirá à Empresa
reduzir as emissões de dióxido de carbono fóssil. No segundo semestre, foi emitido um
empréstimo obrigacionista de €100 milhões, indexado a objetivos ESG. Com estas operações
de financiamento, concluímos 2021 com cerca de 20% do total de endividamento emitido com
cariz sustentável.
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De referir que este empréstimo obrigacionista, de €100 milhões, com maturidade de cinco
anos, foi emitido por contrapartida do reembolso antecipado de um financiamento no mesmo
montante, que tinha a sua maturidade em 2023. Esta operação – a que se agregou um swap
para taxa fixa – determinou a extensão da vida média da dívida do Grupo, bem como a redução
do custo de financiamento da Empresa, além de representar um compromisso de alinhamento
com objetivos de sustentabilidade.
As condições do empréstimo estão indexadas a dois indicadores ESG já presentes na Agenda
de Sustentabilidade da Empresa e, por sua vez, alinhados com os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O primeiro indicador define metas de
redução de emissões de CO
2
e enquadra-se no Roteiro para a Neutralidade Carbónica da
Companhia, no qual a Companhia assume o compromisso de ser neutra em carbono nos seus
complexos industriais até ao ano 2035. O segundo indicador define metas para o aumento da
percentagem de madeira certificada adquirida no mercado nacional. A certificação de madeira
é uma das vias mais direta e especificamente associáveis a objetivos de sustentabilidade na
nossa área de negócios e é a melhor garantia da adoção de processos conducentes a uma
gestão florestal sustentável.
Depois de ter distribuído dividendos relativos a 2020 de €100 milhões no primeiro semestre,
o Grupo antecipou, em dezembro, a distribuição de lucros de 2021 no montante de €50
milhões, mantendo uma posição de caixa de €239 milhões no final do ano.
O endividamento líquido registou uma redução relevante face ao final de 2020 de €85 milhões,
suportado pela melhoria do desempenho operacional. O rácio Net Debt/EBITDA, de 1,68x,
exibe uma trajetória descendente, o que consolida o perfil de robustez financeira exibido pelo
Grupo ao longo dos últimos anos e cumpre um objetivo estrutural assumido no âmbito da
política de financiamento do Grupo.
2.8. Desempenho no mercado de capitais
Depois de um ano 2020 marcado por elevada volatilidade, resultante em grande parte da
pandemia, 2021 revelou-se muito positivo para os mercados bolsistas mundiais. Embora ainda
se tenham verificado durante o ano de 2021 diversos períodos de confinamento e novas vagas
de contágio da Covid-19, com obrigatoriedade de teletrabalho e ensino remoto, assistiu-se,
principalmente durante a segunda metade do ano, a uma reabertura progressiva das
economias, com a normalização das atividades letivas e o regresso aos escritórios. As
projeções económicas positivas e o avanço dos planos de vacinação levaram a generalidade
dos índices a fechar o ano com ganhos entre 8% e 29%, à exceção do índice brasileiro que
corrigiu perto de 12%.
Assinalou-se também, a partir da segunda metade do ano, a tendência em alta das matérias-
primas, fruto da recuperação económica e dos constrangimentos sentidos dos lados da oferta
e logística, com destaque para o petróleo, gás natural e carbono, que atingiram picos
históricos.
Neste enquadramento, o desempenho acionista da maioria das empresas do setor de pasta e
papel foi positivo, num período marcado por um aumento da procura e da produção e por uma
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subida expressiva dos preços, como combate aos sucessivos aumentos de custos das matérias-
primas e logísticos.
A ação da Navigator liderou os ganhos do setor, com o título a subir cerca 34% no ano.
Acompanhou também a tendência do PSI-20, que registou uma performance mista, embora a
maioria das empresas tenha terminado o ano com ganhos.
Desde o início do ano que a ação da Navigator tem vindo a valorizar, tendo negociado a um
valor mínimo de €2,45 no dia 27 de janeiro. O preço mais elevado atingido no ano foi €3,40,
a 29 de outubro, dia em que a Navigator anunciou ao mercado o lançamento da nova marca
de packaging “gKraft”. A ação fechou o ano com um valor de €3,35. Quanto à liquidez, as
ações registaram, em 2021, um volume médio diário de 840.194, que compara com um
volume médio diário de mais de 1 milhão de ações no ano anterior.
A The Navigator Company realizou uma assembleia geral a 11 de maio de 2021 e procedeu,
no dia 25 de maio, à distribuição de dividendos num montante de €99,6 milhões, equivalente
a um valor bruto de €0,1400/ação. Já mesmo a terminar o ano, a Empresa anunciou um
adiantamento de lucros de 2021 aos Acionistas. O montante ascendeu a cerca €50 milhões,
equivalente a €0,0703/ação e cujo pagamento foi efetuado a partir de dia 28 de dezembro.
2.9. Contributo para a receita fiscal do Estado em 2021
No âmbito da atividade desenvolvida pelas empresas que integram o Grupo Navigator, estas
incorrem numa multiplicidade de impostos, taxas e contribuições, constituindo o Grupo um
importante contribuinte para as receitas do Estado em Portugal e, desta forma, para o
cumprimento dos objetivos sociais e desenvolvimento nacional. Assim, a política fiscal tem um
impacto significativo no tecido empresarial, afetando toda a cadeia de valor do Grupo.
Por esta razão, o Grupo Navigator possui uma política fiscal alinhada com a estratégia
empresarial de desenvolvimento do Grupo, definida de acordo com a substância económica da
sua atividade, visando assegurar o cumprimento integral, pelas entidades que integram o
Grupo, das suas obrigações fiscais, em todas as jurisdições em que desenvolvem a sua
atividade, procurando manter o cumprimento integral do espírito e letra da legislação aplicável.
Ciente do papel que representa no tecido empresarial português, e por imperativo de
transparência para com os respetivos Stakeholders, a Navigator tem, nos últimos anos,
procurado determinar a sua Pegada Tributária (Tax footprint), identificando o volume de
tributos que suporta economicamente e aqueles que cobra e administra por conta do Estado
ou de terceiros, contribuindo, assim, nesta dupla vertente, para a receita fiscal do Estado.
Conforme se ilustra no gráfico “Tributos suportados”, no ano de 2021, ao nível dos tributos
suportados – que inclui o pagamento de mais de 20 diferentes impostos, contribuições e taxas
– o Grupo suportou, no total, €90 milhões (2020: 56,4 milhões), equivalentes a uma carga
fiscal efetiva de 42,51%, em 2021 (2020: 44,82%), calculada sobre o resultado antes de
impostos. Contribuíram decisivamente para semelhante carga tributária o montante suportado
com Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC), incluindo derramas (Municipal
e Estadual), Tributação Autónoma (TA) e as contribuições para a Segurança Social, sendo
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estas últimas €44 milhões (2020: €23 milhões) e €20 milhões (2020: 18 milhões),
respetivamente.
Os tributos suportados incluem impostos ambientais de dimensão bastante relevante, no total
de 23,5 milhões de euros – entre os quais Imposto sobre os Produtos Petrolíferos, Taxa de
Recursos Hídricos, Taxa de Domínio Público Marítimo, Taxa de Domínio Público Hídrico, Taxa
de Gestão de Resíduos, Imposto Especial de Consumo (IEC) de eletricidade, Contribuição
Extraordinária sobre o Setor Energético (CESE), Imposto Único de Circulação (IUC) e CO
2
–,
tendo-se verificado um aumento assinalável, para quase o dobro (80%), face ao ano anterior
(2021: 23,5 milhões de euros versus 2020: 13 milhões), o que demonstra também o
contributo a nível fiscal para a prossecução de objetivos de sustentabilidade em linha com a
política do Grupo e o seu investimento relevante nos recursos florestais em Portugal. Os
montantes suportados pelo Grupo demonstram a sua contribuição setorial elevada, já hoje, o
que, no futuro, com a criação de novas taxas ou contribuições financeiras, implicará,
certamente, uma dupla tributação e oneração fiscal negativa do Grupo, cuja consequência será
limitar a capacidade da Navigator para investir em novos projetos mais sustentáveis, como
tem vindo a realizar.
54%
31%
14%
1%
Principais tributos suportados
IRC Segurança Social a cargo da Empresa
Derrama Municipal e Estadual Tributação Autónoma
Relatório e Contas 2021
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No que diz respeito aos impostos arrecadados a favor do Estado, a Navigator concentrou, em
2021, um valor de 1.004 milhões de euros (2020: €798 milhões), tendo sido, uma vez mais,
o IVA aquele que mais contribuiu para esse montante (2021: 904 milhões versus 2020: 720
milhões), o que permite destacar a colaboração do Grupo na arrecadação de receitas fiscais
para o Estado português. Importa realçar que a Navigator não é remunerada pelo Estado pela
arrecadação destes tributos, ao contrário do que acontece noutras jurisdições e, mesmo entre
nós, noutros agentes económicos, que são remunerados pela AT (v.g., penhoras efetuadas a
pedido da AT), o que significa que a Navigator internaliza e suporta na totalidade os custos
inerentes à arrecadação destes tributos a favor do Estado.
49%
22%
26%
1%
1%
1%
0%
Total de tributos suportados
IRC Segurança Social a cargo da Empresa
Impostos ambientais IVA não dedutível
Impostos sobre o património Imposto do selo
Outros tributos
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Importa também mencionar o IVA liquidado e autoliquidado pela Navigator em outras
jurisdições onde se encontra registada para efeitos de IVA fora de Portugal, onde arrecadou
um total adicional de quase €66 milhões de IVA para os respetivos estados.
IVA arrecadado para outros estados
Milhões de euros
País
Total
Holanda
15,1
Polónia
15,4
Reino Unido
14,1
Alemanha
17,6
Espanha
2,1
França
1,1
Suíça
0,3
Itália
0,2
TOTAL
65,9
O Grupo procede ainda à cobrança de €9,4 milhões de quotizações devidas à Segurança Social
a cargo dos Colaboradores (2020: €9,3 milhões) e de €22,7 milhões de retenções na fonte de
IRS (2020: €21,5 milhões), essencialmente sobre salários pagos aos seus Colaboradores.
Relativamente ao “labor tax rate”, em 2021, este foi de 24,7% (2020: 38,47%), sendo a
variação essencialmente decorrente da evolução positiva dos resultados consolidados do
Grupo. Este indicador é calculado através do rácio entre os impostos incidentes sobre o fator
90%
2%
1%
0%
7%
Tributos arrecadados
IVA liquidado e auto-liquidado
Retenção IRS/IRC
Segurança Social a cargo do Trabalhador
Penhoras
IVA liquidado e auto-liquidado (Registos de IVA no Estrangeiro)
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trabalho (Segurança Social a cargo da Empresa e do Trabalhador e Retenções de IRS sobre
rendimentos de trabalho dependente) e os resultados antes de impostos.
Quanto à distribuição geográfica em território nacional de tributos com incidência territorial
(derrama municipal, IMI, IMT e taxas municipais), o Grupo assume maior expressão nas
regiões de Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro e Vila Velha de Ródão, suportando aí impostos
locais de €2 milhões, €1 milhão, €0,49 milhões e €0,21 milhões, respetivamente.
No contexto do cumprimento das obrigações declarativas do country by country tax reporting
apresentado pelo Grupo, evidencia-se que, em 2020, o Grupo procedeu ao pagamento em
Portugal de 80,92% do IRC global suportado (2019: 95,95%, 2018: 92,93%, 2017: 93,78%,
sendo o montante de 2020 impactado por reembolsos de ganhos em contencioso fiscal
referentes a exercícios anteriores) nas 16 jurisdições (2019: 16, 2018: 18, 2017:17) onde se
encontra representado societariamente, sendo que na Europa suportou 2,32%, em África &
Médio Oriente 1,74% e na América 15,01% do total global de IRC.
Finalmente, o relatório Tax footprint assume especial importância para Grupo num esforço de
digitalização da função fiscal, fiabilidade da informação fiscal para cumprimento de obrigações
declarativas e fiscais, bem como na medida em que agrega a compilação e a análise dos
principais indicadores sobre a multiplicidade dos tributos suportados e arrecadados a favor do
Estado e do contributo decisivo do Grupo para as receitas públicas em Portugal.
2.10. Gestão de risco
A Gestão de Risco é considerada pela Sociedade um processo central à sua atividade. Está,
por isso, implementado um sistema de monitorização permanente da gestão de risco no Grupo
The Navigator Company, envolvendo todas as unidades organizacionais, a Direção de Gestão
de Risco (DGR) e o Conselho Fiscal.
Este sistema tem por base uma avaliação sistemática e explícita dos riscos de negócio por
todas as direções organizacionais do Grupo The Navigator Company e a identificação dos
principais controlos existentes em todos os processos de negócio. Esta base permite à
Sociedade avaliar em permanência a adequação do seu sistema de controlo interno aos riscos
entendidos em cada momento como mais críticos.
Como parte dessa avaliação periódica, estabelece-se um programa anual de auditoria interna,
a ser levado a cabo pela DGR em conjunto com cada direção envolvida, para monitorar e
avaliar a adequação do referido sistema de controlo interno aos riscos percebidos e para apoiar
a organização a implementar programas de melhoria a esse mesmo sistema.
À cabeça deste sistema de governação de risco estão o Conselho Fiscal e o Conselho de
Administração.
Deste modo, o Grupo The Navigator Company identificou uma variedade de riscos económicos,
financeiros e jurídicos aos quais se encontra exposto, no exercício da sua atividade,
apresentando-se, em seguida, uma seleção desses riscos:
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RISCO
(Seleção não exaustiva)
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Acidentes de trabalho industriais
Risco de ocorrência de acidentes de trabalho, podendo
resultar
em lesões, incapacidade ou fatalidades.
Aumento de custos de transporte
Risco de aumento dos custos de transporte de pasta, papel
ou tissue, podendo resultar numa redução das margens de
venda
ou na necessidade de aumentar os preços de venda a
Clientes.
Aumento de procura de matéria-
prima (madeira)
Risco associado ao aumento da procura de matéria-prima
(madeira), devido à maior capacidade por parte de
concorrentes, provocando um aumento dos preços de compra
de madeira e consequente aumento dos custos de produção.
Cambial
Risco de variação da taxa de câmbio do euro face a outras
divisas, podendo afetar significativamente os resultados do
Grupo, tanto por via das receitas (vendas) como por via dos
custos (compras).
Falhas de Cibersegurança
Risco associado a falhas de segurança nos sistemas
informáticos
da Companhia que permitam atividades indevidas e/ou ilícitas
por parte de terceiros com prejuízo para a Companhia.
Consequências ambientais
da atividade
Risco de ocorrências com consequências ambientais
adversas, direta ou indiretamente imputados à atividade
industrial, e que possam resultar no incumprimento de
legislação ambiental, insatisfação
de Clientes e Stakeholders, nomeadamente ao nível da
comunidade local.
Danos florestais
Risco de danos florestais decorrentes de fenómenos naturais
ou humanos, podendo pôr em causa a quantidade de
matéria-prima necessária à atividade do Grupo e
consequente acréscimo de custos ou perda de receita.
Deterioração regulatória
da competitividade do negócio
energético
Risco de deterioração das condições de venda da energia
produzida, determinadas em certa medida pelo entorno
regulatório; Volatilidade na regulamentação do setor pode
levar de forma repentina à perda (total ou parcial) da
contribuição deste negócio para a rentabilidade do Grupo.
Diminuição de procura de papel
por substituição tecnológica
Risco associado a uma diminuição da procura dos produtos
comercializados pelo Grupo, podendo resultar numa redução
significativa das vendas.
Falha no abastecimento
de madeira
Risco de falhas no abastecimento de madeira, podendo
resultar
em paragens de produção e consequente acréscimo de custos
ou perda de receita.
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RISCO
(Seleção não exaustiva)
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Falhas de equipamentos
Risco de falhas no funcionamento dos equipamentos de
produção, podendo resultar em paragens de produção e
consequente acréscimo de custos ou perda de receita.
Falhas de segurança
de informação
Risco de ocorrência de falhas de segurança da informação,
relacionadas com a confidencialidade, disponibilidade e
integridade da informação ao longo do seu processo de
captura, processamento, comunicação, armazenamento e
destruição, potenciando situações de perdas/fugas de
informação, fraudes, descontinuidade
das operações.
Falta de matéria-prima certificada
Risco associado à incapacidade de obtenção de matéria-prima
certificada, podendo resultar numa perda de valor do produto
final
e consequentemente dos valores de vendas.
Fraude
Risco de fraude nos processos com movimentação de valores
para prejuízo do Grupo.
Incumprimento de legislação
e regulamentação
Risco de incumprimento da legislação fiscal, laboral,
ambiental, contabilística ou outra e/ou de regulamentação do
setor. Incumprimento de normas contabilísticas.
Irregularidades em compras
e pagamentos
Risco de ineficiência ou inadequação do processo de compras
de materiais ou serviços críticos para o negócio, tendo como
consequência ruturas de stock, perdas financeiras,
incumprimento de e para com Fornecedores ou ocorrência de
situações de fraude.
Ocorrência de incêndios ou outras
catástrofes naturais
Risco de perda de ativos ou mesmo de danos pessoais por
incêndios ou outros fenómenos naturais.
Perda de oportunidades de novos
negócios/produtos/processos
Risco de não serem capturadas oportunidades no
desenvolvimento de novos negócios, produtos ou processos
por via de ineficaz atividade de I&D ou de scouting
tecnológico.
Perda de produtividade florestal
Risco de poder não se conseguir atingir o potencial produtivo
da estação por não aplicação das melhores práticas silvícolas
disponíveis.
Perdas em crédito a Clientes
Risco dos créditos concedidos a Clientes, podendo resultar
em valores incobráveis e consequente acréscimo de custos.
Preço da pasta de papel
Risco associado a flutuações do preço da pasta, podendo
resultar
em perdas para o Grupo.
Qualidade dos produtos
Risco associado à qualidade dos produtos, podendo resultar
em insatisfação por parte dos Consumidores e consequente
quebra de vendas e perda de receita.
Relatório e Contas 2021
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RISCO
(Seleção não exaustiva)
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Redução do preço do papel
Risco de pressões concorrenciais, podendo resultar numa
quebra
das vendas
e da quota de mercado.
Restrições ambientais à produção
industrial
Risco de ocorrência de restrições ambientais à produção
industrial, podendo resultar em alterações necessárias ao
processo produtivo
e consequente acréscimo de custos.
Restrições legais à produção
florestal
Risco de imposição de restrições legais à produção florestal,
podendo resultar num decréscimo da produção de matéria-
prima
e consequente aumento dos custos com a sua aquisição.
Restrições legais às importações
de papel
Risco de restrição às importações de papel em países
produtores através da implementação de barreiras
alfandegárias, podendo resultar numa redução de vendas.
Sourcing desadequado
Risco de ineficiência na gestão do relacionamento com os
Fornecedores críticos para o negócio, ou excessiva
dependência destes e que comprometa a qualidade dos
serviços prestados, limite as operações do Grupo ou potencie
ineficiências operacionais.
Sustentabilidade da atividade
florestal
Risco de comprometimento da atividade futura da
organização
ou da sociedade e tecido empresarial local, em geral, devido
a uma utilização excessiva ou não racional dos recursos
naturais envolvidos na atividade florestal.
Sustentabilidade da atividade
industrial
Risco de contaminação dos solos ou de emissões excessivas
de gases nocivos para a atmosfera, resultantes direta
ou indiretamente do processo de abastecimento, saneamento
ou tratamento de resíduos sólidos urbanos (e.g. acidentes,
avarias, técnicas utilizadas) ou de causas naturais como
cheias ou secas
nos pontos de captação, ou acidentes graves de poluição.
Variação de preços de energia
Risco associado a alterações dos preços de compra e venda
de energia, resultando em acréscimos de custos e perdas de
receita.
Muitos dos fatores de risco assinalados não são controláveis pelo Grupo The Navigator
Company, nomeadamente fatores de mercado que podem afetar fundamental e
desfavoravelmente o preço de mercado das ações da Sociedade, independentemente do
desempenho operacional e financeiro do Grupo.
Os riscos trazidos pelas alterações climáticas, não diretamente elencados nesta tabela, estão na
verdade presentes em muitos dos aqui descritos. De facto, e porque estes riscos estão, na nossa
estrutura de gestão de risco, diretamente ligados a processos de negócio da Navigator, com
controlos de mitigação descritos e sujeitos a monitorização, as alterações climáticas aparecem
aqui dispersas em múltiplas frentes. Por exemplo, obviamente que a perda de produtividade
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florestal, os danos florestais ou o risco de incêndios pode em grande medida derivar de fenómenos
de seca ou outros; a sustentabilidade da atividade industrial ou o risco de restrições ambientais
à produção industrial derivam em parte dos temas da (des)carbonização das economias, que a
Navigator pretende antecipar e que estão extensamente tratados noutra secção deste relatório.
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3. ENVOLVIMENTO COM OS STAKEHOLDERS
3.1. A nossa equipa
Consciente das necessidades das pessoas que compõem as suas equipas, a The Navigator
Company deu particular destaque à valorização e gestão das carreiras em todos os setores e
áreas de negócio ao longo do ano de 2021.
O contexto de pandemia manteve-se desfavorável para ações de divulgação e comunicação,
que, tal como no ano anterior, continuaram a ser feitas, em boa parte, através de workshops
e webinars, havendo o cuidado de aproximar as pessoas deste novo modelo.
No âmbito da Política de Recursos Humanos do Grupo e ao abrigo do Programa ATIVAR do
IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional, a The Navigator Company integrou 89
estagiários, dos quais 33 licenciados/mestres e 56 futuros operadores. O Programa de Estágios
reflete o papel de dinamização na formação de futuros profissionais, ao mesmo tempo que
reforça a aposta do Grupo na ligação do mundo académico e escolar à realidade empresarial.
A preocupação em valorizar os Colaboradores levou à criação do Plano Jovens Quadros,
mostrando aos Trabalhadores mais jovens quais as etapas de evolução desde a sua chegada
à Companhia e nos três a quatro anos seguintes, e permitindo dar resposta às necessidades
individuais dos diferentes grupos populacionais da Navigator.
Em negociação com as organizações representativas dos Trabalhadores, foi também
desenhado um Novo Plano de Carreiras destinado aos técnicos operacionais das áreas do tissue
– que, até à data, não tinham plano de carreiras –, do papel e da pasta.
Com vista a uma maior transparência e melhor capacidade de os Colaboradores planearem o
seu futuro, foi também implementada uma nova tabela salarial com escalões discretos de
remuneração, na qual as etapas de progressão estão claramente definidas.
Colaboradores
Portugal
Moçambique
Resto do Mundo
Total
2020
2021
2020
2021
2020
2021
2020
2021
Florestal
195
200
126
129
7
7
328
336
Industrial
2.510
2.391
0
0
10
9
2.520
2.400
Comercial
145
201
0
0
62
61
207
262
Suporte
177
152
0
0
0
0
177
152
Total
3.027
2.944
126
129
79
77
3.232
3.150
Relatório e Contas 2021
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53
520
1.137
1.003
235
123
9
521
1.070
1.000
230
114
9
0
200
400
600
800
1.000
1.200
Complexo
Industrial
de Aveiro
Complexo
Industrial
de Setúbal
Complexo
Industrial
da Figueira da
Foz
Complexo
Industrial
de Vila Velha de
Ródão
Lisboa Viveiros Aliança
Distribuição nacional
Total 2021: 2.944
Total 2020: 3.027
2020 2021
16%
84%
17%
83%
Distribuição por género
(Universo total de Colaboradores)
Mulheres Homens
2020
2021
Relatório e Contas 2021
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54
72%
70%
68%
67%
28%
30%
32%
33%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
2018 2019 2020 2021
Quadros médios e superiores
(Dados sem Colaboradores de Moçambique)
Homens Mulheres
22%
17%
12%
16%
78%
83%
88%
84%
0%
20%
40%
60%
80%
100%
<30 30-50 >50 Total
Distribuição por idades
(Dados sem Colaboradores de Moçambique)
Mulheres Homens
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55
Segurança e saúde
A continuação da situação pandémica em 2021 levou a que a implementação do Plano de
Contingência Covid-19, criado no ano anterior, permanecesse na ordem do dia. As medidas
tomadas permitiram manter controlada a propagação da doença, nomeadamente através da
testagem de todos os Colaboradores internos e externos, feita a cada 15 dias, medida que
obrigou a um esforço considerável em termos de recursos humanos e materiais.
O mês da saúde foi celebrado em outubro, com várias iniciativas sob o lema “Movimento é
Medicamento”. A equipa de Saúde Ocupacional atuou junto dos Colaboradores no sentido de
mostrar como a prática de exercício, aliada a uma alimentação saudável, pode fazer a diferença
para a manutenção de uma boa saúde física e mental. Pela primeira vez, a saúde foi também
abordada do ponto de vista financeiro, com a Deco Proteste a juntar-se à equipa da The
Navigator Company para partilhar estratégias para melhorar a economia doméstica.
Ao longo do ano decorreu um projeto de ergonomia que, tendo começado na unidade fabril de
Setúbal, foi alargado aos Trabalhadores das áreas de tissue das fábricas de Vila Velha de Ródão
e Aveiro. Este projeto, que abrangeu mais de 145 Trabalhadores, contou com uma equipa
multidisciplinar que incluiu uma empresa especialista em ergonomia, responsável pela
avaliação de risco e desenvolvimento de soluções técnicas, um fisioterapeuta, a equipa de
Saúde e Segurança no Trabalho da Navigator, e os Trabalhadores abrangidos, bem como os
diversos responsáveis das equipas. Ao trabalhar diretamente com as equipas envolvidas, foi
possível um melhor diagnóstico das necessidades e a criação de respostas mais adequadas.
Um dos casos a destacar foi o desenvolvimento de uma pá em que a aerodinâmica e o tipo de
pega – de diferentes dimensões, adequada aos vários tamanhos das mãos dos Trabalhadores
– veio permitir realizar o trabalho de uma forma mais adequada e correta, protegendo o
utilizador de lesões futuras.
No último trimestre de 2021 foi realizada uma formação sobre “Responsabilidade Civil e
Criminal” no âmbito da Saúde e Segurança do Trabalho, dirigida a supervisores, responsáveis
de área e diretores. Envolveu um total de 349 Colaboradores e teve um feedback muito
positivo por parte dos participantes.
Olhar para o futuro
“Há N Razões para te juntares a nós”. Este foi o mote para a estratégia de
Employer Branding da Navigator em 2021, com a qual a Companhia procurou
potenciar a capacidade de atrair talento e alargar as suas bases de recrutamento.
Num trabalho realizado em conjunto com a Academia, a Navigator participou em
25 feiras de emprego, em universidades e politécnicos, onde esteve presente
através de um stand virtual, e também recorrendo a entrevistas rápidas,
apresentações, workshops e conferências.
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Formação
O plano de formação aprovado para 2021 contemplava 588 cursos e teve o seu prazo de
execução estendido até ao final do primeiro trimestre de 2022. Necessidades pontuais
identificadas ao longo do ano levaram à realização de 306 cursos extra plano, o significou um
total efetivo de 744 cursos ministrados.
Com o menor peso dos confinamentos associados à Covid-19, foram retomadas as formações
externas, embora a um ritmo inferior a períodos pré-pandemia. Ao mesmo tempo, o processo
de adaptação à “nova” realidade continuou, com uma cada vez maior aposta nas tecnologias
e a transição para o formato online (e-learning e webinar, ambos disponíveis através do portal
do Learning Center) de formações que, até aqui, existiam apenas em formato presencial.
Da parte dos Colaboradores, foi registada uma maior adesão às formações em regime de self-
learning, tendo aumentado a procura dos webinars de inscrição voluntária e dos mais de 600
cursos disponíveis em formato de e-learning, que registaram um total de 7.433 participações.
Com o objetivo de dar apoio ao novo plano de carreiras, está a decorrer o Projeto Valências,
com o desenvolvimento de 213 novos programas de formação que irão apoiar o plano de
carreiras nas áreas da manutenção, produção, tissue e controlo de processo de qualidade. A
coordenação está a cargo do Learning Center e conta com o envolvimento de mais de 150
especialistas das diversas áreas do negócio.
Equipamentos mais seguros
A consignação/desconsignação (LOTO) de equipamentos, linhas de fluidos e
outros é um tema chave na segurança operacional. Nessa medida, foi realizado
um projeto piloto na linha de aditivos durante o ano de 2021, no complexo
industrial da Figueira da Foz, com resultados animadores e bastante promissores.
Este piloto, desenvolvido com um parceiro externo, recorre às novas tecnologias
para garantir uma maior redundância dos equipamentos no que diz respeito ao
seu integral isolamento. Além do modelo tradicional, em que são usados cadeados
colocados em pontos específicos, de modo a garantir que o equipamento não entra
em funcionamento enquanto é, por exemplo, alvo de manutenção, o novo sistema
faz a identificação dos locais a consignar a partir de uma workstation, com recurso
a QR Codes, permitindo a consignação sem validações intermédias. Sem eliminar
o uso do cadeado físico, são assim introduzidas redundâncias tecnológicas que
garantem a segurança das equipas.
Relatório e Contas 2021
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Formação Navigator
2019
2020
2021
N.º de cursos
588
551
744
Participações
12.189
15.362
11.581
Horas de formação
229.186
135.787
136.118
Horas de formação interna
165.343
113.974
104.260
% de formação interna
72%
84%
77%
N.º de Colaboradores envolvidos
3.111
2.753
2.283
% de Colaboradores envolvidos
95%
85%
72%
N.º de horas por Colaborador
70
42
43
7.433 participações em formação e-learning (64% do total)
1.438 participações em Live Training, em formato webinar (12% do total)
3.2. Os nossos Clientes
O ano de 2021 foi marcado por um estrangulamento das cadeias de fornecimento globais para
todos os produtos industrializados, devido, sobretudo, às alterações nos mercados asiáticos.
Os constrangimentos logísticos de exportação na Ásia levaram os Fornecedores locais a
virarem-se para a sua própria região, provocando nas fábricas ocidentais um momento de
procura inédito nas últimas décadas, com os Clientes a não conseguirem obter resposta para
a sua procura. Ao mesmo tempo, verificou-se um aumento generalizado dos custos, o que
levou a uma subida de preços sem precedentes, a que o papel não escapou.
Na Europa, as vendas da Navigator foram condicionadas, por um lado, pela evolução da
pandemia, e, por outro, pela implementação de uma política firme de recuperação da
rendibilidade da Companhia, que se traduziu numa liderança nos movimentos de subida dos
preços do papel no mercado europeu durante 2021. A Empresa aumentou os seus preços
quatro vezes, começando a 15 de fevereiro em toda a Europa, depois em maio e junho, e de
seguida a 27 de setembro e 1 de novembro. No início de dezembro, anunciou nova subida de
preços, que implementou a 2 de janeiro de 2022.
Graças à disponibilidade de produto da Navigator, e apesar da pandemia, intensificaram-se os
contactos pessoais e online, e as equipas de vendas recrutaram um número recorde de mais
de 150 novos Clientes na Europa.
Com o alargamento do portefólio dos papéis para embalagem, que introduziu novas qualidades
que foram ao encontro das expectativas dos Clientes, o esforço de toda a equipa traduziu-se
Relatório e Contas 2021
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em mais de 100 novos Clientes angariados para este segmento, sobretudo nos mercados do
Sul da Europa.
Destaca-se a evolução, face aos anos anteriores, das vendas nos mercados geridos pelos
escritórios de Inglaterra (Reino Unido e Irlanda) e de Itália (Itália, Grécia e Balcãs).
Como resposta aos desafios colocados, as parcerias que a Direção de Vendas Europa reforçou
com vários Clientes foram fundamentais para a performance da Navigator no mercado
europeu. As vendas da Europa superaram novamente 60% da contribuição total do negócio
do papel, tendo sido determinantes para os resultados do Grupo.
Nos mercados não europeus onde atua – América, Médio Oriente, Norte de África e África
Subsariana –, a procura por parte dos Clientes manteve-se acima da possibilidade de entrega
da Companhia, a adequação de preços exigiu um ritmo quase mensal de forma a compensar
os aumentos de custos, e os prazos de entrega dilataram. No entanto, a maioria dos Clientes
compreendeu as contingências particulares da situação do mercado e, perante a incerteza de
estabilização, muitos optaram por antecipar as encomendas ao longo do ano de 2022, de forma
a assegurar o fornecimento, mesmo que os preços estejam em aberto, já que sofrem
alterações no curto prazo – devido às variações dos custos de energia, dos transportes, das
matérias-primas, dos químicos e das embalagens.
Esta situação exigiu uma comunicação muito próxima aos Clientes, dando prioridade aos
negócios regulares e produtos estratégicos, numa perspetiva de longo prazo. Neste sentido,
mesmo tendo em conta o contexto mais restrito com relação à oferta, a Empresa continuou a
reforçar a abertura de novos Clientes, tendo o número crescido acima do esperado (63 novos
Clientes, face ao objetivo de 40, com destaque para as regiões da América Latina e África
Subsariana).
Reconhecimento do valor do Cliente
O compromisso da Navigator com os Clientes vai além do vendedor local, e a
demonstração de interesse estratégico realizada em 2021 permitiu que estes se
sentissem valorizados. Nos momentos em que foi possível realizar contactos
presenciais com a equipa central da Navigator – na Turquia (finais de 2020), no
Egito (primeiro trimestre de 2021), no México (segundo trimestre de 2021) e nos
EUA (novembro de 2021) –, estes foram muito apreciados, com vários Clientes a
referirem que a Navigator era o primeiro fornecedor que viam presencialmente
desde o início da pandemia.
Relatório e Contas 2021
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3.3. Os nossos Fornecedores
O ano de 2021 continuou bastante condicionado pela pandemia de Covid-19, marcado agora
pela reabertura dos mercados e por um rápido crescimento da procura, a que a oferta teve
dificuldade em responder. Consequência deste desequilíbrio nos mercados, ao qual se juntou
o aumento dos preços da energia e gás natural, assistiu-se também a um aumento significativo
dos preços das matérias-primas químicas e de embalagem.
Nos produtos químicos, os aumentos de preços tiveram maior incidência e impacto naqueles
com maior dependência de energia no seu processo produtivo, como, por exemplo, clorato de
sódio e soda cáustica, atingindo valores superiores a 10%.
No que concerne aos materiais de embalagem, a forte pressão na procura de madeira de pinho
no mercado ibérico levou a aumentos superiores a 15% nas paletes, enquanto os filmes
plásticos sofreram acréscimos de cerca de 40%, consequência da subida de preços nos
derivados do petróleo.
A evolução internacional dos preços do Brent levou igualmente a um aumento generalizado
dos químicos dependentes do petróleo, com maior impacto no fuel, onde ocorreram
incrementos superiores a 50%.
55%
45%
Distribuição geográfica das vendas de papel
(em volume)
Europa Resto do mundo
Nova plataforma Navigator Hub
Em 2021, a Navigator passou a oferecer aos seus Clientes a possibilidade de
colocarem as encomendas através do Navigator Hub. Trata-se de uma plataforma
na cloud, que foi muito bem recebida, permitindo facilidade e agilidade na
colocação de encomendas e o acompanhamento online do estado das mesmas.
Relatório e Contas 2021
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Ao longo de 2021, a equipa da Direção de Materials Management esteve, assim, totalmente
focada na minimização do impacto destes aumentos gerais dos preços das matérias-primas.
Apesar da forte pressão no mercado, a base de Fornecedores da Navigator manteve-se
praticamente inalterada, tanto ao nível dos materiais como dos serviços.
3.4. Logística
Num ano em que a logística enfrentou múltiplos desafios, a The Navigator Company
movimentou 1,9 milhões de toneladas (papel, pasta e tissue).
Cerca de 1,8 milhões de toneladas foram movimentadas no transporte primário, realizado
entre as fábricas e os Clientes, somando mais de 130 países e aproximadamente 3.800 pontos
de entrega. O transporte secundário – entre as plataformas logísticas na Europa e os Estados
Unidos da América – movimentou um total de 160 mil toneladas.
Ao longo de 2021, a Companhia movimentou 67% da sua carga de papel por transporte
marítimo e 33% por via rodoviária. No setor da pasta, o transporte marítimo representou cerca
de 84%, sendo o restante efetuado por transporte rodoviário. No tissue, cerca de 6% foi
expedido por via marítima e 94% por via rodoviária.
Devido à Covid-19, as economias foram recuperando ao longo do ano de forma assimétrica,
fazendo desequilibrar toda a cadeia de transportes. Somou-se a isto uma alteração no perfil
dos padrões de consumo, que se direcionou para os bens duráveis. Tendo em conta que 90%
a 95% do comercio mundial são bens transportados por via marítima, esta situação levou a
um aumento considerável da procura de transporte marítimo. Também se registaram
bloqueios no sistema, o mais mediático dos quais ocorreu em março, no canal do Suez, além
do encerramento dos principais Portos Asiáticos devido à pandemia.
Em conjunto com o aumento da procura, estes desequilíbrios geraram situações de
congestionamento dos portos, cancelamento de escalas e aumento do ciclo de utilização dos
contentores, que levaram a taxa de ocupação do sistema de transportes marítimo a alcançar
os 105%, de acordo com analistas internacionais. Uma situação que conduziu ao aumento dos
custos de transporte, também impulsionados pelo inflacionar do preço dos combustíveis que
se registou ao longo de 2021.
Perante esta situação, a The Navigator Company teve de gerir não só o aumento do custo dos
fretes marítimos, como também o cancelamento de escalas e a capacidade e disponibilidade
dos contentores que lhe permitissem continuar a abastecer as suas unidades fabris e servir os
seus Clientes.
Em parte, graças à estratégia assente em parcerias de médio e longo prazo com os seus
Fornecedores, a Navigator conseguiu minimizar estes impactos. A Companhia reforçou
parcerias com implementação de um programa de aumento da capacidade de transporte,
respondendo às necessidades de crescimento do negócio. Para este programa, foi fundamental
a aposta nos terminais (marítimos e ferroviários) de proximidade, assim como medidas
adotadas para aumento da rotação dos contentores.
Relatório e Contas 2021
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A nível interno, e na sequência do que foi feito em 2020, a Navigator manteve a sua aposta
na ferrovia, que garantiu o transporte dos contentores das fábricas para os portos. Foi ainda
reforçada a aposta no transporte marítimo de curta distância (short-sea), mais vantajoso tanto
em termos de custo como de emissões de CO
2
, com as entregas com destino ao norte da
Europa, normalmente efetuadas por transporte rodoviário, a serem feitas por via marítima.
1,9 k toneladas transportadas
Mais de 130 países de destino
Cerca de 3.800 pontos de entrega
3.5. Responsabilidade Social
O crescimento sustentado da Navigator é feito em harmonia com a natureza e tem como ponto
de partida e de chegada as pessoas e os seus anseios. A nossa política de Responsabilidade
Social Corporativa (RSC) assenta no envolvimento com a comunidade e na criação de valor. É
através da partilha de conhecimentos e de recursos que contribuímos para uma melhor
floresta, um melhor ambiente, uma melhor sociedade, um melhor país. Um melhor planeta.
O ano de 2021 seguiu marcado pelo contexto da pandemia, que, confinamento após
confinamento, pôs à prova a nossa resiliência, a nossa força de vontade e até a nossa saúde
mental. Mais do que nunca, precisámos uns dos outros, e o valor da partilha ganhou
importância redobrada.
Estivemos separados, mas próximos. Em casa, mas em contacto com a natureza. Escrevemos
postais, lemos revistas e livros, brincámos com os miúdos, plantámos árvores, preocupámo-
nos com o planeta… Sempre com a The Navigator Company ao lado.
Produtores Florestais
2021 foi o ano de consolidação do projeto Produtores Florestais, iniciado em julho de 2020
para reforçar a proximidade ao mundo rural e criar uma comunidade unida entre todos os que
têm uma relação profissional ou de rendimento com a floresta, no âmbito da qual seja possível
partilhar conhecimento técnico e científico sobre silvicultura.
Através da The Navigator Company e dos seus Parceiros, nomeadamente o RAIZ – Instituto
de Investigação da Floresta e Papel, e a CELPA – Associação da Indústria Papeleira, a
comunidade de produtores florestais beneficia da partilha de conhecimento e de boas práticas
florestais. Em 2021, as parcerias estenderam-se também ao enquadramento legislativo e
regulamentar, com a colaboração da Autoridade para as Condições do Trabalho e da consultora
Ernst & Young.
Relatório e Contas 2021
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Para além dos canais próprios (revista em papel, website, Facebook, Instagram, e, lançado
em 2021, também um canal de YouTube), as informações veiculadas pelo projeto Produtores
Florestais são muitas vezes replicadas noutros órgãos de informação, sob parceria, de forma
que a mensagem chegue ao maior número possível de interessados.
As ações no terreno, de formação, comunicação ou sensibilização, continuaram, em 2021,
muito condicionadas pela pandemia, com vários eventos de âmbito florestal/agroflorestal a ser
cancelados. Produtores Florestais participou na Agroglobal, a maior feira agroflorestal nacional,
que contou com cerca de mil visitantes.
Projeto pioneiro no setor florestal, a iniciativa Produtores Florestais tem por objetivo contribuir
para uma melhor floresta em Portugal, dando voz a proprietários, produtores, prestadores de
serviços, poder local e indústria, entre outros.
Revista
30.000 subscritores
Website
www.produtoresflorestais.pt
67.995 visitantes
Redes sociais
6.903 seguidores Facebook
2.321 seguidores Instagram
141 seguidores YouTube
My Planet
Em 2021, o projeto My Planet continuou a privilegiar temas de sustentabilidade, com foco nas
alterações climáticas, a preservação da floresta e da biodiversidade, o consumo responsável e
estilos de vida saudável.
Oferta de assinatura do jornal Expresso
O último número do ano da revista Produtores Florestais alargava o leque das
informações partilhadas oferecendo aos subscritores uma assinatura digital do
Jornal Expresso durante oito semanas. E resgatá-la não podia ser mais simples:
bastava inserir o código indicado no interior da edição para, além de tudo o que
precisavam saber sobre a atividade florestal, os subscritores terem também
acesso às notícias do país e do mundo.
Relatório e Contas 2021
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Com as ações de campo “congeladas” pela pandemia, a partilha de conhecimento, experiências
e bons exemplos com a sociedade que este projeto corporiza materializou-se nas edições da
revista em papel, no website e nas redes sociais.
Ao longo do ano, foram dadas a conhecer histórias e temas com o objetivo de motivar as
pessoas a agirem em prol de um Planeta melhor. Porque “O Planeta somos nós!”.
No verão, o projeto My Planet promoveu um concurso de fotografia denominado “Olhares sobre
a floresta”, com o apoio do site olhares.com. Com o mote “E se a defesa da floresta começar
desde logo na forma como soubermos captar a sua beleza, as suas nuances visuais, os seus
detalhes ou a sua plenitude?”, esta ação pretendeu sensibilizar para o conhecimento e
valorização da floresta nacional, e desafiar a descoberta de novos pontos de vista sobre este
importante recurso natural. Em 15 dias, recebeu mais de 600 candidaturas.
Revista
12.900 subscritores
Website
www.myplanet.pt
175.893 visitantes
Redes sociais
26.670 seguidores Facebook
7.808 seguidores Instagram
Dá a Mão à Floresta
Entre confinamentos e isolamentos profiláticos, em 2021 as crianças continuaram a passar
mais tempo em casa, e o projeto Dá a Mão à Floresta, dedicado ao público infantil, não parou
de entreter, educar e ajudar a estudar ou a ensinar.
Apoio à reflorestação
A oferta de árvores para plantação é uma prática comum do My Planet. Em 2021,
destaca-se o apoio à iniciativa “Árvores de esperança”, do Corpo Nacional de
Escutas. Uma ação de reflorestação da floresta portuguesa, para a qual o My
Planet contribuiu com a totalidade das 1.100 árvores plantadas, disponibilizando
275 exemplares de cada uma de quatro espécies autóctones: medronheiro,
azinheira, carvalho-alvarinho e carvalho-negral.
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Estabeleceram-se parcerias com diversos profissionais, incluindo professores, nutricionistas,
terapeutas da fala e psicólogos, para a elaboração de artigos especializados. E com influencers,
para divulgação do projeto.
Em 2021, o Dá a Mão à Floresta contou com uma nova personagem para ajudar na sua missão
de contribuir para a educação ambiental das crianças colocando-as em contacto com o mundo
da natureza e da floresta: a Abelha Maria, uma destemida ativista ambiental, sempre pronta
a erguer o seu megafone para lutar por um planeta melhor. Junta-se à Nádia e ao Vasco, à
professora Patrícia, ao bombeiro Bruno, à cientista Cíntia, ao jornalista Joca, ao guarda-
florestal Gustavo, à apicultora Alice, ao agricultor Agostinho, ao cão Sebastião e à gata Renata
na aventura de guiar os mais novos através de áreas como a sustentabilidade, a importância
da vida rural ou a biodiversidade.
Foi também o ano de reformulação do website da iniciativa, com a introdução, por exemplo,
de uma nova área para professores, educadores e pais, com materiais didáticos e fichas de
atividades, de uma área de eventos e a implementação de uma calculadora de carbono.
Os desenho animados, criados para o site e redes sociais do projeto, chegaram, em 2021, ao
grande ecrã, passando na SIC Kids. E os conteúdos em papel também tiveram uma distribuição
mais alargada, através de uma parceria com o “Expressinho”, um suplemento destacável do
jornal Expresso, dedicado aos mais novos.
A revista passou a ter uma periodicidade bimestral e cresceu em número de páginas,
disponibilizando mais conteúdos educativos para que, através de atividades lúdicas e divertidas
em papel – um material natural, reciclável e biodegradável –, as crianças interiorizem a
importância de proteger e valorizar as florestas e a natureza.
Prémio Papies’21
O Dá a Mão à Floresta ganhou o Prémio Papies’21 na categoria Multiplataforma.
Este prémio, que distingue os melhores trabalhos de comunicação gráfica em
Portugal, reconheceu o projeto pelo reforço de atividades, vídeos e jogos
interativos desenvolvidos especificamente para ajudar os pais que ficaram em
casa com os filhos, durante a pandemia.
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Revista
14.858 subscritores
Website
www.daamaoafloresta.pt
274.382 visitantes
Redes sociais
44.200 seguidores TikTok
38.378 seguidores Facebook
12.019 seguidores no Instagram
Papel que aproxima
Em dezembro, a Navigator relançou a campanha “Natal Mais Próximos”, em
parceria com os CTT – Correios de Portugal. Com o objetivo de aproximar as
pessoas em contexto de pandemia e confinamento, a Empresa ofereceu os postais
em papel que podiam ser enviados gratuitamente através do site dos CTT, com
ilustrações exclusivas ou uma foto pessoal.
Inspirar esperança
A Pioneer, marca de papel da The Navigator Company que financia, desde 2005,
projetos de investigação na área do cancro da mama, voltou este ano a promover
a campanha #PioneerInspireHope, no âmbito do movimento Pioneer Paper
Flowers. Durante outubro, o mês internacional de luta contra o cancro da mama,
e em parceria com o fundo IMM-Laço Hub, do Instituto de Medicina Molecular, a
Pioneer promoveu um símbolo de esperança: a criação e partilha de flores brancas
de origami. No 15 de outubro, Dia Mundial da Saúde da Mama, a marca levou a
mensagem ao Hospital Santa Maria, ao IMM à The Navigator Company, onde
entregou 1.200 flores de papel, para transmitir esperança a quem vive e a quem
lida com esta doença.
Relatório e Contas 2021
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Sacos e porta-máscaras na Feira do Livro
Pelo terceiro ano consecutivo, a Navigator e a APEL – Associação Portuguesa de
Editores e Livreiros juntaram-se para promover um melhor ambiente na Feira do
Livro de Lisboa. A Companhia disponibilizou 30.000 sacos em papel e 7.500 porta-
máscaras, estes últimos produzidos com a nova linha de papéis de embalagem,
para serem partilhados com os visitantes à chegada ao recinto.
Tesouros das bibliotecas reeditados
Alguns dos livros mais preciosos das bibliotecas de Portugal ganharam nova vida
em papel Navigator. Em 2021, a Companhia associou-se ao jornal Público no
lançamento da coleção “Ex-libris – Tesouros das Bibliotecas de Portugal”,
fornecendo o papel para a impressão de edições fac-similadas de obras raras da
história literária nacional. Os livros foram impressos no novo papel Navigator
Premium Books, que se distingue por ter maior longevidade e proporcionar um
conforto superior durante a leitura, independentemente da luz, graças à sua cor
creme.
Conselho da União Europeia com papel português
Portugal presidiu ao Conselho da União Europeia durante o primeiro semestre de
2021, e a The Navigator Company produziu e forneceu material de apoio,
designadamente cadernos e blocos de notas para a realização das várias reuniões
de alto nível que decorreram, em Portugal e em Bruxelas, durante esse período.
Oferta de livros autografados
A pensar na importância da leitura em papel, a Navigator promoveu um
passatempo no Dia da Criança, através do qual ofereceu 100 exemplares do “Livro
com Cheiro a Chocolate” de Alice Vieira, obra que faz parte do Plano Nacional de
Leitura, autografados pela autora para esta iniciativa.
Relatório e Contas 2021
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4. PRIORIDADES ESTRATÉGICAS
4.1. Floresta
O ano de 2021 foi particularmente seco, não apresentando as melhores condições
meteorológicas para as operações de silvicultura, o que condicionou a instalação e os ritmos
de plantação.
Os níveis de reflorestação na área gerida pela Navigator em Portugal reduziram, por isso, em
relação ao ano anterior – que tinha estabelecido um recorde das últimas décadas –, fixando-
se nos 2.162 hectares.
Em contrapartida, as condições de fraca pluviosidade ajudaram às operações de corte de
madeira, uma boa notícia perante a grande dificuldade sentida no abastecimento das fábricas,
devido à menor disponibilidade de madeira no mercado. Esta limitação levou a The Navigator
Company a acelerar o plano habitual de corte de madeira, com a contratação de mais meios;
no entanto, apesar de o volume de madeira colhida ter sido mais expressivo do que o previsto,
não colocou em causa a sustentabilidade do património florestal da Companhia, com a
intensificação das operações a realizar-se apenas em plantações maduras.
A escassez de matéria-prima nacional torna cada vez mais importante a questão da
decrescente produtividade da floresta portuguesa, pelo que, em 2021, a Navigator continuou
a investir em projetos de valorização da floresta nacional. São os casos do Limpa & Aduba
(iniciativa CELPA - Associação da Indústria Papeleira para a adoção de boas práticas de
manutenção dos povoamentos de eucalipto), que intervencionou 14.880 hectares este ano, e
do programa Replantar, que lhe é complementar, dedicado aos povoamentos de mais baixa
produtividade; o Programa Premium da Navigator, que dá assessoria aos proprietários que
pretendem potenciar a produtividade da sua floresta, e que já apoiou 2.184 hectares; e o
rePLANT, programa para o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para os
problemas da floresta.
No total, a área florestal gerida pela Companhia em Portugal continental diminuiu este ano
cerca de 2% em relação a 2020, contribuindo para isso a expectativa criada junto dos
proprietários sobre a possível instalação de centrais fotovoltaicas, o que obviou à renovação
de alguns contratos de arrendamento, sobretudo na Região do Alto Tejo, onde os terrenos
apresentam menores declives e com melhor exposição solar. Já a área gerida na Galiza, toda
em regime de arrendamento, aumentou 69%.
A Navigator manteve o seu fomento à certificação da gestão florestal sustentável, tendo
conseguido aumentar novamente a percentagem de madeira nacional certificada que adquiriu
(já que a madeira que produz é 100% certificada). Esse valor, que era de apenas 12,5% em
2016, tinha atingido em 2020 os 61% e, em 2021, subiu para 63%.
Relatório e Contas 2021
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Academia de formação florestal
A Navigator associa-se a várias iniciativas que pretendem promover a formação,
reforçar capacidades de gestão e encontrar tecnologias para serem menos
dependentes e mais sustentáveis em termos de mão de obra. Um desses
exemplos é o Projeto Transform, uma agenda para a transformação digital das
cadeias de valor florestais, apresentada no âmbito do Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR) num consórcio dinamizado pelo ForestWise. Um dos projetos de
capacitação de recursos humanos é a criação de uma academia de formação
florestal, que coloque as pessoas a treinar com simuladores e a fazer formação
on the job, para se tornarem mais produtivas e eficientes – Forest Knowledge
Academy.
Reabilitação de áreas ardidas
Arrancou, em 2021, na CELPA, um novo programa para reabilitar áreas ardidas,
numa mancha afetada em Mortágua, com o difícil objetivo de identificar os
proprietários (devido à ausência de cadastro rústico) e, de seguida, estabelecer
um acordo sobre a recuperação necessária. A CELPA – Associação da Indústria
Papeleira paga a intervenção de limpeza de espécies invasoras e de madeira
ardida, e as terras são recondicionadas e colocadas de novo em produção, com
condições que permitam que não voltem a arder.
A importância da floresta para o Green Deal
No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com vista a contribuir
para transição climática (Green Deal), a Navigator integra o consórcio que
apresentou, em 2021, a candidatura “From Fossil To Forest” às Agendas
Mobilizadoras para Inovação Empresarial. Esta representa um marco histórico de
desenvolvimento de soluções com origem no espaço florestal, nomeadamente
mais ligadas às matérias-primas do eucalipto e do pinho, melhoria de processos
fabris de transformação de madeira, e identificação de novos produtos usados na
vertente da circularidade. Os objetivos da agenda da Companhia assentam,
sobretudo, na produção de embalagens de base celulósica para substituir o
plástico e novos biocompósitos.
Relatório e Contas 2021
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A FLORESTA NAVIGATOR EM PORTUGAL CONTINENTAL EM 2021
104.673 ha – Área total gerida (menos 2.697 ha do que em 2020)
76.499 ha – Eucalipto (73% do total e menos 2.667 ha do que em 2020)
3.931 ha – Sobreiro (3,8% do total e mais 6 ha do que em 2020)
3.362 ha – Pinheiro e outras resinosas (3,2% do total e menos 41 ha do que em 2020)
1.696 ha – Outras espécies florestais (1,6% do total e menos 545 ha do que em 2020)
1.608 ha – Área agrícola (1,5% do total e menos 1 ha do que em 2020)
8.038 ha – Caminhos e aceiros de proteção (7,7% do total e mais 116 ha do que em 2020)
790 ha – Infraestruturas e construções (0,8% do total e menos 32 ha do que em 2020)
8.748 ha - Outras ocupações (8,4% do total e mais 464 ha do que em 2020)
12.364 ha – Zonas de Interesse para a Conservação (11,8% do total e mais 441 ha
do que em 2020, incluindo 4.075 ha de Rede Natura 2000)
1.809
2.257
2.548
3.141
3.767
2.162
0
500
1.000
1.500
2.000
2.500
3.000
3.500
4.000
2016 2017 2018 2019 2020 2021
Hectares reflorestados em áreas geridas
em Portugal
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FLORESTA NAVIGATOR NA GALIZA 2020-2021
+ 69% total (de 356 para 601 hectares, de 2020 para 2021)
+ 150% novas plantações (82 → 206 ha)
+ 131% de eucalipto (203 → 470 ha)
+ 20% outras florestas (33 → 40 ha)
- 93% agricultura (8 → 1 ha)
+122% caminhos e aceiros (9 → 21 ha)
- 69% infraestruturas (3 → 1 ha)
- 31% outras ocupações (99 → 68 ha)
+ 176% investimento em silvicultura (€151.101 → €417.233)
+ 440% rendas pagas a terceiros (€94.222 → €508.352)
FLORESTA NAVIGATOR EM MOÇAMBIQUE
13.600 ha de plantações
2.348 de áreas de Proteção e Conservação
4.000 Acordos de Cedência de Terra celebrados com famílias e comunidades
€1.580.000 de investimento em Silvicultura
ARRENDAMENTO EM PORTUGAL
46.478 ha de propriedades arrendadas (44% do total gerido, menos 1% do que em 2020)
1.860 proprietários com contratos de arrendamento com a Companhia
€5.374.170 pagos em rendas a terceiros
Relatório e Contas 2021
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Investimento na cadeia de valor nacional
por distrito
Valores em euros
Distrito
2020
2021
Santarém
8.403.451
5.301.080
Beja
3.638.112
7.575.875
Coimbra
3.956.497
3.315.999
Castelo Branco
3.198.556
3.479.910
Faro
2.453.025
1.926.838
Évora
2.228.303
2.849.492
Porto
2.010.447
2.136.356
Aveiro
1.558.506
933.280
Setúbal
1.182.667
2.516.918
Portalegre
1.148.908
1.884.056
Viseu
837.260
740.565
Viana do Castelo
699.253
424.759
Braga
316.848
391.708
Lisboa
297.770
681.699
Leiria
265.303
669.174
Bragança
128.029
469.204
Vila Real
63.033
103.410
Guarda
0
5.226
TOTAL
32,4 M
35,6 M
92
43
50
30%
37%
33%
Custo com fornecedores
Total: 185 fornecedores
Silvicultura Exploração Transporte
Relatório e Contas 2021
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Abastecimento de madeira e Logística
A estratégia de negócio florestal da Navigator tem fortes raízes em Portugal, devido à
localização dos seus complexos industriais e à qualidade do produto eucalipto. No entanto,
como a quantidade de madeira disponível no país é insuficiente para as necessidades da
Empresa, a aquisição de madeira (rolaria e aparas) é alargada a outras localizações no mundo,
como Espanha (região da Galiza e Andaluzia), Brasil, Uruguai e Moçambique. Aliás, tal como
no nosso país, na região da Galiza a Companhia tem uma cadeia de abastecimento completa
e integrada, com arrendamento, compra de terras, aquisição de madeira no mercado e toda a
logística necessária à receção de madeira (parques logísticos) e ao transporte para as fábricas
por via ferroviária e marítima.
No entanto, do total de madeira abastecida aos complexos industriais em 2021, cerca de 23%
foi proveniente de importações de fora da Península Ibérica, o que representa um valor muito
relevante, que podia ser capitalizado em Portugal, com grandes contributos para a economia
nacional, se a legislação o permitisse.
No abastecimento de madeira, os impactos decorrentes da pandemia de Covid-19 tornaram o
ano atípico, juntando-se a falta de mão de obra e a menor disponibilidade de madeira
decorrente dos incêndios ocorridos principalmente em 2016-2017. Perante esta conjuntura, a
Navigator implementou incentivos de preço, para colmatar os aumentos de custos da cadeia
de abastecimento, em complemento com o desenvolvimento e consolidação de iniciativas
financeiras (adiantamentos, ajudas para compra de maquinaria, confirming, entre outras)
integradas na qualificação e dinamização de Fornecedores. Implementou também iniciativas à
gestão mais eficiente da madeira certificada, através da utilização do portal Black Box,
desenvolvido pela CELPA, com o suporte técnico de uma consultora externa. Para os
produtores, foram reforçadas as iniciativas de apoio à gestão florestal.
O abastecimento de madeira (rolaria e aparas) e biomassa é uma atividade bastante complexa,
pela envolvente que tem em termos de transporte rodoviário, ferroviário, marítimo, parques
logísticos ibéricos, origens de proveniência do produto, e é normalmente efetuada durante seis
dias por semana (24 horas por dia).
Em 2021, essa atividade aumentou de forma substancial ao nível do abastecimento de
biomassa, comparativamente com o ano anterior, por ter sido um ano completo de
abastecimento à caldeira da Figueira da Foz, que iniciou a sua atividade em agosto de 2020.
Isso implicou, no plano da gestão florestal, um trabalho acrescido de recolha de sobrantes e
de cepos antes da reflorestação, mas sempre sob avaliação, já que é necessário manter o
equilíbrio da sustentabilidade das parcelas, retirando matéria orgânica sem comprometer a
fertilidade do solo.
Na atividade Logística, que continua a ter um “papel” crucial para assegurar grande parte dos
fluxos para as fábricas, foram, em 2021, desenvolvidos alguns projetos de otimização que
contribuíram para uma ainda maior eficiência da cadeia de abastecimento, reforçada a base
de Fornecedores fora de Península Ibérica e identificadas novas espécies de madeira. Além de
um otimizador logístico que permite encurtar distâncias, reduzindo custos e impactos
ambientais, em complemento, foi implementada uma iniciativa de apoio a operadores de
alguns portos de maior proximidade às fábricas da Companhia, com garantia de volume a
médio prazo e com ganhos na eficiência das operações. Foi consolidada a operação de rolaria
no porto de Setúbal, que não se verificava até 2020, e ainda aumentada a tipologia de navios
a fazer escala no Porto de Aveiro (navios com 200 metros de comprimento e 30 metros de
Relatório e Contas 2021
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boca) que foi, durante anos, uma limitação ao crescimento da carga neste porto, de grande
proximidade às fábricas de Aveiro e Figueira da Foz.
Estas otimizações logísticas reforçaram a necessidade de encurtar as distâncias percorridas
“ponto-a-ponto”, com impactos ambientais positivos, sendo o transporte ferroviário muito
utilizado nos tráfegos existentes geridos diretamente pela Navigator.
MADEIRA ADQUIRIDA EM 2021
63% madeira nacional fornecida certificada (61% em 2020)
71% do total da matéria-prima que entrou nos complexos industriais com certificação
76%
13%
11%
68%
10%
22%
Transporte de madeira gerido pelo Grupo
Rodoviário Ferroviário Marítimo
2020
2021
Relatório e Contas 2021
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Biodiversidade
A gestão sustentável da floresta e a conservação da biodiversidade faz parte do eixo de atuação
da Agenda de Gestão Responsável 2030 da Navigator que diz respeito à Natureza.
Com o investimento em ações de conservação e restauro de habitats a fazer parte da atividade
diária da Empresa na última década, o desafio em 2021 foi promover a quantificação do ganho
em termos de biodiversidade que estes projetos permitem alcançar. É de recordar que, em
2021, 12.364 hectares da área sob gestão da Navigator (11,8% do total e mais 441 hectares
que em 2020) são Zonas de Interesse para a Conservação, e que 31% do total do património
é intersectado por diferentes tipos de Áreas Classificadas (31.961 hectares).
O ano fica marcado pela abertura destes espaços florestais da Companhia aos alunos de
mestrado, para a realização de trabalho de campo.
Graças ao esforço constante de monitorização de valores naturais em seis propriedades, e à
aposta em pessoal especializado e de referência neste setor, o número de espécies com
especial interesse para a conservação identificadas em áreas geridas pela Navigator voltou a
aumentar em 2021: mais quatro espécies de fauna, para um total de 245, e mais cinco de
flora, aumentando o elenco florístico acima das 800 espécies e subespécies.
No Parque das Serras do Porto, por exemplo – uma área protegida onde a Navigator possuiu
produção e na qual foram realizados vários projetos de florestação e identificadas e protegidas
áreas apenas para gestão de biodiversidade –, em 2021 foi feito um maior esforço de
monitorização das áreas que têm alguma ação de restauro (amostragem em parcelas com
cerca de 68 hectares), cuja informação servirá de base para produzir cenários de ação e avaliar
o ganho de biodiversidade. O primeiro resultado foi a descoberta, na Zona Especial de
Conservação (ZEC) de Valongo, de duas espécies da Lista Vermelha da Flora Vascular de
Portugal Continental: uma com estatuto “Vulnerável” (Linkagrostis juressi) e outra “Quase
ameaçada” (Cheirolophus uliginosus, [ver caixa “Nova espécie no Parque das Serras do
Porto]). Foram ainda encontradas duas espécies listadas no Anexo IV da Diretiva Habitats, a
gilbardeira (Ruscus aculeatus) e o musgo esfagno (Sphagnum auriculatum). Em relação à
77%
13%
10%
65%
10%
25%
Origem da madeira
Nacional (Mercado e Próprias) Mercado espanhol Importação extraibérica
2020
2021
Relatório e Contas 2021
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fauna com interesse de conservação no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal
Continental, foi identificada uma espécie “Vulnerável” já encontrada noutras propriedades da
Navigator, a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica).
Mais a sul, na ZEC de Monchique, numa nova monitorização a duas áreas (cerca de 18
hectares) com carvalho-de-monchique (o Quercus canariensis está “Criticamente em Perigo”),
foram identificadas outras duas espécies de flora com interesse de conservação, listadas com
estatuto “Vulnerável” na Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, a Carex
helodes e a Campanula alata. Ainda nesta zona de habitat protegido, a continuação do trabalho
de melhoria do estado de conservação realizado pela Navigator permitiu o adensamento de
plantas de carvalho-de-monchique, graças a cerca de cem bolotas recolhidas, que foram para
os viveiros da Companhia e voltaram como 40 novas plantas. Julga-se que existam apenas
350 destas árvores na área e, como nem todas produzem bolota, o objetivo é ir reproduzindo
as encontradas para aumentar a população e contribuir para a melhoria do estado de
conservação dos carvalhais ibéricos de Quercus faginea e Quercus canariensis.
No âmbito do trabalho regular de proteção da biodiversidade, a Empresa manteve ainda o
acompanhamento, durante o período de inverno e primavera (período de reprodução), de nove
locais de nidificação da águia-de-bonelli (Aquila fasciata). Apenas num destes a reprodução
teve sucesso (com pelo menos duas crias), sendo possível que tenha ocorrido também noutros
ninhos alternativos. Foi também acompanhado um ninho de cegonha-preta (Ciconia nigra)
com sucesso reprodutivo (duas crias), e descoberto um ninho de açor também com crias.
Nova espécie no Parque das Serras do Porto
A monitorização dos valores naturais nas áreas geridas pela The Navigator
Company no Parque das Serras do Porto descobriu um pequeno núcleo de
Cheirolophus uliginosus, uma espécie de flora endémica da Península Ibérica,
encontrada pela primeira vez dentro da Área de Paisagem Protegida deste Parque,
bem como nas propriedades da Empresa. Esta espécie está considerada “Quase
Ameaçada” na Lista Vermelha da Flora Vascular Portuguesa e “Em Perigo Crítico”
no livro Vermelho da Flora Vascular Espanhola. Dado que é típica de turfeiras
(ambientes higroturfosos) e que ocorre principalmente na faixa litoral, em núcleos
populacionais dispersos, encontra-se muitas vezes em ambientes urbanos e
periurbanos, o que torna ainda mais relevante esta descoberta realizada pela
Floradata – Biodiversidade, Ambiente e Recursos Naturais.
Relatório e Contas 2021
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Avaliação da biodiversidade logo desde o projeto
Porque a proteção da biodiversidade é transversal a toda a atividade florestal da
Navigator, em 2021 foi promovido um workshop interno para apresentar
resultados do projeto WildForest, implementado entre 2018 e 2020 pela Faculdade
de Ciências da Universidade de Lisboa, a Universidade de Aveiro e o Instituto
Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) em propriedades da
Navigator, com vista a avaliar o modo como os mamíferos utilizam as plantações
de eucalipto e qual a sua importância.
A ocasião foi aproveitada para a realização, em paralelo, de uma formação para
os Colaboradores da Área de Projeto, responsáveis por realizar a avaliação de
impacto ambiental antes de qualquer instalação e exploração. A formação
direcionada, com debate de ideias com a Academia, versou sobre a presença de
mamíferos e como e onde se podem encontrar, visto que nem sempre estão
visíveis, para uma avaliação mais rigorosa do património ao nível da
biodiversidade. O WildForest detetou, por exemplo, 11 espécies de mamíferos de
médio e grande porte nos eucaliptais (corço, veado, gamo, javali, lebre, coelho-
bravo, raposa, texugo, fuinha, geneta e sacarrabos) e quatro espécies de
micromamíferos (rato-do-campo, rato-das-hortas, rato de Cabrera e musaranho-
de-dentes-brancos).
Estas foram algumas das conclusões: a presença de ambientes nativos bem
conservados, no interior ou nas zonas limítrofes dos eucaliptais, promove a
biodiversidade e permeabilidade destas florestas de produção aos mamíferos
terrestres nativos; a manutenção destes habitats naturais permite quebrar a
homogeneidade da paisagem e pode ser considerada uma ferramenta de gestão,
promotora da sustentabilidade da produção, ao permitir a ocorrência de espécies
nativas e, assim, mitigadora dos possíveis efeitos negativos das plantações sobre
a biodiversidade.
Relatório e Contas 2021
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Ganho de biodiversidade em parcelas sob restauro
Em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, em Odemira,
na propriedade Vale de Beja, decorrem, há mais de 10 anos, ações de restauro e
conservação, para converter para a vegetação natural (como sobreiro e carvalho)
uma zona que foi sendo ampliada, sobretudo nas zonas húmidas da propriedade,
para fomentar um corredor ecológico junto ao Rio Mira.
Para verificar o ganho em biodiversidade deste investimento, a Navigator propôs
à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa realizar um estudo comparativo
das zonas de produção com as de áreas intervencionadas, no grupo de
micromamíferos. O primeiro trabalho (desenvolvido por Miguel Rosalino, Professor
Auxiliar do Departamento de Biologia Animal da FCUL, e Beatriz Pinho,
pertencentes ao cE3c - Centre for Ecology Evolution and Environmental Changes),
tem o tema “Efeito das ações de restauro de áreas de plantação de eucalipto na
composição e estrutura da comunidade de micromamíferos” e iniciou-se em
setembro com a colocação de armadilhas, observação dos animais e posterior
libertação. Os primeiros resultados indicam que a média de capturas de indivíduos
em eucaliptal é de 3,5 capturas/local, e nas zonas em restauro é de 5,5
capturas/local; as espécies capturadas incluem Mus spretus (rato-das-hortas),
Crocidura russula (musaranho-de-dentes-brancos), Apodemus sylvaticus (rato-
do-campo), e Rattus rattus (ratazana-preta).
Ninhos artificiais prestam serviço de ecossistema
Em 2021, foram colocados mais 20 ninhos artificiais na Herdade de Espirra, em
Pegões, para espécies de aves insectívoras como o chapim-azul e a trepadeira-
azul, e a monitorização permitiu encontrar várias crias (seis ou sete por ninho).
Dos 40 já instalados, mais de 30 foram ocupados, o que constitui um significativo
serviço de ecossistema ao nível do controlo de pragas e das doenças dos
sobreiros, como a cobrilha, que não tem outra solução e que provoca prejuízos à
cortiça. Esta praga escava e deixa as larvas dentro da cortiça, desvalorizando o
produto, e, por isso, esta deixa de poder ser usada para a produção de rolhas de
grande qualidade. Os resultados desta iniciativa para o equilíbrio do habitat podem
vir a ser monitorizados em 2022/2023 por alunos do Instituto Superior de
Agronomia.
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NOVAS ESPÉCIES DESCOBERTAS NAS ÁREAS DA NAVIGATOR
Em 2021, foram encontradas nas propriedades sob gestão da Empresa mais quatro espécies
de fauna, num total de 245, e mais cinco de flora, ultrapassando as 800 plantas:
Apodemus sylvaticus – Rato-do-campo (em várias localizações no centro do país)
Microtus cabrerae – Rato de Cabrera (na Malcata)
Aythya nyroca – Zarro-castanho (avistamento na Herdade do Gavião, zona de Aljustrel)
Dama dama – Gamo (Malcata)
Sphagnum auriculatum – Musgo esfagno (Parque das Serras do Porto)
Linkagrostis juressi (Parque das Serras do Porto)
Cheirolophus uliginosus (Parque das Serras do Porto)
Carex helodes (Monchique)
Campanula alata (Monchique)
Relatório e Contas 2021
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79
3
13
27
19
171
3
13
27
19
168
4
13
31
20
180
4
13
36
21
182
0 50 100 150 200
Criticamente em perigo
Em perigo
Vulnerável
Quase ameaçada
Pouco preocupante
Espécies protegidas na Floresta Navigator
2021 2020 2019 2018
Relatório e Contas 2021
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80
4.2. Investigação e Desenvolvimento
A atividade desenvolvida pelo RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel, entidade
sem fins lucrativos que tem como associados a The Navigator Company e as universidades de
Aveiro, Coimbra e Lisboa (através do Instituto Superior de Agronomia) traduziu-se, em 2021,
num número recorde de patentes submetidas (oito) e de publicações (80).
Este centro privado com 93 Colaboradores (48 no quadro, investigadores contratados e 9
bolseiros), incluindo 23 doutorados, desenvolve investigação, inovação e serviços
especializados de suporte às atividades florestal, industrial e comercial, gerando conhecimento
que promove a competitividade e sustentabilidade do negócio.
19.040 €
16.500 €
4.300 €
39.840 €
40.000 €
10.000 €
4.300 €
54.300 €
0 € 10.000 €20.000 €30.000 €40.000 €50.000 €60.000 €
Ações de restauro
Monitorização da biodiversidade, incluindo locais
de nidificação
Monitorização do índice da qualidade dos
bosques ribeirinhos
Total
Investimento em conservação
2021 2020
“Proteção dinâmica da floresta”
A 12.ª sessão do Fórum de Sustentabilidade da Navigator, uma iniciativa anual
de aproximação da Companhia aos Stakeholders e às comunidades, realizou-se
em outubro de 2021, em Torres Vedras, município com o qual a Empresa colabora
na defesa da floresta contra incêndios e na gestão da área da Paisagem Protegida
Local das Serras do Socorro e Archeira. Sob o tema da “Proteção Dinâmica da
Floresta”, o encontro relevou o valor da floresta como recurso crucial para o
desenvolvimento sustentável de Portugal, num quadro de gestão responsável do
território e da paisagem.
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Área florestal
Na produção de materiais genéticos melhorados que permitam aumentar a produtividade e a
resiliência da floresta face às alterações climáticas, entre as contribuições do RAIZ em 2021
destaca-se o desenvolvimento de dois novos clones, que oferecem ganhos de 40% em termos
de tonelada de pasta por hectare de plantação de eucalipto, em relação à floresta sem
melhoramento.
A nível seminal, de seleção natural através da silvicultura, foram entregues aos Viveiros Aliança
dois quilos de sementes melhoradas, com cerca de 25% de ganhos de produção.
Com vista à prossecução da obtenção de plantas de melhor qualidade, iniciou-se a criação de
um novo pomar de cinco hectares na Herdade de Espirra, onde são plantadas, estimuladas e
depois recolhidas as melhores sementes, com cuidado para evitar cruzamentos. Estima-se que
produzirá quatro milhões de plantas melhoradas.
Divulgação de conhecimento
Ao nível do fomento do conhecimento, vários projetos do RAIZ cresceram e foram premiados
durante 2021. No âmbito da iniciativa Floresta do Saber, centrada na educação e comunicação
da bioeconomia de base florestal para a comunidade escolar (que, em 2020, mereceu o
reconhecimento do RAIZ como Clube UNESCO, pela defesa dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável), foi
criado um novo espaço físico, com a reabilitação da casa de Jaime de Magalhães Lima, na
Quinta de São Francisco, em Aveiro, onde está situado o RAIZ. Com uma área experiencial
dedicada à floresta, um auditório, um espaço para exposições e ainda um espaço de cocriação,
está aberto à sociedade civil, especialmente aos mais novos, em idade escolar.
O ano de 2021 foi ainda de consolidação do projeto florestas.pt, uma iniciativa da The
Navigator Company sob coordenação técnico-científica do RAIZ e com o apoio da comunidade
científica nacional e outras instituições com ligação à floresta. Ao cumprir o seu primeiro
aniversário, em junho, a plataforma já tinha atingido mais de 300 mil visitantes, assumindo-
se como fonte de referência para clarificar temas essenciais e desafiar a sociedade a conhecer,
valorizar e cuidar da floresta portuguesa. Missão que, em março, foi distinguida com duas
menções honrosas nos Prémios Meios & Publicidade, uma na categoria “Ambiente e Energia”
e outra na categoria “Site”. No final do ano, foi lançada uma newsletter digital, de periodicidade
bimensal, com uma seleção de conteúdos e notícias da plataforma.
Proteção natural da floresta
O RAIZ conseguiu, em 2021, a autorização do ICNF – Instituto de Conservação
da Natureza e das Florestas para fazer a primeira libertação na natureza de um
inimigo natural do percevejo bronzeado, uma praga que afeta milhares de
hectares de floresta de eucalipto em Portugal. O parasitóide Cleruchoides nockae,
inócuo para a biodiversidade local, foi produzido em ambiente de biofábrica, com
o objetivo de que a sua colonização reduza o impacto da praga.
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www.florestas.pt
Em 2021, a plataforma florestas.pt recebeu a medalha de bronze nos Prémios Lusófonos da
Criatividade e foi distinguida nos Prémios Comunicação Meios & Publicidade com duas
Menções Honrosas, nas categorias Website e Ambiente & Energia.
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Área industrial e tecnológica
O ano foi marcado pelo desenvolvimento de novos produtos e negócios. Alimentado pelo
terceiro ano de atividade do projeto Inpactus – Produtos e Tecnologias Inovadoras a partir do
Eucalipto, o RAIZ apresentou, na área de biorrefinaria, três propostas de potenciais novos
negócios em avaliação: compostos bioativos a partir da folhagem e da biomassa, bioetanol
retirado da casca, e biocompósitos (com bioplásticos), este último já em fase de pré-
industrialização e inserido nas candidaturas da Navigator ao PRR.
Ao nível dos processos, o RAIZ coordenou ou participou projetos corporativos que visam a
otimização do consumo de madeira e redução da utilização de água no cozimento,
branqueamento e produção de papel UWF e tissue. Igualmente relevante foi a atividade
desenvolvida na área dos resíduos industriais (projeto UpCycling), em termos de redução
(medidas internas) e de valorização em novas aplicações, num contexto de economia circular.
Prémio de Melhor Tese de Doutoramento
Ana Filipa Lourenço, Técnica Superior do RAIZ, foi a vencedora, ex aequo, do
Prémio António Portugal – Melhor Tese de Doutoramento do CIEPQPF (Centro de
Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta).
O trabalho, intitulado “Nanocelluloses in the production of fine papers: influence
on the process and on the product quality”, foi conduzido na Universidade de
Coimbra, para responder ao crescente interesse científico na procura por
matérias-primas sustentáveis e amigas do ambiente, candidatas à substituição
dos plásticos, ou como aditivos na indústria alimentar, controladores reológicos
(de deformação e escoamento dos materiais), para impressão 3D de diversas
estruturas, entre outras possibilidades. As conclusões permitiram dar os primeiros
passos para a viabilidade industrial da sua aplicação e publicar uma patente
nacional (com submissão de pedido internacional). Os resultados foram
apresentados em 15 conferências internacionais.
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Duas aplicações, desenvolvidas em parceria com universidades e empresas no âmbito do
projeto Europeu PaperChain, atingiram este ano a fase de demonstração industrial: a
incorporação de resíduos inorgânicos em materiais betuminosos (pavimentos rodoviários) e
em betões (construção civil).
Mas o destaque do ano, numa perspetiva tanto de negócio como de contributo para a transição
de uma economia linear de origem fóssil, para uma bioeconomia circular, vai para os projetos
estratégicos na área da embalagem. O apoio do RAIZ ao desenvolvimento industrial de pastas
de alto rendimento, com menor consumo de madeira, permitiu submeter uma patente – e
mais duas estão em fase de pré-submissão. Estas pastas estão na origem da nova linha de
produtos de embalagem gKraft, lançada pela The Navigator Company a 1 de novembro [ver
tema seguinte “4.3. Packaging”].
Em teste estão outras duas áreas no âmbito da embalagem sustentável (e inscritas na
candidatura ao PRR). A primeira tem como objetivo encontrar soluções industriais de
propriedades barreira (ao oxigénio, à água e à gordura) que permitam aos papéis manter a
sua reciclabilidade, biodegradabilidade e compostagem. A segunda procura identificar
oportunidades de negócio para a utilização de celulose moldada na produção de embalagens
rígidas, como tabuleiros e produtos para food service.
Novo produto tissue produzido com o apoio do RAIZ
Em 2021, a Navigator lançou um produto tissue inovador e diferenciador,
alavancado pelas atividades de I&D desenvolvidas no âmbito do projeto Inpactus.
Este projeto permitiu desenvolver competências internas, recrutar quadros
especializados, equipar laboratórios e trabalhar com universidades parceiras, para
a utilização de pasta não branqueada na produção de papéis tissue. A
especificidade química e morfológica das fibras de eucalipto revelou excelentes
propriedades ao nível da capacidade de absorção e suavidade, que permitiram
submeter um pedido de registo de patente. O trabalho de equipa que se seguiu,
envolvendo as áreas industrial e comercial tissue, culminou com o lançamento da
gama Amoos Naturally Soft.
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Bioprodutos de base florestal em avaliação
de viabilidade técnico-económica
No âmbito do projeto Inpactus, com conclusão prevista em outubro de 2022, o
domínio da bioeconomia e dos bioprodutos de base florestal tem merecido
particular destaque. Os projetos mais promissores, incluindo açúcares, celulose
bacteriana e bioetanol a partir da biomassa florestal, biocompósitos com fibras
celulósicas e bioplásticos, prebióticos a partir da pasta branca, compostos
bioativos a partir da biomassa, e aplicações de lenhina em espumas, adesivos e
cimentos, entre outros, estão em fase de avaliação ou pré-avaliação técnico-
económica, dependendo o seu TRL. O TRL (Technology Readiness Level), é um
modelo da NASA, adotado pela União Europeia para medir o nível de maturidade
das tecnologias com vista à sua utilização no mercado, que oscila entre o 1 e o 9:
POTENCIAIS PRODUTOS/PROCESSOS
NO DOMÍNIO DA BIOECONOMIA
(DESTAQUES)
TRL
Bioetanol a partir de biomassa/lamas primárias
8/5
Biocompósitos de fibra com biopolímeros
8
Prebióticos a partir de pasta branca
4
Compostos bioativos a partir de biomassa
8/5
Desconstrução de biomassa para produção
de açúcares
5
Celulose bacteriana a partir de açúcares
da biomassa e suas aplicações
7
Polióis a partir da lenhina e aplicação
em espumas e adesivos
4
Lenhina e suas aplicações em cimentos,
embalagem
4
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4.3. Packaging
O ano de 2021 fica marcado na história das marcas da The Navigator Company como o
culminar de um processo de investigação e desenvolvimento de produto, que envolveu todas
as áreas da Empresa e resultou no lançamento, a 1 de novembro, da marca gKraft de papéis
para embalagem.
Este produto, alinhado com o compromisso da Companhia de contribuir para a substituição de
produtos de base fóssil por outros de origem florestal, renováveis, biodegradáveis, recicláveis
e neutros em carbono, é o resultado de um intenso programa realizado pelo RAIZ – Instituto
de Investigação da Floresta e Papel, em estreita colaboração com as direções fabris de Aveiro
e Setúbal, e a Direção Técnica de Produto.
Na sua base está uma pasta inovadora de alto rendimento, com menor uso de madeira, que
proporciona resistências mecânicas muito interessantes. Um trabalho tecnológico realizado
pela RAIZ, ao mesmo tempo que desenvolvia vários estudos para resolver outros desafios –
por exemplo, no âmbito da embalagem alimentar, ao nível dos revestimentos com
propriedades barreira para substituírem, de forma sustentável, os filmes plásticos.
Há quase 20 anos que a Navigator trabalhava no segmento das embalagens, embora em
pequena escala e para consumo interno, ao nível do papel usado para envolver as resmas de
papel. Há cerca de cinco anos, aplicou os atributos de qualidade do seu papel de impressão e
escrita à realidade da embalagem e entrou no mercado dos sacos de papel, com um produto
inovador, no que respeita à sua composição fibrosa, essencialmente com fibra curta de
eucalipto, com resistências mecânicas que respondem às exigências e necessidades das suas
aplicações, como os sacos de retalho, e com uma qualidade de impressão superior – o atual
Kraft de brancura superior, que é visto pelo mercado como um produto diferenciado, com
características e posicionamento premium.
Em 2020, com o impacto da pandemia nas vendas, a Empresa decide alavancar a produção
de papéis kraft e entrar, de forma mais determinada, no negócio dos papéis de embalagem.
Nesse sentido, foi desenvolvida uma nova linha de papel kraft branco natural, sem
branqueadores óticos nem corantes; uma linha de kraft castanho, inclusive para sacos de
baixas gramagens para a indústria alimentar (para pão e bolos, por exemplo); e papéis para
Novo Laboratório Piloto em Biorrefinarias e Bioprodutos
Foi construído durante 2021, com o financiamento da Comissão de Coordenação
e Desenvolvimento Regional do Centro, um Laboratório Piloto, um projeto de 1,4
milhões de euros. Com o objetivo de contribuir para o aumento do TRL
(Technology Readiness Level) dos projetos do RAIZ, vai promover a demonstração
e scale-up de processos e produtos inovadores, e promover a criação de novos
negócios e a dinamização do empreendedorismo ligado à Floresta e seus produtos.
O RAIZ é, aliás, uma Entidade do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, um
Centro Interface e um Business Innovation Centre (reconhecido pelo European
Business Network).
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a produção de caixas de cartão canelado, que registam muita procura com a expansão do e-
commerce.
A provar-se um mercado promissor, nos próximos anos será expectável um investimento em
nova capacidade produtiva, visto que, atualmente, esta está dependente de duas das
máquinas do complexo industrial de Setúbal (as mais pequenas), e o pressuposto de base é a
melhoria da rentabilidade dos volumes UWF associados a estas máquinas, tirando partido
simultaneamente da sua flexibilidade, importante nesta fase inicial, e das suas características
técnicas, que favorecem aspetos críticos dos produtos packaging, nomeadamente a excelente
homogeneidade na formação da folha. Pelo Plano de Médio Prazo (PMP) do projeto, a estratégia
de crescimento atingirá a capacidade total de ambas (acima das 200 kt), dentro de quatro
anos, momento a partir do qual será necessária capacidade produtiva adicional.
Como nasceu a marca gKraft
O “g” – de força de aceleração – em gKraft, que representa ao mesmo tempo a espécie de
eucalipto globulus (utilizada na produção do papel), e as várias características que definem
este novo produto: good, green, game changer, guaranteed results.
O desenvolvimento de produto foi feito em paralelo com o investimento no conhecimento do
mercado, da concorrência, dos Clientes e Consumidores, resultando numa linha de papéis com
três submarcas:
BAG, destinada a uma multiplicidade de sacos, saquetas, pacotes e até algum tipo de
envelopes de alta resistência, utilizados, por exemplo, no e-commerce. Neste momento é já
usada por grandes marcas internacionais como a Zara, Intimissimi, Victoria’s Secret, Desigual,
Nike, Museu Cristiano Ronaldo e Real Madrid; ou por cadeias de retalho alimentar como a Aldi
ou Lidl, assim como em sacos de cadeias de fast-food como McDonalds, ou takeaways;
chegando igualmente a aplicações industriais de sacos multifolha, como os sacos de farinhas
alimentares, alimentação animal, ou sacos de areia para higiene animal.
FLEX, pensada para embalagens flexíveis de uso múltiplo, servindo na indústria alimentar (por
exemplo, na produção de pacotes de açúcar ou de papéis de embrulho para fatiados), na
indústria (em soluções complexadas por vezes com outros materiais, nomeadamente para
papéis de embrulho e revestimentos), no apoio às áreas de logística/expedição, na
estabilização de cargas e enchimento de espaços vazios entre produtos e embalagem primária,
ou entre as embalagens primária e secundária.
BOX, indicada sobretudo para embalagens de cartão canelado, proporcionando redução de
gramagem (por vezes até 10%) e, em consequência, caixas mais leves, ou mais resistentes,
e que servem ao acondicionamento de produtos, desde o setor agrícola, indústria, retalho e e-
commerce –setores que precisam cada vez mais de embalagens shelf-ready, que
proporcionem boas resistências, mas também cada vez melhor qualidade de impressão e
experiência ao toque.
A fibra do eucalipto nacional, proveniente de florestas com gestão responsável e certificadas,
atribuiu ao produto várias vantagens. A mais óbvia é a da sustentabilidade, já que não só a
celulose é um material de origem natural, renovável, reciclável e biodegradável, que substitui
o plástico numa ótica de bioeconomia circular, como as características particulares do globulus
lhe atribuem benefícios também em comparação com outras fibras celulósicas longas: menor
consumo de madeira para produzir o mesmo papel (o pinheiro nórdico consome entre 65% a
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105% mais), maior compostabilidade (devido ao menor teor de lenhina) e maior reciclabilidade
(mais 60% a 150%) – o Eucalyptus globulus é, também por isto, um aliado da economia
circular.
Ao nível da funcionalidade, esta fibra curta não só dá ao papel um melhor desempenho nas
máquinas de transformação, como permite uma impressão de alta qualidade, que é uma mais-
valia para a imagem das marcas. Quanto às necessidades de proteção dos produtos, apresenta
benefícios em termos de resistência (sobretudo à compressão).
Por fim, o gKraft tem um forte argumento ao nível da segurança e higiene alimentar: ao utilizar
apenas fibra virgem, garante a mais elevada certificação ISEGA para o contacto com alimentos
e com a pele, já que, ao contrário da fibra reciclada, evita qualquer perigo de contaminações.
4.4. Moçambique
A Portucel Moçambique iniciou, em dezembro de 2020, a colheita e exportação de madeira
proveniente de plantações piloto instaladas na província de Manica há cerca de 8 anos, sob
gestão responsável e com certificação de origem controlada. Um passo importante para a
formação de um cluster de uma indústria de base florestal em Moçambique e para o
posicionamento da Empresa e do país no mercado internacional de exportadores de produtos
com origem em florestas plantadas, a par com países como a África do Sul, Austrália, Brasil,
Chile, Uruguai ou Vietname, entre outros.
A colheita e exportação são parte do ciclo desta indústria na qual a Portucel opera, que envolve
plantar, cuidar e colher floresta de eucalipto na maturidade, voltando a replantar e a iniciar
sucessivamente novos ciclos de produção. O projeto de investimento da Portucel em
Moçambique dinamiza uma cadeia de valor que agrega a dimensão económica do projeto com
Um ano de testes de validação
Ao longo de 2021, a Navigator desenvolveu uma intensa campanha de testes da
nova linha gKraft, mesmo junto de Clientes de mercados mais afastados da
fábrica, onde existiam oportunidades de negócio, obtendo assim mais feedback
sobre os vários produtos. Com vista à validação técnica de produto, foram
enviadas bobinas de teste para mais de uma centena de potenciais Clientes,
seguindo-se depois uma fase de testes, ainda em curso, de validação de novos
negócios, já associada à expansão da base de Clientes e ao crescimento do
negócio nos principais mercados alvo.
Em paralelo com os testes no mercado, foi possível desenvolver uma colaboração
técnica muito estreita e frutífera, em que a partir de um desenho de base dos
produtos se evoluiu para desenhos otimizados, em função das inúmeras
aplicações a que se destinam. É nesta colaboração com os Clientes que a
Navigator procura adaptar e otimizar a sua capacidade produtiva, adquirindo
conhecimento e plasmando-o nas suas marcas e produtos, a caminho do sucesso.
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um sólido compromisso ambiental e com um Programa de Desenvolvimento Social que chega
a mais de sete mil famílias.
Programa de Desenvolvimento Social
O Programa de Desenvolvimento Social (PDSP) visa contribuir para responder às prioridades
socioeconómicas identificadas na fase dos estudos ambientais e sociais prévios ao início do
projeto, através de três eixos de ação: segurança alimentar, aumento do rendimento e
melhoria do bem-estar.
O PDSP é parte integrante e acompanha a implementação do projeto florestal, num processo
contínuo de diálogo e cooperação entre a Empresa, as Autoridades Administrativas e as
Comunidades, abrangendo até à data cerca de sete mil famílias, com um investimento superior
a 5,5 milhões de euros, nas províncias de Manica e da Zambézia.
Este Programa tem diversas áreas de ação, entre as quais a promoção da segurança alimentar,
o fomento nas vertentes agrícola, pecuária, apícola e piscícola, e, na área da melhoria do bem-
estar, as infraestruturas de saúde e de educação, o acesso a água potável e energia, e as vias
de acesso. Por exemplo, a Portucel contribuiu com 150 mil dólares para a construção, iniciada
em 2021, de um bloco operatório no hospital distrital de Ile, na província da Zambézia, o qual
vai beneficiar várias dezenas de milhares de habitantes.
Comunicação contínua e envolvimento com Stakeholders
Os retornos do projeto em Moçambique incluem, ao longo da cadeia de valor, emprego com
diversos níveis de qualificação e valorização profissional, a geração de riqueza e de valor
acrescentado no país, a proteção ambiental e o investimento nas comunidades, acompanhados
por uma comunicação contínua com as partes interessadas, em particular com as comunidades
das áreas do projeto, lideranças tradicionais, entidades governamentais e organizações da
sociedade civil. Por exemplo, a comunicação com as comunidades foi uma ação prioritária da
atividade de colheita e exportação, tendo em vista envolver estes Stakeholders nas várias
fases do processo, algumas das quais realizadas pela primeira vez.
A atividade de colheita e exportação foi acompanhada por um envolvimento também com os
Stakeholders institucionais, entre os quais as entidades governamentais ao nível central, assim
como das províncias e dos distritos nas áreas do projeto, tendo em vista expor os benefícios
da cadeia de valor da plantação de árvores para a economia, para as comunidades envolventes
e para o ambiente. Registamos com agrado as visitas ao projeto dos Governadores das
Províncias de Manica e da Zambézia, assim como do Diretor Nacional para a Promoção da
Agricultura Comercial, a par com o acompanhamento de Administradores dos Distritos
abrangidos pela operação.
Criação de emprego
A criação de emprego é uma vertente essencial do projeto da Portucel em Moçambique. São
já mais de 250 Colaboradores da Empresa, diretos e indiretos, a tempo inteiro, 90% dos quais
moçambicanos e 30% mulheres. Em termos acumulados, por via do trabalho ocasional, desde
2013 a Empresa criou, em média, por ano, o equivalente a mais de 1.000 postos de trabalho
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a tempo inteiro, contratados localmente, os quais deram origem a mais de 4,3 milhões de
jornas, pelas quais pagou cerca de 12,7 milhões de dólares (11,3 milhões de euros).
O projeto de colheita e exportação foi abrangido por um processo de certificação da cadeia de
custódia, tendo sido realizadas, pela primeira vez, auditorias de madeira controlada,
garantindo assim que a madeira provém de fontes legais e de atividades controladas, baseadas
em princípios de uma gestão florestal responsável.
Uma das dimensões importantes do processo de colheita e exportação é a Saúde e Segurança
no Trabalho, uma vez que envolve muitas atividades, algumas das quais realizadas pela
primeira vez. É com satisfação que constatamos que não houve fatalidades a registar em 2021
ao nível das operações florestais.
Durante 2021 prosseguiu a implementação de um Programa de Fomento Florestal, iniciativa
governamental que conta com financiamento do Banco Mundial e de outros Parceiros de
cooperação, cujo objetivo é promover plantações florestais comerciais sustentáveis de
pequena e média escala e incentivar o restauro de áreas degradadas, tendo sido instalados
cerca de 2.000 hectares nas campanhas de 2019-2020 e 2020-2021. A Portucel Moçambique
continuou a ter um papel ativo na construção e implementação do Programa, contribuindo com
diversos apoios, como a definição do modelo de silvicultura, o fornecimento de plantas clonais
a preço bonificado, o acesso a insumos, formação e transferência de know-how. O Programa
contava com 171 beneficiários no final de 2021.
O processo de colheita e importação foi igualmente a oportunidade para estabelecer uma
parceria com a empresa sul-africana MozFibra, num projeto que poderá ganhar escala nos
próximos anos, assim como evoluir para atividades de maior valor acrescentado, fortalecendo
o mercado florestal em Moçambique.
Defesa da Floresta contra Incêndios
A Portucel Moçambique consolidou em 2021 a sua estratégia da Defesa da Floresta contra
Incêndios, com a qual tem vindo a reduzir de forma substantiva a área percorrida pelo fogo,
de cerca de 2.800 hectares em 2017 para 66 hectares em 2021. Esta evolução tem resultado
da articulação de diversas componentes, entre as quais a criação de equipas rápidas de
intervenção, a utilização de novas práticas silvícolas com base em fogo controlado, a colocação
de colmeias e buffers agrícolas (sobretudo de mandioca) na orla da floresta para incentivar a
proteção de um ativo das famílias e das comunidades, o envolvimento e sensibilização das
comunidades e a realização de uma campanha na rádio local.
De destacar a realização de um número alargado de ações de sensibilização ambiental junto
das comunidades, lideradas pelos técnicos da Portucel e que já abrangeram mais de 4.000
famílias, com o foco em riscos como a desflorestação, a extinção das espécies, a erosão dos
solos e as queimadas descontroladas. É também dado destaque à utilização eficiente da terra,
através de técnicas de agricultura de conservação (substituindo as técnicas tradicionais de
“slash&burn”), as quais são um importante contributo para evitar a desflorestação e
degradação florestal. Segundo dados do Banco Mundial, a abertura de novas áreas para a
prática de agricultura de pequena escala e a procura de madeira para combustível para
cozinhar são responsáveis por 65% da desflorestação em Moçambique.
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Parcerias para a Sustentabilidade e Carbono
O ano de 2021 foi importante para desenvolver parcerias que consolidam e amplificam a
sustentabilidade do projeto e da sua envolvente. Por um lado, com a Circular Bioeconomy
Alliance, uma organização liderada pelo Príncipe Carlos de Inglaterra; por outro, com o reforço
do compromisso com o Forest Forward (anterior NGP). Em ambos os casos, a Portucel está a
preparar-se para ser um “laboratório vivo” de boas práticas ambientais e sociais, que
corporizam o propósito de, de uma forma simbiótica, proteger o ambiente e assegurar o
desenvolvimento das comunidades, promovendo assim ecossistemas rurais mais resilientes.
Este propósito é particularmente relevante em Moçambique, um país que está entre os mais
vulneráveis aos efeitos devastadores de eventos climáticos extremos, como foi o caso dos
ciclones Idai e Keneth, em 2019.
As florestas têm um papel essencial na captura de carbono e são reconhecidas como soluções
naturais para as alterações climáticas. Em linha com o compromisso da Companhia de
neutralidade carbónica, a Portucel Moçambique tem procurado conhecer o seu contributo para
o armazenamento de carbono, sobretudo através de três dimensões: a floresta plantada; a
preservação da floresta com interesse de conservação; a redução de emissões de carbono
resultantes de atividades do Programa de Desenvolvimento Social (por exemplo, fogões
melhorados que diminuem a utilização de lenha, técnicas agrícolas de conservação que
reduzem a desflorestação para cultivo e o consumo de água, ações de sensibilização ambiental,
entre outras). Pretende-se aprofundar este conhecimento em 2022 e desenvolver iniciativas
que potenciem a captura de carbono, como a implementação de um projeto de restauro
florestal.
Novo bloco operatório do Hospital Distrital de Ile
A Portucel apoiou com 150 mil dólares a construção de um bloco operatório no
hospital distrital de Ile, na província da Zambézia, respondendo ao apelo das
entidades locais, num distrito onde o seu projeto florestal e social tem vindo a
desenvolver-se, com benefícios para as comunidades. A construção já está em
curso e irá beneficiar dezenas de milhares de pessoas.
Na cerimónia de lançamento da primeira pedra, em março de 2021, o governador
da província da Zambézia, Pio Matos, aproveitou a ocasião para incentivar o
trabalho da Empresa: “a relação de produção que a Portucel trouxe para a nossa
Zambézia, como investidor, é uma relação de proximidade, é uma relação de fazer
com, não fazer sozinho, mas fazer com as pessoas, fazer com a comunidade, fazer
com a governação, desenvolver a Zambézia. Quero acreditar que estes sinais a
que estamos a assistir nos levam a selar uma relação que veio para ficar”. O
governador teve ainda oportunidade de visitar o viveiro de Luá, também em Ile,
conhecer algumas das atividades do Programa de Desenvolvimento Social e o
modelo de Comunicação e Relacionamento com as Comunidades e demais
Stakeholders da Portucel.
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NÚMEROS DO PROJETO PORTUCEL MOÇAMBIQUE
50 DUAT
Direitos de Uso e Aproveitamento da Terra atribuídos pelo Governo de Moçambique
13.600 ha
Área com povoamentos de eucalipto
USD 12,7 milhões
Salários pagos a Trabalhadores sazonais e ocasionais desde 2013
90% Colaboradores
De nacionalidade moçambicana
30% Colaboradores
São mulheres
250 empregos
Permanentes, diretos e indiretos
USD 125 milhões
Investimento realizado até 2021
USD 73 milhões
Bens e serviços contratados a Fornecedores moçambicanos desde 2010
USD 4,7 milhões
Impostos, taxas e contribuições sociais pagos ao Estado moçambicano
Apoio à educação
A Portucel apoiou a reabilitação da Escola Primária Completa de Nantucua, distrito
de Namarrói, província da Zambézia. A substituição do telhado e da respetiva
estrutura de apoio e alguns arranjos e pintura representaram um investimento de
cerca de 12 mil dólares.
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PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL
7 mil famílias abrangidas
Apoio à melhoria da produção agrícola. Já foram entregues às famílias:
• 795 mil quilos de sementes melhoradas com maior produtividade
• 770 mil estacas de mandioca, de uma variedade resistente a pragas
• 98.500 quilos de ramas de batata-doce de polpa alaranjada
• 15 mil árvores de fruto
Fomento pecuário e piscícola para melhorar o rendimento das famílias
e aumentar a ingestão de proteína animal
• 499 famílias receberam lotes de três cabritos para reprodução
• 430 mil galinhas vacinadas contra a doença de Newcastle
• 22 tanques para produção piscícola
Fomento Apícola para aumentar o rendimento das famílias
e incentivar a defesa da floresta
• 881 famílias receberam colmeias
Acesso a água potável
• 26 furos de água abertos
• 32 furos de água reabilitados
• 20 mil pessoas beneficiadas
Energia
• 4 mil famílias receberam lâmpadas solares
Vias de acesso
•
5 mil km de estradas e caminhos melhorados
•
20 pequenas pontes rurais e outras infraestruturas reabilitadas
4.5. Projeto de descarbonização
Em 2021, as emissões diretas de CO
2
da The Navigator Company caíram das 717 mil toneladas
registadas no ano anterior para as 562 mil toneladas
3
, no que foi mais um passo importante
para a meta da neutralidade carbónica dos seus complexos industriais em 2035, definida no
Roteiro para a Neutralidade Carbónica. Criado em 2018, este documento tem quatro objetivos
principais: atingir os 100% de energia elétrica a partir de fontes renováveis; reduzir as
3
Emissões de CO
2
dos ativos nas fábricas, Scope 1 – base CELE.
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93
emissões de CO
2
fóssil pela implementação de tecnologias mais limpas; cortar consumo
específico de energia; e realizar o offset das emissões não passíveis de eliminar.
A entrada em funcionamento, no final de 2020, da nova caldeira de biomassa no complexo
industrial da Figueira da Foz, foi determinante para a redução acentuada de emissões registada
ao longo de 2021, uma diminuição na ordem dos 57%, só neste complexo. 2021 foi o ano
desta nova caldeira entrar em velocidade de cruzeiro, o que implicou a realização de testes de
aceitação para os quais é necessário um elevado consumo de gás, algo que não será repetido
em 2022 e que vai permitir reduzir ainda mais o volume de emissões.
Na unidade industrial de Setúbal, a substituição das caldeiras a fuel por gás, cuja construção
arrancou em 2021, irá permitir uma redução significativa das emissões de CO
2
aquando da
sua entrada em funcionamento, prevista para o final do segundo semestre de 2022. Esta
substituição permite, desde logo, reduzir as emissões na medida correspondente ao fator de
emissão do fuel e do gás, e vai ainda possibilitar a paragem de uma das turbinas a gás. A nova
caldeira está desenhada para produzir vapor, permitindo uma maior eficiência por cada
unidade térmica de gás.
Numa altura em que todos os complexos industriais da Companhia estão equipados com
unidades de cogeração a partir de biomassa, em 2021 a Navigator avançou com a reconversão
de um dos fornos da cal da unidade industrial de Setúbal, para substituição de combustível
fóssil por biomassa. O forno da cal daquela unidade está a ser preparado para começar a
utilizar biomassa em pó, algo inédito até ao momento em Portugal. Este é um projeto
demonstrador importante para a Empresa (que o candidatou, com sucesso, ao Innovation
Fund), e que, caso seja bem-sucedido, deverá ser replicado no forno da cal 2, em Setúbal, e
na unidade de Aveiro.
Esta é uma iniciativa que promove a sustentabilidade a múltiplos níveis. Em primeiro lugar,
permite a descarbonização dos fornos. Além disso, possibilita a reconversão de equipamentos
existentes, evitando a construção de novos fornos e a pegada carbónica que lhe está
associada. Por último, ao utilizar o serrim gerado nas operações de preparação de madeira,
promove a circularidade dentro das unidades industriais do Grupo.
562 mil toneladas de CO
2
emitidas em 2021 (717 mil em 2020)
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94
5. PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS
Considerando que:
a) Os resultados líquidos das contas individuais ascenderam a 171.411.454,76 euros,
apurados segundo o normativo IFRS;
b) A Sociedade procedeu à distribuição antecipada de lucros, no montante de
49.996.169,75 euros, equivalente ao valor ilíquido de 0,0703 euros por ação, de
acordo com a deliberação do Conselho de Administração de 16 de dezembro de 2021;
O Conselho de Administração propõe que os resultados líquidos ainda não distribuídos das
contas individuais, no montante de 121.415.285,01 euros, apurados segundo o normativo
IFRS, tenham a seguinte aplicação:
Dividendos às ações em circulação .................................................. 99.992.339,50 euros
(0,1406 Euros por ação)
Resultados Transitados .................................................................. 10.422.945,51 euros
Participação dos Colaboradores nos lucros do exercício até ................ 11.000.000,00 euros
(já assumida nas demonstrações financeiras)
Relatório e Contas 2021
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95
6. DECLARAÇÃO A QUE SE REFERE A ALÍNEA C)
DO N.º 1 DO ARTIGO 29.º-G DO CÓDIGO
DOS VALORES MOBILIÁRIOS
“Dispõe a alínea c) do n.º 1 do artigo 29.º-G do Código dos Valores Mobiliários que cada uma
das pessoas responsáveis do emitente, cujos nomes e funções devem ser claramente
indicados, devem fazer um conjunto de declarações aí previstas. No caso da The Navigator
Company foi adotada uma declaração uniforme, com o seguinte teor:
Declaro, nos termos e para os efeitos previstos na alínea c) do n.º 1 do artigo 29.º-G do Código
dos Valores Mobiliários que, tanto quanto é do meu conhecimento, o relatório de gestão, as
contas anuais, a certificação legal de contas e demais documentos de prestação exigidos por
lei ou regulamento, ainda que não tenham sido submetidos a assembleia geral, da The
Navigator Company, S.A., todos relativos ao exercício de 2021, foram elaborados em
conformidade com as normas contabilísticas aplicáveis, dando uma imagem verdadeira e
apropriada do ativo e do passivo, da situação financeira e dos resultados daquela sociedade e
das empresas incluídas no perímetro da consolidação, e que o relatório de gestão expõe
fielmente a evolução dos negócios, do desempenho e da posição da sociedade e das empresas
incluídas no perímetro da consolidação, contendo uma descrição dos principais riscos e
incertezas com que se defrontam.”
Nos termos da referida disposição legal, faz-se a indicação nominativa das pessoas
subscritoras e das suas funções:
Ricardo Miguel dos Santos Pacheco Pires Presidente do Conselho de Administração
António José Pereira Redondo Presidente da Comissão Executiva
Adriano Augusto da Silva Silveira Administrador executivo
João Paulo Araújo Oliveira Administrador executivo
João Paulo Cabete Gonçalves Lé Administrador executivo
José Fernando Morais Carreira de Araújo Administrador executivo
Nuno Miguel Moreira de Araújo dos Santos Administrador executivo
Manuel Soares Ferreira Regalado Administrador não executivo
Maria Teresa Aliu Presas Administrador não executivo
Mariana Rita A. Marques dos Santos Administrador não executivo
Sandra Maria Soares Santos Administrador não executivo
Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves Administrador não executivo
Vítor Paulo Paranhos Pereira Administrador não executivo
José Manuel Oliveira Vitorino Presidente do Conselho Fiscal
Gonçalo Nuno Palha Gaio Picão Caldeira Vogal do Conselho Fiscal
Maria da Graça da Cunha Gonçalves Vogal do Conselho Fiscal
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7. RELATÓRIO DO GOVERNO SOCIETÁRIO
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ÍNDICE
PARTE I – INFORMAÇÃO SOBRE ESTRUTURA ACIONISTA, ORGANIZAÇÃO E GOVERNO DA
SOCIEDADE 99
A. ESTRUTURA ACIONISTA ..................................................................................... 99
I. Estrutura de capital ......................................................................................................................................... 99
II. Participações Sociais e Obrigações detidas ................................................................................................. 101
B. ÓRGÃOS SOCIAIS E COMISSÕES ....................................................................... 103
I. Assembleia Geral .......................................................................................................................................... 103
II. Administração e Supervisão ......................................................................................................................... 105
III. Fiscalização ................................................................................................................................................ 138
IV. Revisor Oficial de Contas ............................................................................................................................ 147
V. Auditor Externo ............................................................................................................................................ 147
C. ORGANIZAÇÃO INTERNA ................................................................................... 150
I. Estatutos ....................................................................................................................................................... 150
II. Comunicação de irregularidades .................................................................................................................. 150
III. Controlo interno e gestão de riscos ............................................................................................................. 151
IV. Apoio ao Investidor ..................................................................................................................................... 160
V. Sítio de internet ............................................................................................................................................ 161
D. REMUNERAÇÕES E RELATÓRIO SOBRE REMUNERAÇÕES ....................................... 162
I. Competência para a determinação ................................................................................................................ 163
II. Comissão de Remunerações ....................................................................................................................... 163
III. Estrutura das remunerações ....................................................................................................................... 164
IV. Divulgação das remunerações .................................................................................................................... 167
V. Acordos com implicações remuneratórias .................................................................................................... 171
VI. Planos de atribuição de ações ou opções sobre ações (‘stock options’) ...................................................... 171
E. TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS E CONFLITOS DE INTERESSES ............ 172
I. Mecanismos e procedimentos de controlo ..................................................................................................... 172
II. Elementos relativos aos negócios ................................................................................................................ 174
PARTE II – AVALIAÇÃO DO GOVERNO SOCIETÁRIO 175
1. IDENTIFICAÇÃO DO CÓDIGO DE GOVERNO DAS SOCIEDADES ADOTADO ............... 175
2. ANÁLISE DE CUMPRIMENTO DO CÓDIGO DE GOVERNO DAS SOCIEDADES ADOTADO
.......................................................................................................................... 175
PARTE III – OUTRAS INFORMAÇÕES 188
Relatório e Contas 2021
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98
ANEXO 1 – Informações a que se refere o artigo 447.º do Código das Sociedades Comerciais
189
ANEXO 2 – Declaração sobre política de remunerações 190
ANEXO 3 – Código de Ética e de Conduta 198
Relatório e Contas 2021
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99
PARTE I – INFORMAÇÃO SOBRE ESTRUTURA ACIONISTA,
ORGANIZAÇÃO E GOVERNO DA SOCIEDADE
A. ESTRUTURA ACIONISTA
I. Estrutura de capital
1. Estrutura de capital (capital social, número de ações, distribuição do capital pelos
acionistas, etc.), incluindo indicação das ações não admitidas à negociação,
diferentes categorias de ações, direitos e deveres inerentes às mesmas e
percentagem de capital que cada categoria representa (Art. 245.º-A, n.º 1, al. a).
O capital social da The Navigator Company, S.A. é de 500.000.000 euros, integralmente
realizado, composto exclusivamente por um total de 711.183.069 ações ordinárias, sem valor
nominal, sendo iguais os direitos e deveres inerentes a todas as ações.
A totalidade das ações representativas do capital social da Sociedade encontra-se admitida à
negociação no mercado regulamentado Euronext Lisbon, gerido pela Euronext Lisbon –
Sociedade Gestora de Mercados Regulamentados, S.A.
No final de 2021, a Sociedade realizou uma nova análise da sua base acionista, identificando
e caraterizando os seus principais Acionistas institucionais.
Para além da participação do Grupo Semapa, acionista maioritário com 69,97% do capital
social da Navigator, foram identificados e caraterizados mais de 170 Acionistas institucionais,
representando cerca de 15% das ações emitidas.
Assim, em dezembro de 2021, a composição acionista identificada foi a seguinte:
* Outros inclui não identificados, brokerage/trading e diversos
Os Acionistas institucionais da Navigator, excluindo a participação do acionista maioritário, no
final de 2021, eram oriundos maioritariamente da Europa, com destaque para os Acionistas
portugueses, com 32% (vs. 33%), Acionistas com base em Espanha 13% (vs. 10%), cerca de
7% com base no Reino Unido (vs. 5%) e com base na Noruega perto de 2%. O peso dos
Semapa 70%
(2020: 69%)
Acionistas
intitucionais 15%
(2020: 14%)
Acionistas particulares 12%
(2020: 12%)
Outros 3%
(2020:3%)
Composição acionista
Relatório e Contas 2021
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100
Acionistas com base nos Estados Unidos volta a crescer, em 2021, para 26% (vs. 22% em
2020 e 14% em 2019).
Adicionalmente, em termos de caracterização do estilo de investimento, cerca de 26% das
ações eram detidas por investidores institucionais com uma estratégia orientada para o
Crescimento (Growth), existindo cerca de 25% dos investidores com estratégia do estilo
Fundos de Índice (Index) e 20% com estratégia do tipo Valor (Value). Investidores com
estratégias do tipo GARP (Growth at Reasonable Price) representavam 19% e com estratégias
do tipo Yield eram cerca de 3% dos investidores.
2. Restrições à transmissibilidade das ações, tais como cláusulas de consentimento
para a alienação, ou limitações à titularidade de ações (art. 245.º-A, n.º 1, al. b).
As ações representativas do capital social da Navigator são livremente transmissíveis.
Portugal
32%
Estados Unidos
da América
26%
Espanha
13%
Reino Unido
7%
Noruega
2%
Resto da Europa
18%
Resto do Mundo
2%
Acionistas por geografia
(Institucionais - Excluindo Semapa)
Growth
26%
Index
25%
Value
20%
GARP
19%
Outros
6%
Yield
3%
Hedge Fund
1%
Acionistas por estilo de investimento
(Institucionais)
Relatório e Contas 2021
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101
3. Número de ações próprias, percentagem de capital social correspondente e
percentagem de direitos de voto a que corresponderiam as ações próprias (art.
245.º-A, n.º 1, al. a).
Em 31 de dezembro de 2021, a Navigator não detém ações próprias. Na sequência da
aprovação na Assembleia Geral de 11 de maio de 2021 da operação de redução de capital
social por extinção de 6.316.931 ações próprias, sem valor nominal, detidas pela Sociedade,
a Navigator passou a não deter ações próprias em carteira.
4. Acordos significativos de que a sociedade seja parte e que entrem em vigor, sejam
alterados ou cessem em caso de mudança de controlo da sociedade na sequência de
uma oferta pública de aquisição, bem como os efeitos respetivos, salvo se, pela sua
natureza, a divulgação dos mesmos for seriamente prejudicial para a sociedade,
exceto se a sociedade for especificamente obrigada a divulgar essas informações por
força de outros imperativos legais (art. 245.º-A, n.º 1, al. j).
A Sociedade não é parte de acordos significativos de financiamento, instrumentos de emissão
de dívida ou outros que entrem em vigor, sejam alterados ou cessem em caso de mudança de
controlo da sociedade na sequência de uma oferta pública de aquisição.
A Navigator também não adotou quaisquer medidas que determinem pagamentos ou a
assunção de encargos pela sociedade em caso de mudança de controlo ou da composição do
órgão de administração e que se afigurem suscetíveis de prejudicar o interesse económico na
transmissão das ações e a livre apreciação pelos Acionistas do desempenho dos
administradores.
5. Regime a que se encontre sujeita a renovação ou revogação de medidas
defensivas, em particular aquelas que prevejam a limitação do número de votos
suscetíveis de detenção ou de exercício por um único acionista de forma individual
ou em concertação com outros acionistas.
Não existem no seio da Sociedade medidas defensivas, em particular que prevejam a limitação
do número de votos suscetíveis de detenção ou de exercício por um único acionista de forma
individual ou em concertação com outros Acionistas.
6. Acordos parassociais que sejam do conhecimento da sociedade e possam conduzir
a restrições em matéria de transmissão de valores mobiliários ou de direitos de voto
(art. 245.º-A, n.º 1, al. g).
A Sociedade não tem conhecimento da existência de qualquer acordo parassocial que possa
conduzir a restrições em matéria de transmissão de valores mobiliários ou de direitos de voto.
II. Participações Sociais e Obrigações detidas
7. Identificação das pessoas singulares ou coletivas que, direta ou indiretamente,
são titulares de participações qualificadas (art. 245.º-A, n.º 1, als. c) e d) e art. 16.º),
Relatório e Contas 2021
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102
com indicação detalhada da percentagem de capital e de votos imputável e da fonte
e causas de imputação.
Os titulares de participações qualificadas na Navigator a 31 de dezembro de 2021 são os
identificados no quadro infra:
Entidade
Imputação
N.º de ações
% de capital
% de direitos
de voto não
suspensos
Semapa - Sociedade
de Investimento e Gestão,
SGPS, S.A.
Direta
497.617.299
69,9704%
69,9704%
8. Indicação sobre o número de ações e obrigações detidas por membros dos órgãos
de administração e de fiscalização.
Esta informação é prestada no Anexo I a este Relatório.
9. Poderes especiais do órgão de administração, nomeadamente no que respeita a
deliberações de aumento do capital (art. 245.º-A, n.º 1, al. i), com indicação, quanto
a estas, da data em que lhe foram atribuídos, prazo até ao qual aquela competência
pode ser exercida, limite quantitativo máximo do aumento do capital social,
montante já emitido ao abrigo da atribuição de poderes e modo de concretização dos
poderes atribuídos.
Os Estatutos da Sociedade não autorizam o Conselho de Administração a tomar deliberações
que aprovem aumentos de capital.
10. Informação sobre a existência de relações significativas de natureza comercial
entre os titulares de participações qualificadas e a sociedade.
Todas as transações ocorridas em 2021 entre a sociedade e os titulares de participação
qualificada encontram-se descritas na Nota 11.3 do Anexo às demonstrações financeiras
consolidadas e na Nota 10.2 do Anexo às demonstrações financeiras individuais. Não
ocorreram em 2021, por aplicação do Regulamento sobre Conflito de Interesses e Transações
com Partes Relacionadas e nos termos e condições nele previstos em cada momento, conforme
descrito nos pontos 89 e seguintes do presente Relatório, relações significativas de natureza
comercial entre os titulares de participação qualificada e a sociedade.
Relatório e Contas 2021
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103
B. ÓRGÃOS SOCIAIS E COMISSÕES
I. Assembleia Geral
a) Composição da mesa da assembleia geral*
* Ao longo do ano de referência
11. Identificação e cargo dos membros da mesa da assembleia geral e respetivo
mandato (início e fim).
A Mesa da Assembleia Geral é composta pelas seguintes pessoas:
Presidente: vago
4
Secretário: Luís Nuno Pessoa Ferreira Gaspar (mandato de 9/04/2019 a 31/12/2022)
b) Exercício do direito de voto
12. Eventuais restrições em matéria de direito de voto, tais como limitações ao
exercício do voto dependente da titularidade de um número ou percentagem de
ações, prazos impostos para o exercício do direito de voto ou sistemas de destaque
de direitos de conteúdo patrimonial (Art. 245.º-A, n.º 1, al. f);
Não existem, na Sociedade, limites ao exercício do direito de voto por parte dos seus
Acionistas.
Os Estatutos da Navigator preveem que a cada ação da Sociedade corresponde um voto.
Apesar da existência de prazos estatutários para a participação na Assembleia, previstos nos
Estatutos da Sociedade, aplicam-se a esta matéria disposições legais imperativas como é o
caso do artigo 23.º-C do Código dos Valores Mobiliários. Já o prazo estatutário para o exercício
do voto por correspondência é a véspera da Assembleia Geral.
Os Estatutos da Sociedade não regulam especificamente o voto por via eletrónica, autorizando,
no entanto, o Conselho de Administração a regular formas de exercício do direito de voto
alternativas ao suporte em papel, desde que assegurem, igualmente, a autenticidade e
confidencialidade dos votos até ao momento da votação.
Não obstante o Conselho de Administração não ter ainda feito uso desta faculdade, o
Presidente da Mesa da Assembleia Geral sempre aceitou o voto por correspondência eletrónica,
desde que fosse recebido em condições equivalentes ao voto por correspondência em papel,
no que respeita ao prazo, à inteligibilidade, à garantia de autenticidade, à confidencialidade e
demais formalismos.
No âmbito da Assembleia Geral da Sociedade realizada em 2021, considerando o contexto
adverso decorrente do surto pandémico da Covid-19, e como resulta da respetiva
4
Na sequência do óbito de Francisco Xavier Zea Mantero, em 10 de Junho de 2021.
Relatório e Contas 2021
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104
convocatória, os Acionistas foram incentivados a exercer o respetivo direito de voto
preferencialmente por correspondência eletrónica.
Para o exercício do direito de voto por correspondência eletrónica, os Acionistas deveriam
enviar por email uma declaração dirigida ao Presidente da Mesa, em formato PDF, devidamente
assinada - de acordo com a assinatura constante do respetivo documento de identificação
válido, cuja cópia deveria acompanhar a mesma declaração -, manifestando a vontade de
votar, bem como as declarações de voto, independentes para cada ponto da ordem de
trabalhos, em formato PDF, com a indicação no título do documento do ponto da ordem de
trabalhos a que respeita.
Ainda no referido contexto pandémico, e considerando as Recomendações de 20 de março de
2020 relativas à realização de Assembleias Gerais, emitidas no âmbito da cooperação entre a
Comissão do Mercado e dos Valores Mobiliários (CMVM), o Instituto Português de Corporate
Governance (IPCG) e a Associação de Empresas Emitentes de Valores Cotados em Mercado
(AEM), a Sociedade implementou meios adequados à participação dos Acionistas na já referida
Assembleia Geral Anual de 2021, que foi realizada exclusivamente por meios telemáticos, ao
abrigo do disposto na alínea b) do n.º 6 do art.º 377.º do Código das Sociedades Comerciais.
Para efeitos de participação dos Acionistas nessa assembleia, os mesmos tiveram de declarar
a sua vontade de participar indicando para o efeito um endereço eletrónico, para onde a
Sociedade remeteu as instruções para a referida sessão telemática, e que serviu para a
verificação da identificação de cada acionista na plataforma eletrónica utilizada. Foram
recebidas declarações de participação na assembleia geral de Acionistas titulares de
570,222,908 ações com direitos de voto não suspensos, correspondentes a 80,18% dos
direitos de voto.
Não existem sistemas de destaque de direitos de conteúdo patrimonial.
13. Indicação da percentagem máxima dos direitos de voto que podem ser exercidos
por um único acionista ou por acionistas que com aquele se encontrem em alguma
das relações do n.º 1 do art. 20.º.
Não existem normas estatutárias que estabeleçam regras a este respeito.
14. Identificação das deliberações acionistas que, por imposição estatutária, só
podem ser tomadas com maioria qualificada, para além das legalmente previstas, e
indicação dessas maiorias.
Os Estatutos da Sociedade não contêm regras específicas quanto ao quórum constitutivo ou
deliberativo nas Assembleias Gerais, pelo que se aplicam na íntegra os preceitos legais
previstos no Código da Sociedades Comerciais.
Relatório e Contas 2021
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105
II. Administração e Supervisão
(Conselho de Administração, Conselho de Administração Executivo e Conselho Geral
e de Supervisão)
a) COMPOSIÇÃO*
* Ao longo do ano de referência
15. Identificação do modelo de governo adotado.
A Sociedade adotou estatutariamente um modelo de gestão monista, ou seja, com um
Conselho de Administração, composto por membros executivos e não executivos, e um
Conselho Fiscal e um Revisor Oficias de Contas, nos termos do disposto na alínea a) do n.º 1
do artigo 278.º e na alínea b) do n.º 1 do artigo 413.º do Código das Sociedades Comerciais.
16. Regras estatutárias sobre requisitos procedimentais e materiais aplicáveis à
nomeação e substituição dos membros, consoante aplicável, do Conselho de
Administração, do Conselho de Administração Executivo e do Conselho Geral e de
Supervisão (art. 245.º-A, n.º 1, al. h). Política de Diversidade.
Atualmente, não existem na Sociedade quaisquer regras estatutárias especiais relativas à
nomeação e substituição dos administradores, aplicando-se, nesta matéria, o regime geral
supletivo que resulta do Código das Sociedades Comerciais, ou seja, a competência para a
designação dos administradores (entre três e dezassete), bem como do órgão de fiscalização,
pertence aos Acionistas.
Os Estatutos preveem, todavia, que um administrador possa ser eleito individualmente se
existirem propostas subscritas e apresentadas por grupos de Acionistas, contanto que nenhum
desses grupos possua ações representativas de mais de vinte por cento e de menos de dez
por cento do capital social. O mesmo acionista não pode subscrever mais do que uma lista.
Cada proposta deverá conter a identificação de, pelo menos, duas pessoas elegíveis.
Se existirem várias propostas subscritas por diferentes Acionistas ou grupos de Acionistas, a
votação incidirá sobre o conjunto dessas listas.
Em 2020, o Conselho de Administração da Navigator aprovou os Princípios de Diversidade da
Sociedade, os quais foram revistos em 2021, que consagram os requisitos e critérios
relativamente ao perfil de novos membros dos órgãos societários e de dirigentes. Esses
princípios encontram-se publicados no sítio da sociedade na internet
(www.thenavigatorcompany.com/investidores/governo-da-sociedade).
Estes Princípios de Diversidade constituem o reconhecimento formal pela Sociedade dos
benefícios da diversidade nos seus órgãos sociais, designadamente como forma de assegurar
maior equilíbrio na sua composição, de potenciar o desempenho de cada membro e, em
conjunto, de cada órgão, de melhorar a qualidade dos processos de tomada de decisão e de
contribuir para o seu desenvolvimento sustentável.
Em conformidade e para a promoção da diversidade no seio da Sociedade, esta aceitou que,
para além dos atributos individuais, tais como a competência, a independência, a integridade
Relatório e Contas 2021
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106
de carácter, a disponibilidade e a experiência, são também relevantes outros requisitos e
critérios de diversidade na composição dos seus órgãos sociais, tais como a diversidade de
género, habilitações e experiências profissionais distintas, a inclusão de membros de idades
diferentes e, bem assim, com vivências ou origens geográficas diversas.
Adicionalmente, em 2019, o Conselho de Administração alterou o Regulamento da Comissão
de Nomeações e Avaliações, a qual tem atribuições consultivas em matéria de nomeação dos
órgãos sociais, com competências de apoio na identificação de potenciais membros dos órgãos
sociais e na avaliação da adequação de perfil, conhecimentos, e currículo dos mesmos,
devendo induzir processos de seleção transparentes e que sejam propostos os candidatos que
apresentem maior mérito, melhor se adequem às exigências da função e promovam, dentro
da organização, uma diversidade adequada, incluindo a de género.
Desta forma, entende a Sociedade que estão atingidos todos os objetivos resultantes da
adoção formal de uma política de diversidade, o que a realidade também demonstra.
Diga-se, por último, e reforçando a promoção da diversidade, que a Sociedade aprovou em
2020 o Plano para a Igualdade 2021, com progressos relativamente ao Plano para a Igualdade
de 2020 aprovado em 2019, e procedeu à comunicação desse Plano à CMVM, encontrando-se
ainda o mesmo publicado no sítio de internet da Navigator.
17. Composição, consoante aplicável, do Conselho de Administração, do Conselho de
Administração Executivo e do Conselho Geral e de Supervisão, com indicação do
número estatutário mínimo e máximo de membros, duração estatutária do mandato,
número de membros efetivos, data da primeira designação e data do termo de
mandato de cada membro.
Os Estatutos da Sociedade definem que o Conselho de Administração integra três a dezassete
membros e que os seus mandatos são de quatro anos e renováveis. Em 9 de abril de 2019, a
Assembleia Geral da Sociedade aprovou deliberação que elegeu os membros do Conselho de
Administração da Sociedade para o quadriénio de 2019-2022. Durante o mandato, em 2020
teve lugar em 2020 uma cooptação, pelo que em 2021 o Conselho de Administração integrou
catorze membros – um Presidente e treze Vogais. Em virtude da cessação de funções do
Presidente com efeitos a 31 de dezembro de 2021, o Conselho de Administração passou a
integrar 13 membros – um Presidente e doze Vogais.
Relatório e Contas 2021
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107
Individualiza-se, em relação a cada um dos membros a data da primeira designação e termo
do mandato:
Nome
Data da primeira designação
e termo do mandato
João Nuno de Sottomayor Pinto de Castello Branco
5
2015 - 2022
Ricardo Miguel dos Santos Pacheco Pires
6
2015 – 2022
António José Pereira Redondo
2007 – 2022
Adriano Augusto da Silva Silveira
2007 – 2022
João Paulo Araújo Oliveira
2015 - 2022
João Paulo Cabete Gonçalves Lé
2020 - 2022
José Fernando Morais Carreira de Araújo
2007 – 2022
Nuno Miguel Moreira de Araújo Santos
2015 - 2022
Manuel Soares Ferreira Regalado
2004 – 2022
Maria Teresa Aliu Presas
2019 - 2022
Mariana Rita Antunes Marques dos Santos
2019 - 2022
Sandra Maria Soares Santos
2019 - 2022
Vítor Manuel Rocha Novais Gonçalves
2015 - 2022
Vítor Paulo Paranhos Pereira
2020 - 2022
A composição do Conselho de Administração está livremente disponível para consulta na
página de internet da Sociedade, em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-
da-Sociedade.
18. Distinção dos membros executivos e não executivos do Conselho de
Administração e, relativamente aos membros não executivos, identificação dos
membros que podem ser considerados independentes, ou, se aplicável, identificação
dos membros independentes do Conselho Geral e de Supervisão.
Durante o ano de 2021, e à data, seis membros do Conselho de Administração exerciam
funções executivas e formavam uma Comissão Executiva, que foi eleita e cujos poderes foram
delegados pelo Conselho de Administração, e oito dos administradores exercem funções não
executivas.
Os membros executivos do Conselho de Administração pertencem à Comissão Executiva e
estão identificados infra no ponto 28, sendo os restantes membros não executivos.
Dado que, ao longo de 2021, o número de administradores não executivos representou 57,1%
dos membros do Conselho de Administração, consideramos esta percentagem adequada à
dimensão da Sociedade e à complexidade dos riscos inerentes à sua atividade e suficiente para
assegurar com eficiência as funções que lhes estão cometidas.
Este juízo de adequação teve em conta, em particular, a dimensão da Comissão Executiva e a
delegação de poderes que lhe foi confiada pelo Conselho de Administração, o perfil, a idade, o
percurso e a experiência profissional e a integridade dos membros desse órgão, o conjunto de
competências diversificadas e a disponibilidade dos membros não executivos para o
5
Desempenhou as funções de Presidente do Conselho de Administração até 31 de dezembro de 2021.
6
Desempenha as funções de Presidente do Conselho de Administração desde 1 de janeiro de 2022.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022
108
desempenho das suas funções, que, através da estreita cooperação desenvolvida com o
Presidente do Conselho de Administração e os membros da Comissão Executiva, asseguram
uma efetiva capacidade de acompanhamento, supervisão e avaliação da atividade dos
membros executivos do Conselho de Administração, as atividades da Sociedade, a sua
natureza familiar e a estabilidade da respetiva estrutura acionista de capital.
Na Assembleia Geral anual realizada em 9 de abril de 2019, que procedeu à eleição dos
titulares dos órgãos sociais para o mandato em curso, foram eleitos três novos membros não
executivos do Conselho de Administração – Maria Teresa Aliu Presas, Mariana Rita Antunes
Marques dos Santos e Sandra Maria Soares Santos – que podem ser considerados
independentes, de acordo com os critérios de aferição de independência definidos no ponto
18.1 supra e na Recomendação III.4 do Código de Governo Societário do IPCG. A Sociedade
inclui assim um número de administradores não executivos independentes de 37,5%, superior
a um terço, em conformidade com as Recomendações do Código de Governo Societário do
IPCG.
Os restantes 5 administradores não executivos, embora não sendo independentes de acordo
com os critérios supra, reúnem a necessária idoneidade, experiência e competência
profissional comprovada, o que permite enriquecer e otimizar a gestão da Sociedade numa
ótica de criação de valor, bem como assegurar uma efetiva defesa dos interesses de todos os
Acionistas e acautelar uma fiscalização e avaliação da atividade dos administradores
executivos de forma isenta, imparcial, independente e objetiva e, em simultâneo, a
inexistência de conflitos de interesses entre o interesse e posição do acionista e a Sociedade.
19. Qualificações profissionais e outros elementos curriculares relevantes de cada
um dos membros, consoante aplicável, do Conselho de Administração, do Conselho
Geral e de Supervisão e do Conselho de Administração Executivo.
João Nuno de Sottomayor Pinto de Castello Branco
7
João Castello Branco exerce as funções de Presidente da Comissão Executiva da Semapa desde
julho de 2015, bem como os cargos de Presidente do Conselho de Administração da The
Navigator Company e da Secil desde o final de 2018. Desde 2019 que é o Presidente da Direção
do Business Council for Sustainable Development (BCSD) Portugal e integra a Comissão
Executiva do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). É também vogal
do Conselho Geral da AEM – Associação Portuguesa de Emitentes. Anteriormente e após
concluir a licenciatura, trabalhou no centro de desenvolvimento de motores da Renault, em
França. Em 1991 ingressou na McKinsey, onde desenvolveu a sua atividade num número
variado de indústrias, tanto em Portugal, como em Espanha, tendo sido, até julho de 2015,
Sócio Diretor do Escritório da Ibéria da mesma Firma. João Castello Branco é licenciado em
Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico e tem um Mestrado em Gestão pelo
INSEAD.
7
Conforme suprarreferido, o Senhor Eng.º João Nuno de Sottomayor Pinto de Castello Branco cessou as
respetivas funções de administração na The Navigator Company, Semapa e na Secil por renúncia, cuja
produção de efeitos se verificou em 31 de dezembro de 2021.
Relatório e Contas 2021
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109
Ricardo Miguel dos Santos Pacheco Pires
8
Ricardo Pires é licenciado em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade Católica
Portuguesa, detém uma especialização em Corporate Finance pelo ISCTE e um MBA em Gestão
de Empresas pela Universidade Nova de Lisboa. Iniciou a sua carreira na área de consultoria
de gestão, entre 1999 e 2002, primeiro na BDO Binder e posteriormente na GTE Consultores.
Nos anos de 2002 a 2008 exerceu funções na Direção de Corporate Finance do ES Investment,
onde executou diversos projetos de M&A e mercado de capitais nos setores de Energia, Pasta
e Papel e Food&Beverages. Colabora desde 2008 com a Semapa, inicialmente como Diretor de
Planeamento Estratégico e Novos Negócios e depois, a partir de 2011, como Chefe de Gabinete
do Presidente do Conselho de Administração. É desde 2014 Administrador Executivo da
Semapa, exercendo ainda funções noutras sociedades com esta relacionadas. Desde 2015,
exerce cargos de administração na The Navigator Company e na Secil. É desde 2017 CEO da
Semapa Next e assumiu em março de 2020 funções de Presidente do Conselho de
Administração no grupo ETSA. Lecionou, em 2021, uma disciplina em curso de mestrado da
Universidade Católica de Lisboa.
António José Pereira Redondo
António Redondo é licenciado em Engenharia Química pela FCT da Universidade de Coimbra
(1987), frequentou o 4.º ano de Gestão de Empresas da Universidade Internacional, e tem um
MBA com especialização em Marketing pela Universidade Católica Portuguesa (1998).
Ingressou na Soporcel em 1987 e, até dezembro de 1998, exerceu diversas funções nas áreas
técnica, de produção, de marketing e de direção comercial. Foi diretor de Marketing da
Soporcel entre janeiro de 1998 e dezembro de 2002, tendo assumido funções como diretor
comercial do Grupo Navigator (então designado Grupo Portucel Soporcel) entre janeiro de
2003 e março de 2007. É membro da Comissão Executiva da Sociedade desde abril de 2007,
com a função de Chief Commercial Officer, e Presidente da Comissão Executiva desde 1 de
janeiro de 2020. É Presidente da CELPA (Associação da Indústria Papeleira), diretor da CIP
(Confederação Empresarial de Portugal) e membro dos Boards da CEPI (Confederation of
European Paper Industries) e da EURO-GRAPH (European Association of Graphic Paper
Producers).
Adriano Augusto da Silva Silveira
Adriano Silveira é licenciado em Engenharia Química pela Faculdade de Engenharia da
Universidade do Porto. Iniciou a carreira no Serviço de Estudos do Ambiente, tendo integrado
a Empresa Nacional de Urânio (1979) e a Empresa Minas de Jales (1983). Ingressou na
Soporcel em 1983, onde desempenhou diversas funções com responsabilidade nas áreas da
recuperação de energia, produção de pasta e de papel, gestão de projetos, manutenção e
engenharia. É membro do Conselho de Administração da Sociedade desde 2007. Foi
administrador executivo entre abril de 2007 e julho de 2015 tendo reintegrado a Comissão
Executiva em 1 de janeiro de 2020.
8
Passou a exercer, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2022, funções de Presidente da Comissão
Executiva na Semapa, de Presidente do Conselho de Administração da Semapa Next, da The Navigator
Company e da Secil.
Relatório e Contas 2021
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110
João Paulo Araújo Oliveira
João Paulo Oliveira é licenciado em Engenharia de Produção Industrial na Faculdade de Ciências
e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (1988) e tem um MBA em Engenharia Comercial
e Gestão AEP – ESADE, Espanha (1994). Iniciou a sua carreira no grupo Bosch em 1989. Entre
1994 e 1996, foi diretor industrial da Bosch na China. Posteriormente, esteve envolvido no
projeto de aquisição de uma empresa no Chile e assumiu também funções na operação do
Grupo Bosch em França e na Alemanha. Entre 2002 e 2015, foi administrador-delegado da
Bosch Termotecnologia S.A. Nos últimos 8 anos em que integrou o Grupo Bosch foi Presidente
da Unidade de Negócio de Água Quente do grupo, cujo centro de competência mundial está
centralizado em Aveiro. Foi presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã entre
2009 e 2012. Acumula ainda os cargos de membro do Conselho Geral da Universidade de
Aveiro, membro do Conselho Consultivo da AICEP e membro do Conselho de Supervisão da
Fraunhofer Institute em Portugal. É administrador executivo da Sociedade desde julho de
2015.
João Paulo Cabete Gonçalves Lé
João Lé é licenciado em Agronomia na especialidade de Economia Agrária pelo Instituto
Superior de Agronomia (ISA) da Universidade Técnica de Lisboa, tem uma pós-graduação em
Silvicultura das Espécies de Crescimento Rápido pelo ISA e Universidade de Trás-os-Montes e
Alto Douro e uma pós-graduação em Gestão com Especialização em Finanças pelo ISCTE,
Universidade de Lisboa. Está no Grupo Navigator há cerca de 30 anos tendo assumido a
responsabilidade pela Área Florestal em agosto 2007 e em julho 2016 foi nomeado CEO da
Portucel Moçambique, responsável pelo projeto de implementação de uma indústria de base
florestal em Moçambique através de DUAT (áreas atribuídas pelo Governo) com cerca de 360
mil hectares em duas províncias. É administrador executivo da Sociedade desde janeiro de
2020.
José Fernando Morais Carreira de Araújo
Fernando Araújo é licenciado em Direito pela Universidade Lusíada do Porto (2000) e tem um
bacharelato em Contabilidade e Administração pelo Instituto Superior de Contabilidade e
Administração do Porto (ISCAP – 1986) e um Curso de Estudos Superiores Especializados em
Controle Financeiro pela mesma instituição (1992). É Revisor Oficial de Contas desde 1995.
Contabilista Certificado desde 1987. É Presidente da Mesa da Assembleia Geral da CELPA desde
2020.É vogal do Conselho Fiscal da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas desde janeiro de
2021. E vogal da Direção da Associação Fiscal Portuguesa desde 2019. É pós-graduado em
Contabilidade Financeira Avançada (ISCTE – 2002/2003), pós-graduado em Direito Fiscal pela
Faculdade de Direito de Lisboa (FDL – 2002/2003) e pós-graduado em Corporate Governance
pelo Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa (ISEG – 2006/2007). Concluiu um
MBA em Corporate Reporting no ISCTE – IUL em 2016. Iniciou a carreira profissional em 1987,
na Sportrade, tendo assumido funções de responsável de contabilidade da Eurofer entre 1988
e 1993 e foi chefe dos Serviços Administrativos da COLEP de 1991 a 1993. Entre 1993 e 2001
exerceu funções na área da fiscalidade na KPMG, tendo sido Senior Tax Manager entre 1993 e
2001. Foi diretor de Fiscalidade e Contabilidade da Secil, entre 2001 e 2005, da Semapa entre
2002 e 2006, e da Sociedade entre 2006 e 2007. É administrador executivo da Sociedade
desde abril de 2007.
Relatório e Contas 2021
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111
Nuno Miguel Moreira de Araújo Santos
Nuno Santos é licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico (1993) e tem um
MBA pelo INSEAD (1996). Iniciou a carreira profissional na McKinsey & Company em 1993 e
até março de 2015 foi Senior Partner (Director) e líder da Prática de Energia, Commodities &
Indústria do Escritório da Ibéria da McKinsey & Company. Foi também membro do Comité de
Liderança da Prática Global de Energia, Commodities & Indústria da McKinsey & Company.
Assumiu funções de administrador executivo da The Navigator Company em abril de 2015.
Manuel Soares Ferreira Regalado
Manuel Regalado é licenciado em Finanças, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão
(ISEG) de Lisboa (1972) e concluiu o Senior Executive Programme da London Business School
(1997). Iniciou a carreira profissional em 1971, tendo, entre esse ano e 1984, exercido
diferentes funções de auditoria interna, planeamento e controlo de gestão e análise de projetos
de investimento. Entre 1984 e 1994, e 1998 e 2004, exerceu cargos de administração e gestão
em entidades com atuação em diferentes setores, designadamente na banca, seguros,
indústria e energia, como a Edinfor, COSEC, IAPMEI, Hidroelétrica de Cahora-Bassa e Banco
BPI (em Portugal, África e América Latina). Entre 1994 e 1998 integrou o Conselho de
Administração da Portucel, tendo igualmente feito parte dos órgãos sociais da INAPA e CELPA.
É membro do Conselho de Administração da The Navigator Company desde 2004, tendo sido
administrador executivo até 2016.
Maria Teresa Aliu Presas
Maria Teresa Aliu Presas é licenciada pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada, de Lisboa.
Fez a sua carreira na indústria do papel, tendo ingressado no Grupo Tetra Pak em 1982, onde
desempenhou diversas funções em Portugal, na Suíça, sede internacional, e em Bruxelas, em
áreas de Marketing e Comunicação, Ambiente e Assuntos Europeus nomeadamente vice-
presidente na Região Europa e responsável por ambiente para todo o grupo. De 2003 a 2011
dirigiu a Confederação Europeia da Indústria do Papel (CEPI). Foi membro do conselho de
administração de diversas associações europeias bem como administradora não executiva da
empresa Powerflute Oy. Atualmente colabora na consultora Magellan em Bruxelas, é
administradora não executiva do World Bioeconomy Forum e é administradora não executiva
da Navigator desde 2019.
Mariana Rita Antunes Marques dos Santos
Mariana Marques dos Santos licenciou-se em Gestão de Empresas pela Universidade Católica
Portuguesa e complementou a sua formação com um MBA pelo INSEAD (Fontainebleau), tendo
também frequentado o mesmo programa em Kellogg – Northwestern University, em Chicago.
De 1989 a 2006, foi docente universitária, quer nas áreas de métodos quantitativos do ISCTE,
quer de estratégia e políticas de internacionalização, na escola de executivos, IBS-ISCTE
Business School. A par das atividades académicas, desenvolveu uma carreira empresarial
ligada a diversas áreas e funções. Começando por experimentar a dinâmica dos mercados
financeiros, colaborou com o Lloyds Bank na área de gestão de carteiras de títulos. Ingressou,
de seguida, numa equipa de capital de risco – a SFIR, onde foi analista de projetos, nos anos
de 1991 e 1992. Foi também consultora em Madrid, numa empresa multinacional, a Arthur
D.Little, estando associada a diversos projetos entre os quais o lançamento da sucursal
portuguesa, nos anos de 1995 e 1996. Assumiu de seguida uma sucessão de pelouros
internacionais, dentro do Grupo Abrantina, entre 1996 e 2007, nomeadamente em
Relatório e Contas 2021
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Moçambique e na Alemanha, gerindo projetos em diversas áreas como a alimentar ou a
produção e distribuição de materiais de construção. No final de 2007 abraçou um projeto
empresarial próprio, lançando a NBC Medical, na área do comércio internacional de
medicamentos, onde esteve envolvida como managing partner até Junho de 2021. É
administradora não executiva da The Navigator Company, desde maio de 2019.
Sandra Maria Soares Santos
Sandra Maria Soares Santos é licenciada em gestão pela Faculdade de Economia do Porto
(1989-94) e concluiu um MBA na PBS – Porto Business School (1999). Iniciou a sua carreira
no Banco Espírito Santo e na Universidade do Porto em 1994, onde lecionou como professora
convidada. No BES desempenhou várias funções técnicas e comerciais, num momento em que
o banco estava a incorporar jovens gestores e a transformar de forma substancial a sua
estrutura organizativa e de fazer negócio. Começou o seu percurso no Grupo BA, em finais de
1999, como Controller, função que construiu no momento em que o grupo iniciava a sua
expansão geográfica. Desde então exerceu diversas funções, como diretora financeira, diretora
de Recursos Humanos, diretora de fábrica e CFO. É como CFO (2007) que tem uma
participação ativa nos processos de aquisição e integração das empresas adquiridas. Em 2012
é destacada para ser CFO num outro negócio, embalagens de plástico, no qual os Acionistas
da BA decidiram investir, missão que termina um ano depois. É desde 2014 CEO e membro do
Conselho de Administração do Grupo BA. O Grupo BA tem hoje operações industriais em 7
países europeus, 12 unidades industriais, 3.800 trabalhadores e uma faturação anual de 950
milhões de euros. É administradora não executiva da Navigator desde abril de 2019.
Vítor Manuel Rocha Novais Gonçalves
Vítor Novais Gonçalves é licenciado em Gestão de Empresas pelo ISC-HEC, em Bruxelas, e
tem mais de 30 anos de experiência profissional com responsabilidades de gestão executiva
nos setores de Produtos de Consumo, Telecomunicações e Financeiro. Iniciou a sua atividade
profissional em 1984 na Unilever como Management Trainee e posteriormente como Gestor
de Produto e Gestor de Mercado. De 1989 a 1992 exerceu funções no Citibank Portugal, como
Gestor de Negócios na área de Capital de Risco, tendo sido responsável pela área de Corporate
Finance e membro do Management Committee. Entre 1992 e 2000, na área financeira do grupo
José de Mello, foi administrador em várias empresas e, entre outros, Diretor Geral da
Companhia de Seguros Império. Entre 2001 e 2009 exerceu funções na área de
telecomunicações do grupo SGC como administrador da SGC Comunicações, responsável pelo
Desenvolvimento Internacional de Negócios. É administrador, entre outras, da Zoom
Investment, da Semapa e da The Navigator Company.
Vítor Paulo Paranhos Pereira
Vítor Paranhos Pereira é licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa e
frequentou a AESE (Universidade de Navarra). Iniciou a sua atividade profissional em 1982,
na Empresa Gaspar Marques Campos Correia & Cª. Lda., como Diretor Financeiro até 1987.
De 1987 a 1989, exerceu o cargo de Adjunto da Direção Financeira no Instituto do Comércio
Externo de Portugal (ICEP). Em 1989 ingressou no Grupo como Diretor Financeiro da Sodim,
tendo sido nomeado vogal do Conselho de Administração da mesma em 2009, funções que
exerceu até maio de 2018 e depois desde março de 2020 até ao presente. Exerce ainda funções
de Administração em diversas sociedades relacionadas com a Sodim, nomeadamente, desde
1998 na Hotel Ritz. Exerceu ainda entre 2001 e 2016 funções de administração na Hotel Villa
Magna. É administrador da Sonagi desde 1995, exercendo funções de Presidente do Conselho
Relatório e Contas 2021
28/03/2022
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de Administração desde junho de 2020. Foi designado administrador da Refundos em 2005,
exercendo funções de Presidente do Conselho de Administração dessa sociedade de 2018 até
maio de 2020. De 2006 a 2015, exerceu o cargo de Presidente do Conselho Fiscal da
Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e em abril de 2019 foi nomeado Presidente da Mesa
da Assembleia Geral desta entidade. Foi desde 2007 a 2016 Presidente da Mesa da Assembleia
Geral da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP).
Exerceu funções de Vogal do Conselho Fiscal da Eurovida – Companhia de Seguros, S.A. e da
Popular Seguros – Companhia de Seguros, S.A. de 2009 a 2018. Em 2014, foi designado vogal
do Conselho de Administração da Semapa. É desde março de 2020 Administrador Executivo
da Semapa, e de outras sociedades com esta relacionadas, exercendo também desde fevereiro
e março de 2020 cargos de administração na Secil e na The Navigator Company,
respetivamente.
20. Relações familiares, profissionais ou comerciais, habituais e significativas, dos
membros, consoante aplicável, do Conselho de Administração, do Conselho Geral e
de Supervisão e do Conselho de Administração Executivo com acionistas a quem seja
imputável participação qualificada superior a 2% dos direitos de voto.
Entre os membros do Conselho de Administração da Sociedade, ao longo do ano de referência,
os administradores João Nuno de Sottomayor Pinto de Castello Branco, Ricardo Miguel dos
Santos Pacheco Pires, Vítor Paulo Paranhos Pereira e Vítor Manuel Galvão Rocha Novais
Gonçalves eram também administradores da acionista Semapa.
21. Organogramas ou mapas funcionais relativos à repartição de competências entre
os vários órgãos sociais, comissões e/ou departamentos da sociedade, incluindo
informação sobre delegações de competências, em particular no que se refere à
delegação da administração quotidiana da sociedade.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 114
ORGANOGRAMA DAS COMISSÕES NO SEIO DA SOCIEDADE
CONS E LHO DE
ADM INIS T RAÇÃO
SE CRET ÁRIO DA
SOCIE DADE
COM ISS ÃO DE ÉT ICA
COM ISS ÃO DO
GOVERNO
SOCIE T ÁRIO
ASSEMBLEIA GERAL
FORÚM DE
SUS T E NT ABILIDADE
COM ISS ÃO DE
ACOM PANHAM ENT O
DO FUNDO DE
PE NSÕES
CONS E LHO AM BIE NT AL
COM ISS ÃO DE
ANÁLISE E
ACOM PANHAM ENT O
DE RIS COS
PAT RIM ONIAIS
COM ISS ÃO EX E CUT IVA
ME SA DA
ASS EM BLEIA G E RAL
ROC
CONS E LHO
FIS CAL
COM ISS ÃO DE
FIX AÇÃO DE
VE NCIM ENT OS
COM ISS ÃO DE
NOM EAÇÕE S E
AVALIAÇÕE S
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 115
* Alterações em 2021 ** Em 01/01/2022, ocorreram as seguintes alterações: **** Cargos ocupados interinamente
- Relação com Investidores cargo ocupado por Joana Lã até setembro de 2021;
- João Escobar Henriques (Diretor de Controlo de Gestão em 2021) transitou para a Direção Comercial Pasta;
- Complexo Industrial de Setúbal cargo ocupado por José Nordeste até março de 2021; - Gonçalo Veloso de Sousa (Diretor de Gestão de Risco em 2021) transitou para a Direção de Controlo de Gestão;
- Complexo Industrial de Aveiro cargo ocupado por Alexandre Vale até março de 2021; - Gonçalo Duarte passou a exercer as funções na Direção de Gestão de Risco (assumida em 2021 por Gonçalo Veloso de Sousa);
- Direção Ambiente e Energia cargo ocupado até maio de 2021 por Oscar Arantes; - Dorival Almeida passou a exercer as funções de Diretor do Complexo Industrial da Figueira da Foz (assumido em 2021 por Pedro Matos Silva);
- Direção de Marketing cargo ocupado por Eduardo Scarlatti até outubro de 2021;
- Mário França passou a exercer as funções de Diretor de Vendas de Papel Europa (assumido em 2021 por Vítor Coelho);
- Direção de Logística cargo ocupado interinamente por João Paulo Oliveira até junho de 2021; - José Tátá Anjos passou a exercer funções de Assessor da CE (Diretor Comercial de Pasta em 2021);
- Direção de Sistemas de Informação cargo ocupado por Mário Roque Póvoa até setembro de 2021;
- A Direção de Vendas Internacional cargo ocupado por Mário França em 2021 será assumido interinamente por João Paulo Oliveira em 2022;
- Direção de Projetos criada em outubro de 2021;
- A Direção de Sistemas de Informação foi integrada na Direção de Tecnologia Digital, direção criada em Janeiro de 2022;
- Projeto Packaging - área criada em 2021
- Pedro Matos Silva (Diretor de Complexo Industrial da Figueira da Foz em 2021) transitou para a Direção de Tecnologia Digital;
- A Direção de Serviços Jurídicos passa a Direção Jurídica, Compliance & Public Affairs;
- António Neto Alves (Diretor Jurídico) passou a exercer funções de Diretor Jurídico, Compliance & Public Affairs;
- António da Cunha Reis (Assessoria CE) passou a exercer funções de Diretor Jurídico;
- Vítor Coelho (Diretor de Vendas de Papel Europa em 2021) passou a exercer funções de Diretor de Public Affairs;
*** Em 01/02/2022, ocorreram as seguintes alterações:
- Ricardo Peres passou a exercer funções de Diretor de Recursos Humanos (assumida interinamente em 2021 por José Fernando Araújo);
- Ana Marques é nomeada responsável de Compliance na Direção Jurídica, Compliance & Public Affairs.
José Fernando Araújo
Nuno Miguel Santos
Portucel Moçambique
Comissão Executiva
António Redondo
Adriano Silveira
João Paulo Lé
João Paulo Oliveira
Relação com Investidores *
Paulo Silva
Ana Canha
Bernd Bunzen
Eduardo Veiga
António da Cunha Reis
Assessoria da Comissão Executiva
João Prina
João Ventura
Complexo Industrial da Figueira da Foz
Direção de Vendas de Papel Europa
Direção de Comunicação e Marca
Oscar Arantes
Direção de Recursos Humanos
Mário Roque Póvoa
Área Investigação
Área Industrial
Área Comercial
Área Corporativa
RAIZ
Complexo Industrial de Setúbal *
Direção Comercial Pasta
Direção de Gestão de Risco
Direção Jurídica**
Carlos Pascoal Neto
Alexandre Vale
José Tátá Anjos**
Gonçalo Veloso de Sousa**
António Neto Alves
Pedro Matos Silva**
Vítor Coelho**
Rui Pedro Batista
José Fernando Araújo***
Área Florestal
Complexo Industrial de Aveiro *
Direção de Vendas de Papel Internacional
Direção Financeira
Direção de Gestão de Talento e
Desenvolvimento Organizacional
António Oliveira
Mário França **
Manuel Arouca
Paula Castelão
Direção Gestão Florestal
Direção Técnica Central
Direção de Supply Chain
Direção de Controlo de Gestão
Direção de Sistemas de Informação**
Nuno Neto
Carlos Brás
António Quirino
João Escobar Henriques**
Roberto Mantovani*
Direção de Abastecimento de Madeira
Direção de Ambiente e Energia *
Direção de Marketing*
Direção de Contabilidade e Remunerações
Direção de Sustentabilidade
Gonçalo Vieira
José Nordeste
Catarina Novais
Carla Guimarães
João Lé****
Direção de Projetos*
Direção de Logística*
Direção de Business Development e Novos
Negócios
Direção de Materials Management
Adriano Silveira****
Nuno Soares
Vasco Ferreira
Pedro Sousa
Área Tissue
Direção Técnica de Produto
Direção de Fiscalidade
Direção Comercial Tissue
Vítor Crespo
José Almeida Fernandes
Hermano Mendonça
Revenue Management Department
Empremédia
Supply Chain Tissue
João Paulo Oliveira****
Fernando Gaga
Direção Industrial Tissue
Cristina Campos
Alexandra Fernandes
Joaquim Belfo
Projeto Packaging*
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 116
COMISSÃO EXECUTIVA
Entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2021, a Comissão Executiva (que, de acordo com os
Estatutos, pode integrar três a nove membros) era composta por seis membros, que dividiam entre
si a seguinte lista de pelouros:
António José Pereira Redondo
− Direção de Comunicação e Marca
− Direção de Gestão de Risco
− Direção de Gestão de Talento e Desenvolvimento Organizacional
Adriano Augusto da Silva Silveira
− Direção de Ambiente
− Direção Industrial de Aveiro
− Direção Industrial da Figueira da Foz
− Direção Industrial de Setúbal
− Direção Técnica Central
João Paulo Araújo Oliveira
− Direção de Logística
− Direção de Marketing
− Revenue Management Department
− Direção de Supply Chain
− Direção Técnica de Produto
− Direção de Vendas de Papel Europa
− Direção de Vendas de Papel Internacional
João Paulo Cabete Gonçalves Lé
− Direção de Abastecimento de Madeira
− Direção de Gestão Florestal
− Portucel Moçambique
− RAIZ – Instituto de Investigação da Floresta e Papel
− Direção de Sustentabilidade
José Fernando Morais Carreira de Araújo
− Direção de Contabilidade e Remunerações
− Direção de Controlo de Gestão
− Direção Financeira
− Direção de Fiscalidade
− Direção de Recursos Humanos
− Direção dos Serviços Jurídicos
− Direção de Sistemas de Informação
− Empremédia – Corretores de Seguros
− Relação com Investidores
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 117
Nuno Miguel Moreira de Araújo Santos
− Direção de Business Development e Novos Negócios
− Direção Comercial Tissue
− Energia
− Direção Industrial Tissue
− Direção de Materials Management
− Supply Chain Tissue
− Direção de Vendas Pasta
Os poderes delegados na Comissão Executiva são os seguintes:
a) Propor ao Conselho de Administração as políticas, objetivos e estratégias da Sociedade;
b) Propor ao Conselho de Administração, os orçamentos de exploração e os planos de
investimento e desenvolvimento a médio e longo prazo, e executá-los após a sua aprovação;
c) Aprovar alterações orçamentais no ano social, incluindo transferência entre centros de custo,
desde que, em cada ano, não ultrapassem os vinte milhões de euros;
d) Aprovar contratos de aquisição de bens ou de serviços cujo valor global em cada ano não
ultrapasse vinte milhões de euros;
e) Aprovar contratos de financiamento, solicitação de garantias bancárias, ou assumir
quaisquer outras responsabilidades que representem acréscimo de endividamento, de valor
globalmente inferior em cada ano a vinte milhões de euros;
f) Adquirir, alienar ou onerar bens do ativo imobilizado da Sociedade até ao valor individual de
cinco por cento do capital social realizado;
g) Tomar ou dar de arrendamento quaisquer bens imóveis;
h) Representar a Sociedade em juízo ou fora dele, ativa ou passivamente, bem como propor e
seguir quaisquer ações judiciais ou arbitrais, confessá-las e delas desistir, transigir;
i) Adquirir, alienar ou onerar participações noutras sociedades até ao máximo de vinte milhões
de euros em cada ano;
j) Deliberar sobre a execução da aquisição e alienação de ações próprias, quando tal tenha
sido deliberado pela Assembleia Geral, e com observância do que por aquela tenha sido
deliberado;
k) Gerir as participações noutras sociedades, em conjunto com o Presidente do Conselho de
Administração, nomeadamente designando com o acordo daquele os representantes nos
respetivos órgãos sociais, e definindo orientações para a atuação desses representantes;
l) Celebrar, alterar e fazer cessar contratos de trabalho;
m) Abrir, movimentar e encerrar contas bancárias;
n) Constituir mandatários da Sociedade;
o) Em geral todos os poderes que por lei são delegáveis, com as eventuais limitações
resultantes do disposto nas alíneas anteriores.
Em conjunto com o Presidente do Conselho de Administração, a Comissão Executiva poderá também
deliberar sobre as matérias previstas nas alíneas c), d), e) e i) atrás referidas, quando os respetivos
valores, calculados nos termos ali referidos, ultrapassem vinte milhões de euros, mas não excedam
cinquenta milhões de euros.
O Presidente do Conselho de Administração tem as competências que lhe são atribuídas por Lei e
pelos Estatutos. A competência para a alteração de quaisquer condições de contratos anteriormente
celebrados e abrangidos pelas referidas alíneas c), d), e) e i) caberá ao órgão ou órgãos que teriam
competência para os celebrar.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 118
A Comissão Executiva pode discutir todos os assuntos da competência do Conselho de
Administração, sem prejuízo de só poder deliberar nas matérias que lhe estão delegadas.
O Regulamento da Comissão Executiva, aprovado pelo Conselho de Administração, também
estabelece o regime de atuação dos administradores executivos.
As decisões respeitantes à definição da estratégia da Sociedade, bem como às políticas gerais da
mesma e à estrutura empresarial do Grupo Navigator, são matéria da competência do Conselho de
Administração, não tendo a Comissão Executiva competências delegadas nesse sentido. Participam
assim os administradores não executivos na definição da estratégia, principais políticas, estrutura
empresarial e decisões que devam considerar-se estratégicas em virtude do seu montante ou risco,
bem como na avaliação do respetivo cumprimento.
A gestão da sociedade é centrada na articulação entre o Conselho de Administração e a Comissão
Executiva.
A coordenação e a aproximação foram asseguradas pela estreita cooperação desenvolvida pelo
Presidente do Conselho de Administração, João Castello Branco, com a equipa executiva, pela
disponibilidade dos membros da Comissão Executiva para a transmissão regular de toda a
informação relevante ou urgente, ou que seja solicitada, relativa à gestão corrente da Sociedade
aos membros não executivos do Conselho de Administração, de forma a permitir um
acompanhamento permanente da vida societária, e pela convocação de reuniões do Conselho de
Administração para todas as decisões estratégicas ou consideradas especialmente relevantes, ainda
que estas se enquadrem no âmbito dos poderes gerais delegados e ainda pela presença do
Presidente do Conselho de Administração em algumas reuniões da Comissão Executiva da
Sociedade.
Também relativamente aos restantes membros dos órgãos sociais, as informações solicitadas são
prestadas pelos membros da Comissão Executiva em tempo útil e de forma adequada.
Para assegurar uma transmissão regular de informação, encontram-se disponíveis para consulta do
Conselho Fiscal as convocatórias e as atas dessa Comissão. Também as restantes comissões e
órgãos sociais da Sociedade asseguram, atempada e adequadamente e nos termos dos respetivos
regulamentos de funcionamento, o fluxo de informação, nomeadamente, através da disponibilização
de convocatórias e de atas, nos termos necessários e adequados ao exercício das competências
legais e estatutárias por parte dos restantes órgãos e comissões.
Em relação ao planeamento estratégico e política de investimentos, e sem prejuízo do pelouro a que
se faz referência, esclarece-se que é por natureza uma área de maior intervenção dos membros não
executivos e que contou com significativo envolvimento por parte do Presidente do Conselho de
Administração. Participam assim os administradores não executivos na definição da estratégia,
principais políticas, estrutura empresarial e decisões que devam considerar-se estratégicas em
virtude do seu montante ou risco, bem como na avaliação do respetivo cumprimento.
Importa referir, quanto à sustentabilidade, as competências da Direção de Sustentabilidade - que,
em articulação com as das diferentes Direções da Sociedade e o Fórum de Sustentabilidade, formam
diversos grupos de trabalho para tratar de temas específicos -, que tem desenvolvido a sua atividade
sob a supervisão da Comissão Executiva e envolvendo de forma transversal todas as sociedades do
Grupo. Em resultado desta atividade, é elaborado anualmente, pela Sociedade, o respetivo
“Relatório de Sustentabilidade” que, numa perspetiva consolidada, e em resposta aos requisitos
legais introduzidos pelo Decreto-Lei n.º 89/2017, de 28 de julho, faz uma análise desenvolvida da
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 119
abordagem e do compromisso da Sociedade para com os temas de sustentabilidade. Assim, e
através da observância e concretização dos aludidos princípios estratégicos, e nos termos mais bem
desenvolvidos no referido relatório, a Sociedade assegura o êxito a longo prazo, com um contributo
significativo para a comunidade em geral.
No final de 2018, foram revistos, aprovados e divulgados regulamentos internos do Conselho de
Administração e Conselho Fiscal, bem como das comissões internas abaixo identificadas, que contêm
regras de funcionamento, competência e articulação entre os vários órgãos e comissões. Nos termos
dos referidos regulamentos e das demais normas aplicáveis, os mencionados órgãos sociais e as
demais comissões da Sociedade elaboram atas completas das respetivas reuniões.
Os órgãos sociais e as comissões internas acima identificadas estão obrigadas, nos termos dos
respetivos regulamentos internos de funcionamento, a disponibilizar entre si, nos termos legal e
estatutariamente exigidos, toda a informação e documentação necessária ao exercício das
competências legais e estatutárias de cada um dos restantes órgãos e comissões, devendo ainda as
várias direções e serviços da Sociedade colaborar na produção, tratamento e divulgação da referida
informação, de modo adequado, rigoroso e atempado.
Os regulamentos do Conselho de Administração e do Órgão de Fiscalização estabelecem ainda, em
especial, mecanismos que garantem, dentro dos limites da legislação e da regulamentação aplicável,
o acesso dos seus membros aos colaboradores da Sociedade e a toda a informação que seja
necessária à avaliação do desempenho, situação e perspetivas de desenvolvimento da Sociedade,
incluindo e sem limitar, atas, documentação de suporte das deliberações tomadas, convocatórias e
arquivo das reuniões do Conselho de Administração e da respetiva Comissão Executiva, sem prejuízo
de poderem aceder a outros documentos ou pessoas a quem possam ser solicitados esclarecimentos.
Note-se que os regulamentos internos do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal foram
revistos em 2020, na sequência da publicação da Lei n.º 50/2020, de 25 de agosto, e da revisão
ocorrida em 2020 ao Código de Governo das Sociedades do IPCG de 2018.
b) FUNCIONAMENTO
22. Existência e local onde podem ser consultados os regulamentos de funcionamento,
consoante aplicável, do Conselho de Administração, do Conselho Geral e de Supervisão e
do Conselho de Administração Executivo.
O regulamento interno de funcionamento do Conselho de Administração da Navigator encontra-se
publicado na página de internet da Sociedade, na área dos Investidores, relativa ao Governo da
Sociedade, estando livremente disponível para consulta em
www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-Sociedade.
O Regulamento de Funcionamento do Conselho de Administração dispõe sobre o exercício das
respetivas atribuições, presidência, periodicidade de reuniões, funcionamento e quadro de deveres
dos seus membros.
De acordo com este Regulamento, dentro dos limites da legislação aplicável:
− Deve ser permanentemente assegurado aos membros do Conselho de Administração o
acesso a toda a informação e colaboradores da Sociedade para a avaliação do desempenho,
da situação e das perspetivas de desenvolvimento da Sociedade, incluindo, designadamente,
as atas, a documentação de suporte às decisões tomadas, as convocatórias e o arquivo das
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 120
reuniões da Comissão Executiva, sem prejuízo do acesso a quaisquer outros documentos ou
pessoas a quem possam ser solicitados esclarecimentos.
− O Conselho de Administração deve assegurar, atempada e adequadamente, o fluxo de
informação, desde logo das respetivas convocatórias e atas, necessário ao exercício das
competências legais e estatutárias de cada um dos restantes órgãos e comissões.
Os administradores não executivos devem participar na definição, pelo órgão de administração, da
estratégia, principais políticas, estrutura empresarial e decisões que devam considerar-se
estratégicas para a Sociedade em virtude do seu montante, risco ou características especiais, bem
como na avaliação do cumprimento destas.
Os administradores que integram a Comissão Executiva não podem desempenhar funções de
administração executiva em entidades exteriores ao grupo empresarial em que se enquadra a
Sociedade, salvo se a atividade dessas entidades for considerada acessória ou complementar à
atividade do Grupo ou não implicar um dispêndio de tempo relevante.
Os administradores que não integram a Comissão Executiva podem desempenhar funções de
administração (executivas ou não) em entidades exteriores ao Grupo empresarial em que se
enquadra a Sociedade sempre que não estejam em causa sociedades que desempenham uma
atividade concorrente com a da Sociedade, ou das sociedades direta ou indiretamente participadas
por esta, devendo informar o Presidente do Conselho de Administração previamente ao início dessas
mesmas funções.
Não podem ser objeto de delegação genérica: a) a definição da estratégia e das principais políticas
da Sociedade, sem prejuízo de o Conselho de Administração poder delegar na Comissão Executiva
a elaboração, para aprovação pelo Conselho de Administração, da proposta do plano estratégico e
da política de investimentos; b) a organização e coordenação da estrutura empresarial da Sociedade;
e c) matérias que sejam, em cada momento, consideradas estratégicas em virtude do seu montante,
risco ou características especiais.
O Conselho de Administração deve avaliar anualmente o seu desempenho, bem como o desempenho
da Comissão Executiva e demais Comissões e dos administradores-delegados se houver, tendo em
conta o cumprimento do plano estratégico e orçamento da Sociedade, a gestão de riscos, o seu
funcionamento interno e o contributo de cada membro para o efeito, e o funcionamento entre órgãos
e comissões da Sociedade, identificando hipóteses de melhoria desse desempenho.
23. Número de reuniões realizadas e grau de assiduidade de cada membro, consoante
aplicável, do Conselho de Administração, do Conselho Geral e de Supervisão e do Conselho
de Administração Executivo, às reuniões realizadas.
Durante o exercício de 2021, o Conselho de Administração realizou nove reuniões, tendo sido
elaboradas atas das mesmas. Nas nove reuniões realizadas, estiveram presentes todos os membros
do Conselho de Administração, o que corresponde a um grau de assiduidade por parte dos mesmos
de 100%, salvo quanto ao Dr. Ricardo Pires e ao Eng.º Nuno Santos, que não puderam estar
presentes numa reunião, tendo essas faltas sido devidamente justificadas.
De acordo com o Regulamento do Conselho de Administração, são elaboradas atas detalhadas das
respetivas reuniões.
Relatório e Contas 2021
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O número de reuniões do Conselho de Administração realizadas está livremente disponível para
consulta na página de internet da Sociedade, em
www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-Sociedade.
24. Indicação dos órgãos da sociedade competentes para realizar a avaliação de
desempenho dos administradores executivos.
A Comissão de Fixação de Vencimentos elabora a Política de Remuneração, onde define a forma de
funcionamento do sistema, e prepara todo o enquadramento da avaliação dos administradores
executivos. A avaliação de desempenho de cada administrador executivo segue um processo interno
estruturado sob a liderança do respetivo responsável (i.e. sob a responsabilidade da pessoa que
preside à equipa, no caso dos vogais da Comissão Executiva, e sob a responsabilidade do Presidente
do Conselho de Administração, no caso do Presidente da Comissão Executiva) e no qual participam
também os administradores não executivos que o responsável entenda pertinente envolver.
Neste processo está ainda envolvida a Comissão de Nomeações e Avaliações, atualmente composta
por 3 membros não executivos do Conselho de Administração, a quem compete acompanhar o
sistema de avaliação de desempenho da administração executiva e de atribuição de remuneração
pela sociedade e pronunciar-se sobre as propostas de avaliação individual de desempenho da
administração executiva, o que torna desnecessário um envolvimento adicional do próprio Conselho
de Administração na avaliação de desempenho dos administradores executivos.
Por fim, compete à Comissão de Fixação de Vencimentos confirmar, no tocante à avaliação de
desempenho, os respetivos fatores de realização e garantir a coerência geral do processo, fixando a
remuneração variável.
Assim, em 2021 e relativamente ao exercício de 2020, a Comissão de Nomeações e Avaliações
pronunciou-se sobre as propostas de desempenho individual dos membros da Comissão Executiva,
emitidas pelo respetivo Presidente, e deste, emitida pelo Presidente do Conselho de Administração,
comunicando o seu parecer à Comissão de Fixação de Vencimentos.
Por seu turno, e nos termos previstos no Regulamento do Conselho de Administração e no
Regulamento da Comissão de Fixação de Vencimentos, o Conselho de Administração, com o
acompanhamento da Comissão de Fixação de Vencimentos, deve avaliar anualmente o seu
desempenho, bem como o desempenho das suas comissões, incluindo a Comissão Executiva, tendo
em conta o cumprimento do plano estratégico da sociedade e do orçamento, a gestão de riscos, o seu
funcionamento interno e o contributo de cada membro para o efeito, e o relacionamento entre órgãos
e comissões da sociedade. Nos termos previstos no respetivo regulamento, a Comissão de Talento
procede ao acompanhamento da avaliação global do desempenho do Conselho de Administração.
A avaliação dos administradores executivos bem como a autoavaliação do Conselho de Administração
e das suas comissões, tiveram lugar no exercício de 2021 relativamente ao desempenho de 2020 e
ocorrerão em 2022 relativamente ao exercício de 2021, nos termos acima descritos.
25. Critérios pré-determinados para a avaliação de desempenho dos administradores
executivos.
Os critérios-base para a avaliação do desempenho dos administradores executivos a vigorar em
2021-2024 são os definidos no ponto 7. do capítulo IV da Política de Remuneração para definição
da componente variável da remuneração. Estes critérios são concretizados através de um sistema
de KPIs, quantitativos e qualitativos, relacionados com o desempenho da sociedade (indicadores
gerais de negócio, com um peso de 65%) e do administrador em causa (objetivos específicos, com
um peso de 20%, e indicadores comportamentais, com um peso de 15%). Dentro dos indicadores
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 122
gerais de negócio relevam especialmente o EBITDA, os resultados líquidos, o cash flow e o Total
Shareholder Return vs Pares, e nas competências comportamentais releva o alinhamento de cada
administrador com os interesses de longo prazo e de sustentabilidade da sociedade. Esclarece-se
que na avaliação de desempenho relativa a 2020 realizada em 2021 o indicador Total Shareholder
Return vs Pares não integrava ainda os indicadores gerais de negócio considerados para efeitos de
avaliação do desempenho.
Adicionalmente a estes critérios, em alinhamento com os compromissos assumidos pela Sociedade
na sua estratégia de sustentabilidade e reconhecendo a importância da utilização eficiente da energia
e a necessidade de redução de emissões de CO
2
de origem fóssil das atividades económicas,
considera-se ainda na ponderação a implementação do programa corporativo para a eficiência
energética, aprovado em 2016.
26. Disponibilidade de cada um dos membros, consoante aplicável, do Conselho de
Administração, do Conselho Geral e de Supervisão e do Conselho de Administração
Executivo, com indicação dos cargos exercidos em simultâneo em outras empresas,
dentro e fora do grupo, e outras atividades relevantes exercidas pelos membros daqueles
órgãos no decurso do exercício.
Os membros do Conselho de Administração têm a disponibilidade adequada ao desempenho das
funções que lhes estão acometidas. Com efeito, as demais atividades exercidas pelos
administradores no decurso do exercício, fora do grupo económico de que a Navigator faz parte, não
constituem obstáculo à disponibilidade exigida para o exercício das suas funções no Grupo Navigator.
Para além das atividades referidas no ponto 19, os membros do Conselho de Administração
desempenham os cargos sociais que a seguir se descrevem:
JOÃO NUNO DE SOTTOMAYOR PINTO DE CASTELO BRANCO
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Presidente do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
9
− Presidente do Conselho de Administração da Bosques do Atlantico, S.L.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Financial Services Spółka Z
Ograniczona Odpowiedzialnoscia
10
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator North America, INC.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Presidente do Conselho de Administração da Aphelion, S.A.
11
− Presidente do Conselho de Administração da Semapa Next, S.A.
12
− Membro do Conselho Geral da AEM – Associação de Empresas Emitentes de Valores Cotados
em Mercado
− Membro da Direção da Associação Business Roundtable Portugal
13
− Presidente do BCSD - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável
− Vogal do Conselho Diretivo do Fórum Para a Competitividade
9
Desempenhou as funções de Presidente do Conselho de Administração até 31 de dezembro de 2021.
10
Funções desempenhadas até 16 de agosto de 2021, data de liquidação da sociedade.
11
Cessou o exercício dessas funções por renúncia, cuja produção de efeitos se verificou em 31 de dezembro de
2021.
12
Cessou o exercício dessas funções por renúncia, cuja produção de efeitos se verificou em 31 de dezembro de
2021.
13
Cessou o exercício dessas funções por renúncia, cuja produção de efeitos se verificou em 31 de dezembro de
2021.
Relatório e Contas 2021
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− Presidente do Conselho de Administração Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.
14
− Vogal do Conselho da Administração da Sodim, SGPS, S.A.
15
− Membro da Comissão Executiva WBCSD - World Business Council for Sustainable
Development
ANTÓNIO JOSÉ PEREIRA REDONDO
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Presidente da Comissão Executiva e vogal do Conselho de Administração da The Navigator
Company, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Bosques do Atlantico, S.L.
− Presidente do Conselho de Administração da Enerpulp - Cogeração Energética de Pasta, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Eucaliptusland - Sociedade de Gestão de
Património Florestal, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Brands, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Deutschland GMBH
16
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Financial Services Spółka Z Ograniczona
Odpowiedzialnoscia
17
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator International Holding, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator North America, INC.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Austria GMBH
18
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Paper Figueira, S.A.
− Gerente da Navigator Paper México, S. de R.L. de C.V.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Paper Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper UK Ltd.
19
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Parques Industriais, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Pulp Aveiro, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Pulp Figueira, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Pulp Setúbal, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Tissue Aveiro, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Tissue Ródão, S.A.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
Em 2021 não exerceu funções em outras sociedades/entidades.
ADRIANO AUGUSTO DA SILVA SILVEIRA
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração e Membro da Comissão Executiva da The Navigator
Company, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração About The Future - Essential Oils, S.A.
20
− Vogal do Conselho de Administração da Enerpulp - Cogeração Energética de Pasta, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Eucaliptusland - Sociedade De Gestão de Património
Florestal, S.A.
14
Cessou o exercício dessas funções por renúncia, cuja produção de efeitos se verificou em 31 de dezembro de
2021.
15
Cessou o exercício dessas funções por renúncia, cuja produção de efeitos se verificou em 31 de dezembro de
2021.
16
Funções desempenhadas até 3 de dezembro de 2021.
17
Funções desempenhadas até 16 de agosto de 2021, data de liquidação da sociedade.
18
Funções desempenhadas até 7 de dezembro de 2021.
19
Funções desempenhadas até 1 de janeiro de 2021.
20
Funções desempenhadas até 28 de dezembro de 2021, data de fusão por incorporação na Raiz Ventures, S.A.
Relatório e Contas 2021
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− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Brands, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator International Holding, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Parques Industriais, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Ródão, S.A.
− Vogal da Direção do RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Vogal da direção da APIGEE em representação da The Navigator Company, S.A.
− Membro do Conselho Consultivo da APCER – Associação Portuguesa de Cerificação
JOÃO PAULO ARAÚJO OLIVEIRA
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração e membro da Comissão Executiva da The Navigator
Company, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Bosques do Atlantico, S.L.
− Vogal do Conselho de Administração da Enerpulp - Cogeração Energética de Pasta, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Eucaliptusland - Sociedade de Gestão de Património
Florestal, S.A.
− Gerente da Navigator Afrique du Nord, SARLAU
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Brands, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Deutschland GMBH
21
− Diretor-geral da Navigator Egypt (LLC)
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Eurasia Kağit Ve Kağit Ürünleri
Sanayi Ve Ticaret Anonim Şirketi
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Financial Services Spółka Z Ograniczona
Odpowiedzialnoscia
22
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator France SAS
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator International Holding, SGPS, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Itália, S.R.L.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Middle East Trading DMCC
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Netherlands B.V.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator North America, INC.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Austria GMBH
23
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Paper España S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper UK Ltd.
24
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Parques Industriais, S.A.
− Presidente do Conselho de Gerência da Navigator Poland Paper Spółka Z Ograniczoną
Odpowiedzialnością
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Aveiro, S.A.
21
Início de funções em 3 de dezembro de 2021.
22
Funções desempenhadas até 16 de agosto de 2021, data de liquidação da sociedade.
23
Início de funções em 7 de dezembro de 2021.
24
Início de funções em 1 de janeiro de 2021.
Relatório e Contas 2021
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− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Setúbal, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Rus Company LLC
25
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Ródão, S.A.
− Vogal da Direção do RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Membro do Conselho Geral da CELPA – Associação da Indústria Papeleira, enquanto
representante da Navigator Paper Setúbal, S.A.
− Membro do Conselho Geral da Universidade de Aveiro
− Membro do Conselho Consultivo da AICEP
− Membro do Conselho de Supervisão da Fraunhofer Institute em Portugal
JOÃO PAULO CABETE GONÇALVES LÉ
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração e membro da Comissão Executiva da The Navigator
Company, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Atlantic Forests - Comércio de Madeiras, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Enerpulp - Cogeração Energética de Pasta, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Eucaliptusland - Sociedade de Gestão de Património
Florestal, S.A.
− Diretor da Navigator Abastecimento De Madeira, ACE
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Africa, S.R.L.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Brands, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Forest Portugal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator International Holding, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Parques Industriais, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Ródão, S.A.
− Presidente
26
e Vogal
27
do Conselho de Administração da Portucel Moçambique - Sociedade
de Desenvolvimento Florestal e Industrial, S.A.
− Presidente da Direção do RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel
− Presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Vinhos da Herdade de Espirra -
Produção e Comercialização de Vinhos, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Viveiros Aliança - Empresa Produtora de
Plantas, S.A.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
Em 2021 não exerceu funções em outras sociedades/entidades.
25
Funções desempenhadas até 2 de agosto de 2021, data de liquidação da sociedade.
26
Início de funções em 11 de março de 2021.
27
Funções desempenhadas até 11 de março de 2021.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 126
JOSÉ FERNANDO MORAIS CARREIRA DE ARAÚJO
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração e membro da Comissão Executiva da The Navigator
Company, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Bosques do Atlantico, S.L.
− Vogal do Conselho de Administração da Empremedia Designated Activity Company
28
− Vogal do Conselho de Administração da Empremedia Re Designated Activity Company
29
− Vogal do Conselho de Administração da Enerpulp - Cogeração Energética de Pasta, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Eucaliptusland - Sociedade de Gestão de Património
Florestal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Africa, S.R.L.
− Gerente da Navigator Afrique du Nord, SARLAU
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Brands, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Deutschland GMBH
− Diretor da Navigator Egypt (LLC)
30
− Vice-presidente do Conselho de Administração da Navigator Eurasia Kağit Ve Kağit Ürünleri
Sanayi Ve Ticaret Anonim Şirketi
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Financial Services Spółka Z Ograniczona
Odpowiedzialnoscia
31
− Diretor-geral da Navigator France SAS
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator International Holding, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Itália, S.R.L.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Middle East Trading DMCC
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Netherlands B.V.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator North America, INC.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Austria GMBH
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper España S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Figueira, S.A.
− Gerente da Navigator Paper México S. de R.L. de C.V.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper UK Ltd.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Parques Industriais, S.A.
− Vogal do Conselho de Gerência da Navigator Poland Paper Spółka Z Ograniczoną
Odpowiedzialnością
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Rus Company LLC
32
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Iberica, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Ródão, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Portucel Moçambique - Sociedade de
Desenvolvimento Florestal e Industrial, S.A.
28
Funções desempenhadas até 7 de outubro de 2021.
29
Início de funções em 11 de março de 2021.
30
Início de funções em 18 de agosto de 2021.
31
Funções desempenhadas até 16 de agosto de 2021, data de liquidação da sociedade.
32
Funções desempenhadas até 2 de agosto de 2021, data de liquidação da sociedade.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 127
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Presidente da Mesa da Assembleia Geral da CELPA – Associação da Indústria Papeleira.
− Vogal da Direção da AFP – Associação Fiscal Portuguesa
− Vogal do Conselho Fiscal da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas
NUNO MIGUEL MOREIRA DE ARAÚJO SANTOS
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração e membro da Comissão Executiva da The Navigator
Company, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Bosques do Atlantico, S.L.
− Vogal do Conselho de Administração da Enerpulp - Cogeração Energética de Pasta, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Eucaliptusland - Sociedade de Gestão de Património
Florestal, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Africa, S.R.L.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Brands, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Financial Services Spółka Z Ograniczona
Odpowiedzialnoscia
33
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator International Holding, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator North America, INC.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Paper Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Parques Industriais, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Aveiro, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Figueira, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Pulp Setúbal, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Aveiro, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Navigator Tissue Iberica, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Navigator Tissue Ródão, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Portucel Moçambique - Sociedade de
Desenvolvimento Florestal e Industrial, S.A.
34
− Presidente do Conselho de Administração da Pulpchem Logistics, ACE
− Membro da Direção do RAIZ - Instituto de Investigação da Floresta e Papel
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Membro do Conselho Geral da CELPA – Associação da Indústria Papeleira, enquanto
representante da Navigator Forest Portugal, S.A. e da Navigator Pulp Aveiro, S.A.
MANUEL SOARES FERREIRA REGALADO
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
Em 2021 não exerceu funções em outras sociedades/entidades.
MARIA TERESA ALIU PRESAS
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
33
Funções desempenhadas até 16 de agosto de 2021, data de liquidação da sociedade.
34
Funções desempenhadas até 11 de março de 2021.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 128
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Administradora não executiva no World Bioeconomy Forum.
− Consultora sénior na Magellan Association.
MARIANA RITA ANTUNES MARQUES DOS SANTOS
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Vogal do Conselho de Administração da NBC Medical, S.A.
35
SANDRA MARIA SOARES SANTOS
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Presidente do Conselho de Administração da Moldin, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Barbosa & Almeida, SGPS, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da BA Vidro II, SGPS, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da BA Glass Packaging, S.A.
− Gerente da Artividro, Lda.
− Vogal do Conselho de Administração da BA Glass I – Serviços de Gestão e Investimentos,
S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da BA Glass Portugal, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da BA Glass Spain, S.A.U.
− Presidente do Conselho de Administração da BA - Vidrio Distribución y Comercialización de
Envases de Vidrio, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Minas de Valdeastillo, S.A.U.
− Administradora da BA Glass Germany, GmbH.
− Administradora da BA Glass Poland, Sp. z.o.o.
− Presidente do Conselho de Administração da BA Glass Bulgaria, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da BA Glass Romania, S.A.
RICARDO MIGUEL DOS SANTOS PACHECO PIRES
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
36
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Presidente do Conselho de Administração da Abapor - Comércio e Indústria de Carnes, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Aphelion, S.A.
37
− Vogal do Conselho de Administração da CIMO – Gestão de Participações, SGPS, S.A.
− Gerente da Biological - Gestão de Resíduos Industriais, Lda.
− Presidente do Conselho de Administração da ETSA Log, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da ETSA - Investimentos, SGPS, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da I.T.S. - Indústria Transformadora de
Subprodutos, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Sebol - Comércio e Indústria de Sebo, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Semapa Inversiones, S.L.
35
Funções desempenhadas até 8 de julho de 2021.
36
Desempenha as funções de Presidente do Conselho de Administração desde 1 de janeiro de 2022.
37
Foi designado Presidente do Conselho de Administração a partir de 1 de janeiro de 2022.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 129
− Presidente da Comissão Executiva da Semapa Next, S.A.
38
− Vogal do Conselho de Administração da Pyrus Agricultural LLC
− Vogal do Conselho de Administração da Pyrus Investments LLC
− Vogal do Conselho de Administração da Pyrus Real Estate LLC
− Vogal do Conselho de Administração da Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.
39
− Vogal do Conselho de Administração da Sodim, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração e membro da Comissão Executiva da Semapa –
Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A.
40
− Vogal do Conselho de Administração da Upsis, S.A.
VÍTOR PAULO PARANHOS PEREIRA
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Vogal do Conselho de Administração da Aphelion, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Antasobral – Sociedade Agropecuária, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Capital Hotels - Sociedade de Investimentos e
Gestão, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Celcimo, S.L.
41
− Vogal do Conselho de Administração da CIMO – Gestão de Participações, SGPS, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Galerias Ritz, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Hotel Ritz, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Parque Ritz, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Semapa Inversiones, S.L.
− Vogal do Conselho de Administração e membro da Comissão Executiva da Semapa –
Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Sodim, SGPS, S.A.
− Gerente da Sociedade Agrícola da Herdade dos Fidalgos, Unip., Lda
− Presidente do Conselho de Administração da Sonagi, SGPS, S.A.
− Presidente do Conselho de Administração da Sonagi – Imobiliária, S.A.
− Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação da Hotelaria de Portugal
VÍTOR MANUEL ROCHA NOVAIS GONÇALVES
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
− Vogal do Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Vogal do Conselho de Administração da Beldevelopment, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Extrasearch, SGPS, S.A.
− Gerente da Euromidlands - Sociedade Imobiliária, Lda.
− Gerente da Magalhães e Gonçalves – Consultoria e Gestão, Lda.
− Gerente da Prudentarbítrio, Lda.
− Gerente da Qualquer Ponto – Sociedade Imobiliária, Lda.
− Gerente da Qualquer Prumo – Sociedade Imobiliária, Lda.
38
Até 2 de agosto de 2021 exerceu funções como Administrador-Delegado e, após essa data e até 31 de
dezembro de 2021, como Presidente da Comissão Executiva, tendo deixado de exercer estas funções a partir
de 1 de Janeiro de 2022 e sido designado, nessa data, como Presidente do Conselho de Administração.
39
Desempenha as funções de Presidente do Conselho de Administração desde 1 de janeiro de 2022.
40
Desempenha as funções de Presidente da Comissão Executiva desde 1 de janeiro de 2022.
41
Cessou o exercício de funções em virtude da dissolução e liquidação desta sociedade a 23 de dezembro de
2021.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 130
− Gerente da Terraponderada, Lda.
− Vogal do Conselho de Administração da Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão,
SGPS, S.A.
− Gerente da Vanguardintegral, Lda.
− Vogal do Conselho de Administração da VRES – Vision Real Estate Solutions, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Zoom Investment, SGPS, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da Zoom Investment Turismo, S.A.
− Vogal do Conselho de Administração da 2For Venture, SGPS, S.A.
c) COMISSÕES NO SEIO DO ÓRGÃO DE ADMINISTRAÇÃO OU SUPERVISÃO
E ADMINISTRADORES-DELEGADOS
27. Identificação das comissões criadas no seio, consoante aplicável, do Conselho de
Administração, do Conselho Geral e de Supervisão e do Conselho de Administração
Executivo, e local onde podem ser consultados os regulamentos de funcionamento.
Existem no seio do Conselho de Administração da Sociedade as seguintes comissões:
− Comissão Executiva
− Comissão de Governo Societário
− Fórum de Sustentabilidade
− Comissão de Acompanhamento do Fundo de Pensões
− Comissão de Análise e Acompanhamento de Riscos Patrimoniais
− Comissão de Ética
− Conselho Ambiental (Comissão Estatutária)
− Comissão de Nomeações e Avaliações
Os Regulamentos de Funcionamento destas Comissões dispõem sobre o exercício das respetivas
atribuições, presidência, periodicidade de reuniões, funcionamento e quadro de deveres dos seus
membros, sendo elaboradas atas detalhadas das respetivas reuniões, e podem ser consultados na
página de internet da Sociedade, em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-
Sociedade.
A composição e o número de reuniões anuais das comissões internas são divulgados através da
página de internet da Sociedade, em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-
Sociedade.
De acordo com os respetivos Regulamentos de Funcionamento, as Comissões Internas devem
assegurar, atempada e adequadamente, o fluxo de informação, desde logo das respetivas
convocatórias e atas, necessário ao exercício das competências legais e estatutárias de cada um dos
restantes órgãos e comissões.
28. Composição, se aplicável, da comissão executiva e/ou identificação de
administrador(es) delegado(s).
A 31 de dezembro de 2021, a Comissão Executiva integrava os seguintes administradores:
Presidente
− António José Pereira Redondo
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 131
Vogais
− Adriano Augusto da Silva Silveira
− João Paulo Araújo Oliveira
− João Paulo Cabete Gonçalves Lé
− José Fernando Morais Carreira de Araújo
− Nuno Miguel Moreira de Araújo Santos
29. Indicação das competências de cada uma das comissões criadas e síntese das
atividades desenvolvidas no exercício dessas competências.
COMISSÃO EXECUTIVA
Os poderes da Comissão Executiva são elencados no ponto 21 do presente relatório.
A Comissão Executiva é o órgão de gestão executivo da Sociedade, tendo desenvolvido as suas
competências no âmbito da delegação de poderes que lhe foi confiada pelo Conselho de
Administração. Esta Comissão reúne com regularidade e sempre que necessário em função dos
negócios em curso e do acompanhamento da atividade da Sociedade, tendo reunido 47 vezes
durante o exercício de 2021. Para além dos membros da Comissão Executiva, sempre que as
matérias assim o justifiquem, estão presentes nestas reuniões administradores não executivos e de
sociedades do Grupo e elementos das várias direções da Navigator.
COMISSÃO DE GOVERNO SOCIETÁRIO
A Comissão de Governo Societário é composta por três membros, sendo eles Mariana Marques dos
Santos, Manuel Regalado e António Neto Alves.
À Comissão do Governo Societário, para além da supervisão permanente do cumprimento pela
sociedade das disposições legais, regulamentares e estatutárias aplicáveis ao governo societário,
compete a análise crítica das práticas e comportamentos da Sociedade no âmbito do governo
societário, e a iniciativa no sentido de propor a discussão, alteração e introdução de novos
procedimentos que visem o aperfeiçoamento da estrutura e governo societários. A Comissão do
Governo Societário deve ainda avaliar anualmente a situação do governo da sociedade e submeter
ao Conselho de Administração as propostas que entenda convenientes.
Em 2021, para além do trabalho e comunicações correntes realizadas por meios telemáticos, a
Comissão realizou três reuniões nas quais se analisaram os seguintes temas:
− Análise do Relatório do Governo Societário relativo a 2020;
− Análise e resposta a uma comunicação dirigida à Comissão de Governo Societário por um
acionista da Sociedade;
− Análise da avaliação do acolhimento do Código de Governo das Sociedades do Instituto
Português de Corporate Governance (IPCG) conduzida pela Comissão Executiva de
Acompanhamento e Monitorização (CEAM), por referência ao período de 2020;
− Elaboração de uma Proposta, a submeter ao Conselho Fiscal e ao Conselho de Administração,
relativa à revisão do Regulamento sobre Conflitos de Interesses e Transações com Partes
Relacionadas, na sequência da monitorização e avaliação do grau de acolhimento do Código
de Governo das Sociedades pela Sociedade.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 132
Assim, a Comissão do Governo Societário desenvolveu as suas atividades de supervisão e avaliação
do governo societário ao longo do exercício e contribuiu ativamente para a elaboração do relatório
anual de governo da Sociedade, tendo tido acesso à informação necessária, essencialmente através
do seu membro António Neto Alves, que é também diretor jurídico da Sociedade.
FÓRUM DE SUSTENTABILIDADE
Reconhecendo o papel fundamental que a sustentabilidade tem no desenvolvimento estratégico do
Grupo Navigator, foi constituído, em 2015, o Fórum de Sustentabilidade da Navigator.
O principal objetivo do Fórum consiste em potenciar a colaboração entre o Grupo Navigator e
personalidades que fazem parte da sua esfera de atuação, desde organizações não-governamentais
a universidades, passando por organizações sociais, Clientes e Fornecedores.
Trata-se de uma iniciativa que procura reforçar o diálogo com os seus principais Stakeholders,
promovendo o debate e a escuta ativa sobre temas relevantes para a Empresa e para a sociedade.
De uma forma geral, o Fórum de Sustentabilidade reúne duas vezes por ano: uma sessão dedicada
aos membros permanentes e outra sessão alargada a vários Stakeholders. As sessões alargadas
têm um tema central, alvo de debate e aprofundamento, contribuindo para a formulação da política
corporativa e estratégica em assuntos de responsabilidade social e ambiental, potenciando
plataformas de entendimento e cooperação entre o Grupo Navigator e os seus principais
Stakeholders.
O Fórum de Sustentabilidade é constituído por membros externos e membros internos do Grupo
Navigator, sendo presidido pelo Presidente da Comissão Executiva, António Redondo, e tendo como
secretário-geral Manuel Regalado.
São membros internos António Redondo (Presidente da Comissão Executiva), Adriano Silveira, João
Paulo Oliveira, João Lé, Fernando Araújo e Nuno Santos (membros da Comissão Executiva), Manuel
Regalado (vogal do Conselho de Administração e Secretário-geral), Teresa Presas (vogal do
Conselho de Administração), e Maria da Conceição Cunha, Casimiro Pio, Margarida Tomé e Joaquim
Poças Martins, do Conselho Ambiental.
São membros externos do Fórum de Sustentabilidade as seguintes personalidades relevantes,
ligadas a atividades dos principais Stakeholders da Companhia: Cristina Tomé, Filipe Duarte Santos,
Francisco Gomes da Silva, José Júlio Norte, Luís Neves da Silva, Manuel Martins, Rosário Alves, Sofia
Crisóstomo Silva, Vítor Bento e Winfried Brüeggmann.
No exercício de 2021 foram realizadas duas sessões do Fórum de Sustentabilidade, uma interna,
dirigida aos Membros Permanentes do Fórum (internos e externos), e outra externa com a
participação de um conjunto alargado de Stakeholders da Companhia.
A sessão interna, realizada em maio de 2021, promoveu o debate sobre a Agenda 2030 e o reporte
de sustentabilidade da Navigator, para além da reflexão sobre o tema da sessão externa do Fórum,
que teve lugar em Torres Vedras em outubro de 2021, tendo sido dedicada ao tema “Proteção
Dinâmica da Floresta”.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 133
COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DO FUNDO DE PENSÕES
As funções da Comissão de Acompanhamento incluem verificar a observância das disposições
aplicáveis ao plano de pensões e à gestão do respetivo fundo de pensões, pronunciar-se sobre
propostas de transferência da gestão e de outras alterações relevantes aos contratos constitutivos
e de gestão de fundos, bem como sobre a extinção do fundo de pensões ou de uma quota-parte do
mesmo.
No início do ano de 2021, a Comissão de Acompanhamento do Fundo de Pensões, nomeada em
2019, era constituída por três representantes da Sociedade, os quais são Manuel Arouca, António
Cunha Reis e João Ventura, e por dois representantes dos beneficiários do fundo, sendo eles João
Manuel Nunes de Oliveira e António Tavares Melo.
Esta Comissão de Acompanhamento reuniu a 18 de Março de 2021 para discutir, entre outros
assuntos, a Lei 27/2020 de 23 de julho, que veio introduzir diversas alterações ao Regime Jurídico
dos Fundos de Pensões, nomeadamente quanto à composição da Comissão de Acompanhamento
que, para além dos dois representantes dos participantes e beneficiários do Fundo, passou também
a prever a participação de dois representantes indicados pelos dois sindicatos mais significativos da
Sociedade, e um representante da Comissão de Trabalhadores.
No seguimento desta alteração legislativa, foi nomeada nova Comissão de Acompanhamento
constituída por 6 representantes da Sociedade (Manuel Arouca, António Cunha Reis, João Ventura,
Alexandre Vale, Ana Duarte Ferreira e Teresa Valdez), dois representantes dos participantes (João
Manuel Nunes de Oliveira e António Tavares Melo) e um representante da Comissão de
Trabalhadores (Ricardo David Gomes Arede). Até ao momento os sindicatos não nomearam ainda
qualquer representante.
Esta nova Comissão reuniu a 13 de Dezembro de 2021, para tomar posse e discutir diversos temas
relacionados com o Fundo de Pensões.
COMISSÃO DE ANÁLISE E ACOMPANHAMENTO DE RISCOS PATRIMONIAIS
Existe no seio da Sociedade uma Comissão de Análise e Acompanhamento de Riscos Patrimoniais
que é coordenada pelos administradores responsáveis pelos pelouros Financeiro, ou de Risco ou de
Património, que no caso são Fernando Araújo e Adriano Silveira, e constituída pelos diretores fabris,
que, durante 2021, eram Alexandre Vale, Pedro Matos Silva, António Estudante de Oliveira e Joaquim
Belfo, pelo diretor financeiro, Manuel Arouca, pelo diretor de Gestão de Risco, Gonçalo Monteiro
Duarte, e pelo diretor de controlo de gestão, Gonçalo Veloso de Sousa. Tem ainda contado com a
presença regular de Alexandra Fernandes, responsável operacional pela Empremédia.
Esta Comissão reúne sempre que necessário, e tem como objetivos pronunciar-se sobre os sistemas
de prevenção de risco patrimonial em vigor na Empresa, nomeadamente sobre as medidas tomadas
para ir ao encontro das recomendações resultantes das inspeções efetuadas pelos resseguradores,
assim como pronunciar-se sobre a adequação, em termos de âmbito, tipo de coberturas e capitais,
dos seguros contratados pelo Grupo Navigator; discutir e emitir pareceres ou recomendações sobre
políticas, procedimentos, riscos significativos, limites de risco e situações extraordinárias em termos
de risco patrimonial; promover e acompanhar a manutenção do inventário dos riscos mais
significativos de cariz patrimonial, em estreita ligação com o sistema de governança do risco em
vigor no Grupo Navigator.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 134
Em 2021, a Comissão de Análise e Acompanhamento de Riscos Patrimoniais realizou uma reunião a
29 de junho, tendo sido analisadas várias temáticas, designadamente, fez-se um ponto de situação
das recomendações após análises de risco de 2021 e recomendações pendentes de anos anteriores;
identificação e quantificação dos sinistros ocorridos nos últimos dez anos (2010-2021); reflexão
sobre a política de retenção de risco da Navigator para 2022; capitais a segurar em 2022, Lucro
Bruto Seguro em 2021 e estimativa para 2022; e Cálculo da Perda Máxima Estimada (PML).
COMISSÃO DE ÉTICA
Na sequência da elaboração e aprovação do Código de Ética pela Comissão Executiva durante o
exercício de 2010, foi criada a Comissão de Ética, que elabora anualmente um relatório acerca do
cumprimento do normativo contido no Código de Ética. Esse relatório deve explicitar todas as
situações irregulares de que a Comissão tenha conhecimento, assim como as conclusões e propostas
de seguimento que esta adotou nos vários casos analisados.
Cabe à Comissão de Ética acompanhar com isenção e independência os órgãos da Sociedade na
divulgação e no cumprimento do Código de Ética em todas as sociedades do Grupo Navigator.
No desempenho das suas atribuições compete, em especial, a Comissão de Ética:
a) Verificar que o Código de Ética e de Conduta se encontra integrado nos habituais sistemas
de controlo interno da Empresa, nomeadamente no âmbito da Direção de Gestão de Riscos
(DGR);
b) Apreciar as conclusões que a DGR retire de eventuais auditorias que efetue no âmbito de
temas abrangidos pelo Código de Ética e de Conduta;
c) Garantir o funcionamento de um mecanismo de reporte de violações ao Código de Ética e
de Conduta, como parte do âmbito do mecanismo de comunicação de irregularidades em
vigor no Grupo;
d) Apreciar e avaliar qualquer situação que se suscite relativamente ao cumprimento dos
preceitos incluídos no Código de Ética e de Conduta em que esteja abrangido algum membro
de um órgão social;
e) Submeter à Comissão do Governo Societário a adoção de quaisquer medidas que considere
convenientes neste âmbito, incluindo a revisão de procedimentos internos;
f) Submeter ao Conselho de Administração, caso entenda necessário, propostas de alteração
ao Código de Ética e de Conduta do Grupo;
g) Elaborar um relatório anual sobre a sua atuação no âmbito do cumprimento do normativo
contido no Código de Ética e de Conduta nas sociedades do Grupo.
A Comissão de Ética é composta por três membros: Henrique Trocado, Rui Gouveia e Jaime Falcão.
Foram realizadas três reuniões, nas quais foram analisadas as atividades desenvolvidas em 2020 e
2021, as principais questões que têm sido comunicadas e suscitadas no âmbito do Código de Ética
e de Conduta da Sociedade e do Sistema de Comunicação de Irregularidades da Sociedade, em
Portugal e no estrangeiro, e debatido o funcionamento e modo de operação da mesma. Foi também
discutido e aprovado o relatório de atividade da Comissão de Ética durante o exercício findo em 31
de dezembro de 2020.
CONSELHO AMBIENTAL
Dada a especificidade da atividade do Grupo Navigator e as preocupações ambientais que lhe são
inerentes, o Conselho de Administração promoveu em 2008 a constituição de um Conselho
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 135
Ambiental, ao qual compete fazer o acompanhamento e dar parecer sobre os aspetos ambientais da
atividade da Sociedade e formular recomendações acerca do impacte ambiental dos seus principais
empreendimentos, tendo especialmente em atenção as disposições legais, as condições de
licenciamento e a política do Grupo Navigator sobre a matéria.
O Conselho Ambiental integra quatro membros: Maria da Conceição (Presidente)
42
, Casimiro Pio,
Maria Margarida Tomé e Joaquim Poças Martins, todos eles personalidades académicas e
independentes, de reconhecida competência técnica e científica, particularmente nos mais
importantes domínios das preocupações ambientais da atividade do Grupo Navigator na sua atual
configuração.
O Conselho Ambiental estabelece um contacto direto com o universo empresarial do Grupo
Navigator, através de reuniões que têm lugar nos seus estabelecimentos industriais, nas suas
principais plantações florestais e no seu instituto de investigação, o RAIZ.
Durante 2021, realizaram-se duas reuniões do Conselho Ambiental, nas quais foram abordados os
seguintes temas:
a) Situação Ambiental - Panorama do cumprimento das obrigações Legais;
b) Plano descarbonização da Navigator – Substituição de Caldeiras a Fuel Óleo NPS1 de
Setúbal;
c) Economia Circular – Projeto EDM; Aplicação de Tecnosolos;
d) Conservação da Biodiversidade na Navigator – projetos recentes;
e) Estudo da dispersão do Efluente no Estuário do Sado;
f) Situação Ambiental - Panorama do cumprimento das obrigações Legais;
g) Situação energética e impacto na Navigator;
h) PRR, candidaturas na âmbito das agendas mobilizadoras;
i) O eucalipto e a água: casos de estudo em bacias no património da Navigator.
COMISSÃO DE FIXAÇÃO DE VENCIMENTOS
O processo de atribuição de remunerações, que é acompanhado pela Comissão de Nomeações e
Avaliações, cabe em especial à Comissão de Fixação de Vencimentos existente na Sociedade, criada
ao abrigo do artigo 399.º do Código das Sociedades Comerciais.
Até à data da entrada em vigor da Lei n.º 50/2020, de 25 de agosto, a Comissão de Fixação de
Vencimentos elaborava anualmente - o que aconteceu em 2020 - a declaração sobre política de
remuneração dos membros do órgão de administração e fiscalização. Após a entrada em vigor da
referida Lei, esta Comissão tem competências para elaborar a política de remuneração dos membros
do órgão de administração e fiscalização e realização de todo o trabalho de análise e fixação da
remuneração dos administradores.
A Comissão de Fixação de Vencimentos participa, também e ativamente, na avaliação de
desempenho, competindo-lhe realizar todo o trabalho de análise e fixação da remuneração dos
administradores, em particular a fixação da remuneração variável dos administradores executivos.
42
Funções desempenhadas após o falecimento do Prof. Doutor Fernando Santana em janeiro de 2021.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 136
Em 2021, a Comissão é composta por três membros: José Gonçalo Maury, João Moreira Rato e João
Vicente Ribeiro.
No decurso do ano 2021, e atenta às suas competências, a Comissão de Fixação de Vencimentos
realizou três reuniões nas quais foram discutidos vários temas em matéria de remuneração dos
órgãos sociais, foi aprovada a Política de Remuneração, concebida para vigorar por um período de
4 anos (2021-2024), e deliberada a fixação da remuneração variável a atribuir aos administradores
executivos respeitante a 2020.
A fim de prestar informações ou esclarecimentos aos Acionistas, os membros da Comissão de
Fixação de Vencimentos estão presentes na Assembleia Geral anual e em quaisquer outras se a
respetiva ordem de trabalhos incluir assunto conexo com a remuneração dos membros dos órgãos
e comissões da Sociedade ou se tal presença tiver sido requerida por Acionistas.
Dentro das limitações orçamentais da Sociedade, a Comissão de Fixação de Vencimentos pode
decidir livremente a contratação, pela Sociedade, dos serviços de consultadoria necessários ou
convenientes para o exercício das suas funções.
A Comissão de Fixação de Vencimentos deve assegurar que os serviços são prestados com
independência e que os respetivos prestadores não serão contratados para a prestação de quaisquer
outros serviços à própria Sociedade ou a outras que com ela se encontrem em relação de domínio
ou de grupo sem autorização expressa da Comissão.
COMISSÃO DE NOMEAÇÕES E AVALIAÇÕES
Em 2018, a Sociedade instituiu uma Comissão de Nomeações e Avaliações. Em 2019 as
competências da Comissão foram alargadas, conforme descrito em baixo, e a sua designação
alterada para Comissão de Nomeações e Avaliações.
Esta Comissão é composta por três a sete membros, incluindo uma maioria de administradores que
não desempenhem funções executivas, um dos quais será presidente, designados pelo Conselho de
Administração, por um período de quatro anos, coincidente com o mandato do Conselho de
Administração.
Em 2020, essa Comissão passou a integrar quatro membros: João Nuno de Sottomayor Pinto de
Castello Branco (Presidente)
43
, Ricardo Miguel dos Santos Pacheco Pires, Mariana Rita Antunes
Marques dos Santos e Vítor Paulo Paranhos Pereira.
De acordo com o seu Regulamento Interno, compete à Comissão de Nomeações e Avaliações a
função de acompanhamento e apoio às designações de quadros dirigentes da Sociedade e do Grupo
Navigator, bem como de avaliação do desempenho dos mesmos quadros dirigentes.
43
Funções desempenhadas até 31 de dezembro de 2021.
Relatório e Contas 2021
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No desempenho das suas atribuições, e sem prejuízo de outras competências que lhe sejam
atribuídas pelo Conselho de Administração da Sociedade, compete em especial à Comissão de
Nomeações e Avaliações no que diz respeito aos órgãos sociais:
(a) Em matéria de nomeação:
i. Assistir o Conselho de Administração na identificação e avaliação da adequação de perfil,
conhecimentos, e currículo de membros dos órgãos sociais a designar, nomeadamente, a
nomeação por cooptação para o desempenho de funções de membro do Conselho de
Administração da Sociedade, e, bem assim, na escolha dos administradores que
desempenharão funções executivas;
ii. Disponibilizar os seus termos de referência e induzir, na medida das suas competências,
processos de seleção transparentes que incluam mecanismos efetivos de identificação de
potenciais candidatos, e que sejam escolhidos para proposta os que apresentem maior
mérito, melhor se adequem às exigências da função e promovam, dentro da organização,
uma diversidade adequada incluindo de género;
iii. Sempre que julgado conveniente, conhecer e acompanhar os processos de seleção de
potenciais candidatos para o desempenho de funções executivas de administração em
sociedades subsidiárias do Grupo, nos casos em que a Sociedade pretenda apresentar a
respetiva proposta eletiva.
(b) Em matéria de avaliação:
i. Acompanhar o sistema de avaliação de desempenho da administração e de atribuição de
remuneração da Sociedade;
ii. Pronunciar-se sobre as propostas de avaliação individual anual de desempenho dos vogais
da Comissão Executiva, emitidas pelo respetivo Presidente, e deste, emitida pelo Presidente
do Conselho de Administração;
iii. Acompanhar a avaliação global do desempenho do Conselho de Administração, enquanto
órgão, tendo em conta o cumprimento do plano estratégico da Sociedade e do orçamento,
a gestão de riscos, o seu funcionamento interno e o contributo de cada membro para o
efeito.
Para além de outras funções que lhe sejam expressamente atribuídas pelo Conselho de
Administração, compete à Comissão de Nomeações e Avaliações, em especial no que diz respeito
aos restantes quadros dirigentes:
a) Acompanhar e emitir recomendações sobre as políticas e procedimentos internos relativos à
gestão de talento do Grupo;
b) Apreciar periodicamente a necessidade e disponibilidade de talento ao nível do Grupo e
recomendar as atuações adequadas para assegurar a capacidade do Grupo responder aos
desafios que se apresentem, designadamente acompanhar e emitir recomendações sobre as
políticas e procedimentos internos relativos à seleção, contratação, retribuição, avaliação
contínua, políticas de retribuições e incentivos, bem como o plano de sucessão para os
quadros dirigentes, e formular as recomendações que considere adequadas a esse respeito.
Compete também à Comissão em matéria de gestão de talento, em especial no que diz respeito aos
quadros dirigentes: (i) acompanhar e emitir recomendações sobre as políticas e procedimentos
internos relativos a gestão de talento do Grupo e (ii) apreciar periodicamente a necessidade e
disponibilidade de talento ao nível do Grupo e recomendar as atuações adequadas para assegurar a
capacidade de o Grupo responder aos desafios que se apresentem.
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Em virtude dos membros que a integram e das suas competências, em matéria de remunerações,
avaliação do desempenho e de nomeações, a existência desta Comissão reflete a adesão à
Recomendação III.9 do Código de Governo Societário do IPCG.
Atenta às suas competências, no início de 2021, a Comissão de Nomeações e Avaliações realizou
uma reunião na qual foi discutida uma proposta de modelo de avaliação e de remuneração variável
dos administradores executivos para 2021, incluindo (a) diferentes modelos e riscos que podem
estar associados, (b) a ponderação de diferentes indicadores gerais, objetivos específicos,
indicadores comportamentais e fator de bónus e (c) indicadores gerais, como EBITDA, resultado
líquido, cash flow e TSR vs Pares, pilares e ponderações.
III. Fiscalização
(Conselho Fiscal, Comissão de Auditoria ou Conselho Geral e de Supervisão)
a) COMPOSIÇÃO*
* Ao longo do ano de referência
30. Identificação do órgão de fiscalização (Conselho Fiscal, Comissão de Auditoria ou
Conselho Geral e de Supervisão) correspondente ao modelo adotado.
De acordo com o modelo de gestão monista adotado, o órgão de fiscalização da Sociedade é o
Conselho Fiscal.
31. Composição, consoante aplicável, do Conselho Fiscal, Comissão de Auditoria, do
Conselho Geral e de Supervisão ou da Comissão para as Matérias Financeiras, com
indicação do número estatutário mínimo e máximo de membros, duração estatutária do
mandato, número de membros efetivos, data da primeira designação, e data do termo de
mandato de cada membro, podendo remeter-se para ponto do relatório onde já conste
essa informação por força do disposto no n.º 18.
Presidente
− José Manuel Oliveira Vitorino
Vogais Efetivos
− Gonçalo Nuno Palha Gaio Picão Caldeira
− Maria da Graça Torres Ferreira da Cunha Gonçalves
Vogal Suplente
− Ana Isabel Moraes Nobre de Amaral Marques
De acordo com os Estatutos da Sociedade, o Órgão de Fiscalização é composto por três membros
efetivos, um dos quais é o Presidente, e dois suplentes, eleitos em Assembleia Geral, por períodos
de quatro anos.
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Os atuais membros do Conselho Fiscal foram designados para o mandato em curso, de 2019 a 2022,
na Assembleia Geral realizada em 9 de abril de 2019, na qual se procedeu à eleição dos titulares
dos órgãos sociais da Navigator.
José Manuel Oliveira Vitorino foi inicialmente eleito vogal suplente em 29 de abril de 2015. Em 2 de
julho de 2015, assumiu as funções de vogal efetivo do Conselho Fiscal para o mandato de 2015 a
2018, em substituição do vogal efetivo Duarte Nuno d’Orey da Cunha, que renunciou ao cargo.
Em Assembleia Geral ordinária de 19 de abril de 2016, José Manuel de Oliveira Vitorino foi designado
para o cargo de membro efetivo do Conselho Fiscal, até ao final do mandato em curso dos restantes
titulares dos órgãos sociais. No entanto, considerando que a composição do Conselho Fiscal da
Navigator e da sua acionista maioritária Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A.
tem vindo a ser coincidente, que em 2018 teve lugar a eleição do Conselho Fiscal da Semapa para
o mandato de 2018 a 2022, com alteração da respetiva composição, e a disponibilidade manifestada
pelo Presidente do Conselho Fiscal, Miguel Camargo de Sousa Eiró para cessar funções também na
Navigator, na Assembleia Geral de 23 de maio de 2018, foi designado José Manuel Oliveira Vitorino,
que já era vogal efetivo do Conselho Fiscal, para exercer o cargo de Presidente do Conselho Fiscal
até ao final desse mandato em curso dos restantes titulares dos órgãos sociais. Foi eleito Presidente
do Conselho Fiscal em 9 de abril de 2019 para o mandato entre 2019 e 2022.
Gonçalo Nuno Palha Gaio Picão Caldeira foi eleito vogal efetivo do Conselho Fiscal pela primeira vez
com efeitos a partir do início do mandato de 2007 a 2010, tendo sido reeleito para os mandatos de
2011 a 2014, 2015 a 2018 e 2019 a 2022.
Maria da Graça Torres Ferreira da Cunha Gonçalves foi designada vogal efetivo do Conselho Fiscal
na Assembleia Geral de 23 de maio de 2018, até ao final do mandato em curso dos restantes titulares
dos órgãos sociais, tendo sido reeleita para o mandato de 2019 a 2022.
Ana Isabel Moraes Nobre de Amaral Marques foi designada para o cargo de membro suplente do
Conselho Fiscal em 19 de abril de 2016, até ao final desse mandato em curso dos restantes titulares
dos órgãos sociais, tendo sido reeleita para o mandato de 2019 a 2022.
A Sociedade considera existir um número de membros do Conselho Fiscal perfeitamente adequado
à sua dimensão e à complexidade dos riscos inerentes à sua atividade, assegurando com eficiência
as funções que lhes estão cometidas. Este juízo de adequação teve em conta, em particular, as
atividades da Sociedade, a estabilidade da estrutura acionista, bem como o conjunto de
competências diversificadas e a disponibilidade dos membros do Conselho Fiscal para o desempenho
das suas funções, nomeadamente através da estreita colaboração com os restantes órgãos e
comissões da Sociedade e o Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas.
32. Identificação, consoante aplicável, dos membros do Conselho Fiscal, da Comissão de
Auditoria, do Conselho Geral e de Supervisão ou da Comissão para as Matérias Financeiras
que se considerem independentes, nos termos do art. 414.º, n.º 5 CSC, podendo remeter-
se para ponto do relatório onde já conste essa informação por força do disposto no n.º 19.
Os membros do Conselho Fiscal Senhores Dr. José Manuel Oliveira Vitorino (Presidente) e Dr.ª Maria
da Graça Torres Ferreira da Cunha Gonçalves são considerados pela Navigator independentes, à luz
dos critérios previstos do n.º 5 do artigo 414.º do Código das Sociedade Comerciais, estando o
primeiro a cumprir o seu segundo mandato e a segunda a cumprir o seu primeiro mandato.
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Em virtude da designação do Senhor Dr. Gonçalo Nuno Palha Gaio Picão Caldeira, na reunião da
Assembleia Geral Anual de 24 de maio de 2018, para um quarto mandato como vogal do Conselho
Fiscal, o mesmo passou a ser um membro não independente do referido órgão social, conforme
resulta da aplicação da al. b) do n.º 5 do artigo 414.º do Código das Sociedades Comerciais.
33. Qualificações profissionais, consoante aplicável, de cada um dos membros do
Conselho Fiscal, da Comissão de Auditoria, do Conselho Geral e de Supervisão ou da
Comissão para as Matérias Financeiras e outros elementos curriculares relevantes,
podendo remeter-se para ponto do relatório onde já conste essa informação por força do
disposto no n.º 21.
JOSÉ MANUEL OLIVEIRA VITORINO (Presidente do Conselho Fiscal)
José Manuel Vitorino é licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior de
Economia da Universidade de Lisboa. Qualificado como Revisor Oficial de Contas e no Programa de
Formação para Executivos da Universidade Nova de Lisboa.
Foi Professor Assistente da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra onde se manteve
até 1980, tendo de seguida ingressado na PricewaterhouseCoopers e repartido a sua atividade pelas
áreas de auditoria e assessoria financeira, tanto em empresas e grupos nacionais e estrangeiros,
como em projetos em que integrou equipas internacionais. Desempenhava há vários anos as funções
de Partner quando deixou a PricewaterhouseCoopers em 2013, por atingir o limite de idade na
função. Exerceu também as funções de Presidente do Conselho Fiscal do Novo Banco, S.A. até 2017
e exerce funções de vogal do Conselho Fiscal da ANA - Aeroportos de Portugal, S.A.
É membro do Conselho Fiscal da The Navigator Company desde 2015 e da Semapa e da Secil desde
2016, desempenhando, desde 2018, funções de Presidente desses órgãos de fiscalização.
GONÇALO NUNO PALHA GAIO PICÃO CALDEIRA (Vogal efetivo do Conselho Fiscal)
Gonçalo Picão Caldeira é licenciado em Direito e esteve inscrito na Ordem dos Advogados em 1991,
após a conclusão do estágio profissional de advocacia. É pós-graduado em Gestão (MBA –
Universidade Nova de Lisboa) e frequentou o curso de Gestão e Avaliação Imobiliária do ISEG. Tem
vindo a exercer a atividade de gestão e promoção imobiliária através de empresas familiares desde
2004. Antes disso, colaborou com Grupo BCP de 1992 a 1998 e com o Grupo Sorel de outubro de
1998 a março de 2002. Foi ainda colaborador da Semapa de abril de 2002 a fevereiro de 2004. É
membro do Conselho Fiscal da Sociedade desde 2007, da Semapa desde 2006, e da Secil desde
2013.
MARIA DA GRAÇA TORRES FERREIRA DA CUNHA GONÇALVES (Vogal efetivo do Conselho Fiscal)
Maria da Graça Torres Ferreira da Cunha Gonçalves é licenciada em Organização e Gestão de
Empresas pelo Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e técnica oficial de contas.
De junho de 1978 a novembro de 1985, desempenhou funções diversas nas áreas de Contabilidade
Geral, Analítica e Planeamento e Análise Financeira na Magnetic Peripherals Inc. Portugal. Foi
analista financeira na Shell Portuguesa, S.A. entre dezembro de 1985 e novembro de 1989. Entre
dezembro de 1989 e julho de 1994, foi controller e CFO da United Distillers Comp. Velha, Ld.ª, com
responsabilidade de toda a Área Financeira, Informática e Compras. Entre agosto de 1994 e julho
de 1995, foi CFO da ITT Automotive Europe GmbH, com responsabilidade de toda a Área Financeira
e Pessoal. De agosto de 1995 a junho de 2015, foi Back Office Director da Pernod Ricard Portugal,
com responsabilidade das Áreas Financeira, Controle de Gestão, Compras, Logística, Produção,
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Recursos Humanos e Jurídico. Em 2001 e 2002, foi responsável em Portugal pelo processo de
aquisição da Seagram (Sandeman & Co.). Posteriormente, em 2005 e 2006, foi responsável para as
Áreas Financeira e Recursos Humanos do processo de aquisição da Allied Domecq (Cockburn Smithes
& C.ª). Foi vice-presidente na Associação do setor, ACIBEV, como representante da Pernod Ricard.
É vogal do Conselho Fiscal da Sociedade, da Semapa e da Secil desde 2018.
b) FUNCIONAMENTO
34. Existência e local onde podem ser consultados os regulamentos de funcionamento,
consoante aplicável, do Conselho Fiscal, Comissão de Auditoria, Conselho Geral e de
Supervisão ou da Comissão para as Matérias Financeiras, podendo remeter-se para ponto
do relatório onde já conste essa informação por força do disposto no n.º 24.
O Conselho Fiscal da Sociedade tem um regulamento interno de funcionamento, que se encontra
publicado na página de internet da Sociedade, na área dos Investidores, relativa ao Governo da
Sociedade, estando livremente disponível para consulta através da seguinte hiperligação
www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-Sociedade.
O relatório anual emitido pelo Conselho Fiscal sobre a atividade desenvolvida é publicado
conjuntamente com o Relatório & Contas, estando disponível na página de internet do Grupo
Navigator.
35. Número de reuniões realizadas e grau de assiduidade às reuniões realizadas,
consoante aplicável, de cada membro do Conselho Fiscal, Comissão de Auditoria, Conselho
Geral e de Supervisão e da Comissão para as Matérias Financeiras, podendo remeter-se
para ponto do relatório onde já conste essa informação por força do disposto no n.º 25.
O Conselho Fiscal realizou, durante o exercício de 2021, quinze reuniões tendo todas as agendas,
bem como as respetivas atas sido enviadas ao Presidente do Conselho de Administração, estando
as mesmas também à disposição da Direção de Gestão de Risco.
Os seus membros estiveram presentes em todas as reuniões realizadas enquanto estavam em
funções, pelo que se verificou um grau de assiduidade, por parte destes, de 100%.
O número de reuniões do Conselho Fiscal realizadas está livremente disponível para consulta na
página de internet da Sociedade, em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-
Sociedade.
De acordo com o Regulamento do Conselho Fiscal, são elaboradas atas detalhadas das respetivas
reuniões.
36. Disponibilidade de cada um dos membros, consoante aplicável, do Conselho Fiscal, da
Comissão de Auditoria, do Conselho Geral e de Supervisão ou da Comissão para as
Matérias Financeiras, com indicação dos cargos exercidos em simultâneo em outras
empresas, dentro e fora do grupo, e outras atividades relevantes exercidas pelos
membros daqueles órgãos no decurso do exercício, podendo remeter-se para ponto do
relatório onde já conste essa informação por força do disposto no n.º 26.
Essa informação está disponível no anterior ponto 33 referente às qualificações profissionais e outros
elementos curriculares relevantes de cada membro dos órgãos sociais em epígrafe.
Relatório e Contas 2021
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Os membros do Conselho Fiscal têm a disponibilidade adequada ao desempenho das funções que
lhes estão acometidas.
Para além das atividades referidas no ponto 33, os membros do Conselho Fiscal desempenham as
funções que se descrevem infra:
JOSÉ MANUEL OLIVEIRA VITORINO
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
Não exerce funções noutras sociedades do Grupo Navigator.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Vogal do Conselho Fiscal da ANA Aeroportos de Portugal, S.A.
− Presidente do Conselho Fiscal da Secil - Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.
− Presidente do Conselho Fiscal da Semapa - Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A.
GONÇALO NUNO PALHA GAIO PICÃO CALDEIRA
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
Não exerce funções noutras sociedades do Grupo Navigator.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Gerente da Linha do Horizonte Investimentos Imobiliários, Lda.
− Gerente da Loftmania – Gestão Imobiliária, Lda.
− Vogal do Conselho Fiscal da Secil Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.
− Vogal do Conselho Fiscal da Semapa Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A.
MARIA DA GRAÇA TORRES FERREIRA DA CUNHA GONÇALVES
Funções desempenhadas em sociedades do Grupo Navigator
Não exerce funções noutras sociedades do Grupo Navigator.
Funções desempenhadas em outras sociedades/entidades
− Vogal do Conselho Fiscal da Secil Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A.
− Vogal do Conselho Fiscal da Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A.
c) COMPETÊNCIAS E FUNÇÕES
37. Descrição dos procedimentos e critérios aplicáveis à intervenção do órgão de
fiscalização para efeitos de contratação de serviços adicionais ao auditor externo.
De acordo com as regras estabelecidas no artigo 77.º n.º 10 e 11 do Estatuto da Ordem dos
Revisores Oficiais de Contas, aprovado pela Lei n.º 140/2015 de 7 de setembro, na versão em vigor
até 31 de Dezembro de 2021, no Regulamento Interno do Conselho Fiscal, na versão em vigor, e no
Regulamento Interno sobre a aprovação de serviços fora do âmbito de auditoria, aprovado em 1 de
junho de 2016, a contratação de serviços distintos de auditoria, que não sejam exigidos por lei nem
constituíssem serviços proibidos, ao Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas ou a qualquer
membro da sua rede, pela Navigator ou por sociedades em relação de domínio ou de grupo com a
mesma, está sujeita a aprovação prévia do Conselho Fiscal da Navigator, devidamente
fundamentada.
Nestes termos, as propostas apresentadas pelo auditor externo são transmitidas ao Conselho Fiscal
para análise e validação, procurando-se salvaguardar, essencialmente, (i) que se tratam de serviços
permitidos, (ii) que essa prestação de serviços não afeta a independência e a isenção do Auditor
Relatório e Contas 2021
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Externo necessárias à prestação dos serviços de auditoria, (iii) que o valor acumulado dos honorários
recebidos pela prestação de serviços distintos de auditoria não excede o limite definido no EOROC e
(iv) que os serviços adicionais em causa são prestados com elevada qualidade e autonomia.
O Conselho Fiscal aplicou assim as regras previstas no Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de
Contas, aprovado pela Lei n.º 140/2015 de 7 de setembro, na versão em vigor até 31 de Dezembro
de 2021, e observa os procedimentos internos instituídos no Regulamento Interno sobre a aprovação
de serviços fora do âmbito de auditoria para garantia de que as disposições legais são cumpridas.
38. Outras funções dos órgãos de fiscalização e, se aplicável, da Comissão para as
Matérias Financeiras.
1. O Conselho Fiscal tem as competências que resultam da lei, não existindo poderes delegados ou
pelouros atribuídos. As funções e deveres do Conselho Fiscal estão expressamente previstos no seu
Regulamento de Funcionamento, que dispõe sobre o exercício das respetivas atribuições,
presidência, periodicidade de reuniões, funcionamento e quadro de deveres dos seus membros,
sendo elaboradas atas detalhadas das respetivas reuniões, e podem ser consultados na página de
internet da Sociedade, em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-Sociedade.
De acordo com o Regulamento de Funcionamento, revisto em dezembro de 2020, o Conselho Fiscal
assegura, atempada e adequadamente, o fluxo de informação, desde logo das respetivas
convocatórias e atas, necessário ao exercício das competências legais e estatutárias de cada um dos
restantes órgãos e comissões.
2. No desempenho das suas atribuições, e sem prejuízo de outras competências que lhe são
atribuídas por lei, nomeadamente no artigo 420.º do Código das Sociedades Comerciais, de acordo
com o seu Regulamento de funcionamento, compete em especial ao Conselho Fiscal:
a. Fiscalizar a administração da Sociedade, incluindo, neste âmbito, avaliar anualmente
o orçamento, o funcionamento interno do Conselho de Administração e das suas
comissões, bem como o relacionamento entre os vários órgãos e comissões da
Sociedade;
b. Vigiar pela observância da lei e do contrato de sociedade;
c. Verificar a regularidade dos livros, registos contabilísticos e documentos que lhe
servem de suporte;
d. Verificar, quando o julgue conveniente e pela forma que entenda adequada, a
extensão da caixa e as existências de qualquer espécie dos bens ou valores
pertencentes à Sociedade ou por ela recebidos em garantia, depósito ou outro título;
e. Verificar a exatidão dos documentos de prestação de contas;
f. Verificar se as políticas contabilísticas e os critérios valorimétricos adotados pela
Sociedade conduzem a uma correta avaliação do património e dos resultados;
g. Elaborar anualmente relatório sobre a sua ação fiscalizadora e dar parecer sobre o
relatório, contas e propostas apresentados pela administração;
h. Convocar a assembleia geral, quando o presidente da respetiva mesa não o faça,
devendo fazê-lo;
i. Avaliar e pronunciar-se sobre as linhas estratégicas e a política de riscos
previamente à sua aprovação final pelo órgão de administração;
j. Fiscalizar e avaliar a eficácia do sistema de controlo interno, compreendendo as
funções de gestão de riscos e auditoria interna, podendo propor os ajustamentos
que se mostrem necessários;
Relatório e Contas 2021
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k. Pronunciar-se sobre os planos de trabalho e os recursos afetos aos serviços do
sistema de controlo interno, incluindo as funções de gestão de risco e auditoria
interna, podendo propor os ajustamentos que se mostrem necessários;
l. Receber as comunicações de irregularidades apresentadas por Acionistas,
colaboradores da Sociedade ou outros;
m. Contratar a prestação de serviços de peritos que coadjuvem um ou vários dos seus
membros no exercício das suas funções, devendo a contratação e a remuneração
dos peritos ter em conta a importância dos assuntos a eles cometidos e a situação
económica da Sociedade;
n. Fiscalizar a adequação do processo de preparação e de divulgação de informação
financeira pelo Conselho de Administração, incluindo a adequação das políticas
contabilísticas, das estimativas, dos julgamentos, das divulgações relevantes e sua
aplicação consistente entre exercícios, de forma devidamente documentada e
comunicada;
o. Propor à assembleia geral a nomeação do revisor oficial de contas e respetiva
remuneração, indicando os critérios que presidiram à escolha do revisor oficial de
contas proposto e descrevendo o processo de seleção do revisor por si conduzido;
p. Propor à assembleia geral a destituição do revisor oficial de contas ou a resolução
do contrato de prestação dos seus serviços sempre que se verifique justa causa para
o efeito;
q. Fiscalizar a revisão de contas aos documentos de prestação de contas da Sociedade;
r. Fiscalizar a independência do revisor oficial de contas, designadamente no tocante
à prestação de serviços adicionais, e avaliar anualmente o trabalho realizado pelo
revisor oficial de contas e a sua adequação para o exercício das funções que lhe são
atribuídas;
s. Atestar se o relatório sobre a estrutura e práticas de governo societário divulgado
inclui os elementos referidos no art.º 245-A do Código dos Valores Mobiliários;
t. Emitir parecer prévio e vinculativo sobre o Regulamento sobre Conflitos de
Interesses e Transações com Partes Relacionadas a elaborar e aprovar pelo Conselho
de Administração ou na falta deste regulamento, sobre a definição a efetuar pela
administração, sobre se as transações que a sociedade efetua com partes
relacionadas são realizadas no âmbito da sua atividade corrente e em condições de
mercado;
u. Emitir, em prazo razoável, parecer prévio relativo a quaisquer negócios com partes
relacionadas que não sejam realizados no âmbito da atividade corrente da Sociedade
e em condições de mercado;
v. Verificar se as transações com partes relacionadas que a Sociedade efetua são
realizadas no âmbito da atividade corrente da Sociedade e em condições de
mercado;
w. Cumprir as demais atribuições constantes da lei ou do contrato de sociedade.
3. De acordo com o seu Regulamento de funcionamento, no desempenho das suas atribuições, e
sem prejuízo de outros poderes que lhes são atribuídos por lei, os membros do Conselho Fiscal
podem, atuando em conjunto ou separadamente:
a. Obter da administração a apresentação, para exame e verificação, dos livros,
registos e documentos da Sociedade, bem como verificar as existências de qualquer
classe de valores, designadamente dinheiro, títulos e mercadorias;
b. Obter da administração, ou de qualquer dos administradores, informações ou
esclarecimentos sobre o curso das operações ou atividades da Sociedade ou sobre
qualquer dos seus negócios;
Relatório e Contas 2021
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c. Ter acesso a toda a informação e colaboradores da Sociedade para a avaliação do
desempenho, da situação e das perspetivas de desenvolvimento da Sociedade,
incluindo, designadamente, as atas, a documentação de suporte às decisões
tomadas, as convocatórias e o arquivo das reuniões dos demais órgãos sociais, sem
prejuízo do acesso a quaisquer outros documentos ou pessoas a quem possam ser
solicitados esclarecimentos;
d. Obter os relatórios realizados pelos serviços de controlo interno da Sociedade,
incluindo quanto às funções de gestão de riscos e auditoria interna, em particular
aqueles sobre matérias relacionadas com a prestação de contas, a identificação ou
a resolução de conflitos de interesses e a deteção de potenciais irregularidades;
e. Obter do revisor oficial de contas da Sociedade os esclarecimentos necessários à
avaliação anual, pelo Conselho Fiscal, do trabalho realizado pelo revisor oficial de
contas, bem como da sua independência e adequação para o exercício de funções;
f. Obter de terceiros que tenham realizado operações por conta da Sociedade as
informações de que careçam para o conveniente esclarecimento de tais operações;
g. Assistir às reuniões da administração, sempre que o entendam conveniente.
4. Para o desempenho das suas funções, o Conselho Fiscal pode ser coadjuvado por técnicos
especialmente designados para esse efeito e ainda por empresa especializada em trabalho de
auditoria, podendo deliberar a contratação da prestação de serviços de peritos que coadjuvem um
ou vários dos seus membros no exercício das suas funções.
5. No desempenho das suas atribuições, e sem prejuízo de outros deveres que lhes sejam impostos
por lei, de acordo com o seu Regulamento de funcionamento, os membros do Conselho Fiscal têm
o dever de:
a. Informar-se e preparar com diligência as reuniões do Conselho;
b. Participar nas reuniões do Conselho e assistir às assembleias gerais e bem assim às
reuniões da administração para que o presidente da mesma os convoque ou em que
se apreciem as contas do exercício;
c. Exercer uma fiscalização conscienciosa e imparcial;
d. Guardar segredo dos factos e informações de que tiverem conhecimento em razão
das suas funções, sem prejuízo dos deveres enunciados no n.º 2 e n.º 3 deste artigo;
e. Dar conhecimento à administração das verificações, fiscalizações e diligências que
tenham feito e do resultado das mesmas;
f. Informar, na primeira assembleia que se realize, de todas as irregularidades e
inexatidões por eles verificadas e bem assim se obtiveram os esclarecimentos de
que necessitaram para o desempenho das suas funções;
g. Registar por escrito todas as verificações, fiscalizações, denúncias recebidas e
diligências que tenham sido efetuadas e o resultado das mesmas;
h. Informar o órgão de administração dos resultados da revisão legal das contas e
explicar o modo como esta contribuiu para a integridade do processo de preparação
e divulgação de informação financeira, bem como o papel que o órgão de fiscalização
desempenhou nesse processo;
i. Acompanhar o processo de preparação e divulgação de informação financeira e
apresentar recomendações ou propostas para garantir a sua integridade;
j. Fiscalizar a eficácia dos sistemas de controlo de qualidade interno e de gestão do
risco e, se aplicável, de auditoria interna, no que respeita ao processo de preparação
e divulgação de informação financeira, sem violar a sua independência;
k. Acompanhar a revisão legal das contas anuais individuais e consolidadas,
nomeadamente a sua execução;
Relatório e Contas 2021
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l. Verificar e acompanhar a independência da sociedade de revisores oficiais de contas
no exercício da sua atividade de revisão legal de contas ou na prestação de outros
serviços legalmente permitidos nos termos definidos na lei e regulamentação
aplicável, nomeadamente, através da:
i. Demonstração, aquando do processo de seleção da sociedade de revisores
oficiais de contas, que essa sociedade dispõe e tem implementados
mecanismos internos que assegurem independência e prevenção de
conflitos de interesses;
ii. Comprovação regular, por parte da sociedade de revisores oficiais de contas,
que os referidos mecanismos internos se mantêm adequados e conformes à
legislação e regulamentação aplicável;
iii. Obtenção anual de declaração quanto à sua independência;
iv. Comunicação anual dos serviços distintos de auditoria que tenham sido
prestados;
v. Proposta fundamentada quanto à eventual prorrogação das funções da
sociedade de revisores oficiais de contas, para além do período máximo
legal, com a ponderação das respetivas condições de independência e das
vantagens e custos associados à sua substituição;
vi. Comunicação da sociedade de revisores oficiais de contas quanto à
ultrapassagem do limiar em matéria de honorários; e
vii. da análise conjunta de eventuais ameaças à sua independência e quanto à
aplicação de salvaguardas para mitigar as mesmas;
m. Selecionar as sociedades de revisores oficiais de contas a propor à assembleia geral
para eleição e recomendar justificadamente a preferência por uma delas;
n. Tratar de forma confidencial toda a documentação da Sociedade a que tenham
acesso no exercício das funções, incluindo o conteúdo das reuniões do Conselho e
dos demais órgãos sociais em que participe e da informação preparatória das
mesmas; e
o. Disponibilizar aos demais órgãos sociais e comissões, nos termos legal e
estatutariamente exigidos, toda a informação e documentação necessária ao
exercício das competências legais e estatutárias de cada um desses órgãos e
comissões.
6. Os membros do Conselho Fiscal devem participar ao Ministério Público os factos delituosos de que
tenham tomado conhecimento e que constituam crimes públicos.
7. Sempre que se aperceba de factos que revelem dificuldades na prossecução normal do objeto
social, qualquer membro do Conselho Fiscal deve comunicá-los imediatamente ao revisor oficial de
contas.
O Conselho Fiscal é ainda o principal interlocutor do Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas,
tendo acesso e conhecimento direto da atividade por este desenvolvida. A sociedade crê que é
possível esta ação fiscalizadora direta do Conselho Fiscal, sem interferência do Conselho de
Administração, relativamente ao trabalho desenvolvido pelo Auditor Externo e Revisor Oficial de
Contas desde que não saia prejudicado o conhecimento atempado e adequado do órgão de
administração, responsável último pelo que se passa na Sociedade e pelas demonstrações
financeiras, quanto a este mesmo trabalho. Respeitando este princípio, os relatórios do Auditor
Externo e Revisor Oficial de Contas são dirigidos ao Conselho Fiscal e discutidos em reuniões
conjuntas deste órgão com um membro do Conselho de Administração, onde o Conselho Fiscal
informa designadamente sobre os resultados da revisão legal das contas, zelando o Conselho Fiscal
para que sejam assegurados dentro da sociedade as condições necessárias para a prestação dos
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 147
serviços de auditoria. Cabe ainda ao Conselho Fiscal propor e acompanhar, com o apoio dos serviços
internos da sociedade, a remuneração do Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas.
O Revisor Oficial de Contas colabora ainda com o Conselho Fiscal, no sentido de prestar, de imediato
e nos termos legais e regulamentares aplicáveis, informação sobre irregularidades relevantes para
o desempenho das funções do Conselho Fiscal que tenha detetado, bem como quaisquer dificuldades
com que se tenha deparado no exercício das suas funções.
Nos termos do regulamento do Conselho Fiscal, o Revisor Oficial de Contas e a Sociedade mantêm
canais de comunicação permanentes e adequados, nomeadamente através da realização de reuniões
regulares com a administração, com o Conselho Fiscal e com os serviços e direções com
responsabilidades nas matérias em causa e com a consequente discussão e análise de toda a
informação que seja pertinente no âmbito do exercício da correspondente atividade.
IV. Revisor Oficial de Contas
39. Identificação do revisor oficial de contas e do sócio revisor oficial de contas que o
representa.
O Revisor Oficial de Contas efetivo da Sociedade é a KPMG & Associados – Sociedade de Revisores
Oficiais de Contas, S.A., inscrita na Ordem dos Revisores Oficiais de Contas com o n.º 189 e registada
na CMVM com o n.º 20161489, representada por Rui Filipe Dias Lopes (ROC n.º 1715).
O Revisor Oficial de Contas suplente é Vítor Manuel da Cunha Ribeirinho (ROC n.º 1081).
40. Indicação do número de anos em que o revisor oficial de contas exerce funções
consecutivamente junto da sociedade e/ou grupo.
O Revisor Oficial de Contas, anteriormente indicado no ponto 39, exerce as suas funções na
Sociedade desde 2018, tendo sido, até 2021, representado pelo sócio Paulo Alexandre Martins
Quintas Paixão (ROC n.º 1427).
41. Descrição de outros serviços prestados pelo ROC à sociedade.
Para além dos serviços de revisão legal de contas prestados na Sociedade e nas suas subsidiárias,
o ROC prestou também outros serviços de garantia e fiabilidade, de acordo com o previsto na Lei
140/2015, de 7 de setembro.
Os valores pagos por estes serviços ao longo de 2021 estão detalhados nos pontos 46 e 47 infra.
V. Auditor Externo
42. Identificação do auditor externo designado para os efeitos do art. 8.º e do sócio revisor
oficial de contas que o representa no cumprimento dessas funções, bem como o respetivo
número de registo na CMVM.
O Auditor Externo da Sociedade é a KPMG & Associados – Sociedade de Revisores Oficiais de Contas,
S.A., inscrita na Ordem dos Revisores Oficiais de Contas com o n.º 189 e registada na CMVM com o
n.º 20161489, sendo representada no cumprimento dessas funções pelo sócio Rui Filipe Dias Lopes
(ROC n.º 1715).
Relatório e Contas 2021
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43. Indicação do número de anos em que o auditor externo e o respetivo sócio revisor
oficial de contas que o representa no cumprimento dessas funções exercem funções
consecutivamente junto da sociedade e/ou do grupo.
O Auditor Externo e o respetivo sócio Revisor Oficial de Contas que o representa no cumprimento
dessas funções foram nomeados em Assembleia Geral em setembro de 2017, para o exercício com
início a 1 de janeiro de 2018. Foram reeleitos para o cargo em Assembleia Geral realizada em 9 de
abril de 2019. Desta forma, 2021 foi o quarto ano de exercício de funções junto da Sociedade e/ou
do Grupo.
44. Política e periodicidade da rotação do auditor externo e do respetivo sócio revisor
oficial de contas que o representa no cumprimento dessas funções.
O Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, aprovado pela Lei n.º 140/2015, de 7 de
setembro, entrou em vigor em 1 de janeiro de 2016 e veio consagrar um regime jurídico aplicável
à rotação obrigatória dos revisores oficiais de contas nas sociedades de interesse público, como a
Navigator.
Com a consagração do referido regime jurídico, e considerando que o anterior revisor oficial de
contas, PricewaterhouseCoopers & Associados SROC, Lda. tinha atingido os limites temporais
máximos para o exercício de funções de revisão oficial de contas na Semapa, sociedade com a qual
a Navigator consolida contas, o Conselho Fiscal, no decurso do ano de 2017, desenvolveu, com o
apoio das administrações e serviços das empresas do grupo Semapa envolvidas, o processo
organizado de seleção do Revisor Oficial de Contas, para o exercício de 2018, até ao final do mandato
dos restantes órgãos sociais, tendo o processo de seleção sido aberto a várias entidades. As
propostas apresentadas foram analisadas e avaliadas pelo Conselho Fiscal, com base nos critérios
adotados no processo de seleção.
Em resultado do processo de seleção, o Conselho Fiscal recomendou e propôs aos Acionistas a
designação como Auditor Externo da KPMG & Associados – Sociedade de Revisores Oficiais de
Contas, S.A. tendo a referida proposta sido aprovada pelos Acionistas em Assembleia Geral.
45. Indicação do órgão responsável pela avaliação do auditor externo e periodicidade com
que essa avaliação é feita.
No âmbito da sua função fiscalizadora e de revisão aos documentos de prestação de contas da
Sociedade, o Conselho Fiscal avalia o Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas de forma contínua
e em especial no âmbito dos trabalhos preparatórios do seu Relatório e Parecer sobre as contas
anuais.
O Conselho Fiscal, além de ser responsável por propor à Assembleia Geral a nomeação do Revisor
Oficial de Contas e respetiva remuneração, é o órgão responsável por avaliar e acompanhar todos
os trabalhos de auditoria desenvolvidos pelo Auditor Externo de uma forma contínua, tendo a
possibilidade de propor a sua destituição com justa causa na Assembleia Geral, reunidas as devidas
formalidades para o fazer. Nesse sentido, ao longo do exercício o Conselho Fiscal reúne-se
frequentemente com Revisor Oficial de Contas e Auditor Externo, estabelecendo-se entre estes dois
órgãos uma relação permanente e direta, sendo este último destinatário dos respetivos relatórios,
incluindo quando estejam em causa matérias relacionadas com a prestação de contas e a deteção
de potenciais irregularidades. Nessas reuniões o Conselho Fiscal poderá apreciar toda a informação
contabilístico-financeira que considere necessária em cada momento, podendo solicitar-lhes
qualquer informação que entenda necessária para a sua fiscalização.
Relatório e Contas 2021
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Adicionalmente, o Conselho Fiscal, no exercício das suas funções fiscalizadoras e de revisão aos
documentos de prestação de contas da Sociedade, efetua anualmente uma avaliação global do
desempenho do Auditor Externo no âmbito dos trabalhos preparatórios do seu Relatório e Parecer
às contas anuais e, bem assim, fiscaliza a sua independência, designadamente através da obtenção
da confirmação escrita de independência do auditor prevista no artigo 62.º do EOROC (Estatuto da
Ordem dos Revisores Oficiais de Contas); da confirmação do cumprimento dos requisitos de rotação
do sócio responsável e da identificação das ameaças à independência e das medidas de salvaguarda
adotadas para a sua mitigação.
Nessa medida, o Conselho Fiscal tem acesso irrestrito à documentação produzida pelos auditores da
Sociedade, podendo-lhes solicitar qualquer informação que entenda necessária e sendo a primeira
destinatária dos relatórios finais elaborados pelos auditores externos.
Nos termos do disposto na alínea b) do n.º 2 do artigo 420.º do Código das Sociedades Comerciais,
compete ao Conselho Fiscal propor à Assembleia Geral a nomeação do Revisor Oficial de Contas da
Sociedade.
46. Identificação de trabalhos, distintos dos de auditoria, realizados pelo auditor externo
para a sociedade e/ou para sociedades que com ela se encontrem em relação de domínio,
bem como indicação dos procedimentos internos para efeitos de aprovação da contratação
de tais serviços e indicação das razões para a sua contratação.
Tal como descrito no ponto 47, no exercício findo em 31 de dezembro de 2021, foram faturados pela
KPMG, sociedade de revisores oficiais de contas, e outras entidades pertencentes à mesma rede, os
honorários relativos à revisão legal das contas anuais, revisão limitada de contas intercalares e
serviços de garantia de fiabilidade e outros serviços que não revisão de contas. A decomposição da
faturação desses serviços encontra-se detalhada infra no ponto 47.
Os serviços indicados como “serviços de garantia de fiabilidade” dizem respeito à emissão de
relatórios sobre informação financeira e serviços de verificação da Informação de Sustentabilidade.
No que diz respeito aos outros serviços que não revisão de contas, referem-se a pareceres de
operações de fusão no âmbito das funções de Fiscal Único das sociedades do Grupo Navigator e
prestação de serviços de due diligence, a um conjunto de sociedades de um grupo no âmbito de
potencial aquisição pela Navigator. Como acima referido que estes serviços não se enquadram na
lista de serviços proibidos constante do n.º 8 do artigo 77.º do EOROC, e, foram garantidos os
requisitos legais de independência, ameaças a esta, e garantidas as medidas de salvaguarda para
limitar essas ameaças pelo auditor.
Em 2021, a prestação de serviços distintos de auditoria pela Sociedade de Revisores Oficiais de
Contas à Sociedade e subsidiárias é regulada no Regulamento Interno sobre a aprovação de serviços
fora do âmbito de auditoria, aprovado em 1 de junho de 2016, que prevê serviços distintos de
auditoria que não podem ser prestados pela SROC e processos de controlo e autorização prévios
desses serviços pelo Conselho Fiscal. O regime definido nessa norma interna coaduna-se na íntegra
com o disposto no Estatuto da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, aprovado pela Lei n.º
140/2015, e no Regime Jurídico da Supervisão de Auditoria, aprovado pela Lei n.º 148/2015.
Assim, os serviços prestados pelo Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas, distintos dos de
auditoria, foram sempre aprovados pelo Conselho Fiscal, obedecendo às normas legais aplicáveis
vigentes em 2021 e aos procedimentos internos instituídos para o efeito.
Relatório e Contas 2021
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47. Indicação do montante da remuneração anual paga pela sociedade e/ou por pessoas
coletivas em relação de domínio ou de grupo ao auditor e a outras pessoas singulares ou
coletivas pertencentes à mesma rede e discriminação da percentagem respeitante aos
seguintes serviços (Para efeitos desta informação, o conceito de rede é o decorrente da
Recomendação da Comissão Europeia n.º C (2002) 1873, de 16 de maio).
Valores em euros
Pela Sociedade*
Valor dos serviços de revisão de contas
104.746
40%
Valor dos serviços de garantia de fiabilidade
87.875
33%
Valor dos serviços de consultoria fiscal
0
0%
Valor de outros serviços que não revisão de contas
72.250
27%
Por entidades que integrem o Grupo*
Valor dos serviços de revisão de contas
124.970
98%
Valor dos serviços de garantia de fiabilidade
0
0%
Valor dos serviços de consultoria fiscal
0
0%
Valor de outros serviços que não revisão de contas
2.000
2%
* Incluindo contas individuais e consolidadas
Em 2021, os serviços distintos dos serviços de auditoria faturados à Sociedade ou a entidades que
com ela mantenham uma relação de domínio pelo Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas,
incluindo as entidades que com ele se encontram em relação de participação ou que integram a
mesma rede, representaram 41% do total dos serviços prestados.
C. ORGANIZAÇÃO INTERNA
I. Estatutos
48. Regras aplicáveis à alteração dos estatutos da sociedade (art. 245.º-A, n.º 1, al. h).
Os Estatutos da Sociedade não definem quaisquer regras específicas relativas à alteração dos
mesmos, pelo que se aplica o regime geral que resulta do Código das Sociedades Comerciais.
II. Comunicação de irregularidades
49. Meios e política de comunicação de irregularidades ocorridas na sociedade.
Existe na Sociedade um “Regulamento Relativo à Comunicação de Irregularidades” que tem como
objeto enquadrar e regulamentar a comunicação por quaisquer interessados, sejam eles
Colaboradores, Clientes, Fornecedores, Parceiros ou quaisquer outras entidades ou indivíduos que
se relacionem com a Sociedade ou com suas subsidiárias de irregularidades alegadamente ocorridas
no seio do Grupo Navigator.
Nos termos do referido Regulamento é considerada irregularidade qualquer alegada violação de
disposições legais, regulamentares e/ou estatutárias, deontológicas ou de ética profissional ocorrida
no Grupo The Navigator Company. É igualmente considerada irregularidade o incumprimento dos
deveres e princípios éticos constantes do Código de Ética da Sociedade.
Este Regulamento consagra o dever geral de comunicação de alegadas irregularidades, indicando
uma equipa multidisciplinar como entidade com competência para as tratar. Os regulamentos
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 151
internos dos órgãos e comissões da Sociedade preveem igualmente a adoção e o cumprimento do
referido Regulamento.
A equipa multidisciplinar, constituída pela Direção dos Serviços Jurídicos e pela Direção de Gestão
de Riscos, deve proceder à averiguação de todos os factos necessários à apreciação da alegada
irregularidade. Este processo termina com o arquivamento ou com a apresentação ao Conselho de
Administração ou à Comissão Executiva, conforme esteja ou não em causa um titular dos órgãos
sociais, de uma proposta de aplicação das medidas mais adequadas face à irregularidade em causa.
De todas as comunicações recebidas deve ser dado conhecimento ao Conselho Fiscal.
O Regulamento contém ainda outras disposições, designadamente no sentido de salvaguardar a
confidencialidade da comunicação, o tratamento não prejudicial do Stakeholder comunicante e a
difusão do respetivo regime na Sociedade.
No decurso do exercício de 2021, foram comunicadas duas potenciais irregularidades. Para estas
foram, ou estão a ser, devidamente seguidos os mecanismos de apreciação dos factos reportados,
a respetiva investigação e decisão sobre as medidas a tomar. As irregularidades reportadas em 2021
referem-se a questões relacionadas com a alegada contratação de Trabalhadores e potenciais
divergências de entendimento na relação com um Fornecedor florestal.
De referir que, de acordo com os mecanismos instituídos, os processos não tiveram provimento e
foram encerrados.
Destaca-se ainda que a investigação criminal de 2020 relativa à alegada corrupção na atividade de
receção de madeira de um dos nossos centros fabris se encontra em tratamento. Na verdade,
durante o ano de 2021 e decorrente da referida investigação, a NVG procedeu ao despedimento com
justa causa de 28 trabalhadores, sendo que, em momento subsequente aos despedimentos com
justa causa, foram intentadas pelos trabalhadores as competentes ações de impugnação judicial da
regularidade e licitude dos despedimentos.
Assim sendo, na presente data, a NVG está a acompanhar e suportar as devidas diligências quer do
ponto de vista laboral, face às ações judiciais em curso, quer do ponto de vista penal, tendo em
consideração os desenvolvimentos do processo-crime, em conjunto com as autoridades.
III. Controlo interno e gestão de riscos
50. Pessoas, órgãos ou comissões responsáveis pela auditoria interna e/ou pela
implementação de sistemas de controlo interno.
A Gestão de Risco é considerada pela Sociedade um processo central à sua atividade. Está por isso
implementado um sistema de monitorização permanente da gestão de risco no Grupo Navigator,
envolvendo todas as unidades organizacionais, a DGR e o Conselho Fiscal.
Este sistema tem por base uma avaliação sistemática e explícita dos riscos de negócio por todas as
direções organizacionais do Grupo Navigator e a identificação dos principais controlos existentes em
todos os processos de negócio. Esta base permitirá à Sociedade avaliar em permanência a
adequação do seu sistema de controlo interno aos riscos entendidos em cada momento como mais
críticos.
Como parte dessa avaliação periódica, estabelece-se um programa anual de auditoria interna, a ser
levado a cabo pela DGR em conjunto com cada direção envolvida, para monitorar e avaliar a
Relatório e Contas 2021
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adequação do referido sistema de controlo interno aos riscos percebidos e para apoiar a organização
a implementar programas de melhoria a esse mesmo sistema.
À cabeça deste sistema de governação de risco estão o Conselho Fiscal e o Conselho de
Administração, conforme em seguida se detalha.
Conselho de Administração
As responsabilidades do Conselho de Administração neste âmbito são:
− Rever e aprovar a política de risco definida para o Grupo The Navigator Company, incluindo
o apetite e a tolerância de risco;
− Fixar objetivos em matéria de assunção de riscos e zelar pela sua prossecução;
− Aprovar o modelo de governação de risco adotado pelo Grupo The Navigator Company;
− Supervisionar a aplicação da política de risco no Grupo The Navigator Company;
− Debater e aprovar o plano estratégico e a política de risco da Sociedade, que inclua a
definição de níveis de risco considerados aceitáveis;
− Aprovar estratégias para fazer face a riscos, nomeadamente riscos muito elevados;
− Promover uma cultura de risco no Grupo The Navigator Company.
Conselho Fiscal
As competências e responsabilidades do Conselho Fiscal neste âmbito são:
− Fiscalizar a eficácia do sistema de gestão de riscos, do sistema de controlo interno e do
sistema de auditoria interna, propondo os ajustamentos que se mostrem necessários;
− Avaliar e propor melhorias ao modelo, processos e procedimentos de gestão dos riscos e
controlo interno;
− Acompanhar a execução dos planos de atividades no âmbito da gestão de risco e controlo
interno;
− Acompanhar, avaliar e pronunciar-se sobre as linhas estratégicas e os objetivos e a política
de riscos definidas pelo Conselho de Administração, propondo e implementando mecanismos
e procedimentos de controlo periódico com vista a garantir que os riscos efetivamente
incorridos pela sociedade são consistentes com os objetivos fixados pelo órgão de
administração;
− Pronunciar-se sobre os planos de trabalho e os recursos afetos aos serviços de controlo
interno, incluindo o controlo de cumprimento das normas aplicadas à Sociedade e de
auditoria interna;
− Tomar conhecimento dos relatórios de controlo interno e avaliação de risco emitidos pela
SROC e propor a adoção das medidas tidas por necessárias ou convenientes à luz desses
relatórios;
− Tomar conhecimento dos relatórios de acompanhamento da gestão de risco emitidos pela
Direção de Gestão de Risco e propor a adoção das medidas tidas por necessárias ou
convenientes à luz desses relatórios em matéria de controlo interno;
− Tomar conhecimento e pronunciar-se sobre a atividade desenvolvida neste âmbito pela
Direção de Gestão de Risco, sobre os recursos afetos aos serviços que também
desempenham funções de controlo interno, sendo destinatário, quando existam, dos
relatórios ou pareceres realizados por estes serviços quando estejam em causa matérias
relacionadas com a prestação de contas, a identificação ou a resolução de conflitos de
interesses e a deteção de potenciais ilegalidades e irregularidades.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 153
Presidente da Comissão Executiva
As responsabilidades do Presidente da Comissão Executiva neste âmbito são:
− Definir a política de risco do Grupo The Navigator Company, incluindo o apetite de risco;
− Ter em consideração a política de risco na definição dos objetivos estratégicos do Grupo
Navigator;
− Disponibilizar meios e recursos com vista à eficácia e eficiência da gestão de risco;
− Aprovar o modelo, os processos e os procedimentos de gestão de risco;
− Definir o modelo de governação da gestão de risco a adotar pelo Grupo Navigator, incluindo
as responsabilidades a atribuir;
− Aprovar os planos de atividades no âmbito da gestão de risco;
− Assegurar que os principais riscos a que Grupo The Navigator Company se encontra exposto
são identificados e reduzidos para níveis aceitáveis, em linha com o apetite e com a
tolerância de risco definidos;
− Discutir e aprovar opções de tratamento de riscos cujo nível de risco residual se encontre
acima dos níveis de tolerância de risco;
− Acompanhar e rever o trabalho realizado pela Direção de Gestão de Risco no âmbito da
gestão de risco;
− Comunicar resultados ao Conselho de Administração.
Direção de Gestão de Risco
As responsabilidades da Direção de Gestão de Risco neste âmbito são:
− Definir o modelo, os processos e os procedimentos de gestão de riscos;
− Elaborar os planos de atividades no âmbito da gestão de risco;
− Identificar e implementar meios e recursos (humanos, processuais e tecnológicos), que
facilitem a identificação, a análise e a gestão de risco;
− Alertar para potenciais riscos na definição dos objetivos estratégicos e operacionais;
− Apoiar na definição do apetite de risco e da tolerância ao risco;
− Apoiar na definição de responsabilidades a atribuir no âmbito da gestão de risco;
− Apoiar na identificação e na caracterização de riscos;
− Monitorizar indicadores de risco;
− Apoiar na definição de medidas de mitigação de riscos;
− Avaliar a efetividade das medidas de mitigação de riscos;
− Avaliar o cumprimento da tolerância de risco;
− Assegurar o cumprimento dos planos de ação para mitigação de riscos;
− Elaborar relatórios de acompanhamento da gestão de risco.
Áreas de negócio/direções
As responsabilidades das áreas de negócio/direções neste âmbito são:
− Definir tolerância de risco;
− Identificar e caracterizar riscos;
− Definir e monitorizar indicadores de risco;
− Definir, implementar e executar medidas de mitigação de riscos, de acordo com os planos
de ação para mitigação de riscos;
− Realizar assessments de riscos e controlos.
Relatório e Contas 2021
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No final de 2021, em conformidade com a evolução das melhores práticas internacionais, a sociedade
instituiu especificamente uma Área de Compliance, integrada na Direção de Legal, Compliance e
Public Affairs, sublinhando a importância de prosseguir uma política de compliance que enquadre a
sua atividade ao longo de toda a cadeia de valor, legal e regulatória, numa lógica de transparência
e justiça, no âmbito da prevenção e combate a atos ilícitos.
Esta Área é responsável pela definição de um Modelo de Compliance com foco em:
− Prevenção (prevenir, detetar e corrigir, começando pelo estabelecimento de políticas
inequívocas e procedimentos claros);
− Melhoria Contínua (através da aplicação da metodologia PDCA - Plan, Do, Check, Act).
Para a concretização dos objetivos pretendidos com a criação desta nova Área estão a ser
desenvolvidas as seguintes ações:
− Análise de riscos, através da avaliação dos problemas de conduta que a Empresa pode estar
sujeita de acordo com a sua área de atuação.
− Definição do plano de ação, através do planeamento de uma estratégia para a
implementação de um programa de compliance, que deverá descrever cada etapa, como
será realizada, divulgada, monitorada e feita a capacitação de todos os Colaboradores.
− Promoção de campanhas de consciencialização e de comunicação interna sobre o programa
de compliance e código de conduta.
− Contribuir para o estabelecimento de canais de comunicação, através da criação e/ou
divulgação de canais para denúncias e análise de situações, abertos para Colaboradores e,
para Clientes e Fornecedores.
− Envolvimento e capacitação de todos Colaboradores, consciencializando-os para as
responsabilidades dos seus atos.
− Monitorização do funcionamento de cada um dos pilares do programa de compliance, através
do acompanhamento da implementação e testagem para assegurar a sua efetividade.
− Avaliação e correção de problemas.
51. Explicitação, ainda que por inclusão de organograma, das relações de dependência
hierárquica e/ou funcional face a outros órgãos ou comissões da sociedade.
Resulta claro do ponto anterior que a gestão de risco na Sociedade é responsabilidade de toda a
organização, com as funções aí detalhadas.
Em termos de enquadramento hierárquico e funcional, importa salientar que a Auditoria Interna
(Direção de Gestão de Risco) além de reportar funcionalmente ao Presidente da Comissão Executiva,
reporta, também, ao Conselho Fiscal assegurando, assim, o apoio necessário à boa execução das
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 155
suas competências. Estas relações demonstram-se esquematicamente no organograma que se
segue:
52. Existência de outras áreas funcionais com competências no controlo de riscos.
Existem na Sociedade as seguintes comissões, que complementam a atividade do Conselho Fiscal e
do Presidente da Comissão Executiva quanto ao controlo e monitorização de riscos específicos:
− Comissão de Análise e Acompanhamento dos Riscos Patrimoniais – pronuncia-se
sobre sistemas de prevenção do risco patrimonial em vigor na Empresa, em estreita ligação
com o sistema de governança do risco em vigor no Grupo Navigator; e avalia a adequação
das políticas de seguro de riscos patrimoniais em vigor no Grupo Navigator, e das apólices
em que se traduzam.
− Comissão de Governo Societário – supervisiona a aplicação das normas do Governo
Societário do Grupo Navigator, bem como do Código de Ética, bem como fiscaliza os
procedimentos internos relativos às matérias de conflitos de interesses, nomeadamente no
que respeita a relações entre o Grupo Navigator e os seus Acionistas ou outros Stakeholders.
− Fórum de Sustentabilidade – implementa a política corporativa e estratégica em assuntos
de responsabilidade social e ambiental, e de prevenção de potenciais riscos que afetem essas
matérias.
− Comissão de Ética – supervisiona o cumprimento do disposto no Código de Ética e
identifica situações que condicionem o seu cumprimento.
Relatório e Contas 2021
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53. Identificação e descrição dos principais tipos de riscos (económicos, financeiros e
jurídicos) a que a sociedade se expõe no exercício da atividade.
No exercício da sua atividade, o Grupo Navigator encontra-se exposto a uma variedade de riscos
económicos, financeiros e jurídicos. Nesse âmbito, apresentam-se em seguida uma seleção dos
principais riscos identificados:
RISCO
(Seleção não exaustiva)
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Acidentes de trabalho industriais
Risco de ocorrência de acidentes de trabalho, podendo resultar em
lesões, incapacidade ou fatalidades.
Aumento de custos de transporte
Risco de aumento dos custos de transporte de pasta, papel ou tissue,
podendo resultar numa redução das margens de venda ou na
necessidade de aumentar os preços de venda a Clientes.
Aumento de procura
de matéria-prima (madeira)
Risco associado ao aumento da procura de matéria-prima (madeira),
devido à maior capacidade por parte de concorrentes, provocando um
aumento dos preços de compra de madeira e consequente aumento dos
custos de produção.
Cambial
Risco de variação da taxa de câmbio do euro face a outras divisas,
podendo afetar significativamente os resultados do Grupo, tanto por via
das receitas (vendas) como por via dos custos (compras).
Consequências ambientais
da atividade
Risco de ocorrências com consequências ambientais adversas, direta ou
indiretamente imputadas à atividade industrial, e que possam resultar
no incumprimento de legislação ambiental, insatisfação de Clientes e
Stakeholders, nomeadamente ao nível da comunidade local.
Danos florestais
Risco de danos florestais decorrentes de fenómenos naturais ou
humanos, podendo pôr em causa a quantidade de matéria-prima
necessária à atividade do Grupo e consequente acréscimo de custos ou
perda de receita.
Deterioração regulatória
da competitividade do negócio
energético
Risco de deterioração das condições de venda da energia produzida,
determinadas em certa medida pelo entorno regulatório; volatilidade na
regulamentação do setor pode levar de forma repentina à perda (total
ou parcial) da contribuição deste negócio para a rentabilidade do Grupo.
Diminuição de procura de papel
por substituição tecnológica
Risco associado a uma diminuição da procura dos produtos
comercializados pelo Grupo, podendo resultar numa redução
significativa das vendas.
Falhas de Cibersegurança
Risco associado a falhas de segurança nos sistemas informáticos da
Sociedade que permitam atividades indevidas e/ou ilícitas por parte de
terceiros com prejuízo para a Sociedade.
Falha no abastecimento
de madeira
Risco de falhas no abastecimento de madeira, podendo resultar em
paragens de produção e consequente acréscimo de custos ou perda de
receita.
Falhas de equipamentos
Risco de falhas no funcionamento dos equipamentos de produção,
podendo resultar em paragens de produção e consequente acréscimo de
custos ou perda de receita.
Falhas de segurança
de informação
Risco de ocorrência de falhas de segurança de informação, relacionadas
com a confidencialidade, disponibilidade e integridade da informação ao
longo do seu processo de captura, processamento, comunicação,
armazenamento e destruição, potenciando situações de perdas/fugas de
informação, fraudes, descontinuidade das operações.
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RISCO
(Seleção não exaustiva)
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Falta de matéria-prima certificada
Risco associado à incapacidade de obtenção de matéria-prima
certificada, podendo resultar numa perda de valor do produto final e
consequentemente dos valores de vendas.
Fraude
Risco de fraude nos processos com movimentação de valores para
prejuízo do Grupo.
Incumprimento de legislação
e regulamentação
Risco de incumprimento da legislação fiscal, laboral, ambiental,
contabilística ou outra e/ou de regulamentação do setor. Incumprimento
de normas contabilísticas.
Irregularidades em compras
e pagamentos
Risco de ineficiência ou inadequação do processo de compras de
materiais ou serviços críticos para o negócio, tendo como consequência
ruturas de stock, perdas financeiras, incumprimento de e para com
Fornecedores ou ocorrência de situações de fraude.
Ocorrência de incêndios
ou outras catástrofes naturais
Risco de perda de ativos ou mesmo de danos pessoais por incêndios ou
outros fenómenos naturais.
Pandemia
Risco de ocorrência de eventos pandémicos, com impactos
generalizados no modelo de negócio da Navigator, como tanto a nível
de saúde e segurança dos seus Colaboradores, procura pelos seus
produtos, cadeias de abastecimento e outros
Perda de oportunidades de novos
negócios/produtos/processos
Risco de não serem capturadas oportunidades no desenvolvimento de
novos negócios, produtos ou processos por via de ineficaz atividade de
I&D ou de scouting tecnológico.
Perda de produtividade florestal
Risco de poder não se conseguir atingir o potencial produtivo da estação
por não aplicação das melhores práticas silvícolas disponíveis.
Perdas em crédito a Clientes
Risco dos créditos concedidos a Clientes, podendo resultar em valores
incobráveis e consequente acréscimo de custos.
Preço da pasta de papel
Risco associado a flutuações do preço da pasta, podendo resultar em
perdas para o Grupo.
Qualidade dos produtos
Risco associado à qualidade dos produtos, podendo resultar em
insatisfação por parte dos Consumidores e consequente quebra de
vendas e perda de receita.
Redução do preço do papel
Risco de pressões concorrenciais, podendo resultar numa quebra das
vendas e da quota de mercado.
Restrições ambientais à produção
industrial
Risco de ocorrência de restrições ambientais à produção industrial,
podendo resultar em alterações necessárias ao processo produtivo e
consequente acréscimo de custos.
Restrições legais à produção
florestal
Risco de imposição de restrições legais à produção florestal, podendo
resultar num decréscimo da produção de matéria-prima e consequente
aumento dos custos com a sua aquisição.
Restrições legais às importações de
papel
Risco de restrição às importações de papel em países produtores através
da implementação de barreiras alfandegárias, podendo resultar numa
redução de vendas.
Sourcing desadequado
Risco de ineficiência na gestão do relacionamento com os Fornecedores
críticos para o negócio, ou excessiva dependência destes e que
comprometa a qualidade dos serviços prestados, limite as operações do
Grupo ou potencie ineficiências operacionais.
Relatório e Contas 2021
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RISCO
(Seleção não exaustiva)
DESCRIÇÃO SUMÁRIA
Sustentabilidade da atividade
florestal
Risco de comprometimento da atividade futura da organização ou da
sociedade e tecido empresarial local, em geral, devido a uma utilização
excessiva ou não racional dos recursos naturais envolvidos na atividade
florestal.
Sustentabilidade da atividade
industrial
Risco de contaminação dos solos ou de emissões excessivas de gases
nocivos para a atmosfera, resultantes direta ou indiretamente do
processo de abastecimento, saneamento ou tratamento de resíduos
sólidos urbanos (e.g. acidentes, avarias, técnicas utilizadas) ou de
causas naturais como cheias ou secas nos pontos de captação, ou
acidentes graves de poluição.
Variação de preços de energia
Risco associado a alterações dos preços de compra e venda de energia,
resultando em acréscimos de custos e perdas de receita.
Muitos dos fatores de risco assinalados não são controláveis pelo Grupo Navigator, nomeadamente
fatores de mercado que podem afetar fundamental e desfavoravelmente o preço de mercado das
ações da Sociedade, independentemente do desempenho operacional e financeiro do Grupo.
Os riscos trazidos pelas alterações climáticas, não diretamente elencados nesta tabela, estão na
verdade presentes em muitos dos aqui descritos. De facto, e porque estes riscos estão, na nossa
estrutura de gestão de risco, diretamente ligados a processos de negócio da Navigator, com
controlos de mitigação descritos e sujeitos a monitorização, as alterações climáticas aparecem aqui
dispersas em múltiplas frentes. Por exemplo, obviamente que a perda de produtividade florestal, os
danos florestais ou o risco de incêndios pode em grande medida derivar de fenómenos de seca ou
outros; a sustentabilidade da atividade industrial ou o risco de restrições ambientais à produção
industrial derivam em parte dos temas da (des)carbonização das economias, que a Navigator
pretende antecipar e que estão extensamente tratados noutra secção deste relatório.
A Companhia manteve ativo durante todo o ano o seu Gabinete de Gestão de Crise para continuar
a fazer face à crise pandémica, zelando pelas condições de saúde de todos os Trabalhadores e
permitindo a manutenção em plena operação de todos os nossos sites. Esse gabinete reuniu 75
vezes em 2021 e reviu o Plano de Contingência 11 vezes.
54. Descrição do processo de identificação, avaliação, acompanhamento, controlo e
gestão de riscos.
A gestão de risco representa para o Grupo Navigator um instrumento essencial para a tomada de
decisão através da permanente monitorização dos riscos a que se encontra exposto, sensibilizando
o Grupo de uma forma abrangente, para uma cultura de risco que inclua a perspetiva de evitar
riscos, mas também a perspetiva positiva de assumir riscos.
Por outro lado, as diversas áreas/direções beneficiam da gestão de risco através da possibilidade de
antecipar situações de incerteza, mitigando os riscos de consequências adversas e potenciando os
riscos que encerram em si oportunidades. É ainda obtida uma maior e mais sustentada capacidade
de decisão do Grupo Navigator face a eventos de risco, respondendo de forma coordenada e
integrada a riscos com causas, impactos ou vulnerabilidades que abranjam mais do que uma área.
Por último, do ponto de vista da Auditoria Interna e do ambiente de controlo, a gestão de risco
assume uma especial relevância, através da possibilidade de avaliação contínua do perfil de risco do
Grupo Navigator e do reforço do nível de controlo interno. É igualmente relevante a contribuição da
Relatório e Contas 2021
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gestão de risco para a Auditoria Interna, orientando a sua ação para as áreas/processos de maior
risco e preocupação para o negócio - “Auditoria Interna baseada no Risco”. Como resultado imediato
desta abordagem, será possível planear e executar ações de auditoria que tenham em consideração
os riscos mais relevantes para o Grupo Navigator, através de uma metodologia para planeamento
de auditorias.
O processo de gestão de risco do Grupo Navigator segue as melhores práticas, modelos e
frameworks de gestão de risco internacionalmente aceites, entre os quais se encontram o “COSO II
– Integrated Framework for Enterprise Risk Management”, o “Risk Management Standard AS/NZS
4360” e a norma ISO 31000.
Para a elaboração do processo de gestão de risco foi tida em consideração a norma ISO 31000 no
que concerne às principais fases do mesmo, e o COSO II para a sistematização e estruturação dos
riscos. Este processo é composto por um conjunto de sete fases interrelacionadas, englobando em
si mesmo um processo iterativo de melhoria contínua, consubstanciado por um processo de
comunicação e consulta e por um processo de monitorização e revisão. A figura seguinte representa
esquematicamente o fluxo do processo de gestão de risco.
Todo este processo está suportado numa ferramenta informática disseminada na Sociedade.
A auditoria externa está a cargo da KPMG. O Auditor Externo da Sociedade verifica, designadamente
a aplicação das políticas e sistemas de remunerações, bem como a eficácia e o funcionamento dos
mecanismos de controlo interno através dos elementos que lhe são facultados pela Sociedade.
As conclusões das verificações efetuadas são reportadas pelo Auditor Externo ao Conselho Fiscal
que, sendo caso disso, reporta as deficiências encontradas.
Em face dos principais riscos identificados, manteve-se a função de monitorização e controlo
protagonizada pela Direção de Gestão de Risco através da execução de auditorias de controlo
interno.
Relatório e Contas 2021
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Neste âmbito, durante o ano de 2021 foram levadas a cabo um conjunto de auditorias de controlo
interno e feitos seguimentos de assuntos em aberto das auditorias anteriores. Os trabalhos deste
ano tiveram como foco principal os processos de controlo interno, nomeadamente a conclusão dos
trabalhos sobre os processos de tratamento de efluentes gasosos, incluindo ainda verificações do
processo de avaliação de ativos biológicos e o acompanhamento dos temas de controlo interno
identificados pelo Auditor Externo. Adicionalmente foram conduzidos trabalhos de avaliação do
sistema de controlo interno, no âmbito dos sistemas de informação (IT), possibilitado pela integração
na equipa de um Auditor de IT em 2021.
55. Principais elementos dos sistemas de controlo interno e de gestão de risco
implementados na sociedade relativamente ao processo de divulgação de informação
financeira (art. 245.º-A, n.º 1, al. m).
A Sociedade possui um sistema de controlo interno relativo à preparação e divulgação de informação
financeira, assegurado por Direções/Áreas de Negócio da Sociedade, nomeadamente a Direção de
Contabilidade, a Direção de Fiscalidade, a Direção de Controlo de Gestão, a Direção de Gestão de
Risco e o Departamento de Relações com Investidores, sendo acompanhado regularmente pelo
Conselho Fiscal. No âmbito deste sistema, o Conselho Fiscal aprecia a informação financeira a cada
trimestre com base nos reportes da direção que os prepara e apoiando-se na opinião que o ROC e
Auditor Externo emitem sobre aquela. Neste âmbito, são ainda realizadas reuniões com a
participação da Direção de Gestão de Risco, de membros da Comissão Executiva, do ROC e Auditor
Externo, e de responsáveis pela contabilidade e pelo planeamento e controlo de gestão, com vista
ao acompanhamento dos processos em curso. Os elementos de sistema de controlo interno e gestão
de risco encontram-se descritos no ponto 54.
IV. Apoio ao Investidor
56. Serviço responsável pelo apoio ao investidor, composição, funções, informação
disponibilizada por esses serviços e elementos para contacto.
A Sociedade dispõe de um Gabinete de Relações com Investidores desde 1995, que tem como missão
elaborar, gerir e coordenar todas as atividades necessárias com o objetivo de assegurar um contacto
permanente e adequado com a comunidade financeira – Investidores, Acionistas, Analistas
financeiros e entidades reguladoras – e promover a comunicação da informação financeira da
Sociedade, ou outra que seja relevante para a evolução do desempenho das ações da Navigator no
mercado de capitais.
De acordo com princípios de coerência, integridade, regularidade, equidade, credibilidade e
oportunidade contribui assim para facilitar o processo de decisão de investimento e a criação
sustentada de valor para o acionista.
O Gabinete de Relações com Investidores tem como funções cumprir as suas obrigações legais de
informação ao regulador e ao mercado, nomeadamente a responsabilidade de divulgar resultados e
atividades do Grupo, responder a pedidos de informação de investidores, analistas financeiros e de
outros agentes bem como apoiar a Comissão Executiva na divulgação da estratégia de crescimento
e desenvolvimento da The Navigator Company.
Este Gabinete assegura assim, de forma adequada e rigorosa, a produção, o tratamento e a
atempada divulgação de informação à Administração, aos Acionistas, aos Investidores e demais
Stakeholders, aos analistas financeiros e ao mercado em geral.
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O Gabinete de Relações com Investidores integra uma pessoa, que exerce também as funções de
representante para o mercado de capitais, e cujos elementos para contacto estão detalhados no
ponto seguinte.
Toda a informação de caráter obrigatório, tal como a informação relativa à firma, a qualidade de
sociedade aberta, à sede e aos demais elementos mencionados no artigo 171.º do Código das
Sociedades Comerciais, está disponível na página de internet do Grupo Navigator, cujo endereço é
www.thenavigatorcompany.com. As divulgações de resultados trimestrais, os relatórios e contas
semestrais e anuais, os respetivos comunicados e press releases, a descrição dos órgãos sociais, o
calendário financeiro, os Estatutos da Empresa, as convocatórias para as Assembleias Gerais, as
propostas apresentadas para discussão e votação em Assembleia Geral, as deliberações aprovadas
e a estatística de presenças, bem como todos os factos relevantes que ocorram estão também
disponíveis na página de internet da Navigator, na área de Investidores, em português e em inglês.
57. Representante para as relações com o mercado.
A representante para as Relações com o Mercado da Sociedade foi, até 30 de setembro de 2021,
Joana de Avelar Pedrosa Rosa Lã Appleton; é Ana Rosa Pinelo Esteves Canha e pode ser contactada
através do telefone com o n.º (+351) 219 017 434 ou do seguinte endereço eletrónico:
ana.canha@thenavigatorcompany.com. Estes contactos estão disponíveis na página de internet da
Navigator, na área de Investidores.
58. Informação sobre a proporção e o prazo de resposta aos pedidos de informação
entrados no ano ou pendentes de anos anteriores.
Os pedidos de informação colocados ao Gabinete de Relações com Investidores são feitos na sua
maioria através de correio eletrónico, sendo também recebidos alguns contactos por via telefónica.
Todos os pedidos são respondidos ou reencaminhados para os serviços competentes, sendo que o
prazo médio de resposta estimado é inferior a três dias úteis.
Ao longo de 2021, foram recebidos perto de 75 pedidos de informação por mail e 70 por telefone,
tendo sido realizadas 15 reuniões e 5 conferências virtuais com investidores. Em 31 de dezembro
de 2021 todos os pedidos de informação recebidos tinham sido considerados como concluídos, pelo
que não existiam, até aquela data, pedidos pendentes.
V. Sítio de internet
59. Endereço(s).
O endereço da página de internet da Navigator é: www.thenavigatorcompany.com.
60. Local onde se encontra informação sobre a firma, a qualidade de sociedade aberta, a
sede e demais elementos mencionados no artigo 171.º do Código das Sociedades
Comerciais.
A informação acima mencionada encontra-se disponível na página de internet da Navigator, na área
de Investidores, em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Accao-Navigator.
Relatório e Contas 2021
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61. Local onde se encontram os estatutos e os regulamentos de funcionamento dos órgãos
e/ou comissões.
A informação acima mencionada encontra-se disponível na página de internet da Navigator, na área
de Investidores, na secção relativa ao Governo da Sociedade, em
www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-Sociedade.
62. Local onde se disponibiliza informação sobre a identidade dos titulares dos órgãos
sociais, do representante para as relações com o mercado, do Gabinete de Apoio ao
Investidor ou estrutura equivalente, respetivas funções e meios de acesso.
A informação acima mencionada encontra-se disponível na página de internet da Navigator, na área
de Investidores, concretamente na secção relativa ao Governo da Sociedade, assim como na parte
intitulada Perfil, disponível, respetivamente, em
www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-Sociedade e em
www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Contactos.
63. Local onde se disponibilizam os documentos de prestação de contas, que devem estar
acessíveis pelo menos durante cinco anos, bem como o calendário semestral de eventos
societários, divulgado no início de cada semestre, incluindo, entre outros, reuniões da
assembleia geral, divulgação de contas anuais, semestrais e, caso aplicável, trimestrais.
Os resultados trimestrais, semestrais e anuais da Navigator, publicados desde 2003, encontram-se
disponíveis na área de Investidores, na parte intitulada “Informação financeira”, disponível em
www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Informacao-Financeira. O calendário com os eventos
societários do ano em curso tem um separador próprio na área dos Investidores intitulada
“Calendário”, disponível em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Calendario.
64. Local onde são divulgados a convocatória para a reunião da assembleia geral e toda a
informação preparatória e subsequente com ela relacionada.
A convocatória para a Assembleia Geral assim como toda a informação preparatória e subsequente
com ela relacionada, está disponível na área dos Investidores, num separador próprio intitulado
“Assembleias Gerais”, disponível em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Assembleias-
Gerais.
65. Local onde se disponibiliza o acervo histórico com as deliberações tomadas nas
reuniões das assembleias gerais da sociedade, o capital social representado e os
resultados das votações, com referência aos 3 anos antecedentes.
A informação acima mencionada encontra-se disponível no mesmo local que a informação relativa
às Assembleias Gerais, ou seja, na área dos Investidores, num separador próprio intitulado
“Assembleias Gerais”, disponível em www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Assembleias-
Gerais.
D. REMUNERAÇÕES E RELATÓRIO SOBRE REMUNERAÇÕES
A Navigator optou, nos termos do n.º 8 do artigo 26º-G do Código dos Valores Mobiliários, por
integrar neste capítulo do Relatório do Governo Societário o Relatório sobre Remunerações dos
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órgãos de administração e fiscalização da Navigator, incluindo, assim, nos pontos pertinentes deste
capítulo a informação necessária para dar cumprimento ao referido preceito legal.
I. Competência para a determinação
66. Indicação quanto à competência para a determinação da remuneração dos órgãos
sociais, dos membros da comissão executiva ou administrador-delegado e dos dirigentes
da sociedade.
O órgão competente para determinar a remuneração do Conselho de Administração e do Conselho
Fiscal é a Comissão de Fixação de Vencimentos.
Relativamente aos dirigentes da Sociedade essa competência pertence ao Conselho de
Administração.
II. Comissão de Remunerações
67. Composição da comissão de remunerações, incluindo identificação das pessoas
singulares ou coletivas contratadas para lhe prestar apoio e declaração sobre a
independência de cada um dos membros e assessores.
A Comissão de Fixação de Vencimentos é composta pelos Senhores Dr. José Gonçalo Ferreira Maury,
Eng.º João Rodrigo Appleton Moreira Rato e Dr. João do Passo Vicente Ribeiro, e não dispõe de
pessoas contratadas para a auxiliar. A sociedade pode indicar livremente a contratação dos serviços
que se mostrem necessários ou convenientes, dentro dos limites orçamentais da sociedade,
devendo, nesse caso, assegurar que os serviços são prestados com independência e que os
respetivos prestadores não são contratados para a prestação de outros serviços à própria sociedade
ou outras que se encontrem em relação de domínio ou de grupo sem autorização expressa da
comissão. A sociedade considera que a composição da Comissão de Fixação de Vencimentos
assegura a sua independência em face à administração, porquanto todos os seus membros são
independentes.
No que respeita ao Senhor Dr. José Maury, cessou no exercício de 2014 o exercício de funções na
Egon Zehnder, empresa especializada em recursos humanos e com a qual a Navigator e outras
sociedades relacionadas tiveram ao longo dos anos alguns processos de contratação. Pelo
afastamento temporal a que se fez referência entendemos que não foi posta em causa a
independência deste membro da Comissão.
Na sociedade a Comissão de Remunerações presta todas as informações ou esclarecimentos aos
Acionistas nas respetivas Assembleias Gerais Anuais ou em quaisquer outras Assembleias Gerais se
a respetiva ordem de trabalhos incluir assunto conexo com a remuneração dos membros dos órgãos
e comissões da sociedade ou se tal presença for requerida pelos Acionistas, fazendo-o através da
presença, de pelo menos, um dos seus membros. Foi o que sucedeu na Assembleia Geral Anual de
11 de maio de 2021, na qual estiveram presentes, através de meios telemáticos, todos os seus
membros.
68. Conhecimentos e experiência dos membros da comissão de remunerações em matéria
de política de remunerações.
Relatório e Contas 2021
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Todos os membros da Comissão de Fixação de Vencimentos possuem larga experiência e
conhecimentos ao nível das matérias respeitantes aos vencimentos atribuídos aos membros dos
Órgãos Sociais, em virtude dos cargos que têm desempenhado ao longo da sua vida profissional.
Realça-se ainda que um dos membros da Comissão de Fixação de Vencimentos, o Senhor Dr. José
Maury, tem vastos conhecimentos e experiência em matéria de política de remunerações, tendo sido
durante vários anos sócio da sociedade Egon Zehnder, que tem larga experiência e é líder em
recrutamento de executivos, sendo orador sobre temas remuneratórios em várias formações, o que
envolve profundo e permanentemente atualizado conhecimento dos processos e critérios de
avaliação e dos pacotes remuneratórios associados.
III. Estrutura das remunerações
69. Descrição da política de remuneração dos órgãos de administração e de fiscalização a
que se refere o artigo 2.º da Lei n.º 28/2009, de 19 de junho.
A política de remuneração dos órgãos de administração e de fiscalização (“Política de Remuneração”)
relativa ao exercício de 2021, elaborada pela Comissão de Remunerações, foi aprovada na
Assembleia Geral Anual de 11 de Maio de 2021, e corresponde ao Anexo II deste Relatório, não
existindo qualquer afastamento do procedimento de aplicação da política de remuneração aprovada
ou derrogações à mesma.
70. Informação sobre o modo como a remuneração é estruturada de forma a permitir o
alinhamento dos interesses dos membros do órgão de administração com os interesses
de longo prazo da sociedade, bem como sobre o modo como é baseada na avaliação do
desempenho e desincentiva a assunção excessiva de riscos.
A forma como foi estruturada a remuneração dos órgãos sociais e como foi baseada a avaliação do
desempenho da administração executiva em 2021 respeitou o modelo e os princípios – funções
desempenhadas, situação económica da sociedade e critérios de mercado – constantes da Política
de Remuneração dos membros do órgão de administração e fiscalização da Navigator em vigor,
designadamente dos capítulos III e IV e V, para os quais se remete. No ponto 24. supra está descrito
o processo e os órgãos que intervêm na avaliação de desempenho dos administradores executivos.
O sistema remuneratório em vigor na Navigator assegura a sua estratégia empresarial e bem assim,
a longo prazo, do alinhamento dos interesses dos membros do órgão de administração com os
interesses da sociedade e da sua sustentabilidade, em especial, por ser uma remuneração que se
procura justa e equitativa no âmbito dos princípios enunciados e por associar os membros do órgão
de administração aos resultados através de uma componente variável da remuneração que tem nos
resultados o fator preponderante mas também leva em conta competências comportamentais de
cada administrador como sejam o seu alinhamento com os interesses de longo prazo da sociedade
e da sua sustentabilidade.
Relativamente às componentes da remuneração: (i) a remuneração dos membros do Conselho de
Administração é constituída por uma componente fixa, correspondente a um valor anual, pagável
ao longo do ano, e, para os Administradores Executivos, incorpora também uma componente
variável que pode corresponder a uma percentagem não superior a cinco por cento do resultado
líquido do exercício anterior de acordo com os estatutos da Sociedade, (ii) a remuneração dos
membros do Conselho Fiscal corresponde a um valor fixo anual, pagável ao longo do ano, e (iii) a
remuneração dos membros da Mesa da Assembleia Geral consiste apenas numa quantia fixa
determinada em função das reuniões efetivamente ocorridas.
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No tocante à componente variável da remuneração dos administradores executivos, esta tem por
base um valor target aplicável a cada administrador e que é devido em condições de desempenho
do próprio e da sociedade que correspondam às expetativas e aos objetivos previamente fixados.
Este valor target é definido ponderando os princípios acima referidos - mercado, funções concretas,
situação da sociedade -, com destaque para situações comparáveis de mercado em funções de
relevância equivalente. As ponderações do desempenho efetivo face às expetativas e objetivos, que
determinam a variação em relação ao target, têm por base um conjunto de KPIs, como referido no
ponto 25. supra, quantitativos e qualitativos, relacionados com o desempenho da sociedade
(indicadores gerais de negócio) e do administrador em causa (objetivos específicos e indicadores
comportamentais). Dentro dos indicadores gerais de negócio relevam especialmente o EBITDA, os
resultados líquidos, o cash flow e o Total Shareholder Return vs Pares, e nas competências
comportamentais releva o alinhamento de cada administrador com os interesses de longo prazo e
de sustentabilidade da sociedade. Com este sistema, consegue-se garantir na Navigator a
inexistência de remunerações variáveis discricionárias.
Para além do limite estatutário à participação da administração nos lucros do exercício, existem
também na sociedade mecanismos de limitação da remuneração variável: (i) a componente variável
é eliminada no caso de os resultados evidenciarem uma deterioração considerada relevante do
desempenho da Empresa no último exercício apurado ou quando esta seja expectável no exercício
em curso, e (ii) o montante da componente variável atribuível tem um cap definido por forma a
prevenir que o bom desempenho num momento, com vantagens remuneratórias imediatas para a
administração, seja feito em sacrifício de um bom desempenho futuro. Face ao exposto, resulta claro
que os critérios para a atribuição da remuneração contribuem para a concretização da estratégia
definida pela Navigator, bem como para os interesses de longo prazo e para a sustentabilidade da
sociedade.
Embora não exista na sociedade qualquer mecanismo remuneratório independente com o objetivo
específico de desincentivar a assunção excessiva de riscos, a Navigator não integra nos objetivos de
desempenho dos administradores quaisquer objetivos específicos que promovam o risco excessivo
nem tem instituído qualquer mecanismo que permita pagamentos antecipados de remunerações
futuras. O risco é uma característica inerente a qualquer ato de gestão e, como tal, inevitável e
permanentemente objeto de ponderação em qualquer decisão da administração. A sua avaliação
qualitativa ou quantitativa como boa ou má não pode ser efetuada de forma isolada em si mesma,
mas apenas no seu resultado no desempenho da sociedade ao longo do tempo, confundindo-se
assim com os interesses de longo prazo, e beneficiando por isso com os incentivos ao alinhamento
geral de longo prazo e sustentabilidade acima referidos.
71. Referência, se aplicável, à existência de uma componente variável da remuneração e
informação sobre eventual impacto da avaliação de desempenho nesta componente.
A remuneração dos administradores executivos integra uma componente variável que depende da
avaliação de desempenho, nos termos descritos no ponto anterior e na Política de Remuneração, em
especial nos ponto 3. e 7. do seu capítulo IV. No ponto 24. supra está descrito o processo e os
órgãos que intervêm na avaliação de desempenho dos administradores executivos.
A componente individual e qualitativa da avaliação de desempenho teve, no exercício de 2021, um
impacto de 35% nessa componente da remuneração.
Relativamente aos administradores não executivos, refira-se que apesar de ser apenas composta
por uma parte fixa, a mesma poderá ser diferenciada em virtude da acumulação de funções e de
responsabilidades acrescidas, nomeadamente através do desempenho de funções em comissões ou
comités especializados.
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Para além do limite estatutário à participação da administração nos lucros do exercício, não existem
outros limites máximos de remuneração e não está instituído qualquer mecanismo que permita à
sociedade solicitar a restituição de remuneração variável paga.
Já a remuneração dos membros do Conselho Fiscal não inclui nenhuma componente variável.
72. Diferimento do pagamento da componente variável da remuneração, com menção do
período de diferimento.
Na sociedade não existe diferimento do pagamento da componente variável da remuneração.
73. Critérios em que se baseia a atribuição de remuneração variável em ações bem como
sobre a manutenção, pelos administradores executivos, dessas ações, sobre eventual
celebração de contratos relativos a essas ações, designadamente contratos de cobertura
(hedging) ou de transferência de risco, respetivo limite, e sua relação face ao valor da
remuneração total anual.
Na Sociedade a remuneração variável não integra qualquer componente em ações.
74. Critérios em que se baseia a atribuição de remuneração variável em opções e indicação
do período de diferimento e do preço de exercício.
Na Sociedade a remuneração variável não integra qualquer componente em opções.
75. Principais parâmetros e fundamentos de qualquer sistema de prémios anuais e de
quaisquer outros benefícios não pecuniários.
Os critérios que pautam a fixação dos prémios anuais são os referentes à remuneração variável
descritos no ponto 7. do capítulo IV da Política de Remuneração, e no ponto 25. e 70, supra.
Para além da componente variável que possa vir a ser atribuída aos membros dos órgãos de
administração executiva, não são atribuídos aos membros dos órgãos de administração e de
fiscalização outros benefícios não pecuniários, sem prejuízo dos meios colocados à disposição dos
mesmos para o exercício das suas funções e de um seguro de saúde e acidentes pessoais em linha
com as práticas de mercado.
76. Principais características dos regimes complementares de pensões ou de reforma
antecipada para os administradores e data em que foram aprovados em assembleia geral,
em termos individuais.
Na sociedade não existem atualmente regimes complementares de pensões ou de reforma
antecipada para os administradores.
Em 2019, foi submetida à Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) uma
proposta de alteração do Contrato Constitutivo do Fundo de Pensões mediante a qual foi alterado o
Plano de Pensões The Navigator Company, deixando os administradores de ter direito a
complemento de reforma ao abrigo do Plano. Esta alteração foi aprovada pela ASF já em 2022 com
efeitos retroativos a 2 de Dezembro de 2021.
No entanto, nos termos do Regulamento do Plano de Pensões The Navigator Company (ex-Plano de
Pensões Portucel S.A.) em vigor até à data de efeitos da alteração do Contrato Constitutivo, os
Relatório e Contas 2021
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administradores da Sociedade que recebessem como tal, e que tivessem cumprido, pelo menos, um
mandato completo nos termos estatutários, tinham direito, após a passagem à reforma ou em
situação de invalidez, caso esta ocorresse na vigência do mandato, a um complemento mensal de
pensão de reforma por velhice ou invalidez respetivamente.
Se a invalidez ocorresse em ocasião posterior ao termo do mandato, os referidos membros do
Conselho de Administração só teriam direito ao complemento de pensão de invalidez se lhes fosse
atribuído, pelo organismo da Segurança Social em que se encontrassem inscritos, a correspondente
pensão de invalidez e se o solicitassem à Sociedade.
Esse complemento estava definido de acordo com uma fórmula que tem em consideração a
remuneração mensal ilíquida e no número de anos de serviço, sendo considerados, no mínimo, 10
anos, e tendo como limite máximo 30 anos.
Em 31 de dezembro de 2021, Manuel Soares Ferreira Regalado era o único administrador beneficiário
do Plano de Pensões The Navigator Company.
Adicionalmente, os administradores António José Pereira Redondo, Adriano Augusto da Silva Silveira
e João Paulo Cabete Gonçalves Lé são participantes de planos de pensões da Navigator Brands, S.A.,
subsidiária da Sociedade, na qualidade de Colaboradores daquela sociedade, antes de integrarem
cargos de administração.
Por força da especificidade do plano de pensões do Grupo Navigator, não houve, até à data, qualquer
intervenção da Assembleia Geral na aprovação das principais características respeitantes às regras
específicas aplicáveis à reforma dos administradores.
Refira-se a este respeito que a Sociedade foi uma empresa pública até 1991, com a atividade e
forma de funcionamento regulada pela lei especial aplicável a este tipo de empresas, tendo sido
aprovadas neste período as regras específicas aplicadas às reformas dos membros do Conselho de
Administração.
No entanto, importa referir que os planos de complemento de pensões de reforma em vigor na
Sociedade estão descritos na Nota 7 dos anexos às contas consolidadas do exercício, que fazem
parte do Relatório e Contas sujeito à aprovação pela Assembleia Geral.
IV. Divulgação das remunerações
77. Indicação do montante anual da remuneração auferida, de forma agregada e
individual, pelos membros dos órgãos de administração da sociedade, proveniente da
sociedade, incluindo remuneração fixa e variável e, relativamente a esta, menção às
diferentes componentes que lhe deram origem.
Indica-se abaixo o montante da remuneração auferida no ano de 2021, sendo que a remuneração
variável foi paga em 2021 mas diz respeito ao desempenho de 2020 e 2021, pelos membros do
órgão de administração da Sociedade, proveniente da Navigator, com distinção entre remuneração
fixa e variável, mas sem distinguir as diferentes componentes que deram origem à remuneração
variável, porque a componente variável é definida como um todo, ponderando os elementos
explicados na Política de Remunerações, sem identificação de componentes.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 168
Valores em euros
Conselho de Administração
Remuneração Fixa
Remuneração Variável
Montante
Percentagem
relativa
Montante
44
Percentagem
relativa
António José Pereira Redondo
668.348,94
44,31%
839.967,14
55,69%
Adriano Augusto da Silva Silveira
319.214,00
33,66%
628.891,25
66,33%
João Paulo Cabete Gonçalves Lé
319.214,00
37,85%
524.140,94
62,15%
João Paulo Araújo Oliveira
319.805,66
35,45%
582.448,09
64,55%
José Fernando Morais Carreira de Araújo
319.213,16
34,75%
599.172,44
65,25%
Nuno Miguel Moreira de Araújo Santos
319.198,74
40,24%
474.022,49
59,76%
Manuel Soares Ferreira Regalado
77.000,00
100%
0,00
0%
Maria Teresa Aliu Presas
77.000,00
100%
0,00
0%
Mariana Rita Antunes Marques dos Santos
105.000,00
100%
0,00
0%
Sandra Maria Soares Santos
77.000,00
100%
0,00
0%
Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves
77.000,00
100%
0,00
0%
No quadro supra foi indicado o montante anual correspondente ao período em que os membros do
Conselho de Administração exerceram funções.
Nas tabelas abaixo encontram-se discriminadas, para efeitos da alínea c) do n.º 2 do Artigo 26.º-G
do Código dos Valores Mobiliários, as variações anuais, nos últimos cinco exercícios, da remuneração
paga individualmente pela Sociedade aos membros do Conselho de Administração, assim como das
remunerações médias dos Colaboradores em termos equivalentes a tempo inteiro da Sociedade,
bem como os indicadores de desempenho da Sociedade verificados:
Valores em euros
Conselho de Administração
2017
2018
2019
2020
2021
António José Pereira Redondo
Remuneração Fixa
309.838
314.486
319.203
655.699
668.349
Remuneração Variável
527.175
523.551
548.702
185.984
839.967
Variação em %
2,0%
0,1%
3,6%
-3,0%
79,2%
Adriano Augusto da Silva Silveira
Remuneração Fixa
397.108
397.108
297.108
313.172
319.214
Remuneração Variável
0,00
0,00
0,00
117.000
628.891
Variação em %
-29,0%
0,0%
-25,2%
44,8%
120,4%
João Paulo Cabete Gonçalves Lé
Remuneração Fixa
-
-
-
315.392
319.214
Remuneração Variável
-
-
-
15.074
524.141
Variação em %
-
-
-
100,0%
155,2%
João Paulo Araújo Oliveira
Remuneração Fixa
309.834
314.482
319.190
313.157
319.806
Remuneração Variável
530.754
456.349
485.485
121.627
582.448
Variação em %
48,2%
-8,3%
4,4%
-46,0%
107,5%
José Fernando Morais Carreira
de Araújo
Remuneração Fixa
309.848
314.496
319.213
313.171
319.213
Remuneração Variável
543.455
489.410
554.110
175.663
599.172
Variação em %
9,5%
-5,8%
8,6%
-44,0%
87,9%
Nuno Miguel Moreira de Araújo
Santos
Remuneração Fixa
309.834
314.482
319.199
313.157
319.199
Remuneração Variável
512.920
562.493
415.447
128.915
474.022
Variação em %
26,8%
6,6%
-16,2%
-39,8%
79,4%
44
Os valores indicados incluem uma parcela da remuneração variável respeitante ao desempenho de 2019, paga
em 2021.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 169
Conselho de Administração
2017
2018
2019
2020
2021
Manuel Soares Ferreira Regalado
Remuneração Fixa
77.000
77.000
77.000
75.543
77.000
Remuneração Variável
177.015
0
0
0
0
Variação em %
-63,6%
-69,7%
0,0%
-1,9%
1,9%
Maria Teresa Aliu Presas
Remuneração Fixa
-
-
56.023
75.522
77.000
Remuneração Variável
-
-
-
-
-
Variação em %
-
-
100,0%
34,8%
2,0%
Mariana Rita Antunes Marques
dos Santos
Remuneração Fixa
-
-
76.395
102.984
105.000
Remuneração Variável
-
-
-
-
-
Variação em %
-
-
100,0%
34,8%
2,0%
Sandra Maria Soares Santos
Remuneração Fixa
-
-
56.023
75.522
77.000
Remuneração Variável
-
-
-
-
-
Variação em %
-
-
100,0%
34,8%
2,0%
Vítor Manuel Galvão Rocha Novais
Gonçalves
Remuneração Fixa
98.000
98.000
98.000
96.145
77.000
Remuneração Variável
-
-
-
-
-
Variação em %
-21,5%
0,0%
0,0%
-1,9%
-19,9%
Pedro Mendonça de Queiroz Pereira
Remuneração Fixa
830.914
689.200
-
-
-
Remuneração Variável
987.021
967.061
-
-
-
Variação em %
3,9%
-8,9%
-
-
-
Diogo António Rodrigues
da Silveira
Remuneração Fixa
510.062
517.713
259.033
-
-
Remuneração Variável
636.559
620.627
653.534
-
-
Variação em %
2,3%
-0,7%
-19,8%
-
-
Luís Alberto Caldeira Deslandes
Remuneração Fixa
158.158
117.579
77.000
-
-
Remuneração Variável
-
-
-
-
-
Variação em %
0,0%
-25,7%
31%
-
-
Valores em euros
Conselho Fiscal
2017
2018
2019
2020
2021
José Manuel
Vitorino
Remuneração Fixa
16.002
19.854
21.994
21.994
21.994
Variação em %
2,1%
24,1%
10,8%
0,0%
0,0%
Gonçalo Picão
Caldeira
Remuneração Fixa
16.002
16.002
16.002
16.002
16.002
Variação em %
2,1%
0,0%
0,0%
0,0%
0,0%
Maria da Graça
Gonçalves
Remuneração Fixa
-
9.399
16.002
16.002
16.002
Variação em %
-
100,0%
70,3%
0,0%
0,0%
Miguel Camargo
de Sousa Eiró
Remuneração Fixa
21.994
31.957
-
-
-
Variação em %
1,5%
45,3%
45
-
-
-
Valores em euros
Colaboradores da Sociedade
2017
2018
2019
2020
2021
Remuneração
Total 1
Remuneração média (€)
33.668
35.840
30.810
31.236
33.477
Variação em %
4,9%
6,5%
-14,0%
1,4%
7,2%
45
O aparente acréscimo da remuneração fixa do Presidente do Conselho Fiscal em 2018 deveu-se ao facto de o
mesmo ter cessado antecipadamente o mandato e de ter, por isso, auferido as remunerações que teria
recebido até ao final do período para que foi eleito.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 170
Valores em euros
Desempenho do Grupo
2017
%
2018
%
2019
%
2020
%
2021
%
Indicadores
de Desempenho
EBITDA
403.838.089
455.217.531
372.091.044
285.507.801
354.716.330
Variação em %
1,6%
12,7%
-18,3%
-23,3%
24,2%
Earnings per Share
0,29
0,31
0,24
0,15
0,24
Variação em %
-4,5%
8,4%
-24,7%
-35,1%
55,6%
78. Montantes a qualquer título pagos por outras sociedades em relação de domínio ou de
grupo ou que se encontrem sujeitas a um domínio comum.
Importa esclarecer que os montantes a que se refere este número dizem apenas respeito a
sociedades não dominadas pela Sociedade. Estão igualmente compreendidos valores a que a
Sociedade e os seus órgãos sociais são alheios, por dizerem respeito a Acionistas seus, a Acionistas
de Acionistas e a outras sociedades controladas por Acionistas, desde que haja relações de domínio.
Auferiram remunerações noutras sociedades em relação de domínio ou que se encontram sujeitas a
um domínio comum, os administradores João Nuno de Sottomayor Pinto de Castello Branco, Ricardo
Miguel dos Santos Pacheco Pires, Vítor Manuel Galvão Rocha Novais Gonçalves e Vítor Paulo
Paranhos Pereira, nos montantes totais de 1.695.300,21 euros, 902.102,90 euros, 898.128,55 euros
e 77.825,00 euros, respetivamente. Esclarece-se que os membros do Conselho de Administração
não auferiram remunerações noutras sociedades em relação de grupo.
79. Remuneração paga sob a forma de participação nos lucros e/ou de pagamento de
prémios e os motivos por que tais prémios e ou participação nos lucros foram concedidos.
O montante da remuneração paga pela Sociedade sob a forma de participação nos lucros e/ou
pagamento de prémios corresponde à remuneração variável constante do ponto 77 deste Relatório,
tendo tais montantes sido fixados com base na aplicação concreta pela Comissão de Remunerações
dos critérios descritos no ponto 7 do capítulo IV da Política de Remunerações.
80. Indemnizações pagas ou devidas a ex-administradores executivos relativamente à
cessação das suas funções durante o exercício.
Não foram pagas durante o exercício, nem são devidas, pela Empresa, quaisquer indemnizações a
ex-administradores executivos pela cessação de funções.
81. Indicação do montante anual da remuneração auferida, de forma agregada e
individual, pelos membros dos órgãos de fiscalização da sociedade, para efeitos da Lei n.º
28/2009, de 19 de junho.
Valores em euros
Conselho Fiscal
Remuneração fixa
Remuneração variável
Montante
Percentagem
relativa
Montante
Percentagem
relativa
José Manuel Vitorino
21.994
100%
0
0%
Gonçalo Picão Caldeira
16.002
100%
0
0%
Maria da Graça Gonçalves
16.002
100%
0
0%
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 171
No quadro supra foi indicado o montante anual correspondente ao período em que os membros do
Conselho Fiscal exerceram funções.
Note-se que esta informação consta já do Relatório sobre Remunerações a apresentar na Assembleia
Geral Anual da Sociedade a realizar este ano.
82. Indicação da remuneração no ano de referência do presidente da mesa da assembleia
geral.
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral recebe exclusivamente remuneração fixa.
Durante o ano de 2021, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral auferiu uma remuneração fixa
no montante de €3.000 (três mil euros).
V. Acordos com implicações remuneratórias
83. Limitações contratuais previstas para a compensação a pagar por destituição sem
justa causa de administrador e sua relação com a componente variável da remuneração.
Não existe na Sociedade nenhum contrato com administradores que limite ou de outra forma altere
o regime legal supletivo para os casos de cessação de funções, com ou sem justa causa, prevendo-
se na Política de Remunerações aprovada pela Comissão de Fixação de Vencimentos da Sociedade
que, em caso de cessação de funções dos administradores, aplicar-se-á o regime legal supletivo
nesta matéria.
Assim, considerando a ausência de contratos individuais com administradores neste âmbito e o
previsto na mencionada Política de Remunerações, no caso de destituição que não decorra de
violação grave de deveres do administrador nem de inaptidão para o exercício normal das respetivas
funções, a Sociedade estará obrigada a pagar uma indemnização nos termos gerais de direito, sem
que a mesma possa exceder o montante das remunerações que presumivelmente receberia até ao
final do período para que foi eleito.
A cessação de funções antes do termo do mandato não origina pois, direta ou indiretamente, o
pagamento ao administrador de quaisquer montantes além dos previstos na lei.
84. Referência à existência e descrição, com indicação dos montantes envolvidos, de
acordos entre a sociedade e os titulares do órgão de administração e dirigentes, na aceção
do n.º 3 do artigo 248.º-B do Código dos Valores Mobiliários, que prevejam indemnizações
em caso de demissão, despedimento sem justa causa ou cessação da relação de trabalho
na sequência de uma mudança de controlo da sociedade (art. 245.º-A, n.º 1, al. l).
Não existem também acordos entre a Sociedade e os titulares do órgão de administração e dirigentes
que prevejam indemnizações em caso de demissão, despedimento sem justa causa ou cessação da
relação de trabalho na sequência de uma mudança de controlo da Sociedade.
VI. Planos de atribuição de ações ou opções sobre ações (‘stock options’)
85. Identificação do plano e dos respetivos destinatários.
Não aplicável, face à inexistência de pagamentos de remuneração através de planos de atribuição
de ações ou de planos de atribuição de opções de aquisição de ações.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 172
86. Caraterização do plano (condições de atribuição, cláusulas de inalienabilidade de
ações, critérios relativos ao preço das ações e o preço de exercício das opções, período
durante o qual as opções podem ser exercidas, características das ações ou opções a
atribuir, existência de incentivos para a aquisição de ações e ou o exercício de opções).
Não aplicável.
87. Direitos de opção atribuídos para a aquisição de ações (‘stock options’) de que sejam
beneficiários os trabalhadores e colaboradores da empresa.
Não aplicável.
88. Mecanismos de controlo previstos num eventual sistema de participação dos
trabalhadores no capital na medida em que os direitos de voto não sejam exercidos
diretamente por estes (art. 245.º-A, n.º 1, al. e).
Não existe também na Navigator qualquer mecanismo de participação dos Trabalhadores no seu
capital.
E. TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS E CONFLITOS DE INTERESSES
I. Mecanismos e procedimentos de controlo
89. Mecanismos implementados pela sociedade para efeitos de controlo de transações
com partes relacionadas (Para o efeito remete-se para o conceito resultante da IAS 24).
Vigora na Sociedade um Regulamento sobre Conflitos de Interesses e Transações com Partes
Relacionadas, através do qual foram definidas as regras relativas a conflitos de interesses e
transações com partes relacionadas, em que seja parte a Sociedade, em complemento dos
mecanismos internos que a Sociedade tem em vigor para efeitos do cumprimento da norma
internacional de contabilidade IAS 24 (Divulgações de Partes Relacionadas), e é aplicável sem
prejuízo das obrigações da Sociedade e dos seus dirigentes em matéria de Informação Privilegiada,
do regime legal de negócios da Sociedade com administradores, e do regulamento interno relativo
à Comunicação de Irregularidades e da demais legislação aplicável nesta matéria. Este regulamento
foi alterado em 2020 virtude das alterações decorrentes da Lei n.º 50/2020, de 25 de agosto, e em
2021 por deliberação do Conselho de Administração, de dezembro de 2021, com parecer favorável
e vinculativo do Conselho Fiscal, contemplando o regime legal e regulamentar aplicável em vigor
sobre esta matéria.
O referido regulamento encontra-se disponível para consulta na página de internet da Sociedade
(www.thenavigatorcompany.com/Investidores/Governo-da-Sociedade).
Nos termos do Regulamento sobre Conflito de Interesses e Transações com Partes Relacionadas, as
transações, entre a Sociedade e partes relacionadas, qualificadas como tal pelas normas
internacionais de contabilidade adotadas nos termos do Regulamento (CE) n.º 1606/2002, do
Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de julho, designadamente pela norma internacional de
contabilidade IAS 24 (Divulgações de Partes Relacionadas), estão sujeitas aos seguintes
procedimentos de aprovação:
São aprovadas pela Comissão Executiva as seguintes transações:
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 173
a) Empréstimos realizados à Sociedade por sociedades suas acionistas, de valor igual ou
inferior a cem milhões de euros;
b) Transações no âmbito do regime de tributação dos grupos de sociedades, de valor igual ou
inferior a cem milhões de euros;
c) Transações realizadas com sociedades controladas que consolidem contas com a Sociedade,
de valor, individual ou acumulado anual, igual ou inferior a dois por cento do volume de
negócios da sociedade controlada, apurado de acordo com as últimas contas anuais
aprovadas;
d) Empréstimos a sociedades controladas que consolidem contas com a Sociedade e, bem
assim, subscrição de dívida das mesmas, (i) de prazo inferior a seis meses, (ii) valor,
individual ou acumulado anual, inferior a um quinto do volume de negócios da respetiva
sociedade controlada, apurado de acordo com as últimas contas anuais aprovadas, e que
não exceda cem milhões de euros, e (iii) desde que a sociedade controlada assegure linhas
de crédito para o reembolso da operação; e
e) Quaisquer outras transações cujo valor, individual ou acumulado anual, seja igual ou inferior
a um milhão de euros.
As transações que (i) não caibam no âmbito das alíneas anteriores, ou (ii) caibam nessas alíneas,
mas não sejam realizadas no âmbito da atividade corrente da Sociedade, são aprovadas por
deliberação do Conselho de Administração precedida de parecer favorável do Conselho Fiscal.
Nos termos do referido regulamento apenas são permitidas transações realizadas em condições de
mercado e se existir justificado interesse próprio da Sociedade.
No que respeita aos procedimentos de informação, verificação e formalização das transações com
partes relacionadas, dispõe o regulamento que:
− O Conselho de Administração é informado semestralmente das deliberações relativas a
transações em que não tenha participado;
− O Conselho Fiscal é informado das transações que a Sociedade efetue para efeitos da
verificação da conformidade da realização das transações com o regime descrito supra e
com a legislação e regulamentação aplicável, sendo que as partes relacionadas não poderão
participar na verificação em causa;
− Compete ainda aos dirigentes da Sociedade que intervêm na formalização de transações
com partes relacionadas assegurar que as transações são previamente submetidas às
deliberações exigidas pelo regulamento e na legislação e regulamentação aplicável; e
− A formalização e execução das deliberações de transações com partes relacionadas deve ser
objeto de especial acompanhamento por parte da Comissão Executiva.
A Sociedade divulgará as transações que devam ser divulgadas nos termos da legislação e
regulamentação aplicável, designadamente por não terem preenchido algum dos requisitos
legalmente previstos e em função do valor em causa, nos termos e prazo previstos na legislação e
regulamentação aplicável.
O regulamento não será aplicável às transações tratadas como isentas pela legislação e
regulamentação aplicável.
No que respeita aos procedimentos aplicáveis em matéria de conflitos de interesses, o referido
regulamento prevê que existe uma situação de conflito sempre que algum dirigente se encontra
numa posição que, vista de forma objetiva, é suscetível de comprometer a sua independência e de
causar no seu juízo influência de interesses distintos dos interesses da Sociedade, sejam esses
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 174
interesses patrimoniais ou não, próprios ou alheios. Para efeitos da sua adequada prevenção,
identificação e resolução, o dirigente deve:
− Comunicar a existência de um conflito de interesses, ainda que potencial, ao seu superior
hierárquico ou, tratando-se de membro de órgão colegial, ao órgão em causa, nos termos
dos respetivos regulamentos de funcionamento; e
− Abster-se de interferir ou participar caso esteja em causa uma situação de conflito de
interesses e, caso se trate de um processo de decisão, fazer constar esse impedimento de
ata ou de outro documento escrito que documente a decisão, sem prejuízo do dever de
prestar as informações e os esclarecimentos que o órgão em causa e os respetivos membros
lhe solicitarem.
Acresce ainda que todos os regulamentos de funcionamento dos órgãos sociais e comissões internas
consagram disposições sobre conflitos de interesses de harmonia com as regras acima descritas.
90. Indicação das transações que foram sujeitas a controlo no ano de referência.
Em 2021, não houve outras transações sujeitas a controlo dado que, por aplicação dos critérios
referidos no ponto 91 infra, nenhum dos negócios da Sociedade com Acionistas titulares de
participação qualificada, ou com entidades que estejam em qualquer relação com a Sociedade, nos
termos do artigo 20.º do Código dos Valores Mobiliários, estava sujeito a parecer prévio do Conselho
Fiscal.
Refira-se ainda que não existiram quaisquer negócios entre a Sociedade e titulares de participação
qualificada fora das condições normais de mercado.
91. Descrição dos procedimentos e critérios aplicáveis à intervenção do órgão de
fiscalização para efeitos da avaliação prévia dos negócios a realizar entre a sociedade e
titulares de participação qualificada ou entidades que com eles estejam em qualquer
relação, nos termos do artigo 20.º do Código dos Valores Mobiliários.
Os procedimentos e critérios aplicáveis à intervenção do órgão de fiscalização para efeitos da
avaliação prévia dos negócios a realizar entre a Sociedade e titulares de participação qualificada ou
entidades que com eles estejam em qualquer relação, nos termos do artigo 20.º do Código dos
Valores Mobiliários estão descritos no ponto 89.
II. Elementos relativos aos negócios
92. Indicação do local dos documentos de prestação de contas onde está disponível
informação sobre os negócios com partes relacionadas, de acordo com a IAS 24, ou,
alternativamente, reprodução dessa informação.
A informação disponível sobre os negócios com partes relacionadas está incluída no Relatório &
Contas da Sociedade, nas Notas às Demonstrações Financeiras Consolidadas, mais concretamente
na Nota 11.3.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 175
PARTE II – AVALIAÇÃO DO GOVERNO SOCIETÁRIO
1. IDENTIFICAÇÃO DO CÓDIGO DE GOVERNO DAS SOCIEDADES ADOTADO
Em 2018, a Navigator adotou o Código de Governo das Sociedades do Instituto Português de
Corporate Governance (IPCG) de 2018, nos termos e para os efeitos do artigo 2.º do Regulamento
da CMVM n.º 4/2013.
O Código adotado foi revisto pelo IPCG em 2020. É divulgado pelo IPCG e pode ser acedido no
respetivo site, em cam.cgov.pt/images/ficheiros/2020/revisao_codigo_pt_2018_ebook.pdf.
2. ANÁLISE DE CUMPRIMENTO DO CÓDIGO DE GOVERNO DAS SOCIEDADES
ADOTADO
A Navigator adotou a maioria das Recomendações do Código de Governo das Sociedades do IPCG.
No quadro abaixo são discriminados os Princípios e Recomendações desse Código sendo indicadas
as Recomendações adotadas, não aplicáveis e não adotadas, e feita uma remissão para os pontos
deste Relatório onde a matéria se encontra desenvolvida. Em relação às Recomendações não
adotadas, indica-se depois do quadro a respetiva justificação de não acolhimento e eventual
mecanismo equivalente ao explain adotado.
Cumprimento
Observações
CAPÍTULO I – PARTE GERAL
Princípio geral
O governo societário deve promover e potenciar o desempenho das sociedades, bem como do mercado de
capitais, e sedimentar a confiança dos investidores, dos trabalhadores e do público em geral na qualidade e
transparência da administração e da fiscalização e no desenvolvimento sustentado das sociedades.
I.1. Relação da sociedade com investidores e informação
Princípio
As sociedades e, em particular, os seus administradores devem tratar de forma equitativa os acionistas e
restantes investidores, assegurando designadamente mecanismos e procedimentos para o adequado
tratamento e divulgação da informação.
Recomendação
I.1.1. A sociedade deve instituir mecanismos que assegurem, de forma
adequada e rigorosa, a atempada divulgação de informação aos seus
órgãos sociais, aos Acionistas, aos investidores e demais Stakeholders,
aos analistas financeiros e ao mercado em geral.
Adotada
Parte I, n.
os
21,
22, 38 e 56 a 65
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 176
Cumprimento
Observações
I.2. Diversidade na composição e funcionamento dos órgãos da sociedade
Princípios
I.2.A. As sociedades asseguram a diversidade na composição dos respetivos órgãos de governo e a adoção
de critérios de mérito individual nos respetivos processos de designação, os quais são da exclusiva
competência dos acionistas.
I.2.B. As sociedades devem ser dotadas de estruturas decisórias claras e transparentes e assegurar a
máxima eficácia do funcionamento dos seus órgãos e comissões.
I.2.C. As sociedades asseguram que o funcionamento dos seus órgãos e comissões é devidamente
registado, designadamente em atas, que permitam conhecer não só o sentido das decisões tomadas, mas
também os seus fundamentos e as opiniões expressas pelos seus membros.
Recomendações
I.2.1. As sociedades devem estabelecer critérios e requisitos relativos
ao perfil de novos membros dos órgãos societários adequados à função
a desempenhar, sendo que, além de atributos individuais (como
competência, independência, integridade, disponibilidade e
experiência), esses perfis devem considerar requisitos de diversidade,
dando particular atenção ao do género, que possam contribuir para a
melhoria do desempenho do órgão e para o equilíbrio na respetiva
composição.
Adotada
Parte I, n.º 16
I.2.2. Os órgãos de administração e de fiscalização e as suas comissões
internas devem dispor de regulamentos internos - nomeadamente
sobre o exercício das respetivas atribuições, presidência, periodicidade
de reuniões, funcionamento e quadro de deveres dos seus membros -
divulgados na íntegra no sítio de internet da sociedade, devendo ser
elaboradas atas das respetivas reuniões.
Adotada
Parte I, n.
os
22,
27, 29, 34 e 38
I.2.3. A composição e o número de reuniões anuais dos órgãos de
administração, de fiscalização e das suas comissões internas devem ser
divulgados através do sítio de internet da sociedade.
Adotada
Parte I, n.
os
22,
27, 34 e 61
I.2.4. Deve ser adotada uma política de comunicação de
irregularidades (whistleblowing) que garanta os meios adequados para
a comunicação e tratamento das mesmas com salvaguarda da
confidencialidade das informações transmitidas e da identidade do
transmitente, sempre que esta seja solicitada.
Adotada
Parte I, n.
os
49,
50, 54 e 89
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 177
Cumprimento
Observações
I.3. Relação entre órgãos da sociedade
Princípio
Os membros dos órgãos sociais, mormente os administradores, deverão criar as condições para que, na
medida das responsabilidades de cada órgão, seja assegurada a tomada de medidas ponderadas e eficientes
e, de igual modo, para que os vários órgãos da sociedade atuem de forma harmoniosa, articulada e com a
informação adequada ao exercício das respetivas funções.
Recomendações
I.3.1 Os estatutos ou outras vias equivalentes adotadas pela
sociedade devem estabelecer mecanismos para garantir que, dentro
dos limites da legislação aplicável, seja permanentemente assegurado
aos membros dos órgãos de administração e de fiscalização o acesso a
toda a informação e colaboradores da sociedade para a avaliação do
desempenho, da situação e das perspetivas de desenvolvimento da
sociedade, incluindo, designadamente, as atas, a documentação de
suporte às decisões tomadas, as convocatórias e o arquivo das reuniões
do órgão de administração executivo, sem prejuízo do acesso a
quaisquer outros documentos ou pessoas a quem possam ser
solicitados esclarecimentos.
Adotada
Parte I, n.
os
21,
22 e 38
I.3.2. Cada órgão e comissão da sociedade deve assegurar, atempada
e adequadamente, o fluxo de informação, desde logo das respetivas
convocatórias e atas, necessário ao exercício das competências legais
e estatutárias de cada um dos restantes órgãos e comissões.
Adotada
Parte I, n.
os
21,
22, 27 e 38
I.4. Conflitos de Interesses
Princípio
Deve ser prevenida a existência de conflitos de interesses, atuais ou potenciais, entre os membros de
órgãos ou comissões societárias e a sociedade. Deve garantir-se que o membro em conflito não interfere no
processo de decisão.
Recomendações
I.4.1. Por regulamento interno ou via equivalente, os membros dos
órgãos de administração e de fiscalização e das comissões internas
ficam vinculados a informar o respetivo órgão ou comissão sempre que
existam factos que possam constituir ou dar causa a um conflito entre
os seus interesses e o interesse social.
Adotada
Parte I, n.º 89
I.4.2. Deverão ser adotados procedimentos que garantam que o
membro em conflito não interfere no processo de decisão, sem prejuízo
do dever de prestação de informações e esclarecimentos que o órgão,
a comissão ou os respetivos membros lhe solicitarem.
Adotada
Parte I, n.º 89
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 178
Cumprimento
Observações
I.5. Transações com Partes Relacionadas
Princípio
Pelos potenciais riscos que comportam, as transações com partes relacionadas devem ser justificadas pelo
interesse da sociedade e realizadas em condições de mercado, sujeitando-se a princípios de transparência e
a adequada fiscalização.
Recomendações
I.5.1. O órgão de administração deve divulgar, no relatório de governo
ou por outra via publicamente disponível, o procedimento interno de
verificação das transações com partes relacionadas.
Adotada
Parte I, n.
os
38 e
89 a 91
I.5.2. O órgão de administração deve comunicar ao órgão de
fiscalização os resultados do procedimento interno de verificação das
transações com partes relacionadas, incluindo as transações objeto de
análise, com periodicidade pelo menos semestral.
Adotada
Recomendação
não aplicável,
face ao disposto
na Nota n.º 3
sobre
Interpretação
do Código
de Governo das
Sociedades IPCG
2018 (revisto
em 2020)
Capítulo II. ACIONISTAS E ASSEMBLEIA GERAL
Princípios
II.A. O adequado envolvimento dos acionistas no governo societário constitui um fator positivo de governo
societário, enquanto instrumento para o funcionamento eficiente da sociedade e para a realização do fim
social.
II.B. A sociedade deve promover a participação pessoal dos acionistas nas reuniões da Assembleia Geral,
enquanto espaço de comunicação dos acionistas com os órgãos e comissões societários e de reflexão sobre
a sociedade.
II.C. A sociedade deve implementar meios adequados para a participação e o voto à distância dos
acionistas na assembleia.
Recomendações
II.1. A sociedade não deve fixar um número excessivamente elevado
de ações necessárias para conferir direito a um voto, devendo explicitar
no relatório de governo a sua opção sempre que a mesma implique
desvio ao princípio de que a cada ação corresponde um voto.
Adotada
Parte I, n.
os
12 e
13
II.2. A sociedade não deve adotar mecanismos que dificultem a
tomada de deliberações pelos seus acionistas, designadamente fixando
um quórum deliberativo superior ao previsto por lei.
Adotada
Parte I, n.º 14
II.3. A sociedade deve implementar meios adequados para a
participação dos acionistas na Assembleia Geral à distância, em termos
proporcionais à sua dimensão.
Adotada
Parte I, n.º 12
II.4. A sociedade deve ainda implementar meios adequados para o
exercício do direito de voto à distância, incluindo por correspondência e
por via eletrónica.
Adotada
Parte I, n.º 12
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 179
Cumprimento
Observações
II.5. Os estatutos da sociedade que prevejam a limitação do número
de votos que podem ser detidos ou exercidos por um único acionista,
de forma individual ou em concertação com outros acionistas, devem
prever igualmente que, pelo menos de cinco em cinco anos, seja sujeita
a deliberação pela assembleia geral a alteração ou a manutenção dessa
disposição estatutária — sem requisitos de quórum agravado
relativamente ao legal — e que, nessa deliberação, se contam todos os
votos emitidos sem que aquela limitação funcione.
Adotada
Parte I, n.
os
5, 13
e 14
II.6. Não devem ser adotadas medidas que determinem pagamentos
ou a assunção de encargos pela sociedade em caso de transição de
controlo ou de mudança da composição do órgão de administração e
que se afigurem suscetíveis de prejudicar o interesse económico na
transmissão das ações e a livre apreciação pelos acionistas do
desempenho dos administradores.
Adotada
Parte I, n.
os
4, 83
e 84
Capítulo III - ADMINISTRAÇÃO NÃO EXECUTIVA E FISCALIZAÇÃO
Princípios
III.A. Os membros de órgãos sociais com funções de administração não executiva e de fiscalização devem
exercer, de modo efetivo e criterioso, uma função fiscalizadora e de desafio à gestão executiva para a plena
realização do fim social, devendo tal atuação ser complementada por comissões em áreas centrais do
governo da sociedade.
III.B. A composição do órgão de fiscalização e o conjunto dos administradores não executivos devem
proporcionar à sociedade uma equilibrada e adequada diversidade de competências, conhecimentos e
experiências profissionais.
III.C. O órgão de fiscalização deve desenvolver uma fiscalização permanente da administração da
sociedade, também numa perspetiva preventiva, acompanhando a atividade da sociedade e, em particular,
as decisões de fundamental importância para a sociedade.
Recomendações
III.1. Sem prejuízo das funções legais do presidente do conselho de
administração, se este não for independente, os administradores
independentes devem designar entre si um coordenador para,
designadamente, (i) atuar, sempre que necessário, como interlocutor
com o presidente do conselho de administração e com os demais
administradores; (ii) zelar por que disponham do conjunto de condições
e meios necessários ao desempenho das suas funções; e (iii) coordená-
los na avaliação do desempenho pelo órgão de administração prevista
na recomendação V.1.1.
Não adotada
Explicação das
Recomendações
não adotadas
infra
III.2. O número de membros não executivos do órgão de
administração, bem como o número de membros do órgão de
fiscalização e o número de membros da comissão para as matérias
financeiras deve ser adequado à dimensão da sociedade e à
complexidade dos riscos inerentes à sua atividade, mas suficiente para
assegurar com eficiência as funções que lhes estão cometidas, devendo
constar do relatório de governo a formulação deste juízo de adequação.
Adotada
Parte I, n.
os
18,
31, 50, 51 e 54
III.3. Em todo o caso, o número de administradores não executivos
deve ser superior ao de administradores executivos.
Adotada
Parte I, n.º 18
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 180
Cumprimento
Observações
III.4. Cada sociedade deve incluir um número não inferior a um terço,
mas sempre plural, de administradores não executivos que cumpram
os requisitos de independência. Para efeitos desta recomendação,
considera-se independente a pessoa que não esteja associada a
qualquer grupo de interesses específicos na sociedade, nem se encontre
em alguma circunstância suscetível de afetar a sua isenção de análise
ou de decisão, nomeadamente em virtude de:
i. Ter exercido durante mais de doze anos, de forma contínua ou
intercalada, funções em qualquer órgão da sociedade;
ii. Ter sido colaborador da sociedade ou de sociedade que com ela se
encontre em relação de domínio ou de grupo nos últimos três anos;
iii. Ter, nos últimos três anos, prestado serviços ou estabelecido
relação comercial significativa com a sociedade ou com sociedade que
com esta se encontre em relação de domínio ou de grupo, seja de forma
direta ou enquanto sócio, administrador, gerente ou dirigente de pessoa
coletiva;
iv. Ser beneficiário de remuneração paga pela sociedade ou por
sociedade que com ela se encontre em relação de domínio ou de grupo
para além da remuneração decorrente do exercício das funções de
administrador;
v. Viver em união de facto ou ser cônjuge, parente ou afim na linha
reta e até ao 3.º grau, inclusive, na linha colateral, de administradores
da sociedade, de administradores de pessoa coletiva titular de
participação qualificada na sociedade ou de pessoas singulares titulares
direta ou indiretamente de participação qualificada;
vi. Ser titular de participação qualificada ou representante de um
acionista titular de participações qualificadas.
Adotada
Parte I, n.º 18
III.5. O disposto no parágrafo (i) da recomendação III.4 não obsta à
qualificação de um novo administrador como independente se, entre o
termo das suas funções em qualquer órgão da sociedade e a sua nova
designação, tiverem, entretanto, decorrido pelo menos três anos
(cooling-off period).
Não aplicável
Parte I, n.º 18
III.6. Com respeito pelas competências que lhe são conferidas por lei,
o órgão de fiscalização avalia e pronuncia-se sobre as linhas
estratégicas e a política de risco, previamente à sua aprovação final
pelo órgão de administração.
Adotada
Parte I, n.
os
38 e
50
III.7. As sociedades devem dispor de comissões especializadas em
matéria de governo societário, nomeações e avaliação de desempenho,
separada ou cumulativamente. No caso de ter sido criada a comissão
de remunerações prevista pelo artigo 399º do Código das Sociedades
Comerciais, e de tal não ser proibido por lei, esta recomendação pode
ser cumprida mediante a atribuição a esta comissão de competência
nas referidas matérias.
Adotada
Parte I, n.
os
21,
27 e 29
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 181
Cumprimento
Observações
Capítulo IV - ADMINISTRAÇÃO EXECUTIVA
Princípios
IV.A. Como forma de aumentar a eficiência e a qualidade do desempenho do órgão de administração e o
adequado fluxo de informação para este órgão, a gestão corrente da sociedade deve pertencer a
administradores executivos com as qualificações, competências e a experiência adequadas à função. À
administração executiva compete gerir a sociedade, prosseguindo os objetivos da sociedade e visando
contribuir para o seu desenvolvimento sustentável.
IV.B. Na determinação do número de administradores executivos, devem ser ponderados, além dos custos
e da desejável agilidade de funcionamento da administração executiva, a dimensão da empresa, a
complexidade da sua atividade e a sua dispersão geográfica.
Recomendações
IV.1. O órgão de administração deve aprovar, através de regulamento
interno ou mediante via equivalente, o regime de atuação dos
administradores executivos aplicável ao exercício por estes de funções
executivas em entidades fora do grupo.
Adotada
Parte I, n.º 22
IV.2. O órgão de administração deve assegurar que a sociedade atua
de forma consentânea com os seus objetivos e não deve delegar
poderes, designadamente, no que respeita a: i) definição da estratégia
e das principais políticas da sociedade; ii) organização e coordenação
da estrutura empresarial; iii) matérias que devam ser consideradas
estratégicas em virtude do seu montante, risco ou características
especiais.
Adotada
Parte I, n.
os
21 e
22
IV.3. No relatório anual, o órgão de administração explicita em que
termos a estratégia e as principais políticas definidas procuram
assegurar o êxito a longo prazo da sociedade e quais os principais
contributos daí resultantes para a comunidade em geral.
Adotada
Parte I, n.º 21
Relatório
de Gestão
Relatório de
Sustentabilidade,
nomeadamente:
págs. 3, 4-6, 8,
10, 22, 48, 50,
52, secção 6
Capítulo V - AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO, REMUNERAÇÕES E NOMEAÇÕES
V.1. Avaliação anual de desempenho
Princípio
A sociedade deve promover a avaliação do desempenho do órgão executivo e dos seus membros
individualmente e ainda do desempenho global do órgão de administração e das comissões especializadas
constituídas no seu seio.
Recomendação
O órgão de administração deve avaliar anualmente o seu desempenho,
bem como o desempenho das suas comissões e dos administradores
executivos, tendo em conta o cumprimento do plano estratégico da
sociedade e do orçamento, a gestão de riscos, o seu funcionamento
interno e o contributo de cada membro para o efeito, e o relacionamento
entre órgãos e comissões da sociedade.
Adotada
Parte I, n.
os
22,
24 e 25
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 182
Cumprimento
Observações
V.2. Remunerações
Princípios
V.2.A. A política de remuneração dos membros dos órgãos de administração e de fiscalização deve permitir
à sociedade atrair, a um custo economicamente justificável pela sua situação, profissionais qualificados,
induzir o alinhamento de interesses com os dos acionistas — tomando em consideração a riqueza
efetivamente criada pela sociedade, a situação económica e a do mercado — e constituir um fator de
desenvolvimento de uma cultura de profissionalização, de sustentabilidade, de promoção do mérito e de
transparência na sociedade.
V.2.B. Os administradores devem receber uma remuneração:
i) que retribua adequadamente a responsabilidade assumida, a disponibilidade e a competência colocadas
ao serviço da sociedade;
ii) que garanta uma atuação alinhada com os interesses de longo prazo dos acionistas e promova a atuação
sustentável da sociedade; e
iii.) que premeie o desempenho.
Recomendações
V.2.1. A sociedade deve constituir uma comissão de remunerações,
cuja composição assegure a sua independência em face da
administração, podendo tratar-se da comissão de remunerações
designada nos termos do artigo 399.º do Código das Sociedades
Comerciais.
Adotada
Parte I, n.
os
24,
27, 66 e 67
V.2.2. A fixação das remunerações deve competir à comissão de
remunerações ou à assembleia geral, sob proposta daquela comissão.
Adotada
Parte I, n.
os
24,
27, 66 e 67
V.2.3. Para cada mandato, a comissão de remunerações ou a
assembleia geral, sob proposta daquela comissão, deve igualmente
aprovar o montante máximo de todas as compensações a pagar ao
membro de qualquer órgão ou comissão da sociedade em virtude da
respetiva cessação de funções, procedendo-se à divulgação da referida
situação e montantes no relatório de governo ou no relatório de
remunerações.
Não adotada
Explicação das
Recomendações
não adotadas
infra
V.2.4. A fim de prestar informações ou esclarecimentos aos acionistas,
o presidente ou, no seu impedimento, outro membro da comissão de
remunerações deve estar presente na assembleia geral anual e em
quaisquer outras se a respetiva ordem de trabalhos incluir assunto
conexo com a remuneração dos membros dos órgãos e comissões da
sociedade ou se tal presença tiver sido requerida por acionistas.
Adotada
Parte I, n.º 76
V.2.5. Dentro das limitações orçamentais da sociedade, a comissão de
remunerações deve poder decidir livremente a contratação, pela
sociedade, dos serviços de consultadoria necessários ou convenientes
para o exercício das suas funções.
Adotada
Parte I, n.º 66
V.2.6. A comissão de remunerações deve assegurar que aqueles
serviços são prestados com independência e que os respetivos
prestadores não serão contratados para a prestação de quaisquer
outros serviços à própria sociedade ou a outras que com ela se
encontrem em relação de domínio ou de grupo sem autorização
expressa da comissão.
Adotada
Parte I, n.º 66
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 183
Cumprimento
Observações
V.2.7. Tendo em vista o alinhamento de interesses entre a sociedade e
os administradores executivos, uma parte da remuneração destes deve
ter natureza variável que reflita o desempenho sustentado da sociedade
e não estimule a assunção de riscos excessivos.
Adotada
Parte I, n.
os
70,
71 e 75, Anexo II
V.2.8. Uma parte significativa da componente variável deve ser
parcialmente diferida no tempo, por um período não inferior a três anos,
associando-a, necessariamente, à confirmação da sustentabilidade do
desempenho, nos termos definidos em regulamento interno da
sociedade.
Não adotada
Explicação das
Recomendações
não adotadas
infra
V.2.9. Quando a remuneração variável compreender opções ou outros
instrumentos direta ou indiretamente dependentes do valor das ações,
o início do período de exercício deve ser diferido por um prazo não
inferior a três anos.
Não aplicável
Parte I, n.
os
73
e 74
V.2.10. A remuneração dos administradores não executivos não deve
incluir nenhuma componente cujo valor dependa do desempenho da
sociedade ou do seu valor.
Adotada
Parte I, n.º 71
V.3. Nomeações
Princípio
Independentemente do modo de designação, o perfil, conhecimentos e currículo dos membros dos órgãos
sociais e dos quadros dirigentes devem adequar-se à função a desempenhar.
Recomendações
V.3.1. A sociedade deve, nos termos que considere adequados, mas de
forma suscetível de demonstração, promover que as propostas para
eleição dos membros dos órgãos sociais sejam acompanhadas de
fundamentação a respeito da adequação do perfil, conhecimentos e
currículo à função a desempenhar por cada candidato.
Adotada
Parte I, n.º 16
V.3.2. A não ser que a dimensão da sociedade o não justifique, a função
de acompanhamento e apoio às designações de quadros dirigentes deve
ser atribuída a uma comissão de nomeações.
Adotada
Parte I, n.º 29
V.3.3. Esta comissão inclui uma maioria de membros não executivos
independentes.
Não adotada
Explicação das
Recomendações
não adotadas
infra
V.3.4. A comissão de nomeações deve disponibilizar os seus termos de
referência e deve induzir, na medida das suas competências, processos
de seleção transparentes que incluam mecanismos efetivos de
identificação de potenciais candidatos, e que sejam escolhidos para
proposta os que apresentem maior mérito, melhor se adequem às
exigências da função e promovam, dentro da organização, uma
diversidade adequada incluindo de género.
Adotada
Parte I, n.º 16 e
29
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 184
Cumprimento
Observações
CAPÍTULO VI – CONTROLO INTERNO
Princípio
Tendo por base a estratégia de médio e longo prazo, a sociedade deverá instituir um sistema de gestão e
controlo de risco e de auditoria interna que permita antecipar e minimizar os riscos inerentes à atividade
desenvolvida.
Recomendações
VI.1. O órgão de administração deve debater e aprovar o plano
estratégico e a política de risco da sociedade, que inclua a fixação de
limites em matéria de assunção de riscos.
Adotada
Parte I, n.
os
22,
24 e 50
VI.2. O órgão de fiscalização deve organizar-se internamente,
implementando mecanismos e procedimentos de controlo periódico
com vista a garantir que os riscos efetivamente incorridos pela
sociedade são consistentes com os objetivos fixados pelo órgão de
administração.
Adotada
Parte I, n.
os
38,
50 e 54
VI.3. O sistema de controlo interno, compreendendo as funções de
gestão de riscos, compliance e auditoria interna, deve ser estruturado
em termos adequados à dimensão da sociedade e à complexidade dos
riscos inerentes à sua atividade, devendo o órgão de fiscalização avaliá-
lo e, no âmbito da sua competência de fiscalização da eficácia deste
sistema, propor os ajustamentos que se mostrem necessários.
Adotada
Parte I, n.
os
50,
51, 52, 54 e 55
VI.4. O órgão de fiscalização deve pronunciar-se sobre os planos de
trabalho e os recursos afetos aos serviços do sistema de controlo
interno, incluindo às funções de gestão de riscos, compliance e auditoria
interna, podendo propor os ajustamentos que se mostrem necessários.
Adotada
Parte I, n.
os
38 e
50
VI.5. O órgão de fiscalização deve ser destinatário dos relatórios
realizados pelos serviços de controlo interno, incluindo as funções de
gestão de riscos, compliance e auditoria interna, pelo menos quando
estejam em causa matérias relacionadas com a prestação de contas, a
identificação ou a resolução de conflitos de interesses e a deteção de
potenciais irregularidades.
Adotada
Parte I, n.
os
45 e
50
VI.6. Tendo por base a sua política de risco, a sociedade deve instituir
uma função de gestão de riscos, identificando (i) os principais riscos a
que se encontra sujeita no desenvolvimento da sua atividade; (ii) a
probabilidade de ocorrência dos mesmos e o respetivo impacto; (iii) os
instrumentos e medidas a adotar tendo em vista a respetiva mitigação;
e (iv) os procedimentos de monitorização, visando o seu
acompanhamento.
Adotada
Parte I, n.
os
38 e
49 a 55
VI.7. A sociedade deve estabelecer procedimentos de fiscalização,
avaliação periódica e de ajustamento do sistema de controlo interno,
incluindo uma avaliação anual do grau de cumprimento interno e do
desempenho desse sistema, bem como da perspetiva de alteração do
quadro de risco anteriormente definido.
Adotada
Parte I, n.
os
38 e
49 a 55
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 185
Cumprimento
Observações
CAPÍTULO VII – INFORMAÇÃO FINANCEIRA
VII.1. Informação financeira
Princípios
VII.A. O órgão de fiscalização deve, com independência e de forma diligente, assegurar-se de que o órgão
de administração cumpre as suas responsabilidades na escolha de políticas e critérios contabilísticos
apropriados e no estabelecimento de sistemas adequados para o reporte financeiro, para a gestão de riscos,
para o controlo interno e para a auditoria interna.
VII.B. O órgão de fiscalização deve promover uma adequada articulação entre os trabalhos da auditoria
interna e da revisão legal de contas.
Recomendação
VII.1.1. O regulamento interno do órgão de fiscalização deve impor
que este fiscalize a adequação do processo de preparação e de
divulgação de informação financeira pelo órgão de administração,
incluindo a adequação das políticas contabilísticas, das estimativas, dos
julgamentos, das divulgações relevantes e sua aplicação consistente
entre exercícios, de forma devidamente documentada e comunicada.
Adotada
Parte I, n.º 38
VII.2. Revisão legal de contas e fiscalização
Princípio
Cabe ao órgão de fiscalização estabelecer e monitorizar procedimentos formais, claros e transparentes sobre
o relacionamento da sociedade com o revisor oficial de contas e a fiscalização do cumprimento por este das
regras de independência que a lei e as normas profissionais lhe impõem.
Recomendações
VII.2.1. Através de regulamento interno, o órgão de fiscalização deve
definir, nos termos do regime legal aplicável, os procedimentos de
fiscalização destinados a assegurar a independência do revisor oficial
de contas.
Adotada
Parte I, n.
os
37,
38 e 46
VII.2.2. O órgão de fiscalização deve ser o principal interlocutor do
revisor oficial de contas na sociedade e o primeiro destinatário dos
respetivos relatórios, competindo-lhe, designadamente, propor a
respetiva remuneração e zelar para que sejam asseguradas, dentro da
empresa, as condições adequadas à prestação dos serviços.
Adotada
Parte I n.
os
38 e
45
VII.2.3. O órgão de fiscalização deve avaliar anualmente o trabalho
realizado pelo revisor oficial de contas, a sua independência e
adequação para o exercício das funções e propor ao órgão competente
a sua destituição ou a resolução do contrato de prestação dos seus
serviços sempre que se verifique justa causa para o efeito.
Adotada
Parte I, n.
os
38 e
45
EXPLICAÇÃO DAS RECOMENDAÇÕES NÃO ADOTADAS
III.1. Sem prejuízo das funções legais do presidente do conselho de administração, se este
não for independente, os administradores independentes devem designar entre si um
coordenador para, designadamente, (i) atuar, sempre que necessário, como interlocutor
com o presidente do conselho de administração e com os demais administradores, (ii)
zelar por que disponham do conjunto de condições e meios necessários ao desempenho
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 186
das suas funções; e (iii) coordená-los na avaliação do desempenho pelo órgão de
administração prevista na recomendação V.1.1.
Atendendo às especificidades da Sociedade, nomeadamente a sua natureza familiar e concentração
da respetiva estrutura de capital, e ao número total de administradores não executivos e, de entre
estes, de administradores independentes, e, bem assim, às características e atual posicionamento
do Presidente do Conselho de Administração, considera a Sociedade que a designação de um
coordenador seria desajustada e almejaria apenas o mero cumprimento formal da presente
recomendação, no qual a Sociedade não se reveria.
Na realidade e como já vem referido no presente Relatório, existem instituídas na Sociedade várias
regras e procedimentos que permitem uma articulação estreita e regular entre os vários membros
do Conselho de Administração, designadamente entre o respetivo presidente e os demais
administradores, e a existência das condições e meios necessários ao desempenho das suas funções.
Assim, esta recomendação não é formalmente adotada pela Sociedade, sendo, no entanto, atingidos
todos os objetivos dela decorrentes.
V.2.3. Para cada mandato, a comissão de remunerações ou a assembleia geral, sob
proposta daquela comissão, deve igualmente aprovar o montante máximo de todas as
compensações a pagar ao membro de qualquer órgão ou comissão da sociedade em
virtude da respetiva cessação de funções, procedendo-se à divulgação da referida
situação e montantes no relatório de governo ou no relatório de remunerações.
Esta recomendação não é cumprida dado que a Comissão de Fixação de Vencimentos, apesar de ser
matéria da sua competência, não definiu o montante máximo de todas as compensações a pagar ao
membro de qualquer órgão ou comissão da Sociedade em virtude da respetiva cessação de funções.
De facto, a Comissão de Fixação de Vencimentos nunca sentiu, até hoje, necessidade de criar uma
autolimitação relativamente ao referido montante máximo independentemente da forma de
cessação de funções que esteja em causa. A circunstância concreta a que se refere esta limitação
não é de verificação comum e, quando acontece, é sempre tão grande a sensibilidade e
especificidade que não pode deixar de se impor uma avaliação casuística, ainda que integrada no
regime geral remuneratório e com ponderação histórica.
Refira-se, no entanto, que no caso de destituição de administradores que não decorra de violação
grave de deveres do administrador nem de inaptidão para o exercício normal das respetivas funções,
a sociedade estará obrigada a pagar uma indemnização nos termos gerais de direito, sem que a
mesma possa exceder o montante das remunerações que presumivelmente receberia até ao final
do período para que foi eleito.
V.2.8. Uma parte significativa da componente variável deve ser parcialmente diferida no
tempo, por um período não inferior a três anos, associando-a, necessariamente, à
confirmação da sustentabilidade do desempenho, nos termos definidos em regulamento
interno da sociedade.
A justificação para a não adoção desta recomendação vem explicada na política de remunerações
em vigor, que corresponde ao Anexo II deste Relatório, cuja parte relevante a seguir se transcreve:
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“É já abundante a literatura que defende o diferimento do pagamento da parte variável da
remuneração para um momento posterior, que permita de alguma forma estabelecer uma relação
mais direta entre a remuneração e o impacto da gestão na sociedade num prazo mais alargado.
Aceitamos o princípio em abstrato como bom, mas o elemento histórico, associado à estabilidade e
à prática que vem sendo já seguida com sucesso há muitos anos sem esse elemento de diferimento,
leva a que essa opção não seja tomada por agora.
Quanto à obrigação de restituição de remuneração variável já entregue, e sem prejuízo do regime
legal aplicável, não está instituído qualquer mecanismo que permita à sociedade solicitar a mesma
aos respetivos membros da administração.”
A recomendação não é assim acolhida pela Sociedade, sem prejuízo de assegurar a substância que
a justifica em medida ainda maior do que resultaria do seu cumprimento.
Refira-se ainda que o resultado consolidado do exercício da Navigator tem vindo a ser sempre de
forma reiterada e consistente muito positivo, evidenciando a sustentabilidade de desempenho que
a Recomendação visa acautelar. Resulta, pois, deste histórico que o possível diferimento parcial, por
um período não inferior a três anos, da componente variável da remuneração, não teria tido impacto
no direito à componente variável pelos administradores da Navigator.
Importa, no entanto, esclarecer que a Navigator se encontra a analisar o modelo de diferimento do
pagamento de parte da remuneração variável, tendo em vista a sua eventual implementação.
V.3.3. Esta comissão inclui uma maioria de membros não executivos independentes.
A Comissão de Nomeações e Avaliações da Sociedade é integralmente composta por administradores
não executivos, mas apenas um é independente – Mariana Rita Antunes Marques dos Santos. Na
escolha dos membros dessa Comissão privilegiou-se a diversidade de perfis (idade, género,
qualificações, experiência e percurso profissional), assegurando-se que todos possuem plena isenção
de análise e de decisão e demonstrada integridade de carácter.
A Sociedade considera que esta diversidade de perfis, aliada ao facto de a Comissão de Nomeações
e Avaliações recorrer, sempre que necessário, a estudos de mercados e à análise de situações
comparáveis dentro do Grupo, é bastante para garantir que as suas análises estão alinhadas com
as melhores práticas e fortalecem a tomada de decisão independente e isenta.
Relatório e Contas 2021
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PARTE III – OUTRAS INFORMAÇÕES
Não existem outros elementos ou informações adicionais que sejam relevantes para a compreensão
do modelo e das práticas de governo adotadas.
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ANEXO 1 – Informações a que se refere o artigo 447.º
do Código das Sociedades Comerciais
1) INFORMAÇÕES A QUE SE REFEREM O ARTIGO 447.º DO CÓDIGO DAS SOCIEDADES
COMERCIAIS (POR REFERÊNCIA AO EXERCÍCIO DE 2021)
Valores mobiliários da Sociedade detidos pelos titulares dos órgãos sociais:
− António José Pereira Redondo: 6.000 ações
− Adriano Augusto da Silva Silveira: 2.000 ações
2) INFORMAÇÕES SOBRE AÇÕES PRÓPRIAS (ao abrigo do artigo 66.º e do n.º 2 do artigo 324.º,
ambos do Código das Sociedades Comerciais)
Em 31 de dezembro de 2021, a Navigator não detinha ações próprias.
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ANEXO 2 – Declaração sobre política de remunerações
POLÍTICA DE REMUNERAÇÃO
DOS MEMBROS DO ÓRGÃO DE ADMINISTRAÇÃO E FISCALIZAÇÃO
DA NAVIGATOR
(2021-2024)
I. Introdução
A Comissão de Fixação de Vencimentos da Navigator tem vindo a elaborar uma declaração
sobre política de remuneração desde 2008, inicialmente no âmbito de uma recomendação da
CMVM, desde 2009 já com o enquadramento da Lei n.º 28/2009 de 19 de Junho e mais
recentemente em linha com as recomendações constantes do Código de Governo das
Sociedades do Instituto Português de Corporate Governance de 2018.
Com a entrada em vigor da Lei n.º 50/2020, de 25 de Agosto, e a consequente revogação da
Lei n.º 28/2009 de 19 de Junho, a Comissão de Fixação de Vencimentos da Navigator passa a
estar obrigada a elaborar uma Política de Remuneração dos seus membros dos órgãos de
administração e fiscalização em conformidade com o novo regime legal.
Refira-se que, com a revisão ocorrida em 2020 ao Código de Governo das Sociedades do
Instituto Português de Corporate Governance, e tendo em vista a necessária harmonização com
a Lei n.º 50/2020, de 25 de Agosto, o conteúdo da política de remuneração deixa de ter uma
base recomendatória.
A presente Política de Remuneração é assim o reflexo dos trabalhos desenvolvidos pela
Comissão de Fixação de Vencimentos, com base na anterior declaração sobre a política de
remuneração e tendo em conta o referido novo enquadramento.
Tendo em conta o percurso da Navigator, continuou-se a optar por uma conciliação entre, por
um lado, aquilo que são as novas tendências em termos de opções de remuneração de gestão,
e por outro, o peso da história, opções anteriores e as características próprias desta Empresa.
A elaboração da política de remuneração é da exclusiva competência da Comissão de Fixação
de Vencimentos, composta por três membros, todos eles independentes face à administração,
devendo esta ser aprovada pela Assembleia Geral, pelo menos de 4 em 4 anos e sempre que
ocorra uma alteração relevante da mesma.
Na sua atuação, designadamente na determinação, revisão e aplicação da Política a Comissão
de Fixação de Vencimentos observa a legislação aplicável e as políticas e regulamentos em vigor
na Navigator, nomeadamente, o regulamento sobre Conflitos de Interesses e Transações com
Partes Relacionadas, que dispõe de regras de atuação tendo em vista a prevenção, identificação
e resolução de conflitos de interesses entre a sociedade e os seus dirigentes.
II. Regime legal e estatutário
A presente política tem como enquadramento a já referida Lei n.º 50/2020, de 25 de Agosto,
que alterou o Código dos Valores Mobiliários (CVM).
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 191
Quanto àquele diploma legal, para além do que determina quanto à periodicidade da política e
sua aprovação e quanto à divulgação do seu teor, determina, no número 2 do artigo 26.º-C do
CVM, quanto ao seu conteúdo, que a Política tenha em consideração:
a) Explicação como contribui para a estratégia empresarial da sociedade, para os seus
interesses de longo prazo e para a sua sustentabilidade;
b) Explicitação da forma como as condições de emprego e de remuneração dos
trabalhadores da sociedade foram tidas em conta quando essa política foi
estabelecida;
c) Descrição das diferentes componentes da remuneração fixa e variável;
d) Explicitação de todos os bónus e outros benefícios, independentemente da sua
forma, que podem ser atribuídos aos membros dos órgãos de administração e
fiscalização, e indicar a respetiva proporção;
e) Indicação da duração dos contratos ou dos acordos com os membros dos órgãos de
administração e fiscalização, os períodos de pré-aviso aplicáveis, as cláusulas de
cessação e os pagamentos associados à cessação dos mesmos;
f) Indicação das principais características dos regimes de pensão complementar ou de
reforma antecipada.
Adicionalmente, o número 3 do artigo 26.º-C do CVM estipula que, caso seja prevista a
atribuição de remuneração variável a administradores, a política de remuneração deve
identificar:
a) Os critérios para a atribuição da remuneração variável, incluindo os critérios
financeiros e não financeiros e, se for caso disso, os critérios relacionados com a
responsabilidade social das empresas, de forma clara e abrangente, e explica a
forma como esses critérios contribuem para a estratégia empresarial da sociedade,
para os seus interesses de longo prazo e para a sua sustentabilidade;
b) Os métodos a aplicar para determinar em que medida os critérios de desempenho
foram cumpridos;
c) Os períodos de diferimento e a possibilidade de a sociedade solicitar a restituição de
remuneração variável já entregue.
Por outro lado, o número 4 do artigo 26.º-C do CVM estabelece que, caso seja prevista a
atribuição de uma componente da remuneração com base em ações, a política de remuneração
deve identificar:
a) Os prazos de aquisição dos direitos;
b) Se aplicável, o prazo para a conservação das ações após a aquisição dos direitos;
c) A forma como a remuneração com base em ações contribui para a estratégia
empresarial da sociedade, para os seus interesses de longo prazo e para a sua
sustentabilidade.
Para além na mencionada Lei n.º 50/2020, de 25 de Agosto, qualquer definição de
remunerações não pode deixar de ter em conta quer o regime legal geral quer o regime
particular acolhido pelos estatutos da sociedade, quando for caso disso.
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O regime legal para o Conselho de Administração vem essencialmente estabelecido no artigo
399.º do Código das Sociedades Comerciais, e do mesmo resulta essencialmente o seguinte:
• A fixação das remunerações compete à assembleia geral de Acionistas ou a uma
comissão por aquela nomeada.
• Aquela fixação de remunerações deve ter em conta as funções desempenhadas e a
situação económica da sociedade.
• A remuneração pode ser certa ou consistir parcialmente numa percentagem dos
lucros do exercício, mas a percentagem máxima destinada aos administradores deve
ser autorizada por cláusula do contrato de sociedade e não incide sobre distribuições
de reservas nem sobre qualquer parte do lucro do exercício que não pudesse, por
lei, ser distribuído aos Acionistas.
Para o Conselho Fiscal e para os membros da Mesa da Assembleia Geral determina a lei que a
remuneração deve consistir numa quantia fixa, e que é determinada nos mesmos moldes pela
assembleia geral de Acionistas ou uma comissão por aquela nomeada, devendo ter em conta
as funções desempenhadas e a situação económica da sociedade.
Já no que respeita aos estatutos, no caso da Navigator existe um artigo específico apenas para
o Conselho de Administração, o vigésimo primeiro, que rege simultaneamente o regime de
reforma, e tem, na parte que aqui interessa, o seguinte conteúdo:
“Artigo 21º. - 1 - As remunerações dos administradores, que podem ser
diferenciadas, são fixadas por uma comissão de vencimentos eleita pela assembleia
geral para o efeito por períodos de quatro anos.”
É este o enquadramento formal em que deve ser definida a política de remuneração.
III. Princípios Gerais
Os princípios gerais a observar na fixação das remunerações dos órgãos sociais são
essencialmente aqueles que de forma muito genérica resultam da lei: por um lado as funções
desempenhadas e por outro a situação económica da sociedade. Se a estes acrescentarmos as
condições gerais de mercado para situações equivalentes, encontramos aqueles que nos
parecem ser os três grandes princípios gerais:
a) Funções desempenhadas
As funções desempenhadas por cada titular de órgãos sociais abrangem quer as funções
num sentido formal como também as funções num sentido mais amplo do nível de
responsabilidade concreto da função exercida, considerando critérios tão diversos como, por
exemplo, o compromisso e o tempo de dedicação, a natureza, a dimensão, a complexidade e
as competências requeridas para a função ou o valor acrescentado para a Empresa que resulta
de um determinado tipo de intervenção ou de uma representação institucional.
Também a existência de funções desempenhadas noutras sociedades dominadas não pode ser
alheia a esta ponderação, pelo que significa em termos de aumento de responsabilidade e em
termos de fonte cumulativa de rendimento.
Relatório e Contas 2021
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b) A situação económica da sociedade.
A dimensão da sociedade e a inevitável complexidade da gestão associada são claramente
aspetos relevantes da situação económica entendida na sua forma mais lata. E estes aspetos
têm implicações quer na necessidade de remunerar uma responsabilidade que é maior em
sociedades maiores e com modelos de negócio complexos quer na capacidade de remunerar
adequadamente a gestão.
c) Critérios de mercado.
O encontro entre a oferta e a procura é incontornável na definição de qualquer remuneração, e
os titulares dos órgãos sociais não são exceção.
É fundamental ter capacidade para atrair, desenvolver e reter profissionais competentes, o que
requer que a Política de Remuneração seja competitiva e atrativa de modo a assegurar os
legítimos interesses individuais, mas, essencialmente, os da Navigator e a criação de valor
sustentável para os Acionistas.
Pelas suas características e dimensão, os critérios e práticas de mercado são, no caso da
Navigator, tanto as nacionais como as internacionais e, por forma a manter-se atualizada sobre
estas práticas, a Navigator socorre-se regularmente de estudos de mercado e benchmarking.
IV. Enquadramento dos princípios no regime legal
Consignados os princípios gerais adotados importa agora fazer o enquadramento dos princípios nos
regimes normativos aplicáveis.
1. Alínea a) do número 2 do artigo 26.º-C do CVM. Estratégia, interesses de longo prazo e
sustentabilidade.
A prática tem revelado que o sistema remuneratório em vigor na Navigator é bem-sucedido
no assegurar da sua estratégia empresarial e, bem assim, a longo prazo, do alinhamento
dos interesses dos membros do órgão de administração com os interesses da sociedade e
da sua sustentabilidade, em especial pelas razões a seguir enunciadas.
Em primeiro lugar, por ser uma remuneração que se procura justa e equitativa no âmbito
dos princípios enunciados e, em segundo lugar, por associar os membros do órgão de
administração aos resultados, através de uma componente variável da remuneração, que
tem nos resultados o fator preponderante, mas também leva em conta competências
comportamentais de cada administrador, como sejam o seu alinhamento com os interesses
de longo prazo da sociedade.
2. Alínea b) do número 2 do artigo 26.º-C do CVM. Condições de emprego e de remuneração
dos trabalhadores.
O alinhamento entre a presente Política e o regime de remuneração e as condições de
emprego dos trabalhadores da Navigator encontra-se assegurado dado que ambos os
sistemas de remuneração têm por base os mesmos Princípios Gerais enunciados nesta
Política de Remuneração, em especial as condições de mercado nos mercados de referência
para as funções desempenhadas.
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3. Alínea c) do número 2 do artigo 26.º-C do CVM. Componentes da remuneração fixa e variável
A remuneração dos membros do Conselho de Administração é constituída por uma
componente fixa, correspondente a um valor anual, pagável ao longo do ano, e, para os
Administradores Executivos, incorpora também uma componente variável que pode
corresponder a uma percentagem não superior a cinco por cento do resultado líquido do
exercício anterior.
Já a remuneração dos membros do Conselho Fiscal corresponde a um valor fixo anual,
pagável ao longo do ano.
Por último, a remuneração dos membros da Mesa da Assembleia Geral consiste apenas numa
quantia fixa determinada em função das reuniões efetivamente ocorridas.
Note-se que os valores concretos das remunerações são fixados em execução dos princípios
acima definidos no capítulo III desta Política.
4. Alínea d) do número 2 do artigo 26.º-C do CVM. Bónus e outros benefícios
Para além da componente variável que possa vir a ser atribuída aos membros dos órgãos de
administração, não são atribuídos aos membros dos órgãos de administração e de
fiscalização outros benefícios não pecuniários, sem prejuízo dos meios colocados à disposição
dos mesmos para o exercício das suas funções e de um seguro de saúde e acidentes pessoais
em linha com as práticas de mercado.
5. Alínea e) do número 2 do artigo 26.º-C do CVM. Acordos relativos à cessação de funções de
administradores
Não existem nem nunca foram fixados por esta Comissão quaisquer acordos quanto a
pagamentos pela Navigator relativos à destituição ou cessação de funções de
administradores. Esta circunstância resultou naturalmente dos vários casos concretos
existentes na sociedade e não de uma posição de princípio desta Comissão contra a
existência de acordos desta natureza. Aplica-se, assim, somente o regime legal supletivo
estabelecido no Código das Sociedades Comerciais, que regula o pagamento aos
administradores de quaisquer montantes em caso de cessação de funções antes do termo
do mandato.
6. Alínea f) do número 2 do artigo 26.º-C do CVM. Regimes de pensão complementar ou de
reforma antecipada
Não existem atualmente na Navigator regimes complementares de pensões ou de reforma
antecipada para os administradores.
7. Alínea a) do número 3 do artigo 26.º-C do CVM. Critérios para a componente variável.
A fixação, da competência desta Comissão, da componente variável da remuneração tem
por base um valor target aplicável a cada administrador e que é devido em condições de
desempenho do próprio e da sociedade que correspondam às expetativas e aos objetivos
previamente fixados. Este valor target é definido ponderando os princípios acima referidos
– mercado, funções concretas, situação da sociedade –, com destaque para situações
comparáveis de mercado em funções de relevância equivalente. Um outro fator relevante na
Relatório e Contas 2021
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definição dos targets é a opção pela inexistência na Navigator de planos de ações ou opções
de aquisição de ações.
As ponderações do desempenho efetivo face às expetativas e objetivos, que determinam a
variação em relação ao target, têm por base um conjunto de KPIs, quantitativos e
qualitativos, relacionados com o desempenho da sociedade (indicadores gerais de negócio)
e do administrador em causa (objetivos específicos e indicadores comportamentais). Dentro
dos indicadores gerais de negócio relevam especialmente o EBITDA, os resultados líquidos,
o cash flow e o Total Shareholder Return vs Pares, e nas competências comportamentais
releva o alinhamento de cada administrador com os interesses de longo prazo da sociedade.
Adicionalmente a estes critérios, em alinhamento com os compromissos assumidos pela
Sociedade na sua estratégia de sustentabilidade e reconhecendo a importância da utilização
eficiente da energia e a necessidade de redução de emissões de CO
2
de origem fóssil das
atividades económicas, considera-se ainda na ponderação a implementação do programa
corporativo para a eficiência energética, aprovado em 2016.
Para além do limite estatutário à participação da administração nos lucros do exercício,
existem também na sociedade mecanismos de limitação da remuneração variável.
Por um lado, a componente variável é eliminada no caso de os resultados evidenciarem uma
deterioração considerada relevante do desempenho da Empresa no último exercício apurado
ou quando esta seja expectável no exercício em curso. E, por outro, o montante da
componente variável atribuível tem um cap definido por forma a prevenir que o bom
desempenho num momento, com vantagens remuneratórias imediatas para a
administração, seja feito em sacrifício de um bom desempenho futuro.
Face ao exposto, resulta claro que os critérios para a atribuição da remuneração contribuem
para a concretização da estratégia definida pela Navigator, bem como para os interesses de
longo prazo e para a sustentabilidade da sociedade.
8. Alínea b) do número 3 do artigo 26.º-C do CVM. Cumprimento dos critérios de desempenho.
Os critérios de desempenho referidos no ponto anterior são aplicados de forma matemática
na sua parte quantitativa, e através de apreciações valorativas no tocante à parte qualitativa.
Dentro do processo de determinação da remuneração variável, a Comissão de Fixação de
Vencimentos elabora a presente Política, sendo que a avaliação de desempenho de cada
administrador executivo segue um processo interno estruturado sob a
responsabilidade/liderança do respetivo responsável (i.e. sob a responsabilidade da pessoa
que preside à equipa, no caso dos vogais da Comissão Executiva, e sob a responsabilidade
do Presidente do Conselho de Administração, no caso do Presidente da Comissão Executiva)
e no qual participam também os administradores não executivos que o responsável entenda
pertinente envolver.
Neste processo está ainda envolvida a Comissão de Nomeações e Avaliações, a quem
compete acompanhar o sistema de avaliação de desempenho da administração e de
atribuição de remuneração da sociedade e pronunciar-se sobre as propostas de avaliação
individual de desempenho da administração executiva.
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Por fim, compete à Comissão de Fixação de Vencimentos confirmar, no tocante à avaliação
de desempenho, os respetivos fatores de realização e garantir a coerência geral do processo,
fixando a remuneração variável.
9. Alínea c) do número 3 do artigo 26.º-C do CVM. Diferimento e restituição de remuneração.
É já abundante a literatura que defende o diferimento do pagamento da parte variável da
remuneração para um momento posterior, que permita de alguma forma estabelecer uma
relação mais direta entre a remuneração e o impacto da gestão na sociedade num prazo
mais alargado.
Aceitamos o princípio em abstrato como bom, mas o elemento histórico, associado à
estabilidade e à prática que vem sendo já seguida com sucesso há muitos anos sem esse
elemento de diferimento, leva a que essa opção não seja tomada por agora.
Quanto à obrigação de restituição de remuneração variável já entregue, e sem prejuízo do
regime legal aplicável, não está instituído qualquer mecanismo que permita à sociedade
solicitar a mesma aos respetivos membros da administração.
10. Número 4.º do artigo 26.º-C do CVM. Planos de ações.
Na Navigator, a remuneração não tem qualquer componente em ações.
V. Opções concretas
As opções concretas de política de remuneração propostas podem, pois, ser sumariadas da seguinte
forma:
1.ª Na fixação de todas as remunerações serão observados os princípios gerais acima
consignados: funções desempenhadas, situação da sociedade e critérios de mercado.
2.ª Administradores Executivos
• A remuneração dos membros executivos do Conselho de Administração será composta
por uma componente fixa e por uma componente variável;
• A componente fixa da remuneração consistirá num valor anual, pagável ao longo do ano;
• A componente variável da remuneração está associada quer ao desempenho da Navigator
quer ao desempenho individual de cada administrador;
• O processo de atribuição de remunerações variáveis aos membros executivos do
Conselho de Administração, que é acompanhado pela Comissão de Nomeações e
Avaliações, deverá seguir os critérios definidos pela Comissão de Fixação de
Vencimentos, não devendo exceder o valor global de cinco por cento do resultado líquido
consolidado em formato IFRS.
3.ª Administradores Não Executivos
• A remuneração dos membros não executivos do Conselho de Administração será
composta apenas por uma componente fixa, que poderá ser diferenciada em virtude da
acumulação de funções e de responsabilidades acrescidas, por exemplo membros de
comissões ou comités especializados;
• A componente fixa da remuneração consistirá num valor anual, pagável ao longo do ano,
Relatório e Contas 2021
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ou num valor predeterminado por cada participação em reunião do Conselho de
Administração.
4.ª Conselho Fiscal
• A remuneração dos membros do Conselho Fiscal será composta apenas por uma
componente fixa, que consistirá num valor fixo anual, pagável ao longo do ano.
5.ª Mesa da Assembleia Geral
• A remuneração dos membros da Mesa da Assembleia Geral será composta apenas por
uma componente fixa, que consistirá num valor predeterminado por cada reunião, sendo
inferior o valor para as segunda e seguintes reuniões que tenham lugar durante o mesmo
ano.
Lisboa, 6 de Abril de 2021
A Comissão de Fixação de Vencimentos
José Gonçalo Ferreira Maury
João Rodrigo Appleton Moreira Rato
João do Passo Vicente Ribeiro
Relatório e Contas 2021
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ANEXO 3 – Código de Ética e de Conduta
CÓDIGO DE ÉTICA E DE CONDUTA
I. Objetivos Gerais e Valores
1. O Código de Ética e de Conduta
como fundamento da cultura
do Grupo The Navigator Company
A prossecução dos objetivos, o respeito pelos
valores e o cumprimento das normas de
conduta enunciados no presente Código de
Ética e de Conduta constituem a cultura
deontológica do universo empresarial do Grupo
The Navigator Company.
O Código de Ética deverá ser visto como um
modelo de conduta e interpretado como uma
referência de comportamento, que o Grupo The
Navigator Company e todos os que nele
trabalham deverão seguir e respeitar.
2. Missão e Objetivos Fundamentais
O Grupo The Navigator Company aspira
estender a outros negócios a liderança
conquistada no papel de impressão e escrita e
assim afirmar Portugal no mundo, enquanto
empresa global, reconhecida por transformar
de forma inovadora e sustentável a floresta em
produtos e serviços que contribuem para o
bem-estar das pessoas.
Os objetivos fundamentais prosseguidos pelo
Grupo The Navigator Company assentam na
criação sustentada de valor e na proteção dos
interesses dos acionistas, com um adequado
nível de remuneração aos investidores,
suportada na oferta dos mais elevados padrões
de qualidade no fornecimento de bens e
serviços aos seus clientes, e ainda no
recrutamento, motivação e desenvolvimento
dos melhores e mais competentes profissionais.
O Grupo The Navigator Company promoverá
sempre uma cultura de meritocracia que
permita o desenvolvimento pessoal e
profissional dos seus colaboradores e, através
do seu empenho, posicionar a atividade do
Grupo nos primeiros níveis de liderança dos
mercados onde atua, mantendo uma política de
gestão sustentável de recursos naturais,
mitigação dos impactes ambientais, adotando
princípios e práticas de responsabilidade social
e de fomento do desenvolvimento social das
zonas onde exerce a sua atividade empresarial.
Em virtude de se tratar de princípios basilares e
por natureza gerais, as matérias reguladas no
Código de Ética e de Conduta podem ser
densificadas em orientações, políticas e
procedimentos internos, ou em códigos de
conduta específicos.
3. Valores
Os princípios e normas de conduta previstos no
Código de Ética e de Conduta resultam da
concretização dos valores tidos como
fundamentais no Grupo The Navigator
Company, os quais devem ser
permanentemente prosseguidos no âmbito da
sua atividade empresarial, em especial:
(a) Confiança – Acreditamos nas pessoas,
acolhemos o contributo de cada um,
respeitamos a sua identidade, promovendo
o seu desenvolvimento individual e coletivo,
a cooperação e a comunicação entre todos;
(b) Integridade – Somos norteados por
princípios de transparência, ética e respeito
na relação entre todos os colaboradores e
com terceiros;
(c) Empreendedorismo – Temos paixão pelo
que fazemos, gostamos de sair da nossa
zona de conforto, temos coragem para
tomar decisões e assumir riscos de forma
responsável;
(d) Inovação – Promovemos o conhecimento e
o potencial criativo de todos para fazer o
impossível;
(e) Sustentabilidade – A sustentabilidade
empresarial, social e ambiental é o nosso
modelo de negócio;
(f) Excelência – Atuamos focados na
qualidade, na eficiência, na segurança e no
rigor.
II. Âmbito de Aplicação e Interpretação
4. Âmbito de Aplicação
O Código de Ética e de Conduta aplica-se a
todos os colaboradores de todas as entidades
do Grupo The Navigator Company.
Relatório e Contas 2021
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As regras nele definidas devem presidir à
conduta ética e profissional de todos os
colaboradores, no âmbito da prossecução da
sua atividade empresarial e no relacionamento
com terceiros, sendo instrumento essencial da
política e cultura empresariais seguidas e
fomentadas pelo Grupo The Navigator
Company.
5. Interpretação
Para efeitos do Código de Ética e de Conduta,
deve entender-se por:
(a) Colaboradores – todas as pessoas que
laborem ou prestem serviços, de forma
permanente ou meramente ocasional, nas
empresas do Grupo The Navigator
Company, incluindo, designadamente,
membros dos órgãos sociais, empregados,
prestadores de serviços, mandatários e
auditores ou consultores;
(b) Clientes - pessoas singulares ou coletivas a
quem as empresas do Grupo The Navigator
Company fornecem os seus produtos ou
prestam os seus serviços;
(c) Fornecedores - pessoas singulares ou
coletivas que fornecem produtos às
empresas do Grupo The Navigator Company
ou lhes prestam serviços;
(d) Stakeholders - pessoas singulares ou
coletivas com quem as empresas do Grupo
The Navigator Company se relacionam nas
suas atividades empresariais, institucionais
ou sociais, incluindo acionistas, membros
dos órgãos sociais, colaboradores, clientes,
fornecedores, parceiros de negócio ou
membros da comunidade com que o Grupo
The Navigator Company interage.
III. Normas de Conduta
6. Cumprimento da Legislação e Regulação
A atividade do Grupo The Navigator Company e
dos seus colaboradores deve ser pautada pelo
rigoroso cumprimento das normas legais,
estatutárias e regulamentares aplicáveis à
atividade e empresas do Grupo The Navigator
Company, nas jurisdições dos países onde
operam.
7. Autoridades Públicas
A conduta do Grupo The Navigator Company e
dos colaboradores deve ser pautada por uma
permanente colaboração com as autoridades
públicas, designadamente entidades
reguladoras, satisfazendo as solicitações que
legitimamente lhe forem dirigidas e que
estejam ao seu alcance e adotando os
comportamentos que permitam o exercício das
competências cometidas a essas autoridades.
8. Integridade
É interdita toda a prática de corrupção e
suborno, em todas as suas formas ativas e
passivas, quer através de atos e omissões,
quer por via da criação e manutenção de
situações de favor ou irregulares, bem como
adotar comportamentos que possam criar nos
interlocutores expectativas de favorecimento
nas suas relações com o Grupo The Navigator
Company.
9. Transparência
O Grupo The Navigator Company compromete-
se a relatar o seu desempenho de forma
transparente, tendo em consideração os
deveres legais aplicáveis e as boas práticas dos
mercados de capitais e financeiros.
10. Confidencialidade
10.1. Os colaboradores devem manter a
confidencialidade de todas as informações do
Grupo The Navigator Company, de outros
colaboradores, de clientes, de fornecedores ou
de stakeholders, de que tenham conhecimento
por força do exercício das suas funções e que
não sejam de conhecimento público ou notório.
Essas informações são apenas para uso restrito
e interno no Grupo The Navigator Company.
10.2. Os colaboradores devem manter
confidencialidade das informações referidas no
parágrafo anterior mesmo após cessação das
suas funções no Grupo The Navigator Company
e independentemente da causa de cessação.
10.3. As informações confidenciais só podem ser
reveladas a terceiros nos termos legalmente
exigíveis ou desde que a divulgação seja
previamente autorizada, por escrito, pelo
Conselho de Administração.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 200
11. Transações de Valores Mobiliários
Os colaboradores que estejam na posse de
informação relativa à The Navigator Company,
concreta e específica, que não tenha sido
tornada pública, mas que se fosse tornada
pública seria suscetível de influenciar de forma
sensível as cotações bolsistas da The Navigator
Company, não podem, durante o período
anterior à sua divulgação, transacionar valores
mobiliários do Grupo The Navigator Company,
de parceiros estratégicos ou de empresas
envolvidas em transações ou relações com o
Grupo The Navigator Company, nem divulgar
essa informação a terceiros.
Entre outras, são tipos de informação
privilegiada as estimativas de resultados, as
decisões relativas a aquisições, vendas ou
parcerias significativas e a aquisição ou perda
de contratos relevantes.
12. Conflitos de Interesses
12.1. O Grupo The Navigator Company
compromete-se a adotar medidas que
assegurem a isenção de atuação nos processos
de decisão, nos casos de potencial conflito de
interesses que envolvam o Grupo The
Navigator Company ou os seus colaboradores.
12.2. Os colaboradores não podem prosseguir
objetivos particulares em concorrência com o
Grupo The Navigator Company, estando
também impedidos de obter benefícios,
vantagens ou favores pessoais por força do
cargo ocupado ou das funções desempenhadas.
12.3. Os colaboradores devem comunicar
imediatamente ao superior hierárquico
qualquer situação suscetível de criar um
conflito de interesses, nomeadamente se, no
âmbito das suas funções, forem chamados a
intervir em processos ou decisões que
envolvam, direta ou indiretamente,
organizações, entidades ou pessoas com as
quais colaborem ou tenham colaborado, ou a
quem estejam ligados por laços de parentesco,
proximidade ou influência. Para além destes,
em quaisquer outros casos em que possa
eventualmente vir a ser posta em dúvida a sua
imparcialidade, devem proceder àquela
comunicação.
13. Relações com acionistas
13.1. É objetivo primordial para o Grupo The
Navigator Company a proteção dos interesses
dos acionistas e investidores bem como a
procura de criação de valor para os acionistas.
13.2. O Grupo The Navigator Company
compromete-se a respeitar o princípio de
igualdade de tratamento dos acionistas, tendo
em consideração as proporções no capital social
da The Navigator Company, nomeadamente
assegurando a disponibilização de informação
em tempo útil, em observância dos deveres
legais aplicáveis.
14. Concorrência
O Grupo The Navigator Company compromete-
se a agir em conformidade com as leis da
concorrência, de acordo com regras e critérios
de mercado e promovendo uma concorrência
leal.
15. Propriedade Intelectual e Industrial
O Grupo The Navigator Company e os
colaboradores devem respeitar a Propriedade
Intelectual e Industrial dos fornecedores,
clientes e stakeholders.
16. Relações com clientes, fornecedores,
prestadores de serviços e terceiros
16.1. O Grupo The Navigator Company deverá
assegurar que as condições de venda dos
produtos aos seus clientes se encontrem
definidas de forma clara, devendo as empresas
do Grupo The Navigator Company e os seus
colaboradores assegurar o cumprimento das
mesmas.
16.2. Os fornecedores e prestadores de serviços do
Grupo The Navigator Company devem ser
selecionados com base em critérios objetivos,
atendendo-se às condições propostas, às
garantias efetivamente dadas e à otimização
global das vantagens para o Grupo The
Navigator Company.
16.3. Os fornecedores e prestadores de serviços do
Grupo The Navigator Company devem observar
o disposto no Código de Conduta para
fornecedores e prestadores de serviços do
Grupo The Navigator Company.
16.4. O Grupo The Navigator Company e seus
colaboradores devem sempre negociar na
observância dos princípios da boa-fé e das
obrigações legais e boas práticas que sejam
aplicáveis.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 201
17. Relações com Movimentos
e Partidos Políticos
As relações do Grupo The Navigator Company e
dos seus colaboradores com movimentos ou
partidos políticos decorrerão dentro do
cumprimento das disposições legais em vigor,
não devendo os colaboradores, nesse âmbito,
invocar a sua relação com o Grupo The
Navigator Company.
18. Responsabilidade Social
e Desenvolvimento Sustentável
18.1. O Grupo The Navigator Company assume a
sua responsabilidade social junto das
comunidades onde desenvolve as suas
atividades empresariais de forma a contribuir
para o progresso e bem-estar das mesmas.
18.2. O Grupo The Navigator Company
compromete-se a adotar, cumprir e promover
uma Política de Sustentabilidade e proteção do
ambiente.
19. Segurança e Condições de Trabalho
19.1. O Grupo The Navigator Company nunca
empregará mão-de-obra infantil ou forçada,
nem pactuará com tais práticas, adotando as
medidas tidas como convenientes ao combate a
tais situações, designadamente procedendo à
sua denúncia pública sempre que tome
conhecimento de tais situações.
19.2. A segurança e saúde dos colaboradores é
uma prioridade do Grupo The Navigator
Company, pelo que todos os colaboradores
devem procurar conhecer e respeitar, não só a
legislação em vigor, como também as normas e
recomendações internas sobre estas matérias.
19.3. Os colaboradores devem comunicar
imediatamente qualquer acidente ou situação
que possam colocar em risco a higiene,
segurança e saúde no local de trabalho, nos
termos das normas aplicáveis, devendo ser
adotadas as medidas preventivas que se
revelem necessárias ou recomendáveis.
20. Desenvolvimento
e Progressão Profissional
20.1. O Grupo The Navigator Company proporciona
ações de formação adequadas aos seus
colaboradores e fomenta uma formação
continuada, como elemento potenciador da sua
motivação e do seu melhor desempenho,
reconhecendo um elevado valor ao
desenvolvimento profissional e pessoal dos
seus mesmos.
20.2. O Grupo The Navigator Company valoriza e
responsabiliza profissionalmente os
colaboradores no exercício das suas funções,
com base no mérito individual, permitindo-lhes
assumir um nível de autonomia e de assunção
de responsabilidades associadas às suas
capacidades e empenho.
20.3. As políticas de seleção, contratação,
remuneração e progressão profissional
adotadas orientam-se por critérios de mérito e
de práticas de referência de mercado.
20.4. O Grupo The Navigator Company assegura a
igualdade de oportunidades e o respeito pelo
princípio da igualdade de género, ao nível do
recrutamento, da contratação e do
desenvolvimento profissional, valorando apenas
os aspetos profissionais. Para tal, todos os seus
colaboradores deverão adotar medidas que
considerem necessárias para combater e
impedir qualquer forma de discriminação ou
tratamento diferenciado em função,
nomeadamente, da origem étnica ou social,
convicções religiosas, nacionalidade, género,
estado civil, orientação sexual ou deficiência
física.
21. Urbanidade
No trato pessoal com outros colaboradores,
bem como com fornecedores, contrapartes,
clientes e stakeholders do Grupo The Navigator
Company, os colaboradores devem agir de
forma ativa com correção, respeito, lealdade e
urbanidade.
22. Não discriminação e Coação
22.1. Os colaboradores não devem atuar de forma
discriminatória em relação aos colaboradores
ou a quaisquer pessoas, designadamente em
função da raça, religião, sexo, orientação
sexual, ascendência, idade, idioma, território
de origem, convicções políticas ou ideológicas,
situação económica, contexto social ou vínculo
contratual, fomentando o respeito pela
dignidade humana como um dos princípios
basilares da cultura e política seguida pelo
Grupo The Navigator Company.
22.2. É expressamente interdita qualquer conduta
que possa consistir numa forma de coação,
nomeadamente através de ofensas morais,
mobbing, assédio, moral ou sexual, ou bullying.
23. Uso do Património
23.1. Os colaboradores devem fazer uma utilização
sensata e razoável dos meios de trabalho
postos à sua disposição, evitando o desperdício
e utilizações abusivas.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 202
23.2. Os colaboradores devem cuidar do
património do Grupo The Navigator Company,
não adotando qualquer conduta que, dolosa ou
negligentemente, possa colocar em causa o seu
estado de conservação.
24. Proteção de Dados Pessoais
24.1. O Grupo The Navigator Company
compreende o papel preponderante da
privacidade e da proteção dos dados pessoais
dos seus clientes, stakeholders, fornecedores,
colaboradores ou de quaisquer outras pessoas
singulares ou colaboradoras de quaisquer
outras entidades. Assim, o Grupo The
Navigator Company e os colaboradores
comprometem-se a utilizar essa informação de
forma responsável, respeitando rigorosamente
a legislação e regulamentação aplicável à
proteção de dados pessoais.
24.2. Os colaboradores não devem recolher dados
pessoais, criar listas de dados pessoais ou
efetuar tratamentos ou transferências de dados
pessoais sem articulação e autorização prévia
da direção responsável pela área da Proteção
dos Dados Pessoais.
25. Comunicação externa - Comunicação
Social e Publicidade
As informações prestadas pelo Grupo The
Navigator Company e pelos seus colaboradores
aos meios de comunicação social, incluindo as
que se destinem a fins publicitários devem:
(a) Ser emitidas exclusivamente pelas Direções
e estruturas autorizadas para efeito e para
agirem na qualidade de representantes ou
porta-voz do Grupo The Navigator
Company;
(b) Respeitar princípios de legalidade, rigor,
oportunidade, objetividade, veracidade e
clareza;
(c) Salvaguardar o sigilo e a reserva de
informação confidencial, dentro da proteção
dos interesses do Grupo The Navigator
Company;
(d) Respeitar os parâmetros culturais e éticos
da comunidade e a dignidade da pessoa
humana;
(e) Contribuir para a imagem de coesão,
criação de valor e dignificação do Grupo The
Navigator Company, promovendo a sua boa
imagem na sociedade.
26. Comunicação nas redes sociais
e nos media
Os colaboradores sabem que os novos meios
de comunicação, em constante
desenvolvimento, podem ter um forte impacto
para o Grupo The Navigator Company e para os
próprios colaboradores e que a divulgação e
partilha de informação por esses meios pode
facilmente significar a perda de controlo sobre
esses conteúdos.
Por isso, os colaboradores assumem como
compromisso que ao usar as redes sociais e ao
recorrer a meios de comunicação (tradicionais e
atuais):
(a) Devem agir de forma eticamente
responsável, contribuindo para criar valor e
dignificar o Grupo The Navigator Company
bem como para reforçar a sua imagem na
sociedade;
(b) Devem respeitar, cumprir e fazer refletir os
princípios, valores e regras de conduta
estabelecidos no presente Código de Ética e
de Conduta;
(c) Não devem publicar informação sobre o
Grupo The Navigator Company de natureza
confidencial ou do foro interno;
(d) Não devem comunicar, identificando-se
como colaboradores da The Navigator
Company, sem autorização para o efeito.
IV. Supervisão, Incumprimento
e Comunicação
27. Incumprimento
O desrespeito pelo cumprimento das regras
estabelecidas no Código de Ética e de Conduta
constitui falta grave, passível de procedimento
disciplinar, sem prejuízo de eventual
responsabilidade civil, administrativa ou
criminal de acordo com disposição legal ou
regulamentar.
28. Comunicação
28.1. Os colaboradores têm o dever de comunicar
a ocorrência de condutas incompatíveis com as
regras estabelecidas neste código, de que
tenham conhecimento ou fundada suspeita, de
forma eficaz e em tempo útil, através dos
canais próprios, nos termos previstos no
Procedimento de Comunicação de
Irregularidades.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 203
28.2. O Grupo The Navigator Company garante a
confidencialidade das comunicações recebidas,
nos termos previstos no Procedimento de
Comunicação de Irregularidades.
28.3. O Grupo The Navigator Company
compromete-se a não retaliar, por qualquer
forma, em relação a quem apresentar uma
comunicação de incumprimento do Código de
Ética e Conduta ou de outra irregularidade e
garante um tratamento justo dos visados, não
permitindo que o colaborador que tenha agido
com boa-fé, ponderação e diligência seja
prejudicado por esse facto.
28.4. Nos termos gerais da Lei, a utilização
abusiva e de má-fé do mecanismo de
comunicação de irregularidades poderá expor o
seu autor a sanções disciplinares e/ou a
procedimento judicial.
29. Dúvidas e Questões
Os colaboradores podem colocar dúvidas e
questões a respeito da interpretação ou
aplicação do Código de Ética à Comissão de
Ética, à Direção de Gestão de Riscos ou à
Direção Serviços Jurídicos. Estabelece-se
também um regime permanente de
comunicação, direto e confidencial, através do
Conselho de Administração, a que pode
recorrer qualquer colaborador através do
Procedimento de Comunicação de
Irregularidades.
30. Procedimento
30.1. As comunicações recebidas serão
processadas nos termos definidos no
Procedimento de Comunicação de
Irregularidades.
30.2. Será dado conhecimento à Comissão
Executiva e ao Conselho Fiscal de todas as
comunicações recebidas e à Comissão de Ética,
sempre que as mesmas envolvam um membro
do Conselho de Administração ou do Conselho
Fiscal.
31. Relatório anual
31.1. A Comissão de Ética fará anualmente um
Relatório acerca do cumprimento do normativo
contido no Código de Ética e de Conduta,
devendo esse Relatório explicitar todas as
situações irregulares de que tenha tido
conhecimento, assim como as conclusões e
propostas de seguimento que adotou nos vários
casos analisados.
31.2. Para o efeito previsto no número anterior, as
Direções de Gestão de Riscos e Serviços
Jurídicos comunicam à Comissão de Ética os
factos relevantes de que tenham tido
conhecimento.
V. Divulgação
32. Divulgação do Código de Ética
e de Conduta
32.1. O Código de Ética e de Conduta do Grupo
The Navigator Company será divulgado na
plataforma digital de internet do Grupo bem
como em conjunto com os documentos anuais
de prestação de contas, de modo que dele
possam ter conhecimento acionistas, clientes,
fornecedores, stakeholders, investidores, e
outras entidades com as quais o Grupo The
Navigator Company se relaciona.
32.2. O Grupo The Navigator Company
disponibiliza o Código de Ética e de Conduta a
todos os colaboradores e promoverá a sua
divulgação, o seu generalizado conhecimento e
a sua prática obrigatória.
Relatório e Contas 2021
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204
8. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS
Relatório e Contas 2021
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205
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS CONSOLIDADOS
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras
consolidadas.
Valores em Euros
Nota 2021 2020
Réditos 2.1 1.595.870.445 1.385.360.624
Outros rendimentos e ganhos operacionais 2.2 31.380.233 38.960.170
Variação de Justo valor nos ativos biológicos 3.8 (1.260.391) 16.814.611
Custos das mercadorias vendidas e das matérias consumidas 4.1 (629.794.745) (569.724.151)
Variação da produção 4.1 1.612.980 (32.545.175)
Fornecimentos e serviços externos 2.3 (449.402.361) (392.254.701)
Gastos com o pessoal 7.1 (155.015.795) (132.129.704)
Outros gastos e perdas operacionais 2.3 (38.674.036) (28.973.873)
Provisões líquidas 10.1 (3.142.944) (2.310.288)
Depreciações, amortizações e perdas por imparidade em ativos não
financeiros
3.7 (121.999.345) (142.772.875)
Resultado operacional 229.574.041 140.424.638
Rendimentos e ganhos financeiros 5.11 3.430.634 7.971.811
Gastos e perdas financeiras 5.11 (21.207.843) (22.657.443)
Resultados financeiros (17.777.209) (14.685.632)
Resultados de associadas e empreendimentos conjuntos - -
Resultado antes de impostos 211.796.832 125.739.006
Imposto sobre o rendimento 6.1 (40.378.319) (16.522.754)
Resultado líquido do período 171.418.513 109.216.252
Atribuível aos detentores do capital da Navigator 171.411.455 109.213.720
Atribuível a interesses que não controlam 5.6 7.058 2.532
Resultado por ação
Resultado básico por ação, Eur 5.3 0,241 0,154
Resultado diluído por ação, Eur 5.3 0,241 0,154
Relatório e Contas 2021
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206
DEMONSTRAÇÃO DO RENDIMENTO INTEGRAL CONSOLIDADO
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras
consolidadas.
Valores em Euros Nota 2021 2020
Resultado líquido do período
antes de interesses que não controlam 171.418.513 109.216.252
Itens que poderão ser reclassificados para a demonstração dos resultados
Instrumentos financeiros derivados de cobertura
Variações no justo valor 8.2 1.430.747 (354.422)
Efeito de imposto (393.456) 96.299
Diferenças de conversão cambial (3.464.432) (2.152.620)
Imposto sobre remuneração convencional de capital (770.000) (827.750)
Itens que não poderão ser reclassificados para a demonstração dos resultados
Remensuração de Benefícios pós-emprego
Remensurações 7.2.5 1.924.988 (10.245.329)
Efeito de imposto 7.2.5 (223.719) 254.213
Rendimentos integrais de associadas e empreendimentos conjuntos (1.448.450) 1.934.870
Total de outros rendimentos integrais líquidos de imposto (2.944.322) (11.294.739)
Total dos rendimentos integrais 168.474.191 97.921.513
Atribuível a:
Detentores do capital da Navigator 168.462.477 97.920.148
Interesses que não controlam 11.714 1.365
168.474.191 97.921.513
Relatório e Contas 2021
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207
DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO FINANCEIRA CONSOLIDADA
EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras
consolidadas.
Valores em Euros Nota 2021 2020
ATIVO
Ativos não correntes
Goodwill 3.1 377.339.466 377.339.466
Ativos intangíveis 3.2 24.752.529 11.912.684
Ativos fixos tangíveis 3.3 1.145.244.507 1.183.949.592
Ativos sob direito de uso 3.6 51.192.959 51.827.000
Ativos biológicos 3.8 147.324.061 148.584.452
Propriedades de investimento 3.4 92.589 94.236
Valores a receber não correntes 4.2 8.604.547 34.696.105
Ativos por impostos diferidos 6.2 28.037.408 30.629.217
1.782.588.066 1.839.032.752
Ativos correntes
Inventários 4.1 186.550.658 176.735.137
Valores a receber correntes 4.2 317.882.760 231.772.282
Imposto sobre o rendimento 6.1 1.118.815 3.482.762
Caixa e equivalentes de caixa 5.9 239.171.252 302.399.831
744.723.485 714.390.012
Ativo total 2.527.311.551 2.553.422.764
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
Capital e reservas
Capital social 5.2 500.000.000 500.000.000
Ações próprias 5.2 - (20.189.264)
Reserva de conversão cambial 5.5 (24.346.001) (20.881.569)
Reserva de justo valor 5.5 (5.604.076) (6.641.368)
Reserva legais 5.5 100.000.000 100.000.000
Outras reservas 5.5 121.836.100 266.443.646
Resultados transitados 5.5 231.525.876 97.981.342
Resultado líquido do período 171.411.455 109.213.720
Dividendos antecipados 5.4 (49.996.170) -
Capital Próprio atribuível aos detentores do capital da
Navigator
1.044.827.184 1.025.926.507
Interesses que não controlam 5.6 286.896 275.182
Total do Capital Próprio 1.045.114.080 1.026.201.689
Passivos não correntes
Financiamentos obtidos 5.7 714.625.892 690.878.427
Passivos de locação 5.8 47.417.092 47.473.102
Responsabilidades por benefícios definidos 7.2 5.674.918 12.562.465
Passivos por impostos diferidos 6.2 92.528.775 85.962.014
Provisões 10.1 26.752.081 23.409.335
Valores a pagar não correntes 4.3 37.014.427 30.234.237
924.013.185 890.519.580
Passivos correntes
Financiamentos obtidos 5.7 119.318.157 291.532.356
Passivos de locação 5.8 5.823.833 5.607.817
Valores a pagar correntes 4.3 393.161.894 303.649.690
Imposto sobre o rendimento 6.1 39.880.402 35.911.632
558.184.286 636.701.495
Passivo total 1.482.197.471 1.527.221.075
Capital Próprio e Passivo total 2.527.311.551 2.553.422.764
Relatório e Contas 2021
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DEMONSTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES NOS CAPITAIS PRÓPRIOS CONSOLIDADOS
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras consolidadas.
Valores em Euros Nota Capital Social Ações Próprias
Reserva de
conversão
cambial
Reservas de
justo valor
Reservas
legais
Outras reservas
Resultados
transitados
Resultado
líquido do
período
Dividendos
antecipados
Total
Interesses
que não
controlam
Total
Capital próprio em 1 de janeiro de 2021 500.000.000 (20.189.264) (20.881.569) (6.641.368) 100.000.000 266.443.646 97.981.342 109.213.720 - 1.025.926.507 275.182 1.026.201.689
Resultado Líquido do período - - - - - - - 171.411.455 - 171.411.455 7.058 171.418.513
Outro rendimentos integrais (líquidos de imposto) - - (3.464.432) 1.037.292 - - (521.838) - - (2.948.978) 4.656 (2.944.322)
Total dos rendimentos integrais do período - - (3.464.432) 1.037.292 - - (521.838) 171.411.455 - 168.462.477 11.714 168.474.191
Aplicação do lucro do período 2020:
- Dividendos pagos 5.4 - - - - - - (99.565.630) - - (99.565.630) - (99.565.630)
- Aplicação do resultado líquido do período anterior - - - - - - 116.213.720 (109.213.720) - 7.000.000 - 7.000.000
- Gratificações de balanço - - - - - - (7.000.000) - - (7.000.000) - (7.000.000)
Transferência de reservas livres para res. transitados - - - - - (138.290.615) 138.290.615 - - - - -
Incorporação de reservas 6.316.931 - - - - (6.316.931) - - - - - -
Extinção de ações próprias 5.2 (6.316.931) 20.189.264 - - - - (13.872.333) - - - - -
Dividendos antecipados 5.4 - - - - - - - - (49.996.170) (49.996.170) - (49.996.170)
Total de transações com acionistas - 20.189.264 - - - (144.607.546) 134.066.372 (109.213.720) (49.996.170) (149.561.800) - (149.561.800)
Capital próprio em 31 de dezembro de 2021 500.000.000 - (24.346.001) (5.604.076) 100.000.000 121.836.100 231.525.876 171.411.455 (49.996.170) 1.044.827.184 286.896 1.045.114.080
Valores em Euros Nota Capital Social Ações Próprias
Reserva de
conversão
cambial
Reservas de
justo valor
Reservas
legais
Outras reservas
Resultados
transitados
Resultado
líquido do
período
Dividendos
antecipados
Total
Interesses
que não
controlam
Total
Capital próprio em 1 de janeiro de 2020 500.000.000 (20.189.264) (18.728.949) (6.384.412) 100.000.000 98.153.331 206.004.258 168.290.315 - 1.027.145.279 273.817 1.027.419.096
Resultado Líquido do período - - - - - - - 109.213.720 - 109.213.720 2.532 109.216.252
Outro rendimentos integrais (líquidos de imposto) - - (2.152.620) (256.956) - - (8.883.996) - - (11.293.572) (1.167) (11.294.739)
Total dos rendimentos integrais do período - - (2.152.620) (256.956) - - (8.883.996) 109.213.720 - 97.920.148 1.365 97.921.513
Aplicação do lucro do período 2019:
- Dividendos 5.4 - - - - - - - - - - - -
- Aplicação do resultado líquido do período anterior - - - - - 168.290.315 (99.138.920) (168.290.315) - (99.138.920) - (99.138.920)
- Gratificações de balanço - - - - - - - - - - - -
Aquisição de ações próprias 5.2 - - - - - - - - - - - -
Total de transações com acionistas - - - - - 168.290.315 (99.138.920) (168.290.315) - (99.138.920) - (99.138.920)
Capital próprio em 31 de dezembro de 2020 500.000.000 (20.189.264) (20.881.569) (6.641.368) 100.000.000 266.443.646 97.981.342 109.213.720 - 1.025.926.507 275.182 1.026.201.689
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 209
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA CONSOLIDADOS
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020
Juros e rendimentos similares: corresponde, essencialmente, ao recebimento de juros compensatórios (Nota
5.11);
Juros e gastos similares: corresponde, essencialmente, a pagamentos respeitantes a juros suportados com títulos
de dívida e dívida financeira (Nota 5.11);
Ativos intangíveis: corresponde à compra de licenças de CO
2
à Vertis (Nota 3.2).
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras consolidadas.
Valores em Euros Notas 2021 2020
ATIVIDADES OPERACIONAIS
Recebimentos de clientes 1.585.718.491 1.499.083.337
Pagamentos a fornecedores (1.165.320.806) (1.071.334.375)
Pagamentos ao pessoal (111.579.111) (108.465.914)
Fluxos gerados pelas operações 308.818.574 319.283.048
(Pagamentos)/recebimentos do imposto sobre o rendimento 6.1 (20.649.602) 19.422.440
Outros (pagamentos)/recebimentos da atividade operacional 65.584.535 18.265.756
Fluxos das atividades operacionais (1) 353.753.507 356.971.244
ATIVIDADES DE INVESTIMENTO
Recebimentos provenientes de:
Ativos fixos tangíveis 3.065.224 1.122.990
Juros e rendimentos similares 5.308.813 5.256.538
8.374.037 6.379.528
Pagamentos respeitantes a:
Ativos fixos tangíveis (86.841.984) (94.195.589)
Ativos intangíveis (17.416.194) (4.611.698)
(104.258.178) (98.807.287)
Fluxos das atividades de investimento (2) (95.884.141) (92.427.759)
ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
Recebimentos provenientes de:
Financiamentos obtidos 5.10 147.500.000 240.000.000
147.500.000 240.000.000
Pagamentos respeitantes a:
Financiamentos obtidos 5.10 (291.527.778) (133.194.444)
Amortização de contratos de locação 3.6 (8.965.290) (8.789.630)
Juros e gastos similares (14.161.246) (20.907.437)
Distribição de Dividendos 5.4 (149.561.800) (99.138.920)
Distribição de Reservas 5.4 - (99.138.920)
Outras operações de financiamento 5.10 (4.472.875) (1.371.910)
(468.688.989) (362.541.261)
Fluxos das atividades de financiamento (3) (321.188.989) (122.541.261)
VARIAÇÃO DE CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA (1)+(2)+(3) (63.319.623) 142.002.224
Efeito das diferenças de câmbio 91.044 (1.482.796)
CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA NO INÍCIO DO PERÍODO 5.9 302.399.831 161.880.403
CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA NO FIM DO PERÍODO 5.9 239.171.252 302.399.831
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 210
NOTAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS
A 31 DE DEZEMBRO DE 2021
1. INTRODUÇÃO 213
1.1. APRESENTAÇÃO DO GRUPO ............................................................................213
1.2. ATUALIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NAVIGATOR .....................................................215
1.3. IMPACTOS DA PANDEMIA DE COVID-19 ...........................................................215
1.4. EVENTOS SUBSEQUENTES ..............................................................................217
1.5. BASES DE PREPARAÇÃO .................................................................................219
1.6. NOVAS NORMAS IFRS ADOTADAS E A ADOTAR .................................................224
1.7. ESTIMATIVAS E JULGAMENTOS CONTABILÍSTICOS RELEVANTES.........................228
2. PERFORMANCE OPERACIONAL 230
2.1. RÉDITO E RELATO POR SEGMENTOS ................................................................230
2.2. OUTROS RENDIMENTOS E GANHOS OPERACIONAIS ..........................................236
2.3. GASTOS E PERDAS OPERACIONAIS ..................................................................238
3. INVESTIMENTOS 240
3.1. GOODWILL ...................................................................................................240
3.2. ATIVOS INTANGÍVEIS ....................................................................................243
3.3. ATIVOS FIXOS TANGÍVEIS ..............................................................................245
3.4. PROPRIEDADES DE INVESTIMENTO .................................................................248
3.5. SUBSÍDIOS AO INVESTIMENTO .......................................................................249
3.6. ATIVOS SOB DIREITO DE USO ........................................................................251
3.7. DEPRECIAÇÕES, AMORTIZAÇÕES E PERDAS POR IMPARIDADE ...........................252
3.8. ATIVOS BIOLÓGICOS .....................................................................................252
4. FUNDO DE MANEIO 256
4.1. INVENTÁRIOS ...............................................................................................256
4.2. VALORES A RECEBER .....................................................................................258
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 211
4.3. VALORES A PAGAR.........................................................................................261
5. ESTRUTURA DE CAPITAL 262
5.1. GESTÃO DE CAPITAL ......................................................................................262
5.2. CAPITAL SOCIAL E AÇÕES PRÓPRIAS ...............................................................262
5.3. RESULTADO POR AÇÃO ..................................................................................264
5.4. DIVIDENDOS E RESERVAS ATRIBUÍDOS ...........................................................265
5.5. RESERVAS E RESULTADOS TRANSITADOS ........................................................265
5.6. INTERESSES QUE NÃO CONTROLAM ................................................................267
5.7. FINANCIAMENTOS OBTIDOS ...........................................................................268
5.8. PASSIVOS DE LOCAÇÃO .................................................................................271
5.9. CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA ..................................................................272
5.10. FLUXOS DE CAIXA DE ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO ..................................273
5.11. RENDIMENTOS E GASTOS FINANCEIROS ........................................................273
6. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO 275
6.1. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DO PERÍODO .................................................275
6.2. IMPOSTOS DIFERIDOS ...................................................................................279
7. PESSOAL 281
7.1. GASTOS COM O PESSOAL ...............................................................................281
7.2. BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS ......................................................................282
7.3. REMUNERAÇÃO DOS MEMBROS DOS ÓRGÃOS SOCIAIS .....................................288
8. INSTRUMENTOS FINANCEIROS 289
8.1. GESTÃO DO RISCO FINANCEIRO .....................................................................289
8.2. INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVADOS ......................................................297
8.3. ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS .................................................................301
9. GESTÃO DO RISCO OPERACIONAL 303
9.1. RISCOS ESPECÍFICOS DOS SETORES DE ATIVIDADE EM QUE O GRUPO ESTÁ PRESENTE
..........................................................................................................................303
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 212
10. PROVISÕES, COMPROMISSOS E CONTINGÊNCIAS 321
10.1. PROVISÕES .................................................................................................321
10.2. COMPROMISSOS ..........................................................................................322
10.3. ATIVOS E PASSIVOS CONTINGENTES .............................................................323
11. ESTRUTURA DO GRUPO 326
11.1. EMPRESAS INCLUÍDAS NA CONSOLIDAÇÃO ....................................................326
11.2. VARIAÇÕES DO PERÍMETRO DE CONSOLIDAÇÃO .............................................327
11.3. TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS ...................................................327
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 213
1. INTRODUÇÃO
Na apresentação das Notas às demonstrações financeiras, são utilizados os seguintes símbolos:
Políticas
contabilísticas
Este símbolo indica
a divulgação de políticas
contabilísticas especificamente
aplicáveis aos itens
na respetiva Nota.
Estimativas
e julgamentos
contabilísticos
Este símbolo indica
a divulgação das estimativas
e/ou julgamentos realizados
em relação aos itens
na respetiva Nota.
As estimativas e julgamentos
mais significativos
são indicados na Nota 1.8.
Referência
Este símbolo indica
uma referência a outra Nota
ou outra secção do Relatório
e Contas onde é apresentada
mais informação sobre os itens
divulgados.
1.1. APRESENTAÇÃO DO GRUPO
O Grupo Navigator (Grupo) é constituído pela The Navigator Company, S.A., cuja designação não
sofreu alterações no exercício (até 2015 denominada Portucel, S.A.), e pelas suas subsidiárias.
A génese do Grupo Navigator remonta a meados dos anos 50 do século XX, quando uma equipa de
técnicos da Companhia Portuguesa de Celulose de Cacia tornou possível que esta empresa fosse a
primeira no mundo a produzir pasta branqueada de eucalipto ao sulfato.
Em 1976 foi constituída a Portucel EP como resultado do processo de nacionalização da indústria de
celulose que, pela fusão da CPC – Companhia de Celulose, S.A.R.L. (Cacia), Socel – Sociedade
Industrial de Celulose, S.A.R.L. (Setúbal), Celtejo – Celulose do Tejo, S.A.R.L. (Vila Velha de Ródão),
Celnorte – Celulose do Norte, S.A.R.L. (Viana do Castelo) e da Celuloses do Guadiana, S.A.R.L.
(Mourão) incorporou a Portucel – Empresa de Celulose e Papel de Portugal, E.P., transformada em
Sociedade anónima de capitais maioritariamente públicos, pelo Decreto-Lei n.º 405/90, de 21 de
dezembro.
Posteriormente, como resultado do processo de reestruturação da Portucel – Empresa de Celulose
e Papel de Portugal, S.A., que se passou a denominar Portucel, SGPS, S.A., tendente à sua
privatização, formalizou-se em 1993 a constituição da Portucel S.A., em 31 de maio desse ano, ao
abrigo do Decreto-Lei n.º 39/93 de 13 de fevereiro, com os ex-ativos das duas principais sociedades,
sedeadas em Aveiro e Setúbal.
Em 1995, esta empresa haveria de ser privatizada, sendo então colocado no mercado uma parte
significativa do seu capital.
Com o objetivo de reestruturar a indústria papeleira em Portugal, a Portucel adquiriu a Papéis Inapa,
S.A. (Setúbal), em 2000, e a Soporcel – Sociedade Portuguesa de Papel, S.A. (Figueira da Foz), em
2001. Estes movimentos estratégicos foram decisivos e deram origem ao grupo Portucel Soporcel
(atualmente Grupo Navigator) que é atualmente o maior produtor europeu de pasta branca de
eucalipto e de papéis finos não revestidos, respetivamente, com uma capacidade de 1,6 e 1,6
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 214
milhões de toneladas, sendo que anualmente comercializa cerca de 300 mil toneladas de pasta (393
mil tons em 2020), integrando o restante na produção de papel UWF e papel tissue.
Em junho de 2004 o Estado Português alienou uma tranche de 30% do capital da Portucel que foi
adquirida pelo Grupo Semapa que, em setembro desse ano, lançou uma OPA tendente a assegurar
o controlo do Grupo, o que viria a conseguir assegurando uma posição correspondente a 67,1% do
capital da Portucel.
Em novembro de 2006 o Estado Português concluiu a 3ª e última fase de reprivatização, tendo a
Parpública, SGPS, S.A. (ex-Portucel, SGPS, S.A.) alienado os remanescentes 25,72% do capital da
Sociedade.
De 2009 a junho de 2015, a Sociedade foi detida em mais de 75% direta e indiretamente pela
Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão SGPS, S.A. (excluindo ações próprias), tendo a
percentagem de controlo de direitos de voto sido reduzida para cerca de 70% em resultado da
operação pública de troca de títulos da então Portucel por títulos Semapa, realizada em julho de
2015.
Em fevereiro de 2015, o Grupo entrou no segmento do Tissue, com a aquisição da AMS-BR Star
Paper, S.A. (atualmente denominada Navigator Tissue Ródão, S.A.), que detém e opera uma
unidade de produção em Vila Velha de Ródão, tendo construído uma nova unidade industrial em
Aveiro, em agosto de 2018, que é operada pela Navigator Tissue Aveiro, S.A., sendo atualmente o
maior produtor português e o terceiro na Península Ibérica, com uma capacidade de produção de
130 mil toneladas e de transformação de 120 mil toneladas.
A principal atividade do Grupo consiste na produção e comercialização de papel fino de impressão e
escrita (UWF) e de papel de uso doméstico (tissue), estando presente de forma materialmente
relevante em toda a cadeia de valor, desde a investigação e desenvolvimento à produção florestal,
aquisição e venda de madeiras, produção de pasta branqueada de eucalipto – pasta BEKP – e
produção de energia térmica e elétrica, bem como a respetiva comercialização.
A The Navigator Company, S.A. (The Navigator Company ou Empresa) é uma Sociedade Aberta,
cotada na Euronext Lisboa, com o capital social representado por ações nominativas.
Designação Social: The Navigator Company, S.A.
Sede Social: Mitrena – Apartado 55 | 2901-861 Setúbal | Portugal
Forma Jurídica: Sociedade Anónima
Capital Social: €500.000.000
N.I.P.C.: 503 025 798
Uma descrição mais detalhada da atividade em cada ramo de negócio do Grupo encontra-
se divulgada na Nota 2.1 – Rédito e relato por segmentos.
A Navigator é incluída no perímetro de consolidação da
Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A., empresa-mãe, e da
Sodim – SGPS, S.A., entidade controladora final.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 215
1.2. ATUALIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NAVIGATOR
Fruto de uma reflexão estratégica em relação aos seus eixos de desenvolvimento, o Grupo Navigator
decidiu avançar de forma decisiva para a produção de novos produtos de packaging, desenvolvendo
uma nova área de negócio, num segmento em grande crescimento e como resposta à necessidade
sentida a nível mundial de diminuir o consumo de plástico, nomeadamente os plásticos de uso único,
confirmando o seu papel na substituição dos plásticos por materiais sustentáveis.
From Fossil to Forest - uma estratégia alinhada com o propósito de criação de valor sustentável,
para os seus acionistas, e para a sociedade como um todo, deixando às futuras gerações um planeta
melhor. Através de produtos e soluções sustentáveis naturais, recicláveis e biodegradáveis, que
contribuem a montante para a fixação de carbono, para a produção de oxigénio, para a proteção da
biodiversidade, para a formação de solo e para o combate às alterações climáticas, a Navigator
decidiu investir na disponibilização de papéis de embalagem mais seguros e higiénicos para a
indústria alimentar sem os riscos de contaminação por bactérias, microrganismos e até substâncias
perigosas, que a fibra reciclada tipicamente contém. Com uma textura única e uma performance de
impressão singular, estes produtos são resistentes e completamente alinhados com o conceito de
sustainable shelf ready packaging.
Esta nova estratégia de desenvolvimento prevê um crescimento gradual e permitirá tirar partido,
nesta primeira fase, das máquinas de papel PM1 e PM3 de Setúbal, de dimensão mais reduzida, mas
com uma grande flexibilidade de produção, abrindo a possibilidade de conversões futuras ou de um
investimento greenfield em novas máquinas.
No ano de 2021 foram atingidas vendas superiores a 40 milhões de euros para o setor de
embalagem, servindo indústrias transformadoras de sacos, embalagens flexíveis e cartão canelado.
O objetivo da Companhia é aumentar gradualmente a produção até atingir cerca de 200 mil
toneladas em 2025/2026. O Capex previsto nesta primeira fase para a produção destes produtos é
de cerca de 10-12 milhões de euros, por ano, nos próximos anos.
O reporte deste negócio continuará a ser feito como até agora dentro do segmento de Papel UWF,
até ganhar materialidade suficiente.
1.3. IMPACTOS DA PANDEMIA DE COVID-19
O Grupo Navigator tem continuado a acompanhar em permanência a evolução da pandemia, com
atualizações constantes do seu plano de contingência de acordo com as indicações da Direção-Geral
de Saúde e do Governo.
Num contexto de grande adversidade, a Navigator evidenciou uma forte flexibilidade e resiliência no
seu modelo de negócio, ajustando-se de forma ágil às alterações de mercado e atuando
significativamente em toda a sua base de custos fixos e variáveis.
O Grupo continua a avaliar os potenciais impactos na sua posição financeira, na performance e nos
fluxos de caixa do Grupo, bem como nas projeções futuras decorrentes da queda da atividade
económica em resultado da pandemia de Covid-19, designadamente os impactos nas estimativas e
julgamentos contabilísticos relevantes. Dessa análise não resultaram quaisquer indícios de
imparidade.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 216
Recuperabilidade do Goodwill
O Grupo analisou se existiam indícios de imparidade decorrentes dos impactos da Covid-19, de
acordo com as atuais previsões, baseadas nas projeções do crescimento do PIB e da inflação em
Portugal, de acordo com o FMI e Banco de Portugal, que poderiam indiciar a existência de imparidade
do Goodwill. Não foram identificados indícios de imparidade sobre o Goodwill, existindo uma folga
substancial face ao valor contabilístico das unidades geradoras de caixa (nota 3.1).
Recuperabilidade, vida útil e depreciação de ativos fixos tangíveis
Tendo em consideração as perspetivas de consumo global de papel UWF, os preços da pasta e do
papel e as folgas substanciais face aos valores contabilísticos dos ativos, não existem indícios de
existência de imparidades sobre os ativos fixos tangíveis.
Pressupostos atuariais
O Grupo avaliou a taxa de desconto aplicável ao plano de benefícios definidos para empregados e
outros benefícios pós-emprego. A definição da taxa utilizada para descontar as responsabilidades
(taxa de juro técnica) baseia-se em curvas de rentabilidade (yield) de obrigações com notação rating
elevado e com maturidade consistente com a duração das responsabilidades do plano. Decorrente
dessa avaliação e tendo por base o estudo atuarial a 31 de dezembro de 2021, a Navigator manteve
a taxa de desconto em 1,25%, em linha com as taxas de juro de referência. O Grupo apresenta na
Nota 7.2 uma análise de sensibilidade que permite avaliar o impacto de uma eventual alteração da
taxa de desconto.
Ativos biológicos
Na determinação do justo valor das florestas é utilizado o método do valor presente dos fluxos de
caixa descontados, sendo a taxa de desconto, o período de corte e o preço, alguns dos principais
pressupostos que poderão estar sujeitos a alterações decorrentes da pandemia da Covid-19. Neste
sentido, durante o ano de 2021 os planos de corte decorreram dentro do expectável e não se
verificaram impactos significativos que possam influenciar o modelo de justo valor.
No que diz respeito às taxas de desconto, o Grupo apresenta na Nota 3.8 uma análise de
sensibilidade que permite avaliar o impacto de uma eventual alteração da taxa de desconto, sendo
que considera a atual taxa de desconto como a melhor estimativa da administração nesta matéria.
Inventários
Face aos impactos na procura, nomeadamente, ao nível do UWF, o Grupo considera que face às
margens praticadas durante a pandemia, o valor realizável líquido dos seus inventários é superior
ao valor contabilístico, tendo concluído que não são necessários quaisquer ajustamentos aos valores
escriturados.
Recuperabilidade de saldos de Clientes e de outros valores a receber
As perdas por imparidade são registadas com base no modelo simplificado previsto na IFRS 9
registando as perdas esperadas até à maturidade. No Grupo Navigator, os impactos da IFRS 9 na
demonstração da posição financeira consolidada são reduzidos considerando que parte significativa
das suas vendas são seguradas ou devidamente colaterizadas.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 217
Ainda assim, o Grupo avalia periodicamente as perdas com crédito esperadas e os impactos em
todos os ativos financeiros mensurados pelo custo amortizado. Neste sentido, o Grupo avaliou a
atual exposição ao risco de crédito e o eventual impacto das previsões económicas futuras, tendo
concluído que o impacto desta componente é reduzido.
Liquidez
A Empresa dispõe atualmente de uma situação de liquidez confortável, que tem sido fruto de uma
gestão criteriosa de fundo de maneio, contenção do ritmo de implementação do plano de
investimentos planeado e implementação de um programa de confirming para estender os prazos
de pagamento sem, todavia, impactar os Fornecedores.
A Navigator tem trabalhado e continuará a trabalhar de forma exaustiva naquilo que está ao seu
alcance, nomeadamente ao nível do seu planeamento operacional e comercial, na sua eficiência de
custos, na alocação do seu cash flow e na gestão eficaz da sua liquidez para garantir a continuidade
das suas operações e a saúde dos seus Trabalhadores. O grau de incerteza associado à pandemia
do Covid-19 diminuiu em comparação com o ano anterior, sendo maior do que o habitual, contudo
é de assinalar a resposta do Grupo em 2021 com a recuperação no volume de negócios e na
rentabilidade das várias áreas de negócio, que permitirá enfrentar os desafios futuros.
1.4. EVENTOS SUBSEQUENTES
1.4.1. Processo de Antidumping nos EUA: sunset review
Após um período de cinco anos desde o início do processo de anti-dumping, a Navigator solicitou
em 2021 um procedimento chamado “sunset review”, para reavaliar se o processo deveria ser
mantido ou descontinuado. As autoridades americanas efetuaram uma revisão completa do processo
anti-dumping sobre as importações de papel UWF para os Estados Unidos objeto da ordem original,
incluindo as importações provenientes de Portugal, tendo a Navigator participado ativamente no
processo.
Em janeiro de 2022, as autoridades norte-americanas determinaram a continuação do processo de
anti-dumping por mais 5 anos, pese embora o continuado aumento de preços da Navigator no
mercado norte-americano e a redução de oferta nesse mercado por produtores locais.
1.4.2. ESG Risk Rating 2021 da Sustainalytics
Em janeiro de 2022, foi publicada a classificação anual da performance nas vertentes ESG
(ambiental, social e governança empresarial), tendo a Navigator obtido uma pontuação de 14,3,
posicionando-a em 3.º lugar, num total de 81 empresas globais que fazem parte do cluster de
indústrias Paper & Forestry, e em 3.º lugar no subconjunto de 60 sociedades globais que integram
o cluster Paper & Pulp. A avaliação e o bom posicionamento neste ranking espelham o trabalho
contínuo levado a cabo pela Empresa no sentido de integrar a sustentabilidade como prioridade no
seu modelo de negócio, demonstrando a sua capacidade de antecipar e gerir os riscos ESG na
condução das suas atividades.
1.4.3. Conflito militar na Ucrânia e sanções económicas à Federação Russa
Em 21 de fevereiro de 2022, a Federação Russa reconheceu oficialmente duas repúblicas
separatistas do leste da Ucrânia e autorizou o uso de forças militares nesse território. Em 24 de
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 218
fevereiro, as tropas russas invadiram a Ucrânia e iniciou-se um conflito militar generalizado neste
país, que tem implicado elevadas perdas materiais e humanas, conduzindo a deslocações massivas
da população.
Em resposta, múltiplas jurisdições, onde se inclui, a União Europeia, Reino Unido, Suíça, Estados
Unidos da América, Canadá, Japão e a Austrália, condenaram este conflito e iniciaram a aplicação
de diversas sanções económicas à Rússia, a diversos dos seus agentes económicos e, por vezes, à
Bielorrússia. Entre as sanções impostas, destacam-se a proibição de transações de alguns bens
essenciais e relevantes no contexto de conflito, o congelamento dos bens e reservas de determinadas
instituições financeiras russas, empresas e indivíduos de nacionalidade russa. Adicionalmente,
elevado número de bancos russos foram removidos do sistema internacional de pagamentos SWIFT,
limitando a sua capacidade de operar globalmente.
Alguns países anunciaram ainda o encerramento do espaço aéreo a aeronaves russas e deixaram de
operar voos para a Rússia. Acresce referir que várias empresas suspenderam a aquisição de produtos
petrolíferos provenientes, quer da Rússia, quer de empresas russas, tendo sido suspenso o projeto
do gasoduto Nord Stream 2 que ligaria a Rússia à Alemanha.
Novas sanções podem ser implementadas no curto prazo e poderão abranger mais indivíduos,
entidades e uma maior abrangência de bens e serviços. Adicionalmente, a Rússia iniciou uma
retaliação também com medidas económicas, bem como, a nível internacional, um crescente número
de empresas anunciou medidas voluntárias de limitação dos negócios com a Rússia.
Desta forma, perspetiva-se que o impacto económico deste conflito seja muito relevante e poderá
incluir: i) a suspensão e/ou disrupção nos negócios com entidades sediadas ou de origem na Rússia
e Ucrânia; ii) aumento dos preços das commodities, sendo de realçar os combustíveis fósseis, os
metais e cereais; iii) aumento da incerteza económica global, sendo de esperar mais volatilidade
nas taxas de câmbio, nas taxas de juro e um aumento da taxa de inflação; iv) eventual aumento
dos ciberataques, que poderão surgir sobre entidades públicas e privadas dos principais setores da
economia, em especial nos países que impuseram sanções à Rússia ou que apoiem a Rússia.
Neste sentido, o Grupo Navigator decidiu suspender a comercialização dos seus produtos nos
mercados da Rússia e da Bielorrússia e está a acompanhar e a monitorizar continuamente a situação
ao nível dos mercados onde atua geograficamente e em toda a cadeia de fornecimento – desde o
abastecimento de madeira, de energia, de matérias-primas e subsidiárias (incluindo as questões de
logística), nos serviços técnicos e de apoio prestados por empresas estrangeiras e nos prestadores
de serviço em regime de outsourcing, entre outros. O Grupo está convicto de que, face ao peso dos
mercados da Rússia e Ucrânia nas vendas do Grupo, os quais representam menos de 1% com
referência ao período findo a 31 de dezembro de 2021, e o facto de estes mercados não afetarem
diretamente a cadeia de fornecimento, a exposição direta do Grupo aos mercados da Ucrânia e
Rússia não é significativa.
No que respeita ao contexto económico internacional, é expectável uma degradação do atual
enquadramento económico, que se perspetiva de elevada incerteza e rápida evolução, pelo que não
é possível estimar com razoável grau de confiança os eventuais impactos, se alguns, na atividade
do Grupo. De acordo com as normas contabilísticas, estes eventos, ocorridos após a data do balanço,
foram considerados eventos subsequentes não ajustáveis, pelo que os pressupostos considerados
pelo Conselho de Administração para as avaliações de imparidade e recuperabilidade do valor dos
ativos do Grupo à data de 31 de dezembro de 2021 não tomam em consideração o potencial efeito
dos mesmos.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 219
1.5. BASES DE PREPARAÇÃO
1.5.1 Autorização para emissão das demonstrações financeiras
As presentes demonstrações financeiras consolidadas foram aprovadas pelo Conselho de
Administração e autorizadas para emissão em 9 de março de 2022 estando, no entanto, ainda
sujeitas a aprovação pela Assembleia Geral de Acionistas, nos termos da legislação comercial em
vigor em Portugal.
Os responsáveis do Grupo, isto é, os membros do Conselho de Administração que assinam o
presente relatório, declaram que, tanto quanto é do seu conhecimento, a informação nele constante
foi elaborada em conformidade com o referencial contabilístico aplicável, dando uma imagem
verdadeira e apropriada do ativo e do passivo, da situação financeira e dos resultados das empresas
incluídas no perímetro de consolidação do Grupo.
1.5.2 Referencial contabilístico
As demonstrações financeiras consolidadas do exercício findo em 31 de dezembro de 2021 foram
preparadas em conformidade com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), em vigor
em 1 de janeiro de 2021 e conforme adotadas pela União Europeia.
1.5.3 Bases de consolidação
1.5.3.1 Subsidiárias
Subsidiárias são todas as entidades sobre as quais o Grupo tem controlo, o que ocorre quando o
Grupo está exposto, ou tem direito, aos retornos variáveis resultantes do seu envolvimento com as
entidades e tem a capacidade para afetar esse retorno através do exercício do poder sobre as
entidades, independentemente da percentagem que detém sobre os seus capitais próprios.
A existência e o efeito dos direitos de voto potenciais que sejam correntemente exercíveis ou
convertíveis são considerados quando se avalia se o Grupo detém o controlo sobre outra entidade.
As subsidiárias são consolidadas, pelo método integral, a partir da data em que o controlo é
transferido para o Grupo, sendo excluídas da consolidação a partir da data em que o controlo cessa.
O capital próprio e o resultado líquido destas empresas, correspondentes à participação de terceiros
nas mesmas, são apresentados nas rubricas de interesses que não controlam, quer na Demonstração
da posição financeira consolidada (de forma autónoma dentro do capital próprio), quer na
Demonstração dos resultados consolidados. As empresas incluídas nas Demonstrações financeiras
consolidadas encontram-se detalhadas na Nota 11.
A contabilização da aquisição das subsidiárias segue o método da compra. Assim, o custo de uma
aquisição é mensurado pelo justo valor dos bens entregues, dos instrumentos de capital emitidos e
dos passivos incorridos, ou assumidos na data de aquisição, e a melhor estimativa de qualquer
pagamento contingente negociado.
Os ativos e passivos identificáveis adquiridos e passivos contingentes assumidos numa concentração
empresarial são mensurados inicialmente ao justo valor na data de aquisição, independentemente
da existência de interesses que não controlam. O excesso do custo de aquisição relativamente ao
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 220
justo valor da parcela do Grupo dos ativos e passivos identificáveis adquiridos é registado como
Goodwill, que se detalha na Nota 3.1.
Se o custo de aquisição for inferior ao justo valor dos ativos líquidos da subsidiária adquirida
(Goodwill negativo), a diferença é reconhecida diretamente na Demonstração dos Resultados no
exercício em que é apurada.
Os gastos diretamente atribuíveis à transação são imediatamente reconhecidos em resultados.
As transações internas, saldos, ganhos não realizados em transações e dividendos distribuídos entre
empresas do Grupo são eliminados. As perdas não realizadas são também eliminadas, exceto se a
transação revelar evidência da existência de imparidade nos ativos transferidos.
Quando, à data da aquisição do controlo, a The Navigator Company já detém uma participação
adquirida previamente, o justo valor dessa participação concorre para a determinação do Goodwill
ou Goodwill negativo.
Numa operação de aquisição por fases (step acquisition) que resulte na aquisição de controlo, a
reavaliação de qualquer participação anteriormente detida é reconhecida por contrapartida de
resultados aquando do cálculo do Goodwill.
Quando ocorrem transações subsequentes de alienação ou de aquisição de participações a interesses
que não controlam, que não implicam alteração do controlo, não resulta dessa operação qualquer
reconhecimento de ganhos, perdas ou Goodwill, sendo qualquer diferença apurada entre o valor da
transação e o valor contabilístico da participação transacionada, reconhecida no Capital próprio.
Os resultados negativos gerados em cada período pelas subsidiárias com interesses que não
controlam são alocados, na percentagem detida, aos interesses que não controlam,
independentemente destes se tornarem negativos.
No caso de alienações de participações das quais resulte a perda de controlo sobre uma subsidiária,
qualquer participação remanescente é reavaliada ao valor de mercado na data da venda e o ganho
ou perda resultante dessa reavaliação é registado por contrapartida de resultados, assim como o
ganho ou perda resultante dessa alienação.
As políticas contabilísticas das subsidiárias são ajustadas, sempre que necessário, de forma a
garantir que as mesmas são aplicadas de forma consistente por todas as empresas do Grupo.
1.5.3.2 Associadas
Associadas são todas as entidades sobre as quais o Grupo exerce influência significativa, mas não
possui controlo, geralmente com investimentos representando entre 20% a 50% dos direitos de
voto. Os investimentos em associadas são contabilizados pelo método da equivalência patrimonial.
De acordo com o método da equivalência patrimonial, as participações financeiras são registadas
pelo seu custo de aquisição, ajustado pelo valor correspondente à participação do Grupo nas
variações dos capitais próprios (incluindo o resultado líquido) das associadas, por contrapartida de
ganhos ou perdas do período ou variações de capital, e pelos dividendos recebidos.
As diferenças entre o custo de aquisição e o justo valor dos ativos e passivos identificáveis da
associada na data de aquisição, se positivas, são reconhecidas como Goodwill e mantidas no valor
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 221
do investimento em associadas. Se essas diferenças forem negativas são registadas como proveito
do período em que são apuradas na rubrica Resultados apropriados de associadas e
empreendimentos conjuntos.
Os gastos diretamente atribuíveis à transação são imediatamente reconhecidos em resultados.
Quando existem indícios de que o ativo possa estar em imparidade é feita uma avaliação dos
investimentos em associadas, sendo registadas como gasto as perdas por imparidade que se
demonstrem existir.
Quando a participação do Grupo nas perdas da associada iguala ou ultrapassa o seu investimento
na associada, o Grupo deixa de reconhecer perdas adicionais, exceto se tiver incorrido em
responsabilidades ou efetuado pagamentos em nome da associada.
Os ganhos não realizados em transações com as associadas são eliminados na extensão da
participação do Grupo nas associadas. As perdas não realizadas são também eliminadas, exceto se
a transação revelar evidência da existência de imparidade nos ativos transferidos.
As políticas contabilísticas utilizadas pelas associadas na preparação das suas Demonstrações
financeiras individuais são alteradas, sempre que necessário, de forma a garantir consistência com
as políticas adotadas pelo Grupo.
1.5.4 Moeda de apresentação e transações em moeda estrangeira
i. Moeda funcional e de relato
Os elementos incluídos nas Demonstrações Financeiras de cada uma das entidades do Grupo são
mensurados utilizando a moeda do ambiente económico em que a entidade opera (moeda funcional).
As presentes demonstrações financeiras consolidadas encontram-se apresentadas em euros, sendo
esta a moeda funcional e de relato.
ii. Saldos e transações expressos em moeda estrangeira
Todos os ativos e passivos do Grupo expressos em moeda diferente da moeda de relato foram
convertidos para euros utilizando as taxas de câmbio vigentes na data da Posição financeira
consolidada (Nota 8.1.1).
As diferenças de cambio, favoráveis e desfavoráveis, originadas pelas diferenças entre as taxas de
câmbio em vigor na data das transações e as vigentes na data das cobranças, pagamentos ou à
data da Demonstração da posição financeira, foram registadas como rendimentos e/ou gastos
financeiros na Demonstração dos resultados consolidados do exercício.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 222
iii. Empresas do Grupo
Os resultados e a posição financeira de todas as entidades do Grupo que possuam uma moeda
funcional diferente da moeda de relato do Grupo são transpostos para a moeda de relato como
segue:
(i) Os ativos e passivos de cada Demonstração da posição financeira são convertidos à taxa de
câmbio em vigor na data da Demostração da posição financeira consolidada;
(ii) Os saldos das rubricas de Capital próprio são convertidos à taxa de câmbio histórica;
(iii) Os rendimentos e os gastos de cada Demonstração dos resultados são convertidos pelas
taxas de câmbio em vigor nas datas das transações. Quando tal não acontece, ou quando o
custo de tal procedimento ultrapassa os benefícios que dele se retirariam, utiliza-se na
conversão dos rendimentos e gastos a taxa de câmbio média do período.
As diferenças de câmbio resultantes dos pontos i) e iii) acima são reconhecidas no Rendimento
integral consolidado e registadas na rubrica de “Reservas de conversão cambial”, sendo transferidas
para Resultados financeiros aquando da alienação dos correspondentes investimentos.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 223
iv. Taxas de câmbio utilizadas
31-12-2021 31-12-2020
Valorização /
(desvalorização)
GBP (libra esterlina)
Câmbio médio do exercício 0,86 0,89 3,38%
Câmbio de fim do exercício 0,84 0,90 6,53%
USD (dólar americano)
Câmbio médio do exercício 1,18 1,14 -3,55%
Câmbio de fim do exercício 1,13 1,23 7,70%
PLN (zloti polaco)
Câmbio médio do exercício 4,57 4,44 -2,75%
Câmbio de fim do exercício 4,60 4,56 -0,82%
SEK (coroa sueca)
Câmbio médio do exercício 10,15 10,48 3,23%
Câmbio de fim do exercício 10,25 10,03 -2,15%
CZK (coroa checa)
Câmbio médio do exercício 25,64 26,46 3,08%
Câmbio de fim do exercício 24,86 26,24 5,27%
CHF (franco suiço)
Câmbio médio do exercício 1,08 1,07 -0,99%
Câmbio de fim do exercício 1,03 1,08 4,36%
DKK (coroa dinamarquesa)
Câmbio médio do exercício 7,44 7,45 0,23%
Câmbio de fim do exercício 7,44 7,44 0,06%
HUF (florim hungaro)
Câmbio médio do exercício 358,52 351,25 -2,07%
Câmbio de fim do exercício 369,19 363,89 -1,46%
AUD (dólar australiano)
Câmbio médio do exercício 1,57 1,65 4,83%
Câmbio de fim do exercício 1,56 1,59 1,77%
MZM (Moçambique Metical)
Câmbio médio do exercício 77,75 80,23 3,10%
Câmbio de fim do exercício 78,09 92,92 15,96%
MAD (Marrocos Dirham)
Câmbio médio do exercício 10,67 10,82 1,33%
Câmbio de fim do exercício 10,52 10,94 3,83%
NOK (Norway Kroner)
Câmbio médio do exercício 10,16 10,72 5,22%
Câmbio de fim do exercício 9,99 10,47 4,60%
MXN (peso mexicano)
Câmbio médio do exercício 23,99 24,52 2,18%
Câmbio de fim do exercício 23,14 24,42 5,21%
AED (Dirrã)
Câmbio médio do exercício 4,34 4,19 -3,54%
Câmbio de fim do exercício 4,16 4,51 7,70%
CAD (Dólar canadiano)
Câmbio médio do exercício 1,48 1,53 3,10%
Câmbio de fim do exercício 1,44 1,56 7,93%
ZAR (rand sul africano)
Câmbio médio do exercício 17,48 18,77 6,87%
Câmbio de fim do exercício 18,06 18,02 -0,23%
RUB (rublos russos)
Câmbio médio do exercício 87,15 82,72 -5,35%
Câmbio de fim do exercício 85,30 91,47 6,74%
BRL (real brasileiro)
Câmbio médio do exercício 6,38 5,89 -8,21%
Câmbio de fim do exercício 6,31 6,37 0,99%
EGP (libra egípcia)
Câmbio médio do exercício 18,55 18,62 0,40%
Câmbio de fim do exercício 17,82 18,63 4,34%
TRY (lira turca)
Câmbio médio do exercício 10,51 8,05 -30,51%
Câmbio de fim do exercício 15,23 9,11 -67,16%
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 224
1.5.5 Bases de mensuração
As demonstrações financeiras consolidadas anexas foram preparadas no pressuposto da
continuidade das operações, a partir dos livros e registos contabilísticos das empresas incluídas na
consolidação (Nota 11.1), e tomando por base o custo histórico, exceto para os ativos biológicos
(Nota 3.8), e para os instrumentos financeiros mensurados ao justo valor através de resultados ou
ao justo valor através de outro rendimento integral (Nota 8.3), nos quais se incluem os instrumentos
financeiros derivados (Nota 8.2). O passivo relativo a responsabilidades por benefícios definidos é
reconhecido pelo seu valor presente deduzido ao respetivo ativo.
1.5.6 Comparabilidade
As presentes demonstrações financeiras são comparáveis em todos os seus aspetos materialmente
relevantes com as do ano anterior.
Sem prejuízo do parágrafo anterior, no seguimento da alteração no reporte interno de informação
aos órgãos de gestão, na Nota 2.1 – Rédito e relato por segmentos, os ativos e passivos associados
à atividade florestal passaram a estar afetos aos segmentos de Pasta e Papel UWF, em função da
capacidade produtiva de cada um dos segmentos (até 2020 encontravam-se incluídos no segmento
de suporte). Adicionalmente, o património imobiliário do Grupo passou a estar alocado ao respetivo
segmento de negócio (até 2020 encontrava-se incluído no segmento de suporte). Por essa razão foi
reexpresso o comparativo de 2020.
1.6. NOVAS NORMAS IFRS ADOTADAS E A ADOTAR
1.6.1. Outras normas, alterações e interpretações adotadas ou a adotar
Normas, alterações e interpretações adotadas em 2021
Sem impactos nas demonstrações financeiras
Alteração
Data de
aplicação
Normas e alterações endossadas pela União Europeia
Covid 19 – Concessões
de rendas - alteração à
IFRS 16
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Covid-19 – Concessões de rendas”,
que alterou a IFRS 16 Locações.
Se certas condições se verificarem, a alteração permite que os
arrendatários, como um expediente prático, não avaliem se
determinadas concessões de renda relacionadas com o Covid-19 são
modificações da locação. Em vez disso, os arrendatários que
apliquem o expediente prático deverão contabilizar essas concessões
de renda como se não fossem modificações da locação, de modo que,
por exemplo, o valor da renda perdoado em ou antes de 30 de junho
de 2021 é reconhecido no resultado no mesmo ano em que a
concessão é concedida, em vez de ser atribuída ao longo da duração
do contrato, como seria o caso se o expediente prático não fosse
permitido.
A alteração deverá ser aplicada para os períodos anuais com início
em ou após 1 de junho de 2020.
1 de junho
de 2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 225
Alteração
Data de
aplicação
Reforma do índice de
referência da taxa de
juro – Fase 2
(alterações à IFRS 9,
IAS 39, IFRS 7, IFRS 4
e IFRS 16)
Em agosto de 2020, o IASB emitiu a reforma de referência da taxa
de juros – Fase 2, que altera a IFRS 9 Instrumentos Financeiros, IAS
39 Instrumentos Financeiros: reconhecimento e mensuração, IFRS 7
Instrumentos Financeiros: Divulgações, IFRS 4 Contratos de Seguros
e IFRS 16 Locações.
O objetivo das alterações é o de ajudar as entidades a fornecer
informações úteis aos utilizadores das demonstrações financeiras e
apoiar os preparadores na aplicação das Normas IFRS quando são
feitas alterações nos fluxos de caixa contratuais ou relações de
cobertura, como resultado da transição de uma taxa de referência
IBOR para taxas de referência alternativas, no contexto da reforma
das taxas sem risco em curso (reforma do IBOR). As alterações são
o resultado da segunda fase do projeto do IASB que trata dos
impactos contabilísticos da reforma do IBOR, que originou a Reforma
do Referencial da Taxa de Juro (Alterações à IFRS 9, IAS 39 e IFRS
7) emitida pelo IASB em 26 de setembro 2019. Elas complementam
a primeira fase do projeto que tratou dos impactos contabilísticos de
pré-substituição da reforma do IBOR e que foram emitidos pelo IASB
em 2019.
As alterações devem ser aplicadas retrospetivamente para períodos
anuais com início em ou após 1 de janeiro de 2021.
1 de janeiro
de 2021
Extensão da isenção
temporária de
aplicação da IFRS 9
(alterações à IFRS 4)
O IASB emitiu a “Extensão da isenção temporária da aplicação da
IFRS 9 (alterações à IFRS 4) em 25 de junho de 2020.
O objetivo das alterações é estender a data de expiração da isenção
temporária da aplicação da IFRS 9 em dois anos (ou seja, de 2021
pra 2023), a fim de alinhar as datas de vigência da IFRS 9
Instrumentos Financeiros com a IFRS 17 Contratos de Seguros.
1 de janeiro
de 2021
Normas, alterações e interpretações a adotar em períodos posteriores
Sem impactos nas demonstrações financeiras
Alteração
Data de
aplicação
Normas e alterações endossadas pela União Europeia que o Grupo optou pela não
aplicação antecipada
Referências à Estrutura
Conceptual (alterações
à IFRS 3)
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Referências à Estrutura
Conceptual”, alterando a IFRS 3 Concentração de Negócios.
As alterações atualizaram a IFRS 3, substituindo a referência a uma
versão antiga da Estrutura Conceptual por uma referência à versão
mais recente, que foi emitida em março de 2018.
As alterações devem ser aplicadas a concentrações de negócios para
as quais a data de aquisição é no ou após o início do primeiro período
de relatório anual com início em ou após 1 de janeiro de 2022. A
aplicação antecipada é permitida se, ao mesmo tempo ou antes, uma
entidade também aplicar todas as alterações feitas em “Alterações
às referências à Estrutura Conceptual nas normas IFRS”, emitidas
em março de 2018.
1 de janeiro
de 2022
Ativos fixos tangíveis -
Receitas antes do uso
pretendido, alterações
à IAS 16 Ativos fixos
tangíveis
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Ativos fixos tangíveis - Receitas
antes do Uso Pretendido”, que alterou a IAS 16 Ativos fixos tangíveis.
As alterações proíbem a dedução ao custo de um item do
imobilizado, de qualquer receita da venda de itens produzidos ao
trazer esse ativo para o local e condição necessários para que seja
capaz de operar da forma pretendida pela administração. Em vez
disso, a entidade deverá reconhecer em resultados essas receitas de
vendas.
As alterações devem ser aplicadas retrospetivamente para períodos
anuais iniciados em ou após 1 de janeiro de 2022, com aplicação
antecipada permitida.
1 de janeiro
de 2022
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 226
Alteração
Data de
aplicação
Contratos Onerosos -
Custo de cumprir um
contrato
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Contratos Onerosos - Custo de
cumprir um contrato”, que alterou a IAS 37 Provisões, Passivos
Contingentes e Ativos Contingentes.
O objetivo das alterações é o de esclarecer os requisitos da IAS 37
sobre contratos onerosos no que diz respeito à avaliação se, num
contrato, os custos inevitáveis de cumprir as obrigações decorrentes
do contrato excedem os benefícios económicos que se esperam
receber do mesmo.
As alterações devem ser aplicadas para períodos anuais iniciados em
ou após 1 de janeiro de 2022, sendo permitida a sua aplicação
antecipada.
1 de janeiro
de 2022
Melhoramentos do ciclo
2018-2020
Em 14 de maio de 2020, o IASB emitiu melhoramentos às normas
IFRS 2018–2020 contendo as seguintes alterações às IFRSs:
(a) permitir que uma entidade, enquanto subsidiária, associada ou
joint venture, que adopta as IFRS pela primeira vez depois da sua
controladora e opta por aplicar o parágrafo D16 (a) da IFRS 1 Adoção
pela Primeira Vez das Normas Internacionais de Relatório Financeiro,
possa mensurar as diferenças de conversão cumulativas usando os
valores relatados pela controladora, com base na respetiva data de
transição para as IFRS;
(b) esclarecer que a referência às taxas no teste de 10 por cento
inclui apenas taxas pagas ou recebidas entre o mutuário e o credor,
incluindo taxas pagas ou recebidas pelo mutuário ou pelo credor em
nome do outro (IFRS 9);
(c) remover a confusão potencial em relação ao tratamento de
incentivos de locação aplicando a IFRS 16 Locações, conforme
ilustrado no Exemplo Ilustrativo 13 que acompanha a IFRS 16; e
(d) remover o requisito do parágrafo 22 da IAS 41 Agricultura para
que as entidades excluam fluxos de caixa para tributação ao
mensurar o justo valor aplicando a IAS 41.
As alterações serão aplicadas para períodos anuais que iniciem em
ou após 1 de janeiro de 2022, com aplicação antecipada permitida.
1 de janeiro
de 2022
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 227
Alteração
Data de
aplicação
Clarificação
dos requisitos
de classificação de
passivos como corrente
ou não corrente
(alterações à IAS 1 –
Apresentação das
Demonstrações
Financeiras)
O IASB emitiu, em 23 de janeiro de 2020, uma alteração à IAS 1
Apresentação das Demonstrações Financeiras para clarificar como
classificar dívida e outros passivos como corrente e não corrente.
As alterações esclarecem um critério da IAS 1 para classificar um
passivo como não corrente: a exigência de uma entidade ter o direito
de diferir a liquidação do passivo por pelo menos 12 meses após o
período de relatório.
As alterações visam:
a. especificar que o direito de uma entidade de diferir a
liquidação deve existir no final do período de relatório;
b. esclarecer que a classificação não é afetada pelas intenções
ou expectativas da administração sobre se a entidade
exercerá seu direito de adiar a liquidação;
c. esclarecer como as condições de empréstimo afetam a
classificação; e
d. esclarecer os requisitos para classificar passivos que uma
entidade irá liquidar, ou possa liquidar, através da emissão
dos seus próprios instrumentos patrimoniais.
Esta alteração é efetiva para períodos após 1 de janeiro de 2023.
1 de janeiro
de 2023
Divulgação de políticas
contabilísticas
(alterações à IAS 1 –
Apresentação das
demonstrações
financeiras e IFRS
Practice Statement 2)
Na sequência de feedback obtido sobre a necessidade de existir mais
orientação que ajude as empresas a decidir sobre que informação
divulgar relativamente às políticas contabilísticas, o IASB emitiu, em
12 de fevereiro de 2021, alterações à IAS 1 – Apresentação das
demonstrações financeiras e à IFRS Practice Statement 2 – Fazendo
julgamentos de materialidade.
As principais alterações à IAS 1 incluem: i) exigir que as entidades
divulguem informação relativa a políticas contabilísticas materiais
em vez de políticas contabilísticas significativas, ii) esclarecer que as
políticas contabilísticas relacionadas com transações imateriais são
igualmente imateriais e como tal não precisam de ser divulgadas e
iii) esclarecer que nem todas as políticas contabilísticas relacionadas
com transações materiais são, elas mesmas, materiais para as
demonstrações financeiras de uma entidade.
O IASB também alterou a IFRS Practice Statement 2 para incluir
orientações e dois exemplos adicionais na aplicação de materialidade
às divulgações de políticas contabilísticas. Estas alterações são
consistentes com a definição revista de material:
“A informação relativa a políticas contabilísticas é material se,
quando considerada em conjunto com outras informações incluídas
nas demonstrações financeiras de uma entidade, é razoavelmente
esperado que influencie as decisões que os principais utilizadores das
demonstrações financeiras de uma forma geral tomem com base
nessas demonstrações financeiras.”
As alterações entram em vigor a partir de 1 de janeiro de 2023, mas
a sua aplicação antecipada é permitida.
1 de janeiro
de 2023
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 228
Alteração
Data de
aplicação
Normas e alterações ainda não endossadas pela União Europeia
Alterações à IAS 8
Políticas
Contabilísticas,
Alterações nas
Estimativas
Contabilísticas e Erros:
Definição de
Estimativas
Contabilísticas
O IASB emitiu alterações à IAS 8 Políticas Contabilísticas, Alterações
nas Estimativas Contabilísticas e Erros para clarificar como as
entidades devem distinguir as alterações nas políticas contabilísticas
das alterações nas estimativas contabilísticas, com foco principal na
definição e esclarecimentos sobre as estimativas contabilísticas.
As alterações introduzem uma nova definição para estimativas
contabilísticas: clarificando que são valores monetários nas
demonstrações financeiras que estão sujeitos à incerteza de
mensuração.
As alterações também clarificam a relação entre as políticas
contabilísticas e as estimativas contabilísticas, especificando que
uma entidade desenvolve uma estimativa contabilística para atingir
o objetivo estabelecido por uma política contabilística. Os efeitos das
alterações em tais dados ou técnicas de mensuração são alterações
nas estimativas contabilísticas.
As alterações são efetivas para períodos com início em ou após 1 de
janeiro de 2023, com aplicação antecipada permitida, e serão
aplicadas prospectivamente às alterações nas estimativas
contabilísticas e alterações nas políticas contabilísticas ocorridas no
ou após o início do primeiro período de relatório anual ao qual a
entidade aplica as alterações.
1 de janeiro
de 2023
Alterações à IAS 12:
imposto diferido
relacionado com ativos
e passivos decorrentes
de uma única
transação
O IASB emitiu alterações à IAS 12 - 'Impostos sobre o Rendimento',
em 7 de maio de 2021.
As alterações exigem que as empresas reconheçam impostos
diferidos sobre as transações que, no reconhecimento inicial, dão
origem a montantes iguais de diferenças temporárias tributáveis e
dedutíveis.
Em determinadas circunstâncias, as empresas estão isentas de
reconhecer impostos diferidos quando reconhecem ativos ou
passivos pela primeira vez. Anteriormente, havia alguma incerteza
sobre se a isenção se aplicava a transações como locações e
provisões para desmantelamento, isto é, transações no âmbito das
quais as empresas reconhecem um ativo e um passivo. As alterações
esclarecem que a isenção não se aplica a este tipo de transações e
que as empresas são obrigadas a reconhecer impostos diferidos. O
objetivo das alterações é reduzir a diversidade na divulgação de
impostos diferidos sobre locações e provisões para
desmantelamento.
As alterações entram em vigor para os períodos anuais com início
em ou após 1 de janeiro de 2023. A aplicação antecipada é permitida.
1 de janeiro
de 2023
IFRS 17 – Contratos de
Seguros
O IASB emitiu em 18 de maio de 2017 uma norma que veio substituir
a IFRS 4 e reformar por completo o tratamento a dar aos contratos
de seguro. A norma introduz alterações significativas à forma como
é mensurado e apresentada a performance dos contratos de seguro
com diversos impactos também ao nível da posição financeira. A
norma prevê a sua aplicação para os exercícios que se iniciem em ou
após 1 de janeiro de 2023.
1 de janeiro
de 2023
1.7. ESTIMATIVAS E JULGAMENTOS CONTABILÍSTICOS RELEVANTES
A preparação de demonstrações financeiras consolidadas exige que a gestão do Grupo efetue
estimativas e julgamentos que afetam os montantes de rendimentos, gastos, ativos, passivos e
divulgações à data da posição financeira consolidada. Para o efeito, a gestão do Grupo baseia-se:
(i) na melhor informação e conhecimento de eventos presentes e em alguns casos em relatos
de peritos independentes, e
(ii) nas ações que o Grupo considera poder vir a desenvolver no futuro.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 229
Na data de concretização das operações, os seus resultados poderão ser diferentes destas
estimativas.
As estimativas e julgamentos mais significativos são apresentados abaixo:
Estimativas e julgamentos
Notas
Recuperabilidade do goodwill
3.1 – Goodwill
Incerteza quanto aos tratamentos do imposto
sobre o rendimento
6.1 - Imposto sobre o rendimento do período
6.2 - Impostos diferidos
Pressupostos atuariais
7.2 – Benefícios aos empregados
Justo valor dos ativos biológicos
3.8 – Ativos biológicos
Reconhecimento de provisões
10.1 - Provisões
Recuperabilidade, vida útil e depreciação
de ativos fixos tangíveis
3.3 – Ativos fixos tangíveis
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 230
2. PERFORMANCE OPERACIONAL
2.1. RÉDITO E RELATO POR SEGMENTOS
Políticas contabilísticas
Áreas de negócio do Grupo Navigator
A principal atividade do Grupo Navigator consiste na produção e comercialização de papel fino de
impressão e escrita (UWF) e de papel de uso doméstico (tissue), estando presente de forma
relevante em toda a cadeia de valor, desde a investigação e desenvolvimento à produção florestal,
aquisição e venda de madeiras, produção de pasta branqueada de eucalipto – pasta BEKP – e
produção de energia térmica e elétrica, bem como a respetiva comercialização.
O Grupo Navigator dispõe de quatro complexos industriais, dois dos quais localizados na Figueira da
Foz e em Setúbal onde produz pasta BEKP, energia elétrica e papel UWF. Dispõe ainda de um outro
complexo industrial localizado em Aveiro onde produz pasta BEKP, energia e papel tissue, e de outro
em Vila Velha de Ródão onde produz apenas papel tissue.
A produção própria de madeira e cortiça é efetuada em plantações florestais em terrenos próprios e
arrendados situados em Portugal e Espanha, bem como em terrenos concessionados situados em
Moçambique. A cortiça e a madeira de pinho produzidas são vendidas a terceiros, enquanto a
madeira de eucalipto é essencialmente consumida na produção de pasta BEKP.
Na produção de UWF e de tissue é consumida uma parte significativa da produção própria de pasta
BEKP. As vendas de pasta BEKP, papel UWF e papel tissue – destinam-se a mais de 130 países e
territórios em todo o mundo.
No que respeita à produção de energia, o Grupo possui 3 centrais de cogeração, integradas na
produção de pasta, produzindo-se vapor e eletricidade, sendo o primeiro consumido internamente e
a segunda maioritariamente vendida à rede nacional de energia ou em mercado. O Grupo Navigator
possui ainda duas centrais de cogeração a gás natural, integradas na produção de papel na Figueira
da Foz e em Setúbal, e duas centrais independentes, alimentadas a biomassa, sendo que a produção
das duas últimas é toda vendida à rede nacional de energia ou em mercado. Possui ainda três
centrais fotovoltaicas para autoconsumo, duas em Setúbal e uma na Figueira da Foz.
Relato por segmentos
O Grupo considera um segmento operacional, ao abrigo da IFRS 8, como uma componente do grupo
que desenvolve atividades de negócio da qual pode obter réditos e incorrer em gastos, cujos
resultados operacionais são regularmente revistos pela Comissão Executiva, a qual é a principal
responsável pela tomada de decisões operacionais do Grupo para efeitos da tomada de decisões
sobre a imputação de recursos ao segmento e da avaliação do seu desempenho e relativamente à
qual esteja disponível informação financeira distinta.
Cada segmento reportável corresponde à cadeia de valor do processo integrado de produção
associado ao produto de cada segmento de negócio, (Pasta para mercado, Papel UWF, Papel Tissue
e Energia) considerando a atividade de venda dos respetivos produtos em mercado, de forma
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 231
consistente com a informação utilizada pela Comissão Executiva para monitorização operacional dos
seus negócios.
Neste sentido, as vendas intrassegmentais, são aquelas que ocorrem dentro do mesmo complexo
fabril e cujos inputs de produção são utilizadas no processo produtivo do segmento em questão.
Desta forma, os valores reportados para cada segmento operacional resultam da agregação das
unidades de negócio e subsidiárias definidas no perímetro de cada segmento, bem como a anulação
das transações intrassegmentos.
As vendas intersegmentais, correspondem às vendas entre segmentos de negócio, sendo as mesmas
eliminadas para efeitos de consolidação e este efeito é apresentado na coluna de “Eliminações”. Na
agregação dos segmentos operacionais do Grupo, a gestão definiu como segmentos relatáveis
aqueles que correspondem a cada uma das áreas de negócio desenvolvidas pelo Grupo, como segue:
i. Pasta para Mercado – pasta branqueada de eucalipto BEKP para venda a mercado;
ii. Papel UWF - produção e comercialização de papel de impressão e escrita não revestido
UWF;
iii. Papel tissue - produção e comercialização de papel de uso doméstico;
iv. Energia renovável a biomassa – que inclui as centrais a cogeração e as duas centrais
termoelétricas independentes;
v. Suporte - segmento que inclui o centro corporativo (holding).
No que respeita à alocação dos ativos e passivos aos segmentos de negócio salienta-se que:
• Todos os equipamentos afetos à produção de Pasta e Papel UWF encontram-se incluídos nos
ativos fixos tangíveis dos respetivos segmentos.
• O património imobiliário do Grupo encontra-se afeto ao respetivo segmento de negócio (até
2020 estava incluídos no segmento de suporte).
• Os ativos associados à floresta encontram-se afetos aos segmentos de Pasta e Papel UWF
em função da capacidade produtiva de cada um dos segmentos (até 2020 eram incluídos no
segmento de suporte).
• A generalidade dos ativos afetos a cada um dos segmentos individualizados, com exceção
dos valores a receber, está localizada em Portugal.
• De acordo com a política de financiamento do Grupo Navigator, todos os empréstimos são
contraídos pela Holding do Grupo, a The Navigator Company, S.A., que suporta a totalidade
da dívida e dos encargos associados. Neste sentido, os financiamentos obtidos (Nota 5.7)
estão alocados ao segmento de “Suporte”, que inclui o centro corporativo (Holding) do
Grupo, com exceção do subsídio reembolsável associado à construção da nova fábrica de
tissue, alocado ao segmento “Papel Tissue” e a uma parte do subsídio “Inpactus” alocada ao
segmento “Papel UWF”.
Rédito
O rédito é apresentado desagregando por segmento operacional e por área geográfica, com base no
país de destino dos bens e serviços vendidos pelo Grupo.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 232
Os contratos comerciais com Clientes referem-se essencialmente à venda de produtos como papel,
pasta, tissue e energia, e numa extensão limitada ao transporte inerente a esses produtos, quando
aplicável.
O reconhecimento de rédito em cada segmento operacional descreve-se como segue:
Pasta para
Mercado
O rédito da pasta, resulta das vendas efetuadas a produtores internacionais de papel e de
décor. O rédito é reconhecido num momento específico, pelo montante da obrigação de
performance satisfeita, correspondendo o preço da transação a uma quantia fixa faturada em
função das quantidades vendidas, deduzida de descontos de pronto pagamento e descontos
de quantidade, que são determináveis com fiabilidade. Na vertente da exportação, a
transferência de controlo dos produtos ocorre na sua generalidade quando existe transferência
de controlo para o cliente, conforme os Incoterms negociados.
UWF
O rédito de papel, refere-se às vendas efetuadas através de Lojas de retalho (B2C) ou
Distribuidores comerciais (B2B) os quais incluem grandes distribuidores, grossistas ou
operadores comerciais. O rédito é reconhecido num momento específico, na data da entrega
do produto ao cliente quando ocorre a transferência de controlo, pelo montante da obrigação
de performance satisfeita, sendo que o preço da transação corresponde a uma quantia fixa
faturada em função das quantidades vendidas, deduzida de descontos de pronto pagamento
e descontos de quantidade, que são determináveis com fiabilidade.
Tissue
O rédito de tissue resulta das vendas de papel tissue produzido para a marca própria de redes
de retalho moderno nacionais e internacionais. O rédito é reconhecido num momento
específico, pelo montante da obrigação de performance satisfeita, sendo que o preço da
transação corresponde a uma quantia fixa faturada em função das quantidades vendidas,
deduzida de descontos de pronto pagamento e descontos de quantidade, que são
determinados com fiabilidade. O rédito é reconhecido contra a entrega do produto, data em
que se considera existir a transferência do controlo sobre o produto.
Energia
O rédito de energia resulta da valorização da energia entregue na Rede nacional de Energia
ou vendida em mercado, conforme contagem em contador, valorizada à tarifa definida no
contrato para um período de 25 anos em curso no primeiro caso ou ao preço de mercado no
segundo caso.
A partir de novembro de 2021, face à volatilidade dos preços de mercado da energia elétrica,
o Grupo passou vender o excedente de produção da central de ciclo combinado a gás natural
de Setúbal a preços de mercado, em detrimento da tarifa regulada. Prevê-se que, em 2022,
o mesmo aconteça com o excedente de produção de outras centrais do Grupo.
Suporte
O rédito da venda de outros produtos, como por exemplo os desperdícios, ou serviços
(corretagem, por exemplo) é reconhecido na data da entrega do produto ao cliente pelo
montante da obrigação de performance satisfeita. Os réditos associados a este segmento são
reclassificados para menos custo.
O Grupo Navigator considera os factos e circunstâncias quando analisa os termos de cada contrato
com Clientes e as suas práticas comerciais habituais na determinação do preço da transação. Neste
sentido, ao nível de impostos sobre vendas, da avaliação efetuada pela Navigator, não existem
situações passíveis de ser incluídas no preço da transação. No que respeita especificamente à taxa
anti-dumping, esta configura uma taxa de entrada de mercadoria no país (no caso EUA) e não é
uma taxa determinada a priori, antes depende da análise do Department of Commerce a posteriori.
Desta forma a mesma configura uma redução à margem bruta obtida nos Estados Unidos da América
e não um ajuste ao preço da transação.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 233
Informação financeira por segmentos operacionais em 2021 e 2020
Em 2021, a The Navigator Company registou um volume de negócios de €1.596 milhões, tendo as
vendas de papel representado cerca de 72% do volume de negócios (vs.68%), as vendas de pasta
11% (vs.11%), as vendas de tissue 9% (vs.10%) e as vendas de energia 8% (vs.10%). O ano ficou
marcado pela evolução positiva da procura de UWF, particularmente na Europa, depois de um ano
de queda expressiva no consumo global de papel em resultado da pandemia de Covid-19.
Ao longo de 2021 assistiu-se ao crescimento de volumes de venda de papel, tendo sido realizados
aumentos sucessivos de preços de UWF, pasta e tissue a par com otimização expressiva do mix de
vendas.
A aposta na linha de negócio de packaging permitiu ao Grupo atingir em 2021 vendas superiores a
40 milhões de euros para o setor de embalagem, refletindo condições favoráveis de procura e o
esforço de desenvolvimento de produtos inovadores. Esta aposta terá continuidade em 2022, quer
pelo alargamento de gamas em termos de gramagens, quer pela inovação e desenvolvimento de
novas soluções de embalagem sustentáveis, contribuindo para a redução de utilização de plásticos.
Esta nova área de negócio, na sua atual fase de desenvolvimento, encontra-se incluída no segmento
de Papel UWF, na medida em que, à luz da IFRS 8, os patamares quantitativos ainda não foram
superados, e pelo facto de esta linha de negócio ter uma natureza similar à do Papel UWF e partilhar
um conjunto significativo de processos produtivos e comerciais.
O valor correspondente ao total das vendas de energia foi de €135.173.674 face a €143.693.997
em 2020. Este decréscimo decorre essencialmente do facto da central de ciclo combinado a gás
natural do complexo industrial de Setúbal ter passado a operar em regime de autoconsumo desde
o início do ano, abastecendo uma das máquinas de papel do complexo e vendendo apenas o
excedente de produção à rede. Na sequência da volatilidade dos preços de eletricidade registados
PASTA
MERCADO
PAPEL UWF PAPEL TISSUE ENERGIA SUPORTE ELIMINAÇÕES* TOTAL
RÉDITOS
Vendas e prestações de serviços - externas 161.241.425 1.153.642.635 145.812.710 135.173.674 - - 1.595.870.445
Vendas e prest. de serviços - intersegmental 2.428.613 - - 36.257.669 - (38.686.283) -
Réditos totais 163.670.038 1.153.642.635 145.812.710 171.431.343 - (38.686.283) 1.595.870.445
RESULTADOS
Resultado operacional 40.791.295 210.733.857 18.996.161 8.312.210 (49.259.482) - 229.574.041
Resultados financeiros - - - - (17.777.209) - (17.777.209)
Imposto sobre o rendimento - - - - (40.378.319) - (40.378.319)
Resultado líquido do período 171.418.513
Interesses que não controlam - - - - (7.058) - (7.058)
Resultado atribuível aos detentores do capital - - - - - - 171.411.455
OUTRAS INFORMAÇÕES
Dispêndio de capital fixo 17.547.329 49.476.764 4.574.712 6.547.053 1.887.715 - 80.033.573
Depreciações (inclui imparidades) (10.819.597) (70.212.588) (10.114.964) (25.860.263) (4.991.933) - (121.999.345)
Provisões ((aumentos) / reversão) (12.000) (2.839.925) - (36.000) (255.019) - (3.142.944)
OUTRAS INFORMAÇÕES
ATIVOS DO SEGMENTO
Goodwill - 376.756.383 583.083 - - - 377.339.466
Ativos fixos tangiveis 113.818.709 570.750.077 150.555.169 226.611.114 83.509.438 - 1.145.244.507
Ativos sob direito de uso 10.318.973 37.985.826 - - 2.888.159 - 51.192.959
Ativos biológicos 36.885.846 110.438.215 - - - - 147.324.061
Valores a receber não correntes 74.861 530.535 91.076 - 7.908.076 - 8.604.547
Inventários 12.607.349 151.206.224 21.445.680 498.296 793.109 - 186.550.658
Clientes 27.516.273 144.048.402 31.270.504 791.242 7.162.662 - 210.789.083
Outros valores a receber correntes 3.812.894 23.355.908 3.106.937 2.021.281 74.796.656 - 107.093.677
Outros ativos 1.053.682 48.859.236 1.347.605 38.500 241.873.570 - 293.172.593
Ativos totais 206.088.588 1.463.930.805 208.400.055 229.960.433 418.931.670 - 2.527.311.551
Financiamentos obtidos - 554.367 35.647.751 - 797.741.932 - 833.944.049
Passivos de locação 10.792.437 39.443.439 - - 3.005.049 - 53.240.925
Outros valores a pagar correntes 35.865.521 214.109.691 14.194.351 1.942.885 127.049.446 - 393.161.894
Outros passivos 12.841.723 103.296.985 12.832.704 9.596.076 63.283.115 - 201.850.603
Passivos totais 59.499.681 357.404.481 62.674.806 11.538.961 991.079.541 - 1.482.197.471
* Eliminação de Operações Intersegmento. Os ajustamentos de consolidação relacionados com as transacções inter-segmentais são considerados não significativos.
2021
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 234
no mercado e alterações legislativas publicadas em novembro de 2021, o excedente de produção
desta central passou a ser vendido a preços de mercado em detrimento da tarifa regulada desde
essa data.
O dispêndio de capital fixo em 2021 situou-se em €80.033.573, comparando com €80.643.437 do
ano anterior. Fruto da desaceleração económica provocada pela pandemia de Covid-19, a Navigator
decidiu rever o plano de investimentos previstos para 2020, tendo-se verificado em 2021 menor
disponibilidade dos Fornecedores em retomar as entregas, o que justifica a redução verificada face
a anos anteriores. Com a retoma progressiva da atividade prevê-se que o plano de investimentos
regresse a níveis normais.
O investimento realizado no ano inclui maioritariamente investimentos direcionados para a
modernização de equipamentos, manutenção da capacidade produtiva e melhorias de eficiência.
Inclui ainda cerca de 14 milhões de euros na área ambiental e descarbonização, com particular
destaque para a última componente do investimento na Nova Caldeira de Biomassa na Figueira da
Foz (6 milhões de euros) e a nova linha de evaporação em Aveiro (3,5 milhões de euros). Destacam-
se ainda outros investimentos como o novo parque de madeiras na Figueira da Foz (7,2 milhões de
euros), a nova pilha de aparas de Aveiro (1,1 milhões de euros), a remodelação da zona húmida da
tiragem de Aveiro (9,3 milhões de euros) e as centrais fotovoltaicas da Figueira da Foz e de Setúbal
(1 milhão de euros), num total de 18,8 milhões de euros.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 235
Na sequência da alteração referida quanto à alocação de ativos e passivos aos segmentos de negócio
(Nota 1.5.6), apresenta-se de seguida o relato por segmentos relativo a 31 de dezembro de 2020
reexpresso:
** Tal como divulgado na nota 1.5.6, os ativos e passivos associados à atividade florestal passaram a estar afetos aos segmentos de Pasta e Papel
UWF, em função da capacidade produtiva de cada um dos segmentos. Por esta razão, as vendas intersegmentais que se apresentavam em
2020 no segmento de Suporte, no montante de 243.361.483 Euros passaram a estar afetos aos segmentos de Pasta e Papel UWF nos
montantes de 60.840.371 e 182.521.112, respetivamente, bem como as respetivas eliminações intragrupo. Esta alteração teve impacto nas
rubricas de balanço apresentadas. No mesmo sentido, o património imobiliário do grupo, anteriormente divulgado no segmento de suporte
passou a estar alocado ao respetivo segmento de negócio.
Rédito por segmento de negócio, por áreas geográficas e por padrão de
reconhecimento
PASTA
MERCADO
PAPEL UWF PAPEL TISSUE ENERGIA SUPORTE ELIMINAÇÕES* TOTAL
RÉDITOS
Vendas e prestações de serviços - externas 157.821.044 942.400.510 141.445.074 143.693.996 - - 1.385.360.624
Vendas e prest. de serviços - intersegmental 3.817.525 - - 19.358.056 - (23.175.581) -
Réditos totais 161.638.569 942.400.510 141.445.074 163.052.052 - (23.175.581) 1.385.360.624
RESULTADOS
Resultado operacional 9.756.411 131.564.720 10.846.428 21.447.231 (33.190.152) - 140.424.638
Resultados financeiros - - - - (14.685.632) - (14.685.632)
Imposto sobre o rendimento - - - - (16.522.754) - (16.522.754)
Resultado líquido do período 109.216.252
Interesses que não controlam - - - - (2.532) - (2.532)
Resultado atribuível aos detentores do capital - - - - - - 109.213.720
OUTRAS INFORMAÇÕES
Dispêndio de capital fixo 19.837.834 29.725.845 5.089.476 23.090.104 2.900.178 - 80.643.437
Depreciações (inclui imparidades) (12.517.621) (91.951.269) (15.527.692) (17.729.192) (5.047.101) - (142.772.875)
Provisões ((aumentos) / reversão) (12.000) (292.704) (24.000) - (1.981.584) - (2.310.288)
OUTRAS INFORMAÇÕES
ATIVOS DO SEGMENTO
Goodwill - 376.756.383 583.083 - - - 377.339.466
Ativos fixos tangiveis 110.723.675 675.958.753 157.001.815 157.781.230 82.484.119 - 1.183.949.592
Ativos sob direito de uso 10.320.154 38.026.121 - - 3.480.725 - 51.827.000
Ativos biológicos 37.146.113 111.438.339 - - - - 148.584.452
Valores a receber não correntes 60.590 3.694.221 93.786 - 30.847.508 - 34.696.105
Inventários 9.796.231 145.250.401 18.489.151 315.510 2.883.844 - 176.735.137
Clientes 15.451.304 84.257.576 26.684.915 1.377.272 6.263.979 - 134.035.047
Outros valores a receber correntes 11.077.543 38.898.651 1.388.737 3.014.344 43.357.960 - 97.737.235
Outros ativos 79.522 25.236.686 537.684 79.150 322.585.687 - 348.518.729
Ativos totais 194.655.132 1.499.517.130 204.779.171 162.567.506 491.903.823 - 2.553.422.764
PASSIVOS DO SEGMENTO
Financiamentos obtidos - 420.151 36.922.455 - 945.068.176 - 982.410.783
Passivos de locação 10.600.063 38.909.235 - - 3.571.621 - 53.080.919
Outros valores a pagar correntes 23.420.059 158.059.745 10.893.183 11.678.594 99.598.109 - 303.649.690
Outros passivos 13.329.879 89.934.845 13.648.970 6.890.219 64.275.771 - 188.079.683
Passivos totais 47.350.000 287.323.976 61.464.608 18.568.812 1.112.513.678 - 1.527.221.075
* Eliminação de Operações Intersegmento. Os ajustamentos de consolidação relacionados com as transacções inter-segmentais são considerados não significativos.
2020 Reexpresso**
2021
Valores em Euros
Pasta Papel UWF Papel Tissue Energia
Total
Valor
Total
%
Portugal 2.857.768 61.336.753 55.941.695 135.173.674 255.309.890 16%
Resto da Europa 125.606.144 586.522.363 83.886.052 - 796.014.559 50%
América do Norte 1.800.302 128.791.201 231.616 - 130.823.119 8%
América Latina - 69.778.306 2.020.481 - 71.798.787 4%
África 13.336.229 193.679.141 3.706.845 - 210.722.215 13%
Ásia 17.640.982 111.852.939 26.022 - 129.519.943 8%
Oceania - 1.681.932 - - 1.681.932 0%
161.241.425 1.153.642.635 145.812.710 135.173.674 1.595.870.445 100%
Padrão de reconhecimento
Em determinado momento do tempo 161.241.425 1.153.642.635 145.812.710 135.173.674 1.595.870.445 100%
Ao longo do tempo - - - - 0%
2020
Valores em Euros
Pasta Papel UWF Papel Tissue Energia
Total
Valor
Total
%
Portugal 3.999.267 55.988.813 52.869.793 143.693.996 256.551.869 19%
Resto da Europa 91.621.356 595.203.524 81.447.990 - 768.272.870 55%
América do Norte 1.010.697 87.790.410 3.433.315 - 92.234.422 7%
América Latina - 38.992.998 563.093 - 39.556.091 3%
África 6.029.084 128.587.469 3.074.995 - 137.691.548 10%
Ásia 55.160.640 35.229.242 55.888 - 90.445.770 7%
Oceania 608.053 - - 608.053 0%
157.821.044 942.400.510 141.445.074 143.693.996 1.385.360.624 100%
Padrão de reconhecimento
Em determinado momento do tempo 157.821.044 942.400.510 141.445.074 143.693.996 1.385.360.624 100%
Ao longo do tempo - - - - - 0%
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 236
Distribuição do rédito do Grupo por áreas geográficas
Em 2021 e 2020, nenhum cliente representou individualmente 10% ou mais dos réditos totais do
Grupo.
2.2. OUTROS RENDIMENTOS E GANHOS OPERACIONAIS
Nos períodos findos em 31 de dezembro de 2021 e 2020, a rubrica de Outros rendimentos e ganhos
operacionais decompõe-se como segue:
Em 2021, a rubrica de Ganhos na alienação de ativos não correntes inclui a venda do Parque de
madeira e biomassa em Albergaria-a-Velha, que se encontrava inativo, que gerou uma mais-valia
de 2.458.230 euros. O restante respeita à venda de terrenos com reduzida aptidão silvícola.
Os ganhos em licenças de CO
2
correspondem ao reconhecimento da estimativa de atribuição gratuita
de licenças para a emissão de 442.732 toneladas de CO
2
, ao preço médio de €33,69 (482.453
toneladas de CO
2
, ao preço médio de €23,82 em 31/12/2020) (Nota 3.2).
Os subsídios à exploração correspondem a subsídios atribuídos no âmbito de projetos de
investigação e desenvolvimento realizados pelo instituto RAIZ, como o projeto IPLANT, INPACTUS,
FitoGlobulus, Proteus, entre outros.
A reversão de imparidades em inventários no exercício de 2020 decorreu maioritariamente da venda
de desperdícios de papel UWF (€8.624.342) e tissue (€1.196.905).
A rubrica de Indemnizações de seguros em 2020 incluía a indemnização associada à avaria da
turbina a vapor da central a gás combinado de Setúbal.
Portugal Resto da Europa América do Norte América Latina África Ásia Oceania
2021
M€ 72
M€ 796
M€ 255
M€ 211
M€ 130
M€ 131
Portugal Resto da Europa América do Norte América Latina África Ásia Oceania
2020
M€ 257
M€ 768
M€ 92
M€ 138
M€ 91
M€ 40
Valores em Euros 2021 2020
Ganhos na alienação de ativos não correntes 2.785.295 619.810
Subsídios - Licenças de emissão CO2 (Nota 3.2) 14.915.653 10.066.383
Rendimentos suplementares 1.169.398 1.519.921
Subsídios à exploração 2.703.017 2.539.897
Reversão de imparidades em dividas a receber (Nota 8.1.4) 77.603 47.052
Reversão de imparidades em inventários (Nota 4.1.4) 866.224 9.900.226
Ganhos em existências 1.029.340 1.735.837
Trabalhos para a própria empresa 824.120 418.565
Indemnizações 418.549 2.121.913
Outros rendimentos operacionais 6.591.035 9.990.566
31.380.233 38.960.170
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 237
Políticas contabilísticas
Subsídios do Governo
Subsídios à exploração
Os subsídios do Governo só são reconhecidos após existir segurança de que o Grupo cumprirá as
condições inerentes aos mesmos e que os subsídios serão recebidos. Os subsídios à exploração,
recebidos com o objetivo de compensar o Grupo por custos incorridos, são registados na
demonstração dos resultados de forma sistemática durante os períodos em que são reconhecidos os
custos que aqueles subsídios visam compensar.
Subsídios relacionados com ativos biológicos
Os subsídios relacionados com ativos biológicos (Nota 3.8) valorizados pelo seu justo valor, conforme
a IAS 41, são reconhecidos na demonstração dos resultados quando os termos e condições de
atribuição do subsídio estão satisfeitos.
Subsídios – Licenças de emissão de CO
2
Os subsídios relativos a licenças de emissão de CO
2
(Nota 3.2) são reconhecidos como rendimento
diferido e são registados na demonstração dos resultados de forma sistemática durante os períodos
em que são reconhecidos os gastos que aqueles subsídios visam compensar.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 238
2.3. GASTOS E PERDAS OPERACIONAIS
De forma a mitigar a expectável quebra de rendimentos proveniente da redução do volume de
negócios decorrente da pandemia, a Navigator implementou diversas medidas de redução de custos.
Não obstante, durante 2021 assistiu-se ao aumento significativo dos custos de energia, logística e
do CO
2
.
Na Energia, destaca-se o aumento dos preços da energia elétrica e do gás natural, embora o
aumento de custos tenha sido parcialmente mitigado pela política de cobertura de risco com
contratação a taxa fixa para grande parte das compras de 2021.
Os custos de logística apresentam uma evolução negativa, fruto dos atuais constrangimentos
logísticos que estão a afetar de forma transversal a economia. Não obstante, a Navigator conseguiu
manter a sua atividade a 100%, sem qualquer disrupção de fornecimentos.
Em 2021 e 2020, os custos com fornecimentos e serviços externos incorridos com pesquisa e
investigação ascenderam a €4.475.304 e €4.492.905, respetivamente.
O Grupo prevê candidatar a SIFIDE cerca de 12 milhões de euros (13 milhões, em 2020) relativos
a despesas com investigação e desenvolvimento (as quais incluem também custos com pessoal
elegíveis). Esta despesa permitirá assegurar incentivos de cerca de 4,7 milhões de euros (2020: €6
milhões).
2021 2020
Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas (Nota 4.1.2) 629.794.745 569.724.151
Fornecimentos e serviços externos
Energia e fluídos 134.874.499 121.404.375
Transporte de Mercadorias 152.168.311 112.407.334
Trabalhos especializados 83.265.324 70.339.591
Conservação e reparação 29.676.463 33.749.621
Rendas e alugueres 8.216.430 9.838.708
Publicidade e propaganda 9.754.042 10.906.452
Seguros 7.865.892 8.473.222
Deslocações e estadas 2.624.556 2.309.764
Honorários 5.008.210 4.840.766
Subcontratos 2.086.188 1.994.246
Materiais 2.737.852 1.879.596
Comunicações 1.469.281 1.369.141
Outros 9.655.313 12.741.886
449.402.361 392.254.701
Variação da produção (Nota 4.1.3) (1.612.980) 32.545.175
Gastos com o pessoal (Nota 7.1) 155.015.795 132.129.704
Outros gastos e perdas operacionais
Gastos com emissões de CO2 (Nota 3.2) 24.788.284 15.947.338
Imparidades em dividas a receber 408.238 306.018
Imparidades em inventários (Nota 4.1.4) 2.643.558 933.009
Outras perdas em inventários (Nota 4.1) 1.555.909 2.684.182
Impostos indiretos e taxas 1.663.855 2.553.283
Taxa recursos hidricos 1 689 769 1 536 970
Outros gastos operacionais 5.924.423 5.013.073
38.674.036 28.973.873
Provisões líquidas (Nota 10.1) 3.142.944 2.310.288
-
Total dos Gastos e perdas operacionais 1.271.273.957 1.155.627.603
Valores em Euros
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 239
Os gastos com emissão de CO
2
correspondem à emissão de 561.613 toneladas de CO
2
46
(31 de
dezembro de 2020: 717.121 toneladas), observando-se, pois, uma redução de 22% nas emissões
de CO
2
face a 2020. Para esta redução foi determinante a entrada em funcionamento da nova
caldeira de biomassa no complexo industrial da Figueira da Foz. O aumento do gasto do exercício
deve-se, essencialmente, ao aumento da cotação das licenças.
As perdas em inventários registadas em 2021 derivam, essencialmente, de acertos de contagem de
madeira e estilha.
Honorários faturados por serviços de revisão legal de contas e auditoria
Em 2021, os serviços distintos dos serviços de auditoria faturados à sociedade ou a entidades que
com ela mantenham uma relação de domínio pelo Auditor Externo e Revisor Oficial de Contas,
incluindo as entidades que com ele se encontram em relação de participação ou que integram a
mesma rede, representaram 41% (2020: 26%) do total dos serviços prestados.
Os serviços indicados como “Outros serviços de garantia de fiabilidade” dizem respeito a emissão de
relatórios sobre informação financeira, serviços de verificação da Informação de Sustentabilidade e
revisões limitadas relativas a informação financeira intercalar. Os Outros serviços referem-se a um
trabalho de Due Diligence de demonstrações financeiras.
O Conselho de Administração entende existirem suficientes procedimentos de salvaguarda da
independência dos auditores através dos processos de análise do Conselho Fiscal, dos trabalhos
propostos e da sua definição criteriosa em sede de contratação.
46
Emissões de CO
2
dos ativos nas fábricas, Scope 1 - base CELE.
Valores em Euros
KPMG &
Associados
SROC
Outras
sociedades da
rede
Sociedade The Navigator Company, S.A.
Serviços de revisão legal de contas e auditoria 104.746 -
Outros serviços de garantia de fiabilidade 87.875 -
Outros serviços 72.250 -
264.871 -
A entidades que integrem o Grupo Navigator
Serviços de revisão legal de contas e auditoria 108.770 16.200
Outros serviços de garantia de fiabilidade - -
Outros serviços 2.000 -
110.770 16.200
375.641 16.200
Gastos do
período
Honorários
faturados
Gastos do
período
Honorários
faturados
KPMG (SROC) e outras entidades pertencetes à mesma rede
Serviços de revisão legal de contas e auditoria 367.450 229.716 317.038 463.795
Serviços de assessoria fiscal permitidos - - - -
Outros serviços de garantia de fiabilidade 87.875 87.875 30.300 35.402
Outros serviços 74.250 74.250 800 3.825
529.575 391.841 348.138 503.022
Valores em Euros
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 240
3. INVESTIMENTOS
3.1. GOODWILL
Goodwill – valor líquido
O Goodwill é atribuído às unidades geradoras de fluxos de caixa (UGCs) do Grupo, conforme segue:
NAVIGATOR BRANDS, S.A. / NAVIGATOR PAPER FIGUEIRA, S.A.
Na sequência da aquisição de 100% do capital social da então Soporcel – Sociedade Portuguesa de
Papel, S.A. (atualmente denominada Navigator Brands, S.A.), pelo valor de €1.154.842.000, foi
apurado um Goodwill de €428.132.254.
Para efeitos de alocação do Goodwill, este considera-se alocado à unidade geradora de caixa relativa
à produção integrada de papel no complexo fabril da Figueira da Foz.
Este Goodwill apresenta um valor contabilístico de €376.756.383 por ter sido objeto de amortizações
anuais até 31 de dezembro de 2003 (data de transição para as IFRS: 1 de janeiro de 2004), tendo
a amortização, a partir dessa data, cujo valor acumulado ascendia a €51.375.871 cessado. Desde
essa data são realizados testes anuais para determinar eventuais perdas por imparidade. Caso esta
amortização não tivesse sido interrompida, o valor líquido contabilístico do Goodwill em 31 de
dezembro de 2021 seria de €68.501.149 (31 de dezembro de 2020: €85.626.441).
NAVIGATOR TISSUE RÓDÃO, S.A.
Em 6 de fevereiro de 2015 foram concluídos os contratos de aquisição da AMS-BR Star Paper, S.A.
(posteriormente incorporada na hoje denominada Navigator Tissue Ródão, S.A.), tendo a
formalização da autorização da conclusão desta operação sido comunicada em 17 de abril de 2015.
A diferença inicial de aquisição, de €21.337.916, foi deduzida do valor dos subsídios ao investimento
da AICEP e do justo valor dos ativos fixos tangíveis adquiridos, tendo sido apurado um goodwill de
€583.083.
Análise da recuperabilidade do Goodwill
O Grupo procede, em cada ano, ao cálculo da quantia recuperável dos ativos de cada negócio,
através da determinação do valor em uso, de acordo com o método dos fluxos de caixa descontados.
Os cálculos baseiam-se no desempenho histórico e nas expectativas de desenvolvimento do negócio
com a atual estrutura produtiva, sendo utilizado o orçamento para o ano seguinte e uma estimativa
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
UGC de produção de papel UWF no site da Figueira da Foz
(goodwill resultante da aquisição da Navigator Brands, S.A.)
376.756.383 376.756.383
UGC de produção de papel Tissue em Vila Velha de Ródão
(goodwill resultante da aquisição da Navigator Tissue Ródão, S.A.)
583.083 583.083
377.339.466 377.339.466
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 241
dos fluxos de caixa para um período subsequente de 4 anos. Em resultado dos cálculos até ao
momento efetuados, não foi identificada qualquer perda por imparidade do Goodwill.
Os principais pressupostos utilizados neste cálculo foram os seguintes:
Pressupostos na base do plano de negócios
Pressupostos macroeconómicos
Os principais pressupostos considerados a nível macroeconómico são as projeções de taxa de
crescimento do PIB e de inflação em Portugal. As fontes das projeções são o FMI e o Banco de
Portugal.
A taxa de crescimento na perpetuidade reflete a visão da Gestão a médio longo prazo para as
diferentes UGCs, tendo presente os pressupostos macroeconómicos.
Pressupostos financeiros
Vendas em quantidade (kt)
Referência Papel UWF Papel UWF
CAGR Vendas em quantidade (kt) 0,7% 2,0%
Referência Papel Tissue Papel Tissue
CAGR Vendas em quantidade (kt) 0,4% 1,6%
Preço Médio de Venda ML/t
Referência Papel UWF Papel UWF
CAGR Preço Médio de Venda ML/t (1,2%) 0,9%
Referência Papel Tissue Papel Tissue
CAGR Preço Médio de Venda ML/t 0,0% 1,6%
Taxa de crescimento na perpetuidade - Papel UWF (1,0%) (1,0%)
Taxa de crescimento na perpetuidade - Papel Tissue 1,56% 1,5%
Pressupostos
2021
(CAGR 2022-2026)
2020
(CAGR 2021-2025)
Pressupostos Macroeconómicos 2022 2023 2024 2025
Taxa de crescimento real do PIB 5,60% 2,40% 2,30% 1,80%
Inflação EUR 0,90% 1,00% 1,40% 1,47%
Pressupostos Macroeconómicos 2021 2022 2023 2024
Taxa de crescimento real do PIB 5,20% 3,80% 2,90% 2,00%
Inflação EUR 0,80% 1,10% 1,24% 1,37%
Ano 2021
Ano 2020
Pressupostos Financeiros
Taxa de
Juro
Taxa
WACC EUR
Tx Cresci/º
na perp. EUR
Taxa de
Imposto
Taxa de
Juro
Taxa
WACC EUR
Tx Cresci/º
na perp. EUR
Taxa de
Imposto
Papel UWF
Período de Planeamento explicito 0,30% 4,46% 0,00% 27,50% 0,53% 4,67% 0,00% 27,50%
Perpetuidade 2,31% 6,34% (1,0%) 27,50% 2,71% 6,66% (1,0%) 27,50%
* Inclui o Country Risk Premium
2020
2021
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 242
Políticas contabilísticas
Goodwill
O goodwill representa a diferença entre o justo valor do custo de aquisição e o justo valor dos ativos,
passivos e passivos contingentes identificáveis das subsidiárias incluídas na consolidação na data de
aquisição do controlo e é alocado a cada Unidade Geradora de Caixa (UGC) ou grupo de UGCs mais
baixas a que pertence.
Amortização e imparidade
O goodwill não é amortizado. O Grupo realiza testes de imparidade ao goodwill anualmente, ou
sempre que existam indícios de imparidade. Os valores recuperáveis das unidades geradoras de
fluxos de caixa são determinados como o maior entre o valor de uso e o justo valor menos custo de
venda. As perdas por imparidade relativas ao goodwill não podem ser revertidas.
Alienação e perdas de controlo
Ganhos ou perdas decorrentes da venda ou perda de controlo sobre uma entidade ou negócio ao
qual o goodwill está alocado incluem o valor do goodwill correspondente.
Dedutibilidade fiscal
À luz da legislação fiscal atualmente vigente em Portugal, não se espera que o goodwill reconhecido
ou a reconhecer venha a ser dedutível em termos fiscais.
Estimativas e julgamentos
Recuperabilidade do Goodwill
O Grupo testa anualmente a imparidade do Goodwill, registada na sua Demonstração da posição
financeira. Para efeitos de testes de imparidade às UGCs, o valor recuperável foi determinado com
base no valor em uso, de acordo com o método dos fluxos de caixa descontados. O valor recuperável
das UGC deriva de pressupostos relativos à atividade, designadamente, volumes de vendas, preços
médios de venda e custos variáveis que nos períodos de projeção resultam de uma combinação de
previsões económicas para as regiões e mercados onde o Grupo opera, previsões da indústria,
incluindo alterações nos mercados derivadas de alteração de capacidades instaladas para cada
atividade operacional, projeções internas da Gestão e performance histórica. Esses cálculos exigem
uso de estimativas.
Análise de sensibilidade
Em 31 de dezembro de 2021, um eventual agravamento de 0,5% na taxa de desconto utilizada no
teste de imparidade do Goodwill alocado à unidade geradora de caixa Papel integrado na Figueira
da Foz, implicaria um decréscimo na avaliação de €138.398.565 (31 de dezembro de 2020:
€152.647.490), ainda assim cerca de 2,5 vezes superior ao valor contabilístico desta unidade
geradora de caixa. Relativamente ao Goodwill afeto à Navigator Tissue Ródão, face à imaterialidade
do valor do mesmo, eventuais impactos não seriam materialmente relevantes.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 243
3.2. ATIVOS INTANGÍVEIS
Movimentos em ativos intangíveis
Licenças de CO
2
Licenças de CO
2
– movimentos do período
Políticas contabilísticas
Os ativos intangíveis encontram-se registados ao custo de aquisição deduzido das respetivas
amortizações e de perdas por imparidade.
O Grupo procede a testes de imparidade sempre que eventos ou circunstâncias indiciam que o valor
contabilístico excede o valor recuperável, sendo a diferença, caso exista, reconhecida em resultados.
Direitos de emissão de CO
2
As Licenças de emissão de CO
2
atribuídas ao Grupo, no âmbito do regime CELE – Comércio Europeu
de Licenças de Emissão de gases com efeito de estufa, a título gratuito dão origem a um ativo
Valores em Euros
Propriedade
industrial e
outros direitos
Licenças de
Emissão de
CO2
Ativos
intangíveis
em curso
Total
Valor bruto
Saldo a 1 de janeiro de 2020 12.329 4.496.487 - 4.508.816
Atribuições - 11.492.030 - 11.492.030
Aquisições 4.335 10.269.089 - 10.273.424
Regularizações, transferências e abates - (14.354.986) - (14.354.986)
Saldo a 31 de dezembro de 2020 16.664 11.902.620 - 11.919.284
Atribuições - 14.915.653 17.823 14.933.476
Aquisições - 22.706.518 - 22.706.518
Regularizações, transferências e abates 17.823 (24.788.284) (17.823) (24.788.284)
Saldo a 31 de dezembro de 2021 34.487 24.736.507 - 24.770.993
Amortizações e perdas por imparidade acumuladas
Saldo a 1 de janeiro de 2020 (2.127) - - (2.127)
Amortizações do período (Nota 3.7) (4.473) - - (4.473)
Saldo a 31 de dezembro de 2020 (6.600) - - (6.600)
Amortizações do período (Nota 3.7) (11.864) - - (11.864)
Saldo a 31 de dezembro de 2021 (18.464) - - (18.464)
Valor líquido a 1 de janeiro de 2020 10.202 4.496.487 - 4.506.689
Valor líquido a 31 de dezembro de 2020 10.064 11.902.620 - 11.912.684
Valor líquido a 31 de dezembro de 2021 16.023 24.736.507 - 24.752.529
31-12-2021 31-12-2020
Licenças CO2 (unidades) 620.805 516.319
Valor unitário médio (Euros) 39,85 23,05
Cotação de mercado (Euros) 80,65 32,72
Valores em Euros Toneladas Valor Toneladas Valor
Saldo inicial 516.319 11.902.620 267.222 4.496.487
Licenças atribuídas gratuitamente (Nota 2.2) 442.732 14.915.653 482.453 11.492.030
Licenças adquiridas 368.598 22.706.518 510.962 10.269.089
Licenças devolvidas à Entidade Coordenadora de Licenciamento
(706.844) (24.788.284) (744.318) (14.354.986)
Saldo final 620.805 24.736.507 516.319 11.902.620
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 244
intangível correspondente às licenças atribuídas, um subsídio do Governo de igual montante e um
passivo pela obrigação de entregar as licenças equivalentes aos consumos durante o período.
As licenças de emissão só são registadas enquanto ativos intangíveis quando o Grupo é capaz de
exercer controlo, e são mensurados pelo seu justo valor (nível 1) na data do reconhecimento inicial.
Se o valor de mercado das licenças cai significativamente abaixo do valor contabilístico e a
diminuição é considerada permanente, é registada uma perda por imparidade sobre as licenças que
o Grupo não vai utilizar nas suas operações.
O passivo associado à obrigação de devolver as licenças é reconhecido com base nas emissões
efetivas reais, será liquidado com a entrega das licenças e é mensurado pelo valor contabilístico das
licenças detidas, sendo eventuais emissões adicionais mensuradas pelo valor de mercado das
licenças à data de relato. No custeio das diminuições de ativos intangíveis pela devolução à Entidade
Coordenadora de Licenciamento utiliza-se o FIFO.
Na Demonstração dos Resultados Consolidada, o Grupo reconhece como gasto (rubrica de Outros
gastos e perdas) as emissões efetuadas ao justo valor à data de atribuição, exceto no que respeita
a licenças adquiridas, onde o gasto é mensurado pelo custo de aquisição das licenças.
Os referidos gastos irão compensar os outros rendimentos operacionais que resultam do
reconhecimento do subsídio do Governo original (também ele reconhecido em resultados pelo justo
valor à data de atribuição) e das libertações ou vendas de eventuais licenças em excesso.
O efeito na Demonstração de Resultados será assim neutro, no que respeita aos consumos de
licenças atribuídas. Qualquer efeito na Demonstração de Resultados resultará da compra de licenças
adicionais para cobrir o excesso de emissões, a venda de eventuais licenças excessivas face aos
consumos efetivos ou ainda de perdas por imparidade de licenças que não são utilizadas
operacionalmente.
Marcas
Sempre que numa concentração de atividades empresariais sejam identificadas marcas, o Grupo
procede ao seu reconhecimento em separado nas Demonstrações financeiras consolidadas como um
ativo mensurado ao custo, o qual corresponde ao seu justo valor na data da aquisição.
Na mensuração subsequente as marcas são refletidas nas Demonstrações financeiras consolidadas
do Grupo pelo seu custo, não sendo alvo de amortização anual, mas sendo testadas a cada data de
relato para efeitos de eventuais perdas de imparidade.
As marcas próprias não são relevadas nas Demonstrações financeiras do Grupo, uma vez que
correspondem a ativos intangíveis gerados internamente.
Intangíveis desenvolvidos internamente
As despesas de desenvolvimento apenas são reconhecidas como ativo intangível na medida em que
se demonstre a capacidade técnica para completar o desenvolvimento do ativo e que este está
disponível para uso próprio ou comercialização. Caso as despesas não satisfaçam esses requisitos,
nomeadamente as despesas com investigação, são registados como custo quando incorridas.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 245
3.3. ATIVOS FIXOS TANGÍVEIS
Movimentos em ativos fixos tangíveis
Em 31 de dezembro de 2021 a rubrica de investimentos em curso inclui investimentos associados a
projetos de desenvolvimento em curso, em particular os relativos à nova pilha de preparação de
madeiras da Figueira da Foz (€7.195.672), nova linha de evaporação de Aveiro (€3.515.154),
substituição do arrefecedor do forno da cal da Figueira da Foz (€1.284.227). O remanescente
respeita a diversos projetos de melhoria e otimização do processo produtivo.
O valor de Terrenos inclui €113.358.585 (31 de dezembro de 2020: €113.471.718) que se
encontram classificados nas demonstrações financeiras individuais como propriedades de
investimento, dos quais €74.220.470 (31 de dezembro 2020: €74.264.447) relativos a terrenos
florestais e €39.138.115 (31 de dezembro de 2020: €39.207.271) relativos a terrenos afetos aos
perímetros fabris, arrendados ao Grupo.
Os compromissos assumidos pelo Grupo para a aquisição de ativos fixos tangíveis são
detalhados na Nota 10.2 – Compromissos.
Políticas contabilísticas
Ativos fixos tangíveis
Reconhecimento e mensuração inicial
Os ativos fixos tangíveis adquiridos até 1 de janeiro de 2004 (data de transição para IFRS),
encontram-se registados ao custo de aquisição, ou custo de aquisição reavaliado de acordo com os
princípios contabilísticos geralmente aceites em Portugal até àquela data, deduzido das amortizações
e das perdas por imparidade acumuladas.
Os ativos fixos tangíveis adquiridos posteriormente à data de transição são apresentados ao custo
de aquisição deduzido de depreciações e perdas por imparidade.
Valores em Euros
Valor bruto
Saldo em 1 de janeiro de 2020 115.028.864 539.358.347 3.522.159.862 107.798.987 4.284.346.060
Aquisições - - - 80.639.102 80.639.102
Alienações (536.404) (9.246) (45.825) - (591.475)
Regularizações, transferências e abates 12.104 1.891.374 45.643.800 (65.012.658) (17.465.380)
Saldo em 31 de dezembro de 2020 114.504.564 541.240.475 3.567.757.837 123.425.431 4.346.928.307
Aquisições - - 14.551.550 65.482.023 80.033.573
Alienações (339.267) - (511.368) - (850.635)
Regularizações, transferências e abates 226.134 1.633.165 137.086.918 (148.431.122) (9.484.905)
Saldo em 31 de dezembro de 2021 114.391.431 542.873.640 3.718.884.937 40.476.332 4.416.626.340
Depreciações e perdas por imparidade acumuladas
Saldo em 1 de janeiro de 2020 - (340.877.824) (2.693.816.638) - (3.034.694.462)
Depreciações do período (Nota 3.7) - (11.322.316) (134.278.558) - (145.600.874)
Alienações - 7.918 45.825 - 53.743
Regularizações, transferências e abates - - 17.262.878 - 17.262.878
Saldo em 31 de dezembro de 2020 - (352.192.222) (2.810.786.493) - (3.162.978.715)
Depreciações do período (Nota 3.7) - (11.240.522) (107.130.884) - (118.371.406)
Alienações - - 505.759 - 505.759
Regularizações, transferências e abates - 567.105 8.895.424 - 9.462.529
Saldo em 31 de dezembro de 2021 - (362.865.639) (2.908.516.194) - (3.271.381.833)
Valor líquido em 1 de janeiro de 2020 115.028.864 198.480.523 828.343.224 107.798.987 1.249.651.598
Valor líquido em 31 de dezembro de 2020 114.504.564 189.048.253 756.971.344 123.425.431 1.183.949.592
Valor líquido em 31 de dezembro de 2021 114.391.431 180.008.001 810.368.743 40.476.332 1.145.244.507
Terrenos
Edifícios e outras
construções
Equipamentos e
outros tangíveis
Ativos fixos
tangíveis em curso
Total
Relatório e Contas 2021
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Depreciações e imparidade
É utilizado o método das quotas constantes, a partir do momento em que o bem se encontra
disponível para uso, utilizando-se as taxas que melhor refletem a sua vida útil estimada.
Os valores residuais dos ativos e as respetivas vidas úteis são revistos e ajustados na data da Posição
financeira consolidada. Caso existam alterações às vidas úteis, as mesmas são tratadas como uma
alteração de estimativa contabilística e são aplicadas prospectivamente.
Se a quantia escriturada é superior ao valor recuperável do ativo, procede-se ao seu reajustamento
para o valor recuperável estimado mediante o registo de perdas por imparidade (Nota 3.7).
Custos subsequentes
Os gastos com manutenção programada são considerados como uma componente do custo de
aquisição do ativo fixo tangível, sendo depreciados integralmente até à data prevista da próxima
manutenção.
Os demais dispêndios com reparações e manutenção são reconhecidos como um gasto no período
em que são incorridos.
Peças de reserva e de manutenção
As peças de reserva são consideradas estratégicas dado que estão diretamente relacionados com os
equipamentos da produção, sendo expectável que a sua utilização se venha a prolongar por mais
que dois exercícios económicos. As peças de manutenção consideradas como “peças de substituição
críticas” são reconhecidas no ativo não corrente, como Ativos fixos tangíveis. Respeitando esta
classificação, as peças de reserva são depreciadas desde o momento em que se tornam disponíveis
para uso e é-lhes atribuída uma vida útil que segue a natureza dos equipamentos onde se prevê que
venham a ser integradas, não ultrapassando a vida útil remanescente destes.
As peças de reserva são contabilizadas como ativos fixos tangíveis se forem relevantes e utilizadas
por mais de um período, ou se forem utilizadas apenas em relação a um item dos ativos fixos
tangíveis. Nas restantes situações, as peças de reserva são contabilizadas como parte dos
inventários e reconhecidas no resultado do exercício quando consumidas.
Encargos financeiros com empréstimos
Os encargos financeiros de empréstimos diretamente relacionados com a aquisição ou construção
(caso o período de construção ou desenvolvimento exceda um ano) de ativos fixos são capitalizados,
fazendo parte do custo do ativo.
Anos médios de vida útil
Terrenos (custo da preparação para florestação) 50
Edifícios e outras construções 12 – 30
Equipamento básico 6 – 25
Equipamento de transporte 4 – 9
Ferramentas e utensílios 2 – 8
Equipamento administrativo 4 – 8
Outros ativos fixos tangíveis 4 – 10
Relatório e Contas 2021
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No decurso dos exercícios apresentados, não foram capitalizados quaisquer encargos financeiros de
empréstimos diretamente relacionados com a aquisição ou construção de ativos fixos tangíveis.
Abates e alienações
Os ganhos ou perdas provenientes do abate ou alienação são determinados pela diferença entre os
recebimentos das alienações quando aplicável deduzido dos custos de transação e a quantia
escriturada do ativo, e são reconhecidos na demonstração dos resultados, como Outros rendimentos
e ganhos operacionais (Nota 2.2) ou Gastos e perdas operacionais (Nota 2.3).
Estimativas e julgamentos
Recuperabilidade dos ativos fixos tangíveis
A recuperabilidade dos ativos fixos tangíveis requer a definição de estimativas e pressupostos por
parte da Gestão, nomeadamente, quando aplicável, no que diz respeito ao apuramento do valor de
uso no âmbito dos testes de imparidade às unidades geradoras de caixa do Grupo.
Vida útil e depreciação
Os ativos fixos tangíveis representam a componente mais significativa do Ativo total do Grupo. Estes
ativos são sujeitos a uma depreciação sistemática pelo período que se determina ser a sua vida útil
económica. A determinação das vidas úteis dos ativos, bem como o método de depreciação a aplicar
é essencial para determinar o montante das depreciações a reconhecer na Demonstração dos
resultados consolidado de cada período.
Estes dois parâmetros são definidos de acordo com o melhor julgamento do Conselho de
Administração para os ativos e negócios em questão, considerando também as práticas adotadas
por empresas do setor ao nível internacional e a evolução das condições económicas em que o Grupo
atua.
Dada a relevância desta estimativa, o Grupo recorre com alguma regularidade a técnicos externos
e independentes para aferir da adequação das estimativas utilizadas, sendo o último relatório
reportado a 31 de dezembro de 2019.
Relatório e Contas 2021
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3.4. PROPRIEDADES DE INVESTIMENTO
Movimentos em propriedades de investimento
Estes ativos não se encontram afetos à atividade operacional do Grupo, nem têm uso futuro
determinado.
Políticas contabilísticas
O Grupo classifica como propriedades de investimento nas demonstrações financeiras consolidadas
os imóveis detidos com o objetivo de valorização do capital e/ou obtenção de rendas de terceiros.
Uma propriedade de investimento é mensurada inicialmente pelo seu custo de aquisição ou
produção, incluindo os custos das transações que lhe sejam diretamente atribuíveis. Após o
reconhecimento inicial, as propriedades de investimento são mensuradas ao custo deduzido das
amortizações e perdas por imparidade acumuladas.
Os custos subsequentes com as propriedades de investimento só são adicionados ao custo do ativo
se for provável que deles resultarão benefícios económicos futuros acrescidos face aos considerados
no reconhecimento inicial.
Valores em Euros
Valor bruto
Saldo em 1 de janeiro de 2020 424.744 82.307 507.051
Aquisições - - -
Alienações - - -
Saldo em 31 de dezembro de 2020 424.744 82.307 507.051
Aquisições - - -
Alienações - - -
Saldo em 31 de dezembro de 2021 424.744 82.307 507.051
Depreciações e perdas por imparidade acumuladas
Saldo em 1 de janeiro de 2020 (399.372) (11.797) (411.169)
Depreciações do período (Nota 3.7) - - -
Alienações - - -
Perdas por imparidade (Nota 3.7) - (1.646) (1.646)
Saldo em 31 de dezembro de 2020 (399.372) (13.443) (412.815)
Depreciações do período (Nota 3.7) - - -
Alienações - - -
Perdas por imparidade (Nota 3.7) - (1.646) (1.646)
Saldo em 31 de dezembro de 2021 (399.372) (15.089) (414.461)
Valor líquido em 1 de janeiro de 2020 25.372 70.510 95.882
Valor líquido em 31 de dezembro de 2020 25.372 68.864 94.236
Valor líquido em 31 de dezembro de 2021 25.372 67.218 92.589
Terrenos
Edifícios e
outras
construções
Total
Relatório e Contas 2021
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3.5. SUBSÍDIOS AO INVESTIMENTO
Subsídios ao investimento - movimentos
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, os subsídios ao investimento detalhavam-se por empresa como
segue:
O Grupo espera reconhecer os subsídios em resultados conforme segue:
Subsídios ao investimento não reembolsáveis
Incentivo ao aumento da capacidade de produção de pasta na Figueira da Foz
Em 27 de dezembro de 2018, foi celebrado um contrato fiscal de investimento entre a subsidiária
Navigator Pulp Figueira, S.A. e a AICEP, relativo ao investimento associado ao aumento da
capacidade de produção de pasta na Figueira da Foz, o qual compreende um incentivo fiscal até ao
montante máximo de €17.278.657, correspondente a 19,5% do investimento realizado, mediante o
cumprimento, até 31 de dezembro de 2025, de objetivos definidos contratualmente. Este subsídio
está a ser reconhecido em 20 anos, na proporção da depreciação dos ativos, pese embora esteja já
utilizado totalmente desde 2018.
Incentivos ao projeto de expansão da fábrica de pasta de Cacia
Em 18 de junho de 2014, a subsidiária Navigator Pulp Aveiro, S.A. assinou com a AICEP – Agência
para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, dois contratos de incentivos de natureza
Valores em Euros Financeiros Fiscais Total Financeiros Fiscais Total
Saldo inicial 13.768.051 21.463.619 35.231.670 18.562.558 24.214.013 42.776.571
Atribuição 721.599 - 721.599 1.112.066 - 1.112.066
Utilização (Nota 3.7) (2.365.089) (1.737.488) (4.102.577) (6.403.518) (3.183.826) (9.587.344)
Outros movimentos (38.804) (117.166) (155.970) 496.945 433.432 930.377
Saldo final (Nota 4.3) 12.085.757 19.608.965 31.694.722 13.768.051 21.463.619 35.231.670
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros Financeiros Fiscais Total Financeiros Fiscais Total
Ao abrigo dos contratos AICEP
Enerpulp, S.A. 328.243 - 328.243 859.211 - 859.211
Navigator Pulp Aveiro, S.A. 4.790.430 2.015.570 6.806.000 5.821.817 2.475.075 8.296.893
Navigator Pulp Setúbal, S.A. 101.018 - 101.018 254.271 - 254.271
Navigator Pulp Figueira, S.A. 13.324 8.885.363 8.898.687 17.342 9.595.438 9.612.781
Navigator Parques Industriais, S.A. 1.869.640 - 1.869.640 1.928.996 - 1.928.996
Navigator Brands, S.A. 499.805 - 499.805 - - -
Navigator Tissue Aveiro, S.A. 2.982.150 8.708.031 11.690.181 3.057.117 9.393.105 12.450.222
10.584.609 19.608.965 30.193.574 11.938.753 21.463.619 33.402.373
Outros
Raiz 1.479.841 - 1.479.841 1.748.208 - 1.748.208
Viveiros Aliança, SA 21.306 - 21.306 81.089 - 81.089
1.501.147 - 1.501.147 1.829.297 - 1.829.297
12.085.757 19.608.965 31.694.722 13.768.051 21.463.619 35.231.670
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros Financeiros Fiscais Total Financeiros Fiscais Total
2021 - - - 2.039.499 1.740.836 3.780.335
2022 1.748.315 1.708.516 3.456.831 1.850.129 1.716.550 3.566.679
2023 1.654.211 1.666.401 3.320.612 1.757.983 1.674.435 3.432.419
2024 1.608.887 1.666.401 3.275.288 1.716.452 1.674.435 3.390.887
2025 1.260.106 1.398.687 2.658.793 1.367.728 1.406.721 2.774.450
2026 1.197.809 1.390.347 2.588.156 1.001.869 1.406.721 2.408.591
Posteriores a 2026 4.616.429 11.778.612 16.395.041 4.034.391 11.843.920 15.878.310
12.085.757 19.608.965 31.694.722 13.768.051 21.463.619 35.231.670
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31-12-2020
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financeira e fiscal, tendentes ao apoio ao investimento a promover por aquela empresa no projeto
de expansão de capacidade da fábrica de pasta de Aveiro, sendo o montante total de investimento
realizado de 49,3 milhões de euros.
Os incentivos aprovados são de 9,264 milhões de euros de incentivo financeiro reembolsável e de
5.644 milhões de euros de incentivo fiscal, a utilizar até 2024, no limite, estando, todavia, totalmente
utilizados desde o final de 2016, muito embora vá ser reconhecido em resultados até 2034. O
contrato inclui um prémio de realização já reconhecido em balanço, que corresponde à conversão
do incentivo reembolsável atribuído, em incentivo não reembolsável, até ao limite de 75%
(€6.947.450), mediante o cumprimento dos objetivos definidos contratualmente até 31 de dezembro
de 2023.
Subsídios ao investimento reembolsáveis
Em 13 de dezembro de 2017, a subsidiária Navigator Tissue Aveiro, S.A. celebrou um contrato de
investimento com a AICEP, para a construção da nova fábrica de tissue em Aveiro. Este contrato
compreende um incentivo financeiro sob a forma de um incentivo reembolsável, o qual inclui um
período de carência de dois anos, sem o pagamento de juros, até ao valor máximo de €42.166.636,
correspondente a 35% sobre o montante das despesas consideradas elegíveis, as quais se
estimaram em 120.476 milhões de euros. A 31 de dezembro de 2021 o saldo a receber relativo ao
total do subsídio reembolsável concedido ascende a €2.108.332.
Foi ainda assinado com a mesma entidade, em 20 de abril de 2018, a atribuição de um incentivo
fiscal atribuído mediante o cumprimento de objetivos definidos contratualmente até 31 de dezembro
de 2028, cujo montante máximo previsto será de €11.515.870, correspondente a 10% das despesas
associadas ao projeto de investimento (ver Nota 5.7). Este montante está totalmente utilizado deste
2019 e será reconhecido em resultados em 24 anos.
Não existem condições não satisfeitas e outras contingências ligadas ao apoio governamental que
tenham sido reconhecidas, estando a Navigator a cumprir com as condições de acordo com o
planeado.
Políticas contabilísticas
Subsídios ao investimento
Os subsídios ao investimento recebidos com o objetivo de compensar o Grupo por investimentos
efetuados em ativos fixos tangíveis, incluindo os atribuídos como créditos fiscais, são classificados
como Rendimentos diferidos (Nota 4.3 – Valores a pagar) e são reconhecidos em resultados durante
a vida útil estimada dos respetivos ativos subsidiados, sendo associado à depreciação do período
(Nota 3.7), para efeitos de apresentação.
Subsídios ao investimento reembolsáveis
Os subsídios obtidos do Governo, sob a forma de atribuição de empréstimos reembolsáveis a taxa
bonificada, são descontados na data do reconhecimento inicial com base na taxa de juro de mercado
à data da atribuição, constituindo o valor do desconto o valor do subsídio a amortizar pelo período
do empréstimo ou do ativo cuja aquisição pretende financiar, consoante as atividades financiadas.
Estes passivos são incluídos na rubrica de Financiamentos obtidos (Nota 5.7). Os subsídios recebidos
são classificados como atividade de financiamento na demonstração dos fluxos de caixa.
Relatório e Contas 2021
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3.6. ATIVOS SOB DIREITO DE USO
Movimentos em ativos sob direito de uso
A rubrica Terrenos respeita, essencialmente, a direitos de utilização de terrenos para exploração
florestal existentes, cujos contratos têm habitualmente uma duração de 24 anos, podendo ser
cancelados antecipadamente caso o 2.º corte florestal ocorra antes do 24.º ano do prazo de contrato.
A rubrica Edifícios corresponde ao contrato de arrendamento celebrado entre a The Navigator
Company, S.A. e a Refundos – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, S.A.
relativo ao edifício situado na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, para utilização como
escritório.
A rubrica outros inclui os contratos de aluguer de empilhadores, celebrados em 2020 e 2021.
Os fluxos de caixa associados à amortização de contratos de locação correspondem à amortização
financeira de €6.922.957 e juros de €2.042.333 (Nota 5.11), no total de €8.965.290, conforme
apresentado na Demonstração de Fluxos de Caixa.
Políticas contabilísticas
Na data da entrada em vigor da locação, o Grupo reconhece um ativo sob direito de uso pelo valor
do seu custo o qual corresponde ao montante inicial do passivo da locação ajustado de: i) quaisquer
pagamentos antecipados; ii) incentivos à locação recebidos; e iii) custos diretos iniciais incorridos.
Ao ativo sob direito de uso, poderá acrescer a estimativa de remover e/ou restaurar o ativo
subjacente e/ou o local onde se situa, quando exigido pelo contrato de locação.
O ativo sob direito de uso é subsequentemente depreciado usando o método linear a partir da data
de entrada em vigor até ao menor entre o final da vida útil do ativo e o termo da locação.
Adicionalmente, o ativo sob direito de uso é reduzido de perdas por imparidade, se existirem, e
ajustado por eventuais remensurações do passivo de locação. A vida útil considerada para cada
classe de ativos sob direito de uso é igual à vida útil dos ativos fixos tangíveis (Nota 3.3) na mesma
classe quando existe opção de compra e o Grupo espera exercê-la.
Valores em Euros
Terrenos
florestais
Edifícios Viaturas
Licenças de
software
Outros ativos
de locação
Total
Valor bruto
Saldo em 1 de janeiro de 2020 41.463.008 4.547.372 4.508.865 358.732 189.517 51.067.494
Aquisições 6.246.360 103.667 2.428.965 197.639 5.158.458 14.135.089
Regularizações, transferências e abates (862.347) - (30.691) (195.783) - (1.088.821)
Saldo em 31 de dezembro de 2020 46.847.021 4.651.039 6.907.139 360.588 5.347.975 64.113.762
Aquisições 3.509.715 4.016 1.663.898 963.772 1.307.301 7.448.703
Regularizações, transferências e abates (435.469) - (23.409) - - (458.878)
Saldo em 31 de dezembro de 2021 49.921.267 4.655.055 8.547.629 1.324.360 6.655.276 71.103.587
Depreciações e perdas por imparidade acumuladas -
Saldo em 1 de janeiro de 2020 (3.006.912) (702.301) (1.612.924) (162.455) (64.977) (5.549.570)
Depreciações (3.179.144) (666.983) (2.082.337) (113.479) (822.907) (6.864.850)
Regularizações, transferências e abates 5.314 - 10.723 111.622 - 127.659
Saldo em 31 de dezembro de 2020 (6.180.742) (1.369.284) (3.684.538) (164.312) (887.884) (12.286.761)
Depreciações (3.066.093) (515.764) (1.798.084) (501.199) (1.835.865) (7.717.005)
Regularizações, transferências e abates 93.139 - - - - 93.139
Saldo em 31 de dezembro de 2021 (9.153.696) (1.885.048) (5.482.622) (665.511) (2.723.749) (19.910.627)
Valor líquido em 1 de janeiro de 2020 38.456.096 3.845.071 2.895.941 196.277 124.540 45.517.924
Valor líquido em 31 de dezembro de 2020 40.666.279 3.281.755 3.222.601 196.276 4.460.091 51.827.001
Valor líquido em 31 de dezembro de 2021 40.767.570 2.770.007 3.065.007 658.849 3.931.527 51.192.959
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 252
Locações de curta duração e locações de ativos de valor reduzido
O Grupo reconhece os pagamentos de locações por períodos iguais ou inferiores a 12 meses e de
locações de ativos cujo valor de aquisição individual seja inferior a €5.000 diretamente como gastos
operacionais do exercício (Nota 2.3), numa base linear.
3.7. DEPRECIAÇÕES, AMORTIZAÇÕES E PERDAS POR IMPARIDADE
No final de 2020, o Grupo Navigator alterou a vida útil dos ativos afetos à produção de pasta na
Figueira da Foz e aos ativos afetos à produção de tissue, de acordo com o relatório de avaliação
efetuado por entidade independente, com efeito prospetivo a partir de 1 de janeiro de 2021.
3.8. ATIVOS BIOLÓGICOS
Movimentos em ativos biológicos
Relativamente à floresta de Moçambique, foi iniciada a operação de colheita de madeira das
plantações da Portucel Moçambique em Manica, para exportação a partir do Porto da Beira, o que
permitirá, entre outros objetivos, colocar Moçambique no mapa mundial desta indústria de base
florestal. No primeiro semestre de 2021 a Portucel Moçambique realizou a primeira exportação de
madeira produzida em Moçambique, nas suas plantações em Manica, com a expedição de um navio
com 32 mil metros cúbicos sólidos sem casca, do porto da Beira, em Moçambique, para o porto de
Aveiro, tendo como destino o Centro Fabril da Figueira da Foz. Já no segundo semestre foram
expedidos mais dois navios com um total de 58 mil metros cúbicos.
O Grupo Navigator considera de acordo com a IAS 41, ativos maduros aqueles que tenham atingido
as especificações necessárias para obter o máximo rendimento em função da sua rentabilidade, das
Valores em Euros
2021 2020
Depreciações de ativos fixos tangíveis do período (Nota 3.3) 118.371.406 145.600.874
Utilização de subsídios ao investimento (Nota 3.5) (4.102.577) (9.587.344)
Depreciações de ativos fixos tangíveis, líquidos de subsídios utilizados 114.268.829 136.013.530
Amortizações em ativos intangíveis do período (Nota 3.2) 11.864 4.473
Depreciações de ativos de direito de uso do período (Nota 3.6) 7.717.005 6.753.227
Imparidades em propriedades de investimento (Nota 3.4) 1.646 1.646
121.999.345 142.772.875
Valores em Euros
2021 2020
Saldo inicial 148.584.451 131.769.841
Cortes efetuados (25.277.834) (23.238.185)
Crescimento 19.653.667 20.134.057
Novas plantações e replantações (ao custo) 3.313.648 4.313.757
Outras variações de justo valor
- alteração do preço da madeira - 466.300
- alteração da taxa de custo de capital 1.212.800 8.854.000
- impacto dos incêndios (68.794) (424.914)
- custos de logística de transporte (2.417.700) (3.152.000)
- reversão de Imparidade no projecto de Moçambique - 16.714.433
- outras alterações de expectativa 2.323.823 (6.852.837)
Total de variações (1.260.391) 16.814.611
Saldo final 147.324.061 148.584.451
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 253
necessidades de fornecimento e o custo de oportunidade. Tipicamente a floresta em Portugal atinge
a sua maturidade entre os 8 e os 12 anos, sendo que este referencial depende da espécie, das
condições do solo, bem como das condições edafoclimáticas. Os dados sobre a floresta, a sua
condição e o seu potencial futuro são aferidos pelo menos duas vezes ao longo do seu ciclo de
crescimento. A 31 de dezembro de 2021 os ativos maduros representavam cerca de 48% da floresta
da Navigator em território nacional, estando os mesmos valorizados ao justo valor.
O detalhe do valor dos ativos biológicos apresentado em 31 de dezembro de 2021 e 2020 é como
segue, por espécie:
Estes valores, apurados em função da expectativa de extração das respetivas produções,
correspondem às seguintes expectativas de produção futura:
No que diz respeito ao eucalipto, o ativo biológico com maior expressão nas demonstrações
financeiras apresentadas, em 2021 foram extraídos 651.654 m3ssc de madeira das matas detidas
e exploradas pelo Grupo (31 de dezembro de 2020: 574.507 m3ssc).
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, (i) não existem quantias de ativos biológicos cuja posse seja
restrita e/ou penhoradas como garantia de passivos, nem compromissos não reversíveis relativos à
aquisição de ativos biológicos, e (ii) não existem subsídios governamentais relacionados com ativos
biológicos reconhecidos nas demonstrações financeiras consolidadas do Grupo.
Políticas contabilísticas
Os ativos biológicos do Grupo correspondem principalmente às florestas detidas para produção de
madeira suscetível de incorporação no processo de fabrico de pasta BEKP ou para venda no mercado,
maioritariamente o eucalipto, incluindo ainda outras espécies, como o pinho e o sobro.
Justo Valor (nível 3 da hierarquia do justo valor da IFRS 13)
Na determinação do justo valor das florestas é utilizado o método do valor presente dos fluxos de
caixa descontados, os quais foram apurados através de um modelo desenvolvido internamente, alvo
de validação periódica por avaliadores externos e independentes.
No modelo desenvolvido são considerados pressupostos correspondentes à natureza dos ativos em
avaliação, nomeadamente, o ciclo de desenvolvimento das diferentes espécies, a produtividade das
florestas, o preço de venda da madeira (quando existe mercado ativo) deduzido do custo de corte,
das rendas dos terrenos próprios, arrendados e concessionados, rechega e transporte, os custos de
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Eucalipto (Portugal) 113.826.448 118.916.833
Pinho (Portugal) 6.697.561 6.311.003
Sobreiro (Portugal) 6.268.821 6.050.894
Outras espécies (Portugal) 1.015.078 591.289
Eucalipto (Moçambique) 19.516.153 16.714.433
147.324.061 148.584.452
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Eucalipto (Portugal) - Potencial Futuro de extrações de madeira k m3ssc 10.207 10.245
Resinosas (Portugal) - Potencial Futuro de extrações de madeira k ton 311 306
Resinosas (Portugal) - Potencial Futuro de extrações de pinhas k ton n/a n/a
Sobreiro (Portugal) - Potencial Futuro de extrações de cortiça k @ 461 573
Eucalipto (Moçambique) - Potencial Futuro de extracções de madeira k m3ssc 2.758 3.394
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 254
plantação e manutenção, do custo inerente ao arrendamento dos terrenos florestais; e a taxa de
desconto.
Os principais inputs não observáveis do modelo de justo valor detalham-se como segue, sendo que
o montante do justo valor dos ativos biológicos irá aumentar / (diminuir) respetivamente se:
• Os preços de venda da madeira aumentarem / (diminuírem);
• A estimativa de custos de corte, rechega e transporte diminuir / (aumentar);
• A estimativa de custos de plantação e manutenção diminuir / (aumentar); e
• A taxa de desconto diminuir (aumentar).
A taxa de desconto corresponde à taxa de juro de mercado, sem inflação, de forma consistente com
a estrutura de projeções, determinada tendo em consideração a rentabilidade que o Grupo espera
obter dos ativos florestais, os quais se destinam a serem alienados intragrupo.
Áreas concessionadas
Os custos incorridos com a preparação de terrenos para uma primeira florestação são registados
como um ativo fixo tangível, depreciado de acordo com a sua vida útil esperada, que coincide com
o período de concessão.
Alteração de estimativas
As alterações de estimativas de crescimento, período de corte, preço, custo e outras premissas são
reconhecidas enquanto variações de justo valor de ativos biológicos na demonstração dos
resultados.
Corte
No momento do corte, a madeira é valorizada pelo seu justo valor deduzido dos gastos estimados
desde o local de abate até ao ponto de venda ou consumo, o qual constitui o custo inicial do
inventário.
Estimativas e julgamentos
Pressupostos
Foram considerados pressupostos correspondentes à natureza dos ativos em avaliação,
nomeadamente:
− produtividade das florestas;
− preço de venda da madeira (quando existe mercado ativo) deduzido do custo de corte, das
rendas dos terrenos próprios, arrendados e concessionados, rechega e transporte, os custos
de plantação e manutenção, do custo inerente ao arrendamento dos terrenos florestais;
− taxa de desconto, 2021: 2,99% (2020: 3,07%). Note-se que o Grupo incorpora o risco de
incêndio nos cash flows do modelo. Caso este risco fosse incorporado na taxa de desconto,
a mesma seria de 4,61%.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 255
Análise de sensibilidade
O Grupo considera a taxa de desconto utilizada em Portugal e o preço forward da madeira como as
variáveis mais significativas.
Alterações nos pressupostos podem implicar valorizações/desvalorizações destes ativos:
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
1) Agravamento em 0,5% da taxa de desconto em Portugal
Desvalorização do ativo florestal de Portugal
2) Diminuição de 3% no preço forward
Desvalorização do ativo florestal de Portugal
7.039.798
11.335.171
7.896.515
11.731.495
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 256
4. FUNDO DE MANEIO
4.1. INVENTÁRIOS
4.1.1. Inventários – detalhe por natureza
Valores líquidos de perdas por imparidade acumuladas
Inventários de produto acabado e intermédio – distribuição por área geográfica
Os inventários de produto acabado e intermédio incluem €11.730.049 (31 de dezembro de 2020:
€9.419.705) relativos a inventários cujas faturas já foram emitidas, mas cujo controlo não foi
transferido para os Clientes.
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, não existem inventários cuja posse seja restrita e/ou
penhorada como garantia de passivos.
4.1.2. Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas no período
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Matérias primas 102.851.009 92.421.384
Mercadorias 185.541 268.916
Subtotal (Nota 4.1.2) 103.036.550 92.690.300
Produtos acabados e intermédios 75.870.145 77.760.647
Produtos e trabalhos em curso 2.440.632 3.101.027
Sub-produtos e desperdícios 5.203.331 3.183.163
Subtotal (Nota 4.1.3) 83.514.108 84.044.837
Total 186.550.658 176.735.137
Valores em Euros
31-12-2021 % 31-12-2020 %
Portugal 57.009.921 75,1% 52.182.710 67,1%
Resto da Europa 6.277.358 8,3% 10.675.568 13,7%
EUA 12.582.866 16,6% 14.902.369 19,2%
75.870.145 100,0% 77.760.647 100,0%
Valores em Euros
2021 2020
Saldo inicial 92.690.300 109.291.268
Compras 639.900.753 554.126.387
Perdas em inventários 170.677 (863.209)
Perdas por imparidade 69.565 (139.995)
Saldo final (103.036.550) (92.690.300)
Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas (Nota 2.3) 629.794.745 569.724.151
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 257
Custos das mercadorias e matérias consumidas – detalhe por produto
O custo relativo à madeira/biomassa respeita unicamente às aquisições de madeira a entidades
externas ao Grupo, nacionais e estrangeiras.
Em 2021 assistiu-se à evolução negativa dos custos de produção, penalizados, essencialmente, pelo
aumento do custo da madeira, energia e químicos.
Verifica-se também a redução do consumo do gás natural devido à nova caldeira de biomassa na
Figueira da Foz.
4.1.3. Variação da produção no período
4.1.4. Movimentos em perdas por imparidade em inventários
As imparidades em inventários registadas em 2021 e 2020 respeitam a ajustamentos ao stock de
papel UWF e de papel tissue. Em 2020 o Grupo procedeu à reversão de imparidades em inventários
decorrente maioritariamente da venda de desperdícios de papel UWF (€8.624.342) e tissue
(€1.174.905) (Nota 2.2).
Valores em Euros
2021 2020
Madeira / Biomassa (aquisições externas) 278.459.294 243.028.640
Gás natural 25.882.421 44.604.627
Outros combustíveis 13.951.755 11.953.148
Químicos 141.263.702 128.443.795
Pasta (BEKP) 24.290.827 18.276.376
Pasta (Pinho) 42.620.975 70.517.407
Papel (altas gramagens) 2.995.088 3.528.745
Papel tissue - subcontratos 2.015.997 1.561.849
Consumíveis / Material de armazém 26.761.199 19.751.881
Material de embalagem 68.739.504 24.220.219
Outros materiais 2.813.983 3.837.464
629.794.745 569.724.151
Valores em Euros
2021 2020
Saldo inicial (84.044.837) (108.588.432)
Regularizações (400.436) 1.020.497
Perdas em inventários 697.246 85.136
Perdas por imparidade 1.846.899 (9.107.213)
Saldo final 83.514.108 84.044.837
Variação da produção (Nota 2.3) 1.612.980 (32.545.175)
Valores em Euros
2021 2020
Saldo Inicial (2.157.570) (11.121.848)
Aumentos (Nota 2.3) (2.643.558) (933.009)
Reversões (Nota 2.2) 866.224 9.900.226
Impacto em resultados do período (1.777.334) 8.967.217
Utilizações - (2.939)
Saldo final (3.934.904) (2.157.570)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 258
Políticas contabilísticas
Os inventários encontram-se valorizados de acordo com os seguintes critérios:
i. Mercadorias e matérias-primas
As mercadorias e as matérias-primas encontram-se valorizadas ao mais baixo entre o custo de
aquisição e o seu valor realizável líquido. O custo de aquisição inclui as despesas incorridas até ao
armazenamento, utilizando-se o custo médio ponderado como método de custeio das saídas.
ii. Produtos acabados e intermédios e produtos e trabalhos em curso
Os produtos acabados e intermédios e os produtos e trabalhos em curso encontram-se valorizados
ao mais baixo entre o custo de produção (que inclui o custo das matérias-primas incorporadas, mão-
de-obra e gastos gerais de fabrico, tomando por base o nível normal de produção) e o valor realizável
líquido.
O valor realizável líquido corresponde ao preço de venda estimado deduzido dos custos estimados
de acabamento e de comercialização. As diferenças entre o custo de produção e o valor realizável
líquido, se inferior, são registadas em custos operacionais.
4.2. VALORES A RECEBER
Os valores acima são apresentados líquidos de perdas de imparidade acumuladas. A análise
de imparidade dos valores a receber é apresentada na Nota 8.1.4 - Risco de crédito.
i) A rubrica de Estado detalha-se conforme segue:
O montante de reembolsos pedidos em 31 de dezembro de 2021 detalha-se como segue por
empresas e por mês:
Valores em Euros Não Corrente Corrente Total Não Corrente Corrente Total
Clientes - 210.789.083 210.789.083 - 133.591.397 133.591.397
Contas a receber - empresas relacionadas (Nota 11.3) - - - - 443.649 443.649
Estado i) - 44.603.384 44.603.384 - 45.933.424 45.933.424
Department of Commerce (EUA) ii) - 281.653 281.653 3.245.517 6.608.333 9.853.850
Enviva Pellets Greenwood, LLC (EUA) iii) 7.826.849 25.384.072 33.210.921 30.747.820 2.747.317 33.495.137
Acréscimos de rendimento iv) - 19.028.577 19.028.577 - 17.263.014 17.263.014
Gastos diferidos v) - 8.463.089 8.463.089 - 7.148.871 7.148.871
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) - 1.630.982 1.630.982 - 4.019.440 4.019.440
Outros 777.698 7.701.920 8.479.619 702.768 14.016.837 14.719.604
8.604.547 317.882.760 326.487.308 34.696.105 231.772.282 266.468.387
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Imposto sobre o Valor Acrescentado a recuperar 6.848.780 16.980.665
Imposto sobre o Valor Acrescentado - Reembolsos pedidos 37.752.135 26.668.947
Valores pendentes de reembolso (processos fiscais decididos a favor do grupo) 2.470 2.283.812
44.603.384 45.933.424
Valores em Euros Nov/2021 Dez/2021 Total
The Navigator Company, S.A. 20.331.270 15.631.403 35.962.673
Sociedade de Vinhos da Herdade de Espirra, S.A. - 30.000 30.000
Eucaliptusland, S.A. 50.000 - 50.000
Bosques do Atlântico, S.L. - 1.709.462 1.709.462
20.381.270 17.370.865 37.752.135
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 259
Até à emissão deste relatório, foram recebidos €37.722.135 dos montantes em aberto em 31 de
dezembro de 2021.
O montante de reembolsos pedidos em 31 de dezembro de 2020 detalha-se como segue, por
empresa e por mês:
Todos estes valores foram recebidos no decurso do 1.º semestre de 2021.
ii) A 31 de dezembro de 2021 e 2020 o saldo corresponde ao valor a receber do Department of
Commerce (DoC) na sequência da investigação iniciada em 2015 de alegadas práticas de dumping
nas exportações de papel UWF para os Estados Unidos da América, por parte da subsidiária
Navigator.
Durante o primeiro trimestre de 2021 a Navigator recebeu o valor em falta relacionado com primeiro
período de revisão (POR 1), no valor de 6.608.333 euros.
Em janeiro de 2021, o Department of Commerce confirmou a taxa final a aplicar relativa ao 3.º
período de revisão, compreendido entre março de 2018 e fevereiro de 2019, em 6,75%. A taxa final
não sofreu alterações em relação à taxa preliminar, tendo sido fixada em 6,75%, pelo que o Grupo
recebeu cerca de 4,4 milhões de euros pela diferença entre os depósitos efetuados e a taxa final
fixada.
Durante 2021, o Department of Commerce confirmou também a taxa final a aplicar relativa ao 4.º
período de revisão, compreendido entre março de 2019 e fevereiro de 2020, em 2,21%, pelo que o
Grupo terá a receber a breve trecho 281.653 euros pela diferença entre os depósitos efetuados e a
taxa final a pagar.
Para os períodos de revisão subsequente (5 e 6), estima-se que a Navigator tenha a pagar ao DoC
cerca de 8,5 milhões de euros (Nota 4.3).
iii) Reflete o valor atual do montante ainda a receber pela venda do negócio de pellets. Sobre o valor
nominal a receber, em USD, vencem juros à taxa de 2,5% (Nota 5.11).
Valores em Euros Nov/2020 Dez/2020 Total
The Navigator Company, S.A. 7.738.657 16.406.001 24.144.659
Eucaliptusland - 150.000 150.000
Bosques do Atlântico, S.L. - 2.374.288 2.374.288
7.738.657 18.930.290 26.668.947
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 260
iv) As rubricas de Acréscimos de rendimento e gastos diferidos detalham-se conforme segue:
Políticas contabilísticas
Clientes e outros devedores
Classificação
Os saldos a receber de Clientes resultam das atividades principais do Grupo e o modelo de negócio
seguido é a recolha de fluxos de caixa contratuais.
Os saldos de outros devedores assumem na generalidade dos casos o do modelo de negócio da
recolha de fluxos de caixa contratuais.
Mensuração inicial
Ao justo valor.
Mensuração subsequente
Ao custo amortizado, deduzido de perdas por imparidade.
Imparidade de Clientes
As perdas por imparidade são registadas com base no modelo simplificado previsto na IFRS 9
registando as perdas esperadas até à maturidade. As perdas esperadas são determinadas tendo por
base a experiência de perdas reais históricas ao longo de um período estatisticamente relevante e
representativas das características específicas do risco de crédito subjacente (Nota 8.1.4).
Imparidade de outros devedores
As perdas por imparidade são registadas com base no modelo geral de perdas de crédito estimadas
da IFRS 9.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Acréscimos de rendimento
Juros a receber 718.888 1.729.911
Vendas de energia 17.470.569 12.314.111
Indemnização seguros 272.689 2.950.000
Outros 566.432 268.992
19.028.577 17.263.014
Gastos diferidos
Seguros - 252
Rendas e alugueres 8.312.244 7.082.041
Outros 150.844 66.578
8.463.089 7.148.871
27.491.666 24.411.885
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 261
4.3. VALORES A PAGAR
Estado - detalhe
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, não existiam dívidas em situação de mora com o Estado.
Subsídios não reembolsáveis – detalhe
Políticas contabilísticas
Os saldos de Fornecedores e outros passivos correntes são inicialmente registados ao justo valor e
subsequentemente mensurados pelo seu custo amortizado.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Fornecedores 253.983.711 165.865.189
Fornecedores de imobilizado c/c 2.789.501 1.979.388
Estado 27.246.422 32.397.267
Partes relacionadas (Nota 11.3) 1.264.454 1.264.454
Outros credores - licenças de emissão CO2 21.353.771 16.530.618
Consolidação fiscal (Semapa) (Nota 10.4 e 11.3) 6.447.546 6.447.546
Outros credores (Nota 5.4) 2.392.990 516.599
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) 8.130.589 6.196.001
Acréscimos de gastos com o pessoal 30.613.080 22.324.875
Acréscimos de gastos - juros a pagar 6.711.797 5.167.352
Bónus a pagar a fornecedores 4.294.936 5.352.176
Taxa de recursos hídricos 1.096.148 1.104.037
Responsabilidade com rendas 15.634.141 13.683.172
Outros acréscimos de gastos 5.513.018 13.717.891
Subsídios não reembolsáveis 5.689.791 11.103.125
Valores a pagar - corrente 393.161.894 303.649.690
Subsídios não reembolsáveis 28.460.138 30.234.237
Outros valores a pagar 8.554.289 -
Valores a pagar - Não corrente 37.014.427 30.234.237
430.176.319 333.883.925
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Retenções de Imposto sobre o Rendimento (IRS) 3.298.154 2.765.825
Imposto sobre o Valor Acrescentado 20.793.757 26.852.922
Contribuições para a Segurança Social 2.202.736 2.202.862
Outros 951.775 575.658
27.246.422 32.397.267
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Subsídios ao investimento (Nota 3.5) 3.234.584 4.997.433
Subsídios - licenças de emissão CO2 (Nota 3.2) - 1.425.646
Outros subsídios 2.455.207 4.680.046
Subsídios não reembolsáveis - corrente 5.689.791 11.103.125
Subsídios ao investimento (Nota 3.5) 28.460.138 30.234.237
Subsídios não reembolsáveis - não corrente 28.460.138 30.234.237
34.149.929 41.337.362
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 262
5. ESTRUTURA DE CAPITAL
5.1. GESTÃO DE CAPITAL
Política de gestão de capital
Para efeitos de gestão de capital, o Grupo define capital como incluindo os capitais próprios e a
dívida líquida.
Os objetivos do Grupo em relação à gestão de capital, são:
i. Salvaguardar a capacidade do Grupo de continuar em atividade e assim proporcionar retornos
para os Acionistas e benefícios para os restantes Stakeholders;
ii. Manter uma estrutura de capital sólida para apoiar o desenvolvimento do seu negócio; e
iii. Manter uma estrutura de capital ótima que lhe permita reduzir o custo do capital.
De forma a manter ou ajustar a estrutura de capital, o Grupo pode ajustar o montante de dividendos
a pagar aos Acionistas, devolver capital aos Acionistas, emitir novas ações ou vender ativos para
reduzir a dívida.
Em linha com o setor, o Grupo monitoriza o seu capital com base no rácio de gearing, definido como
a proporção entre a dívida líquida e o capital total.
A dívida líquida remunerada é calculada como o montante total de empréstimos (incluindo as
parcelas correntes e não correntes como divulgado na face do balanço) deduzido dos montantes de
caixa e equivalentes de caixa. O capital total é calculado através da soma dos capitais próprios
(como divulgado na Demonstração da posição financeira), excluindo ações próprias e interesses que
não controlam, acrescidos da dívida líquida remunerada.
O Grupo calcula o rácio de gearing da seguinte forma:
5.2. CAPITAL SOCIAL E AÇÕES PRÓPRIAS
Detentores de capital da Navigator
A The Navigator Company é uma Sociedade Aberta com ações cotadas na Euronext Lisboa.
Em 31 de dezembro de 2021, o capital social da The Navigator Company, S.A. é de €500.000.000
e encontra-se totalmente subscrito e realizado, sendo representado por 711.183.069 ações sem
valor nominal (31 de dezembro de 2020: 717.500.000 ações).
Em Assembleia Geral datada de 11 de Maio de 2021, foi deliberada a redução do capital social de
500.000.000 euros para 495.597.957,49 euros, sendo o valor da redução de 4.402.042,51 euros,
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Financiamentos obtidos (Nota 5.7) 833.944.049 982.410.783
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 5.9) (239.171.252) (302.399.831)
Dívida líquida 594.772.797 680.010.952
Capitais próprios 1.045.114.080 1.026.201.689
Ações próprias (Nota 5.2) - 20.189.264
Interesses que não controlam (Nota 5.6) (286.896) (275.182)
Capitais próprios, excluindo ações próprias e interesses que não controlam 1.044.827.184 1.046.115.771
Capital Total 1.639.599.981 1.726.126.723
Gearing 36,28% 39,40%
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 263
para finalidade especial, por extinção de 6.316.931 ações próprias, sem valor nominal, passando a
Sociedade a ter 711.183.069 ações ordinárias em circulação, seguida de aumento de capital social
de 495.597.957,49 euros para 500.000.000 euros, sendo o valor do aumento de 4.402.042,51
euros, sem alteração do número de ações, a realizar por incorporação de reservas livres (excedente
de reserva legal).
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020 as entidades que detinham participações qualificadas no capital
da Sociedade detalhavam-se como segue:
Ações próprias – movimentos
As ações próprias foram maioritariamente adquiridas durante 2008 e 2012, bem como em 2018 e
2019, tendo a evolução desta posição evoluído como segue:
A 31 de dezembro de 2021, a Navigator não detinha ações próprias (31 de dezembro de 2020:
€20.189.264), sendo o valor unitário da ação à data de €3,35 (31 de dezembro de 2020: €2,498) e
a capitalização bolsista da empresa a esta data de €2.382.463.281 (31 de dezembro de 2020:
€1.792.315.000), face a um capital próprio deduzido dos interesses que não controlam de
€1.044.827.184 (31 de dezembro de 2020: €1.025.926.506).
Políticas contabilísticas
As ações ordinárias são classificadas no capital próprio, como capital social.
Denominação Nº de ações % Nº de ações %
Semapa, SGPS, S.A. 497.617.299 69,97% 497.617.299 69,35%
Ações próprias - 0,00% 6.316.931 0,88%
Capital disperso 213.565.770 30,03% 213.565.770 29,77%
711.183.069 100% 717.500.000 100%
31-12-2021
31-12-2020
Nº de ações
Valor
contabilístico
(Euros)
Nº de ações
Valor
contabilístico
(Euros)
Ações próprias detidas no início do período 6.316.931 20.189.264 6.316.931 20.189.264
Aquisição de ações próprias - - - -
Extinção no período (6.316.931) (20.189.264) - -
Ações próprias no final do período - - 6.316.931 20.189.264
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
Quant Valor Quant Valor
Ações próprias detidas em janeiro 6.316.931 20.189.264 6.316.931 20.189.264
Extinção
janeiro - - - -
fevereiro - - - -
março - - - -
abril - - - -
maio (6.316.931) (20.189.264) - -
junho - - - -
julho - - - -
agosto - - - -
setembro - - - -
outubro - - - -
novembro - - - -
dezembro - - - -
(6.316.931) (20.189.264) - -
Ações próprias detidas em dezembro - - 6.316.931 20.189.264
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 264
Os gastos diretamente atribuíveis à emissão de novas ações ou outros instrumentos de capital
próprio são apresentados como uma dedução, líquida de impostos, ao valor recebido resultante
desta emissão.
Os gastos diretamente imputáveis à emissão de novas ações ou opções para a aquisição de um
negócio são deduzidos ao valor da emissão.
Quando alguma empresa do Grupo adquire ações da empresa-mãe (ações próprias) o pagamento,
que inclui os custos incrementais diretamente atribuíveis (líquidos de impostos), é deduzido ao
capital próprio atribuível aos detentores do capital da Empresa até que as ações sejam canceladas,
reemitidas ou alienadas.
Quando tais ações são subsequentemente vendidas ou reemitidas, qualquer recebimento, líquido
dos gastos de transação diretamente atribuíveis e de impostos, é refletido diretamente no capital
próprio e não em resultados do exercício.
5.3. RESULTADO POR AÇÃO
Políticas contabilísticas
O resultado básico por ação é apurado com base na divisão dos lucros ou prejuízos atribuíveis aos
detentores de capital próprio ordinário da Empresa pelo número médio ponderado de ações
ordinárias em circulação durante o período.
Para a finalidade de calcular o resultado diluído por ação, a Empresa ajusta os lucros ou prejuízos
atribuíveis aos detentores ordinários de capital próprio, bem como o número médio ponderado de
ações em circulação, para efeitos de todas as potenciais ações ordinárias diluidoras.
2021 2020
Resultado atribuível aos acionistas da Navigator (Euros) 171.411.455 109.213.720
Número total de ações emitidas 711.183.069 717.500.000
Número médio de ações próprias em carteira - (6.316.931)
Número médio ponderado de ações 711.183.069 711.183.069
Resultado básico por ação (Euros) 0,241 0,154
Resultado diluído por ação (Euros) 0,241 0,154
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 265
5.4. DIVIDENDOS E RESERVAS ATRIBUÍDOS
Dividendos e reservas atribuídos no período
Em Assembleia Geral anual de 13 de maio de 2021, a The Navigator Company, S.A. deliberou
proceder à distribuição de dividendos de €99.565.630.
No dia 16 de dezembro de 2021 o Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
deliberou efetuar um adiantamento sobre os lucros aos Acionistas, no montante de 49.996.170
euros, equivalente ao valor ilíquido de 0,0703 euros por ação.
Por deliberação da Assembleia Geral Extraordinária de 24 de novembro de 2020, a The Navigator
Company, S.A. procedeu à distribuição de resultados transitados de €99.138.920.
Por deliberação da Assembleia Geral Extraordinária de 20 de dezembro de 2019, a The Navigator
Company, S.A. procedeu ao pagamento de reservas livres, a distribuir aos Acionistas a partir do dia
9 de janeiro de 2020, no valor de €99.138.919,82, equivalente a 0,1394 euros por ação em
circulação.
Políticas contabilísticas
A distribuição de dividendos aos detentores do capital é reconhecida como um passivo nas
Demonstrações financeiras do Grupo no período em que os dividendos são aprovados pelos
Acionistas em Assembleia Geral e até ao momento da sua liquidação financeira, ou, tratando-se de
dividendos antecipados, quando aprovados pelo Conselho de Administração.
5.5. RESERVAS E RESULTADOS TRANSITADOS
Valores em Euros
Montante
atribuído
Dividendos por
ação (Euros)
Atribuições em 2021
Distribuição de resultados transitados 99.565.630
0,140
Distribuição de dividendos antecipados 49.996.170
0,070
Atribuições em 2020
Distribuição de resultados transitados 99.138.920 0,139
Distribuição de reservas livres em 2019 pagas em janeiro de 2020 99.138.920 0,139
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Reserva de conversão cambial (24.346.001) (20.881.569)
Reserva de justo valor (5.604.076) (6.641.368)
Reserva legal 100.000.000 100.000.000
Outras reservas 121.836.100 266.443.646
Resultados transitados 231.525.876 97.981.342
Reservas e resultados transitados 423.411.899 436.902.051
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 266
Reserva de conversão cambial – detalhe
Reserva de justo valor – detalhe
O valor associado à cobertura do risco cambial da subsidiária Navigator North America (net
investment) permanecerá em reservas até a alienação ou alienação parcial do investimento líquido
(momento em que serão reclassificados para ganhos ou perdas). Tal ocorre porque o item coberto
(o investimento líquido) não afeta os resultados do Grupo até à sua alienação.
Reserva de justo valor – movimentos
Outras reservas – detalhe
Políticas contabilísticas
Reserva de justo valor
Corresponde à variação acumulada do justo valor dos instrumentos financeiros derivados
classificados como de cobertura (Nota 8.2), líquida de impostos diferidos.
As variações relativas aos derivados são reclassificadas para os resultados do período (Nota 5.11) à
medida que os instrumentos cobertos afetam os resultados do período. A variação de justo valor de
investimentos financeiros registada nesta rubrica não é reciclada para resultados.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Navigator North América (USD) (4.847.972) (5.134.850)
Navigator Paper Mexico (MXN) (69.753) (40.872)
Navigator Rus Company, LLC (RUB) - (19.775)
Navigator Middle East Trading DMCC (AED) (7.594) (17.312)
Navigator Egypt (EGP) (4.037) 284
Navigator Paper Company UK (GBP) (369.114) (457.725)
Navigator Eurasia (TYR) 799 799
Navigator Afrique du Nord (MAD) 395 395
Navigator Paper Poland (PLN) (2.897) (2.863)
Portucel Moçambique (MZM) (19.045.827) (15.209.650)
(24.346.001) (20.881.569)
Valores em Euros
Valor bruto Imposto Valor líquido Valor bruto Imposto Valor líquido
Cobertura risco taxa de juro (2.231.713) 613.722 (1.617.992) (6.610.686) 1.817.939 (4.792.748)
Cobertura risco cambial (2.586.225) 711.212 (1.875.013) 362.001 (99.550) 262.451
Cobertura risco cambial - Navigator North America (2.911.823) 800.751 (2.111.072) (2.911.823) 800.751 (2.111.072)
(7.729.761) 2.125.685 (5.604.076) (9.160.508) 2.519.140 (6.641.368)
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Saldo inicial (6.641.368) (6.384.412)
Variação do justo valor de instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) 1.430.747 (354.422)
Imposto diferido (393.455) 97.466
Saldo final (5.604.076) (6.641.368)
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Transferência de excesso de reserva legal para reservas livres 9.790.475 9.790.475
Reservas livres decorrentes da redução de capital social ainda não distribuídas 118.361.080 118.361.080
Regularização aplicação de resultados de 2014 (gratificação de balanço) 1.476 1.476
Resultado líquido de 2019 - 138.290.615
Incorporação de reservas em capital (6.316.931) -
121.836.100 266.443.646
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 267
Reserva de conversão cambial
A reserva de conversão cambial corresponde ao montante acumulado relativo à apropriação pelo
Grupo das diferenças cambiais resultantes da conversão das demonstrações financeiras das
subsidiárias que operam fora da zona Euro.
Reserva legal
A legislação comercial estabelece que, pelo menos, 5% do resultado líquido anual tem de ser
destinado ao reforço da reserva legal até que esta represente pelo menos 20% do capital social.
Esta reserva não é distribuível a não ser em caso de liquidação da sociedade. Poderá, contudo, ser
utilizada para absorver prejuízos, depois de esgotadas as outras reservas, ou incorporada no capital.
A reserva legal encontra-se constituída pelo seu limite máximo nos períodos apresentados.
Outras reservas e Resultados transitados
Esta rubrica corresponde a reservas constituídas através da transferência de resultados de períodos
anteriores, da redução de capital social e outros movimentos. Não é distribuível a parte do saldo
correspondente ao valor de aquisição das ações próprias detidas (Nota 5.2).
5.6. INTERESSES QUE NÃO CONTROLAM
Detalhe de interesses que não controlam, por subsidiária
Os interesses que não controlam são relativos ao RAÍZ – Instituto de Investigação da Florestal e
Papel, no qual o Grupo detém 97% do capital e dos direitos de voto, sendo os restantes 3%
atribuíveis a associados externos ao Grupo.
Em 2014, o Grupo assinou com o IFC – Internacional Finance Corporation acordos tendentes à
entrada desta instituição no capital da subsidiária Portucel Moçambique, S.A., assegurando assim a
fase de construção do projeto florestal do Grupo em Moçambique, tendo em 2015 esta empresa
operado um aumento de capital de 1.000 milhões de meticais, para 1.680,798 milhões de meticais,
no qual o IFC subscreveu, 332.798 milhões de meticais, correspondentes a 19,98% do capital à
data.
Em fevereiro de 2019, ocorreu a redução do capital subscrito, realizado e escriturado do acionista
The Navigator Company, S.A. para 456.596.000 meticais, a que correspondem 90,02% do capital
social da Empresa, tendo a participação do IFC sido revista para 50.620.000 meticais, a que
correspondem 9,98% do capital social da Portucel Moçambique.
O excedente que resultou da redução de capital social anteriormente detido pela The Navigator
Company, S.A., no valor de 891.404.000 meticais foi utilizado para cobertura de resultados
transitados negativos. O diferencial entre os 332.798.000 meticais anteriormente subscritos pelo
IFC e os 50.620.000 meticais que em fevereiro de 2019 foram realizados foram incluídos no capital
próprio da Portucel Moçambique, como prémio de emissão.
%
Valores em Euros detida 31-12-2021 31-12-2020 2021 2020
Raiz - Instituto de Investigação da Floresta e Papel 3,00% 286.896 275.182 7.058 2.532
Portucel Moçambique i)
90,02% - - - -
286.896 275.182 7.058 2.532
Capitais próprios
Resultado líquido
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 268
À data de relato, não existem direitos de proteção dos interesses que não controlam que restrinjam
significativamente a capacidade da entidade para aceder a ou usar ativos e liquidar passivos do
Grupo.
Movimentos dos interesses que não controlam
5.7. FINANCIAMENTOS OBTIDOS
Em 2021, foram reembolsados dois empréstimos de curto prazo de 40 e 25 milhões de euros, que
tinham sido tomados no contexto do início da pandemia. Foram também reembolsados dois
empréstimos obrigacionistas de 100 e de 45 milhões de euros e um Programa de Papel Comercial
de 70 milhões de euros. Por outro lado, foram desembolsados dois financiamentos contratados em
2020, uma linha do BEI de 27,5 milhões de euros a 10 anos e um empréstimo obrigacionista com
Abanca de 20 milhões de euros a 5 anos. Foi ainda contratado e emitido um novo financiamento de
longo prazo, com o Bank of China, de 15 milhões de euros.
Em 5 de agosto de 2021, a Navigator emitiu um empréstimo obrigacionista - “sustainability linked
bond” - associado a dois indicadores de desempenho ESG relevantes para a indústria da pasta e do
papel, nomeadamente a redução das emissões de CO
2
e o aumento da % de madeira certificada
adquirida no mercado português. Esta emissão, no valor de 100 milhões de euros com maturidade
de cinco anos, foi efetuada por contrapartida do reembolso antecipado de um financiamento no
mesmo montante, que tinha a sua maturidade em 2023. Esta operação – a que se agregou um swap
para taxa fixa – determinou a extensão da vida média da dívida do Grupo, bem como a redução do
custo de financiamento da Empresa, além de representar um compromisso de alinhamento com
objetivos de sustentabilidade.
Os incentivos reembolsáveis incluem incentivos da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio
Externo de Portugal, no âmbito de diversos projetos de investigação e desenvolvimento, onde se
inclui o incentivo no âmbito do contrato de investimento celebrado com a subsidiária do Grupo
Navigator Tissue Aveiro, S.A., para a construção da nova fábrica de tissue em Aveiro. Este contrato
compreende um incentivo financeiro sob a forma de um incentivo reembolsável, até ao valor máximo
de €42.166.636, sem o pagamento de juros, com um período de carência de dois anos tendo a
última amortização em 2027.
A análise de maturidade dos financiamentos obtidos é apresentada na Nota 8.1.3 - Risco de
liquidez.
Valores em Euros
2021 2020
Saldo inicial 275.182 273.817
Resultado líquido do período 7.058 2.532
Outros rendimentos integrais 4.656 (1.167)
Saldo final 286.896 275.182
Valores em Euros Não Corrente Corrente Total Não Corrente Corrente Total
Empréstimos por obrigações 442.500.000 2.500.000 445.000.000 340.000.000 145.000.000 485.000.000
Papel Comercial 140.000.000 100.000.000 240.000.000 240.000.000 135.000.000 375.000.000
Empréstimos bancários 109.087.301 12.718.254 121.805.555 79.305.555 11.527.778 90.833.333
Encargos com emissão de obrigações (3.415.421) - (3.415.421) (3.449.340) - (3.449.340)
Incentivos Reembolsáveis 34.509.610 4.099.903 38.609.513 37.955.008 4.578 37.959.586
Diferimentos e ajustamentos (8.055.598) - (8.055.598) (2.932.796) - (2.932.796)
Títulos de dívida e dívida bancária 714.625.892 119.318.157 833.944.049 690.878.427 291.532.356 982.410.783
Taxa média de juro, considerando
encargos com comissões anuais e
operações de cobertura
1,5% 1,5%
31-12-2021
31-12-2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 269
Financiamentos obtidos - detalhe
Em 31 de dezembro de 2021, o custo médio da dívida, considerando a taxa de juro, os encargos
com comissões anuais e as operações de cobertura era de 1.5% (a 31 de dezembro de 2020 era de
1.5%).
31-12-2021
Valores em Euros Montante
Montante em
dívida
Vencimento Taxa de juro Corrente Não Corrente
Empréstimos por obrigações
Navigator 2015-2023 150.000.000 150.000.000 Setembro 2023
Taxa variável indexada à Euribor - 150.000.000
Navigator 2019-2026 50.000.000 50.000.000 janeiro 2026
Taxa Fixa - 50.000.000
Navigator 2019-2025 50.000.000 50.000.000 março 2025
Taxa variável indexada à Euribor - 50.000.000
Navigator 2021-2026 20.000.000 20.000.000 abril 2026
Taxa variável indexada à Euribor 2.500.000 17.500.000
Navigator 2020-2026 75.000.000 75.000.000 dezembro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - 75.000.000
Navigator 2021-2026 100.000.000 100.000.000 agosto 2026
Taxa Fixa - 100.000.000
Comissões - (3.415.421) - (3.415.421)
Banco Europeu de Investimento
Empréstimo BEI Energia 21.250.000 21.250.000 dezembro 2024
Taxa variável indexada à Euribor 7.083.333 14.166.667
Empréstimo BEI Cacia 18.055.555 18.055.555 maio 2028
Taxa Fixa 2.777.778 15.277.777
Empréstimo BEI Figueira 40.000.000 40.000.000 fevereiro 2029
Taxa Fixa 2.857.143 37.142.857
Empréstimo BEI Biomass Boiler 27.500.000 27.500.000 março 2031
Taxa Fixa - 27.500.000
Programa de Papel Comercial
Programa de Papel Comercial 175M 175.000.000 175.000.000 fevereiro 2026
Taxa Fixa 35.000.000 140.000.000
Programa de Papel Comercial 65M 65.000.000 65.000.000 janeiro 2022
Taxa variável indexada à Euribor 65.000.000 -
Programa de Papel Comercial 75M 75.000.000 - fevereiro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - -
Programa de Papel Comercial 50M 50.000.000 - dezembro 2025
Taxa variável indexada à Euribor - -
Financiamentos
Financiamento longo prazo 15 000 000 15 000 000 março 2026
Taxa variável indexada à Euribor 15 000 000
Incentivos Reembolsáveis
AICEP 38 609 513 38 609 513 novembro 2027
Taxa Fixa 4 099 903 34 509 610
Diferimentos e ajustamentos - (8 055 598) - (8 055 598)
Linhas bancárias
Linha curto prazo 20M 20 450 714 - - -
833.944.049 119.318.157 714.625.892
31-12-2020
Valores em Euros Montante
Montante em
dívida
Vencimento Taxa de juro Corrente Não Corrente
Empréstimos por obrigações
Navigator 2015-2023 150 000 000 150 000 000 Setembro 2023
Taxa variável indexada à Euribor - 150 000 000
Navigator 2016-2021 100 000 000 100 000 000 Abril 2021
Taxa Fixa 100 000 000 -
Navigator 2016-2021 45 000 000 45 000 000 Agosto 2021
Taxa variável indexada à Euribor 45 000 000 -
Navigator 2019-2026 50 000 000 50 000 000 janeiro 2026
Taxa Fixa - 50 000 000
Navigator 2019-2025 50 000 000 50 000 000 março 2025
Taxa variável indexada à Euribor - 50 000 000
Navigator 2020-2023 100 000 000 15 000 000 agosto 2023
Taxa variável indexada à Euribor 15 000 000
Navigator 2021-2026 20 000 000 - abril 2026
Taxa variável indexada à Euribor - -
Navigator 2020-2026 75 000 000 75 000 000 dezembro 2026
Taxa variável indexada à Euribor 75 000 000
Comissões - (3 449 340) - (3 449 340)
Banco Europeu de Investimento
Empréstimo BEI Ambiente B 1 666 667 1 666 667 junho 2021
Taxa variável indexada à Euribor 1 666 667
Empréstimo BEI Energia 28 333 333 28 333 333 dezembro 2024
Taxa variável indexada à Euribor 7 083 333 21 250 000
Empréstimo BEI Cacia 20 833 333 20 833 333 maio 2028
Taxa Fixa 2 777 778 18 055 555
Empréstimo BEI Figueira 40 000 000 40 000 000 fevereiro 2029
Taxa Fixa - 40 000 000
Empréstimo BEI Biomass Boiler 27 500 000 -
- - -
Programa de Papel Comercial
Programa de Papel Comercial 175M 175 000 000 175 000 000 fevereiro 2026
Taxa Fixa - 175 000 000
Programa de Papel Comercial 70M 70 000 000 70 000 000 abril 2021
Taxa Fixa 70 000 000 -
Programa de Papel Comercial 65M 65 000 000 65 000 000 fevereiro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - 65 000 000
Programa de Papel Comercial 75M 75 000 000 - fevereiro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - -
Programa de Papel Comercial 50M 50 000 000 - dezembro 2025
Taxa variável indexada à Euribor - -
Programa de Papel Comercial 40M 40 000 000 40 000 000 março 2021
Taxa variável indexada à Euribor 40 000 000
Programa de Papel Comercial 25M 25 000 000 25 000 000 abril 2021
Taxa variável indexada à Euribor 25 000 000
Incentivos Reembolsáveis
AICEP 37 959 586 37 959 586 novembro 2027
Taxa Fixa 4.578 37 955 008
Diferimentos - (2 932 796) - (2 932 796)
Linhas bancárias
Linha curto prazo 20M 20 450 714 - - -
982 410 783 291 532 356 690 878 427
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 270
Os prazos de reembolso relativamente ao saldo registado em financiamentos não correntes
detalham-se como segue:
Em 31 de dezembro de 2021, o Grupo tinha contratado Programas de Papel Comercial,
Financiamentos de longo prazo contratados e não desembolsados, bem como linhas de crédito
disponíveis e não utilizadas de €145.450.714 (31 de dezembro de 2020: €277.950.714).
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, a dívida líquida remunerada do Grupo detalha-se como segue:
Covenants financeiros em vigor
Tendo por base as presentes Demonstrações financeiras, estes rácios apresentavam-se como segue
com referência a 31 de dezembro de 2021 e 2020:
Os valores apurados no quadro acima excluem os passivos de locação.
Atendendo aos limites contratualizados, em 2021 e 2020 o Grupo encontra-se em situação de
cumprimento dos covenants negociados. A margem mínima de segurança dos referidos covenants
em 31 de dezembro de 2021 e 2020, encontra-se maioritariamente num nível de segurança superior
a 80%.
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Não corrente
1 a 2 anos 234 259 122 54 536 485
2 a 3 anos 86 223 407 263 441 716
3 a 4 anos 106 640 074 100 544 797
4 a 5 anos 261 140 074 114 461 463
Mais de 5 anos 37 834 234 164 276 102
726 096 911 697 260 563
Comissões (11 471 019) (6 382 136)
714 625 892 690 878 427
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Financiamentos obtidos (Nota 5.7) 833.944.049 982.410.783
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 5.9) (239.171.252) (302.399.831)
Dívida líquida remunerada 594.772.797 680.010.952
Passivos de locação 53.240.925 53.080.919
Dívida líquida remunerada com passivos de locação 648.013.722 733.091.871
Rácio Definição Empréstimos Limite
Cobertura de juros
EBITDA 12M / Juros líquidos anualizados Bancários
>= 4,5 - 5,5
Endividamento
Dívida remunerada / EBITDA 12M Bancários
<= 4,5
Autonomia financeira
Net Debt / EBITDA
(Dívida remunerada - Disponibilidades) /
EBTDA 12M
Bancários
Papel Comercial
Obrigações
<= 4,0
<= 4,0 - 5,0
<= 4,0
Rácios 31-12-2021 31-12-2020
Cobertura de juros 35,29 30,62
Endividamento 2,35 3,44
Net Debt / EBITDA 1,68 2,38
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 271
Políticas contabilísticas
Os financiamentos obtidos incluem as Obrigações, o Papel Comercial, os empréstimos bancários e
outros financiamentos.
Mensuração inicial
Ao justo valor, líquido dos custos de transação incorridos.
Mensuração subsequente
Ao custo amortizado, utilizando o método da taxa de juro efetiva.
A diferença entre o valor de reembolso e o valor da mensuração inicial é reconhecida na
Demonstração dos resultados ao longo do período da dívida em “Juros suportados com outros
empréstimos obtidos” na Nota 5.11 – Rendimentos e gastos financeiros.
Justo valor
O valor contabilístico dos financiamentos obtidos de curto prazo ou contratados com taxas de juro
variáveis aproxima-se do seu justo valor.
O justo valor dos financiamentos obtidos que são remunerados a taxa fixa é divulgado na Nota 8.3
– Ativos e passivos financeiros.
Apresentação
No passivo corrente, exceto se o Grupo detiver um direito incondicional de diferir a liquidação do
passivo por pelo menos 12 meses após a data de relato.
Estimativas e julgamentos
Papel comercial
O Grupo tem diversos programas de emissão de papel comercial negociados, de acordos com os
quais é frequente a realização de emissões com maturidade contratual inferior a um ano, mas com
natureza revolving. Nos casos em que o Grupo espera realizar o roll over destes financiamentos,
apresenta os mesmos como passivos não correntes.
5.8. PASSIVOS DE LOCAÇÃO
Passivos de locação – natureza
Valores em Euros Não corrente Corrente Total Não corrente Corrente Total
Terrenos florestais 40.983.597 2.281.533 43.265.130 40.096.070 2.236.735 42.332.805
Edifícios 2.382.118 502.419 2.884.537 2.882.311 485.860 3.368.171
Viaturas 2.046.436 1.370.600 3.417.036 1.822.771 1.518.697 3.341.468
Licenças de software 175.072 292.097 467.169 467.169 288.068 755.237
Outros passivos de locação 1.829.870 1.377.184 3.207.054 2.204.781 1.078.457 3.283.238
47.417.092 5.823.833 53.240.925 47.473.102 5.607.817 53.080.919
31-12-2021
31-12-2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 272
Passivos de locação – responsabilidades futuras
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2021 e 2020 não existiram alterações de
responsabilidade decorrentes de atividades de financiamento, incluindo alterações decorrentes dos
fluxos de caixa e/ou outras alterações nos passivos de locação.
A análise de maturidade dos passivos de locação é apresentada na Nota 8.1.3 - Risco de
liquidez.
Políticas contabilísticas
Na data de início da locação, o Grupo reconhece passivos de locação mensurados ao valor presente
dos pagamentos futuros da locação, os quais incluem pagamentos fixos deduzidos de incentivos de
locação a receber, de pagamentos variáveis da locação, e valores que se esperam pagar a título de
valor residual garantido. Os pagamentos de locação incluem ainda o preço de exercício de opções
de compra ou renovação razoavelmente certas de serem exercidas pelo Grupo ou pagamentos de
penalidades de rescisão de locações, se o prazo da locação refletir a opção do Grupo de rescindir o
contrato.
No cálculo do valor presente dos pagamentos futuros da locação, o Grupo usa uma taxa de juro
incremental de financiamento se a taxa de juro implícita na locação não for facilmente determinável.
Subsequentemente, o valor dos passivos de locação é incrementado pelo valor dos juros (Nota 5.11
– Rendimentos e gastos financeiros) e diminuído pelos pagamentos de locação (rendas).
5.9. CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA
Em 2021 a rubrica de Outras aplicações de tesouraria inclui €18.550.446 (31 de dezembro de 2020:
€37.003.891) de montantes aplicados pela Navigator num portfólio de ativos financeiros de curto
prazo, elevada liquidez e emitentes com rating adequado.
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, não existem saldos significativos de caixa e equivalentes de
caixa que estejam sujeitos a restrições de uso do Grupo.
Valores em Euros
Rendas vincendas
Juro sobre o
passivo
Valor atual das
responsabilidades
Rendas vincendas
Juro sobre o
passivo
Valor atual das
responsabilidades
A menos de 1 ano 3.971.610 1.852.223 5.823.833 3.765.081 1.842.736 5.607.817
1 a 2 anos 3.368.272 1.708.916 5.077.188 3.370.911 1.702.752 5.073.663
2 a 3 anos 2.867.678 1.575.482 4.443.160 2.861.255 1.571.098 4.432.353
3 a 4 anos 1.999.426 1.450.866 3.450.292 2.533.056 1.448.561 3.981.617
4 a 5 anos 1.748.655 1.337.957 3.086.612 1.689.138 1.333.485 3.022.623
Mais de 5 anos 22.150.369 9.209.471 31.359.840 21.467.905 9.494.941 30.962.846
Valor atual das responsabilidades 36.106.011 17.134.915 53.240.925 35.687.346 17.393.573 53.080.919
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros 31-12-2020 31-12-2020
Numerário 35.334 37.778
Depósitos bancários imediatamente mobilizáveis 220.585.472 265.358.163
Outras aplicações de tesouraria 18.550.446 37.003.891
239.171.252 302.399.831
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 273
Políticas contabilísticas
A rubrica de Caixa e equivalentes de caixa inclui caixa, depósitos bancários e outros investimentos
de curto prazo com maturidade inicial até 3 meses, que possam ser imediatamente mobilizáveis sem
risco significativo de flutuações de valor.
Para efeitos da demonstração de fluxos de caixa, esta rubrica inclui também os descobertos
bancários, os quais são apresentados na Posição financeira consolidada, no passivo corrente, na
rubrica Financiamentos obtidos (Nota 5.7).
5.10. FLUXOS DE CAIXA DE ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
Movimentos nos passivos de atividades de financiamento do Grupo
5.11. RENDIMENTOS E GASTOS FINANCEIROS
Os resultados financeiros situaram-se em €17.777.209 negativos (31 de dezembro de 2020:
€14.685.632). Este agravamento, de €3.091.577, é resultante essencialmente das perdas em
instrumentos derivados. Os custos das operações de financiamento tiveram uma evolução positiva
(1,1 milhões de euros) devido à diminuição da dívida média face ao período homólogo.
A redução verificada na rubrica de Outros rendimentos e ganhos financeiros deve-se ao facto de em
2020 esta rubrica incluir o recebimento de €1.207.208 de juros associados aos montantes recebidos
no âmbito do processo anti-dumping nos EUA.
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Saldo em 1 de janeiro 982.410.783 877.131.386
Pagamento de empréstimos obtidos (291.527.778) (133.194.444)
Recebimentos de empréstimos obtidos 147.500.000 240.000.000
Subsídios reembolsáveis (4.472.875) (1.371.910)
Variação dos encargos com a emissão de empréstimos 33.919 (154.248)
Variação da Dívida remunerada (148.466.734) 105.279.397
Dívida remunerada bruta 833.944.049 982.410.783
Valores em Euros
2021 2020
Juros suportados com títulos de dívida e dívida bancária (10.777.640) (11.362.753)
Comissões de empréstimos e gastos com aberturas de crédito (3.241.922) (3.626.456)
Juros suportados por aplicação do método do juro efetivo (14.019.562) (14.989.209)
Juros suportados com passivos de locação (2.042.333) (2.018.253)
Gastos financeiros relativos à estrutura de capital do Grupo (16.061.895) (17.007.463)
Diferenças de câmbio favoráveis / (desfavoráveis) 2.702.247 (2.002.067)
Ganhos / (Perdas) com instrumentos derivados de cobertura taxa de juro (Nota 8.2) (3.583.179) (2.207.774)
Ganhos / (Perdas) com instrumentos derivados de negociação (Nota 8.2) (4.265.016) -
Especialização de prémios de opções - (1.440.140)
Gastos e perdas financeiros (21.207.843) (22.657.443)
Juros obtidos de ativos financeiros ao custo amortizado (Nota 4.2) 726.713 830.846
Ganhos com instrumentos derivados de cobertura (Nota 8.2) 391.539 -
Ganhos / (Perdas) com instrumentos derivados de negociação (Nota 8.2) - 2.000.523
Ganhos com juros compensatórios 2.274.881 2.818.589
Outros rendimentos e ganhos financeiros 37.501 2.321.854
Rendimentos e ganhos financeiros 3.430.634 7.971.811
Resultados financeiros (17.777.209) (14.685.632)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 274
Políticas contabilísticas
O Grupo classifica como “Rendimentos financeiros”, os rendimentos e ganhos que resultam da
atividade de gestão de tesouraria tais como: i) os juros obtidos pela aplicação de excedentes de
tesouraria; e ii) as variações de justo valor de instrumentos financeiros derivados negociados para
a cobertura do risco de taxa de juro e taxa de câmbio dos financiamentos, independentemente da
designação formal de cobertura.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 275
6. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO
6.1. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DO PERÍODO
6.1.1. Imposto reconhecido na demonstração dos resultados consolidados
Em 31 de dezembro de 2021 o imposto corrente inclui €36.488.394 (31 de dezembro de 2020:
€22.748.901) relativos à responsabilidade gerada no perímetro do agregado fiscal da The Navigator
Company, S.A.
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020 a rubrica “Variação de posições fiscais incertas no período”
reflete o excesso/insuficiência de estimativa de imposto, o desfecho favorável de alguns processos
relativos a matérias com elevada incerteza, bem como pedidos de informação vinculativa,
reclamações graciosas à Administração Fiscal e jurisprudência dos tribunais.
Não ocorreram, nem são esperadas alterações decorrentes de variações da taxa utilizada na
determinação do valor esperado do imposto.
Taxa de imposto nominal
Nos períodos apresentados, o Grupo considera uma taxa de imposto nominal em Portugal de 27,5%,
resultando da legislação fiscal como segue:
Valores em Euros 2021 2020
Imposto corrente 37.586.136 25.415.652
Variação de posições fiscais incertas no período (9.121.784) (15.628.264)
Imposto diferido (Nota 6.2) 11.913.967 6.735.366
40.378.319 16.522.754
2021 2020
Portugal
Taxa nominal de imposto sobre o rendimento 21,0% 21,0%
Derrama municipal 1,5% 1,5%
22,5% 22,5%
Derrama estadual - sobre as partes dos lucros tributáveis entre 1.500.000 Euros e 7.500.000 Euros 3,0% 3,0%
Derrama estadual - sobre as partes dos lucros tributáveis entre 7.500.000 Euros e 35.000.000 Euros 5,0% 5,0%
Derrama estadual - sobre as partes dos lucros tributáveis acima de 35.000.000 Euros 9,0% 9,0%
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 276
Reconciliação da taxa efetiva de imposto sobre o rendimento do período
6.1.2. Imposto reconhecido na demonstração da posição financeira consolidada
Decomposição da rubrica Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas
– IRC (líquido)
Os valores de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas pagos no exercício discriminam-
se como segue:
Valores em Euros 2021 2020
Resultado antes de impostos 211.796.832 125.739.005
Imposto esperado à taxa nominal (21%) 44.477.335 26.405.191
Derrama municipal (2021: 1,17% ; 2020: 1,56%) 2.480.719 1.961.120
Derrama estadual (2021: 3,04% ; 2020: 4,23%) 6.442.237 5.322.675
Imposto resultante da taxa aplicável 53.400.290 33.688.986
Taxa nominal de imposto do período 25,21% 26,79%
Diferenças (a) (4.008.681) (4.445.705)
Excesso de estimativa de imposto (4.684.477) (9.867.025)
Benefícios fiscais à colecta (5.120.858) (3.036.164)
Tributação autónoma 792.046 182.662
40.378.319 16.522.754
Taxa efetiva de imposto 19,06% 13,14%
(a) Este valor respeita essencialmente a :
2021 2020
Mais / (Menos) valias fiscais 1.993.450 13.928.730
(Mais) / Menos valias contabilísticas (2.039.580) (672.137)
Imparidades e provisões tributadas (7.167.993) (15.692.147)
Benefícios fiscais (5.871.622) (6.038.487)
Benefícios pós-emprego (5.118.074) (4.115.909)
Outros 3.626.797 (3.576.249)
(14.577.023) (16.166.200)
Impacto fiscal (27,5%) (4.008.681) (4.445.705)
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Ativo
Valores pendentes de reembolso (processos fiscais decididos a favor do grupo) 1.118.815 3.482.762
1.118.815 3.482.762
Passivo
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas - IRC 19.913.222 13.012.879
Responsabilidades adicionais de imposto (IRC) 19.967.180 22.898.753
39.880.402 35.911.632
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Imposto sobre o rendimento do período 37.586.136 25.415.652
Pagamentos por conta, especiais e adicionais por conta (19.000.792) (11.094.358)
Retenções na fonte a recuperar (22.809) (33.315)
Outros valores a (receber)/Pagar 1.350.687 (1.275.100)
19.913.222 13.012.879
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Pagamento / (Reembolso) do IRC do período anterior 2.748.971 (30.685.733)
Pagamentos por conta, especiais e adicionais por conta 19.000.792 11.094.358
Retenções na fonte 22.809 33.315
Reembolsos de processos fiscais decididos a favor do grupo (2.090.502) (6.303.952)
Pagamentos de responsabilidades adicionais de imposto - 10.157.363
Outros pagamentos / (reembolsos) de imposto sobre o rendimento 967.532 (3.717.791)
Pagamentos/(recebimentos) do imposto sobre o rendimento 20.649.602 (19.422.440)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 277
Valores pendentes de reembolso
Os movimentos no período discriminam-se como segue:
Posições fiscais incertas - passivos
Liquidações pagas em contencioso
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020 as liquidações adicionais de imposto que se encontram pagas
e contestadas, não reconhecidas no ativo, respeitam ao Grupo Navigator e resumem-se como segue:
A variação referente ao IRC agregado de 2016 é justificada pelo facto de o valor do processo ter
sido revisto a favor da Empresa, reduzindo-se as correções contestadas para apenas €272.697, ao
qual ainda acrescem juros compensatórios, valor este considerado na linha “CDTJI IRC 2016 e 2017.
Políticas contabilísticas
O imposto corrente sobre o rendimento é determinado com base nos resultados líquidos, ajustados
em conformidade com a legislação fiscal vigente à data da Posição financeira consolidada.
Valores em Euros 2021 2020
IRC (RETGS) 2013 - 86.215
IRC (RETGS) 2010 - 2.341.168
RFAI 2010 a 2012 - juros indemnizatórios 1.076.611 469.351
IRC 2017 - Navigator Tissue Rodão - 347.336
Outros 42.204 238.692
1.118.815 3.482.762
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Saldo no início do período 3.482.762 7.198.086
Aumentos 97.239 6.416.018
Pagamentos / (recebimentos) (2.027.635) (8.944.519)
Reversões (433.551) (1.186.823)
1.118.815 3.482.762
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Saldo no início do período 22.898.753 36.228.728
Aumentos 8.094.261 6.051.524
Pagamentos / (recebimentos) (62.867) (11.457.714)
Reversões (10.962.967) (7.923.785)
Variação no período (2.931.573) (13.329.975)
19.967.180 22.898.753
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
IRC agregado 2005 (Nota 10.3) 10.394.386 10.394.386
IRC agregado 2006 (Nota 10.3) 8.150.146 8.150.146
IRC 2015 - Navigator Tissue Ródão, S.A. 7.586.361 7.586.361
IRC agregado 2016 - 2.697.180
Derrama Estadual 2016 3.761.397 3.761.397
Derrama Estadual 2017 8.462.724 8.462.724
Derrama Estadual 2018 12.223.705 12.223.705
CDTJI IRC 2016 e 2017 1.522.660 -
52.101.379 53.275.899
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 278
Grupo fiscal
Em Portugal, o Grupo Navigator encontra-se sujeito ao Regime Especial de Tributação de Grupos de
Sociedades (RETGS), constituído pelas empresas com uma participação igual ou superior a 75% e
que cumprem as condições previstas no artigo 69.º e seguintes do Código do IRC.
As empresas incluídas no RETGS apuram e registam o imposto sobre o rendimento tal como se
fossem tributadas numa ótica individual. As responsabilidades apuradas são, no entanto,
reconhecidas como devidas à sociedade dominante do grupo fiscal, atualmente a The Navigator
Company, S.A. a quem compete o apuramento global e a autoliquidação do imposto. Caso sejam
apurados ganhos na aplicação deste regime, estes são registados como um proveito na sociedade
dominante.
No período de 2018 foi também constituído um grupo fiscal em Espanha, o qual inclui as três
subsidiárias do Grupo sediadas naquele país, detidas em mais de 90%, sendo a Bosques do Atlântico,
S.L. a sociedade dominante do grupo fiscal.
Estimativas e julgamentos
O Grupo reconhece passivos para liquidações adicionais de impostos que possam resultar de revisões
efetuadas pelas autoridades fiscais dos diferentes territórios onde o Grupo desenvolve atividade.
Quando o resultado final destas situações é diferente dos valores inicialmente registados, as
diferenças terão impacto no imposto sobre o rendimento, no período em que tais diferenças se
constatam.
Em Portugal, as declarações anuais de rendimentos estão sujeitas a revisão e eventual ajustamento
por parte das autoridades fiscais durante um período de 4 anos. Contudo, no caso de serem
apresentados prejuízos fiscais estes podem ser sujeitos a revisão pelas autoridades fiscais por um
período de 6 anos. Noutros países em que o Grupo desenvolve a sua atividade estes prazos são
diferentes, em regra superiores.
O Conselho de Administração entende que eventuais correções àquelas declarações em resultado
de revisões/inspeções por parte das autoridades fiscais não terão efeito significativo nas
demonstrações financeiras consolidadas em 31 de dezembro de 2020, sendo certo que já foram
revistos pela Autoridade Tributária e Aduaneira os períodos até 2017, inclusive.
Em 31 de dezembro de 2021, se a taxa efetiva de imposto correspondesse à taxa nominal de 27,5%,
existiria um agravamento dos gastos com impostos sobre o rendimento de €17.865.809 (31 de
dezembro de 2020: €18.055.472).
Posições fiscais incertas
O montante dos ativos e passivos estimados registados por conta de processos fiscais decorre de
uma avaliação efetuada pelo Grupo com referência à data da demonstração da posição financeira
consolidada, quanto a potenciais divergências de entendimento com a Administração Tributária,
tendo em conta os desenvolvimentos que vão ocorrendo nas matérias fiscais.
O Grupo, no que se refere à mensuração das posições fiscais incertas, tem em consideração o
disposto na IFRIC 23 – ‘Incerteza quanto aos impostos sobre o rendimento’, nomeadamente na
mensuração dos riscos e incertezas na definição da melhor estimativa do gasto exigido para liquidar
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 279
a obrigação, através da ponderação de todos os possíveis resultados por si controlados e respetivas
probabilidades associadas.
6.2. IMPOSTOS DIFERIDOS
Movimentos em impostos diferidos
Na mensuração dos impostos diferidos em 31 de dezembro de 2021 e 2020, foi utilizada a taxa de
27,50%.
Políticas contabilísticas
O imposto diferido é calculado com base na responsabilidade da Posição financeira consolidada,
sobre as diferenças temporárias entre os valores contabilísticos dos ativos e passivos e a respetiva
base de tributação. Para a determinação do imposto diferido é utilizada a taxa fiscal que se espera
estar em vigor no período em que as diferenças temporárias serão revertidas.
São reconhecidos impostos diferidos ativos sempre que exista razoável segurança de que serão
gerados lucros tributáveis futuros contra os quais poderão ser utilizados. Os impostos diferidos ativos
são revistos periodicamente e reduzidos sempre que deixe de ser provável que os mesmos possam
ser utilizados.
Os impostos diferidos são registados como gasto ou rendimento do período, exceto se resultarem
de valores registados diretamente em capital próprio, situação em que o imposto diferido é também
Valores em Euros
Aumentos Reduções
Diferenças temporárias que originam ativos por impostos diferidos
Provisões tributadas 6.974.025 - (2.429.862) - 4.544.163
Ajustamento de ativos fixos tangíveis 71.179.011 - (8.708.614) - 62.470.397
Instrumentos financeiros 8.879.577 - - (1.430.747) 7.448.830
Mais-valias contabilísticas diferidas (intra-grupo) 15.145.588 5.944.465 - - 21.090.054
Subsídios ao investimento 203.588 - - - 203.588
Remuneração convencional de capital 7.000.000 - (3.360.000) 560.000 4.200.000
109.381.789 5.944.465 (14.498.477) (870.747) 99.957.031
Diferenças temporárias que originam passivos por impostos diferidos
Pensões e outros benefícios pós-emprego (224.593) 649 357 - (813.523) (388.758)
Menos-valias contabilísticas diferidas (intra-grupo) (9.929.599) - - 9.929.599 -
Valorização das florestas em crescimento (23.121.032) - (2.173.145) - (25.294.177)
Ajustamento de ativos fixos tangíveis (272.907.547) - (33.735.165) - (306.642.712)
Subsídios ao investimento (6.406.374) 489.447 - 1.774.300 (4.142.627)
(312.589.145) 1.138.805 (35.908.310) 10.890.376 (336.468.275)
Ativos por impostos diferidos 30.079.993 1.634.728 (3.987.081) (239.456) 27.488.184
Incentivos fiscais ao investimento (Nota 3.5) 549.224 - - - 549.224
Ativos por impostos diferidos 30.629.217 1.634.728 (3.987.081) (239.456) 28.037.408
Passivos por impostos diferidos (85.962.014) 313.171 (9.874.785) 2.994.853 (92.528.775)
Em 1 de janeiro
de 2021
Demonstração de resultados
Capital
próprio
Em 31 de dezembro
de 2021
Valores em Euros
Aumentos Reduções
Diferenças temporárias que originam ativos por impostos diferidos
Provisões tributadas 6.793.848 180.177 - - 6.974.025
Ajustamento de ativos fixos tangíveis 69.004.705 2.174.305 - - 71.179.011
Instrumentos financeiros 8.525.155 - - 354.422 8.879.577
Mais-valias contabilísticas diferidas (intra-grupo) 18.864.851 - (3.719.263) - 15.145.588
Subsídios ao investimento 203.588 - - - 203.588
Remuneração convencional de capital 9.660.000 - (3.220.000) 560.000 7.000.000
113.052.148 2.354.482 (6.939.263) 914.422 109.381.789
Diferenças temporárias que originam passivos por impostos diferidos
Pensões e outros benefícios pós-emprego (510.040) - (638.963) 924.411 (224.593)
Menos-valias contabilísticas diferidas (intra-grupo) (9.994.509) 64.910 - - (9.929.599)
Valorização das florestas em crescimento (25.999.474) - 2.878.442 - (23.121.032)
Ajustamento de ativos fixos tangíveis (249.833.138) - (23.074.409) - (272.907.547)
Subsídios ao investimento (6.077.044) 862.557 - (1.191.888) (6.406.374)
(292.414.206) 927.467 (20.834.930) (267.477) (312.589.145)
Ativos por impostos diferidos 31.089.341 647.483 (1.908.297) 251.466 30.079.993
Incentivos fiscais ao investimento (Nota 3.5) 549.224 - - - 549.224
Ativos por impostos diferidos 31.638.565 647.483 (1.908.297) 251.466 30.629.217
Passivos por impostos diferidos (80.413.906) 255.054 (5.729.606) (73.556) (85.962.014)
Em 1 de janeiro
de 2020
Demonstração de resultados
Capital
próprio
Em 31 de dezembro
de 2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 280
registado na mesma rubrica. Os incentivos fiscais atribuídos no âmbito de projetos de investimento
a desenvolver pelo Grupo são reconhecidos em resultados do período na medida da existência de
matéria coletável nas empresas beneficiárias que permita a sua utilização.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 281
7. PESSOAL
7.1. GASTOS COM O PESSOAL
O aumento dos gastos com o pessoal acompanhou o bom desempenho da Navigator em 2021, que
permitiu o reconhecimento do acréscimo de gastos para o pagamento de gratificações aos
empregados em 2022, para além do pagamento em 2021 da segunda tranche da gratificação
extraordinária atribuída no final de 2020. Foi também retomado o programa de rejuvenescimento
que havia sido suspenso em 2020.
O aumento dos encargos com contribuições para a Segurança Social resulta do facto de estes
encargos terem sido impactados favoravelmente em 2020 pela isenção permitida pelo Governo
português para as empresas que aderiram ao regime do lay-off simplificado.
Número de empregados por segmento no final do período
Os Outros gastos com pessoal nos períodos findos em 31 de dezembro de 2021 e 2020 repartem-
se da seguinte forma:
O aumento dos gastos de ação social prende-se, essencialmente, com os gastos relativos à
realização de testes de Covid-19 nas fábricas do Grupo.
Em 2020, fruto da impossibilidade de rescisões contratuais em resultado da adesão ao mecanismo
de lay-off simplificado, verificou-se a reversão das estimativas reconhecidas em anos anteriores.
Valores em Euros
2021 2020
Remunerações dos Órgãos Sociais - fixas (Nota 7.3) 3.358.889 3.328.354
Remunerações dos Órgãos Sociais - variáveis 6.616.077 1.254.493
Outras remunerações 105.452.229 100.923.626
Contribuições para a Segurança Social 22.186.532 19.456.050
Benefícios de pós emprego (Nota 7.2.4) 1.565.032 1.581.188
Outros gastos com o pessoal 15.837.036 5.585.993
Gastos com o pessoal 155.015.795 132.129.704
31-12-2021 31-12-2020 Var. 21/20
Pasta para Mercado 254 258 (4)
UWF 1.778 1.831 (53)
Tissue 383 380 3
Outros 736 763 (27)
3.151 3.232 (81)
Valores em Euros
2021 2020
Formação 848.438 776.426
Ação social 2.519.264 894.224
Seguros 5.544.604 4.788.878
Indemnizações 6.464.506 (1.970.319)
Outros 460.225 1.096.785
15.837.036 5.585.994
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 282
Políticas contabilísticas
Benefícios aos empregados de curto prazo
Direitos adquiridos – férias e subsídio de férias
De acordo com a convenção coletiva aplicável à The Navigator Company, S.A., e extensível, por
protocolo celebrado com as Organizações Representativas dos Trabalhadores, as empresas do Grupo
têm direito a 25 dias úteis de férias, bem como a um mês de subsídio de férias.
Gratificações
De acordo com o sistema de gestão de desempenho vigente, os empregados podem vir a receber
uma gratificação no caso de cumprirem determinados objetivos, direito esse normalmente adquirido
no ano anterior ao do seu pagamento.
Estas responsabilidades são registadas no período em que os empregados adquirem o respetivo
direito, por contrapartida da demonstração dos resultados, independentemente da data do seu
pagamento, e o saldo por liquidar à data da Posição financeira consolidada está relevado na rubrica
de Valores a pagar correntes.
Benefícios de cessação de emprego
Os benefícios de cessação de emprego são reconhecidos quando o Grupo deixa de poder retirar a
oferta dos benefícios; ou na qual o Grupo reconhece os gastos de uma reestruturação, no âmbito
do registo das provisões. Os benefícios devidos a mais de 12 meses após o final do período de
reporte são descontados para o seu valor presente.
7.2. BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS
7.2.1. Introdução
Algumas empresas do Grupo atribuem aos seus Colaboradores, quer sob a forma de planos de
benefício definido, quer sob a forma de planos de contribuição definida, benefícios pós-reforma.
Os planos são financiados através de um Fundo de Pensões fechado, gerido por uma entidade
externa, que subcontrata a gestão dos seus ativos a entidades gestoras de ativos externas.
A. Planos de Pensões – Benefício Definido
O Grupo tem responsabilidades com planos de benefício pós-emprego de Benefício Definido para um
reduzido grupo de Colaboradores que optaram por manter o Plano de Benefício Definido, ou, tendo
convertido o seu plano num Plano de Contribuição Definida, optaram por manter uma Cláusula de
Salvaguarda. Na prática a cláusula de salvaguarda dá a opção ao Colaborador, à data da reforma,
do pagamento de uma pensão de acordo com o previsto no Plano de Benefício Definido. Para quem
optar por acionar a Cláusula de Salvaguarda, o montante acumulado no plano de Contribuição
Definida (Conta 1) será utilizado para financiar a responsabilidade do Plano de Benefício Definido.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 283
B. Planos de Pensões – Contribuição Definida
A 31 de dezembro de 2021 estavam em vigor três planos de Contribuição Definida, que abrangiam
2.936 Colaboradores (2020: 2.816 Colaboradores) (Nota 7.2.3).
7.2.2. Plano de Benefício Definido
Política de gestão do risco associado a planos de benefício definido
A exposição do Grupo ao risco encontra-se limitada ao número de beneficiários já existentes e terá
tendência a diminuir, uma vez que não existem no Grupo planos de benefício definido abertos à
adesão de novos empregados.
Os riscos mais significativos a que o Grupo se encontra exposto através dos planos de benefício
definido incluem:
i) Risco de alteração da longevidade dos participantes
ii) Risco de variação das taxas de mercado – a variação de taxas impacta a taxa utilizada para
descontar as responsabilidades (taxa de juro técnica) que se baseia em curvas de rentabilidade
(yield) de obrigações com notação rating elevado e com maturidades semelhantes às datas de
termo das responsabilidades e a taxa fixa de rendimento dos ativos. O Grupo utiliza curvas de
mercado, de forma a acompanhar a evolução das taxas e procede a análises de sensibilidade a
variações de taxa de juro com o objetivo de antecipar e acautelar o consequente impacto no nível
de financiamento do fundo.
iii) Risco de alteração da taxa de crescimento salarial e de pensões
iv) Rentabilidade dos ativos financeiros do fundo - o Grupo monitoriza de forma muito próxima a
evolução dos ativos do fundo, bem como a evolução dos principais indicadores de mercados
financeiros, revisitando a política de investimento aprovada para a gestão dos ativos sempre que
se justifique, e pelo menos de três em três anos. A política de investimento está alinhada com
uma visão conservadora na gestão dos ativos e definida tendo por base as responsabilidades a
financiar pelo fundo.
O Grupo tem por objetivo manter um nível de cobertura das responsabilidades de 90% acautelando
assim os riscos enunciados.
Responsabilidades líquidas
As responsabilidades líquidas refletidas na demonstração da posição financeira consolidada e o
número de beneficiários dos planos de benefício definido em vigor no Grupo detalham-se como
segue:
Nº Benef. Valor Nº Benef. Valor
Responsabilidades por serviços passados
Ativos, incluindo contas individuais 408 71.291.405 458 77.829.641
Ex-participantes 126 26.059.671 103 22.158.138
Aposentados 567 93.651.512 547 91.265.747
Valor de mercado dos fundos (185.327.671) (178.691.062)
Total responsabilidades líquidas 1.101 5.674.918 1.108 12.562.465
31-12-2021
31-12-2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 284
Informação histórica – últimos cinco anos
Evolução das responsabilidades com planos de benefício definido
A duração média esperada das responsabilidades de benefício definido é de 15 anos (2020: 15 anos).
Fundos
Fundos afetos aos planos de pensões de benefício definido - evolução
No decurso dos períodos de 2021 e 2020, as contribuições para os planos de benefício definido
apresentadas supra como dotações efetuadas foram integralmente realizadas pelas empresas do
Grupo, não se tendo verificado quaisquer contribuições por parte dos participantes dos mesmos,
pese embora exista essa faculdade.
Valores em Euros
2017 2018 2019 2020 2021
Valor presente das obrigações 151.199.735 154.456.240 179.880.752 191.253.527 191.002.589
Justo valor dos ativos e conta Reserva 146.109.493 147.131.961 173.292.676 178.691.062 185.327.671
Excedente / (défice) (5.090.242) (7.324.279) (6.588.076) (12.562.465) (5.674.918)
2021
Valores em Euros
Pensões com fundo autónomo 191.253.527 44.883 2.353.176 3.350.242 (5.999.239) 191.002.589
191.253.527 44.883 2.353.176 3.350.242 (5.999.239) 191.002.589
2020
Valores em Euros
Pensões com fundo autónomo 179.880.752 67.304 3.098.478 13.875.538 (5.668.545) 191.253.527
179.880.752 67.304 3.098.478 13.875.538 (5.668.545) 191.253.527
Saldo final
Saldo inicial
Custo serviços
correntes
Custo dos juros
Desvios
atuariais
Pagamentos
efetuados
Pagamentos
efetuados
Saldo final
Saldo inicial
Custo serviços
correntes
Custo dos juros
Desvios
atuariais
Valores em Euros
2021 2020
Valor no início 178.691.062 173.292.676
Dotação efetuada 5.318.407 4.300.000
Rendimento esperado no exercício 2.195.584 2.983.348
Remensuração 5.275.230 3.783.581
Pensões pagas (5.999.229) (5.668.545)
Outras (153.383) -
Valor no fim do período 185.327.671 178.691.062
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 285
Os ativos do fundo de pensões afetos ao plano de benefício definido estão sob a gestão da AGEAS –
Pensões, Schroders, BlackRock e Credit Suisse, conforme detalhe que se segue:
Fundos afetos a planos de benefícios definidos - composição do património
Os ativos do fundo de pensões não incluem quaisquer ativos do Grupo.
7.2.3. Plano de Contribuição Definida
A 31 de dezembro de 2021 e 2020 estavam em vigor dois planos de contribuição definida em
benefício dos Colaboradores.
Os ativos do fundo de pensões que financiam os planos de contribuição definida estão sob a gestão
da BMO, conforme detalhe que se segue:
7.2.4. Gastos suportados com planos de benefícios pós-emprego
O efeito nos resultados dos períodos findos em 31 de dezembro de 2021 e 2020 decorrentes dos
planos acima mencionados detalham-se como segue:
Valores em Euros
2021 2020
Benefício Definido e Conta 1:
AGEAS - Pensões 3.938.660 4.358.496
Schroders 70.993.049 68.356.435
BlackRock 72.705.468 66.399.325
Conta 1 - Credit Suisse 37.690.494 39.576.805
Total Benefício Definido e Conta 1 185.327.671 178.691.062
Valores em Euros
31-12-2021 % 31-12-2020 %
Títulos cotados em mercado ativo
Obrigações 112.303.157 60,6% 110.570.981 61,9%
Ações 50.274.545 27,1% 47.196.654 26,4%
Dívida pública 14.558.914 7,9% 12.142.648 6,8%
Liquidez 4.252.394 2,3% 4.480.780 2,5%
Imobiliário - 0,0% - 0,0%
Outras aplicações - curto prazo 3.938.660 2,1% 4.300.000 2,4%
185.327.671 100% 178.691.062 100%
Valores em Euros
Nº
Beneficiários
Rendibilidade
%
2021
Nº
Beneficiários
Rendibilidade
%
2020
Contribuição Definida (BMO):
Sub-fundo Defensivo 110 2,92% 7.995.969 128 3,52% 9.063.068
Sub-fundo Conservador 374 5,89% 19.301.087 391 4,05% 19.684.340
Sub-fundo Dinâmico 696 10,46% 17.234.845 685 4,57% 15.440.179
Sub-fundo Agressivo 1.756 16,04% 6.462.291 1.612 4,34% 5.163.381
Total Contribuição Definida 2.936 50.994.193 2.816 49.350.968
Valores em Euros
Custo
serviços
correntes
Juro líquido
Contribuição
definida -
Contribuições
do período
Impacto no
resultado
líquido
(Nota 7.1)
Custo
serviços
correntes
Juro líquido
Contribuição
definida -
Contribuições
do período
Impacto no
resultado
líquido
(Nota 7.1)
Pensões com fundo autónomo 44.883 157.592 - 202.474 67.304 115.130 - 182.433
Planos de contribuição definida - - 1.362.558 1.362.558 - - 1.398.754 1.398.754
44.883 157.592 1.362.558 1.565.032 67.304 115.130 1.398.754 1.581.188
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 286
7.2.5. Remensurações reconhecidas diretamente em outros rendimentos
integrais
As remensurações acima referidas resultam ganhos e perdas de experiência, quer em termos
financeiros, quer em termos demográficos.
Políticas contabilísticas
Benefícios pós-emprego - planos de benefício definido
Algumas subsidiárias do Grupo assumiram o compromisso de pagar aos seus empregados prestações
pecuniárias a título de complementos de pensões de reforma por velhice, invalidez, reforma
antecipada e pensões de sobrevivência, constituindo planos de benefício definido.
O Grupo constituiu fundos de pensões autónomos como forma de financiar a quase totalidade das
suas responsabilidades. Com base no método das unidades de crédito projetadas, o Grupo reconhece
os custos com a atribuição destes benefícios à medida que os serviços são prestados pelos
empregados. Deste modo a responsabilidade total do Grupo é estimada, pelo menos,
semestralmente, à data dos fechos intercalar e anuais de contas, para cada plano separadamente,
por uma entidade especializada e independente.
A responsabilidade assim determinada é apresentada na demonstração da posição financeira
consolidada, deduzida do justo valor dos fundos constituídos, na rubrica Responsabilidades por
benefícios definidos.
Os desvios atuariais que resultam da alteração no valor das responsabilidades estimadas, como
consequência de alterações aos pressupostos financeiros e demográficos utilizados e ganhos de
experiência, adicionadas do diferencial entre o retorno real dos ativos do fundo e a quota-parte
estimada no juro líquido, são designados por remensurações e registados diretamente na
Demonstração do rendimento integral, em resultados transitados.
O juro líquido corresponde à aplicação da taxa de desconto ao valor das responsabilidades líquidas
(valor das responsabilidades deduzido do justo valor dos ativos do fundo) e é reconhecido nos
resultados do período, na rubrica de Gastos com o pessoal.
Os ganhos e perdas gerados por um corte ou uma liquidação de um plano de pensões de benefícios
definidos são reconhecidos em resultados do período quando o corte ou a liquidação ocorrer. Um
corte ocorre quando se verifica uma redução material no número de empregados.
2021
Valores em Euros
Pensões com fundo autónomo 1.924.988 (223.719) 1.701.269
1.924.988 (223.719) 1.701.269
2020
Valores em Euros
Pensões com fundo autónomo (10.245.329) 254.213 (9.991.116)
(10.245.329) 254.213 (9.991.116)
Impacto nos
Capitais
próprios
Valor bruto
Imposto
diferido
Valor bruto
Imposto
diferido
Impacto nos
Capitais
próprios
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 287
Os custos por responsabilidades passadas, que resultem da implementação de um novo plano ou
acréscimos nos benefícios atribuídos, são reconhecidos imediatamente em resultados do período.
Benefícios pós-emprego - planos de contribuição definida
A generalidade das empresas do Grupo assumiu compromissos relativos à contribuição para planos
de contribuição definida, de uma percentagem dos vencimentos dos empregados abrangidos por
esses planos, por forma a proporcionar um complemento de pensões de reforma por velhice,
invalidez e pensões de sobrevivência.
Para este efeito, foram constituídos Fundos de Pensões que visam a capitalização daquelas
contribuições, para os quais os empregados podem ainda efetuar contribuições voluntárias, mas
relativamente aos quais o Grupo não assume responsabilidades de contribuição adicionais ou um
retorno pré-fixado. Desta forma, as contribuições efetuadas são registadas como gastos do período,
no qual são reconhecidas, independentemente do momento da sua liquidação.
Estimativas e julgamentos
Pressupostos atuariais
Análise de sensibilidade
31-12-2021 31-12-2020
Fórmula de Benefícios da Segurança Social
Tabelas de invalidez EKV 80 EKV 80
Tabelas de mortalidade TV 88/90 TV 88/90
Taxa de desconto 1,25% 1,25%
Taxa de crescimento salarial 1,00% 1,00%
Taxa de remuneração dos ativos dos planos 1,25% 1,25%
Taxa de crescimento das pensões 1,00% 1,00%
Decreto-Lei nº 187/2007 de 10 de
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Redução de 0,25% na taxa de desconto
Acréscimo das responsabilidades assumidas 7.293.802 7.526.382
Aumento de 0,25% na taxa de desconto
Redução das responsabilidades assumidas (6.901.576) (7.112.509)
Redução de 0,25% na taxa de crescimento salarial
Redução das responsabilidades assumidas (1.643.123) (1.894.567)
Aumento de 0,25% na taxa de crescimento salarial
Acréscimo das responsabilidades assumidas 1.687.898 1.949.148
Redução de 0,25% na taxa de crescimento das pensões
Redução das responsabilidades assumidas (5.167.727) (5.174.516)
Aumento de 0,25% na taxa de crescimento das pensões
Acréscimo das responsabilidades assumidas 5.375.162 5.382.223
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 288
7.3. REMUNERAÇÃO DOS MEMBROS DOS ÓRGÃOS SOCIAIS
Remuneração dos Membros do Conselho de Administração
Todos os detalhes da política de remunerações dos membros do Conselho de Administração da
Navigator encontram-se detalhados no relatório do Governo Societário da Sociedade.
No que respeita a benefícios pós-emprego, em 31 de dezembro de 2021, o montante de
responsabilidades afetas a planos de benefícios pós-emprego, respeitantes a um administrador do
Grupo, ascendia a €956.764 (31 de dezembro de 2020: €971.706). Adicionalmente, três dos atuais
administradores são participantes de planos de pensões da Navigator Brands, S.A., subsidiária da
Sociedade, na qualidade de colaboradores daquela sociedade, antes de integrarem cargos de
administração.
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, relativamente aos membros do Conselho de Administração da
Navigator, não existiam: i) quaisquer responsabilidades adicionais afetas a outros benefícios de
longo prazo, ii) benefícios de cessação de emprego, iii) pagamentos com base em ações atribuídas
nem iv) quaisquer saldos pendentes.
Valores em Euros
2021 2020
Órgãos Sociais da Navigator
Conselho de Administração 2.978.880 2.979.882
Conselho Fiscal 53.998 53.998
Conselho Impacto Ambiental 33.500 29.000
Mesa da Assembleia Geral 4.000 16.000
3.070.378 3.078.880
Órgãos Sociais de outras empresas do Grupo 288.511 249.474
Total (Nota 7.1) 3.358.889 3.328.354
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 289
8. INSTRUMENTOS FINANCEIROS
8.1. GESTÃO DO RISCO FINANCEIRO
O Grupo Navigator tem um programa de gestão de risco que concentra a sua análise na atividade e
desempenho dos mercados financeiros com vista a minimizar os potenciais efeitos adversos na sua
performance financeira. A gestão do risco é conduzida pela direção financeira do Grupo de acordo
com políticas aprovadas pelos respetivos Conselhos de Administração e acompanhada pela Comissão
de Controlo e Riscos.
O Grupo tem tido uma postura ativa de gestão do risco, procurando minimizar os potenciais efeitos
adversos a eles associados, nomeadamente no que respeita ao risco cambial e o risco de taxa de
juro.
8.1.1. Risco cambial
Política de gestão do risco cambial
Uma parte significativa das vendas do Grupo é denominada em moedas diferentes do Euro, pelo que
a sua evolução poderá ter um impacto significativo nos fluxos de caixa obtidos com as vendas futuras
do Grupo, sendo a moeda com maior impacto o USD. Também as vendas em GBP, PLN e CHF têm
alguma expressão, tendo as vendas noutras moedas menor significado.
As compras de algumas matérias-primas são efetuadas em USD, nomeadamente parte das
importações de madeira e de pasta de fibra longa, pelo que variações nesta moeda poderão ter um
impacto nos valores de aquisição.
Adicionalmente, e uma vez concretizada uma venda ou compra em moeda diferente do Euro, o
Grupo incorre em risco cambial até ao recebimento ou pagamento dessa venda ou compra, caso não
contrate instrumentos de cobertura deste risco. Deste modo, existe permanentemente, no seu ativo,
um montante significativo de créditos a receber, assim como, embora com menor expressão, débitos
a pagar, expostos a risco cambial.
Utilização de instrumentos financeiros derivados
O Grupo recorre à utilização de instrumentos financeiros derivados para a gestão do risco cambial,
de acordo com uma política definida periodicamente e que tem como objetivo limitar o risco líquido
de exposição cambial associado às vendas e compras futuras, aos créditos e débitos a receber e a
pagar denominados em moedas diferentes do Euro.
Nos períodos apresentados, o Grupo detém derivados que se encontram a cobrir o risco cambial de
operações futuras em moeda diferente da moeda de apresentação (ver Nota 8.2 – Instrumentos
financeiros derivados).
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 290
Exposição dos ativos e passivos financeiros ao risco cambial e análise de sensibilidade
Na presente nota o Grupo divulga a exposição dos ativos e passivos financeiros ao risco cambial,
bem como a respetiva análise de sensibilidade, existindo divisas, em que o Grupo realizou
transações, mas que nas quais, à data de balanço, não possui exposições cambiais relevantes, razão
pela qual as taxas de câmbio divulgadas na Nota 1.6.4 são em maior número do que as moedas
apresentadas nesta nota.
8.1.2. Risco de taxa de juro
Política de gestão do risco de taxa de juro
Uma parte do custo associado à dívida financeira contraída pelo Grupo está indexada a taxas de
referência de curto prazo, revistas com uma periodicidade inferior a um ano (geralmente seis meses
na dívida de médio e longo prazo). Deste modo, variações nas taxas de juro podem afetar os
resultados do Grupo.
A estratégia de gestão do risco de taxa de juro é revista periodicamente pelo Grupo. Face ao nível
atual das taxas de juro temos privilegiado a contratação de dívida a taxa fixa.
Utilização de instrumentos financeiros derivados
Nos casos em que a Administração considera adequado, o Grupo recorre à utilização de instrumentos
financeiros derivados (Nota 8.2), nomeadamente swaps, tendo estes instrumentos como objetivo
de fixar a taxa de juro dos empréstimos que obtém, dentro de determinados parâmetros,
considerados adequados pelas políticas de gestão de risco do Grupo.
Exposição ao risco de taxa de juro
A 31 de dezembro de 2021 cerca de 5% (31 de dezembro de 2020: 36%) do custo da dívida
financeira contratada pelo Grupo estava indexado a taxas de referência de curto prazo, revistas com
uma periodicidade inferior a um ano (geralmente seis meses na dívida de médio e longo prazo) e
adicionadas de prémios de risco oportunamente negociados. Assim, variações nas taxas de juro
podem afetar os resultados do Grupo.
O Grupo tem privilegiado a contratação de dívida a taxa fixa e recorrido à utilização de instrumentos
financeiros derivados, nomeadamente a swaps de taxa de juro, com o objetivo de fixar a taxa de
juro dos empréstimos que obtém, dentro de determinados parâmetros.
31 de dezembro de 2021
Dólar Norte
Americano
Libra esterlina Zloti Polaco Coroa Sueca Lira Turca Franco Suiço
Metical
Moçambicano
Diram
Marroquino
Rand Sul
africano
Total ( Euros)
Valores em Divisas
Caixa e equivalentes de caixa 3.392.118 442.905 546.861 - 102.302 117.265 10.352.877 651.982 40.922 3.968.677
Valores a receber 63.112.114 7.550.211 6.306.245 - - 1.498.477 3.588.455 - - 67.580.500
Total de ativos financeiros 66.504.232 7.993.116 6.853.106 - 102.302 1.615.742 13.941.332 651.982 40.922 71.549.177
Financiamentos
Valores a pagar (4.349.239) (24.525) (12.180) (62.730) (1.312) (4.062) (6.579.943) (71.000) - (3.979.758)
Total de passivos financeiros (4.349.239) (24.525) (12.180) (62.730) (1.312) (4.062) (6.579.943) (71.000) - (3.979.758)
Posição financeira líquida em moeda estrangeira 62.154.993 7.968.590 6.840.927 (62.730) 100.990 1.611.680 7.361.389 580.982 40.922 67.569.419
Posição financeira líquida em Euros 54.878.150 9.483.256 1.488.161 (6.120) 6.629 1.560.043 101.789 55.245 2.266 67.569.419
Impacto da variação de + 10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período 8.223.512
Impacto da variação de -10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período
(10.199.055)
31 de dezembro de 2020
Dólar Norte
Americano
Libra esterlina Zloti Polaco Coroa Sueca Lira Turca Franco Suiço
Metical
Moçambicano
Diram
Marroquino
Rand Sul
africano
Total ( Euros)
Valores em Divisas
Caixa e equivalentes de caixa 2.034.916 380.848 75.379 - 13.525 5.427 12.706.712 718.347 40.922 2.309.685
Valores a receber 63.112.114 7.550.211 6.306.245 - - 1.498.477 3.588.455 - - 62.638.978
Total de ativos financeiros 65.147.029 7.931.059 6.381.624 - 13.525 1.503.904 16.295.167 718.347 40.922 64.948.663
Financiamentos
Valores a pagar (4.349.239) (24.525) (12.180) (62.730) (1.312) (4.062) (6.579.943) (71.000) - (3.661.736)
Total de passivos financeiros (4.349.239) (24.525) (12.180) (62.730) (1.312) (4.062) (6.579.943) (71.000) - (3.661.736)
Posição financeira líquida em moeda estrangeira 60.797.790 7.906.533 6.369.444 (62.730) 12.213 1.499.842 9.715.224 647.347 40.922 61.286.927
Posição financeira líquida em Euros 49.545.913 8.794.515 1.396.900 (6.252) 1.340 1.388.486 104.555 59.199 2.271 61.286.927
Impacto da variação de + 10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período 4.793.177
Impacto da variação de -10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período
(5.858.004)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 291
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, o resumo dos ativos e passivos financeiros com exposição a
risco de taxa de juro em função da maturidade ou data de refixação é apresentado no quadro
seguinte:
Estimativas e julgamentos
Análise de sensibilidade
O Grupo utiliza a técnica da análise de sensibilidade que mede as alterações estimadas nos
resultados e capitais de um aumento ou diminuição imediata das taxas de juro de mercado, com
todas as outras variáveis constantes. Esta análise é apenas para fins ilustrativos, já que na prática
as taxas de mercado raramente se alteram isoladamente.
A análise de sensibilidade é baseada nos seguintes pressupostos:
i) Alterações nas taxas de juro do mercado afetam rendimentos ou despesas de juros de
Instrumentos financeiros variáveis;
ii) Alterações nas taxas de juro de mercado afetam o justo valor de Instrumentos financeiros
derivados e outros ativos e passivos financeiros;
iii) Alterações no justo valor de Instrumentos financeiros derivados e outros ativos e passivos
financeiros são estimados descontando os fluxos de caixa futuros de valores atuais líquidos,
utilizando taxas de mercado do final do ano.
Valores em Euros Até 1 mês 1-3 meses 3-12 meses 1-5 anos Mais de 5 anos Total
A 31 de dezembro de 2021
Ativos
Correntes
Caixa e seus equivalentes 239.171.252 - - - - 239.171.252
Total de ativos financeiros 239.171.252 - - - - 239.171.252
Passivos
Não correntes
Financiamentos obtidos - - - 647.913.901 32.202.381 680.116.282
Incentivos reembolsáveis - - - 28.877.757 5.631.853 34.509.610
Correntes -
Financiamentos obtidos - 115.218.254 - - - 115.218.254
Incentivos reembolsáveis - - 4.099.903 - - 4.099.903
Total de passivos financeiros - 115.218.254 4.099.903 676.791.658 37.834.234 833.944.049
Diferencial acumulado 239.171.252 123.952.998 119.853.095 (556.938.563) (594.772.797)
Valores em Euros Até 1 mês 1-3 meses 3-12 meses 1-5 anos Mais de 5 anos Total
A 31 de dezembro de 2020
Ativos
Correntes
Caixa e seus equivalentes 302.399.831 - - - - 302.399.831
Total de ativos financeiros 302.399.831 - - - - 302.399.831
Passivos
Não correntes
Financiamentos obtidos - - - 503.086.118 149.837.301 652.923.419
Incentivos reembolsáveis - - - 23.516.208 14.438.800 37.955.008
Correntes -
Financiamentos obtidos - 40.000.000 251.527.778 - - 291.527.778
Incentivos reembolsáveis - - 4.578 - - 4.578
Total de passivos financeiros - 40.000.000 251.532.356 526.602.326 164.276.101 982.410.783
Diferencial acumulado 302.399.831 262.399.831 10.867.475 (515.734.851) (680.010.952)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 292
Um incremento de 0,50% nas taxas de juro sobre as quais são calculados os juros dos empréstimos
contratados pelo Grupo teria um impacto nos seus resultados antes de impostos do período findo
em 31de dezembro de 2021 em cerca de €106.250 (31 de dezembro de 2020: €1.701.516).
8.1.3. Risco de liquidez
Política de gestão do risco de liquidez
O Grupo gere o risco de liquidez por duas vias:
i) garantindo que a sua dívida financeira tem uma componente elevada de médio e longo prazo
com maturidades adequadas às características das indústrias onde exerce a sua atividade, e
ii) através da contratação com instituições financeiras de linhas de crédito disponíveis a todo o
momento, por um montante que garanta uma liquidez adequada.
Créditos disponíveis e não utilizados
O Grupo tem por política manter linhas de crédito em níveis adequados para, juntamente com o
montante de Caixa e Equivalentes de forma a garantir, com alguma margem de conforto, o ciclo de
tesouraria previsto para os próximos 12 meses.
Maturidade contratual dos passivos financeiros
(fluxos não descontados, incluindo juros)
O quadro tem em consideração a dívida emitida e a dívida de longo prazo contratada e não
desembolsada que irá refinanciar a dívida a vencer em 2022 (Linhas de crédito disponíveis e não
utilizadas).
A maturidade contratual dos financiamentos obtidos apresentada pressupõe o cumprimento
de covenants financeiros, conforme detalhados na Nota 5.7 – Financiamentos obtidos.
Valores em Euros -1 mês 1-3 meses 3-12 meses 1-5 anos + de 5 anos Total
A 31 de dezembro de 2021
Passivos
Financiamentos obtidos (Nota 5.7)
Empréstimos por obrigações 420.000 2.197.750 6.495.875 457.660.500 - 466.774.125
Papel comercial 65.130.000 36.242.500 994.000 144.224.500 - 246.591.000
Empréstimos bancários - 552.000 13.495.740 80.570.487 33.462.507 128.080.736
Passivos de locação (Nota 5.8) - - - - - -
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) - 1.185.597 1.259.307 323.238 - 2.768.142
Outros valores a pagar - - - - - -
Total passivos 65.550.000 40.177.847 26.344.825 711.656.483 39.094.361 882.823.517
Dos quais juros (às taxas em vigor à data) 37.408.448
Valores em Euros -1 mês 1-3 meses 3-12 meses 1-5 anos + de 5 anos Total
A 31 de dezembro de 2020
Passivos
Financiamentos obtidos (Nota 5.7)
Empréstimos por obrigações - 351.070 36.732.406 358.440.835 98.316.486 493.840.798
Papel comercial 189.470 1.259.757 2.043.761 262.416.635 103.695.050 369.604.674
Empréstimos bancários - - 12.022.560 93.578.767 57.606.355 163.207.681
Passivos de locação (Nota 5.8) - - - - - -
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) - 941.492 987.948 4.115.276 - 6.044.716
Outros valores a pagar - - - - - -
Total passivos 189.470 2.552.319 51.786.674 718.551.513 259.617.891 1.032.697.868
Dos quais juros (às taxas em vigor à data) 43.904.949
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 293
Linhas de créditos disponíveis e não utilizadas
8.1.4. Risco de crédito
Política de gestão do risco de crédito
O Grupo encontra-se sujeito a risco de crédito sobre os saldos a receber dos Clientes e a outros
devedores, tendo adotado uma política de gestão de cobertura de risco dentro de determinados
níveis através de seguros de crédito com uma entidade independentes especializada.
O Grupo adotou uma política de seguro de crédito para a generalidade dos saldos a receber de
Clientes, com uma franquia de 5%. Desta forma considera-se que a exposição efetiva do Grupo ao
risco de crédito se encontra mitigada a níveis aceitáveis relativamente às vendas. A maioria das
vendas que não estão abrangidas por um seguro de crédito são cobertas por garantias bancárias,
cartas de crédito, créditos documentários ou acordos de reserva de propriedade (retention of title),
sendo que qualquer exposição não coberta se encontra dentro de limites previamente aprovados
pela Comissão Executiva.
No entanto, o agravamento das condições económicas globais ou adversidades que afetem apenas
as economias a uma escala local pode originar uma deterioração na capacidade dos Clientes do
Grupo em saldar as suas obrigações, levando a que as entidades que prestam o seguro de crédito
diminuam significativamente o montante das linhas que disponibilizam para esses Clientes, o que
pode resultar em limitações nos montantes que se conseguem vender a alguns Clientes do Grupo,
sem incorrer diretamente em níveis de risco de crédito enquadráveis na política de risco nesta área.
Equivalentes de caixa
O Grupo tem uma política rigorosa de aprovação das suas contrapartes financeiras, limitando a sua
exposição de acordo com uma análise individual de risco e com plafonds previamente aprovados.
Exposição máxima ao risco de crédito
A exposição máxima do Grupo ao risco de crédito de ativos financeiros corresponde ao valor líquido
dos mesmos, conforme segue:
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Linhas de crédito não utilizadas
Papel comercial (com tomada firme de longo prazo) 125.000.000 125.000.000
Financiamentos de longo prazo contratados e não desembolsados - 132.500.000
Outras linhas de crédito 20.450.714 20.450.714
145.450.714 277.950.714
Papel comercial utilizado (Nota 5.7) 240.000.000 375.000.000
Outras linhas de crédito utilizadas 605.415.068 613.792.919
Linhas de crédito contratadas (valor nominal) 990.865.782 1.266.743.633
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Não correntes
Valores a receber (Nota 4.2) 8.604.547 34.696.105
Correntes
Valores a receber (Nota 4.2) 317.882.760 231.772.282
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 5.9) 239.171.252 302.399.831
565.658.560 568.868.217
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 294
Estrutura de antiguidade dos saldos de Clientes
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, os saldos a receber de Clientes apresentavam a seguinte
estrutura de antiguidade, considerando como referência a data de vencimento dos valores em aberto
antes de imparidades:
Os valores apresentados correspondem aos valores em aberto, face aos prazos de vencimento
contratados.
Os valores não cobertos respeitam a montantes previamente aprovados pela Comissão Executiva da
Navigator (€5.065.895).
Apesar de existirem atrasos na liquidação de alguns valores face a esses prazos, tal não resulta, de
acordo com a informação que é do conhecimento do Grupo, na identificação de situações de
imparidade para além das consideradas através das correspondentes perdas. Estas são apuradas
atendendo à informação regularmente reunida sobre o comportamento financeiro dos Clientes do
Grupo, que permite, em conjugação com a experiência reunida na análise da carteira e em
conjugação com os sinistros de crédito que se verifiquem, na parte não atribuível à seguradora,
definir o valor das perdas a reconhecer no período. O facto de existirem garantias para uma parte
significativa dos saldos em aberto e com antiguidade, justifica o facto de não se ter registado
qualquer perda por imparidade nesses saldos. Refira-se que as regras do seguro de risco de crédito
seguido pelo Grupo asseguram uma cobertura de parte significativa dos saldos em aberto.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
valores não vencidos 208.051.472 126.761.061
de 1 a 90 dias 2.455.066 6.813.003
de 91 a 180 dias 199.088 343.775
de 181 a 360 dias 83.457 105.723
de 361a 540 dias - -
de 541 a 720 dias - -
a mais de 721 dias - 11.485
210.789.083 134.035.046
Saldos considerados em imparidade 2.173.128 1.984.970
Imparidades (2.173.128) (1.984.970)
Saldo líquido de clientes (Nota 4.2) 210.789.083 134.035.046
Valores a receber de clientes cobertos por seguro de crédito 191.731.227 111.665.812
Valores a receber de clientes cobertos por garantias bancárias 2.761.574 1.727.494
Valores a receber de clientes cobertos por acordos de reserva de propriedade 5.464.991 1.101.555
Valores a receber de clientes cobertos por cartas de crédito / remessas documentárias 5.765.396 10.045.496
Valores a receber cobertos 205.723.188 124.540.357
Linhas de seguro de crédito disponíveis não utilizadas 353.731.395 337.776.838
Linhas de cobertura de crédito contratadas 559.454.583 462.317.195
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 295
A análise da carteira de saldos em aberto em função das respetivas áreas de negócio analisava-se
como segue:
A tabela seguinte apresenta a qualidade de risco de crédito do Grupo, em 31 de dezembro de 2021
e 2020, face a ativos financeiros (Caixa e equivalentes) (Maior notação de crédito dada por uma das
três agências de rating, Standard and Poor’s, Fitch ou Moody’s):
Os montantes em “Outros” incluem depósitos bancários em bancos ou entidades sem notação de
rating, nomeadamente bancos locais em Moçambique e em outras sucursais estrangeiras.
O Grupo tem uma política rigorosa de aprovação das suas contrapartes financeiras, limitando a sua
exposição de acordo com uma análise individual de risco e com plafonds previamente aprovados.
A 31 de dezembro de 2021
Valores em Euros
PASTA
MERCADO
PAPEL UWF PAPEL TISSUE ENERGIA SUPORTE Total
valores não vencidos 27.781.181 145.229.659 29.844.012 791.242 4.405.378 208.051.472
de 1 a 90 dias - - 1.127.754 - 1.327.312 2.455.066
de 91 a 180 dias - - 96.945 - 102.143 199.088
de 181 a 360 dias - - 45.744 - 37.713 83.457
de 361a 540 dias - - - - - -
de 541 a 720 dias - - - - - -
a mais de 721 dias - - - - - -
27.781.181 145.229.659 31.114.455 791.242 5.872.546 210.789.083
A 31 de dezembro de 2020
Valores em Euros
PASTA
MERCADO
PAPEL UWF PAPEL TISSUE ENERGIA SUPORTE Total
valores não vencidos 15.182.277 81.824.414 25.632.756 660.642 3.460.972 126.761.061
de 1 a 90 dias 269.027 2.433.162 885.598 716.630 2.508.586 6.813.003
de 91 a 180 dias - - 166.561 - 177.214 343.775
de 181 a 360 dias - - - - 105.723 105.723
de 361a 540 dias - - - - - -
de 541 a 720 dias - - - - - -
a mais de 721 dias - - - - 11.485 11.485
15.451.304 84.257.576 26.684.915 1.377.272 6.263.980 134.035.046
Instituições Financeiras
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Rating
AA 9.801.253 -
AA- - 19.181.980
A+ 84.976.652 18.252.728
A 6.609.078 50.876.601
A- 61.586.886 40.589.336
BBB+ - 2.211.916
BBB 73.253.991 167.647.778
BBB- - -
BB+ 60.468 4.512
BB 108.006 1.695.165
BB- - -
B+ - -
B 179.662 -
B- - -
Outros 2.595.255 1.939.816
239.171.252 302.399.831
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 296
Imparidade de Clientes e outros devedores
Políticas contabilísticas
Imparidade de ativos financeiros
O Grupo avalia, numa base prospetiva, as perdas de crédito esperadas associadas aos seus ativos
financeiros mensurados ao custo amortizados e ao justo valor por outro rendimento integral, de
acordo com a IFRS 9.
Nesta base, o Grupo reconhece as perdas de crédito esperadas (expected credit losses) ao longo da
respetiva duração dos instrumentos financeiros que tenham sido objeto de aumentos significativos
do risco de crédito desde o reconhecimento inicial, avaliado numa base individual ou coletiva, tendo
em conta todas as informações razoáveis e sustentáveis, incluindo a informação prospetiva
disponível.
Se, à data de relato, o risco de crédito associado a um instrumento financeiro não tiver aumentado
significativamente desde o reconhecimento inicial, o Grupo mensura a imparidade relativa a esse
instrumento financeiro por uma quantia equivalente às perdas de crédito esperadas.
A IFRS 9 prevê que para o cálculo destas imparidades seja utilizado um de dois modelos: método
das 3 fases ou uso de uma matriz, sendo a componente distintiva a existência ou não de uma
componente significativa de financiamento. No caso dos ativos financeiros da Navigator, não sendo
a mesma uma instituição financeira e não existindo ativos que tenham uma componente significativa
de financiamento, optou-se pela utilização de uma matriz.
O modelo seguido na avaliação das imparidades de acordo com a IFRS 9 é como segue:
I. Calcular o total de vendas a crédito realizadas pelo Grupo durante os últimos 12 meses,
assim como o montante total de cobrança duvidosa que se lhes associa;
II. Apurar o perfil de pagamento dos Clientes, definido intervalos de periodicidade de
recebimento;
III. Com base em I. e II. acima, estimar a probabilidade de default (ou seja, o montante de
cobrança duvidosa apurado em I. comparado com saldo de vendas em aberto em cada
intervalo calculado em II.);
IV. Ajustar as percentagens obtidas em III. de projeções futuras;
V. Aplicar as percentagens de default conforme calculadas em IV. aos saldos de Clientes ainda
em aberto na data de relato.
Clientes Outros Total
Valores em Euros devedores
Saldo em 1 de janeiro de 2020 (1.538.464) (31.262) (1.569.726)
Reforço - Impacto da IFRS 9 em resultados do período (677.723) - (677.723)
Reforço (Nota 2.3) (106.018) (200.000) (306.018)
Reversões 47.052 - 47.052
Utilizações 290.183 - 290.183
Saldo em 31 de dezembro de 2020 (1.984.970) (231.262) (2.216.232)
Reforço - Impacto da IFRS 9 em resultados do período 123.146 - 123.146
Reforço (Nota 2.3) (404.476) (3.762) (408.238)
Reversões 77.603 - 77.603
Utilizações 15.568 15.568
Saldo em 31 de dezembro de 2021 (2.173.128) (235.025) (2.408.153)
Imparidades
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 297
Apesar da IFRS 9 presumir 90 dias como “default”, o Grupo Navigator considerou 180 dias, pois a
experiência de perdas reais antes deste prazo é reduzida, além de se encontrar alinhado com as
atuais políticas de gestão de risco da entidade, nomeadamente no que diz respeito ao seguro de
crédito contratado e ao facto de não existirem vendas com componentes significativas de
financiamento à luz da IFRS 15. Adicionalmente, a entidade avaliou o impacto de considerar 180
dias de “default” em detrimento de 90 dias e a “Expected Credit Loss” não se alteraria
significativamente.
Além deste prazo, o modelo tem em consideração a franquia paga pela Navigator em caso de sinistro
na seguradora de crédito contratada, de 5% (10% para Clientes nacionais).
Face à situação de pandemia de Covid-19, o Grupo analisou o risco de crédito, considerando os
impactos económico-financeiros esperados decorrentes da Covid-19 a nível macroeconómico.
Neste sentido, e tendo por referência 31 de dezembro de 2021, foi reduzido o valor de risco de
recuperabilidade em €123.146 (31 de dezembro de 2020: reforçado em €677.723).
Além disso, o Grupo reconhece imparidades em base casuística, com base em saldos específicos e
eventos passados específicos, tendo em conta a informação histórica das contrapartes, o seu perfil
de risco e outros dados observáveis de forma a aferir se existe indicadores objetivos de imparidade
para esses ativos financeiros. O Grupo utiliza o procedimento de anulação (write-off) apenas quando
o crédito é considerado definitivamente incobrável, por decisão do tribunal.
8.2. INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVADOS
Movimentos em instrumentos financeiros derivados
Valores em Euros
Derivados de
negociação
Derivados de
cobertura
Total líquido
Derivados de
negociação
Derivados de
cobertura
Total líquido
Saldo no início do período 3.160.131 (5.336.693) (2.176.561) 536.035 (4.316.491) (3.780.456)
Novos contratos / liquidações (623.573) 2.326.437 1.702.864 623.573 2.982.135 3.605.708
Variação de justo valor em resultados (Nota 5.11) (4.265.016) (3.191.640) (7.456.656) 2.000.523 (3.647.914) (1.647.391)
Variação de justo valor em outro rendimento integral (Nota 5.5) - 1.430.747 1.430.747 - (354.422) (354.422)
Saldo no final do período (1.728.458) (4.771.149) (6.499.607) 3.160.131 (5.336.693) (2.176.561)
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 298
8.2.1. Detalhe e maturidade dos instrumentos financeiros derivados por
natureza
Cobertura de vendas futuras | risco cambial EUR/USD e EUR/GBP
No decorrer do último trimestre de 2021, o Grupo concluiu a contratação dos instrumentos
financeiros derivados, adquirindo USD $242.500.000 e GBP £83.000.000, em Zero Cost Collar,
garantindo assim a cobertura total do valor estimado de exposição para o exercício de 2022.
Cobertura de taxa de juro
No decorrer do primeiro trimestre de 2021, o Grupo procedeu ao reforço das coberturas associadas
à taxa de juro, por via da contratação de um swap no valor de €75.000.000 para fixação da taxa de
juro associada ao empréstimo obrigacionista Navigator 2020-2026, do mesmo montante. Já no final
do segundo trimestre, o Grupo realizou a contratação de uma nova cobertura à taxa de juro, no
valor de €100.000.000 para fixação da taxa de juro associada ao empréstimo obrigacionista
Navigator 2021-2026, com início em Ago-21.
Cobertura de Pasta BHKP
Tal como no ano transato, o Grupo assegura um acompanhamento periódico à sua exposição ao
preço da pasta BHKP.
No decorrer do 4.º trimestre de 2021, por opção, o Grupo procedeu à aquisição de instrumentos
financeiros para cobertura do preço da pasta, por via da contratação de um conjunto de swaps para
fixação de preço para 30.000 toneladas de pasta, para os próximos 12 meses, findo a 31 de
dezembro de 2022.
Políticas contabilísticas
O justo valor dos Instrumentos financeiros derivados encontra-se incluído na rubrica de Valores a
pagar (Nota 4.3), quando negativos e na rubrica Valores a receber (Nota 4.2), quando positivo.
31 de dezembro de 2021
Valores em Euros
Nocional Moeda Maturidade
Positivos
(Nota 4.2)
Negativos
(Nota 4.3)
Líquido
De cobertura
Cobertura (vendas futuras) 242.500.000 USD 2022 9.066 (1.426.675) (1.417.609)
Cobertura (vendas futuras) 83.000.000 GBP 2022 (483.940) (483.940)
Swaps de taxa de juro (Swaps) - Obrigações 375.000.000 EUR 2026 1.621.916 (2.804.403) (1.182.487)
Pasta BHKP 27.120.000 USD 2022 - (1.687.112) (1.687.112)
1.630.982 (6.402.131) (4.771.149)
De negociação
Forwards cambiais (vendas futuras) 129.745.503 USD 2023 - (1.640.154) (1.640.154)
Forwards cambiais (vendas futuras) 9.050.000 GBP 2021 - (86.856) (86.856)
Forwards cambiais (vendas futuras) 300.000 CHF 2021 - (1.448) (1.448)
- (1.728.458) (1.728.458)
1.630.982 (8.130.589) (6.499.607)
31 de dezembro de 2020
Valores em Euros
Nocional Moeda Maturidade
Positivos (Nota
4.2)
Negativos
(Nota 4.3)
Líquido
De cobertura
Cobertura (vendas futuras) 204.000.000 USD 2021 831.818 (668) 831.149
Cobertura (vendas futuras) 72.000.000 GBP 2021 (515.688) (515.688)
Swaps de taxa de juro (Swaps) - Obrigações 200.000.000 EUR 2025 - (5.501.229) (5.501.229)
Pasta BHKP 9.120.000 USD 2021 - (150.926) (150.926)
831.818 (6.168.511) (5.336.693)
De negociação
Forwards cambiais (vendas futuras) 100.228.946 USD 2023 2.564.049 - 2.564.049
Forwards cambiais (vendas futuras) 5.425.000 GBP 2021 - (27.345) (27.345)
Forwards cambiais (vendas futuras) 225.000 CHF 2021 (146) (146)
Compra futura de licenças CO2 (Nota 3.2) 2.545.625 EUR 2021 623.573 - 623.573
3.187.622 (27.491) 3.160.131
4.019.440 (6.196.002) (2.176.562)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 299
Conforme previsto na IFRS 9 – Instrumentos financeiros, o Grupo optou por continuar a aplicar os
requisitos da contabilidade de cobertura presentes na IAS 39 – Instrumentos financeiros, até que
exista uma maior visibilidade sobre o projeto de Dynamic Risk Management (macro hedging)
atualmente em curso.
Sempre que as expectativas de evolução de taxas de juro ou de câmbio o justifiquem, o Grupo
procura contratar operações de cobertura contra movimentos adversos, através de instrumentos
derivados, tais como interest rate swaps (IRS), collars de taxa de juro e de câmbio, forwards
cambiais, etc.
Instrumentos financeiros derivados de negociação
Apesar de os derivados contratados pelo Grupo corresponderem a instrumentos eficazes na
cobertura económica de riscos, nem todos se qualificam como instrumentos de cobertura
contabilística de acordo com as regras e requisitos aplicáveis. Os instrumentos que não se
qualifiquem como instrumentos de cobertura contabilística são registados na Posição financeira
consolidada pelo seu justo valor e as variações no mesmo são reconhecidas em Rendimentos e
gastos financeiros (Nota 5.11) quando relativas a operações de financiamento, ou, em
Fornecimentos e Serviços Externos (Nota 2.3) ou Rédito (Nota 2.1), quando se refiram à cobertura
de fluxos de recebimento de vendas em moeda diferente da moeda de apresentação.
Instrumentos financeiros derivados de cobertura
Os Instrumentos financeiros derivados utilizados para fins de cobertura podem ser classificados
contabilisticamente como de cobertura desde que cumpram, cumulativamente, com as condições
definidas na IAS 39.
Cobertura de fluxos de caixa (risco de taxa de juro, de câmbio e commodities - BHKP)
O Grupo, na sua gestão da exposição às taxas de juro e de câmbio, realiza cobertura de fluxos de
caixa.
Estas operações são registadas na Demonstração da posição financeira intercalar pelo seu justo
valor e, na medida em que sejam consideradas coberturas eficazes, as variações no justo valor são
inicialmente registadas no outro rendimento integral do período. Se as operações de cobertura se
apresentarem como ineficazes, o ganho ou a perda daí decorrente é registada diretamente em
resultados.
Os montantes acumulados em capital próprio são transferidos para resultados quando o item coberto
afeta a Demonstração dos resultados (por exemplo, quando a venda futura coberta se materializa).
O ganho ou a perda correspondente à componente eficaz dos swaps de taxa de juro que se
encontrem a cobrir financiamentos de taxa variável, é reconhecido na rubrica de Rendimentos e
gastos financeiros (Nota 5.11). No entanto, quando a transação futura que se encontra coberta,
origina o reconhecimento de um ativo não financeiro (por exemplo, inventários ou ativos fixos
tangíveis), os ganhos e perdas anteriormente diferidos no capital próprio são incluídos na
mensuração inicial do custo do ativo.
Quando um instrumento de cobertura matura ou é vendido, ou quando deixa de cumprir os critérios
exigidos para que seja reconhecido contabilisticamente como de cobertura, os ganhos e perdas
acumuladas no capital próprio são reciclados para a Demonstração dos resultados, exceto quando o
item coberto é uma transação futura em que os ganhos e perdas acumuladas constantes do capital
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 300
próprio a essa data permaneçam no capital próprio, caso em que apenas serão reciclados para a
Demonstração dos resultados quando a transação for reconhecida na Demonstração dos resultados
Instrumentos financeiros derivados utilizados pelo Grupo Navigator
Derivados cambiais de negociação
O Grupo Navigator tem uma exposição cambial nas vendas que fatura em divisas, com especial
relevância em dólares norte-americanos (USD) e libras esterlinas (GBP). Uma vez que o Grupo
apresenta as suas demonstrações financeiras em euros, fica exposta a um risco económico na
conversão destes fluxos de moedas para o euro. O Grupo tem também, embora com menor
expressão, alguns pagamentos nestas mesmas divisas, que, para efeitos de exposição cambial,
funcionam como uma cobertura natural. Deste modo, a cobertura tem como objetivo proteger o
saldo dos valores da demonstração da posição financeira denominados em moeda diferente da
moeda de apresentação contra as respetivas variações cambiais.
Os instrumentos de cobertura utilizados nesta operação são forwards cambiais, contratados sobre a
exposição líquida às moedas diferentes da moeda de apresentação, para montantes e datas de
vencimento próximas dessa exposição. A natureza do risco coberto é a variação cambial
contabilística registada nas vendas e compras tituladas em moedas diferentes da moeda de
apresentação. No final de cada mês é feita uma atualização cambial dos saldos de Clientes e dos
Fornecedores, cujo ganho ou perda é compensado com a variação do justo valor dos forwards
negociados.
Cobertura de vendas futuras | risco cambial EUR/USD e EUR/GBP
O Grupo recorre à utilização de instrumentos financeiros derivados com o objetivo de limitar o risco
líquido de exposição cambial associado às vendas e compras futuras estimadas em USD e GBP.
Cobertura de fluxos de caixa | taxa de juro
O Grupo Navigator procede à cobertura dos pagamentos de juros futuros associados às emissões de
papel comercial e do empréstimo obrigacionista, através da contratação de swaps de taxa de juro,
onde paga uma taxa fixa e recebe uma taxa variável. O referido instrumento é designado como de
cobertura dos fluxos de caixa associados ao programa de papel comercial e ao empréstimo
obrigacionista.
Cobertura de fluxos de caixa | Commodities - BHKP
O Grupo Navigator usa instrumentos financeiros derivados com o objetivo de minimizar o risco de
exposição associado à variação do preço da pasta, indexado ao PIX, em USD.
Estimativas e julgamentos
Justo valor de instrumentos financeiros derivados
Sempre que possível, o justo valor dos derivados é estimado com base em instrumentos cotados.
Na ausência de preços de mercado, o justo valor dos derivados é estimado através do método de
fluxos de caixa descontados e modelos de valorização de opções, de acordo com pressupostos
geralmente utilizados no mercado.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 301
8.3. ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS
8.3.1. Categorias de Instrumentos financeiros do Grupo
Os instrumentos financeiros incluídos em cada rubrica da demonstração da posição financeira
consolidada são classificados como segue:
8.3.2. Justo valor de ativos e passivos financeiros
Ativos e passivos financeiros mensurados ao justo valor
Valores em Euros
Nota
Ativos
financeiros ao
custo
amortizado
Ativos
financeiros ao
justo valor
através de
resultados
(excluindo
derivados)
Ativos
financeiros ao
justo valor
através de
outro
rendimento
integral
Instrumentos
financeiros
derivados de
cobertura
Instrumentos
financeiros
derivados de
negociação
Ativos
financeiros fora
do âmbito da
IFRS 9
Ativos não
financeiros
Total
31 de dezembro de 2021
Valores a receber não correntes 4.2 8.604.547 - - - - - - 8.604.547
Valores a receber correntes 4.2 236.454.808 - - 1.630.982 - - 79.796.970 317.882.760
Caixa e equivalentes de caixa 5.9 239.171.252 - - - - - - 239.171.252
Ativos não correntes detidos para venda 3.8 - - - - - - - -
Total de ativos 484.230.608 - - 1.630.982 - - 79.796.970 565.658.560
31 de dezembro de 2020
Valores a receber não correntes 8.3 34.696.105 - - - - - - 34.696.105
Valores a receber correntes 4.2 142.680.703 - - 3.187.622 831.818 - 85.072.139 231.772.282
Caixa e equivalentes de caixa 5.9 302.399.831 - - - - - - 302.399.831
Ativos não correntes detidos para venda 3.8 - - - - - - - -
Total de ativos 479.776.638 - - 3.187.622 831.818 - 85.072.139 568.868.217
Valores em Euros
Nota
Passivos
financeiros ao
custo
amortizado
Passivos
financeiros ao
justo valor
através de
resultados
(excluindo
derivados)
Instrumentos
financeiros
derivados de
cobertura
Instrumentos
financeiros
derivados de
negociação
Passivos
financeiros fora
do âmbito da
IFRS 9
Passivos não
financeiros
Total
31 de dezembro de 2021
Financiamentos obtidos 5.7 833.944.049 - - - - - 833.944.049
Passivos de locação 5.8 - - - - 53.240.925 - 53.240.925
Valores a pagar 4.3 422.045.733 - 6.402.131 1.728.458 - - 430.176.321
Total de passivos 1.255.989.782 - 6.402.131 1.728.458 53.240.925 - 1.317.361.295
31 de dezembro de 2020
Financiamentos obtidos 5.7 982.410.783 - - - - - 982.410.783
Passivos de locação 5.8 - - - - 53.080.919 - 53.080.919
Valores a pagar 4.3 327.687.925 - 6.168.511 27.491 - - 333.883.926
Total de passivos 1.310.098.708 - 6.168.511 27.491 53.080.919 - 1.369.375.629
Valores em Euros Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 1 Nível 2 Nível 3
Ativos financeiros ao justo valor reconhecidos em resultados
Derivados de negociação - - - - 3.187.622 -
Instrumentos financeiros de cobertura - 1.630.982 - - 831.818 -
Ativos mensurados ao justo valor
Ativos biológicos - - 147.324.061 - - 148.584.452
Total de ativos - 1.630.982 147.324.061 - 4.019.440 148.584.452
Passivos financeiros ao justo valor reconhecidos em resultados
Derivados de negociação - (1.728.458) - - (27.491) -
Instrumentos financeiros de cobertura - (6.402.131) - - (6.168.511) -
Total de passivos - (8.130.590) - - (6.196.001) -
31-12-2020
31-12-2021
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 302
Políticas contabilísticas
O justo valor dos instrumentos financeiros é classificado de acordo com a hierarquia de justo valor
da IFRS 13 – Mensuração ao justo valor:
Nível 1
Baseado em cotações de mercados líquidos ativos à data de relato
Nível 2
Determinado com recurso a modelos de avaliação, os principais inputs dos quais são observáveis
no mercado
Nível 3
Determinado com recurso a modelos de avaliação, cujos principais inputs não são observáveis no
mercado.
Estimativas e julgamentos
Justo valor de financiamentos obtidos remunerados a taxa de juro fixa
O justo valor destes passivos é calculado pelo método dos fluxos de caixa descontados à data de
relato, utilizando uma taxa de desconto de acordo com as características de cada financiamento,
pertencendo ao nível 2 da hierarquia de justo valor da IFRS 13.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 303
9. GESTÃO DO RISCO OPERACIONAL
O Grupo está presente nos setores da floresta, na produção de eucalipto para a utilização na
produção de pasta BEKP, que incorpora essencialmente na produção de papel UWF e tissue, mas
que coloca também no mercado, na produção de papel UWF e tissue e na produção de energia,
essencialmente através de biomassa que gera, em grande parte, no processo produtivo de pasta
BEKP.
Todas as atividades em que o Grupo opera estão sujeitas a riscos, que podem ter um efeito
significativo nas atividades que exerce, nos seus resultados operacionais, nos fluxos de caixa que
gera e na sua posição financeira.
Os fatores de risco analisados neste capítulo podem ser estruturados da seguinte forma:
i. Riscos específicos dos setores de atividade em que o Grupo está presente:
− Riscos associados ao setor florestal
− Riscos associados à produção e comercialização de pasta BEKP, de papel UWF e papel tissue
− Riscos associados à produção de energia
− Riscos associados a alterações climáticas
− Recursos humanos e gestão de talento
− Sistemas de informação
− Riscos gerais de contexto
ii. Riscos do Grupo e da forma como exerce as suas atividades.
O Grupo mantém um programa de gestão do risco, focado na análise dos mercados financeiros
procurando minimizar os potenciais efeitos adversos no seu desempenho financeiro. A gestão do
risco é conduzida pela Direção Financeira de acordo com políticas aprovadas pela Administração. A
Direção Financeira avalia e realiza coberturas de riscos financeiros em estrita cooperação com as
unidades operacionais do Grupo.
A Administração providencia princípios para a gestão do risco como um todo e políticas que cobrem
áreas específicas, como o risco cambial, o risco de taxa de juro, o risco de liquidez, o risco de crédito,
o uso de derivados e outros instrumentos financeiros não derivados e o investimento de excedentes
de liquidez. A Direção de Gestão de Risco faz o acompanhamento da implementação das políticas
de gestão de risco definidas pela Administração.
9.1. RISCOS ESPECÍFICOS DOS SETORES DE ATIVIDADE EM QUE O
GRUPO ESTÁ PRESENTE
9.1.1. Riscos associados ao setor florestal
Em 31 de dezembro de 2021, o Grupo Navigator geria cerca de 105,5 milhares de hectares (2020:
108 milhares de hectares) distribuídos em Portugal continental, Açores e Galiza (Espanha), em cerca
de 1.283 Unidades de Gestão em 170 municípios em Portugal, e 32 Unidades de Gestão distribuídas
por 2 municípios na Galiza, Espanha, de acordo com os princípios expressos na sua Política Florestal.
O eucalipto e as áreas com florestação em curso com as espécies deste género ocupam 73% desta
área, designadamente a espécie Eucalyptus globulus, considerada como a fibra ideal para papéis de
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 304
alta qualidade. Na área restante, para além dos espaços de conservação que representam cerca de
11,8% da área total sobre gestão, salientam-se as áreas florestais de pinho e sobreiro, espécies das
quais o Grupo está entre os maiores produtores privados nacionais.
Tendo sido pioneira em Portugal na promoção da gestão florestal certificada, a gestão florestal da
generalidade do seu património florestal localizado em Portugal continental está certificada pelo
FSC
®
(Forest Stewardship Council®) (FSC
®
-C010852) e pelo PEFC™ (Programme for the
Endorsement of Forest Certification schemes) (PEFC™/13-23-001), reconhecimento de que a gestão
destes espaços é feita de forma responsável do ponto de vista ambiental, económico e social, e
obedecendo a critérios rigorosos e internacionalmente reconhecidos.
A Navigator opera em sofisticados mercados em todo o mundo nos quais a procura de produtos
certificados é uma realidade incontornável. Sendo certo que apenas uma reduzida parte da floresta
nacional está certificada, a Companhia iniciou em 2016 um programa de dinamização da adesão de
produtores a modelos de gestão florestal sustentável que, certificados, permitem a melhoria
contínua das práticas de gestão, a valorização da produção e a resposta ao esforço de procura de
produtos certificados que se sente a nível mundial. Este esforço tem vindo a aumentar a área
florestal certificada em Portugal entre 2016 e 2021, quer via FSC
®
(de 370.000 ha para 545.907 ha)
quer PEFC™ (de 260.000 ha para 306.956 ha).
Ainda assim, é manifesto que o esforço se deverá manter no futuro, dado o peso que ainda
representa a área florestal não abrangida por qualquer sistema de gestão florestal sustentável em
Portugal. A título de exemplo, a área florestal gerida pelo Grupo em Portugal continental no final de
2021, embora representasse cerca de 3% da área da floresta portuguesa, representava, todavia,
34% de toda a área certificada de acordo com as normas o sistema PEFC™ e 19% de toda a área
certificada de acordo com as normas o sistema FSC
®
.
Estamos, no entanto, otimistas com o caminho percorrido, que demonstra a adesão da Produção
Florestal aos modelos de gestão florestal sustentável. Em 2021, 63% da madeira proveniente de
fontes de abastecimento nacionais, excluindo o autoabastecimento, já proveio de propriedades que
tinham a sua gestão florestal certificada (2020: 61%). Registe-se também o facto de que, no âmbito
desta iniciativa, o Grupo ter visto aumentar de forma muito significativa o número de Fornecedores
de madeira com certificação da cadeia de custódia/responsabilidade, passo essencial no
desenvolvimento de uma base de Fornecedores que possibilitará assegurar os desígnios definidos
ao nível da madeira proveniente de fontes com gestão florestal certificada.
Como forma de fomentar a certificação da gestão florestal na floresta nacional de eucalipto, o Grupo
diferencia desde 2007 e de forma ininterrupta o valor da madeira recebida nas suas unidades fabris,
discriminando positivamente no preço a madeira proveniente de unidades de gestão que certificaram
a sua gestão florestal sustentável. Este apoio ao sistema foi inovador a nível mundial e permitiu a
estabilização da gestão florestal certificada como uma prática reconhecida no mercado e que, sendo
remunerada nos produtos que incorpora, deve remunerar a respetiva cadeia de produção.
Complementarmente, e como forma de demonstrar o seu compromisso com processos de gestão
florestal sustentável, o Grupo procedeu em 5 de agosto de 2021 à emissão de dívida com taxa de
juro indexada a diversos critérios de sustentabilidade, incluindo a evolução do peso da madeira
proveniente de unidades com a sua gestão florestal certificada. Esta emissão (cujos detalhes se
descrevem na Nota 5.7) colocam o Grupo numa posição de evidente compromisso com as suas
práticas, pretendendo envolver toda a sua estrutura de gestão e a sua cadeia de valor em torno dos
seus objetivos estratégicos.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 305
Ao Grupo foram atribuídos Direitos de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) em Moçambique,
localizados nas províncias de Manica e Zambézia constituídos por cerca de 5 dezenas de parcelas
não contíguas, e uma autorização de plantação de até 246.000 hectares, disponibilizados ao abrigo
de Acordo de Investimento assinado com o Governo moçambicano, dos quais se encontram
plantados cerca de 13,5 milhares de hectares. O projeto prevê a instalação de uma unidade industrial
destinada à produção de pasta BEKP e energia elétrica naquele país. O Governo moçambicano e a
Portucel Moçambique outorgaram em julho de 2018 um Memorando de Entendimento (MoU) através
do qual acordaram um conjunto de condições precedentes necessárias para a prossecução do
investimento, nomeada e especialmente de natureza logística, que será implementado em duas
fases. Num primeiro momento será incrementada a base florestal até cerca de 40.000 hectares, que
garantirá o abastecimento de uma unidade (a construir) de produção de estilha de madeira de
eucalipto para exportação, de cerca de 1 milhão de toneladas por ano, num investimento adicional
estimado de USD 140 milhões.
Em comunicado efetuado ao mercado em meados de novembro, a concessionária do Porto de Macuze
e o fundo americano Ethos Asset Management Inc. informaram terem celebrado um acordo de
financiamento de longo prazo no montante de 400 milhões de USD, que assegurará a construção da
primeira fase do porto de Macuse e acessibilidades rodoviárias, a qual envolve a construção de
terminais para a operação de produtos agrícolas, aparas de madeira (woodchips), fertilizantes e
combustíveis, com capacidade para operar navios até 65.000 DWT. O início da construção está
previsto para 2022 e a entrada em operação para 2025.
A Navigator e o Governo de Moçambique têm vindo a trabalhar nos termos do MoU assinado em
2018, nomeadamente no tema das terras e fomento, tendo avançado o primeiro programa de
Fomento Florestal em Moçambique, iniciativa governamental com financiamento do Banco Mundial.
O objetivo é promover plantações florestais comerciais sustentáveis de pequena e média escala e a
restauração de áreas degradadas, tendo sido instalados cerca de 2.000 ha nas campanhas de 2019-
2020 e 2020-2021. A Portucel Moçambique tem tido um papel ativo na construção e implementação
do Programa, contribuindo com diversos apoios tais como na definição do modelo de silvicultura, no
fornecimento de plantas clonais a preço bonificado, no acesso a matérias-primas e know-how.
Foi também iniciada a operação de colheita de madeira das plantações da Portucel Moçambique em
Manica, para exportação a partir do porto da Beira, o que permitirá, entre outros objetivos, colocar
Moçambique no mapa mundial desta indústria de base florestal. Ao longo de 2021, foram colhidos
cerca de 100.000 m
3
de madeira, tendo sido concretizados três embarques de navios para Portugal,
com cerca de 90.000 m
3
.
Ao nível da produção florestal, o principal fator de ameaça da competitividade da fileira florestal do
eucalipto reside na baixa produtividade da floresta portuguesa, que apresenta uma reduzida
intensidade de gestão, que contribui para uma rentabilidade decrescente e crescentes riscos de
incêndio florestal e de fitossanidade. A conjugação de todos estes fatores, sem que, nos últimos
anos, tenham existido medidas de atuação estratégica do Estado no setor, tem obrigado à
importação de matéria-prima, processo que condiciona a rentabilidade do setor.
O desafio da produtividade e da gestão florestal ativa é entendido na Companhia como um eixo
estratégico de desenvolvimento. Enquanto empresa com responsabilidades no setor, a Navigator
tem vindo a promover várias iniciativas que visam contribuir para a inversão desta tendência. Estas
iniciativas cobrem diversas áreas, desde o fornecimento de plantas melhoradas provenientes de um
programa de melhoramento genético com décadas de desenvolvimento, o apoio técnico a produtores
florestais (com programas como o Premium, o e-globulus e o apoio técnico através de dezenas de
ações de formação que, complementando as organizadas com os Fornecedores que utilizamos,
estendem a transferência de conhecimento a outras empresas do setor).
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 306
Complementarmente, através da CELPA (Associação da Indústria Papeleira, representativa dos
principais Grupos industriais do setor), a Navigator tem também colaborado no Programa Melhor
Eucalipto, no qual se desenvolve o “Limpa & Aduba”. Ao abrigo desta iniciativa, a CELPA procede a
suas custas à adubação das parcelas de particulares que se candidatem ao programa, e que limpem
as suas propriedades florestais de eucalipto. Esta medida, potenciadora de produtividade, permite
ainda a redução do risco de incêndio pela redução da carga combustível nas parcelas, tendo
impactado em mais de 12.000 ha durante 2020 e em cerca de 15.000 ha em 2021, acumulando-se
mais de 33.000 ha já intervencionados. A CELPA está ainda a estudar a implementação de um
programa adicional – Replantar - que visa fornecer aos proprietários um apoio financeiro direto na
replantação das suas parcelas florestais de eucalipto, bem como uma iniciativa de igual teor visando
a recuperação de áreas ardidas fustigadas pelos incêndios de 2016 a 2018 procurando a reabilitação
dessas áreas para a gestão florestal.
A acrescer aos riscos relativos aos impactes dos incêndios rurais e da fitossanidade, acresce um
ambiente regulatório fortemente condicionante da atividade florestal profissional, que tem levado a
um decréscimo continuado nos níveis de intervenção florestal em escala, cujo indicador avançado é
a evolução (redução continuada) das áreas florestais florestadas ou reflorestadas no nosso país. A
sustentabilidade de todo um setor, assente num grande número de pequenos Fornecedores de
serviços e produtos, está dependente de níveis de atividade (independentemente da espécie) que o
nosso país não tem conseguindo assegurar, comprometendo a sustentabilidade dessa malha
empresarial, fundamental para assegurar as intervenções em espaço rural que permitem reduzir
risco e fomentar produtividade e rendimento em regiões do país onde a floresta é uma componente
significativa do rendimento de muitas famílias.
No que diz respeito aos incêndios rurais, os riscos a que a atividade do Grupo Navigator se encontra
exposta traduzem-se nos seguintes impactos:
I. Na destruição de stocks atuais e futuros de madeira próprios e de terceiros;
II. Em custos acrescidos de exploração florestal e posterior preparação dos terrenos para
plantação.
Nesta matéria, a forma de gestão das explorações que possui ou gere constitui a primeira linha de
mitigação deste risco pelo Grupo. Acresce o esforço de Inovação e Desenvolvimento que visa adaptar
as técnicas de silvicultura à realidade da floresta nacional, visando a mitigação de impactes, a
redução de custos e a melhoria das práticas de gestão, pela Companhia e pelos operadores no
mercado.
De entre as diversas medidas de gestão com as quais se comprometeu, o escrupuloso cumprimento
das regras de biodiversidade, um adequado planeamento das instalações florestais a executar e a
construção e manutenção de caminhos e vias de acesso a cada uma das áreas em exploração
assumem particular relevância na mitigação do risco de incêndio.
Para além disso, o Grupo participa no agrupamento Afocelca – um agrupamento complementar de
empresas do Grupo Navigator e do Grupo Altri que, com uma estrutura especializada, tem por
missão apoiar o combate aos incêndios florestais nas propriedades das empresas agrupadas, em
estrita coordenação e colaboração com a Autoridade Nacional de Proteção Civil – ANEPC. Este
agrupamento gere um orçamento anual de cerca de 3 milhões de euros, sem fundos públicos, tendo
criado uma estrutura eficiente e flexível, que desenvolve práticas destinadas à redução dos custos
de proteção e a minimizar os prejuízos que os incêndios florestais representam para as empresas
do ACE, que exploram cerca de 190 mil hectares de floresta em Portugal.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 307
O Grupo conta ainda com um instituto de investigação, o RAIZ, que desenvolve a sua atividade em
3 linhas principais: Investigação Aplicada, Consultoria e Formação. Na área da investigação florestal,
o RAIZ procura:
i. Aumentar a produtividade da floresta de eucalipto;
ii. Melhorar a qualidade da fibra produzida a partir da madeira dessa espécie;
iii. Implementar uma gestão florestal sustentada do ponto de vista económico, ambiental e
social;
iv. Induzir práticas e processos tendentes à diminuição dos custos de produção da madeira.
9.1.2. Riscos associados à produção e comercialização de pasta BEKP,
papel UWF e papel tissue
Abastecimento de matérias-primas
O autoabastecimento de madeira para produção de pasta BEKP é apenas cerca de 18% das
necessidades do Grupo. Por este facto, existe a necessidade, regular, da Empresa recorrer à compra
de madeira no mercado nacional (ainda assim insuficiente), recorrendo ao mercado espanhol e aos
mercados não europeus (“extraibérica”), principalmente Brasil, Uruguai e Moçambique (proveniente,
essencialmente, de plantações locais da NVG) com custo acrescido comparativamente ao mercado
nacional por razões de transporte.
O aprovisionamento de madeira dos mercados internacionais, nomeadamente de eucalipto, está
sujeito a variações de preço essencialmente por efeito cambial, o que tem consequentemente,
implicações no custo de produção da Navigator e das empresas produtoras de pasta BEKP. Acresce
que a volatilidade dos custos de logística de transporte de madeira até às fábricas tem também
impactos essencialmente por efeito dos preços do combustíveis utilizados, preço do petróleo, menor
escassez de navios de grande dimensão sem otimização de retornos e oscilação dos fretes
marítimos.
Estando a realização de novas plantações florestais sujeita à autorização das entidades competentes
e a uma política de restrições de acréscimos de área, que poderão limitar o potencial produtivo
nacional, não obstante existirem muitas iniciativas para ajudar os produtores florestais, entre elas
o apoio na certificação de madeira para responder à procura Comercial de produtos (papel e pasta)
certificada, e incrementar a produtividade das áreas existentes, para maior disponibilidade de
matéria-prima no mercado nacional, o recurso à importação será sempre uma necessidade não
evitável no curto/médio/longo prazo.
Pela insuficiência da produção nacional de madeira em quantidade, a Empresa tem de aumentar a
quantidade de madeira importada, seja de Espanha ou de outros mercados mais distantes, para
assegurar o abastecimentos às fábricas, sem restrições, na(s) próxima(s) década(s).
Importa referir que, sendo a madeira um dos principais custos de produção de pasta de papel,
qualquer agravamento no custo do m
3
de madeira de eucalipto consumida na produção de pasta
BEKP representa sempre um impacto negativo nos resultados operacionais da Empresa.
Em 31 de dezembro de 2021, um agravamento de 10% no custo, à data, do m
3
de madeira de
eucalipto consumida na produção de pasta BEKP teria representado um impacto negativo nos
resultados operacionais do Grupo de cerca de €31.400.000 (31 de dezembro de 2020:
€28.100.000).
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 308
Relativamente a outras matérias-primas, nomeadamente produtos químicos, o principal risco
identificado é o da escassez de disponibilidade de produtos por força da crescente procura destes
produtos em mercados emergentes, nomeadamente na Ásia ou mercados que os abasteçam, que
poderão criar desequilíbrios pontuais de oferta e procura.
A este respeito o Grupo Navigator, em conjunto com o Grupo Altri, estabeleceram em 2018 um
Agrupamento Complementar de Empresas – Pulp Chem, ACE – destinado à aquisição conjunta de
produtos químicos, beneficiando de economias de escala e, assim, mitigar este risco.
O Grupo procura mitigar estes riscos mediante um sourcing proativo, que procura a identificação de
fontes de abastecimento dispersas geograficamente, procurando ainda assegurar contractos de
abastecimento a prazo que lhe assegurem níveis de volume, preço e qualidade compatíveis com os
seus requisitos.
Em 31 de dezembro de 2021, um agravamento de 10% no preço dos produtos químicos teria
representado um impacto negativo nos resultados operacionais do Grupo de cerca de €11.300.000
(31 de dezembro de 2020: €9.600.000).
Finalmente, um outro recurso necessário para o processo produtivo é a água. Sendo a água um
recurso finito e atendendo à sua relevância para o processo produtivo de pasta e de papel, o Grupo
assumiu uma preocupação especial na sua preservação tendo, ao longo dos últimos anos, sido
realizados investimentos tendentes à redução da utilização deste importante recurso.
Simultaneamente, fruto de investimentos na implementação de MTDs nos processos produtivos e
na melhoria da eficiência das suas estações de tratamento de efluentes (ETAR) foi também possível
melhorar significativamente a qualidade do efluente devolvido no meio receptor. Entre 2005 e 2018
verificou-se uma redução superior a 25% na utilização especifica de água (metros cúbicos utilizados
para a produção de uma tonelada de produto) e, no mesmo período, registou-se uma diminuição,
superior a 20%, na carga emitida para a grande maioria dos parâmetros monitorizados, o que se
traduz na minimização do impacto ambiental do Grupo.
Preço de mercado da pasta BEKP, papel UWF e papel tissue
O aumento das várias situações de concorrência, influenciada por desequilíbrios na oferta ou na
procura, nos mercados de pasta BEKP, papel UWF e papel tissue pode ter um impacto significativo
nos preços e consequentemente na rentabilidade do Grupo. Os preços de mercado da pasta BEKP e
do papel UWF e tissue são formados no mercado mundial em regime de concorrência global e
influenciam de forma determinante as receitas do Grupo e a sua rentabilidade. As variações dos
preços destes produtos resultam, essencialmente, de alterações da oferta e da procura mundiais e
da situação económica e financeira de cada um dos diferentes agentes intervenientes nestes
mercados (Produtores, Traders, Distribuidores, Clientes finais, etc.) a nível mundial, que provocam
diferentes e sucessivos níveis de preços de equilíbrio, aumentando a volatilidade do mercado global.
Os mercados de pasta BEKP e de papel são altamente competitivos, pelo que, na atual conjuntura,
variações significativas na capacidade de produção instalada poderão ter um impacto expressivo nos
preços praticados a nível mundial. Estes fatores têm incentivado o Grupo a prosseguir a estratégia
de marketing e branding delineada e a realizar investimentos significativos nos anos recentes para
melhorar a produtividade e produzir produtos diferenciados e de elevada qualidade.
Em 31 de dezembro de 2021, uma degradação de 10% no preço, à data, por tonelada de pasta
BEKP e de 5% no preço por tonelada de papel UWF e tissue vendidos pelo Grupo no período teria
representado um impacto negativo nos seus resultados operacionais de cerca de €17.000.000 e de
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 309
€65.400.000, respetivamente (31 de dezembro de 2020: €15.600.000 e €54.300.000,
respetivamente).
Procura dos produtos do Grupo
Sem prejuízo do que se refere relativamente à concentração das carteiras de Clientes do Grupo,
uma eventual diminuição da procura de pasta BEKP, papel UWF e papel tissue nos mercados da
União Europeia e dos Estados Unidos poderá ter um impacto significativo nas vendas do Grupo. A
procura de pasta BEKP produzida pelo Grupo depende também da evolução da capacidade instalada
para produção de papel a nível mundial, dado que vários dos principais Clientes de pasta BEKP do
Grupo são produtores de papel.
A procura de papel de impressão e escrita não revestido está relacionada com fatores
macroeconómicos (p.e. evolução do PIB, emprego, nomeadamente em profissões white collar,
índices de confiança), tecnológicos (p.e. penetração de tecnologias de informação e
hardware/software, designadamente relacionados com tecnologias de impressão, no meio
empresarial) e demográficos (p.e. população, nível médio de escolaridade, estrutura etária da
sociedade). A evolução destes fatores influencia a procura de papel positiva ou negativamente,
sendo que, grosso modo e no passado recente, a tendência de evolução do consumo de papel é
negativa nos países mais desenvolvidos e positiva ou estável nos países emergentes/em
desenvolvimento. Naturalmente, o desempenho do Grupo Navigator depende também da evolução
da procura nos diversos mercados em que atua.
A incerteza quanto aos efeitos da pandemia Covid-19 nas economias ocidentais, assim como
alterações no ritmo de recuperação da atividade económica e do regresso à normalidade, pode afetar
a procura de produtos do Grupo, quer de pasta BEKP, papel UWF e tissue.
No que respeita à procura de pasta de mercado de eucalipto, esta está dependente em larga medida
da evolução da produção nos produtores não-integrados de grades de papel de impressão e escrita,
tissue e especialidades. A procura chinesa por este tipo de pasta representa mais de 1/3 da procura
mundial, o que faz da China um dos mais impactantes drivers da procura.
Quanto ao papel tissue, as variáveis chave que influenciam a procura deste tipo de papel são:
− Crescimento económico futuro esperado;
− Crescimento da população e outras alterações demográficas e sociais;
− Nível de desenvolvimento do setor terciário, nomeadamente turismo;
− Padrões de higiene e níveis de penetração do produto;
− Desenvolvimentos na qualidade do papel tissue e especificações de produto; e
− Efeitos de substituição.
O consumo de papel tissue não é muito sensível a variações cíclicas da economia, muito embora o
consumo deste tipo de papel tenda a crescer mais rapidamente com maior crescimento económico.
Em contrapartida, uma escalada de custos produtivos e consequentemente preços de venda pode
criar um efeito de downgrading de consumo.
A importância do crescimento económico para o consumo de tissue é mais evidente nos países em
desenvolvimento. Se o nível de rendimento per capita é muito baixo, o consumo de tissue tende a
ser reduzido. Há um limiar após o qual o consumo acelera. O crescimento económico permite uma
maior penetração do produto, que é um dos principais drivers da procura deste tipo de papel na
população com rendimentos mais baixos. Nas economias com forte dependência do setor do
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 310
Turismo, perspetiva-se uma recuperação gradual do consumo do setor profissional, à medida que
sejam levantadas as restrições à mobilidade e se normalizem os fluxos turísticos. O papel tissue é
um produto que não enfrenta grandes ameaças de substituição por outros materiais, não se
prevendo alterações a este nível. Em contrapartida, alterações de padrões de higienização e limpeza
que podem ser associados à atual crise sanitária, tenderão a impulsionar o consumo de tissue.
As preferências dos Consumidores podem ter um impacto na procura global do papel ou de certos
tipos em particular, tais como na procura de produtos reciclados ou produtos com fibra virgem
certificada.
Relativamente a esta matéria, e no caso concreto do papel UWF e tissue, o Grupo crê que a estratégia
de marketing e branding que tem vindo a seguir, associada aos investimentos significativos
efetuados para melhorar a produtividade e produzir produtos de elevada qualidade e inovadores,
lhe permitem colocar os seus produtos em segmentos de mercado menos sensíveis a variações de
procura, permitindo uma menor exposição a este risco.
Energia
O processo produtivo de pasta e papel é dependente do abastecimento constante de energia elétrica
e vapor. O Grupo dispõe de diversas unidades de produção combinada de calor e energia elétrica
em Cogeração, que asseguram este abastecimento, tendo sido previstas redundâncias entre as
diversas unidades por forma a mitigar o risco de eventuais paragens não planeadas.
Parte da produção de energia elétrica é vendida ao comercializador de último recurso a tarifas
reguladas, tendo por base um quadro legal que enquadra a produção em regime especial a partir de
recursos renováveis e cogeração. O quadro legal remuneratório prevê uma redução tarifária
progressiva ao longo do período temporal aplicável, o que implica que as centrais passem a operar
tendencialmente em regime de autoconsumo. Este aspeto pode ser comprovado pela redução
verificada nos réditos associados à atividade de geração de energia elétrica nos últimos anos, bem
como pela redução nos consumos de energia elétrica e gás natural.
A partir de novembro de 2021, face à volatilidade dos preços de mercado da energia elétrica, o
Grupo passou vender o excedente de produção da central de ciclo combinado a gás natural de
Setúbal a preços de mercado em detrimento da tarifa regulada. Prevê-se que em 2022 o mesmo
aconteça com o excedente de produção de outras centrais do Grupo.
Em 31 de dezembro de 2021, um agravamento de 10% no preço de mercado da eletricidade, sem
compensação na tarifa contratual, teria representado um impacto negativo nos resultados
operacionais do Grupo de cerca de €10.800.000 (31 de dezembro de 2020: €9.800.000).
Risco País - Portugal
O Grupo Navigator tem uma forte presença em Portugal. A sua atividade está alicerçada em ativos
cuja principal localização é Portugal. Da mesma forma, cerca de 20% da sua matéria-prima provém
de florestas portuguesas.
O Grupo é o terceiro maior exportador em Portugal e o maior gerador de Valor Acrescentado
Nacional, representando aproximadamente 1% do PIB nacional, cerca de 3% das exportações
nacionais de bens, perto de 6% do total da carga contentorizada exportada pelos portos nacionais.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 311
Ainda que aberto ao mundo, a forte dependência do seu país de origem em termos de fatores
produtivos expõe o Grupo ao índice de risco de Portugal.
Risco País - Moçambique
Em virtude do investimento no projeto de Moçambique, o Grupo Navigator encontra-se exposto ao
risco específico deste país. Todavia, a ponderação dos investimentos, em termos de calendarização,
escolha dos Fornecedores/Parceiros e localização geográfica, tem sido considerada de acordo com
esse risco, acautelando o Grupo a concretização destes passos com razoável segurança de que não
existirão efeitos decorrentes daquele risco.
Neste momento, o projeto de Moçambique é essencialmente um projeto de cariz florestal, com uma
opção de desenvolvimento de um projeto industrial. O investimento previsto deverá ser concretizado
em duas fases, a primeira será um projeto de produção de estilha (woodchips) e, numa segunda
fase, a construção de uma fábrica de pasta de grande escala. O Grupo encontra-se, contudo,
preparado para avançar com o plano florestal previsto, assim que as condições necessárias – cuja
maioria se encontra em discussão com as autoridades moçambicanas – estejam reunidas.
Até 31 de dezembro de 2021 os dispêndios incorridos neste projeto ascendiam a 124,9 milhões de
euros (31 de dezembro de 2020: 113,6 milhões de euros), essencialmente associados à preparação
de terrenos, a atividades de plantação e manutenção silvícola, ao programa de desenvolvimento
social, gestão de terras, licenciamento ambiental e social e à construção do que é hoje um dos
maiores viveiros florestais de África.
Considerando que a Navigator ainda se encontra a trabalhar nas condições precedentes para a Fase
1 do MoU, tal como anteriormente referido, as responsabilidades prováveis estimadas encontram-
se devidamente provisionadas.
Risco País - EUA
O mercado dos Estados Unidos da América tem uma ponderação relevante nas vendas totais de
papéis UWF, o que aumenta a exposição ao risco específico deste país.
Esta exposição exige uma avaliação cuidada dos impactos decorridos, por exemplo, de alterações
em regulamentações ou de natureza tributária, ou mesmo da sua aplicação e interpretação por parte
das entidades governamentais e autoridade tributária.
À semelhança do que aconteceu com produtores de outras nacionalidades (australianos, brasileiros,
chineses e indonésios), no que diz respeito às importações de papel UWF para os EUA, o Grupo tem
sido, desde 2015, alvo de medidas antidumping por parte do Departamento de Comércio deste país,
estando os seus produtos sujeitos a taxas anti-dumping definidas pelo United States Department of
Commerce (Departamento de Comércio dos Estados Unidos da América) – ver Nota 4.2. Até 2021,
estas taxas afetaram os resultados do Grupo em €30.482.935 - períodos de revisão 1 a 6 (2020:
€19.702.424).
Concorrência
O aumento da concorrência nos mercados da pasta e papel pode ter um impacto significativo nos
preços e consequentemente na rentabilidade do Grupo.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 312
Os mercados de pasta e papel são altamente competitivos, pelo que a entrada no mercado de novas
unidades de produção com um aumento da capacidade de produção disponível poderá ter um
impacto relevante nos preços praticados a nível mundial.
Os produtores de pasta BEKP oriundos do hemisfério sul (nomeadamente do Brasil, Chile, Uruguai
e da Indonésia), com custos de produção ainda significativamente mais baixos que os do hemisfério
norte, têm vindo a adquirir peso acrescido no mercado, pondo em causa o posicionamento
competitivo dos produtores europeus de pasta para mercado. Nos próximos anos estão previstos
aumentos de capacidade na América do Sul, reforçando a posição desses produtores no mercado
global.
Estes fatores têm obrigado o Grupo a realizar investimentos significativos de modo a manter os seus
custos competitivos e a produzir produtos de elevada qualidade, sendo de prever que esta pressão
concorrencial se mantenha no futuro.
Destaca-se um movimento de desinvestimento no setor papeleiro nos EUA, com fechos/conversões
de capacidade instalada por parte de alguns produtores de UWF, numa clara tentativa de
ajustamento da oferta à evolução negativa da procura. Em sentido contrário, têm ocorrido e
perspetivam-se investimentos em nova capacidade de UWF na China no curto e médio prazo.
O Grupo Navigator tem vindo a adequar a sua estratégia comercial à evolução dos padrões de
consumo regionais. O Grupo tem uma presença importante nos EUA, representando cerca de metade
das vendas de produtores europeus para este mercado. O volume de vendas destinado aos mercados
europeus representou 55% (2020: 59%), onde atingiu quotas de mercado particularmente
expressivas nos países da Europa Ocidental e quotas de mercado relevantes nos outros principais
mercados europeus.
Concentração da carteira de Clientes
Em 31 de dezembro de 2021, os 10 principais grupos de Clientes de pasta BEKP do Grupo
representavam 15% da produção de pasta BEKP do período (2020: 11%) e 71% das vendas
externas de pasta BEKP (2020: 39%). Esta assimetria resulta da estratégia seguida pelo Grupo de
crescente integração da pasta BEKP que produz nos papéis UWF que produz e comercializa. Ainda
assim, o Grupo crê existir pouca exposição a riscos de concentração de Clientes na comercialização
de pasta BEKP.
Em 2021, o Grupo Navigator progrediu na redução da dependência dos seus 10 maiores grupos de
Clientes de UWF que representaram 37% do volume de vendas do Grupo (40% em 2020). Quando
considerados os Clientes individualmente a concentração reduziu para 21% do volume de vendas
(22% em 2020). O Grupo Navigator registou 154 novos Clientes de papel com vendas em 2021.
Também relativamente aos papéis UWF, o Grupo segue uma estratégia de mitigação do risco de
concentração da sua carteira de Clientes. O Grupo comercializa papéis UWF para mais de 130 países
e territórios e tem mais de 1.000 Clientes individualmente considerados, permitindo assim uma
dispersão do risco de concentração das vendas num reduzido número de mercados e/ou Clientes.
2021 foi também marcado pelo lançamento da mais recente plataforma omnicanal, NVG Hub, que
pretende melhorar o nível de serviço, transparência e informação que oferecemos aos nossos
Clientes. O NVG Hub permite a todos os utilizadores aderentes a inserção de encomendas online,
com integração automática em sistema, bem como, o acesso 24/7, a um conjunto de informações
de conta, das quais se destacam o tracking de encomendas, status de conta corrente e consulta de
faturas. O Portal fechou o ano com presença em 9 mercados, 110 Clientes onboard, uma taxa de
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 313
utilização e inserção de encomendas online de cerca de 80% e um positivo feedback da generalidade
dos utilizadores que o caracterizam como intuitivo, fácil de navegar, útil e funcional.
O ano de 2021 ficou ainda marcado pela entrada oficial do Grupo Navigator no negócio do Packaging,
assim como pelo lançamento da marca gKraft, associada aos segmentos de mercado de embalagens,
cobertas pelas gamas de produto oferecidas pela Empresa e fazendo uso do conceito “gKraft: From
fossil to Forest”.
Na génese esteve uma muito ativa atitude de estudo do mercado, identificando todos os fatores
cruciais à entrada no negócio (concorrência, benchmarking, potenciais Clientes, política de preços,
condições comerciais, etc.), assim como uma incansável atividade no campo do desenvolvimento de
produtos, que se materializou durante o ano, pela produção de uma pasta não branqueada altamente
inovadora (Pasta HYKEP), base da sua nova gama de produtos “castanhos”, e de uma igualmente
nova gama de produtos em “branco natural” (com recurso a menos químicos, sem branqueadores
óticos e corantes).
Os produtos desenvolvidos pela Empresa, para o mercado das embalagens, servem os segmentos
das embalagens flexíveis (gKraft FLEX), a indústria dos sacos (gKraft BAG), e do cartão canelado
(gKraft BOX).
No total, o Grupo ultrapassou as 45 mil toneladas de vendas, excedendo o orçamento delineado
para o ano, e concentrando, para já, as suas vendas nos mercados de proximidade, no sul da Europa,
e conquistando já mais de uma centena de Clientes.
Em 2022, a Navigator tem a ambição de duplicar as suas vendas em produtos de embalagens, e,
correspondendo ao plano de crescimento neste negócio, o Grupo tem já planos de expansão
geográfica, mais a norte, e mesmo fora da Europa, nomeadamente no Norte África e Turquia, onde
tem detetado interessantes oportunidades de negócio, e onde pretende dilatar a sua base de
Clientes.
Para isso, a The Navigator Company tem já compromisso de presença em três Feiras europeias
ligadas ao negócio do Packaging, onde procurará divulgar e afirmar as vantagens competitivas
oferecidas pelo gKraft, e posicionar-se cada vez mais próximo dos seus Clientes, e dos
Consumidores.
No que respeita ao segmento de Tissue, as vendas de papel tissue ascenderam a cerca de 145,8
milhões de euros em 2021 (+3% do que em 2020). A atividade comercial incide essencialmente nas
vendas de produto acabado na Península Ibérica, que representam 63% das suas vendas.
O Grupo continua com o objetivo de expandir a sua atividade comercial no tissue para o mercado
externo, nomeadamente aumentando a presença da Navigator em Espanha, e reforçando as vendas
de produto acabado.
9.1.3. Riscos associados à produção de energia
A produção de energia elétrica é uma atividade com importância no Grupo, possibilitando a
valorização de um recurso endógeno renovável, a biomassa gerada na produção de pasta BEKP. Os
ativos de geração de energia, permitem ainda aos Fornecedores de madeira do Grupo gerar um
rendimento complementar com a venda de biomassa residual florestal das suas explorações, e desta
forma contribuir para a redução dos riscos de incêndio no país.
Relatório e Contas 2021
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Como forma de potenciar a utilização da biomassa residual florestal disponibilizada pela fileira
florestal, foram construídas pelo Grupo em 2009 duas centrais termoelétricas a biomassa para
produção de energia elétrica renovável, que se encontram em laboração plena.
O Grupo foi pioneiro e tem vindo a desenvolver um mercado de comercialização de biomassa, para
abastecimento das suas centrais de cogeração renováveis e centrais termoelétricas a biomassa. O
desenvolvimento deste mercado numa fase anterior ao arranque das novas unidades de produção
de energia permitiu-lhe assegurar uma rede de abastecimento de matéria-prima obtida de forma
sustentável.
Os incentivos existentes à data em Portugal só contemplam a utilização de biomassa florestal
residual (BFR) e não a utilização de madeira para a produção de energia elétrica.
Em termos de enquadramento legal destacamos os seguintes diplomas:
i. Decreto-Lei n.º 68-A/2015 de 30 de abril, que estabelece disposições em matéria de
eficiência energética e cogeração e altera o Decreto-Lei n.º 23/2010 e Portaria 140/2012,
revista pela Portaria 325-A/2012, aplicável ao regime de PRE- Produção em Regime Especial
em cogeração;
ii. Para as Centrais Termoelétricas a Biomassa (CTB) florestal residual em operação, dedicadas
à produção de energia elétrica o quadro legal é suportado pelo Decreto-Lei 33-A/2005
revisto pelo Decreto-Lei 225/2007, que altera de 15 para 25 anos o período de remuneração
garantida em PRE - Produção em Regime Especial. Para este ativos, o quadro legal sustenta
assim um enquadramento tarifário que se prevê estável no decurso dos próximos anos.
iii. Mais recentemente o Decreto-Lei n.º 120/2019, de 22 de agosto, veio criar o um regime
especial e extraordinário para a instalação e exploração de novas centrais de valorização de
biomassa, situadas na proximidade de áreas florestais consideradas críticas em termos de
risco de incêndio.
iv. Decreto-Lei n.º 119-A/2021, de 22 de dezembro, que altera um conjunto de medidas no
âmbito da pandemia da doença Covid-19, nomeadamente no âmbito do regime jurídico e
remuneratório aplicável à energia elétrica e mecânica e de calor útil produzidos em
cogeração, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 23/2010, de 25 de março, que veio proceder à
revisão das regras de acesso e exercício da atividade, no que toca às tecnologias e processos
produtivos admissíveis e à mudança entre as diferentes modalidades do regime
remuneratório para mitigar a subida de preços dos combustíveis fósseis, nomeadamente o
gás natural, no período de recuperação pós-pandemia.
Fruto das medidas iniciadas no âmbito do Programa de Ajustamento Financeiro a que Portugal esteve
sujeito, foi revisto todo o modelo remuneratório do setor nacional da energia elétrica, que impactou
essencialmente a energia elétrica produzida a partir de cogeração, reconhecida como uma medida
de eficiência energética já que representa uma das formas mais eficientes de produção de energia.
O Grupo representa uma parte relevante da energia produzida no país, tendo as unidades que detém
e explora em regime de Cogeração, assistido à revisão dos preços de venda da energia elétrica, ao
longo de um período que se iniciou de forma transitória em 2012 e que terminará progressivamente
entre 2025-2030.
A redução tarifária progressiva associada à venda de energia elétrica em regime especial, condiciona
a viabilidade económica da venda à rede elétrica, pelo que findados os períodos de enquadramento
legal aplicáveis, as cogerações poderão ter de operar em regime de autoconsumo, ou seja,
abastecendo diretamente as unidades industriais, o que já se verifica na central de cogeração a gás
Relatório e Contas 2021
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natural da Figueira da Foz desde fevereiro de 2016 e na central de ciclo combinado a gás natural do
complexo industrial de Setúbal, desde o início de 2021.
A procura constante pela otimização dos custos de produção e pela eficiência das unidades geradoras
e a análise de novos projetos de produção de energia a partir de fontes renováveis são a forma pela
qual o Grupo procura mitigar este risco. Nete sentido, o Grupo concluiu no ano de 2021 a construção
de uma nova caldeira a biomassa no site industrial da Figueira da Foz e encontra-se a avaliar o
desenvolvimento de uma nova central de valorização de biomassa no quadro do Decreto-Lei n.º
120/2019, bem como tem implementado vários projetos de energia solar fotovoltaica em regime de
autoconsumo.
9.1.4. Riscos ambientais
Ambiente regulatório
Nos últimos anos, a legislação da União Europeia em matéria ambiental tem vindo a tornar-se mais
restritiva no que respeita ao controlo das emissões ambientais. As empresas do Grupo respeitam a
legislação em vigor, nos seus diversos parâmetros (VLEs).
Em setembro 2014, na decisão de execução da Comissão 2014/687/EU, foi aprovado o BREF (Best
Available Technologies Reference Documents) - Conclusões sobre as Melhores Técnicas Disponíveis
do Documento de Referência - para os setores da pasta e do papel que contém os novos limites e
requisitos para estes setores, dispondo as empresas de 4 anos para promover as necessárias
adaptações às suas práticas e equipamentos. Para além disso, foi finalizada a discussão técnica do
documento de referência das Grandes Instalações de Combustão, também já publicado. Este
documento tem um impacto nos equipamentos do Grupo, nomeadamente nas caldeiras e instalações
de combustão, que estarão abrangidas pela nova legislação, obrigando a novos investimentos, como
filtros de partículas para caldeira de biomassa.
Em 2015, foi analisado e estabelecido um plano estratégico ambiental que visa a adaptação do
Grupo Navigator a um conjunto de novos e futuros requisitos na área do ambiente, nomeadamente
o documento de referência para o setor (Conclusões sobre as Melhores Técnicas Disponíveis do
Documento de Referência para o setor – BREF. Decisão de execução da Comissão 2014/687/UE) e
para as Grandes Instalações de Combustão. Os documentos de referência mencionados
correspondem à implementação da Diretiva 2010/75/EU relativa a emissões industriais. Estão em
curso os projetos tendentes à implementação das alterações tecnológicas adequadas, bem como em
discussão uma nova versão do Plano Diretor Ambiental, que incorpora novos desafios ambientais
entretanto surgidos.
O Plano Estratégico Ambiental visou para além das áreas de ambiente reguladas por estes
documentos, outras áreas, e foi possível verificar que o Grupo Navigator se encontra genericamente
enquadrado nestes referenciais futuros e identificar algumas áreas de melhoria e soluções
tecnológicas como as emissões para a atmosfera das caldeiras de biomassa.
Por outro lado, cumprindo com o Decreto-Lei n.º 147/2008 de 29 de junho, que transpôs para o
normativo nacional a Diretiva 2004/35/CE, o Grupo assegurou os seguros ambientais exigidos por
aquele normativo, garantindo o cumprimento dos regulamentos em vigor e mitigando os riscos de
natureza ambiental a que se encontra exposto.
No que respeita à evolução do regime de atribuição de comércio europeu de emissão de gases com
efeito de estufa (CELE), foi aprovada a Diretiva UE 2018/410, de 14 de março, que altera a Diretiva
Relatório e Contas 2021
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2003/87/CE para reforçar a relação custo-eficácia das reduções de emissões e o investimento nas
tecnologias hipocarbónicas. A Diretiva EU 2018/410, enquadra entre outros aspetos o novo período
CELE a vigorar entre 2021-2030, no qual se vai verificar uma redução da quantidade de licenças de
emissão de CO
2
atribuídas de forma gratuita.
Esta evolução trará certamente custos acrescidos para a indústria transformadora em geral e para
a de pasta e papel em particular, sem que exista uma compensação pela absorção de CO
2
que,
anualmente, as florestas desta indústria permitem.
Por forma a mitigar o impacto desta alteração, desde há muito que o Grupo empreendeu uma série
de investimentos de natureza ambiental que, entre outras vantagens, tem permitido a redução
continuada da emissão de CO
2.
Em 2021, as emissões diretas de CO
2
do Grupo Navigator reduziram-
se 22% face a 2020. Para esta redução foi determinante a entrada em funcionamento da nova
caldeira de biomassa no complexo industrial da Figueira da Foz.
Adicionalmente, o Grupo tem em curso o Programa Carbon Neutral Company que visa implementar,
até 2035, mudanças nos seus processos produtivos por forma a minimizar a utilização de
combustíveis fósseis e por consequência reduzir as suas emissões de CO
2
.
Recorde-se que a Navigator foi a primeira empresa portuguesa, e uma das primeiras a nível mundial,
a antecipar em 15 anos, para 2035, o compromisso de ter os seus Complexos Industriais neutros
em carbono. Para esse efeito, a Empresa havia já definido, em 2019, um Roteiro que inclui projetos
baseados no uso de fontes renováveis de energia, designadamente biomassa e solar, com o intuito
de minimizar as emissões de CO
2
resultantes da sua atividade e promover a melhoria do seu
desempenho energético.
Em 2021, a Navigator aderiu à iniciativa Science Based Targets initiative (SBTi), no seguimento do
compromisso assumido na Agenda 2030. Ao contrário do que é habitual e permitido às empresas
pela metodologia da SBTi, a Navigator já submeteu para validação as suas metas de redução de
emissões de gases com efeito de estufa (GEE) com base na mais atual ciência climática, dispensando
o período de dois anos que as empresas dispõem e tipicamente utilizam para o fazer, dando assim
mais um importante passo no seu posicionamento face ao combate às alterações climáticas.
As metas de curto prazo e com base em ciência submetidas pela Navigator são consistentes com a
ambição de reduzir as emissões de GEE a níveis necessários para limitar o aquecimento global a
1,5ºC, no caso das de âmbito 1 e 2, e bem abaixo de 2°C, nas de âmbito 3. De referir que com a
adesão à SBTi, a Navigator induzirá a reduções significativas das emissões dos seus Fornecedores
no âmbito do scope 3.
Desta forma, a Navigator reforça o seu compromisso e objetivos para a próxima década em torno
de um dos temas relevantes identificados no âmbito da sua Agenda 2030 de gestão responsável do
negócio – “Alterações Climáticas e Fixação de CO
2
” –, perseguindo a ambição de contribuir para o
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (Ação Climática) e causar um impacto positivo nas
Pessoas e no Planeta.
Em 2021, a Empresa viu ainda os seus esforços de redução de impacto ambiental serem novamente
reconhecidos voltando a subir no ESG Risk Rating 2021 da Sustainalytics, Entidade que avalia a
Empresa nas vertentes Environmental, Social and Corporate Governance (ambiente, social e
governança empresarial) e atribui anualmente uma classificação da sua performance (dentro do
contexto do setor de pasta e papel), colocando-se entre as melhores empresas do mundo em
sustentabilidade com uma pontuação de 14,3, tendo sido classificada novamente como “Empresa
Relatório e Contas 2021
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de Baixo Risco ESG” para investidores. Neste ranking a Navigator encontra-se em 3º lugar, num
total de 81 empresas globais que fazem parte do cluster de indústrias Paper & Forestry, e, em 3º
lugar no subconjunto de 60 sociedades globais que integram o cluster Paper & Pulp.
As iniciativas políticas da Comissão Europeia incluirão, no futuro, desenvolvimentos sobre políticas
e legislação em áreas como as estratégias florestais e de biodiversidade da UE, a Diretiva de Energias
Renováveis, o Sistema de Comércio de Emissões da UE (ETS), bem como a taxonomia da UE.
O regulamento de taxonomia da UE progrediu durante 2021, mas permanece a incerteza sobre o
quanto as atividades económicas do Grupo Navigator estarão incluídas no âmbito da taxonomia, à
medida que a legislação evolui. Uma boa gestão dos riscos e oportunidades financeiros e de
sustentabilidade, bem como a divulgação dos mesmos, melhorará a probabilidade de uma perceção
favorável pelos mercados de capitais e, consequentemente, o custo de capital.
Para informação mais detalhada sobre estas e outras iniciativas no âmbito do roteiro para a
neutralidade carbónica do Grupo Navigator, aconselhamos a consulta do nosso Relatório de
Sustentabilidade.
Divulgações Financeiras associadas ao Clima (TCFD)
Em dezembro de 2015, o Financial Stability Board (FSB) estabeleceu a Task Force on Climate-related
Financial Disclosures (TCFD) para desenvolver um conjunto de recomendações para divulgar, de
forma clara e consistente, informação que ajude os mercados financeiros a entender os riscos e
impactos relacionados com as alterações climáticas.
As Recomendações englobam 4 dimensões de reporte:
• Governança: divulgar a governança da organização sobre os riscos e oportunidades
climáticos;
• Estratégia: divulgar os impactos reais e potenciais dos riscos e oportunidades climáticos
sobre os negócios, a estratégia e planeamento financeiro da organização;
• Gestão de Riscos: divulgar como a organização identifica, avalia e gere os riscos
climáticos;
• Métricas e Metas: divulgar as métricas e metas utilizadas para avaliar e gerir os riscos e
oportunidades climáticos.
Durante 2022, o Grupo Navigator pretende integrar as recomendações do TCFD na estratégia e nos
processos de gestão de riscos corporativos, aproveitando a oportunidade para avaliar potenciais
implicações financeiras e estratégicas decorrentes de alterações climáticas e desenvolver respostas
adequadas.
Riscos associados a alterações climáticas
A Navigator tem vindo a desenvolver um conjunto de estratégias para medir e reduzir a sua pegada
total de GEE, bem como promover a mitigação e adaptação aos riscos gerados pelas alterações
climáticas.
O Grupo monitoriza os potenciais impactos na sua posição financeira, na performance e nos seus
fluxos de caixa decorrentes de alterações climáticas, designadamente os impactos nas estimativas
e julgamentos contabilísticos relevantes.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 318
Alterações de longo prazo (25 a 30 anos) nos padrões de precipitação, períodos de seca, eventos
climáticos extremos frequentes e temperaturas médias mais altas que aumentam o risco de
incêndios florestais e surtos de insetos podem causar danos às operações e às florestas do Grupo,
afetando o justo valor dos ativos biológicos e os preços da madeira. Eventos climáticos extremos
mais frequentes também aumentam o risco de interrupções na produção, logística e fornecimento
de matérias-primas e energia. As incertezas em relação às alterações climáticas podem ainda
resultar em alterações nas projeções de fluxos de caixa do Grupo ou na revisão das vidas uteis dos
ativos.
O Grupo possui diversos mecanismos em vigor destinados a monitorizar e mitigar esses riscos por
meio de uma gestão proativa e deteção precoce. O Grupo incorporou considerações sobre alterações
climáticas nas suas práticas de reflorestação, como o estabelecimento e manutenção de caminhos
e aceiros, a conservação da biodiversidade das espécies, e o aumento da monitorização durante os
períodos de perigo de incêndio. Ao nível dos ativos fixos tangíveis o Grupo solicita periodicamente
avaliações independentes e revisões das vidas uteis económicas dos seus ativos.
Os riscos físicos decorrentes de incêndios e secas estão, em grande medida, dentro da cobertura
dos programas de seguro de propriedade e perdas de exploração do Grupo. No entanto, se a
frequência e a gravidade desses eventos aumentarem como resultado de alterações climáticas, o
custo de tal cobertura pode aumentar.
O Grupo acredita que uma gestão sustentável das florestas, bem como a capacidade de reação a
eventos como incêndios florestais e doenças desempenham um papel importante na mitigação dos
impactos negativos das alterações climáticas.
Conforme amplamente divulgado, a estratégia do Grupo passa por fornecer alternativas sustentáveis
e renováveis para soluções baseadas em fósseis, apresentando oportunidades de crescimento
atraentes no futuro. A inovação do Grupo, o desenvolvimento de produtos sustentáveis e os
investimentos em eficiência energética permitirão à Navigator atingir as suas metas climáticas e
uma resposta adequada aos desafios climáticos.
A Navigator continua a evidenciar uma notável geração de cash flow livre e uma posição financeira
confortável, sendo convicção do Conselho de Administração, que face à sua situação financeira e de
liquidez, não se anteveem impactos negativos relevantes decorrentes de alterações climáticas que
justifiquem o reconhecimento de imparidades adicionais ou que ponham em causa o princípio da
continuidade, aplicado na preparação das presentes demonstrações financeiras.
9.1.5. Recursos humanos e gestão de talento
Em 2021, não obstante o contexto de pandemia que trouxe desafios acrescidos, manteve-se a
estratégia de uniformização de processos, políticas e sistemas, com vista a tornar mais robustos os
processos de Gestão de Pessoas e de Talento, enquanto suportes críticos para a Organização e para
o desenvolvimento dos Colaboradores. Foi igualmente um ano que exigiu um trabalho de
proximidade com o negócio com vista a ultrapassarmos de forma conjunta alguns desafios que se
colocavam.
Durante o ano foi feito um trabalho exaustivo com as estruturas representativas de Trabalhadores
no âmbito das negociações laborais das diferentes áreas de negócio da Navigator, sendo de destacar
o novo regulamento de carreiras para os técnicos operacionais, que permitiu a evolução de carreira
de mais de 1.235 Colaboradores (70% dos Colaboradores das áreas de negócio). Foi também
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 319
celebrado, pela primeira vez, um acordo coletivo de trabalho para o segmento do Tissue com
condições que refletem a realidade atual deste negócio.
Do plano de atividades implementado em 2021 destaca-se ainda:
• Atualização e uniformização das regras de atribuição do complemento adicional do subsídio
de doença;
• Recrutamento, formação e estágios profissionais para futuros operadores, através de
parcerias com o IEFP, que permitiram tornar mais robusta a formação teórica e prática dos
futuros operadores, contribuindo desta forma para o programa de rejuvenescimento em
curso;
• Implementação do plano de Employer Branding num contexto digital, sem a existência de
eventos presenciais, mas mantendo-se a presença da NVG nas diferentes tipologias de os
eventos académicos remotos;
• Implementação de um modelo de gestão de desempenho uniforme para todos os
Colaboradores da NVG, com taxas de adesão muito significativas e próximas dos 99%;
• Desenho dos novos programas de valências, alinhados com o novo Plano de Carreiras,
contribuindo de forma significativa para o alargamento da oferta especializada do Learning
Center e para a valorização dos Colaboradores;
• Implementação de Job Family, um novo modelo de carreira mais flexível e com critérios de
evolução mais claros, com um trabalho de proximidade com a Administração e primeiras
linhas, para futura comunicação à Organização;
• Desenvolvimento de planos customizados às diferentes necessidades do negócio, incluindo
temas como: Planos de convergência de funções; Revalorização de Supervisores, Plano de
Jovens Quadros (standard e faster), entre outros.
9.1.6. Sistemas de informação
Os sistemas de informação do Grupo, alguns dos quais dependentes de serviços prestados por
entidades terceiras, desempenham um papel fundamental na operação dos seus negócios. Face à
forte dependência das tecnologias de informação nas diversas geografias e áreas de negócios em
que atua, é de realçar a existência do risco inerente a falhas dos sistemas, resultantes quer de ações
intencionais, tais como ataques informáticos, quer de ações acidentais.
Apesar dos procedimentos e práticas de prevenção e mitigação dos riscos anteriormente referidos e
implementados, o Grupo está ciente de que, não existindo sistemas de informação invioláveis, não
pode garantir que os esforços desenvolvidos serão suficientes para evitar que tais falhas ao nível
dos sistemas de informação não possam trazer consequências ao nível da reputação, litígios,
ineficiências ou mesmo a afetação da margem operacional.
O Grupo recorre ao apoio de prestadores de serviços na área de sistemas de informação em regime
de outsourcing, tendo renovado, durante 2021, os contratos de outsourcing para a gestão e
operação das infraestruturas e para a gestão e manutenção aplicacional até 31 de dezembro de
2023 e 31 de dezembro de 2024, respetivamente.
9.1.7. Outros riscos associados à atividade do Grupo
As unidades fabris do Grupo estão sujeitas aos riscos inerentes a qualquer atividade económica
industrial, como é o caso de acidentes, avarias ou catástrofes naturais que possam originar prejuízos
nos ativos do Grupo ou interrupções temporárias no processo produtivo.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 320
Da mesma forma estes riscos podem afetar os principais Clientes e Fornecedores do Grupo, o que
teria um impacto significativo nos níveis de rentabilidade, caso não fosse possível encontrar Clientes
substitutos de forma a garantir os níveis de vendas ou Fornecedores que possibilitassem manter a
mesma estrutura de custos.
O Grupo Navigator exporta cerca de 95% da sua produção de papel UWF e cerca de 44% da sua
produção de papel tissue pelo que os custos de transporte e logística são materialmente relevantes.
Um cenário de subida continuada dos custos de transporte poderá ter um impacto significativo no
desempenho do Grupo.
9.1.8. Riscos gerais de contexto
Continua a merecer especial atenção a situação de ineficiência da economia portuguesa afetando
negativamente a capacidade concorrencial do Grupo, essencialmente nos seguintes domínios:
i. Portos e caminhos-de-ferro;
ii. Vias de comunicação rodoviárias, em especial nos acessos às fábricas do Grupo;
iii. Ordenamento do território e incêndios florestais;
iv. Fraca produtividade das florestas nacionais;
v. Falta de certificação da esmagadora maioria da floresta nacional;
vi. Volatilidade da política fiscal e não redução da taxa de IRC, bem como não eliminação das
derramas.
Relatório e Contas 2021
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10. PROVISÕES, COMPROMISSOS E CONTINGÊNCIAS
10.1. PROVISÕES
Movimentos em provisões
Não se esperam reembolsos de qualquer natureza relativamente a estas provisões.
Processos judiciais
O desfecho das provisões para processos judiciais depende de decisões dos tribunais laboral e civil.
O saldo a 31 de dezembro de 2021 é composto, maioritariamente, por valores referentes a processos
laborais (2021: 6 milhões de euros; 2020: 2,8 milhões de euros) e a processos instaurados pelo
IGAMAOT (Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território)
(2021: 617 mil euros; 2020: 496 mil euros).
Outras provisões
Refere-se a provisões para fazer face a riscos relacionados com eventos de natureza diversa, de
cuja resolução poderão resultar saídas de fluxos de caixa, nomeadamente processos de
reestruturação organizacional, riscos de posições contratuais assumidas em investimentos, entre
outras.
Em 2021, a rubrica de Outras provisões inclui 17.300.000 de euros (2020: 16.000.000 de euros)
relativos ao projeto de Moçambique. Pese embora o memorando de entendimento (MoU) celebrado
com governo moçambicano previsse um compromisso de “melhor esforço” para a criação das
condições necessárias para avançar com o investimento até 31 de dezembro de 2018, tal não foi
possível até 31 de dezembro de 2021, continuando ambas as partes a trabalhar para alcançar esse
objetivo. O reforço do ano em €1.300.000 decorre da atualização financeira desta responsabilidade.
Valores em Euros
Processos
Judiciais
Outras
Provisões
Total
1 de janeiro de 2020 5.506.894 14.441.452 19.948.347
Aumentos 2.166.697 3.122.460 5.289.157
Reversões (2.978.869) - (2.978.869)
Impacto em resultados do período (812.172) 3.122.460 2.310.288
Ajustamento cambial (26.617) - (26.617)
Outras transferências e regularizações - 1.177.317 1.177.317
31 de dezembro de 2020 4.668.105 18.741.229 23.409.335
Aumentos 3.815.210 1.300.000 5.115.210
Utilização (16.250) - (16.250)
Reversões (1.443.952) (512.064) (1.956.016)
Impacto em resultados do período 2.355.008 787.936 3.142.944
Ajustamento cambial (71.839) - (71.839)
Outras transferências e regularizações - 271.641 271.641
31 de dezembro de 2021 6.951.274 19.800.805 26.752.081
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 322
Políticas contabilísticas
São reconhecidas provisões sempre que o Grupo tenha uma obrigação legal ou construtiva, como
resultado de acontecimentos passados, relativamente à qual seja provável que uma saída de
recursos se torne necessária para a liquidar, e possa ser efetuada uma estimativa fiável do montante
dessa obrigação.
Não são reconhecidas provisões para perdas operacionais futuras. As provisões são revistas na data
da Demonstração da posição financeira e das respetivas origens e ajustadas de modo a refletir a
melhor estimativa a essa data.
O Grupo incorre em dispêndios e assume passivos de carácter ambiental. Assim, os dispêndios com
equipamentos e técnicas operativas que assegurem o cumprimento da legislação e dos regulamentos
aplicáveis (bem como a redução dos impactos ambientais para níveis que não excedam os
correspondentes a uma aplicação viável das melhores tecnologias disponíveis as referentes à
minimização do consumo energético, das emissões atmosféricas, da produção de resíduos e do
ruído) são capitalizados quando se destinem a servir de modo duradouro a atividade do Grupo, e se
relacionem com benefícios económicos futuros, permitindo prolongar a sua vida útil, aumentar a
capacidade ou melhorar a segurança ou eficiência de outros ativos detidos pelo Grupo.
Os saldos de posições de incerteza do Grupo relativos ao imposto sobre o rendimento são
divulgados na Nota 6.1 – Imposto sobre o rendimento.
Estimativas e julgamentos
Processos judiciais e fiscais
Estas provisões foram constituídas de acordo com as avaliações de risco efetuadas internamente
pelo Grupo com o apoio dos seus consultores legais, baseadas na probabilidade de a decisão ser
favorável ou desfavorável ao Grupo.
10.2. COMPROMISSOS
Garantias prestadas a terceiros
As garantias prestadas ao IAPMEI foram realizadas no âmbito dos contratos de Investimento
celebrados entre o Estado Português e a Navigator Pulp Aveiro, S.A. (€833.097) e Navigator Tissue
Ródão, S.A. (€447.604), de acordo com os termos e condições estipulados na Norma de Pagamentos
aplicável aos Projetos aprovados ao abrigo dos Sistemas de Incentivos do QREN.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Garantias prestadas
Garantias Navigator para os financiamentos com o BEI 42.916.667 56.666.667
AT - Autoridade Tributária e Aduaneira ii)
6.513.318 15.264.923
Desalfandegamento de produtos - EUA - 5.671.909
IAPMEI iii)
1.280.701 1.280.701
Desalfandegamento de produtos 1.250 1.250
Agência Estatal de Administ. Tributaria Espanhola 1.033.204 1.033.204
Agência Portuguesa Ambiente 1.527.484 1.141.618
Simria 338.829 338.829
Outras 1.987.855 700.971
55.599.308 82.100.072
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 323
As garantias bancárias prestadas à Autoridade Tributária relacionam-se com a contestação de
processos em contencioso, relativos ao IRC do período de tributação de 2015.
No caso da Agência Portuguesa do Ambiente, foram prestadas garantias bancárias no âmbito de
processos de contencioso, associados à taxa de recursos hídricos dos anos de 2017 a 2020.
Compromissos de compra
Outros Compromissos
O Grupo Navigator assumiu um compromisso de atingir a neutralidade carbónica em 2035 (Nota
9.1.4), com um investimento global previsto de 154 milhões de euros, dos quais 55 milhões de euros
efetuados até 31 de dezembro de 2021.
10.3. ATIVOS E PASSIVOS CONTINGENTES
FUNDO DE REGULARIZAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA
Nos termos do Decreto-Lei n.º 36/93 de 13 de fevereiro, as dívidas fiscais de empresas privatizadas
referentes a períodos anteriores à data da privatização (25 de novembro de 2006) são da
responsabilidade do Fundo de Regularização da Dívida Pública (FRDP). Em 16 de abril de 2008, a
The Navigator Company apresentou um requerimento ao FRDP a solicitar o pagamento das dívidas
fiscais até então liquidadas pela Administração Fiscal. Em 13 de dezembro de 2010 apresentou novo
requerimento a solicitar o pagamento das dívidas liquidadas pela Administração Fiscal relativas aos
períodos de 2006 e 2003, tendo este sido complementado, em 13 de outubro de 2011, com os
montantes já pagos e não contestados relativos a essas mesmas dívidas, bem como com as despesas
com elas diretamente relacionadas, nos termos do Acórdão datado de 24 de maio de 2011 (Processo
n.º 0993A/ 02), que veio confirmar a posição da Empresa quanto à exigibilidade dessas despesas.
Em 13 de dezembro de 2017 a The Navigator Company, S.A. celebrou um acordo extrajudicial com
o Tesouro, no qual se reconheceu a responsabilidade do FRDP pelo ressarcimento do valor de
5.725.771 euros, correspondente ao valor de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas
(IRC) pago indevidamente, resultante de invocada qualificação/consideração incorreta, por parte
da administração tributária, da menos valia fiscal apurada na sequência das operações realizadas
pela então Soporcel, S.A. em 2003, e, bem assim, a promover a restituição à Navigator da
mencionada quantia.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Compromissos de compra
Ativos fixos tangíveis - Equipamentos fabris
14.612.464
9.367.666
Madeira
Compromissos com aquisições no período subsequente 287.700.000 191.698.539
Compromissos com aquisições de longo prazo 88.100.000 79.200.000
390.412.464 280.266.205
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 324
Neste contexto, será da responsabilidade do FRDP o montante total de €22.140.855, detalhados
como segue:
Relativamente aos processos relativos ao IRC agregado de 2005 e 2006 (caso os tribunais venham
a decidir em favor do Grupo Navigator, o Grupo retirará o pedido ao FRDP.
Fundo de regularização da dívida pública - Proc. nº 774/11.3 BEALM
Adicionalmente, foi apresentado no Tribunal Administrativo de Almada, em 11 de outubro de 2011
nova petição, em que se solicitava o reembolso de diversos valores, totalizando 136.243.949 euros,
relativos a ajustamentos efetuados nas demonstrações financeiras do Grupo após a sua privatização,
por via de imparidades e ajustamentos em ativos e responsabilidades não registadas, os quais não
haviam sido considerados na formulação do preço dessa privatização por não constarem do processo
disponibilizado para consulta dos concorrentes ao processo.
Em 24 de maio de 2014, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada negou o pedido do Grupo para
apresentação de prova testemunhal, solicitando alegações por escrito. Em 30 de junho de 2014, o
Grupo apresentou a reclamação para conferência desta posição, não deixando de apresentar nesta
mesma data as alegações por escrito solicitadas pelo Tribunal. O Tribunal deu razão às pretensões
do Grupo a este propósito, foram nomeados peritos pelas partes, o relatório pericial foi emitido em
julho de 2017, tendo sido, nessa sequência requerida, quer pela The Navigator Company, S.A., quer
pelo Ministério das Finanças, a comparência dos Peritos designados em audiência de julgamento,
para prestação de esclarecimentos verbais sobre o relatório pericial.
Após reclamações apresentadas pela Navigator em 11 de setembro de 2017 e 15 de janeiro de 2019,
os peritos apresentaram Relatórios Periciais reformulados em 27 de dezembro de 2018 e 19 de
março de 2019, respetivamente.
As sessões da audiência de julgamento tiveram lugar entre maio e junho de 2019, tendo as partes
apresentado as alegações finais em setembro de 2019 e aguardando-se agora a decisão do Tribunal.
Taxa de reforço e manutenção de infraestruturas
No âmbito do processo de licenciamento nº 408/04 relativo ao projeto da nova fábrica de papel de
Setúbal a Câmara Municipal de Setúbal emitiu uma liquidação à Navigator relativamente a uma taxa
de reforço e manutenção de infraestrutura (“TMUE”) no valor de 1.199.560 euros com a qual a
Empresa discorda.
Em causa está o quantitativo cobrado a título desta taxa no processo de licenciamento acima
referido, relativo à construção da nova fábrica de papel, no complexo industrial da Mitrena, em
Setúbal. A Navigator discorda do valor cobrado, tendo reclamado da aplicação da mesma, em 25 de
Valores em Euros
Período
Valores
solicitados
Redução via
pagamento ao
abrigo do RERD
Processos
decididos a
favor do
Grupo
Valores
em aberto
Processos transitados em Julgado
IRC 2002 18.923 - - 18.923
IRC (RF) 2004 3.324 - - 3.324
IRC 2004 766.395 - (139.023) 627.372
Despesas 314.957 - - 314.957
1.103.599 - (139.023) 964.576
Processos não transitados em julgado
IRC 2005 11.754.680 (1.360.294) - 10.394.386
IRC 2006 11.890.071 (1.108.178) - 10.781.893
23.644.751 (2.468.472) - 21.176.279
24.748.350 (2.468.472) (139.023) 22.140.855
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 325
fevereiro de 2008, por requerimento n.º 2485/08, e impugnado judicialmente o indeferimento da
reclamação em 28 de outubro de 2008, o qual mereceu indeferimento em 3 de outubro de 2012 e
foi objeto de recurso para o STA em 13 de novembro de 2012, o qual fez baixar a ação ao TCA em
4 de julho de 2013.
Em 19 de novembro de 2020, o TCA Sul emitiu acórdão que determinou remessa do processo ao
tribunal de primeira instância para ampliar a matéria de facto controvertida. Deste acórdão foi
submetido recurso de revista excecional ao STA, tendo, em 24 de março de 2021, o STA decidido
não admitir o recurso. Tendo o processo descido à primeira instância, o TAF de Almada emitiu nova
sentença desfavorável, em 4 de novembro de 2021. A Navigator apresentou recurso para o TCA Sul,
em 13 de dezembro de 2021, o qual foi admitido e aguarda agora decisão.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 326
11. ESTRUTURA DO GRUPO
11.1. EMPRESAS INCLUÍDAS NA CONSOLIDAÇÃO
11.1.1. Subsidiárias do Grupo Navigator
31-12-2020
Denominação Social Sede Direta
Indireta
Total Total Principal atividade
Empresa-mãe:
The Navigator Company, S.A. Portugal - - - - Comercialização de papel e de pasta de celulose
Subsidiárias:
Navigator Brands , S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00
Aquisição, exploração , locação ou concessão da
utilização e alienação de marcas , patentes e outros
de propriedade industrial ou intelectual
Navigator Parques Industriais, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Gestão de património imobiliário industrial
Navigator Paper Figueira, S.A Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Produção de papel
Empremédia - Corretores de Seguros, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Mediação e consultoria de seguros
Empremedia, DAC Irlanda 100,00 - 100,00 100,00 Gestão de participações sociais
Empremedia RE, DAC Irlanda - 100,00 100,00 - Mediação e consultoria de seguros
Raiz - Instituto de Investigação da Floresta e Papel Portugal 97,00 - 97,00 97,00
Investigação aplicada no domínio da indústria de
celulose e papel e actividade florestal
Raiz Ventures , SA Portugal - 97,00 97,00 97,00
Promoção de unidades de negócio relacionadas
directa ou indirectamente com atividades de
investigação, desenvolvimento e inovação no domínio
da bioeconomia de base florestal
About the Future - Essential Oils, SA ** Portugal - 97,00 97,00 97,00
Produção, retificação e comércio por grosso de óleos
essenciais
Enerpulp – Cogeração Energética de Pasta, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Produção de energia
Navigator Pulp Figueira, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00
Produção de pasta de celulose e prestação de
serviços de administração, gestão e consultoria
interna
Ema Cacia - Engenharia e Manutenção Industrial,
ACE
Portugal - 74,20 74,20 74,20
Ema Setúbal - Engenharia e Manutenção Industrial,
ACE
Portugal - 80,20 80,20 80,20
Ema Figueira da Foz- Engenharia e Manutenção
Industrial, ACE
Portugal - 79,80 79,80 79,80
Navigator Pulp Setúbal, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Produção de pasta de celulose
Navigator Pulp Aveiro, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Produção de pasta de celulose
Navigator Tissue Aveiro, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00
Navigator Tissue Ródão , S.A. Portugal - 100,00 100,00 100,00
Navigator Tissue Iberica , S.A. Espanha - 100,00 100,00 100,00 Comercialização de papel tissue
Portucel Moçambique - Sociedade de
Desenvolvimento Florestal e Industrial, Lda
Moçambique 90,02 - 90,02 90,02 Produção florestal
Navigator Internacional Holding SGPS, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Gestão de participações sociais
Navigator Financial Services sp . Zoo ** Polónia - - - 100,00 Serviços financeiros
Navigator Forest Portugal, S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Produção florestal
EucaliptusLand, S.A. Portugal - 100,00 100,00 100,00 Produção florestal
Sociedade de Vinhos da Herdade de Espirra -
Produção e Comercialização de Vinhos, S.A.
Portugal - 100,00 100,00 100,00 Produção vitivinícola
Gavião - Sociedade de Caça e Turismo, S.A. Portugal - 100,00 100,00 100,00 Gestão de recursos cinegéticos
Afocelca - Agrupamento complementar de
empresas para protecção contra incêndios, ACE
Portugal - 64,80 64,80 64,80
Prestação de serviços de prevenção e combate de
incêndios florestais
Viveiros Aliança - Empresa Produtora de Plantas,
S.A.
Portugal - 100,00 100,00 100,00 Produção de plantas em viveiros
Atlantic Forests, S.A. Portugal - 100,00 100,00 100,00
Prestação de serviços no âmbito da actividade
florestal e comércio de madeira
Bosques do Atlantico, SL Espanha - 100,00 100,00 100,00
Comércio de madeira e biomassa e exploração
florestal
Navigator Africa, SRL Itália - 100,00 100,00 100,00 Comércio de madeira e biomassa e exploração florestal
Navigator Paper Setúbal , S.A. Portugal 100,00 - 100,00 100,00 Produção de papel e de energia
Navigator North America Inc. EUA - 100,00 100,00 100,00 Comercialização de papel
Navigator Afrique du Nord Marrocos - 100,00 100,00 100,00
Navigator España, S.A. Espanha - 100,00 100,00 100,00
Navigator Netherlands, BV Holanda - 100,00 100,00 100,00
Navigator France, EURL França - 100,00 100,00 100,00
Navigator Paper Company UK, Ltd Reino Unido - 100,00 100,00 100,00
Navigator Italia, SRL Itália - 100,00 100,00 100,00
Navigator Deutschland, GmbH Alemanha - 100,00 100,00 100,00
Navigator Paper Austria, GmbH Austria - 100,00 100,00 100,00
Navigator Paper Poland SP Z o o Polónia - 100,00 100,00 100,00
Navigator Eurasia Turquia - 100,00 100,00 100,00
Navigator Rus Company, LLC ** Russia - - - 100,00
Navigator Paper Mexico México 25,00 75,00 100,00 100,00
Navigator Middle East Trading DMCC Dubai - 100,00 100,00 100,00
Navigator Egypt, ELLC Egipto 1,00 99,00 100,00 100,00
Navigator Abastecimento de Madeira, ACE Portugal 97,00 3,00 100,00 100,00 Comercialização de madeira
** Empresas fusionadas e liquidadas em 2021 (Nota 11.2)
31-12-2021
% Participação
Prestação de serviços de manutenção industrial
Produção de papel tissue
Prestação de serviços de intermediação de vendas
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 327
11.1.2. Operações conjuntas incorporadas
11.2. VARIAÇÕES DO PERÍMETRO DE CONSOLIDAÇÃO
Durante o período findo em 31 de dezembro de 2021, o perímetro foi alterado face ao exercício
precedente pelas seguintes operações de reorganização societária:
− Fusão por incorporação da About The Future – Essencial Oils, S.A. na Raiz Ventures, S.A.
− Liquidação das sociedades Navigator Financial Services Sp. Z.o.o. e Navigator Rus Company,
LLC.
− Incorporação da sociedade Empremedia RE, DAC na Irlanda.
11.3. TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS
Saldos com partes relacionadas
Transações do período com partes relacionadas
Em 1 de fevereiro de 2013, foi celebrado um contrato de prestação de serviços entre a Semapa –
Sociedade de Investimentos e Gestão, SGPS, S.A., hoje detentora de 69,97% do capital do Grupo,
e o Grupo Navigator relativo à prestação de serviços de administração e gestão, que fixa um sistema
de remuneração baseado em critérios equitativos para as outorgantes nas referidas relações
31-12-2020
Denominação Social Sede Direta
Indireta
Total Total Principal atividade
Pulpchem Logistics, A.C.E. Portugal 50,00 - 50,00 50,00
Compras de materiais, matérias subsidiárias e serviços
utilizados nos processos de produção de pasta e
papel
% Participação
31-12-2021
Valores em Euros
Valores a
receber
(Nota 4.2)
Valores a
pagar
(Nota 4.3)
Passivos de
locação
(Nota 5.8)
Valores a
receber
(Nota 4.2)
Valores a
pagar
(Nota 4.3)
Passivos de
locação
(Nota 5.8)
Acionistas (Nota 5.2)
Semapa - Soc. de Investimento e Gestão, SGPS, S.A. - 7.470.630 - - 7.001.046 -
Outras subsidiárias do Grupo Semapa
Secil - Companhia Geral Cal e Cimento, S.A. - 40.831 - 443.649 35.503 -
Secil Britas, S.A. - 138.666 - - 86.954 -
Secil Prebetão, S.A. - 41.858 - - - -
CMP ‐ Cimentos Maceira e Pataias, S.A. - 24 - - 23.682 -
Unibetão, S.A. - 16.527 - - 66.595 -
Outras entidades relacionadas
Sonagi Imobiliária, S.A. - - - - - 188.841
Hotel Ritz, S.A. - 3.464 - - 3.654 -
- 7.712.000 - 443.649 7.217.433 188.841
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
Compras de
bens e
serviços
Vendas e
prestações
de serviços
(Gastos)/
Rendimentos
financeiros
Compras de
bens e
serviços
Vendas e
prestações
de serviços
Outros
rendimentos
operacionais
(Gastos)/
Rendimentos
financeiros
Acionistas (Nota 5.2)
Semapa - Soc. de Investimento e Gestão, SGPS, S.A. 10.043.173 34 - 8.743.735 - - 9.217
10.043.173 34 - 8.743.735 - - 9.217
Outras subsidiárias do Grupo Semapa
Secil - Companhia Geral Cal e Cimento, S.A. 165.466 15.750 606 58.549 12.000 233.356 -
Secil Britas, S.A. 310.125 - - 45.188 - - -
Secil Prebetão, S.A. 5.475 - - - - - -
CMP ‐ Cimentos Maceira e Pataias, S.A. 8.846 - 450 45.582 - - -
Unibetão, S.A. 5.756 - - 78.684 - - -
495.668 15.750 1.056 228.003 12.000 233.356 -
Outras entidades relacionadas
Seinpar Investments BV - - - - - 1.735 -
Hotel Ritz, S.A. 21.656 - - 7.878 - - -
21.656 - - 7.878 - 1.735 -
10.560.497 15.784 1.056 8.979.616 12.000 235.091 9.217
31-12-2021
31-12-2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 328
contínuas de colaboração e assistência, respeitando as regras aplicáveis às relações comerciais entre
as sociedades do mesmo Grupo.
Foi ainda celebrado um contrato de arrendamento entre a Navigator Brands, S.A. (anteriormente
denominada Navigator Paper Figueira, S.A.) e a Cimilonga – Imobiliária, S.A. relativo ao
arrendamento de espaço para escritórios no edifício sede da Holding do Grupo, a Semapa, SGPS,
S.A., situado em Lisboa, que foi denunciado em 2020.
Foi também celebrado um contrato de arrendamento entre a The Navigator Company, S.A. e a
Refundos – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, S.A., com início a 1 de junho
de 2017 e válido até 31 de maio de 2027, sendo renovável automaticamente por períodos de 5 anos,
respeitante ao arrendamento de um edifício situado em Lisboa, na Avenida Fontes Pereira de Melo,
para utilização como escritório. Dado que a sociedade foi alienada a uma entidade terceira, a mesma
deixou de ser considerada como parte relacionada em 2020.
As operações com o Grupo Secil decorrem de operações normais de mercado.
No âmbito da identificação das partes relacionadas, para efeitos de relato financeiro, foram avaliados
como partes relacionadas os membros do Conselho de Administração e demais Órgãos Sociais.
A remuneração do pessoal de gestão chave do Grupo é detalhada na Nota 7.3 –
Remuneração dos membros dos órgãos sociais.
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Ricardo Miguel dos Santos Pacheco Pires
Presidente do Conselho de Administração
António José Pereira Redondo
Presidente da Comissão Executiva
Adriano Augusto da Silva Silveira
Vogal executivo
José Fernando Morais Carreira de Araújo
Vogal executivo
Nuno Miguel Moreira de Araújo Santos
Vogal executivo
João Paulo Araújo Oliveira
Vogal executivo
João Paulo Cabete Gonçalves Lé
Vogal executivo
Manuel Soares Ferreira Regalado
Vogal
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 329
Maria Teresa Aliu Presas
Vogal
Mariana Rita Antunes Marques dos Santos
Vogal
Sandra Maria Soares Santos
Vogal
Vítor Manuel Rocha Novais Gonçalves
Vogal
Vítor Paulo Paranhos Ferreira
Vogal
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 330
9. CERTIFICAÇÃO LEGAL DAS CONTAS E RELATÓRIO DE
AUDITORIA DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
CONSOLIDADAS
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 331
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 332
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 333
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 334
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 335
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 336
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 337
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 338
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 339
10. RELATÓRIO E PARECER DO CONSELHO FISCAL
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 340
The Navigator Company, S.A.
Relatório e Parecer do Conselho Fiscal
Demonstrações Financeiras Consolidadas
Exercício de 2021
Senhores Accionistas
1. Nos termos da lei, dos estatutos da empresa e no desempenho do mandato
que nos conferiram, vimos apresentar o nosso relatório sobre a actividade
fiscalizadora desenvolvida em 2021 e dar o nosso parecer sobre o Relatório
Consolidado de Gestão e Demonstrações Financeiras Consolidadas
apresentadas pelo Conselho de Administração da The Navigator Company,
S.A., relativamente ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2021.
2. No decurso do exercício, acompanhámos com regularidade a actividade da
empresa e das suas filiais e associadas mais significativas, com a
periodicidade e extensão que considerámos adequada, nomeadamente
através de reuniões periódicas com a Administração e Directores da
Sociedade. Acompanhámos a verificação dos registos contabilísticos e da
respectiva documentação de suporte, bem como a eficácia dos sistemas de
gestão de riscos, de controlo interno e de auditoria interna. Vigiámos pela
observância da lei e dos estatutos. No exercício da nossa actividade não
deparámos com quaisquer constrangimentos.
3. Reunimos por diversas vezes com o Revisor Oficial de Contas e Auditor
Externo, KPMG & Associados, SROC, Lda., acompanhando os trabalhos de
auditoria desenvolvidos e fiscalizando a sua independência e apreciámos a
Certificação Legal de Contas e Relatório de Auditoria, que merece o nosso
acordo.
4. O Conselho Fiscal analisou as propostas que lhe foram presentes para
prestação de serviços distintos de auditoria pela Sociedade de Revisores
Oficiais de Contas, tendo aprovado aquelas que respeitavam a serviços
permitidos, não afectavam a independência da Sociedade de Revisores
Oficias de Contas e cumpriam os demais requisitos legais.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 341
5. No âmbito das nossas funções, verificámos que:
a) A Demonstração dos resultados consolidados, a Demonstração da
posição financeira consolidada, a Demonstração do rendimento integral
consolidado, a Demonstração das alterações aos capitais próprios
consolidados, a Demonstração dos fluxos de caixa consolidados e as
correspondentes Notas às demonstrações financeiras consolidadas,
permitem uma adequada compreensão da situação financeira da
empresa e dos seus resultados, do rendimento integral, das alterações
no capital próprio e dos fluxos de caixa;
b) As políticas contabilísticas e os critérios valorimétricos adoptados estão
conformes com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) tal
como adoptadas na União Europeia, e são adequados por forma a
assegurar que os mesmos conduzem a uma correcta avaliação do
património e dos resultados, tendo-se dado seguimento, às análises e
recomendações emitidas pelo auditor externo;
c) O Relatório de Gestão é suficientemente esclarecedor da evolução dos
negócios e da situação da empresa e do conjunto das filiais incluídas na
consolidação, evidenciando com clareza os aspectos mais significativos
da actividade;
d) O Relatório sobre o Governo Societário inclui os elementos exigíveis nos
termos do artigo 245.º-A do Código dos Valores Mobiliários e teve em
conta as recomendações do Código do Instituto Português de Corporate
Governance (IPCG).
6. Nestes termos, tendo em consideração as informações recebidas do Conselho
de Administração e Serviços da Empresa, bem como as conclusões
constantes da Certificação Legal de Contas e Relatório de Auditoria, somos
do parecer que:
a) Seja aprovado o Relatório de Gestão;
b) Sejam aprovadas as Demonstrações Financeiras Consolidadas.
7.
Finalmente, os membros do Conselho Fiscal expressam o seu
reconhecimento e agradecimento pela colaboração prestada, ao Conselho de
Administração, aos principais responsáveis e aos demais colaboradores da
Empresa, bem como à Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, KPMG &
Associados, SROC, Lda.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 342
Lisboa, 28 de Março de 2022
O Presidente do Conselho Fiscal
José Manuel Oliveira Vitorino
O Vogal
Gonçalo Nuno Palha Gaio Picão Caldeira
O Vogal
Maria da Graça Torres Ferreira da Cunha Gonçalves
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 343
11. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS SEPARADAS
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 344
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS SEPARADA
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras separadas.
Valores em Euros
Nota 2021 2020
Réditos 2.1 2.366.947.621 1.886.063.068
Outros rendimentos e ganhos operacionais 2.2 2.090.803 3.659.206
Custos das mercadorias vendidas e das matérias consumidas 4.1 (2.103.980.956) (1.684.534.452)
Fornecimentos e serviços externos 2.3 (221.150.420) (173.228.279)
Gastos com o pessoal 7.1 (11.092.252) (7.364.418)
Outros gastos e perdas operacionais 2.3 (5.729.376) (1.373.943)
Provisões líquidas 9.1 (1.138.500) (2.013.378)
Resultados de subsidiárias 10.1 160.083.746 81.797.972
Depreciações, amortizações e perdas por imparidade em ativos não financeiros 3.4 (611.085) (661.271)
Resultado operacional 185.419.582 102.344.504
Rendimentos e ganhos financeiros 5.10 25.605.954 40.671.883
Gastos e perdas financeiros 5.10 (36.184.414) (47.017.278)
Resultado antes de impostos 174.841.122 95.999.108
Imposto sobre o rendimento 6.1 (3.429.667) 13.214.611
Resultado líquido do período 171.411.455 109.213.720
Resultado por ação
Resultado básico por ação, Eur 5.3 0,241 0,154
Resultado diluído por ação, Eur 5.3 0,241 0,154
Média ponderada de ações 711.183.069 711.183.069
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 345
DEMONSTRAÇÃO DO RENDIMENTO INTEGRAL SEPARADA
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras separadas.
Valores em Euros
Nota 2021 2020
Resultado líquido do período 171.411.455 109.213.720
Itens que poderão ser reclassificados para a demonstração dos resultados
Instrumentos financeiros derivados de cobertura
Variações no justo valor 8.2 1.430.747 (354.422)
Efeito de imposto 6.2 (393.455) 97.466
Outras variações nos capitais próprios de empresas subsidiárias 10.1 (4.354.319) (11.058.931)
- -
Itens que não poderão ser reclassificados para a demonstração dos resultados
Remensuração de Benefícios pós-emprego 7.2.2 277.718 (148.138)
Outros rendimentos integrais 90.332 170.453
Total de outros rendimentos integrais líquidos de imposto (2.948.977) (11.293.572)
Total dos rendimentos integrais 168.462.478 97.920.148
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 346
DEMONSTRAÇÃO DA POSIÇÃO FINANCEIRA SEPARADA
EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras separadas.
Valores em Euros
Nota 31-12-2021 31-12-2020
ATIVO
Ativos não correntes
Ativos intangíveis 3.1 - 6.636.500
Ativos fixos tangíveis 3.2 908.505 1.665.219
Ativos sob direito de uso 3.3 2.768.659 3.286.815
Investimentos em subsidiárias 10.1 1.919.170.450 1.858.530.371
Investimentos em associadas 45.824 67.041
Valores a receber não correntes 4.2 6.684 6.684
Ativos por impostos diferidos 6.2 7.243.947 5.978.436
1.930.144.069 1.876.171.066
Ativos correntes
Inventários 4.1 18.548.495 22.585.686
Valores a receber correntes 4.2 866.987.969 750.265.643
Imposto sobre o rendimento 6.1 1.118.815 3.482.762
Caixa e equivalentes de caixa 5.8 354.336.647 296.941.052
1.240.991.926 1.073.275.143
Ativo total 3.171.135.995 2.949.446.208
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
Capital próprio
Capital social 5.2 500.000.000 500.000.000
Ações próprias 5.2 - (20.189.264)
Reservas por aplicação do MEP 5.5 (437.672.593) (433.318.274)
Reserva de justo valor 5.5 (5.604.076) (6.641.368)
Reserva legal 5.5 100.000.000 100.000.000
Outras reservas 5.5 119.458.835 264.066.381
Resultados transitados 5.5 647.229.733 512.795.312
Resultado líquido do período 171.411.455 109.213.720
Dividendos antecipados (49.996.170) -
Capital próprio total 1.044.827.184 1.025.926.506
Passivos não correntes
Financiamentos obtidos 5.6 688.171.881 655.856.215
Passivos de locação 5.7 2.460.807 2.974.645
Responsabilidades por benefícios definidos 7.2 - 1.163.105
Passivos por impostos diferidos 6.2 197.458 197.458
Provisões 9.1 18.989.832 36.144.390
709.819.978 696.335.813
Passivos correntes
Financiamentos obtidos 5.6 244.993.753 291.527.778
Passivos de locação 5.7 423.170 400.890
Valores a pagar correntes 4.3 1.139.129.433 913.579.785
Imposto sobre o rendimento 6.1 31.942.477 21.675.436
1.416.488.833 1.227.183.889
Passivo total 2.126.308.811 1.923.519.702
Capital próprio e passivo total 3.171.135.995 2.949.446.208
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 347
DEMONSTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES NOS CAPITAIS PRÓPRIOS SEPARADA
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras separadas.
Valores em Euros Nota Capital social Ações próprias
Reservas por
aplicação do
MEP
Reserva de
justo valor
Reserva legal Outras reservas
Resultados
transitados
Resultado
líquido do
período
Dividendos
antecipados
Total
Capital próprio em 31 de dezembro de 2020 500.000.000 (20.189.264) (433.318.274) (6.641.368) 100.000.000 264.066.381 512.795.312 109.213.720 - 1.025.926.506
Resultado Líquido do período - - - - - - - 171.411.455 - 171.411.455
Outro rendimentos integrais (líquidos de imposto) - - (4.354.319) 1.037.292 - - 368.050 - - (2.948.977)
Total dos rendimentos integrais do período - - (4.354.319) 1.037.292 - - 368.050 171.411.455 - 168.462.478
Aplicação do lucro do período 2020: -
- Aplicação do resultado líquido do período anterior 5.4 - - - - - - 116.213.720 (109.213.720) - 7.000.000
- Dividendos pagos - - - - - - (99.565.630) - - (99.565.630)
- Gratificações de balanço - - - - - - (7.000.000) - - (7.000.000)
Transferência de reservas livres para resultados transitados - - - - (138.290.615) 138.290.615 - - -
Incorporação de reservas 6.316.931 - - - - (6.316.931) - - - -
Extinção de ações próprias 5.2 (6.316.931) 20.189.264 - - - - (13.872.333) - - -
Dividendos antecipados - - - - - - - - (49.996.170) (49.996.170)
Total de transações com acionistas - 20.189.264 - - - (144.607.546) 134.066.371 (109.213.720) (49.996.170) (149.561.800)
Capital próprio em 31 de dezembro de 2021 500.000.000 - (437.672.593) (5.604.076) 100.000.000 119.458.835 647.229.733 171.411.455 (49.996.170) 1.044.827.184
Valores em Euros Nota Capital social Ações próprias
Reservas por
aplicação do
MEP
Reserva de
justo valor
Reserva legal Outras reservas
Resultados
transitados
Resultado
líquido do
período
Dividendos
antecipados
Total
Capital próprio em 1 de janeiro de 2020 500.000.000 (20.189.264) (422.259.343) (6.384.412) 100.000.000 95.776.066 611.911.916 168.290.315 - 1.027.145.277
Resultado Líquido do período - - - - - - - 109.213.720 - 109.213.720
Outro rendimentos integrais (líquidos de imposto) - - (11.058.931) (256.956) - - 22.315 - - (11.293.572)
Total dos rendimentos integrais do período - - (11.058.931) (256.956) - - 22.315 109.213.720 - 97.920.148
Aplicação do lucro do período 2019: -
- Aplicação do resultado líquido do período anterior 5.4 - - - - - 168.290.315 - (168.290.315) - -
- Dividendos pagos 5.4 - - - - - - - - - -
- Gratificações de balanço - - - - - - - - - -
Distribuição de resultados transitados - - - - - - (99.138.919) - - (99.138.919)
Total de transações com acionistas - - - - - 168.290.315 (99.138.919) (168.290.315) - (99.138.919)
Capital próprio em 31 de dezembro de 2020
500.000.000 (20.189.264) (433.318.274) (6.641.368) 100.000.000 264.066.381 512.795.312 109.213.720 - 1.025.926.506
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 348
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA SEPARADA
PARA OS PERÍODOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2021 E 2020
As notas do Anexo constituem parte integrante destas demonstrações financeiras separadas.
Valores em Euros Notas 2021 2020
ATIVIDADES OPERACIONAIS
Recebimentos de clientes 2.455.874.053 2.063.154.363
Pagamentos a fornecedores (2.575.275.826) (2.245.990.597)
Pagamentos ao pessoal (7.108.255) (6.701.173)
Fluxos gerados pelas operações (126.510.028) (189.537.408)
(Pagamentos)/recebimentos do imposto sobre o rendimento (19.461.688) 37.627.142
Outros (pagamentos)/recebimentos da atividade operacional 244.558.651 255.572.020
Fluxos das atividades operacionais (1) 98.586.935 103.661.754
ATIVIDADES DE INVESTIMENTO
Recebimentos provenientes de:
Ativos intangíveis 3.1 6.636.500 550.000
Juros e rendimentos similares 13.026.983 17.600.135
Dividendos de subsidiárias 10.1 85.802.502 95.272.652
105.465.985 113.422.788
Pagamentos respeitantes a:
Investimentos em subsidiárias 10.1 (5.750.000) -
Ativos fixos tangíveis - (15.028)
(5.750.000) (15.028)
Fluxos das atividades de investimento (2) 99.715.985 113.407.760
ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
Recebimentos provenientes de:
Financiamentos obtidos 5.6 147.500.000 240.000.000
Empréstimos a subsidiárias 10.2 666.496.513 270.265.699
813.996.513 510.265.699
Pagamentos respeitantes a:
Financiamentos obtidos 5.6 (291.527.778) (133.194.444)
Amortização de contratos de locação 5.7 (589.656) (606.420)
Juros e gastos similares 5.1 (9.756.483) (27.288.413)
Empréstimos a subsidiárias 10.2 (633.141.611) (225.441.868)
Distribuição de Dividendos 5.4 (149.561.800) (99.138.919)
Distribuição de Reservas - (99.138.920)
(1.084.577.328) (584.808.985)
Fluxos das atividades de financiamento (3) (270.580.815) (74.543.286)
VARIAÇÃO DE CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA (1)+(2)+(3) (72.277.895) 142.526.229
Efeito das diferenças de câmbio (102.010) (192.628)
CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA NO INÍCIO DO PERÍODO 5.8 296.941.052 154.607.452
CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA NO FIM DO PERÍODO 5.8 224.561.148 296.941.052
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 349
NOTAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS SEPARADAS
A 31 DE DEZEMBRO DE 2021
1. INTRODUÇÃO 351
1.1. APRESENTAÇÃO ............................................................................................351
1.2. ATUALIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NAVIGATOR .....................................................353
1.3. IMPACTOS DA PANDEMIA DE COVID-19 ...........................................................354
1.4. EVENTOS SUBSEQUENTES ..............................................................................355
1.5. BASES DE PREPARAÇÃO .................................................................................357
1.6. NOVAS NORMAS IFRS ADOTADAS E A ADOTAR .................................................359
1.7. ESTIMATIVAS E JULGAMENTOS CONTABILÍSTICOS RELEVANTES.........................363
2. PERFORMANCE OPERACIONAL 364
2.1. RÉDITO E RELATO POR SEGMENTOS ................................................................364
2.2. OUTROS RENDIMENTOS E GANHOS OPERACIONAIS ..........................................366
2.3. GASTOS E PERDAS OPERACIONAIS ..................................................................367
3. INVESTIMENTOS 369
3.1. ATIVOS INTANGÍVEIS ....................................................................................369
3.2. ATIVOS FIXOS TANGÍVEIS ..............................................................................370
3.3. ATIVOS SOB DIREITO DE USO ........................................................................372
3.4. DEPRECIAÇÕES, AMORTIZAÇÕES E PERDAS POR IMPARIDADE ...........................373
4. FUNDO DE MANEIO 374
4.1. INVENTÁRIOS ...............................................................................................374
4.2. VALORES A RECEBER .....................................................................................375
4.3. VALORES A PAGAR.........................................................................................377
5. ESTRUTURA DE CAPITAL 378
5.1. GESTÃO DE CAPITAL ......................................................................................378
5.2. CAPITAL SOCIAL E AÇÕES PRÓPRIAS ...............................................................378
5.3. RESULTADO POR AÇÃO ..................................................................................380
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 350
5.4. DIVIDENDOS ................................................................................................381
5.5. RESERVAS E RESULTADOS TRANSITADOS ........................................................381
5.6. FINANCIAMENTOS OBTIDOS ...........................................................................383
5.7. PASSIVOS DE LOCAÇÃO .................................................................................386
5.8. CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA ..................................................................387
5.9. FLUXOS DE CAIXA DE ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO ....................................387
5.10. RENDIMENTOS E GASTOS FINANCEIROS ........................................................388
6. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO 389
6.1. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DO PERÍODO .................................................389
6.2. IMPOSTOS DIFERIDOS ...................................................................................392
7. PESSOAL 394
7.1. GASTOS COM O PESSOAL ...............................................................................394
7.2. BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS ......................................................................395
7.3. REMUNERAÇÃO DOS MEMBROS DOS ÓRGÃOS SOCIAIS .....................................399
8. INSTRUMENTOS FINANCEIROS 400
8.1. GESTÃO DO RISCO FINANCEIRO .....................................................................400
8.2. INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVADOS ......................................................407
8.3. ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS .................................................................410
9. PROVISÕES, COMPROMISSOS E CONTINGÊNCIAS 412
9.1. PROVISÕES ..................................................................................................412
9.2. COMPROMISSOS ...........................................................................................413
9.3. ATIVOS E PASSIVOS CONTINGENTES ...............................................................413
10. ESTRUTURA DO GRUPO 416
10.1. INVESTIMENTOS EM SUBSIDIÁRIAS ...............................................................416
10.2. TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS ...................................................419
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 351
1. INTRODUÇÃO
Na apresentação das Notas às demonstrações financeiras, são utilizados os seguintes símbolos:
Políticas
contabilísticas
Este símbolo indica
a divulgação de políticas
contabilísticas especificamente
aplicáveis aos itens
na respetiva Nota
(área a sombreado).
Estimativas
e julgamentos
contabilísticos
Este símbolo indica
a divulgação das estimativas
e/ou julgamentos realizados
em relação aos itens
na respetiva Nota (área a
sombreado). As estimativas e
julgamentos mais significativos
são indicados na Nota 1.7.
Referência
Este símbolo indica
uma referência a outra Nota
ou outra secção do Relatório
e Contas onde é apresentada
mais informação sobre os itens
divulgados.
1.1. APRESENTAÇÃO
A The Navigator Company, S.A. (Navigator ou Empresa) é uma Sociedade Aberta com sede em
Mitrena, 2901-861 Setúbal, e encontra-se cotada na NYSE Euronext Lisbon, com o ISIN
PTPTI0AM0006.
Designação Social: The Navigator Company, S.A.
Sede Social: Mitrena – Apartado 55 | 2901-861 Setúbal | Portugal
Forma Jurídica: Sociedade Anónima
Capital Social: €500.000.000
N.I.P.C.: 503 025 798
A Navigator é a empresa-mãe do Grupo Navigator (Grupo), constituído pela Navigator e Subsidiárias,
conforme apresentado nas demonstrações financeiras consolidadas.
A The Navigator Company, S.A. (anteriormente denominada: Portucel, S.A.), adiante designada por
Empresa ou Navigator, é uma sociedade aberta com o capital social representado por ações
nominativas e foi constituída em 31 de maio de 1993, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 39/93 de 13 de
Fevereiro, como resultado do processo de reestruturação da Portucel – Empresa de Celulose e Papel
de Portugal, E.P.
A génese do Grupo que atualmente lidera remonta a meados dos anos 50 do século XX, quando
uma equipa de técnicos da Companhia Portuguesa de Celulose de Cacia tornou possível que esta
empresa fosse a primeira no mundo a produzir pasta branqueada de eucalipto ao sulfato.
Em 1976, foi constituída a Portucel EP como resultado do processo de nacionalização da indústria
de celulose que, pela fusão da CPC – Companhia de Celulose, S.A.R.L. (Cacia), Socel – Sociedade
Industrial de Celulose, S.A.R.L. (Setúbal), Celtejo – Celulose do Tejo, S.A.R.L. (Vila Velha de Ródão),
Celnorte – Celulose do Norte, S.A.R.L. (Viana do Castelo) e da Celuloses do Guadiana, S.A.R.L.
(Mourão) incorporou a Portucel – Empresa de Celulose e Papel de Portugal, E.P., transformada em
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 352
sociedade anónima de capitais maioritariamente públicos, pelo Decreto-Lei n.º 405/90, de 21 de
dezembro.
Posteriormente, como resultado do processo de reestruturação da Portucel – Empresa de Celulose
e Papel de Portugal, S.A., que se passou a denominar Portucel, S.G.P.S., S.A., tendente à sua
privatização, formalizou-se em 1993 a constituição da Portucel S.A., em 31 de maio desse ano, ao
abrigo do Decreto-Lei n.º 39/93 de 13 de fevereiro, com os ex-ativos das duas principais sociedades,
sedeadas em Cacia e Setúbal.
Em 1995, esta empresa haveria de ser novamente privatizada, sendo então colocado no mercado
uma parte significativa do seu capital.
Com o objetivo de reestruturar a indústria papeleira em Portugal, a Portucel adquiriu a Papéis Inapa,
S.A. (Setúbal) em 2000, e a Soporcel – Sociedade Portuguesa de Papel, S.A. (Figueira da Foz), em
2001. Estes movimentos estratégicos foram decisivos e deram origem ao grupo Portucel Soporcel
(atualmente grupo The Navigator Company) que é atualmente o maior produtor europeu e um dos
maiores a nível mundial de pasta branca de eucalipto e maior produtor europeu de papéis finos não
revestidos.
Em junho de 2004 o Estado Português alienou uma tranche de 30% do capital da Portucel que foi
adquirida pelo Grupo Semapa que, em setembro desse ano, lançou uma OPA tendente a assegurar
o controlo do Grupo, o que viria a conseguir, assegurando uma posição correspondente a 67,1% do
capital da Portucel.
Em novembro de 2006, o Estado Português concluiu a 3.ª e última fase de reprivatização, tendo a
Parpública, S.A. alienado os remanescentes 25,72% do capital da Sociedade.
Em 2007 o Grupo investiu numa nova máquina de papel localizada no site industrial de Setúbal que
iniciou as suas operações regulares em outubro de 2009.
De 2009 a julho de 2015, a Sociedade foi detida em mais de 75% direta e indiretamente pela
Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão SGPS, S.A. (excluindo ações próprias), tendo a
percentagem de controlo de direitos de voto sido reduzida para menos de 70% em resultado da
operação pública de troca de títulos Portucel por títulos Semapa, realizada em julho de 2015.
Em fevereiro de 2015, o Grupo entrou no segmento do Tissue, com a aquisição da AMS-BR Star
Paper, S.A. (atualmente denominada Navigator Tissue Ródão, S.A.), que detém e opera uma
unidade de produção em Vila Velha de Ródão, tendo construído uma nova unidade industrial em
Aveiro, em agosto de 2018, que é operada pela Navigator Tissue Aveiro, S.A., sendo atualmente o
maior produtor português e o terceiro na Península Ibérica, com uma capacidade de produção de
130 mil toneladas e de transformação de 120 mil toneladas.
Também em 2015, a Empresa alienou à sua subsidiária indireta Navigator Pulp Setúbal, S.A. os
ativos industriais utilizados na produção de BEKP no complexo industrial de Setúbal.
Em 6 de fevereiro de 2016 o então grupo PortucelSoporcel alterou a sua marca corporativa para The
Navigator Company. Esta nova identidade corporativa representa a união de empresas com uma
história de mais de 60 anos, pretendendo dar uma imagem mais moderna e apelativa do Grupo.
Na sequência, a Portucel, S.A. mudou a sua denominação social após aprovação em Assembleia
Geral, realizada no dia 19 de abril de 2016, para The Navigator Company, S.A.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 353
Ainda no exercício de 2016 a Empresa efetuou um aumento de capital em espécie na sociedade
Enerpulp – Cogeração Energética da Pasta, S.A., mediante a entrega das duas centrais de geração
de energia a partir de biomassa localizadas nos complexos industriais de Setúbal e Aveiro, tendo
igualmente efetuado um aumento de capital em espécie na sociedade Navigator Parques Industriais,
S.A. através da incorporação dos terrenos e edifícios industriais situados em Aveiro e Setúbal.
Em 1 de janeiro de 2017, a Empresa passou a concentrar as vendas de papel, pasta celulósica e de
Tissue do Grupo, assumindo-se como a distribuidora de produtos do Grupo. Desta forma, tornou-se
rapidamente um dos principais exportadores nacionais, sendo seguramente o de maior valor
acrescentado para a economia nacional.
A partir de outubro de 2017, iniciou nova atividade de centralização do abastecimento do Grupo,
data em que as produtoras de pasta do Grupo passaram a vender pasta exclusivamente à Navigator,
que abastece as produtoras de papel do Grupo, além da comercialização para mercado que já vinha
desenvolvendo. A partir de janeiro de 2018, reforçou essa nova atividade, centralizando a atividade
de compra ao exterior e abastecimento das empresas produtoras da generalidade das matérias-
primas utilizadas no processo produtivo.
Também em 2017, a Navigator passou a preparar as suas demonstrações financeiras separadas de
acordo com as IFRS – Normas Internacionais de Relato Financeiro.
Assim, a partir de 2017 e com reforço em 2018, a Empresa passou a concentrar a sua atividade na
comercialização de papel e de produtos afins, abastecimento de produtos industriais, bem como na
prestação de serviços de administração e gestão às suas subsidiárias diretas e indiretas, e na gestão
das participações detidas. Complementarmente, a Empresa gere as marcas da ex-Papéis Inapa,
S.A., aluga equipamentos e efetua cedências de pessoal intragrupo.
A principal atividade do grupo The Navigator Company (Grupo Navigator) consiste na produção e
comercialização de papel fino de impressão e escrita e de papel doméstico, bem como pasta de
papel, estando presente de forma materialmente relevante em toda a cadeia de valor desde a
investigação e desenvolvimento à produção florestal, aquisição de madeiras, produção de pasta
branqueada de eucalipto – pasta BEKP – e produção de energia térmica e elétrica, bem como a
respetiva comercialização.
Uma descrição mais detalhada da atividade em cada ramo de negócio da Navigator encontra-
se divulgada na Nota 2.1 – Rédito e relato por segmentos.
A Navigator é incluída no perímetro de consolidação da Semapa – Sociedade de Investimento e
Gestão, SGPS, S.A., empresa-mãe, e da Sodim – SGPS, S.A., entidade controladora final.
1.2. ATUALIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA NAVIGATOR
Fruto de uma reflexão estratégica em relação aos seus eixos de desenvolvimento, o Grupo Navigator
decidiu avançar de forma decisiva para a produção de novos produtos de packaging, desenvolvendo
uma nova área de negócio, num segmento em grande crescimento e como resposta à necessidade
sentida a nível mundial de diminuir o consumo de plástico, nomeadamente os plásticos de uso único,
confirmando o seu papel na substituição dos plásticos por materiais sustentáveis.
From Fossil to Forest - uma estratégia alinhada com o propósito de criação de valor sustentável,
para os seus Acionistas, e para a sociedade como um todo, deixando às futuras gerações um planeta
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 354
melhor. Através de produtos e soluções sustentáveis naturais, recicláveis e biodegradáveis, que
contribuem a montante para a fixação de carbono, para a produção de oxigénio, para a proteção da
biodiversidade, para a formação de solo e para o combate às alterações climáticas, a Navigator
decidiu investir na disponibilização de papéis de embalagem mais seguros e higiénicos para a
indústria alimentar sem os riscos de contaminação por bactérias, microrganismos e até substâncias
perigosas, que a fibra reciclada tipicamente contém. Com uma textura única e uma performance de
impressão singular, estes produtos são resistentes e completamente alinhados com o conceito de
sustainable shelf ready packaging.
Esta nova estratégia de desenvolvimento prevê um crescimento gradual e permitirá tirar partido,
nesta primeira fase, das máquinas de papel PM1 e PM3 de Setúbal, de dimensão mais reduzida, mas
com uma grande flexibilidade de produção, abrindo a possibilidade de conversões futuras ou de um
investimento greenfield em novas máquinas.
No ano de 2021, foram atingidas vendas superiores a 40 milhões de euros para o setor de
embalagem, servindo indústrias transformadoras de sacos, embalagens flexíveis e cartão canelado.
O objetivo da Companhia é aumentar gradualmente a produção até atingir cerca de 200 mil
toneladas em 2025/2026. O Capex previsto nesta primeira fase para a produção destes produtos é
de cerca de 10-12 milhões de euros, por ano, nos próximos anos.
1.3. IMPACTOS DA PANDEMIA DE COVID-19
A Navigator tem continuado a acompanhar em permanência a evolução desta situação pública de
emergência sanitária, com atualizações constantes do seu plano de contingência de acordo com as
indicações da Direção-Geral da Saúde e do Governo.
Num contexto de grande adversidade, marcado pelo forte impacto da pandemia na procura dos seus
produtos, a Navigator evidenciou uma forte flexibilidade e resiliência no seu modelo de negócio,
ajustando-se de forma ágil às alterações de mercado e atuando significativamente em toda a sua
base de custos fixos e variáveis.
A Navigator continua a avaliar os potenciais impactos na sua posição financeira, na performance e
nos fluxos de caixa do Grupo decorrentes da queda da atividade económica em resultado pandemia
de Covid-19, designadamente os impactos nas estimativas e julgamentos contabilísticos relevantes.
Dessa análise não resultaram quaisquer indícios de imparidade.
Pressupostos atuariais
A Empresa avaliou a taxa de desconto aplicável ao plano de benefícios definidos para empregados e
outros benefícios pós-emprego. A definição da taxa utilizada para descontar as responsabilidades
(taxa de juro técnica) baseia-se em curvas de rentabilidade (yield) de obrigações com notação rating
elevado e com maturidade consistente com a duração das responsabilidades do plano. Decorrente
dessa avaliação e tendo por base o estudo atuarial a 31 de dezembro de 2021, a Navigator manteve
a taxa de desconto em 1,25%, em linha com as taxas de juro de referência. A Empresa apresenta
na Nota 7.2 uma análise de sensibilidade que permite avaliar o impacto de uma eventual alteração
da taxa de desconto.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 355
Inventários
Face aos impactos na procura, nomeadamente, ao nível do UWF, a Empresa considera que face às
margens praticadas durante a pandemia, o valor realizável líquido dos seus inventários é superior
ao valor contabilístico, tendo concluído que não são necessários quaisquer ajustamentos aos valores
escriturados.
Recuperabilidade de saldos de Clientes e de outros valores a receber
As perdas por imparidade são registadas com base no modelo simplificado previsto na IFRS 9
registando as perdas esperadas até à maturidade. Na Navigator, os impactos da IFRS 9 na
demonstração da posição financeira consolidada são reduzidos considerando que parte significativa
das suas vendas são seguradas ou devidamente colaterizadas.
Ainda assim, a Empresa avalia periodicamente as perdas com crédito esperadas e os impactos em
todos os ativos financeiros mensurados pelo custo amortizado. Neste sentido, a Empresa avaliou a
atual exposição ao risco de crédito e o eventual impacto das previsões económicas futuras, tendo
concluído que o impacto desta componente é reduzido.
Liquidez
A Empresa dispõe atualmente de uma situação de liquidez confortável, em resultado de um aumento
significativo das suas disponibilidades de curto prazo e de uma gestão criteriosa de fundo de maneio.
Importa destacar as seguintes medidas, principalmente em 2020:
• Para reforçar a posição financeira e de liquidez, foram realizadas várias operações de tomada
de fundos a curto prazo via papel comercial, que resultaram, na criação de uma rede de
segurança de liquidez, adequada ao contexto Covid-19 (Nota 5.7);
• Contenção do ritmo de implementação do plano de investimentos planeado;
• Implementação de um programa de confirming para estender os prazos de pagamento sem,
todavia, impactar os Fornecedores.
A Navigator tem trabalhado e continuará a trabalhar de forma exaustiva naquilo que está ao seu
alcance, nomeadamente ao nível do seu planeamento operacional e comercial, na sua eficiência de
custos, na alocação do seu cash flow e na gestão eficaz da sua liquidez para garantir a continuidade
das suas operações e a saúde dos seus Trabalhadores.
1.4. EVENTOS SUBSEQUENTES
1.4.1 Processo de Antidumping nos EUA: sunset review
Após um período de cinco anos desde o início do processo de anti-dumping, a Navigator solicitou
em 2021 um procedimento chamado “sunset review”, para reavaliar se o processo deveria ser
mantido ou descontinuado. As autoridades americanas efetuaram uma revisão completa do processo
anti-dumping sobre as importações de papel UWF para os Estados Unidos objeto da ordem original,
incluindo as importações provenientes de Portugal, tendo a Navigator participado ativamente no
processo.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 356
Em janeiro de 2022, as autoridades norte-americanas determinaram a continuação do processo de
anti-dumping por mais 5 anos, pese embora o continuado aumento de preços da Navigator no
mercado norte-americano e a redução de oferta nesse mercado por produtores locais.
1.4.1. ESG Risk Rating 2021 da Sustainalytics
Em janeiro de 2022, foi publicada a classificação anual da performance nas vertentes ESG
(ambiental, social e governança empresarial), tendo a Navigator obtido uma pontuação de 14,3,
posicionando-a em 3.º lugar, num total de 81 empresas globais que fazem parte do cluster de
indústrias Paper & Forestry, e em 3.º lugar no subconjunto de 60 sociedades globais que integram
o cluster Paper & Pulp. A avaliação e o bom posicionamento neste ranking espelham o trabalho
contínuo levado a cabo pela Empresa no sentido de integrar a sustentabilidade como prioridade no
seu modelo de negócio, demonstrando a sua capacidade de antecipar e gerir os riscos ESG na
condução das suas atividades.
1.4.3. Conflito militar na Ucrânia e sanções económicas à Federação Russa
Em 21 de fevereiro de 2022, a Federação Russa reconheceu oficialmente duas repúblicas
separatistas do leste da Ucrânia e autorizou o uso de forças militares nesse território. Em 24 de
fevereiro, as tropas russas invadiram a Ucrânia e iniciou-se um conflito militar generalizado neste
país que tem implicado elevadas perdas materiais e humanas, conduzindo a deslocações massivas
da população.
Em resposta, múltiplas jurisdições, onde se inclui, a União Europeia, Reino Unido, Suíça, Estados
Unidos da América, Canadá, Japão e a Austrália, condenaram este conflito e iniciaram a aplicação
de diversas sanções económicas à Rússia, a diversos dos seus agentes económicos e, em alguns
casos, à Bielorrússia.
Novas sanções podem ser implementadas no curto prazo e poderão abranger mais indivíduos,
entidades, uma maior abrangência de bens e serviços. Adicionalmente, a Rússia iniciou uma
retaliação também com medidas económicas, bem como, a nível internacional, um crescente número
de empresas anunciou medidas voluntárias de limitação dos negócios com a Rússia.
Neste sentido, a Navigator decidiu suspender a comercialização dos seus produtos nos mercados da
Rússia e da Bielorrússia e está a acompanhar e a monitorizar continuamente a situação ao nível dos
mercados onde atua geograficamente e em toda a cadeia de fornecimento – desde o abastecimento
de madeira, de energia, de matérias-primas e subsidiárias (incluindo as questões de logística), nos
serviços técnicos e de apoio prestados por empresas estrangeiras e nos prestadores de serviço em
regime de outsourcing, entre outros. A Empresa está convicta de que face ao peso dos mercados da
Rússia e Ucrânia nas vendas da Empresa, os quais representam menos de 1% com referência ao
período findo a 31 de dezembro de 2021, e o facto de estes mercados não afetarem diretamente a
cadeia de fornecimento, a exposição direta da Empresa aos mercados da Ucrânia e Rússia não é
significativa.
No que respeita ao contexto económico internacional, é expectável uma degradação do atual
enquadramento económico que se perspetiva de elevada incerteza e rápida evolução, pelo que não
é possível estimar com razoável grau de confiança os eventuais impactos, se alguns, na atividade
da Empresa. De acordo com as normas contabilísticas, estes eventos, ocorridos após a data do
balanço, foram considerados eventos subsequentes não ajustáveis, pelo que os pressupostos
considerados pelo Conselho de Administração para as avaliações de imparidade e recuperabilidade
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 357
do valor dos ativos da Empresa, à data de 31 de dezembro de 2021, não tomam em consideração o
potencial efeito dos mesmos.
1.5. BASES DE PREPARAÇÃO
1.5.1. Autorização para emissão das demonstrações financeiras
As presentes demonstrações financeiras foram aprovadas pelo Conselho de Administração e
autorizadas para emissão em 9 de março de 2022 estando, no entanto, ainda sujeitas a aprovação
pela Assembleia Geral de Acionistas, nos termos da legislação comercial em vigor em Portugal.
Os membros do Conselho de Administração que assinam o presente relatório, declaram que, tanto
quanto é do seu conhecimento, a informação nele constante foi elaborada em conformidade com o
referencial contabilístico aplicável, dando uma imagem verdadeira e apropriada do ativo e do
passivo, da situação financeira e dos resultados da entidade.
1.5.2. Referencial contabilístico
As demonstrações financeiras separadas do período findo em 31 de dezembro de 2021 foram
preparadas em conformidade com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), em vigor
em 1 de janeiro de 2021 e conforme adotadas pela União Europeia.
1.5.3. Moeda de apresentação e transações em moeda diferente da moeda
de apresentação
Os elementos incluídos nas Demonstrações Financeiras Separadas são mensurados utilizando a
moeda do ambiente económico em que a entidade opera (moeda funcional).
As presentes demonstrações financeiras encontram-se apresentadas em euros, sendo esta a moeda
funcional e de relato.
As transações em moedas diferentes do euro são transpostas para a moeda funcional utilizando as
taxas de câmbio à data das transações (Nota 8.1.1).
As diferenças de câmbio, originadas pelas diferenças entre as taxas de câmbio em vigor na data das
transações e as vigentes na data das cobranças, pagamentos ou à data da demonstração de posição
financeira separada, foram registadas como rendimentos e gastos do período (Nota 5.10).
Os montantes das rubricas de resultados das Empresas Subsidiárias foram transpostos usando as
taxas de câmbio em vigor à data das transações. Quando tal não acontece, ou quando o custo desse
procedimento ultrapassa os benefícios que dele se retirariam, foram transpostos ao câmbio médio
do período. As diferenças resultantes da aplicação destas taxas comparativamente aos valores
anteriores foram refletidas como componente separada do Capital Próprio, na rubrica Outras
reservas (Nota 5.5).
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 358
Taxas de câmbio utilizadas
31-12-2021 31-12-2020
Valorização /
(desvalorização)
GBP (libra esterlina)
Câmbio médio do exercício 0,86 0,89 3,38%
Câmbio de fim do exercício 0,84 0,90 6,53%
USD (dólar americano)
Câmbio médio do exercício 1,18 1,14 (3,55%)
Câmbio de fim do exercício 1,13 1,23 7,70%
PLN (zloti polaco)
Câmbio médio do exercício 4,57 4,44 (2,75%)
Câmbio de fim do exercício 4,60 4,56 (0,82%)
SEK (coroa sueca)
Câmbio médio do exercício 10,15 10,48 3,23%
Câmbio de fim do exercício 10,25 10,03 (2,15%)
CZK (coroa checa)
Câmbio médio do exercício 25,64 26,46 3,08%
Câmbio de fim do exercício 24,86 26,24 5,27%
CHF (franco suiço)
Câmbio médio do exercício 1,08 1,07 (0,99%)
Câmbio de fim do exercício 1,03 1,08 4,36%
AUD (dólar australiano)
Câmbio médio do exercício 1,57 1,65 4,83%
Câmbio de fim do exercício 1,56 1,59 1,77%
MZM (Moçambique Metical)
Câmbio médio do exercício 77,75 80,23 3,10%
Câmbio de fim do exercício 78,09 92,92 15,96%
MAD (Marrocos Dirham)
Câmbio médio do exercício 10,67 10,82 1,33%
Câmbio de fim do exercício 10,52 10,94 3,83%
NOK (Norway Kroner)
Câmbio médio do exercício 10,16 10,72 5,22%
Câmbio de fim do exercício 9,99 10,47 4,60%
MXN (peso mexicano)
Câmbio médio do exercício 23,99 24,52 2,18%
Câmbio de fim do exercício 23,14 24,42 5,21%
AED (Dirrã)
Câmbio médio do exercício 4,34 4,19 (3,54%)
Câmbio de fim do exercício 4,16 4,51 7,70%
ZAR (rand sul africano)
Câmbio médio do exercício 17,48 18,77 6,87%
Câmbio de fim do exercício 18,06 18,02 (0,23%)
RUB (rublos russos)
Câmbio médio do exercício 87,15 82,72 (5,35%)
Câmbio de fim do exercício 85,30 91,47 6,74%
BRL (real brasileiro)
Câmbio médio do exercício 6,38 5,89 (8,21%)
Câmbio de fim do exercício 6,31 6,37 0,99%
EGP (libra egípcia)
Câmbio médio do exercício 18,55 18,62 0,40%
Câmbio de fim do exercício 17,82 18,63 4,34%
TRY (lira turca)
Câmbio médio do exercício 10,51 8,05 (30,51%)
Câmbio de fim do exercício 15,23 9,11 (67,16%)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 359
1.5.4. Bases de mensuração
As demonstrações financeiras separadas anexas foram preparadas no pressuposto da continuidade
das operações, a partir dos livros e registos contabilísticos da Navigator, e tomando por base o custo
histórico, exceto para os instrumentos financeiros mensurados ao justo valor através de resultados
ou ao justo valor através de outro rendimento integral (Nota 8.3), nos quais se incluem os
instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2).
1.5.5. Comparabilidade
As presentes demonstrações financeiras são comparáveis em todos os seus aspetos materialmente
relevantes com as do ano anterior.
1.6. NOVAS NORMAS IFRS ADOTADAS E A ADOTAR
1.6.1. Outras normas, alterações e interpretações adotadas ou a adotar
Normas, alterações e interpretações adotadas em 2021
Sem impactos nas demonstrações financeiras
Alteração
Data de
aplicação
Normas e alterações endossadas pela União Europeia
Covid 19 – Concessões
de rendas - alteração à
IFRS 16
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Covid-19 – Concessões de rendas”,
que alterou a IFRS 16 Locações.
Se certas condições se verificarem, a alteração permite que os
arrendatários, como um expediente prático, não avaliem se
determinadas concessões de renda relacionadas com o Covid-19 são
modificações da locação. Em vez disso, os arrendatários que
apliquem o expediente prático deverão contabilizar essas concessões
de renda como se não fossem modificações da locação, de modo que,
por exemplo, o valor da renda perdoado em ou antes de 30 de junho
de 2021 é reconhecido no resultado no mesmo ano em que a
concessão é concedida, em vez de ser atribuída ao longo da duração
do contrato, como seria o caso se o expediente prático não fosse
permitido.
A alteração deverá ser aplicada para os períodos anuais com início
em ou após 1 de junho de 2020.
1 de junho
de 2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 360
Alteração
Data de
aplicação
Reforma do índice de
referência da taxa de
juro – Fase 2
(alterações à IFRS 9,
IAS 39, IFRS 7, IFRS 4
e IFRS 16)
Em agosto de 2020, o IASB emitiu a reforma de referência da taxa
de juros – Fase 2, que altera a IFRS 9 Instrumentos Financeiros, IAS
39 Instrumentos Financeiros: reconhecimento e mensuração, IFRS 7
Instrumentos Financeiros: Divulgações, IFRS 4 Contratos de Seguros
e IFRS 16 Locações.
O objetivo das alterações é o de ajudar as entidades a fornecer
informações úteis aos utilizadores das demonstrações financeiras e
apoiar os preparadores na aplicação das Normas IFRS quando são
feitas alterações nos fluxos de caixa contratuais ou relações de
cobertura, como resultado da transição de uma taxa de referência
IBOR para taxas de referência alternativas, no contexto da reforma
das taxas sem risco em curso (reforma do IBOR). As alterações são
o resultado da segunda fase do projeto do IASB que trata dos
impactos contabilísticos da reforma do IBOR, que originou a Reforma
do Referencial da Taxa de Juro (Alterações à IFRS 9, IAS 39 e IFRS
7) emitida pelo IASB em 26 de setembro 2019. Elas complementam
a primeira fase do projeto que tratou dos impactos contabilísticos de
pré-substituição da reforma do IBOR e que foram emitidos pelo IASB
em 2019.
As alterações devem ser aplicadas retrospetivamente para períodos
anuais com início em ou após 1 de janeiro de 2021.
1 de janeiro
de 2021
Extensão da isenção
temporária de
aplicação da IFRS 9
(alterações à IFRS 4)
O IASB emitiu a “Extensão da isenção temporária da aplicação da
IFRS 9 (alterações à IFRS 4) em 25 de junho de 2020.
O objetivo das alterações é estender a data de expiração da isenção
temporária da aplicação da IFRS 9 em dois anos (ou seja, de 2021
pra 2023), a fim de alinhar as datas de vigência da IFRS 9
Instrumentos Financeiros com a IFRS 17 Contratos de Seguros.
1 de janeiro
de 2021
Normas, alterações e interpretações a adotar em períodos posteriores
Sem impactos nas demonstrações financeiras
Alteração
Data de
aplicação
Normas e alterações endossadas pela União Europeia que a Empresa optou pela não
aplicação antecipada
Referências à Estrutura
Conceptual (alterações
à IFRS 3)
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Referências à Estrutura
Conceptual”, alterando a IFRS 3 Concentração de Negócios.
As alterações atualizaram a IFRS 3, substituindo a referência a uma
versão antiga da Estrutura Conceptual por uma referência à versão
mais recente, que foi emitida em março de 2018.
As alterações devem ser aplicadas a concentrações de negócios para
as quais a data de aquisição é no ou após o início do primeiro período
de relatório anual com início em ou após 1 de janeiro de 2022. A
aplicação antecipada é permitida se, ao mesmo tempo ou antes, uma
entidade também aplicar todas as alterações feitas em “Alterações
às referências à Estrutura Conceptual nas normas IFRS”, emitidas
em março de 2018.
1 de janeiro
de 2022
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 361
Alteração
Data de
aplicação
Ativos fixos tangíveis -
Receitas antes do uso
pretendido, alterações
à IAS 16 Ativos fixos
tangíveis
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Ativos fixos tangíveis - Receitas
antes do Uso Pretendido”, que alterou a IAS 16 Ativos fixos tangíveis.
As alterações proíbem a dedução ao custo de um item do
imobilizado, de qualquer receita da venda de itens produzidos ao
trazer esse ativo para o local e condição necessários para que seja
capaz de operar da forma pretendida pela administração. Em vez
disso, a entidade deverá reconhecer em resultados essas receitas de
vendas.
As alterações devem ser aplicadas retrospetivamente para períodos
anuais iniciados em ou após 1 de janeiro de 2022, com aplicação
antecipada permitida.
1 de janeiro
de 2022
Contratos Onerosos -
Custo de cumprir
um contrato
Em maio de 2020, o IASB emitiu “Contratos Onerosos - Custo de
cumprir um contrato”, que alterou a IAS 37 Provisões, Passivos
Contingentes e Ativos Contingentes.
O objetivo das alterações é o de esclarecer os requisitos da IAS 37
sobre contratos onerosos no que diz respeito à avaliação se, num
contrato, os custos inevitáveis de cumprir as obrigações decorrentes
do contrato excedem os benefícios económicos que se esperam
receber do mesmo.
As alterações devem ser aplicadas para períodos anuais iniciados em
ou após 1 de janeiro de 2022, sendo permitida a sua aplicação
antecipada.
1 de janeiro
de 2022
Melhoramentos do ciclo
2018-2020
Em 14 de maio de 2020, o IASB emitiu melhoramentos às normas
IFRS 2018–2020 contendo as seguintes alterações às IFRSs:
(a) permitir que uma entidade, enquanto subsidiária, associada ou
joint venture, que adota as IFRS pela primeira vez depois da sua
controladora e opta por aplicar o parágrafo D16 (a) da IFRS 1 Adoção
pela Primeira Vez das Normas Internacionais de Relatório Financeiro,
possa mensurar as diferenças de conversão cumulativas usando os
valores relatados pela controladora, com base na respetiva data de
transição para as IFRS;
(b) esclarecer que a referência às taxas no teste de 10 por cento
inclui apenas taxas pagas ou recebidas entre o mutuário e o credor,
incluindo taxas pagas ou recebidas pelo mutuário ou pelo credor em
nome do outro (IFRS 9);
(c) remover a confusão potencial em relação ao tratamento de
incentivos de locação aplicando a IFRS 16 Locações, conforme
ilustrado no Exemplo Ilustrativo 13 que acompanha a IFRS 16; e
(d) remover o requisito do parágrafo 22 da IAS 41 Agricultura para
que as entidades excluam fluxos de caixa para tributação ao
mensurar o justo valor aplicando a IAS 41.
As alterações serão aplicadas para períodos anuais que iniciem em
ou após 1 de janeiro de 2022, com aplicação antecipada permitida.
1 de janeiro
de 2022
Clarificação
dos requisitos
de classificação
de passivos
como corrente
ou não corrente
(alterações à IAS 1 –
Apresentação das
Demonstrações
Financeiras)
O IASB emitiu, em 23 de janeiro de 2020, uma alteração à IAS 1
Apresentação das Demonstrações Financeiras para clarificar como
classificar dívida e outros passivos como corrente e não corrente.
As alterações esclarecem um critério da IAS 1 para classificar um
passivo como não corrente: a exigência de uma entidade ter o direito
de diferir a liquidação do passivo por pelo menos 12 meses após o
período de relatório.
As alterações visam:
a. especificar que o direito de uma entidade de diferir a
liquidação deve existir no final do período de relatório;
b. esclarecer que a classificação não é afetada pelas intenções
ou expectativas da administração sobre se a entidade
exercerá seu direito de adiar a liquidação;
c. esclarecer como as condições de empréstimo afetam a
classificação; e
d. esclarecer os requisitos para classificar passivos que uma
entidade irá liquidar, ou possa liquidar, através da emissão
dos seus próprios instrumentos patrimoniais.
Esta alteração é efetiva para períodos após 1 de janeiro de 2023.
1 de janeiro
de 2023
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 362
Alteração
Data de
aplicação
Divulgação de políticas
contabilísticas
(alterações à IAS 1 –
Apresentação
das demonstrações
financeiras e IFRS
Practice Statement 2)
Na sequência de feedback obtido sobre a necessidade de existir mais
orientação que ajude as empresas a decidir sobre que informação
divulgar relativamente às políticas contabilísticas, o IASB emitiu, em
12 de fevereiro de 2021, alterações à IAS 1 – Apresentação das
demonstrações financeiras e à IFRS Practice Statement 2 – Fazendo
julgamentos de materialidade.
As principais alterações à IAS 1 incluem: i) exigir que as entidades
divulguem informação relativa a políticas contabilísticas materiais
em vez de políticas contabilísticas significativas; ii) esclarecer que as
políticas contabilísticas relacionadas com transações imateriais são
igualmente imateriais e, como tal, não precisam de ser divulgadas;
e iii) esclarecer que nem todas as políticas contabilísticas
relacionadas com transações materiais são, elas mesmas, materiais
para as demonstrações financeiras de uma entidade.
O IASB também alterou a IFRS Practice Statement 2 para incluir
orientações e dois exemplos adicionais na aplicação de materialidade
às divulgações de políticas contabilísticas. Estas alterações são
consistentes com a definição revista de material:
“A informação relativa a políticas contabilísticas é material se,
quando considerada em conjunto com outras informações incluídas
nas demonstrações financeiras de uma entidade, é razoavelmente
esperado que influencie as decisões que os principais utilizadores das
demonstrações financeiras de uma forma geral tomem com base
nessas demonstrações financeiras.”
As alterações entram em vigor a partir de 1 de janeiro de 2023, mas
a sua aplicação antecipada é permitida.
1 de janeiro
de 2023
Normas e alterações ainda não endossadas pela União Europeia
Alterações à IAS 8
Políticas
Contabilísticas,
Alterações nas
Estimativas
Contabilísticas e Erros:
Definição de
Estimativas
Contabilísticas
O IASB emitiu alterações à IAS 8 Políticas Contabilísticas, Alterações
nas Estimativas Contabilísticas e Erros para clarificar como as
entidades devem distinguir as alterações nas políticas contabilísticas
das alterações nas estimativas contabilísticas, com foco principal na
definição e esclarecimentos sobre as estimativas contabilísticas.
As alterações introduzem uma nova definição para estimativas
contabilísticas: clarificando que são valores monetários nas
demonstrações financeiras que estão sujeitos à incerteza de
mensuração.
As alterações também clarificam a relação entre as políticas
contabilísticas e as estimativas contabilísticas, especificando que
uma entidade desenvolve uma estimativa contabilística para atingir
o objetivo estabelecido por uma política contabilística. Os efeitos das
alterações em tais dados ou técnicas de mensuração são alterações
nas estimativas contabilísticas.
As alterações são efetivas para períodos com início em ou após 1 de
janeiro de 2023, com aplicação antecipada permitida, e serão
aplicadas prospectivamente às alterações nas estimativas
contabilísticas e alterações nas políticas contabilísticas ocorridas no
ou após o início do primeiro período de relatório anual ao qual a
entidade aplica as alterações.
1 de janeiro
de 2023
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 363
Alteração
Data de
aplicação
Alterações à IAS 12:
imposto diferido
relacionado com ativos
e passivos decorrentes
de uma única
transação
O IASB emitiu alterações à IAS 12 - 'Impostos sobre o Rendimento',
em 7 de maio de 2021.
As alterações exigem que as empresas reconheçam impostos
diferidos sobre as transações que, no reconhecimento inicial, dão
origem a montantes iguais de diferenças temporárias tributáveis e
dedutíveis.
Em determinadas circunstâncias, as empresas estão isentas de
reconhecer impostos diferidos quando reconhecem ativos ou
passivos pela primeira vez. Anteriormente, havia alguma incerteza
sobre se a isenção se aplicava a transações como locações e
provisões para desmantelamento, isto é, transações no âmbito das
quais as empresas reconhecem um ativo e um passivo. As alterações
esclarecem que a isenção não se aplica a este tipo de transações e
que as empresas são obrigadas a reconhecer impostos diferidos. O
objetivo das alterações é reduzir a diversidade na divulgação de
impostos diferidos sobre locações e provisões para
desmantelamento.
As alterações entram em vigor para os períodos anuais com início
em ou após 1 de janeiro de 2023. A aplicação antecipada é permitida.
1 de janeiro
de 2023
IFRS 17 – Contratos de
Seguros
O IASB emitiu em 18 de maio de 2017 uma norma que veio substituir
a IFRS 4 e reformar por completo o tratamento a dar aos contratos
de seguro. A norma introduz alterações significativas à forma como
é mensurado e apresentada a performance dos contratos de seguro
com diversos impactos também ao nível da posição financeira. A
norma prevê a sua aplicação para os exercícios que se iniciem em ou
após 1 de janeiro de 2023.
1 de janeiro
de 2023
1.7. ESTIMATIVAS E JULGAMENTOS CONTABILÍSTICOS RELEVANTES
A preparação de demonstrações financeiras separadas exige que a gestão da Empresa efetue
estimativas e julgamentos que afetam os montantes de rendimentos, gastos, ativos, passivos e
divulgações à data da posição financeira. Para o efeito, a gestão da Empresa baseia-se:
(i) na melhor informação e conhecimento de eventos presentes e em alguns casos em relatos
de peritos independentes, e
(ii) nas ações que a Empresa considera poder vir a desenvolver no futuro.
Na data de concretização das operações, os seus resultados poderão ser diferentes destas
estimativas.
Estimativas e julgamentos mais significativos
As estimativas e os pressupostos que apresentam um risco significativo de originar um ajustamento
material no valor contabilístico dos ativos e passivos, no exercício seguinte, são apresentadas
abaixo:
Estimativas e julgamentos
Notas
Incerteza quanto aos tratamentos do imposto
sobre o rendimento
6.1 - Imposto sobre o rendimento do período
6.2 - Impostos diferidos
Reconhecimento de provisões
9.1 - Provisões
Valorização das Participações Financeiras
10.1 – Investimentos em subsidiárias
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 364
2. PERFORMANCE OPERACIONAL
2.1. RÉDITO E RELATO POR SEGMENTOS
Políticas contabilísticas
No contexto do Grupo Navigator, a Empresa exerce atividade enquanto comercializadora dos
produtos do Grupo, e abastecedora da generalidade das matérias-primas do Grupo.
Na preparação das demonstrações financeiras separadas, as políticas contabilísticas da Empresa nas
áreas do rédito e relato por segmentos são consistentes com as políticas aplicadas nas
demonstrações financeiras consolidadas, conforme descrito abaixo.
Áreas de negócio do Grupo Navigator
A principal atividade do Grupo Navigator consiste na produção e comercialização de papel fino de
impressão e escrita (UWF) e de papel de uso doméstico (tissue), bem como pasta de papel, estando
presente de forma relevante em toda a cadeia de valor, desde a investigação e desenvolvimento à
produção florestal, aquisição e venda de madeiras, produção de pasta branqueada de eucalipto –
pasta BEKP – e produção de energia térmica e elétrica, bem como a respetiva comercialização.
O Grupo Navigator dispõe de quatro complexos industriais, dois dos quais localizados na Figueira da
Foz e em Setúbal onde produz pasta BEKP, energia elétrica e papel UWF. Dispõe ainda de um outro
complexo industrial localizado em Aveiro onde produz pasta BEKP, energia e papel tissue, e de outro
em Vila Velha de Ródão onde produz papel tissue.
A produção própria de madeira e cortiça é efetuada em plantações florestais em terrenos de
subsidiárias e arrendados situados em Portugal e Espanha, bem como em terrenos concessionados
situados em Moçambique. A cortiça e a madeira de pinho produzidas são vendidas a terceiros,
enquanto a madeira de eucalipto é essencialmente consumida na produção de pasta BEKP.
Na produção de UWF e de tissue é consumida uma parte significativa da produção própria de pasta
BEKP. As vendas de pasta BEKP, papel UWF e papel tissue – destinam-se a mais de 130 países e
territórios em todo o mundo.
A produção de energia é efetuada principalmente a partir de biomassa, através de 3 centrais de
cogeração, integradas na produção de pasta, produzindo-se vapor e eletricidade, sendo o primeiro
consumido internamente e a segunda maioritariamente vendida à rede nacional de energia. O Grupo
Navigator possui ainda duas centrais de cogeração a gás natural, integradas na produção de papel
na Figueira da Foz e em Setúbal, e duas centrais independentes, alimentadas a biomassa, sendo
que a produção das duas últimas é toda vendida à rede nacional de energia. Possui ainda três
centrais fotovoltaicas para autoconsumo.
Relato por segmentos
A Empresa considera um segmento operacional, ao abrigo da IFRS 8, como uma componente da
Empresa que desenvolve atividades de negócio, da qual pode obter réditos e incorrer em gastos,
cujos resultados operacionais são regularmente revistos pela Comissão Executiva, a qual é a
principal responsável pela tomada de decisões operacionais para efeitos da tomada de decisões
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 365
sobre a imputação de recursos ao segmento e da avaliação do seu desempenho e relativamente à
qual esteja disponível informação financeira distinta.
A informação utilizada no relato por segmentos corresponde à informação financeira preparada pela
Empresa.
Pese embora o Grupo tenha definido um conjunto de segmentos, a Navigator tem a seu cargo apenas
as atividades de comercialização de produtos produzidos pelas subsidiárias e a gestão das referidas
subsidiárias. Deste modo, considera-se que toda a atividade da Empresa se enquadra em apenas
um segmento, pelo que a desagregação não é feita.
Rédito
O rédito é apresentado desagregando por bens e serviços comercializados e por área geográfica,
com base no país de destino dos bens e serviços vendidos pela Empresa.
Os contratos comerciais com Clientes referem-se essencialmente à venda de produtos como papel
tissue e pasta, e numa extensão limitada ao transporte inerente a esses produtos, quando aplicável.
O reconhecimento de rédito em cada segmento operacional descreve-se como segue:
Pasta BEKP
O rédito da pasta resulta das vendas efetuadas a subsidiárias da Empresa e a produtores
internacionais de papel e de décor. O rédito é reconhecido num momento específico pelo
montante da obrigação de performance satisfeita, correspondendo o preço da transação a
uma quantia fixa faturada em função das quantidades vendidas, deduzida de descontos de
pronto pagamento e descontos de quantidade, que são determináveis com fiabilidade. Na
vertente da exportação, a transferência de controlo dos produtos ocorre na sua generalidade
quando os produtos passam para o controlo do cliente, conforme os Incoterms negociados.
A Empresa é exclusivamente responsável pela venda da pasta BEKP produzida por empresas
do Grupo Navigator, destinada à comercialização ao mercado e às empresas produtoras de
papel UWF e tissue do Grupo.
UWF
O rédito de papel, refere-se às vendas efetuadas a Clientes de retalho (B2C) ou Distribuidores
comerciais (B2B) os quais incluem grandes distribuidores, grossistas ou operadores
comerciais, além de produtores e transformadores de produtos de papel. O rédito é
reconhecido num momento específico, a data da entrega do produto ao cliente, quando ocorre
a transferência de controlo, pelo montante da obrigação de performance satisfeita, sendo que
o preço da transação corresponde a uma quantia fixa faturada em função das quantidades
vendidas, deduzida de descontos de pronto pagamento e descontos de quantidade, que são
determináveis com fiabilidade.
Tissue
O rédito de tissue resulta das vendas de papel tissue produzido para a marca própria de redes
de retalho nacionais e internacionais. O rédito é reconhecido num momento específico, pelo
montante da obrigação de performance satisfeita, sendo que o preço da transação
corresponde a uma quantia fixa faturada em função das quantidades vendidas, deduzida de
descontos de pronto pagamento e descontos de quantidade, que são determinados com
fiabilidade. O rédito é reconhecido contra a entrega do produto, data em que se considera
existir a transferência do controlo sobre o produto.
Operações
de central
de compras
O rédito de mercadorias adquiridas a produtores e distribuidores, tendo em vista o
abastecimento de fábricas do Grupo que as utilizam como matérias-primas para
transformação, é reconhecido na data da entrega do produto ao cliente, pelo montante da
obrigação de performance satisfeita, sendo que o preço da transação corresponde a uma
quantia fixa faturada em função das quantidades vendidas determinável com fiabilidade.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 366
Detalhe do Rédito por Grupos de materiais/serviços e áreas geográficas
Durante os exercícios findos em 31 de dezembro de 2021 e 2020, o rédito proveniente de vendas
de bens e prestação de serviços detalha-se como segue:
Em 2021, a Empresa registou uma evolução positiva do volume de negócios, tendo o ano ficado
marcado pelo aumento da procura de UWF, particularmente na Europa, depois de um ano de queda
expressiva no consumo global de papel em resultado da pandemia de Covid-19.
Ao longo de 2021, além ao crescimento de volumes de venda de papel, foram realizados aumentos
sucessivos de preços de UWF, pasta e tissue, a par com otimização expressiva do mix de vendas.
2.2. OUTROS RENDIMENTOS E GANHOS OPERACIONAIS
Nos períodos findos em 31 de dezembro de 2021 e 2020, a rubrica de Outros rendimentos e ganhos
operacionais decompõe-se como segue:
2021 2020
Vendas
Papel UWF
Portugal 61.336.753 55.989.503
Resto da Europa 663.878.514 593.330.391
Estados Unidos da América 104.965.167 105.164.626
Resto do mundo 292.813.637 205.807.035
1.122.994.072 960.291.555
Papel Tissue
Portugal 62.471.134 59.340.330
Resto da Europa 84.523.982 80.583.066
Resto do mundo 5.960.980 8.065.349
152.956.096 147.988.744
Pasta BEKP para mercado
Portugal 2.857.768 4.058.511
Resto da Europa 134.392.260 92.978.608
Resto do mundo 32.545.863 61.302.006
169.795.892 158.339.125
Pasta BEKP para abastecimento de subsidiárias
Portugal 568.118.228 341.144.548
568.118.228 341.144.548
Vendas de mercadorias - subsidiárias 276.315.409 240.731.971
Total das vendas 2.290.179.696 1.848.495.943
Prestações de serviços
Serviços de gestão e administração de subsidiárias 76.767.926 37.567.125
Total das prestações de serviços 76.767.926 37.567.125
Total dos réditos 2.366.947.621 1.886.063.068
Valores em Euros
2021 2020
Ganhos na alienação de ativos intangíveis - Licenças de emissão de CO2 - Partes relacionadas - 980.000
Ganhos em inventários 491.339 497.791
Indemnizações por sinistros 272.689 475.800
Descontos obtidos em compras 475.599 323.360
Subsídios à exploração 48.866 47.956
Venda de materiais diversos e serviços prestados - 33.520
Reversão de imparidades em dividas a receber 44.011 27.950
Outros rendimentos operacionais 758.299 1.272.828
2.090.803 3.659.206
Valores em Euros
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 367
Políticas contabilísticas
Subsídios à exploração
Os subsídios do Governo só são reconhecidos após existir segurança de que a Empresa cumprirá as
condições inerentes aos mesmos e que os subsídios serão recebidos. Os subsídios à exploração,
recebidos com o objetivo de compensar a Empresa por custos incorridos, são registados na
demonstração dos resultados de forma sistemática durante os períodos em que são reconhecidos os
custos que aqueles subsídios visam compensar.
Subsídios – Licenças de emissão de CO
2
Os subsídios relativos a licenças de emissão de CO
2
são reconhecidos como rendimento diferido
(Nota 4.3) e são registados na demonstração dos resultados de forma sistemática durante os
períodos em que são reconhecidos os gastos que aqueles subsídios visam compensar.
2.3. GASTOS E PERDAS OPERACIONAIS
2021 2020
Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas (Nota 4.1.2) 2.103.980.956 1.684.534.452
Fornecimentos e serviços externos
Transporte de mercadorias 137.488.303 99.732.257
Serviços especializados 65.028.640 56.980.835
Royalties 9.064.427 8.651.406
Comissões 4.664.334 2.394.061
Seguros 1.246.160 1.780.739
Rendas e alugueres 1.099.970 725.491
Honorários 592.277 820.504
Publicidade e propaganda 730.259 651.847
Deslocações e estadas 662.619 550.668
Comunicações 254.003 309.302
Materiais 74.122 164.537
Energia e fluídos 91.927 108.957
Subcontratos 30.453 91.915
Conservação e reparação 40.024 26.356
Outros 82.900 239.405
221.150.420 173.228.279
Gastos com o pessoal (Nota 7.1) 11.092.252 7.364.418
Outros gastos e perdas operacionais
Donativos 252.905 397.220
Quotizações 272.893 311.478
Impostos indiretos 133.681 211.956
Outras perdas em inventários (Nota 4.1) 792.470 -
Imparidades em inventários (Nota 4.1.3) 1.988.828 -
Descontos de pronto pagamento concedidos 240.275 163.658
Perdas na alienação de ativos não correntes 654.801 5.068
Imparidades em contas a receber (Nota 4.1.3) 127.605 249.846
Outros gastos operacionais 1.265.918 34.718
5.729.375 1.373.943
Provisões líquidas (Nota 9.1) 1.138.500 2.013.378
Total dos Gastos e perdas operacionais 2.341.953.003 1.866.501.093
Valores em Euros
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 368
O aumento generalizado nos custos suportados pela Empresa é explicado, em grande medida, pelo
aumento das vendas em 2021, após um ano de 2020 marcado pelo forte impacto da pandemia na
procura, que levou a Navigator a implementar diversas medidas de redução de custos.
A retoma económica que potenciou a recuperação do consumo de papel, com impacto positivo nas
quantidades vendidas pela Empresa, explica, assim, o aumento dos custos das mercadorias
vendidas, assim como das rubricas de Transporte de mercadorias, Royalties e Comissões.
O aumento dos custos logísticos decorre também dos atuais constrangimentos logísticos (escassez
de transporte e subida expressiva do custo dos fretes) que estão a afetar de forma transversal a
economia. Não obstante a Navigator conseguiu manter a sua atividade a 100%, sem qualquer
disrupção de fornecimentos.
Honorários faturados por serviços de revisão legal de contas e auditoria
Os serviços indicados como “Outros serviços de garantia de fiabilidade” dizem respeito a emissão de
relatórios sobre informação financeira, serviços de verificação da Informação de Sustentabilidade e
revisão limitada ao balanço intercalar para efeito de distribuição antecipada de dividendos. Os Outros
serviços referem-se a um trabalho de Due Diligence de demonstrações financeiras.
O Conselho de Administração entende existirem suficientes procedimentos de salvaguarda da
independência dos auditores através dos processos de análise do Conselho Fiscal, dos trabalhos
propostos e da sua definição criteriosa em sede de contratação.
Gastos do
período
Honorários
faturados
Gastos do
período
Honorários
faturados
KPMG (SROC) e outras entidades pertencetes à mesma rede
Serviços de revisão legal de contas e auditoria 104.746 128.838 125.140 81.183
Outros serviços de garantia de fiabilidade 87.875 108.086 - -
Outros serviços 72.250 88.868 - -
264.871 325.791 125.140 81.183
Valores em Euros
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 369
3. INVESTIMENTOS
3.1. ATIVOS INTANGÍVEIS
Movimentos em ativos intangíveis
Licenças de CO
2
O saldo a 31 de dezembro de 2020 correspondia a 263.750 licenças de emissão de CO2 adquiridas
através de contratação de forwards em 2020, às quais acresciam 31.250 licenças adquiridas
diretamente no mercado spot.
Licenças de CO
2
– movimentos do período
Políticas contabilísticas
Os ativos intangíveis encontram-se registados ao custo de aquisição deduzido das respetivas
amortizações e de perdas por imparidade.
Valores em Euros
Licenças de
Emissão de CO2
Total
Valor bruto
Saldo a 1 de janeiro de 2020 550.000 550.000
Aquisições 6.636.500 6.636.500
Alienações (550.000) (550.000)
Saldo a 31 de dezembro de 2020 6.636.500 6.636.500
Aquisições - -
Alienações (6.636.500) (6.636.500)
Saldo a 31 de dezembro de 2021 - -
Amortizações e perdas por imparidade acumuladas
Saldo a 1 de janeiro de 2020 - -
Saldo a 31 de dezembro de 2020 - -
Saldo a 31 de dezembro de 2021 - -
Saldo a 1 de janeiro de 2020 550.000 550.000
Saldo a 31 de dezembro de 2020 6.636.500 6.636.500
Saldo a 31 de dezembro de 2021 - -
31-12-2021 31-12-2020
Licenças CO2 (unidades) - 295.000
Valor unitário médio - 5,50
Cotação de mercado n.a. 32,72
Valores em Euros Toneladas Valor Toneladas Valor
Saldo inicial 295.000 6.636.500 100.000 550.000
Licenças adquiridas - - 295.000 6.636.500
Licenças alienadas (Nota 2.2) (295.000) (6.636.500) (100.000) (550.000)
Saldo final - - 295.000 6.636.500
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 370
O Grupo procede a testes de imparidade sempre que eventos ou circunstâncias indiciam que o valor
contabilístico excede o valor recuperável, sendo a diferença, caso exista, reconhecida em resultados.
Direitos de emissão de CO
2
As licenças de emissão de CO
2
atribuídas ao Grupo, no âmbito do regime CELE – Comércio Europeu
de Licenças de Emissão de gases com efeito de estufa, a título gratuito, dão origem a um ativo
intangível correspondente às licenças atribuídas, um subsídio do Governo de igual montante e um
passivo pela obrigação de entregar as licenças equivalentes aos consumos durante o período.
As licenças de emissão só são registadas enquanto ativos intangíveis quando o Grupo é capaz de
exercer controlo, e são mensurados pelo seu justo valor (nível 1) na data do reconhecimento inicial.
Se o valor de mercado das licenças cai significativamente abaixo do valor contabilístico e a
diminuição é considerada permanente, é registada uma perda por imparidade sobre as licenças que
o Grupo não vai utilizar nas suas operações.
3.2. ATIVOS FIXOS TANGÍVEIS
Movimentos em ativos fixos tangíveis
Políticas contabilísticas
Reconhecimento e mensuração inicial
Os ativos fixos tangíveis adquiridos até 1 de janeiro de 2004 (data de transição para IFRS),
encontram-se registados ao custo de aquisição, ou custo de aquisição reavaliado de acordo com os
princípios contabilísticos geralmente aceites em Portugal até àquela data, deduzido das amortizações
e das perdas por imparidade acumuladas.
Os ativos fixos tangíveis adquiridos posteriormente à data de transição são apresentados ao custo
de aquisição deduzido de depreciações e perdas por imparidade.
Depreciações e imparidade
É utilizado o método das quotas constantes, a partir do momento em que o bem se encontra
disponível para uso, utilizando-se as taxas que melhor refletem a sua vida útil estimada.
Equipamento Equipamento Equipamento
Valores em Euros
básico de transporte administrativo
Valor bruto
Saldo em 1 de janeiro de 2020 12.872 693.726 1.394.763 4.386.921 11.799.251 14.988.161 - 33.275.695
Aquisições - - - - - - 15.028 15.028
Alienações - - - (30.050) - - - (30.050)
Saldo em 31 de dezembro de 2020 12.872 693.726 1.394.763 4.356.871 11.799.251 14.988.161 15.028 33.260.672
Aquisições - - - - - - - -
Alienações - - (2.085) (300.102) (3.680.850) (4.456.558) - (8.439.596)
Saldo em 31 de dezembro de 2021 12.872 693.726 1.392.678 4.056.768 8.118.401 10.531.603 15.028 24.821.076
Depreciações e perdas por imparidade acumuladas
Saldo em 1 de janeiro de 2020 - (33.190) (1.339.204) (4.200.225) (11.398.866) (14.508.535) - (31.480.020)
Depreciações do período (Nota 3.4) - (14.791) (14.932) (15.667) (46.236) (48.790) - (140.415)
Alienações - - - 24.982 - - - 24.982
Saldo em 31 de dezembro de 2020 - (47.981) (1.354.136) (4.190.910) (11.445.102) (14.557.325) - (31.595.453)
Depreciações do período (Nota 3.4) - (14.791) (14.808) (13.987) (24.247) (21.490) - (89.322)
Alienações - - 844 275.728 3.425.939 4.069.693 - 7.772.204
Saldo em 31 de dezembro de 2021 - (62.772) (1.368.100) (3.929.168) (8.043.410) (10.509.121) - (23.912.572)
Saldo em 1 de janeiro de 2020 12.872 660.536 55.558 186.697 400.384 479.626 - 1.795.674
Saldo em 31 de dezembro de 2020 12.872 645.745 40.627 165.961 354.149 430.837 15.028 1.665.219
Saldo em 31 de dezembro de 2021 12.872 630.954 24.578 127.600 74.991 22.482 15.028 908.505
Terrenos
Edifícios e
outras
construções
Outros Ativos
fixos tangíveis
Ativos fixos
tangíveis em
curso
Total
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 371
Os valores residuais dos ativos e as respetivas vidas úteis são revistos e ajustados, se necessário,
na data da Posição financeira consolidada. Se a quantia escriturada é superior ao valor recuperável
do ativo, procede-se ao seu reajustamento para o valor recuperável estimado mediante o registo de
perdas por imparidade.
Custos subsequentes
Os gastos com manutenção programada são considerados como uma componente do custo de
aquisição do ativo fixo tangível, sendo depreciados integralmente até à data prevista da próxima
manutenção.
Os demais dispêndios com reparações e manutenção são reconhecidos como um gasto no período
em que são incorridos.
Abates e alienações
Os ganhos ou perdas provenientes do abate ou alienação são determinados pela diferença entre os
recebimentos das alienações quando aplicável deduzido dos custos de transação e a quantia
escriturada do ativo, e são reconhecidos na demonstração dos resultados, como Outros rendimentos
e ganhos operacionais (Nota 2.2) ou Gastos e perdas operacionais (Nota 2.3).
Anos médios de vida útil
Edifícios e outras construções 12 – 30
Equipamento básico 6 – 25
Equipamento de transporte 4 – 9
Equipamento administrativo 4 – 8
Outros ativos fixos tangíveis 4 – 10
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 372
3.3. ATIVOS SOB DIREITO DE USO
Movimentos em ativos sob direito de uso
A rubrica Edifícios corresponde ao contrato de arrendamento celebrado entre a The Navigator Company, S.A. e
a Refundos – Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário, S.A. relativo ao edifício situado na
Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, para utilização como escritório.
Políticas contabilísticas
Na data da entrada em vigor da locação, a Empresa reconhece um ativo sob direito de uso pelo valor
do seu custo o qual corresponde ao montante inicial do passivo da locação ajustado de: i) quaisquer
pagamentos antecipados; ii) incentivos à locação recebidos; e iii) custos diretos iniciais incorridos.
Ao ativo sob direito de uso, poderá acrescer a estimativa de remover e/ou restaurar o ativo
subjacente e/ou o local onde se situa, quando exigido pelo contrato de locação.
O ativo sob direito de uso é subsequentemente depreciado usando o método linear a partir da data
de entrada em vigor até ao menor entre o final da vida útil do ativo e o termo da locação.
Adicionalmente, o ativo sob direito de uso é reduzido de perdas por imparidade, se existirem, e
ajustado por eventuais remensurações do passivo de locação. A vida útil considerada para cada
classe de ativos sob direito de uso é igual à vida útil dos ativos fixos tangíveis (Nota 3.2) na mesma
classe quando existe opção de compra e a Empresa espera exercê-la.
Locações de curta duração e locações de ativos de valor reduzido
A Empresa reconhece os pagamentos de locações por períodos iguais ou inferiores a 12 meses e de
locações de ativos cujo valor de aquisição individual seja inferior a USD $5.000 diretamente como
gastos operacionais do período (Nota 2.3), numa base linear.
Valores em Euros
Edifícios Viaturas Total
Valor bruto
Saldo em 1 de janeiro de 2020 4.173.841 26.983 4.200.825
Aquisições 103.667 - 103.667
Regularizações, transferências e abates - 12.685 12.685
Saldo em 31 de dezembro de 2020 4.277.508 39.668 4.317.176
Aquisições - - -
Regularizações, transferências e abates - 4.645 4.645
Saldo em 31 de dezembro de 2021 4.277.508 44.313 4.321.821
Depreciações e perdas por imparidade acumuladas -
Saldo em 1 de janeiro de 2020 (495.902) (12.530) (508.432)
Depreciações do período (Nota 3.4) (508.928) (13.002) (521.929)
Saldo em 31 de dezembro de 2020 (1.004.830) (25.531) (1.030.361)
Depreciações do período (Nota 3.4) (510.028) (12.773) (522.801)
Saldo em 31 de dezembro de 2021 (1.514.857) (38.305) (1.553.162)
Saldo em 1 de janeiro de 2020 3.677.939 14.454 3.692.393
Saldo em 31 de dezembro de 2020 3.272.678 14.137 3.286.815
Saldo em 31 de dezembro de 2021 2.762.651 6.008 2.768.659
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 373
3.4. DEPRECIAÇÕES, AMORTIZAÇÕES E PERDAS POR IMPARIDADE
Valores em Euros
2021 2020
Depreciações de ativos fixos tangíveis do período (Nota 3.2) 89.322 140.415
Utilização de subsídios ao investimento (1.038) (1.074)
Depreciações de ativos fixos tangíveis, líquidos de subsídios utilizados 88.284 139.342
Depreciações de ativos de direito de uso do período (Nota 3.3) 522.801 521.929
611.085 661.271
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 374
4. FUNDO DE MANEIO
4.1. INVENTÁRIOS
4.1.1. Inventários – detalhe por natureza
Valores líquidos de perdas por imparidade acumuladas
Inventários – distribuição por área geográfica
Os inventários da Empresa incluem 10.352.819 euros (2020: €8.612.930) relativos a papel UWF e
papel tissue cujas faturas já foram emitidas, mas cujo controlo não foi transferido para os Clientes.
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, não existem inventários cuja posse seja restrita e/ou
penhoradas como garantia de passivos.
4.1.2. Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas no período
Custos das mercadorias e matérias consumidas por tipologia
Valores em Euros
Valor bruto Imparidade Valor líquido Valor bruto Imparidade Valor líquido
Pasta BEKP 4.005.792 - 4.005.792 1.561.643 - 1.561.643
Papel UWF 12.514.531 (1.615.825) 10.898.706 17.201.363 - 17.201.363
Papel Tissue 1.266.139 (372.860) 893.279 1.801.587 - 1.801.587
Mercadorias para abastecimento das fábricas do Grupo 2.750.862 (144) 2.750.718 2.021.093 - 2.021.093
Total 20.537.324 (1.988.828) 18.548.495 22.585.686 - 22.585.686
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
31-12-2021
%
31-12-2020
%
Portugal 14.363.932 69,9% 11.294.786 50,0%
Resto da Europa 6.173.392 30,1% 11.290.900 50,0%
20.537.324 100,0% 22.585.686 100,0%
Valores em Euros
2021 2020
Saldo inicial 22.585.686 24.821.721
Compras 2.102.233.726 1.681.807.078
Ganhos / (Perdas) em inventários (Notas 2.2 e 2.3) (301.132) 491.339
Ganhos / (Perdas) por imparidade (Nota 2.3) (1.988.828) -
Saldo final (18.548.495) (22.585.686)
Custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas (Nota 2.3) 2.103.980.956 1.684.534.452
Valores em Euros
2021 2020
Pasta BEKP - Venda a mercado 162.302.396 141.432.541
Pasta BEKP - Incorporação no Grupo 567.185.028 354.807.792
Papel UWF 1.036.754.808 880.295.455
Papel Tissue 147.476.502 149.330.893
Mercadorias para abastecimento das fábricas do Grupo 190.262.222 158.667.771
2.103.980.956 1.684.534.452
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 375
4.1.3. Movimentos em perdas por imparidade em inventários
As imparidades em inventários registadas em 2021 respeitam essencialmente a ajustamentos ao
stock de papel UWF e de papel tissue.
Políticas contabilísticas
Mercadorias
As mercadorias detidas pela Navigator correspondem essencialmente a Pasta de eucalipto, papel
UWF e papel tissue adquiridos a subsidiárias suas, para venda ao mercado. Inclui ainda matérias
adquiridas a terceiras, para abastecimento de subsidiárias, no âmbito da sua atividade de Central
de Compras do Grupo Navigator.
A Empresa exerce a função de “central de compras” do Grupo Navigator, sendo a maioria das
compras de matérias-primas do Grupo feita de forma centralizada pela Empresa, que depois
abastece as empresas produtoras, excluindo o abastecimento de madeira.
As mercadorias e as matérias-primas encontram-se valorizadas ao mais baixo entre o custo de
aquisição e o seu valor realizável líquido. O custo de aquisição inclui as despesas incorridas até ao
armazenamento, utilizando-se o custo médio ponderado como método de custeio das saídas.
4.2. VALORES A RECEBER
Os valores acima são apresentados líquidos de perdas de imparidade
acumuladas. A análise de imparidade dos valores a receber é apresentada na
Nota 8.1.4 - Risco de crédito.
Valores em Euros
2021 2020
Saldo Inicial (10.256) (10.256)
Aumentos (1.988.828) -
Reversões - -
Impacto em resultados do período (Nota 2.3) (1.988.828) -
Utilizações 10.256 -
Saldo final (1.988.828) (10.256)
Valores em Euros Não Corrente Corrente Total Não Corrente Corrente Total
Clientes - 178.899.757 178.899.757 - 115.144.261 115.144.261
Contas a receber - empresas relacionadas (Nota 10.2) - 612.402.309 612.402.309 - 556.892.987 556.892.987
Estado i) - 35.962.673 35.962.673 - 24.146.616 24.146.616
Consolidação fiscal - partes relacionadas (Nota 10.2) - 35.390.055 35.390.055 - 28.542.277 28.542.277
Acréscimos de rendimento ii) - 1.291.884 1.291.884 - 21.476.730 21.476.730
Gastos diferidos ii) - 107.002 107.002 - 43.333 43.333
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) - 1.630.982 1.630.982 - 4.019.440 4.019.440
Plano pós-emprego (Nota 7.2) - 444.631 444.631 - - -
Outros iii) 6.684 858.676 865.361 6.684 - 6.684
6.684 866.987.969 866.994.654 6.684 750.265.643 750.272.328
31-12-2021
31-12-2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 376
i) A rubrica de Estado detalha-se conforme segue:
Até à emissão deste relatório, foi recebida a totalidade do valor de reembolos de IVA pedidos.
ii) As rubricas de Acréscimos de rendimento e Gastos diferidos detalham-se conforme segue:
iii) O montante registado como não corrente em 2021 e 2020 é respeitante a uma garantia de
IVA relacionada com o registo de IVA da Empresa na Suíça
Políticas contabilísticas
Clientes e outros devedores
Classificação
Os saldos a receber de Clientes resultam das atividades principais da Empresa e o modelo de negócio
seguido é a recolha de fluxos de caixa contratuais.
Os saldos de outros devedores assumem na generalidade dos casos o do modelo de negócio da
recolha de fluxos de caixa contratuais.
Mensuração inicial
Ao justo valor.
Mensuração subsequente
Ao custo amortizado, deduzido de perdas por imparidade.
Imparidade de Clientes
As perdas por imparidade são registadas com base no modelo simplificado previsto na IFRS 9
registando as perdas esperadas até à maturidade. As perdas esperadas são determinadas tendo por
base a experiência de perdas reais históricas ao longo de um período estatisticamente relevante e
representativas das características específicas do risco de crédito subjacente (Nota 8.1.4).
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Imposto sobre o Valor Acrescentado - Reembolsos pedidos 35.962.673 24.144.659
Imposto sobre o Valor Acrescentado - A recuperar - 1.958
35.962.673 24.146.616
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Acréscimos de rendimento
Rendimentos - partes relacionadas (Nota 10.2) 1.019.195 19.746.819
Juros a receber - 1.729.911
Outros 272.689 -
1.291.884 21.476.730
Gastos diferidos
Outros 107.002 43.333
107.002 43.333
1.398.886 21.520.062
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 377
Imparidade de outros devedores
As perdas por imparidade são registadas com base no modelo geral de perdas de crédito estimadas
da IFRS 9.
4.3. VALORES A PAGAR
i) A rubrica de Estado detalha-se conforme segue:
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, não existiam dívidas em situação de mora com o Estado.
Políticas contabilísticas
Os saldos de Fornecedores e outros passivos correntes são inicialmente registados ao justo valor e
subsequentemente mensurados pelo seu custo amortizado.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Fornecedores 66.873.047 103.435.376
Contas a pagar - empresas relacionadas (Nota 10.2) 1.021.874.914 774.329.862
Fornecedores de imobilizado c/c 7.270 7.270
Estado i) 5.388.180 3.169.242
Consolidação fiscal (Semapa) 6.447.546 6.447.546
Outros credores 211.344 909.632
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) 8.130.589 6.196.001
Acréscimos de gastos com o pessoal 9.274.445 6.320.359
Acréscimos de gastos - juros a pagar 6.711.797 5.167.352
Acréscimos de gastos - logística e comissões de vendas 12.473.917 6.313.130
Acréscimos de gastos - empresas relacionadas (Nota 10.2) 1.482.570 -
Outros acréscimos de gastos 220.101 1.212.295
Rendimentos diferidos - Subsídios à exploração (Nota 2.2) 33.714 71.719
1.139.129.433 913.579.785
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Retenções de Imposto sobre o Rendimento 845.665 610.130
Contribuições para FCT e FGCT 110 24.658
Imposto sobre o Valor Acrescentado 4.117.647 2.077.427
Contribuições para a Segurança Social 424.757 457.027
5.388.180 3.169.242
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 378
5. ESTRUTURA DE CAPITAL
5.1. GESTÃO DE CAPITAL
Política de gestão de capital
Para efeitos de gestão de capital, a Empresa define capital como incluindo os capitais próprios e a
dívida líquida.
Os objetivos da Empresa em relação à gestão de capital, são:
i. Salvaguardar a capacidade da Empresa de continuar em atividade e assim proporcionar
retornos para os Acionistas e benefícios para os restantes Stakeholders;
ii. Manter uma estrutura de capital sólida para apoiar o desenvolvimento do seu negócio; e
iii. Manter uma estrutura de capital ótima que lhe permita reduzir o custo do capital.
De forma a manter ou ajustar a estrutura de capital, a Empresa pode ajustar o montante de
dividendos a pagar aos Acionistas, devolver capital aos Acionistas, emitir novas ações ou vender
ativos para reduzir a dívida.
Em linha com o setor, a Empresa monitoriza o seu capital com base no rácio de gearing, definido
como a proporção entre a dívida líquida e o capital total.
A dívida líquida remunerada é calculada como o montante total de empréstimos (incluindo as
parcelas correntes e não correntes como divulgado na face do balanço) deduzido dos montantes de
caixa e equivalentes de caixa. O capital total é calculado através da soma dos capitais próprios
(como divulgado na Demonstração da posição financeira), excluindo ações próprias e interesses que
não controlam, acrescidos da dívida líquida remunerada.
A Empresa calcula o rácio de gearing da seguinte forma:
5.2. CAPITAL SOCIAL E AÇÕES PRÓPRIAS
A The Navigator Company é uma Sociedade Aberta com ações cotadas na Euronext Lisboa.
Em 31 de dezembro de 2021, o capital social da The Navigator Company, S.A. é de €500.000.000
e encontra-se totalmente subscrito e realizado, sendo representado por 711.183.069 ações sem
valor nominal (31 de dezembro de 2020: 717.500.000 ações).
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Financiamentos obtidos (Nota 5.6) 933.165.634 947.383.993
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 5.8) (354.336.647) (296.941.052)
Dívida líquida 578.828.987 650.442.941
Capitais próprios 1.044.827.184 1.025.926.506
Ações próprias (Nota 5.2) - 20.189.264
Capitais próprios, excluindo ações próprias 1.044.827.184 1.046.115.770
Capital Total 1.623.656.171 1.696.558.711
Gearing 35,65% 38,34%
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 379
Em Assembleia Geral datada de 11 de maio de 2021, foi deliberada a redução do capital social de
500.000.000 euros para 495.597.957,49 euros, sendo o valor da redução de 4.402.042,51 euros,
para finalidade especial, por extinção de 6.316.931 ações próprias, sem valor nominal, passando a
Sociedade a ter 711.183.069 ações ordinárias em circulação, seguida de aumento de capital social
de 495.597.957,49 euros para 500.000.000 euros, sendo o valor do aumento de 4.402.042,51
euros, sem alteração do número de ações, a realizar por incorporação de reservas livres (excedente
de reserva legal).
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020 as entidades que detinham participações qualificadas no capital
da Sociedade detalhavam-se como segue:
Detentores de capital da Navigator
Ações próprias – movimentos
As ações próprias foram maioritariamente adquiridas durante 2008 e 2012, bem como em 2018 e
2019, tendo a evolução desta posição evoluído como segue:
A 31 de dezembro de 2021, a Navigator não detinha ações próprias (31 de dezembro de 2020:
€20.189.264), sendo o valor unitário da ação à data de €3,35 (31 de dezembro de 2020: €2,498) e
a capitalização bolsista da Empresa a esta data de €2.382.463.281 (31 de dezembro de 2020:
Denominação Nº de ações % Nº de ações %
Ações sem valor nominal
Semapa, SGPS, S.A. 497.617.299 69,97% 497.617.299 69,35%
Ações próprias - 0,00% 6.316.931 0,88%
Capital disperso 213.565.770 30,03% 213.565.770 29,77%
711.183.069 100% 717.500.000 100%
31-12-2021
31-12-2020
Nº de ações
Valor
contabilístico
(Euros)
Nº de ações
Valor
contabilístico
(Euros)
Ações próprias detidas no início do período 6.316.931 20.189.264 6.316.931 20.189.264
Aquisição de ações próprias - - - -
Extinção do período (6.316.931) (20.189.264) - -
Ações próprias no final do período - - 6.316.931 20.189.264
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
Quant Valor Quant Valor
Ações próprias detidas em janeiro 6.316.931 20.189.264 6.316.931 20.189.264
Extinção
janeiro - - - -
fevereiro - - - -
março - - - -
abril - - - -
maio (6.316.931) (20.189.264) - -
junho - - - -
julho - - - -
agosto - - - -
setembro - - - -
outubro - - - -
novembro - - - -
dezembro - - - -
(6.316.931) (20.189.264) - -
Ações próprias detidas em dezembro - - 6.316.931 20.189.264
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 380
€1.792.315.000), face a um capital próprio deduzido dos interesses que não controlam de
€1.044.827.184 (31 de dezembro de 2020: €1.025.926.506).
Políticas contabilísticas
As ações ordinárias são classificadas no capital próprio, como capital social.
Os gastos diretamente atribuíveis à emissão de novas ações ou outros instrumentos de capital
próprio são apresentados como uma dedução, líquida de impostos, ao valor recebido resultante
desta emissão.
Os gastos diretamente imputáveis à emissão de novas ações ou opções para a aquisição de um
negócio são deduzidos ao valor da emissão.
Quando tais ações são subsequentemente vendidas ou reemitidas, qualquer recebimento, líquido
dos gastos de transação diretamente atribuíveis e de impostos, é refletido diretamente no capital
próprio e não em resultados do exercício.
5.3. RESULTADO POR AÇÃO
Políticas contabilísticas
O resultado básico por ação é apurado com base na divisão dos lucros ou prejuízos atribuíveis aos
detentores de capital próprio ordinário da/o Empresa/Grupo pelo número médio ponderado de ações
ordinárias em circulação durante o período.
Para a finalidade de calcular o resultado diluído por ação, a Empresa/Grupo ajusta os lucros ou
prejuízos atribuíveis aos detentores ordinários de capital próprio, bem como o número médio
ponderado de ações em circulação, para efeitos de todas as potenciais ações ordinárias diluidoras.
2021 2020
Resultado atribuível aos acionistas (Euros) 171.411.455 109.213.720
Número total de ações emitidas 711.183.069 717.500.000
Número médio de ações próprias em carteira - (6.316.931)
Número médio ponderado de ações 711.183.069 711.183.069
Resultado básico por ação (Euros) 0,241 0,154
Resultado diluído por ação (Euros) 0,241 0,154
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 381
5.4. DIVIDENDOS
Dividendos e reservas atribuídos no período
Em Assembleia Geral anual de 13 de maio de 2021, a The Navigator Company, S.A. deliberou
proceder à distribuição de dividendos de 99.565.630 euros.
No dia 16 de dezembro de 2021 o Conselho de Administração da The Navigator Company, S.A.
deliberou efetuar um adiantamento sobre os lucros aos Acionistas, no montante de 49.996.170
euros, equivalente ao valor ilíquido de 0,0703 euros por ação.
Por deliberação da Assembleia Geral Extraordinária de 24 de novembro de 2020, a The Navigator
Company, S.A. procedeu à distribuição de resultados transitados de €99.138.920.
Por deliberação da Assembleia Geral Extraordinária de 20 de dezembro de 2019, a The Navigator
Company, S.A. procedeu ao pagamento de reservas livres, a distribuir aos acionistas a partir do dia
9 de janeiro de 2020, no valor de €99.138.919,82, equivalente a 0,1394 euros por ação em
circulação.
Políticas contabilísticas
A distribuição de dividendos aos detentores do capital é reconhecida como um passivo nas
Demonstrações Financeiras do Grupo no período em que os dividendos são aprovados pelos
Acionistas em Assembleia Geral e até ao momento da sua liquidação financeira, ou, tratando-se de
dividendos antecipados, quando aprovados pelo Conselho de Administração.
5.5. RESERVAS E RESULTADOS TRANSITADOS
Valores em Euros
Montante
atribuído
Dividendos por
ação (Euros)
Atribuições em 2021
Distribuição de resultados transitados
99.565.630 0,140
Distribuição de dividendos antecipados
49.996.170 0,070
Atribuições em 2020
Distribuição de resultados transitados
99.138.920 0,139
Distribuição de reservas livres em 2019 pagas em janeiro de 2020
99.138.920 0,139
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Reservas por aplicação do MEP (437.672.593) (433.318.274)
Reserva de justo valor (5.604.076) (6.641.368)
Reserva legal 100.000.000 100.000.000
Reservas livres 121.836.100 266.443.646
Outras reservas (2.377.265) (2.377.265)
Resultados transitados 647.229.733 512.795.312
Reservas e resultados transitados 423.411.899 436.902.051
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 382
Reserva por aplicação do MEP – detalhe
Reserva de justo valor – detalhe
O valor associado à cobertura do risco cambial da subsidiária Navigator North America (net
investment) permanecerá em reservas até a alienação ou alienação parcial do investimento líquido
(momento em que serão reclassificados para ganhos ou perdas). Tal ocorre porque o item coberto
(o investimento líquido) não afeta os resultados da Empresa até à sua alienação.
Reserva de justo valor – movimentos
Denominação Social
31-12-2021 31-12-2020
Empresas subsidiárias
Navigator Internacional Holding SGPS, S.A. (4.027.714) (3.998.782)
Navigator Brands, S.A. (496.755.521) (498.130.498)
Navigator Pulp Aveiro, S.A. (7.936.300) (7.936.300)
Enerpulp, S.A. 154.000 153.999
Navigator Parques Industriais, S.A. (1.499.368) (1.499.368)
Portucel Moçambique, S.A. (139.396) 7.881.976
Portucel Finance sp. Z o.o. - 99.840
Navigator Pulp Setúbal, S.A. 154.000 154.000
Navigator Pulp Figueira, S.A. 615.945 615.954
Navigator Forest Portugal, S.A. (572.996) (510.623)
Navigator Paper Setúbal, S.A. (9.956.752) (12.467.337)
Navigtor Tissue Aveiro, S.A. 2.117.121 2.040.121
Navigator Paper Figueira, S.A. 79.783.696 79.783.696
Raíz - Inst.Investigação Floresta e Papel 398.250 247.708
Empremédia 249.752 249.238
Empremedia DAC (246.192) -
Navigator Paper Mexico (11.080) (1.902)
Navigator Egypt (40) 3
Subsidiárias (437.672.593) (433.318.274)
Valores em Euros
Valor bruto Imposto Valor líquido Valor bruto Imposto Valor líquido
Cobertura risco taxa de juro (2.231.713) 613.722 (1.617.992) (6.610.686) 1.817.939 (4.792.748)
Cobertura risco cambial (2.586.225) 711.212 (1.875.013) 362.001 (99.550) 262.452
Cobertura risco cambial - Navigator North America (2.911.823) 800.751 (2.111.072) (2.911.823) 800.751 (2.111.072)
(7.729.761) 2.125.685 (5.604.076) (9.160.508) 2.519.140 (6.641.368)
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Saldo inicial (6.641.368) (6.384.412)
Variação do justo valor de instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) 1.430.747 (354.422)
Reclassificação para resultados por maturidade dos instrumentos financeiros derivados (Nota 5.10) (393.455) 97.466
Saldo final (5.604.076) (6.641.368)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 383
Políticas contabilísticas
Reservas por aplicação do MEP
Corresponde à variação acumulada das variações de capital próprio nas subsidiárias da Empresa
cujo investimento é mensurado pelo método da equivalência patrimonial (Nota 10.1). De acordo
com a legislação comercial, estas reservas não são distribuíveis.
Reserva de justo valor
Corresponde à variação acumulada do justo valor dos instrumentos financeiros derivados
classificados como de cobertura (Nota 8.2), líquida de impostos diferidos.
As variações relativas aos derivados são reclassificadas para os resultados do período (Nota 5.10) à
medida que os instrumentos cobertos afetam os resultados do período. A variação de justo valor de
investimentos financeiros registada nesta rubrica não é reciclada para resultados.
Reserva legal
A legislação comercial estabelece que, pelo menos, 5% do resultado líquido anual tem de ser
destinado ao reforço da reserva legal até que esta represente pelo menos 20% do capital social.
Esta reserva não é distribuível a não ser em caso de liquidação da sociedade. Poderá, contudo, ser
utilizada para absorver prejuízos, depois de esgotadas as outras reservas, ou incorporada no capital.
A reserva legal encontra-se constituída pelo seu limite máximo nos períodos apresentados.
Outras reservas
Esta rubrica corresponde a reservas constituídas através da transferência de resultados de períodos
anteriores e outros movimentos. Não é distribuível a parte do saldo correspondente ao valor de
aquisição das ações próprias detidas (Nota 5.2).
5.6. FINANCIAMENTOS OBTIDOS
Em 2021, foram reembolsados dois empréstimos de curto prazo de 40 e 25 milhões de euros, que
tinham sido tomados no contexto do início da pandemia. Foram também reembolsados dois
empréstimos obrigacionistas de 100 e de 45 milhões de Euros e um Programa de Papel Comercial
de 70 milhões de euros. Por outro lado, foram desembolsados dois financiamentos contratados em
2020, uma linha do BEI de 27,5 milhões de euros a 10 anos e um empréstimo obrigacionista de 20
milhões de euros a 5 anos. Foi ainda contratado e emitido um novo financiamento com o Bank of
China de 15 milhões de euros de longo prazo.
Valores em Euros Não Corrente Corrente Total Não Corrente Corrente Total
Empréstimos por obrigações 442.500.000 2.500.000 445.000.000 340.000.000 145.000.000 485.000.000
Papel Comercial 140.000.000 100.000.000 240.000.000 240.000.000 135.000.000 375.000.000
Empréstimos bancários 109.087.301 12.718.254 121.805.555 79.305.555 11.527.778 90.833.333
Cash pooling Grupo Navigator - 129.775.499 129.775.499 - - -
Encargos com emissão de empréstimos (3.415.421) - (3.415.421) (3.449.340) - (3.449.340)
Títulos de dívida e dívida bancária 688.171.881 244.993.753 933.165.634 655.856.215 291.527.778 947.383.993
Taxa média de juro (Nota 5.10),
considerando encargos com comissões
anuais e operações de cobertura
1,5% 1,7%
31-12-2021
31-12-2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 384
Em 5 de agosto de 2021, a Navigator emitiu um empréstimo obrigacionista no valor de 100 milhões
de euros com maturidade de cinco anos, por contrapartida do reembolso antecipado de um
financiamento no mesmo montante, que tinha a sua maturidade em 2023. Esta operação – a que
se agregou um swap para taxa fixa – determinou a extensão da vida média da dívida do Grupo, bem
como a redução do custo de financiamento da Empresa, além de representar um compromisso de
alinhamento com objetivos de sustentabilidade. A operação está indexada a dois indicadores ESG já
presentes na Agenda de Sustentabilidade da Empresa.
Durante 2021, a Empresa e grande maioria das suas subsidiárias adotaram o sistema Cash Pooling,
estando a sua responsabilidade perante as demais entidades do Grupo detalhada na Nota 10.2.
A análise de maturidade dos financiamentos obtidos é apresentada na Nota 8.1.3 - Risco
de liquidez.
Financiamentos obtidos - Detalhe
31-12-2021
Valores em Euros Montante Montante em dívida Vencimento Taxa de juro Corrente Não Corrente
Empréstimos por obrigações
Navigator 2015-2023 150.000.000 150.000.000 Setembro 2023
Taxa variável indexada à Euribor - 150.000.000
Navigator 2019-2026 50.000.000 50.000.000 janeiro 2026
Taxa Fixa - 50.000.000
Navigator 2019-2025 50.000.000 50.000.000 março 2025
Taxa variável indexada à Euribor - 50.000.000
Navigator 2021-2026 20.000.000 20.000.000 abril 2026
Taxa variável indexada à Euribor 2.500.000 17.500.000
Navigator 2020-2026 75.000.000 75.000.000 dezembro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - 75.000.000
Navigator 2021-2026 100.000.000 100.000.000 agosto 2026
Taxa Fixa - 100.000.000
Comissões - (3.415.421) - (3.415.421)
Banco Europeu de Investimento
Empréstimo BEI Energia 21.250.000 21.250.000 dezembro 2024
Taxa variável indexada à Euribor 7.083.333 14.166.667
Empréstimo BEI Cacia 18.055.555 18.055.555 maio 2028
Taxa Fixa 2.777.778 15.277.777
Empréstimo BEI Figueira 40.000.000 40.000.000 fevereiro 2029
Taxa Fixa 2.857.143 37.142.857
Empréstimo BEI Biomass Boiler 27.500.000 27.500.000 março 2031
Taxa Fixa - 27.500.000
Programa de Papel Comercial
Programa de Papel Comercial 175M 175.000.000 175.000.000 fevereiro 2026
Taxa Fixa 35.000.000 140.000.000
Programa de Papel Comercial 65M 65.000.000 65.000.000 janeiro 2022
Taxa variável indexada à Euribor 65.000.000
-
Programa de Papel Comercial 75M 75.000.000 - fevereiro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - -
Programa de Papel Comercial 50M 50.000.000 - dezembro 2025
Taxa variável indexada à Euribor - -
Financiamentos
Financiamento longo prazo 15 000 000 15 000 000 março 2026
Taxa variável indexada à Euribor - 15 000 000
Linhas bancárias
Linha curto prazo 20M 20 450 714 - -
-
CashPooling
Linha de cashpooling Grupo Navigator
129 775 499 129 775 499
Taxa variável indexada à Euribor 129 775 499 -
933.165.634 244.993.753 688.171.881
31-12-2020
Valores em Euros Montante Montante em dívida Vencimento Taxa de juro Corrente Não Corrente
Empréstimos por obrigações
Navigator 2015-2023 150.000.000 150.000.000 setembro 2023
Taxa variável indexada à Euribor - 150.000.000
Navigator 2016-2021 100.000.000 100.000.000 abril 2021
Taxa Fixa 100.000.000 -
Navigator 2016-2021 45.000.000 45.000.000 agosto 2021
Taxa variável indexada à Euribor 45.000.000 -
Navigator 2019-2026 50.000.000 50.000.000 janeiro 2026
Taxa Fixa - 50.000.000
Navigator 2019-2025 50.000.000 50.000.000 março 2025
Taxa variável indexada à Euribor - 50.000.000
Navigator 2020-2023 100.000.000 15.000.000 agosto 2023
Taxa variável indexada à Euribor 15.000.000
Navigator 2021-2026 20.000.000 - abril 2026
Taxa variável indexada à Euribor - -
Navigator 2020-2026 75.000.000 75.000.000 dezembro 2026
Taxa variável indexada à Euribor 75.000.000
Comissões - (3.449.340) - (3.449.340)
Banco Europeu de Investimento
Empréstimo BEI Ambiente B 1.666.667 1.666.667 junho 2021
Taxa variável indexada à Euribor 1.666.667
Empréstimo BEI Energia 28.333.333 28.333.333 dezembro 2024
Taxa variável indexada à Euribor 7.083.333 21.250.000
Empréstimo BEI Cacia 20.833.333 20.833.333 maio 2028
Taxa Fixa 2.777.778 18.055.555
Empréstimo BEI Figueira 40.000.000 40.000.000 fevereiro 2029
Taxa Fixa - 40.000.000
Empréstimo BEI Biomass Boiler 27.500.000 -
- - -
Programa de Papel Comercial
Programa de Papel Comercial 175M 175.000.000 175.000.000 fevereiro 2026
Taxa Fixa - 175.000.000
Programa de Papel Comercial 70M 70.000.000 70.000.000 abril 2021
Taxa Fixa 70.000.000
-
Programa de Papel Comercial 65M 65.000.000 65.000.000 fevereiro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - 65.000.000
Programa de Papel Comercial 75M 75.000.000 - fevereiro 2026
Taxa variável indexada à Euribor - -
Programa de Papel Comercial 50M 50.000.000 - dezembro 2025
Taxa variável indexada à Euribor - -
Programa de Papel Comercial 40M 40.000.000 40.000.000 março 2021
Taxa variável indexada à Euribor 40.000.000
Programa de Papel Comercial 25M 25.000.000 25.000.000 abril 2021
Taxa variável indexada à Euribor 25.000.000
Linhas bancárias
Linha curto prazo 20M 20.450.714 - - -
947.383.993 291.527.778 655.856.215
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 385
Em 31 de dezembro de 2021, o custo médio da dívida, considerando a taxa de juro, os encargos
com comissões anuais e as operações de cobertura era de 1.5% (a 31 de dezembro de 2020 era de
1.5%).
Em 31 de dezembro de 2021, a Empresa tinha contratado Programas de Papel Comercial,
Financiamentos de longo prazo contratados e não desembolsados, bem como linhas de crédito
disponíveis e não utilizadas de €145.450.714 (31 de dezembro de 2020: €277.950.714).
Covenants financeiros em vigor
Atendendo aos limites contratualizados, em 2021 e 2020 a Empresa encontra-se em situação de
cumprimento dos covenants negociados. A margem mínima de segurança dos referidos covenants
em 31 de dezembro de 2021 e 2020, encontra-se maioritariamente num nível de segurança superior
a 80%.
Políticas contabilísticas
Os financiamentos obtidos incluem as Obrigações, o Papel Comercial, os empréstimos bancários e
outros financiamentos.
Mensuração inicial
Ao justo valor, líquido dos custos de transação incorridos.
Mensuração subsequente
Ao custo amortizado, utilizando o método da taxa de juro efetiva.
A diferença entre o valor de reembolso e o valor da mensuração inicial é reconhecida na
Demonstração dos resultados ao longo do período da dívida em “Juros suportados com outros
empréstimos obtidos” na Nota 5.10 – Rendimentos e gastos financeiros.
Justo valor
O valor contabilístico dos financiamentos obtidos de curto prazo ou contratados com taxas de juro
variáveis aproxima-se do seu justo valor.
O justo valor dos financiamentos obtidos que são remunerados a taxa fixa é divulgado na Nota 8.3
– Ativos e passivos financeiros.
Apresentação
No passivo corrente, exceto se a Empresa detiver um direito incondicional de diferir a liquidação do
passivo por pelo menos 12 meses após a data de relato.
Rácio Definição Empréstimos Limite
Cobertura de juros EBITDA 12M / Juros líquidos anualizados
Bancários >= 4,5 - 5,5
Endividamento Dívida remunerada / EBTDA 12M
Bancários <= 4,5
Net Debt / EBITDA (Dívida remunerada - Disponibilidades) / EBTDA 12M
Bancários
Papel Comercial
Obrigações
<= 4,0
<= 4,0 - 5,0
<= 4,0
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 386
Estimativas e julgamentos
Papel comercial
A Empresa tem diversos programas de emissão de papel comercial negociados, de acordos com os
quais é frequente a realização de emissões com maturidade contratual inferior a um ano, mas com
natureza revolving. Nos casos em que a Empresa espera realizar o roll over destes financiamentos,
apresenta os mesmos como passivos não correntes.
5.7. PASSIVOS DE LOCAÇÃO
Passivos de locação – natureza
Passivos de locação – responsabilidades futuras
A análise de maturidade dos passivos de locação é apresentada na Nota 8.1.3
- Risco de liquidez.
Políticas contabilísticas
Na data de início da locação, a Empresa reconhece passivos de locação mensurados ao valor
presente dos pagamentos futuros da locação, os quais incluem pagamentos fixos deduzidos de
incentivos de locação a receber, de pagamentos variáveis da locação, e valores que se esperam
pagar a título de valor residual garantido. Os pagamentos de locação incluem ainda o preço de
exercício de opções de compra ou renovação razoavelmente certas de serem exercidas pela Empresa
ou pagamentos de penalidades de rescisão de locações, se o prazo da locação refletir a opção da
Empresa de rescindir o contrato.
No cálculo do valor presente dos pagamentos futuros da locação, a Empresa usa uma taxa de juro
incremental de financiamento se a taxa de juro implícita na locação não for facilmente determinável.
Valores em Euros Não corrente Corrente Total Não corrente Corrente Total
Edifícios
2.459.148 417.970
2.877.118
2.971.186 389.746
3.360.932
Viaturas
1.659 5.200
6.860
3.460 11.144
14.604
2.460.807 423.170 2.883.977 2.974.645 400.890 3.375.536
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros 2021 2020
A menos de 1 ano 423.170 400.890
1 a 2 anos 449.916 420.924
2 a 3 anos 479.584 451.201
3 a 4 anos 511.808 480.906
4 a 5 anos 545.016 513.171
Mais de 5 anos 237.129 777.710
2.646.622 3.044.802
Juros sobre o passivo 237.355 330.733
Valor atual das responsabilidades 2.883.977 3.375.536
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 387
Subsequentemente, o valor dos passivos de locação é incrementado pelo valor dos juros (Nota 5.10
– Rendimentos e gastos financeiros) e diminuído pelos pagamentos de locação (rendas).
5.8. CAIXA E EQUIVALENTES DE CAIXA
Em 2021 e 2020 a rubrica de Outras aplicações de tesouraria corresponde a montantes aplicados
pela Navigator num portfólio de ativos financeiros de curto prazo, elevada liquidez e emitentes com
rating adequado.
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, não existem saldos significativos de caixa e equivalentes de
caixa que estejam sujeitos a restrições de uso da Empresa.
Políticas contabilísticas
A rubrica de Caixa e equivalentes de caixa inclui caixa, depósitos bancários e outros investimentos
de curto prazo com maturidade inicial até 3 meses, que possam ser imediatamente mobilizáveis sem
risco significativo de flutuações de valor.
Para efeitos da demonstração de fluxos de caixa, esta rubrica incluirá também, quando existam, os
descobertos bancários, os quais são apresentados na Posição financeira, no passivo corrente, na
rubrica Financiamentos obtidos (Nota 5.6).
5.9. FLUXOS DE CAIXA DE ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
Movimentos nos passivos de atividades de financiamento
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Numerário 5.540 5.740
Depósitos bancários imediatamente mobilizáveis 285.780.660 209.931.421
Outras aplicações de tesouraria 68.550.446 87.003.891
Caixa e equivalentes de caixa na demonstração da posição financeira 354.336.647 296.941.052
Descobertos bancários - Cash pooling (Nota 5.6) (129.775.499) -
Caixa e equivalentes de caixa na demonstração de fluxos de caixa 224.561.148 296.941.052
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Saldo em 1 de janeiro 947.383.993 840.975.392
Pagamento de empréstimos obtidos (291.527.778) (133.194.444)
Recebimentos de empréstimos obtidos 147.500.000 240.000.000
Cash Pooling 129.775.499 -
Variação dos encargos com a emissão de empréstimos 33.919 (396.954)
Variação da Dívida remunerada (14.218.360) 106.408.602
Divída remunerada bruta 933.165.633 947.383.993
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 388
5.10. RENDIMENTOS E GASTOS FINANCEIROS
O agravamento dos resultados financeiros é resultante essencialmente das perdas em instrumentos
derivados. Os custos das operações de financiamento tiveram uma evolução positiva devido à
diminuição da dívida média face ao período homólogo.
Políticas contabilísticas
A Empresa classifica como “Rendimentos financeiros”, os rendimentos e ganhos que resultam da
atividade de gestão de tesouraria tais como: i) os juros obtidos pela aplicação de excedentes de
tesouraria; e ii) as variações de justo valor de instrumentos financeiros derivados negociados para
a cobertura do risco de taxa de juro e taxa de câmbio dos financiamentos, independentemente da
designação formal de cobertura.
Valores em Euros
2021 2020
Juros suportados com títulos de dívida e dívida bancária (Nota 5.6) (10.385.295) (11.095.664)
Juros suportados com outros financiamentos obtidos (Nota 5.6) (4.409.101) (5.263.650)
Comissões de empréstimos e gastos com aberturas de crédito (3.349.422) (3.521.320)
Juros suportados por aplicação do método do juro efetivo (18.143.818) (19.880.634)
Juros suportados com passivos de locação (Nota 5.7) (93.453) (107.721)
Gastos financeiros relativos à estrutura de capital do Grupo (18.237.271) (19.988.355)
Diferenças de câmbio desfavoráveis (10.379.571) (23.087.537)
Perdas com instrumentos derivados de cobertura (Nota 8.2) (3.191.640) (3.647.914)
Perdas com instrumentos derivados de negociação (Nota 8.2) (4.265.016) -
Perdas com juros compensatórios - (290.461)
Outros gastos e perdas financeiros (110.915) (3.011)
Gastos e perdas financeiros (36.184.414) (47.017.278)
Juros obtidos de empréstimos concedidos 3.266.904 4.026.167
Diferenças de câmbio favoráveis 12.539.990 21.731.525
Outros rendimentos e ganhos financeiros 9.031.354 10.523.653
Ganhos com instrumentos derivados de negociação (Nota 8.2) - 2.000.523
Ganhos com juros compensatórios 767.705 2.390.014
Rendimentos e ganhos financeiros 25.605.954 40.671.883
Resultados financeiros (10.578.460) (6.345.395)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 389
6. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO
6.1. IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DO PERÍODO
6.1.1. Imposto reconhecido na demonstração dos resultados
Taxa de imposto nominal
Nos períodos apresentados, a Empresa considera uma taxa de imposto nominal em Portugal de
27,5%, resultando da legislação fiscal como segue:
Reconciliação da taxa efetiva de imposto sobre o rendimento do período
Valores em Euros 2021 2020
Imposto corrente (1.260.778) 5.801.316
Variação de posições fiscais incertas no período (3.827.856) 8.577.775
Imposto diferido (Nota 6.2) 1.658.967 (1.164.479)
(3.429.667) 13.214.611
2021 2020
Portugal
Taxa nominal de imposto sobre o rendimento 21,0% 21,0%
Derrama municipal 1,5% 1,5%
22,5% 22,5%
Derrama estadual - sobre as partes dos lucros tributáveis entre 1.500.000 Euros e 7.500.000 Euros 3,0% 3,0%
Derrama estadual - sobre as partes dos lucros tributáveis entre 7.500.000 Euros e 35.000.000 Euros
5,0% 5,0%
Derrama estadual - sobre as partes dos lucros tributáveis acima de 35.000.000 Euros 9,0% 9,0%
Valores em Euros 2021 2020
Resultado antes de impostos 174.841.122 95.999.108
Imposto esperado à taxa nominal (21%) 36.716.636 20.159.813
Derrama municipal (2021: 0,15% ; 2020: 0,27%) 258.781 256.307
Derrama estadual (2021: 0,38% ; 2020: 0,69%) 667.605 659.357
Imposto resultante da taxa aplicável 37.643.022 21.075.477
Taxa nominal de imposto do período 21,53% 21,95%
Diferenças (a) 2.679.217 246.280
Efeito da aplicação do método de equivalênia patrimonial (40.821.355) (20.858.483)
Posições fiscais incertas - constituição de passivos - (4.262.470)
Prejuizos fiscais - (10.326.983)
Tributação Autónoma 475.660 -
(Excesso)/Insuficiência de estimativa de imposto 3.453.123 911.568
3.429.667 (13.214.611)
Taxa efetiva de imposto 1,96% (14%)
(a) Este valor respeita essencialmente a: 2021 2020
Mais / (Menos) valias fiscais (654.801) -
(Mais) / Menos valias contabilísticas 655.648 -
Imparidades e provisões tributadas 6.987.197 2.783.619
Benefícios a empregados (1.390.000) 84.760
Benefícios fiscais (326.801) (375.183)
Resultado apropriado de ACEs - 2.526
Outros 5.235.491 (1.529.919)
10.506.734 965.804
Impacto fiscal (25,5%) 2.679.217 246.280
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 390
6.1.2. Imposto reconhecido na demonstração da posição financeira
Decomposição da rubrica Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas –
IRC (líquido)
Valores pendentes de reembolso
Os movimentos no período discriminam-se como segue:
Posições fiscais incertas - passivos
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Ativo
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas - IRC - -
Valores pendentes de reembolso (processos fiscais decididos a favor do grupo) 1.118.815 3.482.762
1.118.815 3.482.762
Passivo
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas - IRC 20.200.713 12.660.736
Responsabilidades adicionais de imposto 11.741.764 9.014.699
31.942.477 21.675.436
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Imposto sobre o rendimento do período (1.260.778) 5.801.316
Pagamentos por conta, especiais e adicionais por conta 18.765.072 9.608.232
Retenções na fonte a recuperar 7.865 18.324
IRC das empresas incluídas no RETGS (34.106.939) (28.089.643)
Outros valores a (receber)/Pagar (3.605.933) 1.035
(20.200.713) (12.660.736)
Valores em Euros 2021 2020
IRC (RETGS) 2013 - 86.215
IRC (RETGS) 2010 - 2.341.168
RFAI 201 a 2012 - juros indemnizatórios 1.076.611 469.351
Outros 42.204 586.028
1.118.815 3.482.762
Valores em Euros 2021
2020
Saldo no início do período 3.482.762 7.198.086
Aumentos 189.876 7.639.701
Utilização (2.120.272) (10.168.202)
Reversões (433.551) (1.186.823)
Variação no período (2.363.947) (3.715.324)
1.118.815 3.482.762
Valores em Euros 2021
2020
Saldo no início do período 9.014.699 13.277.169
Aumentos 10.756.268 5.126.254
Utilização (975.264) (2.697.180)
Reversões (7.053.939) (6.691.544)
Variação no período 2.727.065 (4.262.470)
11.741.764 9.014.699
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 391
Liquidações pagas em contencioso
Em 31 de dezembro de 2021 e de 2020 as liquidações adicionais de imposto que se encontram pagas
e contestadas, não reconhecidas no ativo, respeitam ao Grupo Navigator e resumem-se como segue:
Políticas contabilísticas
O imposto corrente sobre o rendimento é determinado com base nos resultados líquidos, ajustados
em conformidade com a legislação fiscal vigente à data da Posição financeira.
Grupo fiscal
Em Portugal, o Grupo Navigator encontra-se sujeito ao Regime Especial de Tributação de Grupos de
Sociedades (RETGS), constituído pelas empresas com uma participação igual ou superior a 75% e
que cumprem as condições previstas no artigo 69º e seguintes do Código do IRC.
As empresas incluídas no RETGS apuram e registam o imposto sobre o rendimento tal como se
fossem tributadas numa ótica individual. As responsabilidades apuradas são, no entanto,
reconhecidas como devidas à sociedade dominante do grupo fiscal, atualmente a The Navigator
Company, S.A. a quem compete o apuramento global e a autoliquidação do imposto. Caso sejam
apurados ganhos na aplicação deste regime, estes são registados como um proveito na sociedade
dominante.
Os montantes que a Empresa tem a receber ou a pagar a outras empresas do grupo fiscal
relativamente às responsabilidades destas são apresentados nas rubricas de Valores a receber e
Valores a pagar.
Estimativas e julgamentos
A Empresa reconhece passivos para liquidações adicionais de impostos que possam resultar de
revisões efetuadas pelas autoridades fiscais. Quando o resultado final destas situações é diferente
dos valores inicialmente registados, as diferenças terão impacto no imposto sobre o rendimento, no
período em que tais diferenças são apuradas.
Em Portugal, as declarações anuais de rendimentos estão sujeitas a revisão e eventual ajustamento
por parte das autoridades fiscais durante um período de 4 anos. Contudo, no caso de serem
apresentados prejuízos fiscais estes podem ser sujeitos a revisão pelas autoridades fiscais por um
período de 6 anos.
O Conselho de Administração entende que eventuais correções àquelas declarações em resultado
de revisões/inspeções por parte das autoridades fiscais não terão efeito significativo nas
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
IRC agregado 2005 (Nota 9.3) 10.394.386 10.394.386
IRC agregado 2006 (Nota 9.3) 8.150.146 8.150.146
IRC agregado 2016 - 2.697.180
Derrama Estadual 2016 3.761.397 3.761.397
Derrama Estadual 2017 8.462.724 8.462.724
Derrama Estadual 2018 12.223.705 12.223.705
CDTJI IRC 2016 e 2017 1.522.660 -
44.515.018 45.689.538
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 392
demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2021, sendo certo que já foram revistos pela
Autoridade Tributária e Aduaneira os períodos até 2018, inclusive.
Posições fiscais incertas
O montante dos ativos e passivos estimados registados por conta de processos fiscais decorre de
uma avaliação efetuada pela Empresa com referência à data da demonstração da posição financeira,
quanto a potenciais divergências de entendimento com a Administração Tributária, tendo em conta
os desenvolvimentos que vão ocorrendo nas matérias fiscais.
A Empresa, no que se refere à mensuração das posições fiscais incertas, tem em consideração o
disposto na IFRIC 23 – Incerteza quanto aos impostos sobre o rendimento, nomeadamente na
mensuração dos riscos e incertezas na definição da melhor estimativa do gasto exigido para liquidar
a obrigação, através da ponderação de todos os possíveis resultados por si controlados e respetivas
probabilidades associadas.
6.2. IMPOSTOS DIFERIDOS
Movimentos em impostos diferidos
Na mensuração dos impostos diferidos em 31 de dezembro de 2021 e de 2020, foi utilizada a taxa
de 27,50%.
Políticas contabilísticas
O imposto diferido é calculado com base na responsabilidade da Posição financeira, sobre as
diferenças temporárias entre os valores contabilísticos dos ativos e passivos e a respetiva base de
tributação. Para a determinação do imposto diferido é utilizada a taxa fiscal que se espera estar em
vigor no período em que as diferenças temporárias serão revertidas.
Valores em Euros
Aumentos Reduções
Diferenças temporárias que originam ativos por impostos diferidos
Ajustamentos em investimentos em subsidiárias 12.580.190 8.425.255 (2.252.649) - - 18.752.796
Instrumentos financeiros 8.879.577 - - (1.430.747) - 7.448.830
Remuneração convencional de capital 280.000 - (140.000) - - 140.000
21.739.768 8.425.255 (2.392.649) (1.430.747) - 26.341.626
Diferenças temporárias que originam passivos por impostos diferidos
Ajustamentos em investimentos em subsidiárias (718.030) - - - - (718.030)
(718.030) - - - - (718.030)
Ativos por impostos diferidos 5.978.436 2.316.945 (657.978) (393.455) - 7.243.947
Passivos por impostos diferidos (197.458) - - - - (197.458)
Valores em Euros
Aumentos Reduções
Diferenças temporárias que originam ativos por impostos diferidos
Ajustamentos em investimentos em subsidiárias 16.674.660 - (4.094.470) - - 12.580.190
Instrumentos financeiros 8.525.155 - - 354.423 - 8.879.577
Remuneração convencional de capital - - (140.000) - 420.000 280.000
25.199.815 - (4.234.470) 354.423 420.000 21.739.768
Diferenças temporárias que originam passivos por impostos diferidos
Ajustamentos em investimentos em subsidiárias (718.030) - - - - (718.030)
(781.735) - 63.705 - - (718.030)
Ativos por impostos diferidos 6.929.949 - (1.164.479) 97.466 115.500 5.978.436
Passivos por impostos diferidos (197.458) - - - - (197.458)
Em 31 de
dezembro de
2020
Demonstração de resultados
Em 1 de
janeiro de
2020
Demonstração de resultados
Capital
próprio
Fusões
Capital
próprio
Fusões
Em 31 de
dezembro de
2021
Em 31 de
dezembro de
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 393
São reconhecidos impostos diferidos ativos sempre que exista razoável segurança de que serão
gerados lucros tributáveis futuros contra os quais poderão ser utilizados. Os impostos diferidos ativos
são revistos periodicamente e reduzidos sempre que deixe de ser provável que os mesmos possam
ser utilizados.
Os impostos diferidos são registados como gasto ou rendimento do período, exceto se resultarem
de valores registados diretamente em capital próprio, situação em que o imposto diferido é também
registado na mesma rubrica. Os incentivos fiscais atribuídos no âmbito de projetos de investimento
a desenvolver pela Empresa são reconhecidos em resultados do período na medida da existência de
matéria coletável nas empresas beneficiárias que permita a sua utilização.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 394
7. PESSOAL
7.1. GASTOS COM O PESSOAL
O aumento dos gastos com o pessoal acompanhou o bom desempenho da Navigator em 2021, que
permitiu o reconhecimento do acréscimo de gastos para o pagamento de gratificações em 2022. Foi
também retomado o programa de rejuvenescimento que havia sido suspenso em 2020.
Outros gastos com o pessoal – detalhe
Em 2020, fruto da impossibilidade de rescisões contratuais em resultado da adesão ao mecanismo
de lay-off simplificado, verificou-se a reversão das estimativas reconhecidas em anos anteriores.
Número de empregados no final do período
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, o número de Colaboradores com vínculo contratual à Empresa
era de 426 e 515, respetivamente, das quais 410 ao serviço de outras empresas do Grupo (2020:
492).
Políticas contabilísticas
Benefícios aos empregados de curto prazo
Direitos adquiridos – férias e subsídio de férias
De acordo com a convenção coletiva aplicável à The Navigator Company, S.A., os Trabalhadores
têm o direito a 25 dias úteis de férias, bem como a um mês de subsídio de férias, adquirido no ano
anterior ao do seu pagamento.
Valores em Euros
2021 2020
Remunerações dos Órgãos Sociais - fixas (Nota 7.3) 1.328.245 1.315.984
Remunerações dos Órgãos Sociais - variáveis 1.180.000 192.543
Outras remunerações 3.746.324 4.058.390
Contribuições para a Segurança Social 973.317 817.405
Benefícios pós emprego (Nota 7.2.2) 143.080 178.493
Outros gastos com o pessoal 3.721.285 801.602
Gastos com o pessoal 11.092.252 7.364.418
Valores em Euros
2021 2020
Formação 865.755 458.475
Gastos de recrutamento 81.125 117.214
Seguros 587 589 187.134
Indemnizações 1 149 505 (646.261)
Subsídio alimentação 124 142 119.154
Outros 913.170 565.886
3.721.285 801.602
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 395
Gratificações
De acordo com o sistema de gestão de desempenho vigente, os empregados podem vir a receber
uma gratificação no caso de cumprirem determinados objetivos, direito esse normalmente adquirido
no ano anterior ao do seu pagamento.
Estas responsabilidades são registadas no período em que os empregados adquirem o respetivo
direito, por contrapartida da demonstração dos resultados, independentemente da data do seu
pagamento, e o saldo por liquidar à data da Posição financeira está relevado na rubrica de Valores
a pagar (Nota 4.3).
Benefícios de cessação de emprego
Os benefícios de cessação de emprego são reconhecidos quando a Empresa deixa de poder retirar a
oferta dos benefícios; ou na qual a Empresa reconhece os gastos de uma reestruturação, no âmbito
do registo das provisões. Os benefícios devidos a mais de 12 meses após o final do período de
reporte são descontados para o seu valor presente.
7.2. BENEFÍCIOS AOS EMPREGADOS
7.2.1 Plano de Benefício definido
Política de gestão do risco associado a planos de benefício definido
A exposição da Empresa ao risco encontra-se limitada ao número de beneficiários já existentes e
terá tendência a diminuir, uma vez que não existem na Empresa planos de benefício definido abertos
à adesão de novos empregados.
Os riscos mais significativos a que a Empresa se encontra exposta através dos planos de benefício
definido incluem:
i) Risco de alteração da longevidade dos participantes
ii) Risco de variação das taxas de mercado – a variação de taxas impacta a taxa utilizada para
descontar as responsabilidades (taxa de juro técnica) que se baseia em curvas de rentabilidade
(yield) de obrigações com notação rating elevado e com maturidades semelhantes às datas de termo
das responsabilidades e a taxa fixa de rendimento dos ativos. A Empresa utiliza curvas de mercado,
de forma a acompanhar a evolução das taxas e procede a análises de sensibilidade a variações de
taxa de juro com o objetivo de antecipar e acautelar o consequente impacto no nível de
financiamento do fundo.
iii) Risco de alteração da taxa de crescimento salarial e de pensões
iv) Rentabilidade dos ativos financeiros do fundo – a Empresa monitoriza de forma muito próxima a
evolução dos ativos do fundo, bem como a evolução dos principais indicadores de mercados
financeiros, revisitando a política de investimento aprovada para a gestão dos ativos sempre que se
justifique, e pelo menos de três em três anos. A política de investimento está alinhada com uma
visão conservadora na gestão dos ativos e definida tendo por base as responsabilidades a financiar
pelo fundo.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 396
Responsabilidades líquidas
As responsabilidades líquidas refletidas na demonstração da posição financeira e na nota 4.2 -
Valores a receber e o número de beneficiários dos planos de benefício definido em vigor na Empresa
detalham-se como segue:
Informação histórica – últimos cinco anos
Evolução das responsabilidades com planos de benefício definido
A duração média esperada das responsabilidades de benefício definido é de 10 anos (2020: 10 anos).
Fundos
Fundos afetos aos planos de pensões de benefício definido - evolução
No decurso do período de 2021, as contribuições para o plano de benefício definido apresentadas
supra como Dotação efetuada foram integralmente realizadas pela Empresa, não se tendo verificado
quaisquer contribuições por parte dos participantes dos mesmos.
Nº Benef. Valor Nº Benef. Valor
Responsabilidades por serviços passados
Ativos, incluindo contas individuais 13 900.211 16 2.077.755
Ex-colaboradores 1 457.502 1 461.311
Aposentados 143 14.996.483 142 14.548.795
Valor de mercado dos fundos - (16.798.826) - (15.924.756)
Total responsabilidades líquidas 157 (444.631) 159 1.163.105
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
2017 2018 2019 2020 2021
Valor presente das obrigações 17.102.056 16.609.101 17.339.850 17.087.861 16.354.196
Justo valor dos ativos e conta Reserva 17.495.274 15.544.240 16.409.644 15.924.756 16.798.826
Excedente / (défice) 393.218 (1.064.860) (930.206) (1.163.105) 444.631
2021
Valores em Euros
Pensões com fundo autónomo 17.087.861 44.883 206.569 238.451 (1.223.568) 16.354.196
17.087.861 44.883 206.569 238.451 (1.223.568) 16.354.196
2020
Valores em Euros
Pensões com fundo autónomo 17.339.850 67.304 293.996 566.370 (1.179.659) 17.087.861
17.339.850 67.304 293.996 566.370 (1.179.659) 17.087.861
Saldo final
Saldo inicial
Custo
serviços
correntes
Juro líquido
Desvios
atuariais
Pagamentos
efetuados
Saldo final
Saldo inicial
Custo
serviços
correntes
Juro líquido
Desvios
atuariais
Pagamentos
efetuados
Valores em Euros
2021 2020
Valor no início do período 15.924.756 16.409.644
Dotação efetuada 1.390.000 -
Retorno dos ativos dos planos 191.470 276.540
Pensões pagas (1.223.568) (1.179.659)
Remensurações 516.168 418.233
Valor no fim do período 16.798.826 15.924.756
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 397
Fundos afetos a planos de benefício definido – contribuições estimadas no próximo período
As contribuições previstas para o próximo período de relato anual estão, entre outros fatores,
dependentes da rentabilidade dos ativos dos fundos.
Fundos afetos a planos de benefícios definidos - composição do património
7.2.2 Gastos suportados com planos de benefícios pós emprego
Políticas contabilísticas
Benefícios pós-emprego - planos de benefício definido
A Empresa tem o compromisso de pagar aos seus empregados prestações pecuniárias a título de
complementos de pensões de reforma por velhice, invalidez, reforma antecipada e pensões de
sobrevivência, constituindo planos de benefício definido.
A Empresa constituiu fundos de pensões autónomos como forma de financiar a quase totalidade das
suas responsabilidades. Com base no método das unidades de crédito projetadas, a Empresa
reconhece os custos com a atribuição destes benefícios à medida que os serviços são prestados
pelos empregados. Deste modo a responsabilidade total da Empresa é estimada, pelo menos,
semestralmente, à data dos fechos intercalar e anuais de contas, para cada plano separadamente,
por uma entidade especializada e independente.
A responsabilidade assim determinada é apresentada na demonstração da posição financeira,
deduzida do justo valor dos fundos constituídos, na rubrica Responsabilidades por benefícios
definidos.
Os desvios atuariais que resultam da alteração no valor das responsabilidades estimadas, como
consequência de alterações aos pressupostos financeiros e demográficos utilizados e ganhos de
experiência, adicionadas do diferencial entre o retorno real dos ativos do fundo e a quota-parte
estimada no juro líquido, são designados por remensurações e registados diretamente na
Demonstração do rendimento integral, em resultados transitados.
Valores em Euros
31-12-2021 % 31-12-2020 %
Títulos cotados em mercado ativo
Obrigações 11.134.262 66,3% 6.721.836 42,2%
Ações 4.806.144 28,6% 2.885.564 18,1%
Dívida pública - 0,0% 684.764 4,3%
Liquidez 858.420 5,1% 5.632.592 35,4%
16.798.826 100% 15.924.756 100,0%
Valores em Euros
Custo
serviços
correntes
Juro líquido
Contribuição
definida -
Contribuições
do período
Impacto no
resultado
líquido (Nota
7.1)
Custo
serviços
correntes
Juro líquido
Contribuição
definida -
Contribuições
do período
Impacto no
resultado
líquido (Nota
7.1)
Pensões com fundo autónomo 44.883 15.100 - 59.982 67.304 17.457 - 84.760
Planos de contribuição definida - - 83.098 83.098 - - 93.733 93.733
44.883 15.100 83.098 143.080 67.304 17.457 93.733 178.493
2020
2021
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 398
O juro líquido corresponde à aplicação da taxa de desconto ao valor das responsabilidades líquidas
(valor das responsabilidades deduzido do justo valor dos ativos do fundo) e é reconhecido nos
resultados do período, na rubrica de Gastos com o pessoal (Nota 7.1).
Os ganhos e perdas gerados por um corte ou uma liquidação de um plano de pensões de benefícios
definidos são reconhecidos em resultados do período quando o corte ou a liquidação ocorrer. Um
corte ocorre quando se verifica uma redução material no número de empregados.
Os custos por responsabilidades passadas, que resultem da implementação de um novo plano ou
acréscimos nos benefícios atribuídos, são reconhecidos imediatamente em resultados do período.
Benefícios pós-emprego - planos de contribuição definida
A Empresa assumiu compromissos relativos à contribuição para planos de contribuição definida, de
uma percentagem dos vencimentos dos empregados abrangidos por esses planos, por forma a
proporcionar um complemento de pensões de reforma por velhice, invalidez e pensões de
sobrevivência.
Para este efeito, foram constituídos Fundos de Pensões que visam a capitalização daquelas
contribuições, para os quais os empregados podem ainda efetuar contribuições voluntárias, mas
relativamente aos quais a Empresa não assume responsabilidades de contribuição adicionais ou um
retorno pré-fixado. Desta forma, as contribuições efetuadas são registadas como gastos do período,
no qual são reconhecidas, independentemente do momento da sua liquidação.
Estimativas e julgamentos
Pressupostos atuariais
Análise de sensibilidade
A Empresa considera a taxa de juro técnica e a taxa de crescimento salarial esperada como as
variáveis mais significativas no cálculo das responsabilidades referentes a planos de benefícios
definidos.
Em 31 de dezembro de 2021 uma alteração em baixa de 0,25 pontos percentuais na taxa de
desconto utilizada (1,25%) no cálculo das responsabilidades com pensões originaria um acréscimo
de responsabilidades de cerca de €399.516 (31 de dezembro de 2020: um acréscimo de
responsabilidades de cerca de €429.095).
Em 31 de dezembro de 2021 uma alteração em alta de 0,25 pontos percentuais na taxa de desconto
utilizada (1,25%) no cálculo das responsabilidades com pensões originaria uma redução de
responsabilidades de cerca de €382.788 (31 de dezembro de 2020: €410.889).
31-12-2021 31-12-2020
Fórmula de Benefícios da Segurança Social
Tabelas de invalidez EKV 80 EKV 80
Tabelas de mortalidade TV 88/90 TV 88/90
Taxa de crescimento salarial 1,00% 1,00%
Taxa de juro técnica 1,25% 1,25%
Taxa de remuneração dos ativos dos planos 1,25% 1,25%
Taxa de crescimento das pensões 1,00% 1,00%
Decreto-Lei nº 187/2007 de 10 de maio
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 399
7.3. REMUNERAÇÃO DOS MEMBROS DOS ÓRGÃOS SOCIAIS
Remuneração dos membros do Conselho de Administração
Todos os detalhes da política de remunerações dos membros do Conselho de Administração da
Navigator encontram-se detalhados no relatório do Governo Societário da Sociedade.
No que respeita a benefícios pós-emprego, em 31 de dezembro de 2021, o montante de
responsabilidades afetas a planos de benefícios pós-emprego, respeitantes a um administrador da
Empresa, ascendia a €956.764 (31 de dezembro de 2020: €991.706). Adicionalmente, três dos
atuais administradores são participantes de planos de pensões da Navigator Brands, S.A., subsidiária
da Sociedade, na qualidade de Colaboradores daquela sociedade, antes de integrarem cargos de
administração.
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, relativamente aos membros do Conselho de Administração da
Navigator, não existiam: i) quaisquer responsabilidades adicionais afetas a outros benefícios de
longo prazo, ii) benefícios de cessação de emprego, iii) pagamentos com base em ações atribuídas
nem iv) quaisquer saldos pendentes.
Valores em Euros
2021 2020
Órgãos Sociais da Navigator
Conselho de Administração 1.244.461 1.224.700
Conselho Fiscal 46.284 46.284
Mesa da Assembleia Geral 4.000 16.000
Conselho Impacto Ambiental 33.500 29.000
Total (Nota 7.1) 1.328.245 1.315.984
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 400
8. INSTRUMENTOS FINANCEIROS
8.1. GESTÃO DO RISCO FINANCEIRO
A Empresa, ao nível do Grupo Navigator, tem um programa de gestão de risco que concentra a sua
análise na atividade e desempenho dos mercados financeiros com vista a minimizar os potenciais
efeitos adversos na sua performance financeira. A gestão do risco é conduzida pela direção financeira
do Grupo de acordo com políticas aprovadas pelos respetivos Conselhos de Administração e
acompanhada pela Comissão de Controlo e Riscos.
A Empresa tem tido uma postura ativa de gestão do risco, procurando minimizar os potenciais efeitos
adversos a eles associados, nomeadamente no que respeita ao risco cambial e o risco de taxa de
juro.
8.1.1 Risco cambial
Política de gestão do risco cambial
Uma parte significativa das vendas da Empresa é denominada em moedas diferentes do Euro, pelo
que a sua evolução poderá ter um impacto significativo nos fluxos de caixa obtidos com as vendas
futuras da Empresa, sendo a moeda com maior impacto o USD. Também as vendas em GBP, PLN e
CHF têm alguma expressão, tendo as vendas noutras moedas menor significado.
As compras de algumas matérias-primas são efetuadas em USD, nomeadamente parte das
importações de madeira e de pasta de fibra longa, pelo que variações nesta moeda poderão ter um
impacto nos valores de aquisição.
Adicionalmente, e uma vez concretizada uma venda ou compra em moeda diferente do Euro, a
Empresa incorre em risco cambial até ao recebimento ou pagamento dessa venda ou compra, caso
não contrate instrumentos de cobertura deste risco. Deste modo, existe permanentemente, no seu
ativo, um montante significativo de créditos a receber, assim como, embora com menor expressão,
débitos a pagar, expostos a risco cambial.
A Empresa detém subsidiárias no estrangeiro que a expõem ao risco cambial, nomeadamente a
Navigator North America nos Estados Unidos e a Portucel Moçambique. Para além destas operações,
a Empresa não detém mais investimentos em operações externas que sejam materialmente
relevantes e cujos ativos líquidos estejam expostos ao risco cambial.
Utilização de instrumentos financeiros derivados
A Empresa recorre à utilização de instrumentos financeiros derivados para a gestão do risco cambial,
de acordo com uma política definida periodicamente e que tem como objetivo limitar o risco líquido
de exposição cambial associado às vendas e compras futuras, aos créditos e débitos a receber e a
pagar e outros ativos denominados em moedas diferentes do Euro.
Nos períodos apresentados, a Empresa detém derivados que se encontram a cobrir o risco cambial
de operações futuras em moeda diferente da moeda de apresentação.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 401
Exposição dos ativos e passivos financeiros ao risco cambial
e análise de sensibilidade
Na presente nota a Empresa divulga a exposição dos ativos e passivos financeiros ao risco cambial,
bem como a respetiva análise de sensibilidade, existindo divisas, em que a Empresa realizou
transações, mas que nas quais, à data de balanço, não possui exposições cambais relevantes, razão
pela qual as taxas de câmbio divulgadas na Nota 1.4.4 são em maior número do que as moedas
apresentadas nesta nota.
8.1.2 Risco de taxa de juro
Política de gestão do risco de taxa de juro
Uma parte do custo associado à dívida financeira contraída pela Empresa está indexada a taxas de
referência de curto prazo, revistas com uma periodicidade inferior a um ano (geralmente seis meses
na dívida de médio e longo prazo). Deste modo, variações nas taxas de juro podem afetar os
resultados da Empresa.
A estratégia de gestão do risco de taxa de juro é revista anualmente pela Empresa, sendo que
atualmente a Empresa mantém grande parte da sua dívida negociada a taxa fixa.
Utilização de instrumentos financeiros derivados
Nos casos em que a Administração considera adequado, a Empresa recorre à utilização de
instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2), nomeadamente swaps, tendo estes instrumentos
como objetivo de fixar a taxa de juro dos empréstimos que obtém, dentro de determinados
parâmetros, considerados adequados pelas políticas de gestão de risco da Empresa.
Exposição ao risco de taxa de juro
A 31 de dezembro de 2021 cerca de 5% (31 de dezembro de 2020: 36%) do custo da dívida
financeira contraída pela Empresa estava indexado a taxas de referência de curto prazo, revistas
com uma periodicidade inferior a um ano (geralmente seis meses na dívida de médio e longo prazo)
31 de dezembro de 2021
Dólar Norte
Americano
Libra
Esterlina
Zloti Polaco Franco Suiço Total ( Euros)
Valores em Divisas
Caixa e equivalentes de caixa 2.180.829 263.672 288.237 117.265 2.415.508
Valores a receber 111.969.488 16.861.333 10.996.016 1.397.421 122.671.601
Total de ativos financeiros 114.150.317 17.125.005 11.284.253 1.514.686 125.087.108
Financiamentos
Valores a pagar (5.701.640) (58.920) - (36.545) (5.139.610)
Total de passivos financeiros (5.701.640) (58.920) - (36.545) (5.139.610)
Posição financeira líquida em moeda estrangeira 108.448.677 17.066.085 11.284.253 1.478.141
Posição financeira líquida em Euros 95.751.966 20.309.997 2.454.753 1.430.782 119.947.498
Impacto da variação de + 10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período 8.223.512
Impacto da variação de -10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período (10.199.055)
31 de dezembro de 2020
Dólar Norte
Americano
Libra
Esterlina
Zloti Polaco Franco Suiço
Dólar
Australiano
Total ( Euros)
Valores em Divisas
Caixa e equivalentes de caixa 1.745.012 235.187 1.175 5.427 - 1.688.945
Valores a receber 46.002.864 4.727.535 3.295.918 148.770 140.476 43.696.508
Total de ativos financeiros 47.747.876 4.962.722 3.297.092 154.197 140.476 45.385.452
Valores a pagar (40.393.128) (7.484.115) - (41.426) - (41.280.558)
Total de passivos financeiros (40.393.128) (7.484.115) - (41.426) - (41.280.558)
Posição financeira líquida em moeda estrangeira 7.354.748 (2.521.394) 3.297.092 112.771 140.476
Posição financeira líquida em Euros 5.993.601 (2.804.571) 723.094 104.398 88.372 4.104.895
Impacto da variação de + 10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período 241.594
Impacto da variação de -10% em todas as taxas de câmbio nos resultados do período (219.632)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 402
e adicionadas de prémios de risco oportunamente negociados. Assim, variações nas taxas de juro
podem afetar os resultados da Empresa.
A Navigator tem privilegiado a contratação de dívida a taxa fixa e recorrido à utilização de
instrumentos financeiros derivados, nomeadamente a swaps de taxa de juro, com o objetivo de fixar
a taxa de juro dos empréstimos que obtém, dentro de determinados parâmetros.
Em 31 de dezembro 2021 e 31 de dezembro de 2020, o resumo dos ativos e passivos financeiros
com exposição a risco de taxa de juro em função da maturidade ou data de refixação é apresentado
no quadro seguinte:
Estimativas e julgamentos
Análise de sensibilidade
A Navigator utiliza a técnica da análise de sensibilidade que mede as alterações estimadas nos
resultados e capitais de um aumento ou diminuição imediata das taxas de juro de mercado, com
todas as outras variáveis constantes. Esta análise é apenas para fins ilustrativos, já que na prática
as taxas de mercado raramente se alteram isoladamente.
Valores em Euros Até 1 mês 1-3 meses 3-12 meses 1-5 anos Mais de 5 anos Total
A 31 de dezembro de 2021
Ativos
Correntes
Caixa e seus equivalentes 354.336.647 - - - - 354.336.647
Total de ativos financeiros 354.336.647 - - - - 354.336.647
Passivos
Não correntes
Financiamentos obtidos - - - 647.913.901 32.202.381 680.116.282
Correntes
Financiamentos obtidos - 115.218.254 - - - 115.218.254
Total de passivos financeiros - 115.218.254 - 647.913.901 32.202.381 795.334.536
Diferencial acumulado 354.336.647 239.118.393 239.118.393 (408.795.508) (440.997.889)
Valores em Euros Até 1 mês 1-3 meses 3-12 meses 1-5 anos Mais de 5 anos Total
A 31 de dezembro de 2020
Ativos
Correntes
Caixa e seus equivalentes 296.941.052 - - - - 296.941.052
Total de ativos financeiros 296.941.052 - - - - 296.941.052
Passivos
Não correntes
Financiamentos obtidos - - - 503.086.118 149.837.301 652.923.419
Correntes
Financiamentos obtidos - 40.000.000 251.527.778 - - 291.527.778
Total de passivos financeiros - 40.000.000 251.527.778 503.086.118 149.837.301 944.451.197
Diferencial acumulado 296.941.052 256.941.052 5.413.274 (497.672.844) (647.510.145)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 403
A análise de sensibilidade é baseada nos seguintes pressupostos:
i) Alterações nas taxas de juro do mercado afetam rendimentos ou despesas de juros de
Instrumentos financeiros variáveis;
ii) Alterações nas taxas de juro de mercado afetam o justo valor de Instrumentos financeiros
derivados e outros ativos e passivos financeiros;
iii) Alterações no justo valor de Instrumentos financeiros derivados e outros ativos e passivos
financeiros são estimados descontando os fluxos de caixa futuros de valores atuais líquidos,
utilizando taxas de mercado do final do ano.
Um incremento de 0,50% nas taxas de juro sobre as quais são calculados os juros dos empréstimos
contratados pela Empresa teria um impacto nos seus resultados antes de impostos do período findo
em 31 de dezembro de 2021 em cerca de €106.250 (31 de dezembro de 2020: €1.701.516).
8.1.3. Risco de liquidez
Política de gestão do risco de liquidez
A Empresa gere o risco de liquidez por duas vias:
i) garantindo que a sua dívida financeira tem uma componente elevada de médio e longo prazo
com maturidades adequadas às características das indústrias onde exerce a sua atividade, e
ii) através da contratação com instituições financeiras de linhas de crédito disponíveis a todo o
momento, por um montante que garanta uma liquidez adequada.
Créditos disponíveis e não utilizados
O Grupo tem por política manter linhas de crédito em níveis adequados para, juntamente com o
montante de Caixa e Equivalentes fazer face ao orçamento de tesouraria do Grupo nos próximos 12
meses.
Maturidade contratual dos passivos financeiros (fluxos não descontados,
incluindo juros)
Valores em Euros Até 1 mês 1-3 meses 3-12 meses 1-5 anos + de 5 anos Total
A 31 de dezembro de 2021
Passivos
Financiamentos obtidos (Nota 5.7)
Empréstimos por obrigações 420.000 2.197.750 6.495.875 457.660.500 - 466.774.124
Papel comercial 65.130.000 36.242.500 994.000 144.224.500 - 246.590.999
Empréstimos bancários - 552.000 13.495.740 80.570.487 33.462.507 128.080.736
Passivos de locação (Nota 5.8) - - - - -
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) - 1.185.597 1.259.307 323.238 - 2.768.142
Outros valores a pagar - - - - - -
Total passivos 65.550.000 40.177.847 22.244.922 682.778.726 33.462.507 844.214.001
Dos quais juros (às taxas em vigor à data) 37.408.448
A 31 de dezembro de 2020
Passivos
Financiamentos obtidos (Nota 5.7)
Empréstimos por obrigações - 351.070 36.732.406 358.440.835 98.316.486 493.840.798
Papel comercial 189.470 1.259.757 2.043.761 262.416.635 103.695.050 369.604.674
Empréstimos bancários - - 12.022.560 93.578.767 57.606.355 163.207.681
Passivos de locação (Nota 5.7)
Valores a pagar (Nota 4.3)
Instrumentos financeiros derivados (Nota 8.2) - 941.492 987.948 4.115.276 - 6.044.716
Outros valores a pagar
Total passivos 189.470 2.552.319 51.786.674 718.551.513 259.617.891 1.032.697.868
Dos quais juros (às taxas em vigor à data) 43.904.949
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 404
O quadro tem em consideração a dívida emitida e a dívida de longo prazo contratada e não
desembolsada que irá refinanciar a dívida a vencer em 2022 (Linhas de crédito disponíveis e não
utilizadas).
A maturidade contratual dos financiamentos obtidos apresentada pressupõe o cumprimento
de covenants financeiros, conforme detalhados na Nota 5.6 – Financiamentos obtidos.
Linhas de créditos disponíveis e não utilizadas
Em 31 de dezembro de 2021 o passivo corrente da Navigator é superior ao seu ativo corrente.
Contudo, tal facto é fortemente influenciado por saldos a pagar a subsidiárias, cuja gestão é comum
e a capacidade de determinar a exigibilidade dos saldos cabe ao mesmo Conselho de Administração.
Faz-se ainda notar que os indicadores de liquidez da Empresa e os covenants da sua dívida
demonstram um considerável conforto.
8.1.4. Risco de crédito
Política de gestão do risco de crédito
A Empresa encontra-se sujeita a risco de crédito sobre os saldos a receber dos Clientes e a outros
devedores, tendo adotado uma política de gestão de cobertura de risco dentro de determinados
níveis através de seguros de crédito com uma entidade independente especializada.
A quase totalidade das vendas que não estão abrangidas por um seguro de crédito são cobertas por
garantias bancárias ou créditos documentários, sendo que qualquer exposição não coberta se
encontra dentro de limites previamente aprovados pela Comissão Executiva.
No entanto, o agravamento das condições económicas globais ou adversidades que afetem apenas
as economias a uma escala local pode originar uma deterioração na capacidade dos Clientes da
Empresa em saldar as suas obrigações, levando a que as entidades que prestam o seguro de crédito
diminuam significativamente o montante das linhas que disponibilizam para esses Clientes, o que
pode resultar em limitações nos montantes que se conseguem vender a alguns Clientes da Empresa,
sem incorrer diretamente em níveis de risco de crédito enquadráveis na política de risco nesta área.
Equivalentes de caixa
A Empresa tem uma política rigorosa de aprovação das suas contrapartes financeiras, limitando a
sua exposição de acordo com uma análise individual de risco e com plafonds previamente aprovados.
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Linhas de crédito não utilizadas
Papel comercial (com tomada firme de longo prazo) 125.000.000 125.000.000
Financiamentos de longo prazo contratados e não desembolsados - 132.500.000
Outras linhas de crédito 20.450.714 20.450.714
145.450.714 277.950.714
Papel comercial utilizado (Nota 5.6) 240.000.000 375.000.000
Outras linhas de crédito utilizadas 593.805.254 613.792.919
Linhas de crédito contratadas (valor nominal) 979.255.968 1.266.743.633
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 405
Exposição máxima ao risco de crédito
A exposição máxima da Empresa ao risco de crédito de ativos financeiros corresponde ao valor
líquido dos mesmos, conforme segue:
Estrutura de antiguidade dos saldos de Clientes
Em 31 de dezembro de 2021 e 2020, os saldos a receber de Clientes apresentavam a seguinte
estrutura de antiguidade, considerando como referência a data de vencimento dos valores em aberto
antes de imparidades:
Os valores apresentados correspondem aos valores em aberto, face aos prazos de vencimento contratados.
Apesar de existirem atrasos na liquidação de alguns valores face a esses prazos, tal não resulta, de
acordo com a informação que é do conhecimento da Empresa, na identificação de situações de
imparidade para além das consideradas através das correspondentes perdas. Estas são apuradas
atendendo à informação regularmente reunida sobre o comportamento financeiro dos Clientes da
Empresa, que permite, em conjugação com a experiência reunida na análise da carteira e em
conjugação com os sinistros de crédito que se verifiquem, na parte não atribuível à seguradora,
definir o valor das perdas a reconhecer no período. O facto de existirem garantias para uma parte
significativa dos saldos em aberto e com antiguidade, justifica o facto de não se ter registado
qualquer perda por imparidade nesses saldos. Refira-se que as regras do seguro de risco de crédito
seguido pelo Grupo asseguram uma cobertura de parte significativa dos saldos em aberto.
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
Não correntes
Valores a receber (Nota 4.2) 6.684 6.684
Correntes
Valores a receber (Nota 4.2) 866.987.969 750.265.643
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 5.8) 354.336.647 296.941.052
1.221.331.300 1.047.213.380
Valores em Euros 31-12-2021 31-12-2020
valores não vencidos 177.898.470 114.903.558
de 1 a 90 dias 904.687 240.704
de 91 a 180 dias 68.708 -
de 181 a 360 dias 27.892 -
de 361 a 540 dias - -
de 541 a 720 dias - -
a mais de 721 dias - -
178.899.757 115.144.261
Saldos considerados em imparidade 1.452.954 1.249.988
Imparidades (1.452.954) (1.249.988)
Saldo líquido de clientes (Nota 4.2) 178.899.757 115.144.261
Valores a receber de clientes cobertos por seguro de crédito 165.019.240 99.185.012
Valores a receber de clientes cobertos por garantias bancárias 2.650.130 1.727.494
Valores a receber de clientes cobertos por acordos de reserva de propriedade 5.464.991 1.101.555
Valores a receber de clientes cobertos por cartas de crédito / remessas documentárias 5.765.396 10.045.496
Valores a receber cobertos 178.899.757 112.059.557
Linhas de seguro de crédito disponíveis não utilizadas 264.747.564 350.257.638
Linhas de cobertura de crédito contratadas 443.647.321 462.317.195
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 406
Movimentos em perdas por imparidade acumuladas em Clientes
Políticas contabilísticas
Imparidade de ativos financeiros
A Empresa avalia, numa base prospetiva, as perdas de crédito esperadas associadas aos seus ativos
financeiros mensurados ao custo amortizado e ao justo valor por outro rendimento integral, de
acordo com a IFRS 9.
Nesta base, a Navigator reconhece as perdas de crédito esperadas (expected credit losses) ao longo
da respetiva duração dos instrumentos financeiros que tenham sido objeto de aumentos
significativos do risco de crédito desde o reconhecimento inicial, avaliado numa base individual ou
coletiva, tendo em conta todas as informações razoáveis e sustentáveis, incluindo a informação
prospetiva disponível.
Se, à data de relato, o risco de crédito associado a um instrumento financeiro não tiver aumentado
significativamente desde o reconhecimento inicial, a Empresa mensura a imparidade relativa a esse
instrumento financeiro por uma quantia equivalente às perdas de crédito esperadas.
A IFRS 9 prevê que para o cálculo destas imparidades seja utilizado um de dois modelos: método
das 3 fases ou uso de uma matriz, sendo a componente distintiva a existência ou não de uma
componente significativa de financiamento. No caso dos ativos financeiros da Navigator, não sendo
a mesma uma instituição financeira e não existindo ativos que tenham uma componente significativa
de financiamento, optou-se pela utilização de uma matriz.
O modelo seguido na avaliação das imparidades de acordo com a IFRS 9 é como segue:
I. Calcular o total de vendas a crédito realizadas pelo Grupo durante os últimos 12 meses,
assim como o montante total de cobrança duvidosa que se lhes associa;
II. Apurar o perfil de pagamento dos Clientes, definindo intervalos de periodicidade de
recebimento;
III. Com base em I. e II. acima, estimar a probabilidade de default (ou seja, o montante de
cobrança duvidosa apurado em I. comparado com saldo de vendas em aberto em cada
intervalo calculado em II);
IV. Ajustar as percentagens obtidas em III. de projeções futuras;
V. Aplicar as percentagens de default conforme calculadas em IV. aos saldos de Clientes ainda
em aberto na data de relato.
Apesar da IFRS 9 presumir 90 dias como “default”, a Navigator considerou 180 dias, pois a
experiência de perdas reais antes deste prazo é reduzida, além de se encontrar alinhado com as
atuais políticas de gestão de risco da entidade, nomeadamente no que diz respeito ao seguro de
crédito contratado e ao facto de não existirem vendas com componentes significativas de
Valores em Euros
2021 2020
Imparidades acumuladas no início do período (1.249.988) (550.370)
Variações devidas a:
Aumentos reconhecidos em resultados do período (127.605) ( 249 846)
Reversão de montantes não utilizados 44.011 27.950
Variações reconhecidas em resultados do período (Nota 2.3) (83.594) (221.895)
Desreconhecimento de ativos por incobrabilidade (119.371) (477.723)
Imparidades acumuladas no final do período (1.452.954) (1.249.988)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 407
financiamento à luz da IFRS 15. Adicionalmente, a entidade avaliou o impacto de considerar 180
dias de “default” em detrimento de 90 dias e a “Expected Credit Loss” não se alteraria
significativamente.
Além deste prazo, o modelo tem em consideração a franquia paga pela Navigator em caso de sinistro
na seguradora de crédito contratada, de 10% para Clientes nacionais e de 5% para Clientes
internacionais.
Face à situação de pandemia de Covid-19, a Empresa analisou o risco de crédito, considerando os
impactos económico-financeiros esperados decorrentes da Covid-19 a nível macroeconómico.
Neste sentido, e tendo por referência 31 de dezembro de 2021, foi reduzido o valor de risco de
recuperabilidade em €123.146 (31 de dezembro de 2020: reforçado em €677.723).
Além disso, a Empresa reconhece imparidades em base casuística, com base em saldos específicos
e eventos passados específicos, tendo em conta a informação histórica das contrapartes, o seu perfil
de risco e outros dados observáveis de forma a aferir se existe indicadores objetivos de imparidade
para esses ativos financeiros. A Empresa utiliza o procedimento de anulação (write-off) apenas
quando o crédito é considerado definitivamente incobrável, por decisão do tribunal.
8.2. INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVADOS
Movimentos em instrumentos financeiros derivados
Detalhe e maturidade dos instrumentos financeiros derivados por natureza
Valores em Euros
Derivados de
negociação
Derivados de
cobertura
Total líquido
Derivados de
negociação
Derivados de
cobertura
Total líquido
Saldo no início do período 3.160.131 (5.336.693) (2.176.562) 536.035 (4.316.492) (3.780.457)
Novos contratos / liquidações (623.573) 2.326.438 1.702.865 623.573 2.982.135 3.605.708
Variação de justo valor em resultados (Nota 5.10) (4.265.016) (3.191.640) (7.456.656) 2.000.523 (3.647.914) (1.647.391)
Variação de justo valor em outro rendimento integral (Nota 5.5)
- 1.430.747 1.430.747 - (354.422) (354.422)
Saldo no final do período (1.728.458) (4.771.149) (6.499.607) 3.160.131 (5.336.693) (2.176.562)
2021
2020
31 de dezembro de 2021
Valores em Euros
Nocional Moeda Maturidade
Positivos
(Nota 4.2)
Negativos
(Nota 4.3)
Líquido
De cobertura
Cobertura (vendas futuras) 242.500.000 USD 2022 9.066 (1.426.675) (1.417.609)
Cobertura (vendas futuras) 83.000.000 GBP 2022 (483.940) (483.940)
Swaps de taxa de juro (Swaps) - Obrigações 375.000.000 EUR 2026 1.621.916 (2.804.403) (1.182.487)
Pasta BHKP 27.120.000 USD 2022 - (1.687.112) (1.687.112)
1.630.982 (6.402.131) (4.771.149)
De negociação
Forwards cambiais (vendas futuras) 129.745.503 USD 2023 - (1.640.154) (1.640.154)
Forwards cambiais (vendas futuras) 9.050.000 GBP 2021 - (86.856) (86.856)
Forwards cambiais (vendas futuras) 300.000 CHF 2021 - (1.448) (1.448)
Compra futura de licenças CO2 (Nota 3.2) - EUR 2021 - - -
- (1.728.458) (1.728.458)
1.630.982 (8.130.589) (6.499.607)
31 de dezembro de 2020
Valores em Euros
Nocional Moeda Maturidade
Positivos
(Nota 4.2)
Negativos
(Nota 4.3)
Líquido
De cobertura
Cobertura (vendas futuras) 204.000.000 USD 2021 831.818 (668) 831.149
Cobertura (vendas futuras) 72.000.000 GBP 2021 (515.688) (515.688)
Swaps de taxa de juro (Swaps) - Obrigações 200.000.000 EUR 2025 - (5.501.229) (5.501.229)
Pasta BHKP 9.120.000 USD 2021 - (150.926) (150.926)
831.818 (6.168.511) (5.336.693)
De negociação
Forwards cambiais (vendas futuras) 100.228.946 USD 2023 2.564.049 - 2.564.049
Forwards cambiais (vendas futuras) 5.425.000 GBP 2021 - (27.345) (27.345)
Forwards cambiais (vendas futuras) 225.000 CHF 2021 (146) (146)
Compra futura de licenças CO2 (Nota 3.2) 2.545.625 EUR 2021 623.573 - 623.573
3.187.622 (27.491) 3.160.131
4.019.440 (6.196.001) (2.176.561)
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 408
Cobertura de vendas futuras | risco cambial EUR/USD e EUR/GBP
No decorrer do último trimestre de 2021, a Empresa concluiu a contratação dos instrumentos
financeiros derivados adquirindo USD $242.500.000 e GBP £83.000.000, em Zero Cost Collar,
garantindo assim a cobertura total do valor estimado de exposição para o exercício de 2022.
Cobertura de taxa de juro
No decorrer do primeiro trimestre de 2021, a Empresa procedeu ao reforço das coberturas
associadas à taxa de juro, por via da contratação de um swap no valor de €75.000.000 para fixação
da taxa de juro associada ao empréstimo obrigacionista Navigator 2020-2026, do mesmo montante.
Já no final do segundo trimestre, a Empresa realizou a contratação de uma nova cobertura à taxa
de juro, no valor de €100.000.000 para fixação da taxa de juro associada ao empréstimo
obrigacionista Navigator 2021-2026, com início em agosto de 2021.
Cobertura de Pasta BHKP
Tal como no ano transato, o Grupo assegura um acompanhamento periódico à sua exposição ao
preço da pasta BHKP.
No decorrer do 4.º trimestre de 2021, por opção, a Empresa procedeu à aquisição de instrumentos
financeiros para cobertura do preço da pasta, por via da contratação de um conjunto de swaps para
fixação de preço para 30.000 toneladas de pasta, para os próximos 12 meses, findo a 31 de
dezembro de 2022.
Políticas contabilísticas
O justo valor dos Instrumentos financeiros derivados encontra-se incluído na rubrica de Valores a
pagar (Nota 4.3), quando negativos e na rubrica Valores a receber (Nota 4.2), quando positivo.
Conforme previsto na IFRS 9 – Instrumentos financeiros, a Empresa optou por continuar a aplicar
os requisitos da contabilidade de cobertura presentes na IAS 39 – Instrumentos financeiros, até que
exista uma maior visibilidade sobre o projeto de Dynamic Risk Management (macro hedging)
atualmente em curso.
Sempre que as expectativas de evolução de taxas de juro ou de câmbio o justifiquem, a Empresa
procura contratar operações de cobertura contra movimentos adversos, através de instrumentos
derivados, tais como interest rate swaps (IRS), collars de taxa de juro e de câmbio, forwards
cambiais, etc.
Instrumentos financeiros derivados de negociação
Apesar de os derivados contratados pela Empresa corresponderem a instrumentos eficazes na
cobertura económica de riscos, nem todos se qualificam como instrumentos de cobertura
contabilística de acordo com as regras e requisitos aplicáveis. Os instrumentos que não se
qualifiquem como instrumentos de cobertura contabilística são registados na Posição financeira
consolidada pelo seu justo valor e as variações no mesmo são reconhecidas em Rendimentos e
gastos financeiros (Nota 5.10), quando relativas a operações de financiamento, ou em
Fornecimentos e Serviços Externos (Nota 2.3) ou Rédito (Nota 2.1), quando se refiram à cobertura
de fluxos de recebimento de vendas em moeda diferente da moeda de apresentação.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 409
Instrumentos financeiros derivados de cobertura
Os Instrumentos financeiros derivados utilizados para fins de cobertura podem ser classificados
contabilisticamente como de cobertura desde que cumpram, cumulativamente, com as condições
definidas na IAS 39.
Cobertura de fluxos de caixa (risco de taxa de juro, de câmbio e commodities - BHKP)
O Grupo, na sua gestão da exposição às taxas de juro e de câmbio, realiza cobertura de fluxos de
caixa.
Estas operações são registadas na Demonstração da posição financeira intercalar pelo seu justo
valor e, na medida em que sejam consideradas coberturas eficazes, as variações no justo valor são
inicialmente registadas no outro rendimento integral do período. Se as operações de cobertura se
apresentarem como ineficazes, o ganho ou a perda daí decorrente é registada diretamente em
resultados.
Os montantes acumulados em capital próprio são transferidos para resultados quando o item coberto
afeta a Demonstração dos resultados (por exemplo, quando a venda futura coberta se materializa).
O ganho ou a perda correspondente à componente eficaz dos swaps de taxa de juro que se
encontrem a cobrir financiamentos de taxa variável, é reconhecido na rubrica de Rendimentos e
gastos financeiros (Nota 5.10). No entanto, quando a transação futura que se encontra coberta,
origina o reconhecimento de um ativo não financeiro (por exemplo, inventários ou ativos fixos
tangíveis), os ganhos e perdas anteriormente diferidos no capital próprio são incluídos na
mensuração inicial do custo do ativo.
Quando um instrumento de cobertura matura ou é vendido, ou quando deixa de cumprir os critérios
exigidos para que seja reconhecido contabilisticamente como de cobertura, os ganhos e perdas
acumuladas no capital próprio são reciclados para a Demonstração dos resultados, exceto quando o
item coberto é uma transação futura em que os ganhos e perdas acumuladas constantes do capital
próprio a essa data permaneçam no capital próprio, caso em que apenas serão reciclados para a
Demonstração dos resultados quando a transação for reconhecida na Demonstração dos resultados
Instrumentos financeiros derivados utilizados pela Navigator
Derivados cambiais de negociação
A Navigator tem uma exposição cambial nas vendas que fatura em divisas, com especial relevância
em dólares norte-americanos (USD) e libras esterlinas (GBP). Uma vez que a Empresa apresenta as
suas demonstrações financeiras em euros, fica exposta a um risco económico na conversão destes
fluxos de moedas para o Euro. A Empresa tem também, embora com menor expressão, alguns
pagamentos nestas mesmas divisas, que, para efeitos de exposição cambial, funcionam como uma
cobertura natural. Deste modo, a cobertura tem como objetivo proteger o saldo dos valores da
demonstração da posição financeira denominados em moeda diferente da moeda de apresentação
contra as respetivas variações cambiais.
Os instrumentos de cobertura utilizados nesta operação são forwards cambiais, contratados sobre a
exposição líquida às moedas diferentes da moeda de apresentação, para montantes e datas de
vencimento próximas dessa exposição. A natureza do risco coberto é a variação cambial
contabilística registada nas vendas e compras tituladas em moedas diferentes da moeda de
apresentação. No final de cada mês é feita uma atualização cambial dos saldos de Clientes e dos
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 410
Fornecedores, cujo ganho ou perda é compensado com a variação do justo valor dos forwards
negociados.
Cobertura de vendas futuras | risco cambial EUR/USD e EUR/GBP
A Empresa recorre à utilização de instrumentos financeiros derivados com o objetivo de limitar o
risco líquido de exposição cambial associado às vendas e compras futuras estimadas em USD e GBP.
Cobertura de fluxos de caixa | taxa de juro
A Navigator procede à cobertura dos pagamentos de juros futuros associados às emissões de papel
comercial e do empréstimo obrigacionista, através da contratação de swaps de taxa de juro, onde
paga uma taxa fixa e recebe uma taxa variável. O referido instrumento é designado como de
cobertura dos fluxos de caixa associados ao programa de papel comercial e ao empréstimo
obrigacionista.
Cobertura de fluxos de caixa | Commodities - BHKP
A Navigator usa instrumentos financeiros derivados com o objetivo de minimizar o risco de exposição
associado à variação do preço da pasta, indexado ao PIX, em USD
Estimativas e julgamentos
Justo valor de instrumentos financeiros derivados
Sempre que possível, o justo valor dos derivados é estimado com base em instrumentos cotados.
Na ausência de preços de mercado, o justo valor dos derivados é estimado através do método de
fluxos de caixa descontados e modelos de valorização de opções, de acordo com pressupostos
geralmente utilizados no mercado.
8.3. ATIVOS E PASSIVOS FINANCEIROS
8.3.1 Categorias de Instrumentos financeiros da Empresa
Os instrumentos financeiros incluídos em cada rubrica da demonstração da posição financeira são
classificados como segue:
Valores em Euros Nota
Ativos
financeiros ao
custo
amortizado
Instrumentos
financeiros
derivados de
cobertura
Instrumentos
financeiros
derivados de
negociação
Ativos não
financeiros
Total
31 de dezembro de 2021
Valores a receber não correntes 4.2 6.684 - - - 6.684
Valores a receber correntes 4.2 827.995.428 1.630.982 - 37.361.559 866.987.969
Caixa e equivalentes de caixa 5.8 354.336.647 - - - 354.336.647
Total de ativos 1.182.338.759 1.630.982 - 37.361.559 1.221.331.300
31 de dezembro de 2020
Valores a receber não correntes 4.2 6.684 - - - 6.684
Valores a receber correntes 4.2 700.579.525 831.818 3.187.622 45.666.678 750.265.643
Caixa e equivalentes de caixa 5.8 296.941.052 - - - 296.941.052
Total de ativos 997.527.262 3.187.622 831.818 45.666.678 1.047.213.380
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 411
8.3.2 Justo valor de ativos e passivos financeiros
Ativos e passivos financeiros mensurados ao justo valor
Políticas contabilísticas
O justo valor dos instrumentos financeiros é classificado de acordo com a hierarquia de justo valor
da IFRS 13 – Mensuração ao justo valor:
Nível 1
Baseado em cotações de mercados líquidos ativos à data de relato
Nível 2
Determinado com recurso a modelos de avaliação, os principais inputs dos quais são observáveis
no mercado
Nível 3
Determinado com recurso a modelos de avaliação, cujos principais inputs não são observáveis no
mercado.
Estimativas e julgamentos
Justo valor de instrumentos financeiros derivados
Sempre que possível, o justo valor dos derivados é estimado com base em instrumentos cotados.
Na ausência de preços de mercado, o justo valor dos derivados é estimado através do método de
fluxos de caixa descontados e modelos de valorização de opções, de acordo com pressupostos
geralmente utilizados no mercado.
Valores em Euros Nota
Passivos
financeiros ao
custo
amortizado
Instrumentos
financeiros
derivados de
cobertura
Instrumentos
financeiros
derivados de
negociação
Passivos
financeiros
fora do âmbito
da
IFRS 9
Total
31 de dezembro de 2021
Financiamentos obtidos 5.6 933.165.634 - - - 933.165.634
Passivos de locação 5.7 - - - 2.883.977 2.883.977
Valores a pagar 4.3 1.145.268.183 6.402.131 1.728.458 - 1.153.398.771
Total de passivos 2.078.433.816 6.402.131 1.728.458 2.883.977 2.089.448.382
31 de dezembro de 2020
Financiamentos obtidos 5.6 947.383.993 - - - 947.383.993
Passivos de locação 5.7 - - - 3.375.536 3.375.536
Valores a pagar 4.3 907.383.784 6.168.511 27.491 - 913.579.785
Total de passivos 1.854.767.777 6.168.511 27.491 3.375.536 1.864.339.314
Valores em Euros Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 1 Nível 2 Nível 3
Ativos financeiros ao justo valor reconhecidos em resultados
Derivados de negociação - - - - 3.187.622 -
Instrumentos financeiros de cobertura - 1.630.982 - - 831.818 -
Total de ativos - 1.630.982 - - 4.019.440 -
Passivos financeiros ao justo valor reconhecidos em resultados
Derivados de negociação - (1.728.458) - - (27.491) -
Instrumentos financeiros de cobertura - (6.402.131) - - (6.168.511) -
Total de passivos - (8.130.589) - - (6.196.001) -
31-12-2020
31-12-2021
Relatório e Contas 2021
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9. PROVISÕES, COMPROMISSOS E CONTINGÊNCIAS
9.1. PROVISÕES
Movimentos em provisões
Não se esperam reembolsos de qualquer natureza relativamente a estas provisões.
Investimentos em subsidiárias
Em 2021 e 2020, o montante reconhecido como provisões para investimentos em subsidiárias
corresponde unicamente à participação detida na subsidiária Portucel Moçambique. O detalhe das
posições finais e movimentação encontram-se detalhados na Nota 10.
Outras provisões
Refere-se a provisões para fazer face a riscos relacionados com eventos de natureza diversa, de
cuja resolução poderão resultar saídas de fluxos de caixa, nomeadamente processos de
reestruturação organizacional, riscos de posições contratuais assumidas em investimentos, entre
outras.
Em 2021, a rubrica de Outras provisões inclui 17.300.000 de euros (2020: 16.000.000 de euros)
relativos ao projeto de Moçambique. Pese embora o memorando de entendimento (MoU) celebrado
com Governo moçambicano previsse um compromisso de “melhor esforço” para a criação das
condições necessárias para avançar com o investimento até 31 de dezembro de 2018, tal não foi
possível até à data, continuando ambas as partes a trabalhar para alcançar esse objetivo.
Políticas contabilísticas
São reconhecidas provisões sempre que a Empresa tenha uma obrigação legal ou construtiva, como
resultado de acontecimentos passados, relativamente à qual seja provável que uma saída de
recursos se torne necessária para a liquidar, e possa ser efetuada uma estimativa fiável do montante
dessa obrigação.
Não são reconhecidas provisões para perdas operacionais futuras. As provisões são revistas na data
da Demonstração da posição financeira e das respetivas origens e ajustadas de modo a refletir a
melhor estimativa a essa data.
Valores em Euros
Processos
Judiciais
Investimentos
em subsidiárias
Outras Total
1 de janeiro de 2020 49.880 31.648.272 15.788.074 47.486.226
Aumentos 237.540 - 3.122.460 3.360.000
Reversões - - (1.346.622) (1.346.622)
Impacto em resultados do período 237.540 - 1.775.838 2.013.378
Transferências e regularizações - (13.355.215) (13.355.215)
31 de dezembro de 2020 287.420 18.293.058 17.563.912 36.144.390
Aumentos 350.564 - 895.773 1.246.337
Reversões - - (107.837) (107.837)
Impacto em resultados do período 350.564 - 787.936 1.138.500
Transferências e regularizações - (18.293.058) (18.293.058)
31 de dezembro de 2021 637.984 - 18.351.848 18.989.832
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 413
Investimentos em subsidiárias
São reconhecidas provisões pelas responsabilidades que a Empresa assume por perdas em
investimentos em subsidiárias (Nota 10), após o respetivo valor contabilístico ter sido reduzido a
zero, na medida em que a Empresa tenha incorrido em obrigações legais ou construtivas ou tenha
realizado pagamentos em nome dessas subsidiárias.
Processos fiscais
Os saldos de posições de incerteza da Empresa relativos ao imposto sobre o rendimento são
divulgados na Nota 6.1 – Imposto sobre o rendimento.
Estimativas e julgamentos
Processos judiciais e fiscais
Estas provisões foram constituídas de acordo com as avaliações de risco efetuadas internamente
pela Empresa com o apoio dos seus consultores legais, baseadas na probabilidade da decisão ser
favorável ou desfavorável à Empresa.
9.2. COMPROMISSOS
Garantias prestadas a terceiros
As garantias bancárias prestadas à Autoridade Tributária relacionam-se com a contestação de
processos em contencioso, relativos ao IRC do período de tributação de 2015.
9.3. ATIVOS E PASSIVOS CONTINGENTES
FUNDO DE REGULARIZAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA
Nos termos do Decreto-Lei n.º 36/93 de 13 de fevereiro, as dívidas fiscais de empresas privatizadas
referentes a períodos anteriores à data da privatização (25 de novembro de 2006) são da
responsabilidade do Fundo de Regularização da Dívida Pública (FRDP). Em 16 de abril de 2008, a
The Navigator Company apresentou um requerimento ao FRDP a solicitar o pagamento das dívidas
fiscais até então liquidadas pela Administração Fiscal. Em 13 de dezembro de 2010 apresentou novo
requerimento a solicitar o pagamento das dívidas liquidadas pela Administração Fiscal relativas aos
períodos de 2006 e 2003, tendo este sido complementado, em 13 de outubro de 2011, com os
montantes já pagos e não contestados relativos a essas mesmas dívidas, bem como com as despesas
Valores em Euros
31-12-2021 31-12-2020
Garantias Navigator para os financiamentos com o BEI 42.916.667 56.666.667
AT - Autoridade Tributária e Aduaneira ii)
6.513.318 5.813.179
Desalfandegamento de produtos - EUA - 5.671.909
Simria 338.829 338.829
Infraestruturas de Portugal 22.320 6.480
Administration Fédérale des Contributions 79.373 76.585
Outras 49.364 70.048
49.919.872 68.643.698
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 414
com elas diretamente relacionadas, nos termos do Acórdão datado de 24 de maio de 2011 (Processo
n.º 0993A/ 02), que veio confirmar a posição da Empresa quanto à exigibilidade dessas despesas.
Em 13 de dezembro de 2017 a The Navigator Company, S.A. celebrou um acordo extrajudicial com
o Tesouro, no qual se reconheceu a responsabilidade do FRDP pelo ressarcimento do valor de
5.725.771 euros, correspondente ao valor de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas
(IRC) pago indevidamente, resultante de invocada qualificação/consideração incorreta, por parte
da administração tributária, da menos valia fiscal apurada na sequência das operações realizadas
pela então Soporcel, S.A. em 2003, e, bem assim, a promover a restituição à Navigator da
mencionada quantia.
Neste contexto, será da responsabilidade do FRDP o montante total de €22.140.855, detalhados
como segue:
Relativamente aos processos relativos ao IRC agregado de 2005 e 2006, caso os tribunais venham
a decidir em favor do Grupo Navigator, o Grupo retirará o pedido ao FRDP.
Fundo de regularização da dívida pública - Proc. N.º 774/11.3 BEALM
Adicionalmente, foi apresentado no Tribunal Administrativo de Almada, em 11 de Outubro de 2011
nova petição, em que se solicitava o reembolso de diversos valores, totalizando 136.243.949 euros,
relativos a ajustamentos efetuados nas demonstrações financeiras do Grupo após a sua privatização,
por via de imparidades e ajustamentos em ativos e responsabilidades não registadas, os quais não
haviam sido considerados na formulação do preço dessa privatização por não constarem do processo
disponibilizado para consulta dos concorrentes ao processo.
Em 24 de maio de 2014, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada negou o pedido do Grupo para
apresentação de prova testemunhal, solicitando alegações por escrito. Em 30 de junho de 2014, o
Grupo apresentou a reclamação para conferência desta posição, não deixando de apresentar nesta
mesma data as alegações por escrito solicitadas pelo Tribunal. O Tribunal deu razão às pretensões
do Grupo a este propósito, foram nomeados peritos pelas partes, o relatório pericial foi emitido em
julho de 2017, tendo sido, nessa sequência requerida, quer pela The Navigator Company, S.A., quer
pelo Ministério das Finanças, a comparência dos Peritos designados em audiência de julgamento,
para prestação de esclarecimentos verbais sobre o relatório pericial.
Após reclamações apresentadas pela Navigator em 11 de setembro de 2017 e 15 de janeiro de 2019,
os peritos apresentaram Relatórios Periciais reformulados em 27 de dezembro de 2018 e 19 de
março de 2019, respetivamente.
Valores em Euros
Período
Valores
solicitados
Redução via
pagamento
ao abrigo do
RERD
Processos
decididos a
favor do Grupo
Valores
em aberto
Processos transitados em Julgado
IRC 2002 18.923 - - 18.923
IRC (RF) 2004 3.324 - - 3.324
IRC 2004 766.395 - (139.023) 627.372
Despesas 314.957 - - 314.957
1.103.599 - (139.023) 964.576
Processos não transitados em julgado
IRC 2005 11.754.680 (1.360.294) - 10.394.386
IRC 2006 11.890.071 (1.108.178) - 10.781.893
23.644.751 (2.468.472) - 21.176.279
24.748.350 (2.468.472) (139.023) 22.140.855
Relatório e Contas 2021
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As sessões da audiência de julgamento tiveram lugar entre maio e junho de 2019, tendo as partes
apresentado as alegações finais em setembro de 2019 e aguardando-se agora a decisão do Tribunal.
Taxa de reforço e manutenção de infraestruturas
No âmbito do processo de licenciamento nº 408/04 relativo ao projeto da nova fábrica de papel de
Setúbal a Câmara Municipal de Setúbal emitiu uma liquidação à Navigator relativamente a uma taxa
de reforço e manutenção de infraestrutura (“TMUE”) no valor de 1.199.560 euros com a qual a
Empresa discorda.
Em causa está o quantitativo cobrado a título desta taxa no processo de licenciamento acima
referido, relativo à construção da nova fábrica de papel, no complexo industrial da Mitrena, em
Setúbal. A Navigator discorda do valor cobrado, tendo reclamado da aplicação da mesma, em 25 de
fevereiro de 2008, por requerimento n.º 2485/08, e impugnado judicialmente o indeferimento da
reclamação em 28 de outubro de 2008, o qual mereceu indeferimento em 3 de outubro de 2012 e
foi objeto de recurso para o STA em 13 de novembro de 2012, o qual fez baixar a ação ao TCA em
4 de julho de 2013.
Em 19 de novembro de 2020 o TCA Sul emitiu acórdão que determinou remessa do processo ao
tribunal de primeira instância para ampliar a matéria de facto controvertida. Deste acórdão foi
submetido recurso de revista excecional ao STA, tendo em 24 de março de 2021 o STA decidido não
admitir o recurso. Tendo o processo descido à primeira instância, o TAF de Almada emitiu nova
sentença desfavorável em 4 de novembro de 2021. A Navigator apresentou recurso para o TCA Sul
em 13 de dezembro de 2021, o qual foi admitido e aguarda agora decisão.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 416
10. ESTRUTURA DO GRUPO
10.1. INVESTIMENTOS EM SUBSIDIÁRIAS
(A) Inclui Goodwill gerado aquando da aquisição do negócio integrado de pasta e papel da Figueira da Foz
(B) Valor de balanço reflete anulação de margens internas não realizadas
(C) Sociedade redenominada em 2021 de Empremedia RE para Empremedia DAC
O valor de Goodwill associado à atividade de produção integrada de pasta e papel da Figueira da
Foz, no valor de 376.756.383 euros, é divulgado na tabela acima como integrando o valor da
participação financeira ao MEP, em conformidade com os requisitos da IAS 27 e IAS 28.
Movimentos no período
Movimentos em investimentos em subsidiárias - resumo
Denominação Social Sede Capital próprio % detida Saldo Capital próprio % detida Saldo
Navigator Internacional Holding SGPS, S.A. Setúbal
120.226.861 100 120.226.861 115.736.283 100 115.736.283
Navigator Brands, S.A. (A) Figueira da Foz
10.054.563 100 386.810.950 14.154 100 376.770.540
Navigator Pulp Aveiro, S.A. Aveiro
105.544.053 100 105.544.053 83.846.538 100 83.846.538
Enerpulp, S.A. Setúbal
49.504.315 100 49.504.315 58.957.847 100 58.957.846
Navigator Parques Industriais, S.A. Setúbal
129.751.094 100 129.751.094 132.438.397 100 132.438.397
Portucel Moçambique, S.A. Moçambique
4.466.703 90 9.306.240 (17.862.828) 90 (18.293.058)
Portucel Finance sp. Z o.o. Polónia
- 25 n.a. 94.055.435 25 28.783.626
Navigator Pulp Setúbal, S.A. Setúbal
199.116.255 100 199.116.253 162.554.922 100 162.554.921
Navigator Pulp Figueira, S.A. Figueira da Foz
151.392.875 100 151.392.866 107.721.947 100 107.721.947
Navigator Forest Portugal, S.A. Setúbal
26.088.918 100 26.088.918 27.953.642 100 27.953.642
Navigator Paper Setúbal, S.A. (B) Setúbal
547.465.274 100 536.556.882 534.917.366 100 525.841.166
Navigator Tissue Aveiro, S.A. (B) Aveiro
100.861.464 100 100.945.534 114.130.158 100 113.832.148
Raíz - Inst.Investigação Floresta e Papel Aveiro
9.563.212 97 9.276.315 9.172.733 97 8.897.551
Navigator Paper Figueira, S.A. (B) Figueira da Foz
96.742.435 100 88.335.334 115.181.026 100 109.013.352
Pulpchem Logistics, A.C.E. Figueira da Foz
- 50 - - 50 -
Empremédia - Corretores de Seguros, S.A. Lisboa
4.819.316 100 4.819.316 4.599.588 100 4.599.588
Empremedia DAC (C) Irlanda
1.494.226 100 1.494.226 1.580.173 100 1.580.173
Navigator Paper Mexico Mexico
4.519 25 1.130 10.183 25 2.546
Navigator Egypt Egipto
16.152 1 162 10.607 1 106
1.919.170.450 1.840.237.313
Provisões para participadas com situação
líquida negativa
- 18.293.058
Investimentos em subsidiárias 1.919.170.450 1.858.530.371
31-12-2021
31-12-2020
Valores em Euros
2021 2020
Saldo inicial 1.858.530.371 1.907.383.990
Aquisições e alienações de participações - -
Fusões, Cisões e Liquidações (28.622.021) (15.312.237)
Realização de prestações acessórias de capital 32.273.764 -
Resultado apropriado pela aplicação do MEP 160.083.746 81.797.972
Outros rendimentos integrais (4.354.319) (11.058.931)
Dividendos atribuídos (85.802.502) (95.272.652)
Aumentos e reduções de capitais - 4.950.000
Transferência para provisões (Nota 9.1) (18.293.058) (13.355.215)
Outros movimentos 5.354.469 (602.556)
Saldo Final 1.919.170.450 1.858.530.371
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 417
Movimentos em investimentos em subsidiárias – detalhe
Valores em Euros
2021 2020
Saldo Inicial 1.858.530.371 1.907.383.990
Fusões, cisões e liquidações
Navigator Participações Holding SGPS, S.A. - (77.849.071)
Navigator Products & Tecnology, S.A. - (2.726.239)
Empremédia - Corretores de Seguros, S.A. - 3.363.260
RAIZ - 1.970.268
Navigator Pulp Figueira, S.A. - 60.674.420
Navigator International Trading Gmbh (DE) - (744.875)
Portucel Finance sp. Z o.o. (28.622.021) -
Fusões, cisões e liquidações (28.622.021) (15.312.237)
Realização de prestações acessórias de capital
Portucel Moçambique, Lda. 32.273.764 -
Realização de prestações acessórias de capital 32.273.764 -
Resultado apropriado pela aplicação do método equivalência patrimonial
Navigator Internacional Holding SGPS, S.A. 4.519.509 (4.879.895)
Navigator Brands, S.A. 8.665.432 6.452.682
Navigator Pulp Aveiro, S.A. 21.697.515 (36.628.271)
Enerpulp, S.A. (2.025.042) 45.865.198
Navigator Parques Industriais, S.A. 4.226.240 1.572.934
Portucel Moçambique, Lda. (1.922.861) 16.587.267
Portucel Finance sp. Z o.o. (146.467) (1.486.443)
Navigator Pulp Setúbal, S.A. 36.561.332 (2.324.042)
Navigator Pulp Figueira, S.A. 47.769.394 (31.906.474)
Navigator International Trading Gmbh (DE) 572.047
Navigator Forest Portugal, S.A. (1.011.885) 549.436
Navigator Tissue Aveiro, S.A. 8.807.387 17.290.599
Navigator Paper Setúbal, S.A. 22.327.297 44.420.153
RAIZ 228.222 81.855
Navigator Paper Figueira, S.A. 9.071.443 23.059.226
Empremédia - Corretores de Seguros, S.A. 1.148.123 987.090
Empremedia DAC 160.245 1.580.073
Navigator Paper Mexico 7.763 4.494
Navigator Egypt 99 45
Resultado apropriado pela aplicação do método equivalência patrimonial 160.083.746 81.797.972
Alteração capitais próprios da investida não reconhecidos em resultados
Navigator Internacional Holding SGPS, S.A. (28.932) 163.025
Navigator Products & Tecnology, S.A. - (154.000)
Enerpulp, S.A. 1 -
Navigator Brands, S.A. 1.374.977 (9.593.668)
Navigator Forest Portugal, S.A. (62.373) (1.372.638)
Navigator Tissue Aveiro, S.A. 77.000 -
Navigator Paper Setúbal, S.A. 2.510.585 (3.071.398)
Navigator Pulp Figueira, S.A. (9) 307.998
Raíz - Inst.Investigação Floresta e Papel 150.542 (21.454)
Portucel Moçambique, S.A. (8.021.372) 2.037.714
Navigator Internacional Holding SGPS, S.A. - 298.613
Portucel Finance sp. Z o.o. (99.840) 99.538
Empremédia - Corretores de Seguros, S.A. 515 249.238
Empremedia DAC (246.192) -
Navigator Paper Mexico (9.179) (1.902)
Navigator Egypt (43) 3
Alteração capitais próprios da investida não reconhecidos em resultados (4.354.319) (11.058.931)
Distribuição de dividendos / reservas
Navigator Pulp Aveiro, S.A. - (6.554.804)
Navigator Parques Industriais, S.A. (6.913.543) -
Navigator Forest Portugal, S.A. (790.466) (18.796.298)
Navigator Pulp Setúbal, S.A. - (2.077.540)
Navigator Pulp Figueira, S.A. (4.098.466) -
Navigator Paper Setúbal, S.A. (14.122.166) (47.973.531)
Navigator Tissue Aveiro, S.A. (21.771.001) (1.762.791)
Navigator Paper Figueira, S.A. (29.749.461) (15.004.235)
Empremédia - Corretores de Seguros, S.A. (928.910) -
Enerpulp, S.A. (7.428.489) -
Portucel Finance sp. Z o.o. - (3.103.452)
Distribuição de dividendos / reservas (85.802.502) (95.272.652)
Aumentos/(Reduções) de capital social
Navigator Brands, S.A. - 4.950.000
Aumentos/(Reduções) de capital social - 4.950.000
Outros movimentos e reclassificações 5.354.469 (602.556)
Saldo Final 1.937.463.508 1.871.885.585
Provisões para subsidiárias (Nota 9.1) (18.293.058) (13.355.215)
Saldo final considerando Provisões 1.919.170.450 1.858.530.371
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 418
Políticas contabilísticas
Subsidiárias são todas as entidades sobre as quais a Empresa tem controlo, o que ocorre quando a
Empresa está exposta, ou tem direito, aos retornos variáveis resultantes do seu envolvimento com
as entidades e tem a capacidade para afetar esse retorno através do exercício do poder sobre as
entidades, independentemente da percentagem que detém sobre os seus capitais próprios.
A existência e o efeito dos direitos de voto potenciais que sejam correntemente exercíveis ou
convertíveis são considerados quando se avalia se a Empresa detém o controlo sobre outra entidade.
Mensuração
Os investimentos em subsidiárias são contabilizados pelo método de equivalência patrimonial.
De acordo com o método de equivalência patrimonial, as participações financeiras são registadas
pelo seu custo de aquisição, ajustado subsequentemente pelo valor correspondente à participação
da Empresa nas variações dos capitais próprios (incluindo o resultado líquido) das participadas, por
contrapartida de resultados do período, ou de capitais próprios, consoante aplicável, e pelos
dividendos recebidos.
As políticas contabilísticas das subsidiárias são ajustadas, sempre que necessário, de forma a
garantir que as mesmas são aplicadas de forma consistente com as da Navigator.
Quando a participação da Empresa nas perdas das subsidiárias iguala ou ultrapassa o seu
investimento nestas sociedades, a Empresa deixa de reconhecer perdas adicionais, exceto se tiver
incorrido em responsabilidades ou efetuado pagamentos em nome destas, conforme apresentado
na Nota 9.1 - Provisões. Se posteriormente relatarem lucros, a Empresa retoma o reconhecimento
da sua quota-parte nesses lucros somente após a sua parte nos lucros igualar a parte das perdas
não reconhecidas.
Estimativas e julgamentos
Em 31 de dezembro de 2021, o montante de participações financeiras reconhecido nas
demonstrações financeiras separadas da The Navigator Company, S.A., através do método de
equivalência patrimonial ascende a 1.943 milhões de euros (2020: 1.872 milhões de euros), o qual
inclui Goodwill essencialmente alocado à unidade geradora de caixa Papel integrado na Figueira da
Foz. O Goodwill não é amortizado e encontra-se sujeito a testes por imparidade, numa base mínima
anual, e sempre que existam à data da demonstração da posição financeira alterações aos
pressupostos subjacentes ao teste efetuado, que resultem em eventual perda de valor. Os valores
recuperáveis das unidades geradoras de fluxos de caixa são determinados com base no cálculo de
valores de uso. Esses cálculos exigem uso de estimativas.
Em 31 de dezembro de 2021, um eventual agravamento de 0,5% na taxa de desconto utilizada no
teste de imparidade do Goodwill alocado à unidade geradora de caixa Papel integrado na Figueira
da Foz, implicaria um decréscimo na avaliação de €138.398.565 (31 de dezembro de 2020:
€152.647.490), ainda assim cerca de 2,5 vezes superior ao valor contabilístico desta unidade
geradora de caixa.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 419
10.2. TRANSAÇÕES COM PARTES RELACIONADAS
Saldos com partes relacionadas
Transações do período com partes relacionadas
Valores em Euros
Caixa - Cash
Pooling
(Nota 5.8)
Valores a
receber
(Nota 4.2)
Valores a pagar
(Nota 4.3)
Financiamentos
obtidos - Cash
Pooling
(Nota 5.6)
Valores a
receber
(Nota 4.2)
Valores a pagar
(Nota 4.3)
Acionistas
Semapa - Soc. de Investimento e Gestão, SGPS, S.A. - - 1.023.084 - - -
Subsidiárias
Portucel Moçambique, Lda. - 14.865.030 174.985 - 35.482.476 -
Portucel Finance sp. Z o.o. - - - - - 99.244.899
Soc. Vinhos Herdade Espirra, S.A. - 137.824 1.251.899 43.771 137.783 1.348.260
Eucaliptusland, S.A. 843.296 890.762 19.476.136 - 695.352 14.764.045
Enerpulp, S.A. 1.733.135 25.681.527 8.800 - 16.008.808 -
Navigator Forest Portugal, S.A. 4.017.761 216.076.667 - 13.502.206 216.768.495 -
Empremédia, S.A. - 180.051 2.500.000 - 273.670 2.500.000
Navigator Tissue Aveiro, S.A. 11.593.771 110.641.569 6.702.391 - 111.632.284 -
Viveiros Aliança, S.A. 309.067 404.346 19.430 457.048 17.653 95.769
Navigator Paper Setúbal, S.A. 5.547.220 49.304.601 258.426.311 17.277.315 15.185.595 228.629.911
Navigator Paper Figueira, S.A. 37.415.900 41.014.027 103.659.149 - 9.757.036 65.246.005
Atlantic Forests , S.A. 189.422 55.164 4.105.354 - (191) 4.072.444
Navigator Pulp Setúbal, S.A. 443.913 24.130.709 159.527.631 5.392.673 3.192.915 76.363.590
Navigator Tissue Ródão, S.A. 6.498.824 3.864.894 113.273.287 - 3.446.970 113.136.728
Navigator Pulp Figueira, S.A. 4.629.832 39.953.737 54.839.067 28.853.098 29.032.070 (11.831)
Raiz - - 4.583.372 225.161 (215.327) 5.410.824
Navigator International Holding SGPS, S.A. 137.171 - 120.430.883 - 2.046.157 51.770.089
Navigator Brands, S.A. 2.053.234 900.750 31.105.863 - 170.201 528.717
Navigator Pulp Aveiro, S.A. 2.008.215 62.674.140 27.490.406 10.638.537 61.937.305 420.764
Navigator Parques Industriais, S.A. - 2.406.276 40.756.247 907.939 722.281 39.467.412
Navigator Abastecimento de Madeira, ACE 47.503.683 2.374.016 - 49.425.162 - 16.723.457
Bosques do Atlantico, S.L. - - 28.848.149 2.150.313 - 28.932.243
PulpChem Logístics, ACE - - 2.181.040 - 48.570 631.899
Navigator North America - - 16.825.852 - 2.431.314 1.607.993
Navigator Eurasia - 7.917 - - 3.631 (539)
Navigator Afrique du Nord - 1.329 - - 1.136 -
Navigator United Kingdom, Ltd - 7.508.562 20.803.913 - 6.286.221 18.013.702
Gavião - Sociedade de Caça e Turismo, S.A. 117.454 - 1.379.264 - 2.107 1.600.706
Navigator Tissue Ibérica - 10.556.982 3.803.135 - 9.932.676 3.936.105
Navigator Netherlands, BV - - - - - 4.551
Navigator France, EURL - - - - - 396
Navigator Itália, SRL - - 1.765 - - 1.360
Navigator Deutschland, GmbH - - 159.886 - - (86.347)
Navigator Austria - - - - - 2.480
Navigator Paper Poland SP Zoo - 10.941 13 - 4.801 -
Empremedia RE - 35.169.737 - - 31.891.000 (25.770)
EMA Cacia - Engenharia e Manutenção Industrial, ACE - - - 221.084 - -
EMA Setúbal - Engenharia e Manutenção Industrial, ACE - - - 291.169 - -
EMA Figueira - Engenharia e Manutenção Industrial, ACE - - - 293.422 - -
Raiz - Ventures - - 169 96.601 - -
125.041.900 648.811.560 1.023.357.484 129.775.499 556.892.987 774.329.862
31-12-2020
31-12-2021
Valores em Euros
Compras de
bens e serviços
Vendas e
prestações de
serviços
Gastos com o
pessoal
Outros
rendimentos
operacionais
Outros
Gastos
operacionais
(Gastos)/
Rendimentos
financeiros
Compras de
bens e serviços
Vendas e
prestações de
serviços
Gastos com o
pessoal
Outros
Rendimentos
operacionais
Outros
Gastos
operacionais
(Gastos)/
Rendimentos
financeiros
Acionistas
Semapa - Soc. de Investimento e Gestão, SGPS, S.A. 10.043.173 - - - - - 8.718.731 - - - - -
10.043.173 - - - - 8.718.731 - - - -
Subsidiárias - -
Portucel Finance sp. Z o.o. - - - - - (71.004) - - - - - (440.188)
Soc. Vinhos Herdade Espirra, S.A. 1.241 - 331 - - (9.200) (10.174) - - (130) - (13.643)
Eucaliptusland, S.A. - 602.844 - - (464) (113.561) - 1.036.959 - - - (138.816)
Afocelca, ACE - - - - - - (244) - - - - -
Enerpulp, S.A. (162.428) 312.575 (213.222) - - 333.207 (171.300) 825.558 (188.761) 588.815 - 586.419
Navigator Brands, S.A. 9.088.196 1.565.009 3.173.946 - (98.978) (35.969) 7.184.110 1.802.712 2.787.482 - (48.408) -
Navigator Forest Portugal, S.A. (2.988) 916.759 (458.756) - (513) 1.623.599 (2.730.305) (5.187) (196.253) 1.029 - 1.922.749
Empremédia, S.A. 42.440 - (46.111) - (12.071) 53.033 - - - 459 - -
Navigator Tissue Aveiro, S.A. 67.662.434 44.015.950 - 255.135 - 809.857 69.558.642 35.229.027 - - (88.310) 1.243.895
Viveiros Aliança, S.A. 207.752 - - 5.767 - 324 260.956 70.066 - 352 - 1.790
Navigator Paper Setúbal, S.A. 478.994.732 356.319.540 (8.380.950) 6.599.529 - 1.378.460 442.050.109 208.661.945 (7.885.557) 4.173.681 - 1.815.566
Atlantic Forests , S.A. 146.430 - - 15.093 - (28.009) 400.299 - - - - (39.084)
PulpChem Logístics, ACE 16.424.171 - - - - - 12.160.636 - - - - -
Navigator Pulp Setúbal, S.A. 252.161.826 40.006.811 (5.517.212) - (66.395) 266.355 142.757.714 898.804 (6.049.905) 4.038.521 - 324.720
Navigator Tissue Ródão, S.A. 79.893.369 46.533.576 853.980 - (752.956) 75.480.995 33.462.956 1.572 - - 1.776.173
Navigator Pulp Figueira, S.A. 317.052.366 42.120.929 (8.262.168) - (90.523) 1.948.524 221.215.371 22.073.627 (7.345.625) 2.940.527 - -
Raiz (1.434) 321.023 (98.635) - (39.001) (22.300) (6.946) 335.991 (83.932) 6.612 - (36.194)
Navigator International Holding SGPS, S.A. - - - - - 141.575 - - - - - 409.479
Navigator United Kingdom, Ltd 18.786.761 - - - - - 18.744.549 - - - - -
Navigator Tissue Ibérica 817.914 29.658.532 - - - - 623.659 27.171.960 - - - -
Navigator Paper Figueira, S.A. 482.457.760 370.091.446 99.152 - 1.082.456 413.234.947 276.063.878 (136) - 3.374.718 1.259.532
Navigator Pulp Aveiro, S.A. 167.517.664 26.700.416 (3.803.912) - (37.794) 198.366 106.565.226 52.687 (4.419.060) 2.265.381 - 766.063
Navigator Parques Industriais, S.A. - 2.021.312 - - - 463.705 - 2.935.094 - - - 443.839
Navigator North America 3.650.314 107.226.620 - - - 119.673 (2.576.408) 106.306.138 - - (4.292.209) 774.027
Portucel Moçambique, Lda. - - - - - - 30.181 - - - - -
Bosques do Atlantico, S.L. (1.293) - - - - - 1.017 - - - - -
Empremedia RE - - - - - 607.899 - - (98.769) - - 280.542
Gavião - Sociedade de Caça e Turismo, S.A. - - - 69.482 - (11.198) - - - - - 20.240
Navigator Itália, SRL 355 - - - - - 1.248 - - - - -
Navigator Netherlands, BV 1.281 - - - - - 4.551 - - - - -
Navigator Deutschland, GmbH 92 - - - - - - - - - - -
Navigator Abastecimento de Madeira, ACE (24.410) (2.699.553) (391.622) - - (37.385) (21.953) 7.463.411 (338.353) - - (407.040)
1.894.714.546 1.065.713.789 (23.998.309) 7.898.138 (345.739) 7.945.452 1.504.756.881 724.385.626 (23.817.297) 14.015.245 (1.054.208) 10.550.069
2021
2020
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 420
A remuneração do pessoal de gestão chave da Empresa é detalhada na Nota
7.3 – Remuneração dos membros dos órgãos sociais.
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
Ricardo Miguel dos Santos Pacheco Pires
Presidente do Conselho de Administração
António José Pereira Redondo
Presidente da Comissão Executiva
Adriano Augusto da Silva Silveira
Vogal Executivo
José Fernando Morais Carreira de Araújo
Vogal Executivo
Nuno Miguel Moreira de Araújo Santos
Vogal Executivo
João Paulo Araújo Oliveira
Vogal Executivo
João Paulo Cabete Gonçalves Lé
Vogal Executivo
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 421
Manuel Soares Ferreira Regalado
Vogal
Maria Teresa Aliu Presas
Vogal
Mariana Rita Antunes Marques dos Santos
Vogal
Sandra Maria Soares Santos
Vogal
Vítor Manuel Rocha Novais Gonçalves
Vogal
Vítor Paulo Paranhos Ferreira
Vogal
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 422
12. CERTIFICAÇÃO LEGAL DAS CONTAS E RELATÓRIO
DE AUDITORIA DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS
SEPARADAS
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 423
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 424
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 425
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 426
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 427
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 428
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 429
13. RELATÓRIO E PARECER DO CONSELHO FISCAL
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS SEPARADAS
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 430
The Navigator Company, S.A.
Relatório e Parecer do Conselho Fiscal
Demonstrações Financeiras Separadas
Exercício de 2021
Senhores Accionistas
1. Nos termos da lei, dos estatutos da empresa e no desempenho do mandato
que nos conferiram, vimos apresentar o nosso relatório sobre a actividade
fiscalizadora desenvolvida em 2021 e dar o nosso parecer sobre o Relatório de
Gestão e Demonstrações Financeiras Separadas apresentadas pelo Conselho
de Administração da The Navigator Company, S.A., relativamente ao exercício
findo em 31 de Dezembro de 2021.
2. No decurso do exercício, acompanhámos com regularidade a actividade da
empresa, com a periodicidade e extensão que considerámos adequada,
nomeadamente através de reuniões periódicas com a Administração e
Directores da Sociedade. Acompanhámos a verificação dos registos
contabilísticos e da respectiva documentação de suporte, bem como a eficácia
dos sistemas de gestão de riscos, de controlo interno e de auditoria interna.
Vigiámos pela observância da lei e dos estatutos. No exercício da nossa
actividade não deparámos com quaisquer constrangimentos.
3. Reunimos por diversas vezes com o Revisor Oficial de Contas e Auditor
Externo, KPMG & Associados, SROC, Lda., acompanhando os trabalhos de
auditoria desenvolvidos e fiscalizando a sua independência e apreciámos a
Certificação Legal de Contas e Relatório de Auditoria, que merece o nosso
acordo.
4. O Conselho Fiscal analisou as propostas que lhe foram presentes para
prestação de serviços distintos de auditoria pela Sociedade de Revisores
Oficiais de Contas, tendo aprovado aquelas que respeitavam a serviços
permitidos, não afectavam a independência da Sociedade de Revisores Oficias
de Contas e cumpriam os demais requisitos legais.
5. No exercício das nossas funções, verificámos que:
a) A Demonstração separada dos resultados por naturezas, a Demonstração
separada da posição financeira, a Demonstração separada do rendimento
integral, a Demonstração separada das alterações no capital próprio, a
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 431
Demonstração separada dos fluxos de caixa e as correspondentes Notas
às demonstrações financeiras separadas, permitem uma adequada
compreensão da situação financeira da empresa e dos seus resultados,
do rendimento integral, das alterações no capital próprio e dos fluxos de
caixa;
b) As políticas contabilísticas e os critérios valorimétricos adotados estão
conformes com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) tal
como adotadas na União Europeia, e são adequados por forma a
assegurar que os mesmos conduzem a uma correta avaliação do
património e dos resultados, tendo-se dado seguimento às análises e
recomendações emitidas pelo auditor externo;
c) O Relatório de Gestão é suficientemente esclarecedor da evolução dos
negócios e da situação da empresa, evidenciando com clareza os
aspectos mais significativos da actividade;
d) O Relatório sobre o Governo Societário inclui os elementos exigíveis nos
termos do artigo 245.º-A do Código dos Valores Mobiliários e teve em
conta as recomendações do Código do Instituto Português de Corporate
Governance (IPCG).
6. Somos do parecer que a proposta de aplicação de resultados apresentada pelo
Conselho de Administração não contraria as disposições legais e estatutárias
aplicáveis.
7. Nestes termos, tendo em consideração as informações recebidas do Conselho
de Administração e Serviços da Empresa, bem como as conclusões constantes
da Certificação Legal de Contas e Relatório de Auditoria, somos do parecer
que:
a) Seja aprovado o Relatório de Gestão;
b) Sejam aprovadas as Demonstrações Financeiras Separadas;
c) Seja aprovada a proposta de aplicação de resultados apresentada pelo
Conselho de Administração.
8.
Finalmente, os membros do Conselho Fiscal expressam o seu
reconhecimento e agradecimento pela colaboração prestada, ao Conselho
de Administração, aos principais responsáveis e aos demais colaboradores
da Empresa, bem como à Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, KPMG
& Associados, SROC, Lda.
Relatório e Contas 2021
28/03/2022 432
Lisboa, 28 de Março de 2022
O Presidente do Conselho Fiscal
José Manuel Oliveira Vitorino
O Vogal
Gonçalo Nuno Palha Gaio Picão Caldeira
O Vogal
Maria da Graça Torres Ferreira da Cunha Gonçalves
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