213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 ifrs-full:IssuedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 ifrs-full:IssuedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 ifrs-full:IssuedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 ifrs-full:IssuedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 ifrs-full:IssuedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 ifrs-full:StatutoryReserveMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 ifrs-full:StatutoryReserveMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 ifrs-full:StatutoryReserveMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 ifrs-full:StatutoryReserveMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 ifrs-full:StatutoryReserveMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 ifrs-full:MiscellaneousOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 ifrs-full:MiscellaneousOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 ifrs-full:MiscellaneousOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 ifrs-full:MiscellaneousOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 ifrs-full:MiscellaneousOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsExcludingProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsExcludingProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsExcludingProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsExcludingProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsExcludingProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 ifrs-full:RetainedEarningsProfitLossForReportingPeriodMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 ifrs-full:EquityAttributableToOwnersOfParentMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 ifrs-full:EquityAttributableToOwnersOfParentMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 ifrs-full:EquityAttributableToOwnersOfParentMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 ifrs-full:EquityAttributableToOwnersOfParentMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 ifrs-full:EquityAttributableToOwnersOfParentMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 ifrs-full:NoncontrollingInterestsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 ifrs-full:NoncontrollingInterestsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 ifrs-full:NoncontrollingInterestsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 ifrs-full:NoncontrollingInterestsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 ifrs-full:NoncontrollingInterestsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 tap:SupplementaryCapitalContributionsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 tap:SupplementaryCapitalContributionsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 tap:SupplementaryCapitalContributionsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 tap:SupplementaryCapitalContributionsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 tap:SupplementaryCapitalContributionsMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 tap:ReservesOfFairValueExceptForOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 tap:ReservesOfFairValueExceptForOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 tap:ReservesOfFairValueExceptForOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 tap:ReservesOfFairValueExceptForOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 tap:ReservesOfFairValueExceptForOtherReservesMember 213800XBTDYWRYHKH878 2020-12-31 tap:FinancialEffectSubscribedAndUnrealizedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-01-01 2021-12-31 tap:FinancialEffectSubscribedAndUnrealizedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2021-12-31 tap:FinancialEffectSubscribedAndUnrealizedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-01-01 2022-12-31 tap:FinancialEffectSubscribedAndUnrealizedCapitalMember 213800XBTDYWRYHKH878 2022-12-31 tap:FinancialEffectSubscribedAndUnrealizedCapitalMember iso4217:EUR iso4217:EUR xbrli:shares
Graphics
TRANSPORTES AÉREOS PORTUGUESES, S.A.
2022
RELATÓRIO DE GESTÃO
E
CONTAS CONSOLIDADAS



Graphics
2














RELATÓRIO DE GESTÃO
CONSOLIDADO

2022











Graphics
3

ÍNDICE

1. ÓRGÃOS E CORPOS SOCIAIS .................................................................................................... 4
2. NORMATIVO CONTABILÍSTICO................................................................................................... 6
3. EVOLUÇÃO DA ATIVIDADE EM 2022 .......................................................................................... 7
3.1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 7
3.2. ENQUADRAMENTO SETORIAL ..................................................................................................... 8
3.3. PERFORMANCE OPERACIONAL E ECONÓMICO-FINANCEIRA ........................................................ 10
3.4. REDE E FROTA ........................................................................................................................ 14
3.5. MANUTENÇÃO & ENGENHARIA .................................................................................................. 15
3.6. CARGA .................................................................................................................................... 15
4. EVENTOS SUBSEQUENTES ...................................................................................................... 16
5. PERSPETIVAS PARA 2023 ......................................................................................................... 18
6. GESTÃO DO RISCO .................................................................................................................... 19
6.1. SISTEMA DE CONTROLO INTERNO ............................................................................................. 19
6.2. PROCESSO DE GESTÃO DE RISCO ............................................................................................ 19
6.3. PRINCIPAIS RISCOS ................................................................................................................. 20
ANEXOS ............................................................................................................................................... 25
I – CUMPRIMENTO DAS ORIENTAÇÕES E DISPOSIÇÕES LEGAIS APLICÁVEIS ÀS EMPRESAS
PÚBLICAS NÃO FINANCEIRAS SA ................................................................................................... 25

II – ESTRUTURA CORPORATIVA DA TAP, S.A. (CONTAS CONSOLIDADAS) .............................. 37
III – GOVERNO CORPORATIVO ......................................................................................................... 37
IV - DECLARAÇÃO EMITIDA NOS TERMOS DO ARTIGO 29-G DO CÓDIGO DOS VALORES
MOBILIÁRIOS PORTUGUÊS .............................................................................................................. 45

V – GLOSSÁRIO .................................................................................................................................. 46
VI – INFORMAÇÃO NÃO FINANCEIRA CONSOLIDADA .................................................................. 46
VII – DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS ............................................................ 47


Graphics
4

1. ÓRGÃOS E CORPOS SOCIAIS

Transportes Aéreos Portugueses, S.A. (“TAP”, “TAP, S.A.”, “Companhia”, “Empresa” ou
“Sociedade”)

Em 24 de junho de 2021, realizou-se a Assembleia Geral eletiva, através da qual foram nomeados os
órgãos e corpos sociais da TAP para o quadriénio 2021-2024. A composição dos órgãos e corpos
sociais da Companhia à data de 31 de dezembro de 2022 era o seguinte:

Mesa da Assembleia Geral
Presidente
António de Macedo Vitorino
Suplente
David Fernandes de Oliveira Festas
Secretária da Sociedade
Ana Maria Sirgado Malheiro

Conselho de Administração
Presidente
Manuel Amaral Beja*
Vogal
Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann
Vogal
Christine Ourmières-Widener**
Vogal
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires
Vogal
João Pedro Conceição Duarte
Vogal
Patrício Ramos Castro
Vogal
Ramiro José Oliveira Sequeira
Vogal

Vogal
Silvia Mosquera Gonzalez

Sofia Norton dos Reis Lufinha de Mello Franco***

Comissão Executiva
Presidente
Christine Ourmières-Widener**
Vogal
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires
Vogal
Ramiro José Oliveira Sequeira
Vogal

Vogal
Silvia Mosquera Gonzalez

Sofia Norton dos Reis Lufinha de Mello Franco***


(*) a Sociedade foi notificada em 12 de abril de 2023 da deliberação unânime por escrito do acionista único relativa à aprovação da
decisão da demissão de Manuel Amaral Beja do cargo de Presidente do Conselho de Administração ao abrigo do artigo 25.º n.º 1
do Estatuto do Gestor Público, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/2007, de 27 de março.
(**) a sociedade foi notificada em 12 de abril de 2023 da deliberação unânime por escrito do acionista único relativa à aprovação de
decisão de demissão de Christine Ourmières-Widener do cargo de Vogal do Conselho de Administração e de Presidente da
Comissão Executiva, ao abrigo do artigo 25.º n.º 1 do Estatuto do Gestor Público, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/2007, de 27 de
março.

Graphics
5

(***) Sofia Norton dos Reis Lufinha de Mello Franco foi designada para o cargo de vogal da Comissão Executiva, com efeitos a 28
de setembro de 2022, na sequência da saída de Alexandra Margarida Vieira Reis, com efeitos a 28 de fevereiro de 2022.
Luís Manuel da Silva Rodrigues foi eleito para o cargo de Presidente do Conselho de Administração com efeitos a 14 de abril de
2023, tendo sido, também neste dia, integrado como membro da Comissão Executiva e designado como Presidente da Comissão
Executiva.
José Manuel Silva Rodrigues renunciou ao cargo de vogal do Conselho de Administração, com efeitos a 31 de janeiro de 2022.

Comissão de Finanças, Auditoria e Risco
Presidente
Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann
Vogal

Vogal

Vogal

Vogal


Manuel Amaral Beja

Christine Ourmières
-Widener
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires

Patrício Ramos Castro

Comissão de Safety and Security
Presidente
Timothy Anderson
Vogal

Vogal
Christine Ourmières
-Widener
Patrício Ramos Castro

Secretário da Sociedade
Secretário da Sociedade
Ana Maria Sirgado Malheiro
Secretário da Sociedade Suplente
João Carlos Pugliese Espírito Santo

Conselho Fiscal
Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
Mandat
o
Posi
ção

N
ome
Designação

Doc.

Mandatos exercidos na
Companhia
(Início

ǦǦ
Fim
)
Número
Data da 1ª
designação
para o CF
2021-2024
Presidente
Baker Tilly, PG & Associados, SROC,
S.A,
representada por
Paulo Jorge
Duarte Gil Galvão André
Assembleia Geral
3
13 Nov 2015







Vogal
José Manuel Fusco Gato*
Assembleia Geral
1
24 Nov 2021
Sérgio Sambade Nunes Rodrigues renunciou ao cargo de vogal do Conselho Fiscal, com efeitos a 7 de janeiro de 2022.
(*) José Manuel Fusco Gato foi designado para o cargo de vogal do Conselho Fiscal, com efeitos a 7 de janeiro de 2022, na
sequência da renúncia ao cargo de Sérgio Sambade Nunes Rodrigues.


Graphics
6


Revisor Oficial de Contas
Efetivo

António Joaquim Brochado Correia,
ou
Hugo Miguel Patrício Dias

em representação de Pricewaterhousecoopers & Associados, SROC, Lda.
Suplente
Carlos Figueiredo Rodrigues

Comissão de Vencimentos*
Presidente
Tiago Aires Mateus
Vogal
Pedro Miguel Nascimento Ventura
(*) Luís Manuel Delicado Cabaço Martins renunciou ao cargo em 7 de janeiro de 2022.

Comissão de Monitorização dos Auxílios de Estado
Presidente
Patrício Ramos Castro
Vogal
Christine Ourmières-Widener


2. NORMATIVO CONTABILÍSTICO
Conforme divulgado na Nota 2 do anexo às demonstrações financeiras consolidadas da TAP, S.A.,
estas demonstrações financeiras foram preparadas de acordo com as normas internacionais de relato
financeiro tal como adotadas na União Europeia (“IFRS - International Financial Reporting Standards”),
conforme permitido pela legislação em vigor. Contudo, as demonstrações financeiras individuais foram
preparadas de acordo com as disposições do Sistema de Normalização Contabilística (“SNC”),
emitidas e em vigor à data de 31 de dezembro de 2022.


Graphics
7

3. EVOLUÇÃO DA ATIVIDADE EM 2022

3.1. Introdução
x 2022 foi marcado pela recuperação da pandemia no transporte aéreo. A capacidade, medida
em ASK, da maioria das companhias aéreas europeias atingiu níveis de cerca de 80% da
capacidade pré-crise. A TAP está a recuperar da pandemia da COVID e atingiu 87% da sua
capacidade face a 2019, um aumento de 94% em comparação com 2021. Os primeiros meses
do primeiro trimestre registaram um ressurgimento dos casos da COVID, o que levou a um
aumento das restrições de viagem, contribuindo para alguma suavização da procura. A maioria
das restrições de viagem foram subsequentemente flexibilizadas, o que levou a uma procura
mais forte e a um aumento do load factor até 87% no terceiro trimestre. Relativamente ao ano
inteiro, cumulativamente, o load factor da TAP foi de 80%, o mesmo nível de 2019.
x As receitas da TAP em 2022 ascenderam a EUR 3.485,0 milhões, atingindo um nível recorde
na sua história, impulsionadas pelo aumento do load factor e yields mais elevadas.
x Apesar dos desafios significativos resultantes do aumento dos preços do combustível, da
inflação geral e das flutuações cambiais adversas, a TAP conseguiu gerar um EBIT recorrente
positivo de EUR 248,8 milhões, uma melhoria de EUR 726,7 milhões em relação ao ano
anterior, ultrapassando em EUR 196,1 milhões o EBIT pré-crise, em 2019.
x A evolução dos custos face a 2019 reflete o impacto positivo do plano de transformação da
TAP e das correspondentes medidas de redução de custos, uma vez que os custos
operacionais diminuíram em 2,4%. Com exceção dos custos de combustível, custos de
marketing, depreciação e imparidades, os outros custos foram reduzidos em todas as rubricas
da Demonstração de Resultados.
x Durante o ano, a TAP continuou a implementar o seu plano de transformação, nomeadamente
através do ajustamento da sua capacidade, da redução de custos e do aumento das receitas
através de numerosas iniciativas em toda a Companhia. Foram feitos progressos significativos
em várias áreas. Foi alcançado um novo aumento de 9,4% das receitas operacionais de carga
e correio, em comparação com o ano anterior. A transformação da frota continuou com 66%
da frota de médio e longo curso agora constituída por aviões da família NEO. Cerca de 1.300
contratos foram renegociados.
x Adicionalmente, no contexto do plano de transformação, a TAP fez progressos significativos
nas medidas com as quais se comprometeu. Não só executou o acordo de transferência de
slots com a easyJet, em agosto de 2022, transferindo, ao mesmo tempo, os slots atribuídos
para o Inverno de 2022, como também negociou e transferiu com sucesso os slots atribuídos
para o Verão de 2023, em dezembro de 2022. Este importante passo foi informado à Comissão
Europeia e a quitação do Monitoring Trustee ALCIS foi aprovado pela Comissão Europeia uma
vez concluída a transferência dos slots.


Graphics
8

3.2. Enquadramento Setorial
Enquadramento Económico
Fonte: IMF (fevereiro 2023), IMF - World Economic Outlook Update (fevereiro 2023), World Trade Organization (outubro 2022).
Em 2022, a economia global cresceu face ao ano anterior, sendo estimado que o PIB mundial registe
um crescimento de 3,2% (vs. um crescimento de 6,0% em 2021). Com um aumento previsto de 6,2%
do PIB, estima-se que a economia portuguesa registe um crescimento mais forte do que a Zona Euro,
impulsionada pela recuperação do turismo do período da pandemia, em 2022.
Fonte: BCE (via Bloomberg), preço médio diário.
Durante 2022, o EUR desvalorizou face ao USD, com a taxa de câmbio média a cair 11,0%, face a
2021. Com um desempenho particularmente fraco no segundo semestre do ano, a taxa de câmbio
EUR/USD atingiu um mínimo de 0,9565 no terceiro trimestre de 2022, terminando o ano com uma taxa
de câmbio de 1,0666. Da mesma forma, o EUR desvalorizou face ao BRL, em 2022, com a taxa de
câmbio média a diminuir 14,7%, face a 2021. O fraco desempenho do EUR durante 2022 deveu-se
essencialmente à Guerra na Ucrânia, que desencadeou um aumento exponencial dos preços da
energia, e ao aumento da diferença de política monetária entre a Reserva Federal e o BCE.
Fonte: Bloomberg (Brent) e Platts (Jet Fuel), preço médio diário.
Os preços do Brent continuaram a apresentar elevados níveis de volatilidade em 2022, variando entre
os 76,10 USD/bbl e 127,98 USD/bbl, com o preço médio a aumentar 41,7%, face a 2021. Da mesma
forma, o preço médio do Jet Fuel aumentou 80,0%, em comparação com o ano anterior. A invasão da
Ucrânia por parte da Rússia, bem como a incerteza da oferta/procura de petróleo, foram os principais
contribuintes para o aumento do preço de mercado do petróleo.
Indicadores Macro
Var %
Crescimento Real do PIB
Global 6,0% 3,2% -2,8 p.p.
Zona Euro 5,2% 3,1% -2,1 p.p.
Portugal 4,9% 6,2% 1,3 p.p.
América do Norte 5,5% 1,8% -3,7 p.p.
América Latina 6,9% 3,5% -3,4 p.p.
África 4,8% 3,7% -1,1 p.p.
Médio Oriente
4,0% 5,6% 1,6 p.p.
Ásia-Pacífico 6,6% 4,0% -2,6 p.p.
Crescimento do Comércio
Global 9,7% 3,5% -6,2 p.p.
2021
2022E
2022E vs
2021
Evolução Cambial FY 1T 2T 3T 4T
FY
EUR 1 em 2021 2022 2022 2022 2022 2022
USD 1,183 1,122 1,065 1,007 1,021 1,053 -11,0%
BRL 6,378 5,870 5,238 5,283 5,370 5,440 -14,7%
FY2022 vs.
FY2021
Evolução do Petróleo e Derivados FY 1T 2T 3T 4T
FY
em USD 2021 2022 2022 2022 2022 2022
Brent (USD/bbl) 70,5 99,5 112,8 99,1 88,3 99,9 41,7%
Jet Fuel (USD/mT) 609,6 954,5 1.292,6 1.114,4 1.035,7 1.097,0 80,0%
FY2022 vs.
FY2021

Graphics
9

Setor da Aviação Comercial
Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo ("IATA"), a indústria continuou a sua
recuperação da crise, estando mais próxima do ano de referência pré-crise de 2019. O desempenho
global melhorou e, consequentemente, estima-se que a capacidade global do sector (medida em ASK),
para o ano 2022, esteja 26% abaixo de 2019, com a recuperação mais notória a verificar-se no
continente Americano, seguido do Europeu. Por outro lado, a reabertura mais lenta dos mercados
asiáticos reduziu a recuperação global da capacidade este ano. O tráfego de passageiros (medido em
RPK) também continuou a sua recuperação para níveis pré-pandémicos, seguindo um padrão
semelhante ao da capacidade - globalmente, a IATA estima que 2022 esteja 29,4% abaixo dos níveis
de 2019.
Fonte: IATA (Dezembro 2022)
Estima-se que as receitas globais de passageiros quase tenham duplicado em 2022, face ao ano
anterior, mas continuando a ser inferiores em 30%, face a 2019. Estima-se que a yield de passageiros
tenha melhorado em 8,4%, em comparação com o ano anterior. Quanto ao load factor, estima-se que
tenha aumentado para 78,9%, uma melhoria de 12 pontos percentuais face a 2021, ficando apenas
3,7 pontos percentuais abaixo de 2019 (82,6%).
No segmento de carga, estima-se que as receitas, que foram impulsionadas pela pandemia, tenham
diminuído 1,4% em 2022, em comparação com o ano anterior. Estima-se que os CTK tenham
diminuído em 1,6%, face a 2019. No que respeita às receitas, estima-se que em 2022 sejam o dobro
das de 2019 (100,8 mil milhões de euros), refletindo a yield significativamente mais elevada, apesar
do abrandamento no aumento da mesma, tendo um crescimento estimado de apenas 7,2% em 2022,
após taxas de crescimento de 52,5% em 2020 e 24,2% em 2021. O load factor, que está
significativamente acima dos níveis pré-crise (46,7%, em 2019), estima-se que continue a melhorar em
2022, aumentando 5,8 pontos percentuais, vs. 2021, para 67,5%.
Fonte: IATA (Dezembro 2022).
Regiões
Global -56,6% 18,7% -26,1% -12,9% -65,8% -21,8% -29,4% -14,5%
Europa -62,3% 29,8% -16,0% -10,9% -69,5% 27,5% -18,6% -11,3%
América do Norte -50,3% 41,1% -6,3% -1,1% -65,1% 74,7% -8,6% -2,8%
América Latina -59,0% 37,3% -11,4% -5,8% -62,5% 40,5% -12,6% -4,4%
Ásia-Pacífico -53,8% -6,0% -48,9% -24,5% -62,0% -12,8% -55,7% -29,2%
África -62,1% 18,5%
-31,1% -16,1% -68,2% 17,0% -32,3% -13,7%
Médio Oriente -63,0% 21,2% -22,0% -5,5% -72,1% 8,5% -20,7% -2,2%
vs. 2019
2022E
Capacidade (ASK) var %
vs ano anterior
vs ano anterior
Tráfego de Passageiros (RPK) var %
2020 2021
2023F
vs. 2019
2022E
2023F
2020 2021
Receita global
USD mil milhões
Passageiros
189,0 239,0 438,0 522,0
Yield, % Yo Y
-9,1% 3,8% 8,4% -1,7%
Load Factor, %
65,2% 66,9% 78,9% 81,0%
RPK, % YoY
-65,8% 21,8% 69,4% 21,1%
└ vs 2019
-58,3% -29,4% -14,5%
Carga
138,5 204,2 201,4 149,4
Yield, % YoY
52,5% 24,2% 7,2% -22,6%
Load Factor, %
59,5% 61,7% 67,5% 68,9%
CTK, % YoY
-9,9% 18,8% -8,0% -4,1%
└ vs 2019
7,0% -1,6% 4,8%
2023F
2021
2022E
2020

Graphics
10

3.3. Performance Operacional e Económico-Financeira
Informação Preliminar Relevante
A Gestão da TAP considera que a elaboração das demonstrações financeiras da TAP a 31 de
dezembro de 2022 deve ser feita com base no princípio da continuidade das atividades, assente:
(i) no aumento de capital de EUR 980 milhões que teve lugar em 27 de dezembro de 2022 e que
restaurou a posição patrimonial da Companhia;
(ii) na geração de um Resultado Líquido positivo já em 2022, quando, pelo plano de
reestruturação, se esperava que tal acontecesse apenas em 2025;
(iii) na capacidade de obter recursos financeiros externos.
Existem riscos e incertezas que devem ser considerados ao analisar as demonstrações financeiras da
TAP a 31 de dezembro de 2022, nomeadamente os referidos na secção 5 (Gestão de Riscos) abaixo
e riscos e incertezas relacionados com (i) a extensão das renúncias a pactos financeiros dos credores
da dívida financeira (ii) o resultado de quaisquer decisões tomadas pelas autoridades judiciais em
relação às ajudas concedidas ao Grupo TAP, caso as ajudas sejam judicialmente contestadas, e (iii)
uma potencial recessão e subsequentes efeitos na procura.

Performance Operacional
1) Não inclui pessoal sem colocação e não ativo.
O ano de 2022 marcou a recuperação da pandemia. Enquanto no primeiro trimestre se registou um
aumento do número de casos de COVID e consequentes restrições de viagem relacionadas, às quais
a TAP, flexivelmente, adaptou a sua a capacidade oferecida, os trimestres seguintes foram
praticamente isentos de restrições de viagem nos mercados operados pela TAP. De modo geral, este
ano registou uma forte procura, especialmente durante o Verão. O forte aumento da procura veio
acompanhado de algumas disrupções um pouco por toda a indústria, nomeadamente com
perturbações na maioria dos aeroportos europeus que levaram à perda de bagagem, voos
atrasados/cancelados, longas filas de espera na segurança e controlo de embarque e longos tempos
de espera por slots de partida com passageiros já embarcados. Mesmo com estas perturbações, o
número de passageiros transportados pela TAP aumentou 136,1% em 2022, em comparação com o
ano anterior, que foi ainda muito afetado pela pandemia. Globalmente, os 13,8 milhões de passageiros
transportados em 2022 representam 81% dos 17,1 milhões de passageiros transportados antes da
crise, em 2019.
Valor % Valor %
Passageiros ('000)
3.615 2.399 +1.217 +50,7% 13.759 5.827 +7.932
+136,1%
RPK (milhões)
9.789 6.456 +3.333 +51,6% 36.782 14.917 +21.865
+146,6%
ASK (milhões)
12.013 9.240 +2.773 +30,0% 45.960 23.663 +22.297
+94,2%
Load Factor (%)
81,5 69,9 +12 +16,6% 80,0 63,0 +17
+27,0%
Block Hours
89.802 72.114 +17.688 +24,5% 344.900 195.636 +149.264
+76,3%
Número de Partidas
27.910 22.358 +5.552 +24,8% 107.856 61.664 +46.192
+74,9%
Etapa média (km)
2.155 2.174 -19 -0,9% 2.143 2.147 -4
-0,2%
Quadro do Pessoal Ativo (final do período)
1)
6.988 6.626 +362 +5,5% 6.988 6.626 +362 +5,5%
PRASK (EUR cents)
7,64 4,96 +2,68 +54,0% 6,68 4,51 +2,17
+48,2%
CASK Recorrente (EUR cents)
2)
7,91 6,41 +1,50 +23,3% 7,04 7,89 -0,85 -10,7%
CASK Recorrente ex. fuel (EUR cents)
5,28 4,88 +0,40 +8,2% 4,66 6,45 -1,79 -27,8%
FY2 2
FY2 1
Variação
TAP, S.A. Consolidado
4T22
4T21
Variação (%)

Graphics
11

A capacidade (medida em ASK) cresceu 94,2%, face ao ano anterior, progredindo na sua trajetória de
recuperação, representando agora 87% da capacidade pré-crise. O load factor melhorou 17 pontos
percentuais para 80,0%.

Performance Económico-Financeira
1) EBIT Recorrente = Resultado Operacional + Reestruturação + Outros itens não recorrentes.
2) EBITDA Recorrente = Resultado Operacional + Depreciações, amortizações e perdas por imparidade + Reestruturação +
Outros itens não recorrentes.
A TAP apresentou rendimentos operacionais no total de EUR 3.485,0 milhões, em 2022, um aumento
de 151,0%, face ao ano anterior, impulsionado por uma maior capacidade, maior yield e melhoria do
load factor. O total dos rendimentos operacionais atingiram 106% do nível pré-crise, representando as
receitas mais elevadas de sempre da TAP. A repartição mostra um forte aumento dos rendimentos do
segmento de Passageiros de 187,9%, face ao ano anterior, para EUR 3.072,4 milhões, ou 88% do total
dos rendimentos operacionais do ano.
Os rendimentos dos segmentos de Carga e Manutenção também contribuíram para o crescimento do
rendimento operacional total. A Carga continuou a ter um bom desempenho, mas com alguma
estabilização no crescimento dos seus rendimentos ao longo do ano, com um aumento global de 9,4%,
vs. 2021, para EUR 258,3 milhões, representando 7% do total dos rendimentos operacionais do ano.
A yield Carga da TAP diminuiu 2,5% em 2022, face ao ano anterior, principalmente em virtude da
crescente capacidade da indústria que acompanhou a recuperação, mas continua a ser, ainda assim,
significativamente superior à do período pré-crise (+87%). Os rendimentos da Manutenção
TAP, S.A. Consolidado
EUR milhões
Valor % Valor %
Rendimentos operacionais
1.044,8 561,7 +483,1 +86,0% 3.485,0 1.388,5 +2.096,4
+151,0%
Passagens 917,8 458,4 +459,3 +100,2% 3.072,4 1.067,2 +2.005,2
+187,9%
Manutenção 56,8 23,2 +33,7 +145,2% 132,1 54,2 +77,9
+143,6%
Carga e Correio 62,1 74,7 -12,6 -16,9% 258,3 236,2 +22,1
+9,4%
Outros rendimentos 8,2 5,4 +2,8 +50,8% 22,2 30,9 -8,7
-28,2%
Gastos operacionais
922,1 1.627,2 -705,0 -43,3% 3.216,8 2.877,2 +339,5
+11,8%
Combustível para aeronaves 315,7 141,5 +174,2 +123,1% 1.096,7 340,5 +756,2
>+200%
Custos Operacionais de Tráfego 176,9 127,1 +49,8 +39,2% 699,1 372,2 +326,9
+87,8%
Custos com o Pessoal 122,4 78,4 +44,0 +56,2% 416,7 373,4 +43,3
+11,6%
Gastos com manutenção de aeronaves 8,3 3,2 +5,0 +154,4% 33,4 19,4 +14,0
+72,1%
Custo dos materiais consumidos 46,1 15,2 +31,0 >+200% 101,9 30,2 +71,7
>+200%
Custos comerciais, marketing e comunicação 54,0 29,4 +24,6 +83,6% 181,0 71,4 +109,6
+153,5%
Imparidade de contas a receber, inventários e Provisões 35,0 21,3 +13,7 +64,7% 56,1 51,4 +4,6
+9,0%
Outros gastos 38,8 34,9 +4,0 +11,4% 141,9 118,3 +23,5
+19,9%
Reestruturação 0,3 9,6 -9,3 s.s. -3,4 -14,2 +10,8
s.s.
Outros itens não recorrentes -28,3 1.024,9 -1.053,2 -102,8% -16,0 1.024,9 -1.041,0
-101,6%
Depreciações, amortizações e perdas por imparidade 153,0 141,7 +11,2 +7,9% 509,5 489,7 +19,8
+4,0%
EBIT (Resultado Operacional)
122,7 -1.065,5 +1.188,2 +111,5% 268,2 -1.488,7 +1.756,9
+118,0%
Margem EBIT 11,7% -189,7% >+100p.p s.s. 7,7% -107,2% >+100p.p
s.s.
EBIT Recorrente
1)
94,7 -30,9 +125,6 >+200% 248,8 -478,0 +726,7 +152,0%
Margem EBIT Recorrente 9,1% -5,5% +14,6 p,p s.s. 7,1% -34,4% +41,6 p,p
s.s.
Juros e rendimentos similares obtidos 11,8 8,7 +3,0 +34,6% 40,1 34,0 +6,1
+18,1%
Juros e gastos similares suportados -60,6 -67,7 +7,1 s.s. -261,6 -293,6 +32,0
s.s.
Rendimenttos / Gastos de Overhedge - - - s.s . - 8,7 -8,7 -100,0%
Diferenças de câmbio líquidas 25,6 -50,2 +75,8 +151,0% -12,8 -175,5 +162,7
+92,7%
Resultado antes de impostos
99,5 -1.174,6 +1.274,2 +108,5% 33,9 -1.915,1 +1.949,1
+101,8%
Imposto sobre o rendimento 56,9 203,1 -146,3 -72,0% 31,7 316,0 -284,4
-90,0%
Resultado líquido do período
156,4 -971,5 +1.127,9 +116,1% 65,6 -1.599,1 +1.664,7
+104,1%
EBITDA
275,7 -923,7 +1.199,4 +129,8% 777,7 -999,0 +1.776,6
+177,8%
Margem EBITDA
26,4% -164,4% >+100p.p s.s. 22,3% -71,9% +94,3 p,p
s.s.
EBITDA Recorrente
2)
247,7 110,8 +136,9 +123,5% 758,2 11,7 +746,5 >+200%
Margem EBITDA Recorrente 23,7% 19,7% +4,0 p,p s.s. 21,8% 0,8% +20,9 p,p s.s.
Variação
4T22
4T21
Variação (%)
FY2 2
FY2 1

Graphics
12

aumentaram em EUR 77,9 milhões (+143,6%, face ao ano anterior) para EUR 132,1 milhões,
beneficiando da recuperação da indústria da aviação.
Os custos operacionais totais ascenderam a EUR 3.216,8 milhões, em 2022, um aumento de EUR
339,5 milhões (+11,8%) quando comparado com 2021. Este crescimento explica-se, principalmente,
pelo aumento dos custos variáveis devido ao maior nível de atividade e ao forte aumento dos preços
do combustível. Contudo, em comparação com 2019, a TAP conseguiu reduzir os custos em quase
todas as rubricas da demonstração de resultados, exceto no que diz respeito a combustível, marketing,
depreciação e imparidades.
Do ponto de vista do custo unitário, o CASK dos custos operacionais totais excluindo o combustível foi
27,8% inferior ao ano anterior, principalmente devido a um nível de capacidade mais elevado, e 0,5%
inferior ao verificado em 2019.
O Resultado Operacional (EBIT) foi positivo em EUR 268,2 milhões representando uma melhoria de
EUR 1.756,9 milhões (+118,0% YoY), vs. 2021. Quando ajustado para os itens não recorrentes e
custos de reestruturação, o EBIT recorrente foi de EUR 248,8 milhões (+152,0% YoY), enquanto o
EBITDA recorrente, ajustado por efeitos da libertação de provisões referentes à restruturação do grupo,
foi de EUR 758,2 milhões (+>200% YoY), resultando numa margem de 21,8%.
A TAP alcançou um Resultado Líquido positivo de EUR 65,6 milhões, o que representa um aumento
de EUR 1.664,7 milhões, comparando com 2021, impulsionado pelo forte desempenho operacional,
pelo registo de impostos diferidos referentes a prejuízos fiscais e pela implementação de uma melhor
política de cobertura do risco cambial no contexto da atual estratégia de gestão do risco financeiro da
TAP, com o objetivo de reduzir a volatilidade dos impactos das flutuações cambiais sobre a
demonstração de resultados.

Posição Financeira
A expansão do balanço é, maioritariamente, explicada pelo aumento do número de aeronaves, pelo
maior saldo de fundo de maneio, em virtude do aumento do nível de atividade e do forte desempenho
no que respeita à venda de bilhetes, e, ainda, por uma melhoria da posição do capital próprio na
sequência do aumento de capital por parte do Estado português.
Na sequência da decisão da Comissão Europeia de 21 de dezembro de 2021 que aprovou o Plano de
Reestruturação do Grupo TAP e a concessão do auxílio à reestruturação, os dois atos seguintes foram
aprovados em 27 de dezembro de 2022 pelo único acionista da TAP, a República Portuguesa, através
da Direcção-Geral do Tesouro e das Finanças ("DGTF"):
TAP, S.A. Consolidado
EUR milhões Valor %
Total do Ativo
5.913,9 4.718,1 +1.195,8 +25,3%
Ativo não corrente 4.010,4 3.479,3 +531,1 +15,3%
Ativo corrente 1.903,3 1.238,7 +664,5 +53,6%
Capital Próprio
417,6 -468,1 +885,7 +189,2%
Total do Passivo
5.496,2 5.186,1 +310,1 +6,0%
Passivo não corrente 3.297,4 3.440,9 -143,5 -4,2%
Passivo corrente 2.198,9 1.745,3 +453,6 +26,0%
Variação
31-Dez-22
31-Dez-21

Graphics
13

a) A redução do capital social da TAP de EUR 904.327.865 para EUR 0,00, para cobrir
parcialmente as perdas;
b) O aumento do capital social da TAP de EUR 0,00 para EUR 980.000.000, totalmente subscrito
pela DGTF, através de novas entradas em caixa, como se segue:
I. EUR 294.000.000 em 27 de dezembro de 2022
II. EUR 343.000.000 em 20 de dezembro de 2023
III. EUR 343.000.000 em 20 de dezembro de 2024

Financiamentos e Passivos de Locação
A dívida financeira bruta, que exclui passivos de locação sem opção de compra, registou um aumento
de EUR 137,2 milhões, face a 31 de dezembro de 2021, em resultado do aumento dos passivos de
locação com opção de compra (+EUR 165,6 milhões) devido à adição de 3 aeronaves A321LR e 2
motores.
A Caixa e equivalentes aumentou EUR 103,5 milhões para EUR 916,1 milhões, durante o ano, devido
a um forte fluxo de caixa operacional e à entrada em caixa da primeira tranche do aumento de capital.



TAP, S.A. Consolidado
EUR milhões Valor %
Dívida Financeira
1.618,1 1.480,9 +137,2 +9,3%
Empréstimos bancários e obrigacões
908,8 937,2 -28,4 -3,0%
Passivos de locação com opção de compra
709,3 543,7 +165,6 +30,5%
Caixa e equivalentes
916,1 812,6 +103,5 +12,7%
Dívida Financeira Líquida
702,0 668,3 +33,7 +5,0%
Passivos de locação sem opção de compra
2.038,1 2.118,5 -80,4 -3,8%
31-Dez-22
Variação
31-Dez-21

Graphics
14
3.4. Rede e Frota
A TAP continua totalmente empenhada na sua estratégia de desenvolvimento do hub de Lisboa para
conectar a Europa e o Médio Oriente a África, Brasil e América do Norte. Embora durante a pandemia
a estratégia da rede se tenha centrado na manutenção da rede principal e no direcionamento de
capacidade extra para destinos de lazer com menos restrições de viagem, a TAP está agora a
redistribuir a capacidade para destinos centrais à medida que a procura recupera.
Com o relançamento da rota de Boa Vista, no segundo trimestre, a TAP retomou as operações para
todos os aeroportos internacionais em Cabo Verde, e o relançamento de Caracas restabeleceu a
operação em todos os destinos de longo curso. Ao longo do ano, a TAP continuou a repor rotas, tais
como Agadir, Marrocos (AGA), no terceiro trimestre.
No final do ano 2022, a frota operacional da TAP, era composta por um total de 93 aeronaves. Durante
o ano, houve o phase-in de 3 A321LR e 3 Embraer, a extensão do contrato de 2 A320, que estavam
anteriormente em processo de phase-out, e o phase-out de 1 A319 e 6 ATRs.
Assim, no final de 2022, 66% da frota operacional de médio e longo curso era constituída por aeronaves
NEO-family, sublinhando a estratégia do Grupo de utilizar aeronaves mais eficientes em termos de
combustível, com benefícios tanto em termos de custos como de sustentabilidade.
Composição da frota operacional
1)
da TAP a 31 de dezembro de 2022
1) A frota em operacional pode diferir da frota total por não contemplar aeronaves em processo de phase-out e phase-in.

Graphics
15

3.5. Manutenção & Engenharia
Em 2022, a Manutenção & Engenharia ("M&E") enfrentou o desafio de apoiar uma operação que se
intensificou mais do que inicialmente esperado e debateu-se com alguns constrangimentos devido à
escassez de mão-de-obra, problemas na cadeia de abastecimento e questões técnicas que os
fabricantes de equipamento original (“OEMs”) não conseguiram resolver em tempo útil. As restrições
do aeroporto de Lisboa acrescentaram dificuldades à atividade da M&E, refletindo-se globalmente na
pontualidade, fiabilidade e disponibilidade de aeronaves abaixo dos objetivos estabelecidos para o
ano.
As receitas com terceiros tiveram um desempenho melhor do que o previsto e os custos globais para
a manutenção da frota da TAP mantiveram-se em linha com as expectativas. Vários projetos foram
lançados durante o ano, esperando-se que produzam melhorias em 2023, tais como Gestão de
Inventário, Organização CAMO, com ênfase no Planeamento da Manutenção e aumento da
capacidade da Estrutura de Aviação através da criação de uma plataforma de manutenção no Hangar
6, no Campus da TAP. Foi também desenvolvida uma nova estratégia, centrada na retenção e
recrutamento de mão-de-obra.

3.6. Carga
Em 2022, a TAP Air Cargo continuou a desenvolver esforços para otimizar a sua rede e concentrou-
se na gestão da yield. Isto levou ao alcançar de carga transportada recorde e permitiu manter as yields
a um nível comparável ao de 2021, proporcionando rendimentos recorde o ano.
A TAP Air Cargo deu também continuidade a sua jornada digital, tendo alcançado o objetivo de
aumentar a quota de reservas através da sua plataforma digital, representando agora 5% das reservas.
Do ponto de vista do desenvolvimento empresarial, o negócio farmacêutico aumentou em 69%, em
comparação com o ano anterior.
Desde outubro, a TAP Air Cargo opera um avião A330-200 de passageiros que foi convertido num
freighter. No total, foram operados este ano 109 voos para 22 destinos diferentes.


Graphics
16

4. EVENTOS SUBSEQUENTES

Alterações na composição dos Órgãos Sociais.
Por carta dirigida à TAP, recebida em 20 de fevereiro de 2023, o Senhor Dr. António de Macedo
Vitorino apresentou renúncia ao cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral da TAP, por
motivos pessoais, com efeitos a 31 de março de 2023.
Por carta dirigida à TAP, datada de 21 de março de 2023, a Eng.ª Silvia Mosquera González
apresentou renúncia ao cargo de vogal do Conselho de Administração e vogal da Comissão
Executiva da TAP. Nos termos da referida renúncia, a mesma produzirá efeitos no dia 23 de junho
de 2023.
Na sequência da publicação do Relatório n.º 24/2023 da Inspeção-geral de Finanças – Autoridade
de Auditoria sobre a avaliação do processo relativo à cessação de funções de administradora do
Grupo TAP, e após promoção da respetiva audiência prévia, o acionista único da TAP deliberou a
12 de abril de 2023 aprovar a demissão do Presidente do Conselho de Administração, Dr. Manuel
Beja, e da Presidente da Comissão Executiva, Eng.ª Christine Ourmières-Widener nos termos da
alínea b) do n.º 1 do artigo 25.º do Estatuto do Gestor Público, aprovado pelo Decreto-Lei n.º
71/2007, de 27 de março, com efeitos a 14 de abril de 2023.
Também a 12 de abril de 2023, o acionista único da TAP deliberou eleger o Dr. Luís Manuel da
Silva Rodrigues como Presidente do Conselho de Administração da TAP, para exercer funções no
período remanescente do mandato em curso de 2021/2024, produzindo a designação efeitos no
dia 14 de abril de 2023. Neste dia, o Conselho de Administração da TAP deliberou integrar o Dr.
Luís Manuel da Silva Rodrigues na Comissão Executiva e designá-lo como Presidente da
Comissão Executiva.

TAP faz progressos com o SNPVAC, evitando uma nova greve dos tripulantes de cabine.
Em 23 de Janeiro de 2023, a TAP e o SNPVAC concluíram um acordo que em Assembleia Geral
de associados foi aprovado e permitiu cancelar a greve de tripulantes de cabine e reabrir a
negociação do novo Acordo Coletivo de Trabalho.

TAP implementa programa de retenção para Técnicos da Manutenção.
Em 25 de janeiro de 2023, a TAP fechou um acordo com SITEMA e o SITAVA, sindicatos que
representam os Técnicos da Manutenção de Aeronaves (TMA) da Empresa o qual reforça e
viabiliza a permanência destes técnicos especializados na Empresa.

TAP faz progressos com o SPAC, evitando uma nova greve de pilotos.
Em 17 de março de 2023, a TAP e o SPAC concluíram um acordo que em Assembleia Geral de
associados foi aprovado e permitiu cancelar a greve de pilotos e reabrir a negociação do novo
Acordo Coletivo de Trabalho.




Graphics
17

TAP informa sobre a assinatura de Acordo de Subscrição relativo à SPdH
Em 11 de abril de 2023, foi celebrado entre a TAP, a subsidiária portuguesa da Menzies Aviation,
a SPdH – Serviços Portugueses de Handling, S.A. (“SPdH”) e a sua respetiva Massa Insolvente
um Acordo de Subscrição, nos termos do qual as partes acordaram nos termos e condições
essenciais do Plano de Recuperação a apresentar no processo de insolvência da SPdH, tendo em
vista a recuperação e revitalização da SPdH.
A submissão do Plano de Recuperação na Assembleia de Credores da SPdH está sujeita à prévia
obtenção de um conjunto de aprovações e autorizações, iniciando-se, nesta data, o prazo para tal
obtenção.
Caso o processo de obtenção das necessárias aprovações e autorizações seja concluído com
sucesso, sem alterações materiais, e após a aprovação do plano de insolvência pela Assembleia
de Credores da SPdH e homologação do plano de insolvência pelo tribunal competente, a SPdH
deverá ser capitalizada pela subsidiária portuguesa da Menzies Aviation, passando esta a deter a
maioria do respetivo capital social, sendo o capital remanescente subscrito pela TAP, mediante a
conversão de créditos sobre a SPdH, sem aporte de capital adicional pela TAP.

























Graphics
18

5. PERSPETIVAS PARA 2023
Apesar da TAP ter demonstrado um forte progresso na sua trajetória de recuperação em 2022, este
ano foi também caraterizado por desafios macroeconómicos e operacionais significativos, as quais são
esperadas que continuem em 2023, podendo impactar a performance económica e operacional da
TAP.
O tão comentado risco de recessão não é ainda visível nos atuais valores dos bookings. Com a
expectativa de que a capacidade global de 2023 seja ainda abaixo dos níveis de 2019, a gestão é
cautelosamente otimista para o ano e espera que a capacidade se aproxime dos níveis de 2019 com
load factor estáveis e um ligeiro aumento das yields quando comparadas com 2022.
Contrariando este contexto, a TAP irá continuar a monitorizar de perto o desenvolvimento da procura
numa base de região e rota, ajustando a sua capacidade, rede, bem como a utilização dos seus aviões,
caso necessário. A TAP irá também continuar focada na transformação, levando a cabo as iniciativas
de redução de custos com um enfase na renegociação e modernização de todos os seus acordos
coletivos de trabalho.
Baseado no plano da IATA publicado para a estação de verão de 2023, o número de voos irá crescer
em cerca de 8% quando comparado com o verão de 2022, atingindo 91% dos nível pré-crise do verão
de 2019. Isto resulta do aumento das frequências na sua maioria para a América do Norte, Brasil e
Telavive e dos novos destinos sazonais assim como Palma de Maiorca e Menorca.



Graphics
19

6. GESTÃO DO RISCO
6.1. Sistema de Controlo Interno
A Direção de Auditoria Interna, através da monitorização dos sistemas de controlo interno, tem um
papel ativo no desenvolvimento e robustez do processo de mitigação do risco, acompanhando a sua
efetividade, eficácia, adequação e alinhamento com os objetivos estratégicos da Empresa, assim como
no desenvolvimento de novos controlos internos preventivos e reativos, de forma a fortalecer a sua
cultura de compliance.
Considerando a complexa envolvente externa da TAP, com uma multiplicidade de riscos inerentes à
sua atividade, é fundamental a implementação de sistemas de controlo interno e de gestão do risco
adequados, que mitiguem a exposição da Empresa.
O controlo interno surge assim, como um instrumento de melhoria e aperfeiçoamento de processos,
baseado nas normas, procedimentos e estruturas da TAP, que permitem à Administração gerir a sua
estratégia e objetivos de forma eficiente, otimizando os seus recursos.
O ambiente de controlo interno na TAP tem uma filosofia Top Down, com o patrocínio da gestão de
topo, sendo comunicado a todos os colaboradores a importância do cumprimento dos procedimentos
instituídos, em linha com elevados padrões de conduta, refletindo um compromisso com os valores
éticos, responsabilidades, políticas, normas e procedimentos.
A TAP segue um modelo de governo do risco baseado no conceito de 3 linhas de defesa.
Cada uma das várias linhas de defesa tem definidos responsáveis e Comissões de debate e decisão,
estabelecidos para materializar cada uma a nível corporativo e dos diversos departamentos e áreas
de negócio, de forma clara, evitando duplicação de esforços e/ ou a existência de lacunas e
promovendo a cooperação e articulação entre as várias áreas.

6.2. Processo de Gestão de Risco
As organizações encontram-se constantemente sujeitas a diversos acontecimentos que as podem
favorecer ou expor a novos desafios, alguns dos quais com potenciais impactos negativos, nas mais
diversas vertentes, podendo afetar a sua atividade, os seus mercados, a sua imagem, a sua
rentabilidade e o seu valor patrimonial.
O processo de gestão do risco pretende determinar os eventos que podem potencialmente ter impacto
no Grupo e impedi-lo de alcançar os seus objetivos. Permitindo, por um lado, às diferentes áreas e,
por outro, à Comissão Executiva da TAP e à Comissão de Finanças, Auditoria e Risco, monitorizar os
principais riscos, a sua evolução ao longo do tempo e as medidas em vigor para gerir estes riscos. O
seu objetivo é, assim, criar e preservar valor, e salvaguardar os bens e a reputação da Empresa.
O processo global de gestão de risco também serve de base para o documento de registo de riscos e
representa um importante contributo para a definição do Plano Anual de Auditoria.
A TAP procura ter uma visão abrangente sobre os principais riscos a que está exposta, a nível
estratégico e comercial, financeiro, compliance e governance e operacional, estando definidos
processos para assegurar o seu acompanhamento e respetiva gestão proactiva.

Graphics
20

A TAP definiu uma metodologia que lhe permite adquirir uma visão global dos seus principais riscos,
de acordo com a sua materialidade, quantificando o seu impacto e avaliando a probabilidade de
ocorrência, identificando, sempre que possível, as respetivas medidas de mitigação eficazes.
Os riscos principais da TAP são apresentados de seguida.

6.3. Principais Riscos

Riscos estratégicos e comerciais
As decisões políticas a nível nacional e internacional têm uma forte influência no sector da aviação
internacional, afetando direta e indiretamente as companhias aéreas. O período pós pandémico foi
afetado pelos efeitos da guerra na Ucrânia, iniciando uma crise alimentar e energética, despoletando
problemas que décadas do progresso tinham já procurado resolver.
Estamos assim a assistir à emergência de um conjunto de riscos mais antigos, como o aumento do
custo de vida, agitação social e confrontação geopolítica que podem afetar a predisposição para viajar,
quer pela falta de recursos quer pela instabilidade e insegurança sentidas.
Pelo contrário, as alterações climáticas que temos vindo a presenciar vão-se intensificando e vão,
tendencialmente, conduzir a eventos climáticos extremos mais frequentes que terão um maior ou
menor impacto em todas as regiões do mundo. A indústria da aviação depende das condições
meteorológicas e pode ser afetada pelos fenómenos naturais (terramotos, erupções vulcânicas,
inundações, etc.) levando a perturbações operacionais tais como cancelamentos de voos, atrasos ou
desvios.
O crescimento do sector da aviação é altamente dependente da situação política global e está
totalmente correlacionado com o ambiente macroeconómico. Mudanças estruturais na procura,
relacionadas com a pandemia e com a guerra, limitações de infraestruturas, a influência do debate
sobre o clima e a continuação da modernização tecnológica podem implicar uma redução nos níveis
de crescimento verificados em períodos anteriores. Todos estes fatores acarretam riscos de receita
para a TAP, com influência na procura, sendo esta continuamente monitorizada.
Adicionalmente, os riscos apontados podem ainda resultar em flutuações de preço, excesso de
capacidade, flutuações económicas, desenvolvimentos atuais do mercado e da concorrência,
potenciais alterações no comportamento dos clientes por razões de proteção climática, mudanças
geopolíticas e acontecimentos globais imprevistos. Todos estes desafios são endereçados, no curto
prazo, através do contínuo controlo e ajuste de capacidade e gestão eficaz da receita, e no longo prazo
através de medidas de contenção de custos com a obtenção de ganhos de eficiência, como resultado
de projetos de transformação interna.
O dimensionamento estratégico e a composição da frota da TAP são um fator chave para fazer face
aos riscos referenciados, pois determina a capacidade disponível e também uma parte significativa
dos custos fixos e das futuras despesas de capital. Como parte da estratégia anual e do processo de
planeamento, a TAP efetua o levantamento das necessidades e o desenvolvimento da rede, tomando
as decisões necessárias de revisão e ajuste sempre que se justifique.

Graphics
21

Estes impactos económicos não afetam apenas a TAP e a indústria do transporte aéreo, afetam
também os seus parceiros de negócios, podendo potencialmente gerar ruturas no fornecimento de
bens e serviços. A identificação dos fornecedores críticos para a continuidade do negócio, bem como
a gestão da cadeia de abastecimento de forma atempada, são medidas chave para assegurar o bom
funcionamento do negócio.
Há ainda a referir que os aeroportos e as organizações de controlo de tráfego aéreo, tendo sofrido
perdas elevadas devido à suspensão do tráfego aéreo nos anos da pandemia, existindo o risco de as
perdas acumuladas serem transferidas para as companhias aéreas aumentando estes custos de forma
significativa e permanente.
Atualmente o sector da aviação vê-se também confrontado com um renovado e urgente desafio de
aceitação por parte da sociedade, exigindo que abrace plenamente a sustentabilidade como parte da
necessária evolução do seu modelo empresarial e económico. A incapacidade de resposta aos
emergentes temas de ESG, cada vez mais importantes e escrutinados pelas diversas partes
interessadas, podem ter efeitos adversos nos cenários de investimento e na reputação da empresa.
A TAP, reconhecendo a extrema importância da sustentabilidade para o setor da aviação, irá
apresentar, com elevado sentido de responsabilidade para com os seus stakeholders, o Relatório de
Informação Não Financeira relativo ao ano de 2022, designado por Relatório de Sustentabilidade TAP
2022.

Riscos Financeiros
Para compensar as graves perdas financeiras que a TAP enfrentou com a pandemia Covid, e de forma
a garantir a liquidez necessária à continuidade das operações, a TAP recebeu uma ajuda estatal, tendo
a última tranche em forma de aumento de capital de 980 milhões de euros em 27 de dezembro de
2022. A monitorização das reservas de liquidez é gerida pelo departamento de tesouraria com base
em exercícios de previsão das necessidades futuras para que qualquer situação de liquidez
potencialmente crítica possa ser respondida numa fase inicial com medidas adequadas para assegurar
o cumprimento das obrigações financeiras e comerciais.
Adicionalmente é preciso ainda relevar que a evolução dos mercados financeiros representa
oportunidades e riscos para a TAP. Alterações negativas no preço dos combustíveis – inerente ao
negócio da TAP, taxas de câmbio – exposição relacionada maioritariamente com a venda internacional
de bilhetes, do leasing de aeronaves, compra de combustível e peças sobressalentes, e taxas de juro
– associadas aos empréstimos e contratos de leasing, podem resultar em mais custos e/ou menos
receita dependendo dos pressupostos utilizados para o exercício de planeamento e controlo anual. A
TAP tem, por isso, implementadas medidas que permitem, em parte, antecipar e minimizar os impactos
desta volatilidade, seja por recurso a instrumentos de cobertura e monitorização da posição cambial e
exposição às taxas de juro, seja por procedimentos internos controlo da execução orçamental.






Graphics
22

Riscos de Compliance e Governance
A TAP está presente em diversos países estando, por isso, sujeita a várias normas e jurisdições com
diferentes quadros legais. No decurso da sua normal atividade a TAP pode estar envolvida em
processos legais, administrativos, penais, laborais ou de arbitragem, relacionados com
responsabilidade civil, concorrência, fiscais, ambientais, entre outros. Provisões adequadas foram
registadas para fazer face a quaisquer perdas financeiras que possam ocorrer como resultado das
conhecidas disputas legais.
Adicionalmente, é essencial salientar que proteger a privacidade dos seus parceiros, sejam clientes,
trabalhadores, fornecedores, é, e sempre foi, uma preocupação importante e evidente para a TAP.
Assim, e com vista a cumprir os requisitos do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR),
foram criadas estruturas e processos de governação adequados para identificar e gerir potenciais
riscos de violação dos requisitos legais. Os clientes exercem regularmente os seus direitos de acesso
e apagamento de dados.
Importa ainda referir que, apesar da existência de um sistema de controlo interno e das suas atividades
de mitigação de riscos, as infrações individuais, as investigações das autoridades públicas e as
eventuais sanções não podem ser completamente excluídas. Quaisquer infrações, apesar de
devidamente investigadas, podem resultar em processos penais para os indivíduos envolvidos e
podem expor a Empresa a sansões e a danos reputacionais difíceis de quantificar. A TAP tem vindo a
definir e a implementar processos destinados a identificar e prevenir riscos específicos de
conformidade.

Riscos Operacionais
O risco de acidente, com a possibilidade de danos a pessoas e bens, é inerente ao transporte aéreo,
razão pela qual a atividade das companhias aéreas é altamente regulada por um conjunto de
disposições regulamentares europeias. O cumprimento destes regulamentos é regido pela atribuição
ou não do COA (Certificado de Operador Aéreo) a uma companhia aérea. A Autoridade Nacional da
Aviação Civil efetua uma série de verificações sobre a correta aplicação destas regras, abrangendo
nomeadamente:
x A designação de um administrador responsável, aceite previamente pela ANAC;
x A nomeação de responsáveis, aceites previamente pela ANAC, encarregues da gestão e
supervisão das seguintes áreas operacionais: operações de voo, sistema de gestão da
continuidade da aeronavegabilidade, formação e treino do pessoal de voo e operações de terra;
x A nomeação um supervisor, aceite previamente pela ANAC, encarregue da supervisão das
operações de transporte aéreo de mercadorias perigosas;
x A implementação de um Sistema de Gestão de Segurança (SMS); e
x A implementação de um sistema de garantia de qualidade.
Para a TAP, a Segurança de Voo é um valor fundamental, essencial para manter a confiança dos
clientes e é um imperativo do dia-a-dia que determina a atividade e o futuro a longo prazo da indústria

Graphics
23

do transporte aéreo. A TAP está sujeita a inúmeros controlos e certificações, cumprindo normas
extremamente rigorosas e o mais alto nível de regulamentação do sector, tanto a nível europeu com a
Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), como a nível internacional com a Associação
Internacional de Transporte Aéreo (IATA), cuja Auditoria de Segurança Operacional da IOSA é uma
referência dentro da indústria e conduz a uma certificação que deve ser renovada de dois em dois anos.
As auditorias da IOSA foram realizadas durante o ano 2022, tendo a TAP recebido o certificado de
IOSA Operator (IATA Operational Safety Audit), atribuído pela IATA, e já com a data de validade do
registo, até novembro de 2024, no site IOSA Registry.
Para atingir o nível mais elevado possível de Segurança de Voo, a TAP atualiza e reforça o seu SMS
que define em termos concretos as condições para a implementação do seu sistema de gestão de risco.
O SMS, que é parte integrante da organização, procedimentos e cultura empresarial, é apoiado por um
compromisso assumido ao mais alto nível de gestão, e por programas de formação e sensibilização
para todos os trabalhadores. Para cobrir este risco a TAP tem contratualizado um seguro de
responsabilidade civil aviação, nomeadamente cascos, danos a terceiros, danos a passageiros,
bagagem, carga e correio.
A implementação sustentada de normas de segurança de voo uniformes na companhia é também
apoiada pela otimização e harmonização do ambiente informático no decurso da gestão da segurança.
Os riscos relacionados com a segurança da informação ao operar aeronaves civis são também tidos
em conta. Isto diz respeito aos sistemas de informação de bordo e de terra que são relevantes para um
evento de voo e aos processos de intercâmbio de dados associados, mas não só. Os processos
empresariais da TAP são apoiados por componentes de tecnologias de informação em praticamente
todas as áreas. Esta utilização implica inevitavelmente riscos para a estabilidade dos processos
empresariais e para a disponibilidade, confidencialidade e integridade da informação e dos dados, e
tais riscos não podem, em última análise, ser totalmente eliminados.
O aumento dos ciberataques a nível internacional é uma realidade. Este facto é confirmado pela própria
experiência da TAP, que em 2022 foi alvo de um ataque informático. Os sistemas internos de
cibersegurança da TAP detetaram o acesso não autorizado a alguns sistemas informáticos, tendo sido
acionados os mecanismos necessários de contensão e a mobilização de especialistas para
investigação e prevenção de danos adicionais. Graças à rápida atuação da equipa interna, a intrusão
foi contida numa fase inicial, antes de provocar danos nos processos operacionais, no entanto houve
dados pessoais de clientes que foram obtidos e divulgados pelos hackers.
Ao mesmo tempo que o número de crimes cibernéticos aumenta, a digitalização dos processos
empresariais na TAP também está a aumentar, o que significa que os efeitos potenciais dos
ciberataques podem continuar a escalar. Os riscos cibernéticos são, portanto, um risco potencial
significativo para a TAP.
A TAP monitoriza a situação de segurança informática numa base contínua, tendo sido, para isso,
adotadas e implementadas cada vez mais medidas para reforçar a segurança dos sistemas de

Graphics
24

informação, nomeadamente ferramentas tecnológicas para prevenir e responder rapidamente a
ciberataques, adaptação dos processos a cenários de risco em mudança e a formação de
sensibilização é realizada regularmente.
No que respeita a condições de trabalho e desenvolvimento do capital humano é fundamental referir
que os trabalhadores são o ativo mais importante da TAP. Manter a sua confiança é vital para permitir
à Empresa atingir os seus mais altos padrões de desempenho em benefício dos clientes, sendo o
envolvimento dos trabalhadores, o desenvolvimento do seu talento e a estabilidade social imperativos
para a viabilidade a longo prazo e o sucesso da empresa. As medidas tomadas no contexto pandémico
e para garantir o cumprimento do plano de reestruturação atualmente em vigor podem resultar num
declínio no envolvimento, motivação e empenho dos trabalhadores, resultando em diversas formas de
agitação social que acarretam impactos negativos nas operações, rentabilidade e imagem da empresa.
Existem ainda outros fatores que aumentam este risco nomeadamente as taxas de inflação mais
elevadas, o desejo de ser compensado pelas concessões feitas durante a pandemia e um maior
interesse em assegurar uma parte da recuperação económica após a crise.
Adicionalmente é preciso ter em conta a escassez de trabalhadores na indústria da aviação que atingiu
o mundo desde que as restrições da COVID-19 abrandaram. No entanto, o que parece ser uma
consequência direta da pandemia, com a Europa a ser particularmente afetada, é na realidade um
sintoma da conjugação de diversos fatores que não podem ser dissociados daqueles anteriormente
referidos. Diferenças entre os requisitos estratégicos de recursos humanos, as atuais competências
disponíveis e como estão distribuídos pela empresa, constituem um risco estrutural de recursos
humanos para a TAP.
A TAP reconhece as limitações e os riscos a que está exposta e a necessidade de se adaptar a um
ritmo de mudança mais rápido, procurando, ao mesmo tempo, preservar a coesão, fomentando um
diálogo construtivo e transparente no local de trabalho e prosseguindo uma política baseada no respeito
e na responsabilidade. Nas negociações coletivas são também identificadas oportunidades que residem
no interesse comum em ultrapassar a crise e as suas consequências.
Em adição aos riscos já referidos que podem impactar as operações da TAP – sejam eles tecnológicos
ou humanos – há ainda que referir que pelo seu modelo de negócio hub&spoke, a TAP depende de
forma significativa do Aeroporto Humberto Delgado, sendo conhecidas todas as suas limitações
relacionadas com capacidade e com a única pista disponível. As causas de disrupção podem ser
inúmeras e de diversas fontes, sendo, no entanto, capazes de causar disrupção significativa nas
operações da empresa e consequentemente, danos reputacionais e financeiros.



Graphics
25

ANEXOS
I – CUMPRIMENTO DAS ORIENTAÇÕES E DISPOSIÇÕES LEGAIS APLICÁVEIS ÀS
EMPRESAS PÚBLICAS NÃO FINANCEIRAS SA
Para efeitos da demonstração do Cumprimento das Orientações Legais da TAP, S.A. foi seguida a
estrutura e as instruções sobre o processo de prestação de contas de 2022 (ofício circular
SAI_DGTF/2023/631 – 10/02/2023).

1. Objetivos de gestão e Plano de Atividades e Orçamento
A TAP encontra-se excluída de apresentação de Plano de Atividades e Orçamento (PAO). Esta
exclusão decorre das regras do despacho 682/2021, onde se refere que a existência do Plano de
Reestruturação substitui a apresentação do PAO anual durante a vigência deste.

2. Gestão do risco financeiro


A dívida financeira (não incluindo passivos financeiros sem opção de compra)
1
e consequentemente
os encargos financeiros têm acompanhado o crescimento da atividade da TAP ao longo dos últimos 5
anos. Os dois empréstimos obrigacionistas contraídos em 2019 e em particular o financiamento do
Estado Português no contexto da Ajuda de Estado ao Covid-19 em 2020 (posteriormente convertido
em capital próprio), contribuíram para aumentar substancialmente os encargos financeiros em 2020,
tendo estes atingido o seu máximo em 2021.
Em 2022 verificou-se um decréscimo muito significativo da dívida financeira decorrente da referida
conversão, sendo a taxa média superior ao período pré-covid em virtude de um aumento do custo
médio da dívida.

3. Limite de crescimento do endividamento
Nos termos previstos no Decreto-Lei n.º 39-B/2020, de 16 de julho, com a redação que lhe foi dada
pelo artigo 156.º do Decreto-Lei n.º 53/2022, de 12 de agosto, está expressamente prevista a não
aplicação à TAP SA, nem às sociedades por aquelas, direta ou indiretamente, detidas, do artigo 27.º
do Regime Jurídico do Setor Público Empresarial, que prevê que: “as empresas públicas estão
obrigadas ao cumprimento das normas aplicáveis relativas ao endividamento, estabelecidas no
presente decreto-lei e demais legislação aplicável.”
Não obstante a variação do endividamento, apurado nos termos da fórmula disposta no n.º 4 do artigo
145.º do Decreto-Lei n.º 53/2022, de 12 de agosto (DLEO 2022), seria a seguinte:

1
Para efeitos do apuramento da dívida financeira e financiamento remunerado, excluíram-se os passivos
financeiros sem opção de compra relativos a aeronaves (i.e., aeronaves ao serviço da TAP sob locação
operacional).
Encargos Financeiros (€)
72.819.936 115.817.276 68.621.480 39.523.075 31.723.072
Taxa Média de Financiamento (%)
4,7% 5,7% 3,5% 3,7% 4,2%
2021 2020 2019 2018Anos 2022

Graphics
26



4. Evolução do Prazo Médio de Pagamento (PMP)





Os saldos com antiguidade superior a 90 dias respeitam, essencialmente, a encontros de contas em
negociação

5. Diligências tomadas e os resultados obtidos no âmbito do cumprimento das
recomendações do acionista emitidas aquando da última aprovação dos
documentos de prestação de contas
O Plano de Reestruturação do Grupo TAP, entregue à Comissão Europeia em junho de 2021 e
posteriormente alterado em novembro de 2021, é um documento que o Estado Português acordou e
apresentou junto da Comissão Europeia.
De facto, nos termos do direito europeu e da concorrência, o Plano de Reestruturação é um documento
acordado entre o Estado Português e a Comissão Europeia, motivo pelo qual, embora a Sociedade
tenha dado um contributo significativo para a sua elaboração, é um documento do Estado Português.
Por esse motivo, não pode a TAP fornecer informações de forma pública sobre o mesmo, cabendo
essa função, se assim o entender, exclusivamente ao Estado Português.
Adicionalmente, referir que não foram emitidas recomendações, por parte do acionista, na última
aprovação de contas.






2022 2021
Financiamento Remunerado (Corrente e Não Corrente)
1
1.618.100.993 1.480.870.553
Capital Social/Capital Estatutário
980.000.000 904.327.865
Novos Investimentos em 2022 (com expressão material) n.a. -
VARIAÇÃO ENDIVIDAMENTO 8.93%
Variação do Endividamento (execução)
Valores (€)
Valor %
Prazo (dias) 25 33 -8 -24%
PMP 2022 2021
Variação 22/21
Valor (€)
0-90 dias 90-120 dias 120-240 dias 240-360 dias > 360 dias
Aq. de Bens e Serviços
7.934.752 725.171 1.206.416 1.131.480 9.346.572
Aq. de Capital
12.749.967 - 6.844 - 12.546
Total
20.684.719 725.171 1.213.260 1.131.480 9.359.118
Dívidas vencidas
Valor das dívidas vencidas de acordo com o art. 1º do DL 65-A/2011 (€)

Graphics
27


6. Remunerações/honorários

a. Órgãos Sociais

Mesa da Assembleia Geral


*António Macedo Vitorino não auferiu nenhum valor relativo a senhas de presença no decorrer do exercício de
2022.
**
Sujeito ao corte de 30% enquanto durar a execução do plano de reestruturação.

Conselho de Administração


(1) Indicar Resolução (R)/AG/DUE/Despacho (D)
(2) Opção Pela Remuneração do Lugar de Origem ou opção pela média dos últimos 3 anos - prevista nos n.
os
8 e 9 do artigo 2 do EGP; indicar
entidade pagadora (O-Origem/D-Destino)

Sofia Norton dos Reis Lufinha de Mello Franco foi nomeada para o cargo de Vogal do Conselho de Administração
com efeitos a partir de 22 de setembro de 2022, e membro da Comissão Executiva com efeitos a partir de 28 de
setembro de 2022, na sequência da renúncia de Alexandra Margarida Vieira Reis apresentada a 4 de fevereiro de
2022, com efeitos a partir de 28 de fevereiro de 2022.

José Manuel Silva Rodrigues apresentou renúncia a 29 de dezembro de 2021, com efeitos a 31 de janeiro de
2022.

No final de fevereiro de 2022, a Engª Alexandra Reis recebeu uma indemnização no montante bruto de 500.000€,
na sequência da cessação de funções societárias e laborais nas empresas do universo TAP.
Em 28 de dezembro de 2022, por determinação do Ministro das Finanças, foi solicitado à IGF uma avaliação do
processo de cessação de funções da Eng.ª Alexandra Reis nas referidas empresas. Em 3 de março de 2023, foi
emitido pela IGF o Relatório n.º 24/2023 (Proc. n.º 2023/324/M6/36), respeitante à “Avaliação do processo relativo
à cessação de funções de Administradora do Grupo TAP” (“Relatório da IGF”), tendo o mesmo sido homologado
pelo Ministro das Finanças através do Despacho n.º 53/2023/MF, de 6.03.2023.
As conclusões do Relatório da IGF apontam no sentido que, na parte que se refere à cessação de funções da
Eng.ª Alexandra Reis dos cargos de Administradora de empresas do universo TAP, o Acordo de cessação de
relações contratuais outorgado no dia 4 de fevereiro pelo Presidente do Conselho de Administração, Manuel Beja,
e pela Presidente da Comissão Executiva, Christine Ourmières-Widener, é nulo, no essencial porque o Estatuto
do Gestor público (EGP) não prevê a figura da “renúncia por acordo”, sendo que a renúncia constante do EGP
não confere direito a qualquer compensação financeira, pelo que o valor a esse título auferido por aquela ex-
Administradora encontra-se desprovido de fundamento legal, e como tal terá de ser devolvido à Sociedade.
Encontra-se ainda em análise, as componentes remuneratórias que deverão ser consideradas no cômputo da
devolução da indemnização recebida pela Sra. Eng.ª Alexandra Reis.
Mandato
(Início - Fim)
2021-2024
Presidente da Mesa António Macedo Vitorino* 1.500,00 -
2021-2024
Vice-Presidente da Mesa David Fernandes de Oliveira Festas 900,00 630,00
2021-2024
Secretária da Sociedade
Ana Maria Sirgado Malheiro 700,00 490,00
1.120,00
Cargo
Valor Bruto
Auferido (€)**
Nome
Valor da Senha
Fixado (€)
Mandato Designação
OPRLO ou Opção pela Média dos últimos 3
anos (2)
(Início - Fim)
Forma (1) Data Sim / Não
Entidade de
Origem
Entidade
Pagadora
(O/D)
Data da
autorização e
Forma
2021-2024
Presidente Manuel Beja AG 24/06/2021 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
2021-2024
Vogal Christine Ourmières-Widener AG 24/06/2021 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
2021-2024
Vogal Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires AG 24/06/2021 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
2021-2024
Vogal Silvia Mosquera Gonzalez AG 24/06/2021 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
2021-2024
Vogal Ramiro José Oliveira Sequeira AG 17/09/2020 n.a. n.a. n.a. n.a. 2
2021-2024
Vogal Sofia N. R. Lufinha de Mello Franco AG 22/09/2022 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
2021-2024
Vogal Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann AG 24/06/2021 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
2021-2024
Vogal João Pedro Conceição Duarte
AG 24/06/2021 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
2021-2024
Vogal Patrício Ramos Castro AG 24/06/2021 n.a. n.a. n.a. n.a. 1
Nº total de
mandatos
Cargo
Nome

Graphics
28





* Sujeita ao corte de 30% enquanto durar a execução do plano de reestruturação.
**
Nos termos do artigo 156º (alteração ao artigo 2º do Decreto-Lei n.º 39 -B/2020, de 16 de julho) do Decreto-Lei
nº 53/2022 de 12 de agosto, não se aplica à Transportes Aéreos Portugueses, S. A., nem às sociedades por estas
direta ou indiretamente, detidas, o capítulo VI (Remunerações e Pensões) do Estatuto do Gestor Público, Decreto-
Lei nº 71/2007, de 27 de março (com as alterações introduzidas pela Lei nº 64-A/2008, de 31/12, DL nº 8/2012,
de 18/01, Rect. Nº 2/2012, de 25/01, DL nº 39/2016, de 28/07, DL nº 22-C/2021, de 22/03 e DL nº 50/2022, de
19/07).


Acumulação de Funções
Entidade Função Regime
Data da autorização e
Forma
Manuel Beja TAP SGPS Presidente do CA Público n.a.
TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
PGA Presidente do CA Público n.a.
TAPGer Presidente do CA Público n.a.
TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
PGA Vogal do CA Público n.a.
TAPGer Vogal do CA Público n.a.
TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
PGA Vogal do CA Público n.a.
Cateringor Presidente do CA Público n.a.
TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
PGA Vogal do CA Público n.a.
TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
PGA Vogal do CA Público n.a.
Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
João Pedro Conceição Duarte TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
Patrício Ramos Castro TAP SGPS Vogal do CA Público n.a.
Silvia Mosquera Gonzalez
Ramiro José Oliveira Sequeira
Sofia N. R. Lufinha de Mello Franco
Membro CA
Christine Ourmières-Widener
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires
EGP
Fixado Classificação Remuneração mensal bruta (€)
(S/N) (A/B/C) Vencimento mensal*
Despesas
Representação**
Manuel Beja n.a. n.a. 12.000,00 n.a.
Christine Ourmières-Widener n.a. n.a. 36.000,00 n.a.
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires n.a. n.a. 25.000,00 n.a.
Silvia Mosquera Gonzalez n.a. n.a. 25.000,00 n.a.
Ramiro José Oliveira Sequeira n.a. n.a. 25.000,00 n.a.
Sofia N. R. Lufinha de Mello Franco n.a. n.a. 25.000,00 n.a.
Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann n.a. n.a. 6.000,00 n.a.
João Pedro Conceição Duarte n.a. n.a. 6.000,00 n.a.
Patrício Ramos Castro n.a. n.a. 6.000,00 n.a.
Membro CA

Graphics
29


(1) O valor da remuneração fixa corresponde ao vencimento mais despesas de representação (sem reduções).
(4) Redução prevista no artigo 12.º da Lei n.º 12-A/2010, de 30 de junho.

* A Comissão de Vencimentos não definiu para o ano de 2022 Remuneração Variável.
**
Foram considerados 6 meses de Remunerações.
*** Sujeita ao corte de 30% enquanto durar a execução do plano de reestruturação.

As remunerações do Conselho de Administração em 2022 foram pagas pela TAP SGPS de janeiro a outubro, e a
partir de novembro (inclusive) foram pagas exclusivamente pela TAP SA.



* Valor unitário considerado no orçamento de 2022, sujeito a ajuste em meados de 2023, dado que se trata de
modalidade de Auto Seguro.


Encargos com viaturas
Este ponto não se aplica. Nos termos do artigo 156º (alteração ao artigo 2º do Decreto-Lei n.º 39 -
B/2020, de 16 de julho) do Decreto-Lei nº 53/2022 de 12 de agosto, não se aplica à Transportes Aéreos
Portugueses, S. A., nem às sociedades por estas direta ou indiretamente, detidas, o capítulo VI
(Remunerações e Pensões) do Estatuto do Gestor Público, Decreto-Lei nº 71/2007, de 27 de março
(com as alterações introduzidas pela Lei nº 64-A/2008, de 31/12, DL nº 8/2012, de 18/01, Rect. Nº
2/2012, de 25/01, DL nº 39/2016, de 28/07, DL nº 22-C/2021, de 22/03 e DL nº 50/2022, de 19/07).
Gastos anuais associados a Deslocações em Serviço
Este ponto não se aplica. Nos termos do artigo 156º (alteração ao artigo 2º do Decreto-Lei n.º 39 -
B/2020, de 16 de julho) do Decreto-Lei nº 53/2022 de 12 de agosto, não se aplica à Transportes Aéreos
Portugueses, S. A., nem às sociedades por estas direta ou indiretamente, detidas, o capítulo VI
(Remunerações e Pensões) do Estatuto do Gestor Público, Decreto-Lei nº 71/2007, de 27 de março
(com as alterações introduzidas pela Lei nº 64-A/2008, de 31/12, DL nº 8/2012, de 18/01, Rect. Nº
Remuneração anual (€)
Fixa
(1)
Variável*
(2)
Valor Bruto
(3)=(1)+(2)
Reduções
Remuneratórias
(4)***
Valor Bruto Final
(5)= (3)-(4)
Manuel Beja 168.000,00 n.a. 168.000,00 50.400,00 117.600,00
Christine Ourmières-Widener 504.000,00 n.a. 504.000,00 - 504.000,00
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires 350.000,00 n.a. 350.000,00 105.000,00 245.000,00
Silvia Mosquera Gonzalez 350.000,00 n.a. 350.000,00 105.000,00 245.000,00
Ramiro José Oliveira Sequeira
350.000,00 n.a. 350.000,00 105.000,00 245.000,00
Sofia N. R. Lufinha de Mello Franco** 350.000,00 n.a. 175.000,00 51.632,63 123.367,37
Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann 84.000,00 n.a. 84.000,00 25.200,00 58.800,00
João Pedro Conceição Duarte 84.000,00 n.a. 84.000,00 25.200,00 58.800,00
Patrício Ramos Castro 84.000,00 n.a. 84.000,00 25.200,00 58.800,00
Total
2.149.000,00 492.632,63 1.656.367,37
Membro CA
Benefícios Sociais (€)
Subsídio de Refeição Regime Proteção Social Outros
Valor/Dia
Montante
pago Ano
Indentificar Encargo anual Indentificar Valor
Manuel Beja
n.a. n.a. Segurança social 27.930,00 935,57 3.704,00 n.a. n.a.
Christine Ourmières-Widener
n.a. n.a. Segurança social 119.929,31 935,57 3.704,00 Subs. de residência
30.000,00
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires
n.a. n.a. Segurança social 58.301,58 935,57 3.704,00 n.a. n.a.
Silvia Mosquera Gonzalez
n.a. n.a. Segurança social 58.278,00 935,57 3.704,00
Subs. de
residencia e Subs.
Frequência escolar
45.000,00
Ramiro José Oliveira Sequeira n.a. n.a. Segurança social 58.187,50 935,57 3.704,00 n.a. n.a.
Sofia N. R. Lufinha de Mello Franco** n.a. n.a. Segurança social 29.299,75 935,57 3.704,00 n.a. n.a.
Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann n.a. n.a. Segurança social 13.968,30 n.a n.a n.a. n.a.
João Pedro Conceição Duarte n.a. n.a. Segurança social 14.039,95 n.a n.a n.a. n.a.
Patrício Ramos Castro n.a. n.a. Segurança social 13.968,30 n.a n.a n.a. n.a.
Total
393.902,69 5.613,42 22.224,00 - 75.000,00
Encargo Anual
Seguro de Saúde*
Encargo Anual
Seguro de Vida
Membro CA

Graphics
30

2/2012, de 25/01, DL nº 39/2016, de 28/07, DL nº 22-C/2021, de 22/03 e DL nº 50/2022, de 19/07).

Conselho Fiscal


(1) Indicar AG/DUE/Despacho (D)

José Manuel Fusco Gato foi nomeado para o cargo de Vogal Efetivo com efeitos a 07 de janeiro de 2022, na
sequência da renúncia de Sérgio Sambade Nunes Rodrigues com efeitos a 7 de janeiro de 2022.



Revisor Oficial de Contas


(1) Indicar AG/DUE/Despacho (D)

A Sociedade PricewaterhouseCoopers & Associados, SROC, Lda encontra-se representada por António Joaquim
Brochado Correia (n.º OROC 1076) e Hugo Miguel Patrício Dias (n.º OROC 1432)





b. Auditor Externo
Em 2022, as funções de Auditor Externo da TAP, S.A. foram exercidas pela PwC, registada na CMVM
com o nº 20161485, conforme disposto no ponto anterior. Do mesmo modo, o período de cumprimento
dessas funções é coincidente com o de Revisor Oficial de Contas.


Mandato Mandato
(Início - Fim)
Forma (1) Data
2021-2024
Presidente Baker Tilly, PG & Associados, SROC, Lda AG 13/11/2015 4.000,00 3
2021-2024
Vogal José Manuel Fusco Gato AG 24/06/2021 3.500,00 1
Cargo Nome
N.º de
Mandatos
Estatuto
Remuneratório
Fixado Mensal (€)
Remuneração anual (€)
Bruto
(1)
Reduções
Remuneratórias
(2)
Valor Final
(3)=(1)-(2)
Baker Tilly, PG & Associados, SROC, Lda 56.000,00 16.800,00 39.200,00
José Manuel Fusco Gato 47.334,74 14.200,42 33.134,32
72.334,32
Nome
Mandato Identificação SROC/ROC Identificação SROC/ROC
(Início - Fim)
Nome
Nº de
inscrição
na OROC
Nº Registo
na CMVM
Forma (1) Data
Data do
Contrato
2021-2024 Efetivo
PricewaterhouseCoopers &
Associados, SROC, Lda
(“PwC”)
183 20161485 DUE 17/12/2019 2020 4 4
2021-2024 Suplente
Carlos José Figueiredo
Rodrigues
1737 20161347 DUE 17/12/2019 - 4 4
Cargo
Nº de anos
de funções
exercidas
no grupo
Nº de anos de
funções
exercidas na
sociedade
Valor
(1)
Reduções
(2)
Valor Final
(3)=(1)-(2)
Identificação do
Serviço
Valor
(1)
Reduções
(2)
Valor Final
(3)=(1)-(2)
169.300,00 - 169.300,00
Serviços de
Revisão Limitada
47.250,00 -
47.250,00
Serviços de
garantia de
fiabilidade
8.870,00 - 8.870,00
PricewaterhouseCoopers &
Associados, SROC, Lda (“PwC”)
Nome ROC/FU
Valor Anual do Contrato de
Prestação de Serviços - 2022 (€)
Valor Anual de Serviços Adicionais - 2022 (€)

Graphics
31

7. Aplicação do disposto nos artigos 32.º e 33.º do Estatuto do Gestor Público (EGP)

a. À não utilização de cartões de crédito nem de outros instrumentos de
pagamento por gestores públicos, tendo por objeto a realização de despesas
ao serviço da empresa
Nos termos do artigo 156º (alteração ao artigo 2º do Decreto-Lei n.º 39 -B/2020, de 16 de
julho) do Decreto-Lei nº 53/2022 de 12 de agosto, não se aplica à Transportes Aéreos
Portugueses, S. A., a nem às sociedades por estas direta ou indiretamente, detidas, o
capítulo VI (Remunerações e Pensões) do Estatuto do Gestor Público, Decreto-Lei nº
71/2007, de 27 de março (com as alterações introduzidas pela Lei nº 64-A/2008, de 31/12,
DL nº 8/2012, de 18/01, Rect. Nº 2/2012, de 25/01, DL nº 39/2016, de 28/07, DL nº 22-
C/2021, de 22/03 e DL nº 50/2022, de 19/07).

b. Ao não reembolso a gestores públicos de quaisquer despesas que caiam no
âmbito do conceito de despesas de representação pessoal
Nos termos do artigo 156º (alteração ao artigo 2º do Decreto-Lei n.º 39 -B/2020, de 16 de
julho) do Decreto-Lei nº 53/2022 de 12 de agosto, não se aplica à Transportes Aéreos
Portugueses, S. A., a nem às sociedades por estas direta ou indiretamente, detidas, o
capítulo VI (Remunerações e Pensões) do Estatuto do Gestor Público, Decreto-Lei nº
71/2007, de 27 de março (com as alterações introduzidas pela Lei nº 64-A/2008, de 31/12,
DL nº 8/2012, de 18/01, Rect. Nº 2/2012, de 25/01, DL nº 39/2016, de 28/07, DL nº 22-
C/2021, de 22/03 e DL nº 50/2022, de 19/07).

c. Ao valor das despesas associadas a comunicações, que incluem telefone
móvel, telefone domiciliário e internet
Nos termos do artigo 156º (alteração ao artigo 2º do Decreto-Lei n.º 39 -B/2020, de 16 de
julho) do Decreto-Lei nº 53/2022 de 12 de agosto, não se aplica à Transportes Aéreos
Portugueses, S. A., a nem às sociedades por estas direta ou indiretamente, detidas, o
capítulo VI (Remunerações e Pensões) do Estatuto do Gestor Público, Decreto-Lei nº
71/2007, de 27 de março (com as alterações introduzidas pela Lei nº 64-A/2008, de 31/12,
DL nº 8/2012, de 18/01, Rect. Nº 2/2012, de 25/01, DL nº 39/2016, de 28/07, DL nº 22-
C/2021, de 22/03 e DL nº 50/2022, de 19/07).

d. Ao valor de combustível e portagens afeto mensalmente às viaturas de
serviço
Nos termos do artigo 156º (alteração ao artigo 2º do Decreto-Lei n.º 39 -B/2020, de 16 de
julho) do Decreto-Lei nº 53/2022 de 12 de agosto, não se aplica à Transportes Aéreos
Portugueses, S. A., a nem às sociedades por estas direta ou indiretamente, detidas, o
capítulo VI (Remunerações e Pensões) do Estatuto do Gestor Público, Decreto-Lei nº
71/2007, de 27 de março (com as alterações introduzidas pela Lei nº 64-A/2008, de 31/12,
DL nº 8/2012, de 18/01, Rect. Nº 2/2012, de 25/01, DL nº 39/2016, de 28/07, DL nº 22-
C/2021, de 22/03 e DL nº 50/2022, de 19/07).

Graphics
32


8. Aplicação do disposto no n.º 2 do artigo 16.º do RJSPE e do artigo 11.º do EGP
Em conformidade com o disposto n.º 2 do artigo 16.º do RJSPE e no artigo 11.º do EGP não foram
realizadas quaisquer despesas não documentadas ou confidenciais.

9. Elaboração e divulgação do relatório sobre as remunerações pagas a mulheres e
homens
Dando cumprimento a Resolução do Conselho de Ministros n.º 18/2014, de 8 de março, a TAP publica
o Relatório sobre as Remunerações por género e disponibiliza o no seu site. Este relatório tem como
objetivo diagnosticar, identificar e analisar as diferenças remuneratórias de género na empresa.
O Relatório relativo ao exercício de 2021 pode ser consultado no site da empresa:
www.tapairportugal.com/pt

10. Elaboração e divulgação do Plano de Gestão de Riscos de Corrupção e infrações
Conexas e do Relatório anual onde é indicado o grau de implementação das
medidas elencadas no Plano
O Grupo TAP está empenhado em atingir um nível de excelência na prevenção e no combate a atos
desconformes à legalidade vigente, em particular aqueles que possam consubstanciar a prática de
crimes de corrupção e infrações conexas, apresentando assim o seu Plano de Prevenção de Riscos
de Corrupção e Infrações Conexas (“PPR”).
O Grupo TAP pretende que o presente PPR seja uma peça fundamental no seu programa de
cumprimento normativo, constituindo um elemento enquadrador e incontornável da atuação relacional
entre entidades externas e os membros dos órgãos sociais e pessoas contratadas pelas sociedades
que o compõem.
De acordo com a Recomendação do Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC) n.º 1/2009, de 1 de
julho, publicada no Diário da República n. º140, Série II, de 22 de julho e de acordo com o definido no
Plano de Prevenção de Riscos de Corrupção e Infrações Conexas do Grupo TAP, é apresentado o
relatório anual de execução, com vista à análise da implementação das medidas preventivas
mencionadas no referido Plano durante o ano de 2022.
O presente relatório será enviado aos membros do Governo responsáveis pela tutela do Grupo TAP,
aos serviços de inspeção da área governativa da tutela e ao MENAC, assim como divulgado aos
trabalhadores do Grupo e constitui uma sistematização das medidas e práticas adotadas, contribuindo
assim para a sua melhor interiorização e aplicação.

11. Contratação pública
A TAP S.A. não é considerada entidade adjudicante, nos termos do disposto no Código da Contratação
Pública, conforme artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 18/2008, de 29 de janeiro, na sua redação atual, dada
a sua prossecução de um objeto social com fins comerciais e operando em mercado concorrencial, o
que permite à TAP S.A a sua atuação no mercado e contratação com maior flexibilidade à semelhança
dos seus concorrentes do setor privado.

Graphics
33

12. Adesão da empresa ao Sistema Nacional de Compras Públicas (SNCP)
A TAP não aderiu ao SNCP, uma vez que A TAP S.A. não é considerada entidade adjudicante, nos
termos do disposto no Código da Contratação Pública, conforme artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 18/2008,
de 29 de janeiro, na sua redação atual, dada a sua prossecução de um objeto social com fins
comerciais e operando em mercado concorrencial, o que permite à TAP S.A a sua atuação no mercado
e contratação com maior flexibilidade à semelhança dos seus concorrentes do setor privado.

13. Medidas de otimização da estrutura de gastos operacionais previstas no artigo
144.º do DLEO 2022
Por se encontrar ao abrigo de um Plano de Reestruturação a TAP considera estar excluída de cumprir
com estas medidas tal como elas são enunciadas.
Refira-se que pela mesma razão, a empresa foi dispensada de apresentar o PAO 2022, o qual nos
moldes do despacho nº 682/2021 – SET, de 29 de julho, contemplava a elaboração de um plano de
redução de custos para 2022.

14. Princípio da Unidade de Tesouraria do Estado (artigo 28.º do Decreto-Lei n.º
133/2013, de 3 de outubro, artigo 136.º da LOE 2022 e artigo 102.º do DLEO 2022)





Os juros auferidos referem-se exclusivamente a aplicações em moeda estrangeira e a depósitos à
ordem remunerados em moeda estrangeira.
A TAP, para o biénio 2021-2022, obteve dispensa parcial ao cumprimento da Unidade de Tesouraria
do Estado através dos seguintes despachos do IGCP - Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida
Pública:
x Despacho SCG nº 230, de 20 de dezembro de 2021, para os seguintes serviços:
o Recebimentos e Pagamentos em moedas diferentes do Euro
o Contas das Representações da TAP em países estrangeiros
o Compra e Venda de Moeda Estrangeira
o Recebimentos e Pagamentos em Euros:
Pagamentos a beneficiários não nacionais
Recebimentos de entidades públicas com exigência de conta com NIF do
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
€€€€
Disponibilidades
699.884.134 78.172.560 37.780.451 1.867.719
Aplicações financeiras
- 640.000.000 600.000.000 592.041.333
Total
699.884.134 718.172.560 637.780.451 593.909.053
ICGP
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
€€€€
Total
87.449.773 171.581.142 137.218.095 322.102.388
Juros auferidos
1
28.001 243.122 1.041.909 2.281.136
1
Foram considerados os juros decorrentes de aplicações financeiras e depósitos à ordem. Os juros dos depósitos à ordem incluem juros positivos e
negativos.
Banca comercial

Graphics
34

respetivo País
Recebimentos de entidades que apresentem custos adicionais de
transferência para Portugal
Pagamentos a passageiros sem obrigatoriedade de indicação de NIF
o Garantias Bancárias / Depósitos Caucionados, quando não seja possível a sua
substituição por depósitos caucionados no IGCP
o Cartões Pré-Pagos
o Débitos Diretos (vertente credora)
o Processamento de Recebimentos MBWay
o Custódia de Valores/Títulos
o Transporte e tratamento de valores
o Fundo de Emergência em Euros / Cartões de Crédito Fundo de Emergência
o Pagamentos com referência Multibanco (isenção para o ano de 2021)
o Recebimentos POS
o Recebimentos em dinheiro e cheques fora do Território Nacional
o Leasings Operacionais, Financeiros e Financiamentos
o Hedging Jetfuel
o Penhora de Saldos Bancários (quando a autoridade não autorize a alteração da conta
bancária)
o Contratos celebrados, para recebimentos e pagamentos, até que seja exequível a
alteração para as contas do IGCP
o Pagamentos urgentes sem saldos na conta IGCP
x Despacho de esclarecimento SCG nº 86, 30 de maio de 2022, para os seguintes serviços:
o Recebimentos e Pagamentos em moeda diferente do Euro, do AOA e do MZM |
vertente depósitos a prazo em outras moedas diferentes das mencionadas no
despacho
o Recebimentos com referência Multibanco
x Despacho SCG nº 85, de 03 de junho de 2022, para os seguintes serviços:
o Recebimentos por TPA (Terminais de Pagamentos Automático) Virtuais
o Recebimentos por TPA (Terminais de Pagamentos Automático) Físicos no Território
Nacional
o Recebimentos por referência Multibanco
o Aplicações em moeda estrangeira e operações com derivados para efeitos de hedging
e de satisfação de compromissos futuros

15. Divulgação das recomendações dirigidas à empresa resultantes de Auditorias
conduzidas pelo Tribunal de Contas nos últimos três anos
Não foram feitas recomendações pelo Tribunal de Contas dirigidas à empresa nos últimos três anos,
uma vez que não houve nenhuma auditoria conduzida pelo Tribunal de Contas.




Graphics
35

16. Plano para a Igualdade
A TAP reconhece que a Diversidade e Inclusão é um tema fundamental para o Grupo, com prioridades
claramente definidas que promovem o reconhecimento da TAP como ume empresa inclusiva e
diferenciadora nessa matéria. Neste sentido, a Política de Diversidade e Inclusão da TAP tem como
propósito demonstrar que a inclusão, enquanto proteção da diversidade, faz parte da essência, da
história e da cultura da TAP.
O plano referente à Política de Diversão e Inclusão pode ser consultado no site da empresa:
www.tapairportugal.com/pt.

17. Demonstração não financeira
A empresa prepara autonomamente o Relatório de Sustentabilidade e Relatório de Governo Societário,
respondendo às exigências de informação não financeira previstas no Código das Sociedades
Comerciais.

18. Informação a constar no Site do Setor Empresarial do Estado (SEE)
Conforme orientações recebidas, a TAP reportará através do SISEE (Sistema de Informação do Setor
Empresarial do Estado), até dia 30 de abril, data-limite pré-acordada com a DGTF, os elementos
referentes ao ano de 2022.
A TAP está ainda disponível para disponibilizar a demais informação que se revele necessária no
âmbito do acompanhamento do SEE.




Graphics
36

Apêndice 2

















Cumprimento
S/N/N.A.
Objetivos de Gestão
N.A. Ver ponto 1
Gestão Risco Financeiro
S 4,7% Ver ponto 2
Limites de Crescimento do Endividamento
N.A. 8.93% Ver ponto 3
Evolução do PMP a fornecedores
S -8 dias Ver ponto 4
Divulgação dos Atrasos nos Pagamentos ("Arrears")
S 12.429.029 € Ver ponto 4
Recomendações do acionista na última aprovação de contas
N.A. Ver ponto 5
Reservas emitidas na última CLC
N.A.
Remunerações/honorários
CA - reduções remuneratórias vigentes em 2022
S 492.633 € Ver ponto 6
Fiscalização (CF/ROC) - reduções remuneratórias vigentes em 2022
S 31.000 € Ver ponto 6
Auditor Externo - redução remuneratória vigentes em 2022
N.A.
EGP - artigo 32º e 33.º do EGP
Não utilização de cartões de crédito
N.A. Ver ponto 7
Não reembolso de despesas de representação pessoal
N.A. Ver ponto 7
Valor máximo das despesas associadas a comunicações
N.A. Ver ponto 7
Valor máximo de combustível e portagens afeto mensalmente às viaturas de
serviço
N.A. Ver ponto 7
Despesas não documentadas ou confidenciais n.º 2 do artigo 16º do RJSPE
e artigo 11.º do EGP
S Ver ponto 8
Promoção da igualdade salarial entre mulheres e homens - n.º 2 da RCM
n.º 18/2014
Elaboração e divulgação do relatório sobre as remunerações pagas a mulheres
e homens
S www.tapairportugal.com/pt Ver ponto 9
Elaboração e divulgação de relatório anual sobre prevenção da corrupção
S Ver ponto 10
Contratação Pública
Aplicação das normas de contratação pública pela Empresa
N.A. Ver ponto 11
Aplicação das normas de contratação pública pelas participadas
N.A. Ver ponto 11
Contratos submetidos a visto prévio do TC
N.A. Ver ponto 11
Adesão ao Sistema Nacional de Compras Públicas
N.A. Ver ponto 12
Gastos Operacionais das Empresas Públicas
N.A. Ver ponto 13
Princípio da Unidade de Tesouraria (artigo 28.º do DL 133/2013)
Disponibilidades e aplicações centralizadas no IGCP
S 64,8% Ver ponto 14
Disponibilidades e aplicações na Banca Comercial
S 322.102.388 € Ver ponto 14
Juros auferidos em incumprimento da UTE e entregues em Receita do Estado
N.A. Ver ponto 14
Auditorias do Tribunal de Contas
N.A. Ver ponto 15
Elaboração do Plano para a Igualdade conforme determina o art.º 7.º da Lei
62/2017, de 1 de agosto
S www.tapairportugal.com/pt Ver ponto 16
Apresentação da demonstração não financeira
S Ver ponto 17
Cumprimento das Orientações Legais - 2022
Quantificação/Identificação
Justificação / Referência
ao ponto Relatório

Graphics
37

II – ESTRUTURA CORPORATIVA DA TAP, S.A. (CONTAS CONSOLIDADAS)
Em 31 de dezembro de 2022, a TAP detinha 100% da subsidiária TAP Logistics Solutions, S.A.,
fundada em 30 de dezembro de 2019 para operar no setor de carga e correio. Assim, as
demonstrações financeiras desta empresa foram incluídas pelo método de consolidação integral nas
demonstrações financeiras consolidadas da TAP, S.A. a 31 de dezembro de 2022 e no seu período
comparável anterior.

III – GOVERNO CORPORATIVO

1. Participações Qualificadas no capital da Sociedade a 31 de dezembro de 2022

Titulares com Participação Qualificada
Acionistas Diretos:

Capital/Direitos de Voto
(%)
Nº de Ações
x República Portuguesa, através da Direção-Geral do
Tesouro e Finanças

Acionistas Indiretos:

100%
196,000,000
Não aplicável



2. Indicação do número de valores mobiliários emitidos pela Transportes Aéreos
Portugueses, S.A. e por sociedades com as quais esteja em relação de domínio ou
de grupo, detidos por titulares de órgãos sociais, e todas as aquisições, onerações
ou transmissões durante o período considerado

Não aplicável.


3. Identificação de acionistas titulares de direitos especiais e descrição desses
direitos
Artigo 29-H, número 1, alínea d) do Código dos Valores Mobiliários
Nada a declarar.

4. Eventuais restrições em matéria de direito de voto, tais como limitações ao
exercício do voto dependente da titularidade de um número ou percentagem de
ações, prazos impostos para o exercício do direito de voto ou sistemas de destaque
de direitos de conteúdo patrimonial
Artigo 29-H, número 1, alínea f) do Código dos Valores Mobiliários
Nos termos do artigo 9.º, número 2 dos estatutos da Sociedade, a cada 100 (cem) ações corresponde
1 (um) voto na Assembleia Geral de acionistas, podendo os acionistas possuidores de um número

Graphics
38

inferior a 100 (cem) ações da Sociedade agrupar-se de forma a reunirem as condições necessárias ao
exercício conjunto do direito de voto.
Além desta limitação ao exercício do voto baseada no número de ações da Sociedade, não existem
restrições ou limitações em matéria de direitos de voto, nem quaisquer sistemas de destaque de
direitos de conteúdo patrimonial.
Nos termos do artigo 9.º, número 3 dos estatutos da Sociedade, para conferir direito a voto, as ações
deverão estar averbadas em nome dos respetivos titulares no livro de registo da Sociedade pelo menos
15 (quinze) dias antes da data marcada para a reunião da Assembleia Geral.
Os acionistas poderão fazer-se representar nas reuniões da Assembleia Geral nos termos da
legislação aplicável. De acordo com o disposto no artigo 9.º, número 4 dos estatutos da Sociedade, os
acionistas podem fazer-se representar nas reuniões da Assembleia Geral desde que o façam através
de carta dirigida ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral até ao início dos trabalhos.
O voto por correspondência é permitido nos termos do artigo 9.º, número 10 dos estatutos da
Sociedade, podendo os acionistas exercer o seu direito de voto por correspondência mediante carta
entregue em mão ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral ou enviada por correio registado com
aviso de receção para a sede social da Sociedade, com pelo menos 3 (três) dias úteis de antecedência
em relação à data da reunião da Assembleia Geral, salvo se prazo superior constar da convocatória
da Assembleia Geral.
Finalmente, de acordo com o disposto no artigo 9.º, número 11 dos estatutos da Sociedade, o direito
de voto pode ser exercido por via eletrónica, de acordo com requisitos que assegurem a sua
autenticidade, os quais devem ser definidos pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral na
convocatória da Assembleia Geral.

5. Regras aplicáveis à nomeação e substituição dos membros do órgão de
administração e à alteração dos estatutos da Sociedade
Artigo 29-H, número 1, alínea h) do Código dos Valores Mobiliários
O Conselho de Administração da Sociedade é composto por um mínimo de 5 (cinco) e um máximo de
11 (onze) membros. Os membros do Conselho de Administração, incluindo o seu presidente, são
eleitos em Assembleia Geral, exercendo as suas funções por um período de 4 (quatro) anos, renovável
nos termos legalmente autorizados.
Nos termos do artigo 14.º, número 2 dos estatutos da Sociedade, o Conselho de Administração pode
delegar, nos limites estabelecidos na lei, a gestão corrente da Sociedade num ou mais administradores
delegados ou numa Comissão Executiva. O Conselho de Administração deliberou a constituição de
uma Comissão Executiva, composta por 5 (cinco) membros, incluindo o seu Presidente.
No que se refere à falta e substituição de administradores, o artigo 13.º, número 3 dos estatutos da
Sociedade determina que a falta de um administrador a mais de 4 (quatro) reuniões seguidas ou a 6
(seis) reuniões interpoladas do Conselho de Administração, sem justificação aceite pelos restantes
membros do Conselho de Administração, conduz à situação de falta definitiva. Faltando definitivamente
um administrador, a sua substituição deverá ser realizada nos termos da legislação aplicável,

Graphics
39

nomeadamente de acordo com as disposições dos artigos 393.º e seguintes do Código das Sociedades
Comerciais. Nos termos do artigo 13.º n.º 6 dos estatutos, quando a substituição de administrador seja
feita por cooptação ou designação do Conselho Fiscal deverá ser submetida a ratificação na primeira
assembleia geral seguinte à substituição, terminando o mandato do novo administrador no termo do
mandato para o qual os demais administradores foram eleitos.
Nos termos do artigo 10.º, número 2 dos estatutos da Sociedade, a Assembleia Geral só pode
deliberar, em primeira convocação, desde que se encontrem presentes ou representados acionistas
titulares de ações representativas de, pelo menos, 51% (cinquenta e um por cento) do capital social
da Sociedade. Nos termos do número 4 do artigo 10.º dos estatutos da Sociedade, as deliberações da
Assembleia Geral sobre alterações dos estatutos da Sociedade devem ser aprovadas por maioria
qualificada de dois terços dos votos emitidos, salvo se a deliberação for tomada em Assembleia Geral
reunida em segunda convocação em que estejam presentes, ou devidamente representados,
acionistas titulares de, pelo menos, metade do capital social com direito de voto, caso em que as
referidas deliberações de alteração de estatutos da Sociedade podem ser tomadas por maioria simples
dos votos emitidos.

6. Poderes do órgão de administração, nomeadamente no que respeita a deliberações
de aumento do capital
Artigo 29-H, número 1, alínea i) do Código dos Valores Mobiliários
O Conselho de Administração gere os negócios e a atividade da Sociedade, podendo decidir sobre
qualquer matéria relacionada com a gestão da Sociedade, estando vinculado pelas deliberações da
Assembleia Geral de acionistas da Sociedade nos termos dos estatutos da Sociedade e da legislação
aplicável.
Nos termos do artigo 14.º dos estatutos da Sociedade, compete especificamente ao Conselho de
Administração:
a) Gerir as atividades da Sociedade;
b) Gerir os negócios sociais e praticar todos os atos relativos ao objeto social que não caibam
na competência atribuída a outros órgãos da Sociedade;
c) Adquirir, alienar ou onerar direitos ou bens móveis e imóveis e participações sociais, nos
termos da lei;
d) Contrair empréstimos no mercado financeiro nacional ou estrangeiro;
e) Deliberar sobre a emissão de obrigações ou outros valores mobiliários, dentro dos limites
para tanto anualmente fixados pela Assembleia Geral (nos termos do disposto na alínea f)
do artigo 11.º dos estatutos da Sociedade);
f) Representar a Sociedade em juízo e fora dele, ativa e passivamente, podendo desistir,
transigir e confessar em quaisquer pleitos e, bem assim, celebrar convenções de arbitragem;
g) Estabelecer a organização técnico-administrativa da Sociedade e as normas do seu
funcionamento interno;

Graphics
40

h) Constituir mandatários com os poderes considerados convenientes;
i) Exercer as demais competências que lhe sejam atribuídas pele lei ou pela Assembleia Geral.
Nos termos dos estatutos da Sociedade, o Conselho de Administração fixa as datas ou periodicidade
das suas reuniões, devendo reunir, pelo menos, uma vez em cada trimestre e sempre que seja
convocado pelo Presidente, por sua iniciativa e, na sua ausência ou impedimento, pelo seu substituto
ou a requerimento de dois administradores ou a pedido do órgão de fiscalização.
O Conselho de Administração não poderá deliberar sem a presença, ou a representação, da maioria
dos seus membros, salvo por motivo de urgência, como tal reconhecida pelo presidente ou pelo seu
substituto na sua ausência ou impedimento, caso em que os votos podem ser expressos por
correspondência.
As deliberações do Conselho de Administração são tomadas por maioria dos votos dos seus membros
presentes ou representados.
Em 28 de junho de 2021 o Conselho de Administração deliberou a constituição de uma Comissão
Executiva para o quadriénio 2021-2024, tendo aprovado igualmente o seu regulamento.
Foram delegados na Comissão Executiva, de acordo com o disposto nos números 3 e 4 do artigo 407.º
do Código das Sociedades Comerciais e nos números 2 e 3 do artigo 14.º dos estatutos da Sociedade,
a gestão corrente da Sociedade, que inclui, nomeadamente, e no quadro das políticas gerais
aprovadas pelo Conselho de Administração, a prática dos seguintes atos:
1. Preparação da proposta do orçamento anual e do plano de atividades e orçamento - incluindo o
plano de investimento e as respetivas fontes de financiamento - e os respetivos relatórios de
execução trimestral, ambos a submeter ao Conselho de Administração, para aprovação, em
termos e periodicidade consistentes com o enquadramento jurídico aplicável, designadamente o
Decreto-Lei n.º 133/2013, de 3 de outubro (tal como posteriormente alterado, doravante "DL
133/2013"), tendo em presença as instruções para elaboração de tais propostas, bem como a
preparação das atualizações ou revisões do orçamento anual e/ou do plano de atividades e
orçamento, que também serão submetidos ao Conselho de Administração para aprovação prévia,
incluindo o pressuposto das ditas atualizações ou revisões;
2. Preparação da nova proposta de lista de destinos de voo, numa base anual, e quaisquer alterações
significativas que ocorram nesta lista, para aprovação prévia por parte do Conselho de
Administração;
3. Preparação da proposta do plano de frota a longo prazo, numa base anual, e quaisquer alterações
significativas que ocorram nesse plano, para aprovação prévia por parte do Conselho de
Administração;
4. Sujeito às condições estabelecidas no número 5 abaixo, conduzir a gestão financeira, operacional,
administrativa e dos recursos humanos da Sociedade, em conformidade com o orçamento anual
e o plano de atividades e orçamento, conforme atualizado e/ou revisto e aprovado. No que respeita
a compromissos/ despesas/ acordos/ transações expressamente previstos no orçamento anual e
no plano de atividade e orçamento (conforme atualizado e/ou revisto e aprovado), e em
conformidade com o mesmo, a Comissão Executiva pode, desde que sempre em cumprimento da
Lei aplicável, nomeadamente DL 133/2013, conduzir a gestão da Sociedade dentro dos seguintes

Graphics
41

limites, que serão interpretados como limites por operação, incluindo quando a operação em causa
corresponder a um contrato plurianual:
a) Compromissos relativos a investimentos financeiros ou outras despesas de capital da
Sociedade e/ou das suas subsidiárias com um montante de até 15 milhões de euros;
b) Compromissos de despesas operacionais da Sociedade e/ou das suas subsidiárias, sob os
seguintes termos:
i.
Despesas com operações de voo, designadamente, combustível e contratos de
handling, que não excederão os 300 milhões de euros;
ii.
Todos os outros contratos operacionais de voo (tais como, mas não se limitando a
catering, ATC e outros contratos de âmbito similar) com um montante de até 30 milhões
de euros;
iii.
Despesas de Manutenção e Engenharia até 50 milhões de euros;
iv.
Despesas corporativas (marketing e vendas, tecnologias, soluções de pagamento,
consultoria e outras despesas de âmbito semelhante) num montante de até 15 milhões
de euros, exceto para serviços de consultoria estratégica, cujo limite será de até 1
milhão de euros;
c) Investimentos relativos a frota de aeronaves ou despesas operacionais da Sociedade e/ou das
suas subsidiárias com um montante de até 50 milhões de euros;
d) Instrumentos financeiros/ financiamento da Sociedade e/ou das suas subsidiárias, tais como,
mas não se limitando a, instrumentos de dívida e de cobertura, com um prazo inferior a um
ano e com um montante de até 100 milhões de euros (excluindo, em qualquer caso, a provisão
de qualquer tipo de garantias por parte da Sociedade ou das suas subsidiárias);
e) Propostas referentes a todos os instrumentos de financiamento da Sociedade e/ou das suas
subsidiárias i. com um prazo inferior a um ano e um montante superior a 100 milhões de euros
ou ii. Com um prazo de um ou mais anos, a serem submetidas à aprovação prévia do Conselho
de Administração;
f) Instrumentos de hedging dentro dos seguintes limites: (i) portfolio de derivados de jet fuel,
opções de swap e combinações simples dos mesmos, até 500 000 toneladas métricas ou um
valor de até 400 MUSD (ii) expectativa de atividade de hedging média mensal até 80 000
toneladas métricas
g) Aquisição, oneração, assunção, alienação e/ou venda de ativos da Sociedade e/ou das suas
subsidiárias com um montante de até 5 milhões de euros;
h) Sem prejuízo dos requisitos legais nos termos do DL 133/2013, proposta de investimento e/ou
alienação de ações de sociedades incorporadas e/ou a incorporação de novas sociedades,
e/ou alterações na estrutura acionista do grupo empresarial ao qual pertence a Sociedade, a
serem submetidas à aprovação prévia do Conselho de Administração;

Graphics
42

i) Proposta de transações com partes relacionadas no âmbito do artigo 397.º do Código das
Sociedades Comerciais, a ser submetida para a aprovação prévia do Conselho de
Administração com exceção das transações com subsidiárias da Sociedade, que não serão
sujeitas à aprovação prévia do Conselho de Administração.
j) Negociação e assinatura de contratos em que a Sociedade ou as suas subsidiárias sejam
parte, que não estejam abrangidos pela natureza de contratos descrita nos parágrafos supra
(nomeadamente de parcerias ou contratos de joint venture), no valor, ou configurando
obrigações, de até 15 milhões de euros;

k)
Abertura de contas bancárias, negociação de condições financeiras com bancos, realização
de pagamentos, depósitos ou levantamento de dinheiro das contas bancárias da Sociedade,
em conformidade com todos os outros poderes delegados.


5. Os poderes conferidos à Comissão Executiva, nos termos do número 4 acima, estarão sempre em
conformidade com os requisitos estabelecidos na legislação aplicável e estarão sujeitos ao
cumprimento das disposições do DL 133/2013, nomeadamente no que respeita a que:
a) A Comissão Executiva não poderá:
i.
Prestar qualquer garantia em benefício de outra entidade, independentemente de
existir qualquer participação no capital social do beneficiário;
ii.
Celebrar qualquer acordo ou transação, nem executar qualquer ato legal de que
resultem responsabilidades financeiras para a Sociedade, efetivas ou contingentes,
que ultrapassem o orçamento anual ou que não estejam previstas no plano de
investimento aprovado pelo detentor da função acionista;
iii.
Celebrar qualquer acordo ou executar qualquer ato legal que resulte em obrigações
para a Sociedade que ultrapassem 5% dos ativos líquidos da Sociedade (exceto se
expressamente previsto no plano de atividades e orçamento anual); e
iv.
Aprova qualquer investimento ou transação, que não esteja previsto no plano de
atividades e orçamento anual;
b) Qualquer acordo, ato ou transação com um impacto financeiro que exceda em 1% os ativos
líquidos da Sociedade, terá de ser aprovado pelo Administrador Executivo do Conselho de
Administração nomeado ou proposto pelo Membro do Governo responsável pela área
financeira. Na ausência da referida aprovação, o assunto deverá ser submetido à aprovação
da Assembleia Geral de Acionistas da Sociedade.
6. Gestão da relação institucional com trabalhadores e entidades externas, incluindo a representação
da Sociedade perante todos os Tribunais, nomeadamente, civis, criminais, administrativos, laborais
e fiscais, em todas as instâncias, nomeando um advogado quando necessário ou conveniente,
apresentando petições, pedidos, recursos, oposições, pedidos reconvencionais, apresentando
provas e preenchendo recursos tanto ordinários como extraordinários; negociando e revogando
petições em qualquer Tribunal, quer civil, criminal, administrativo, laboral ou fiscal, com os mais

Graphics
43

amplos poderes, em representação da Sociedade.
7. Proposta de novos acordos coletivos de trabalho e de grandes alterações estruturais aos contratos
de trabalho, a submeter à aprovação prévia do Conselho de Administração;
8. Em situações de emergência, quando a vida de pessoas e a segurança dos ativos estiver em risco,
a Comissão Executiva deve envidar todos os esforços necessários e adequados, tendo sempre a
responsabilidade de informar o Conselho de Administração sobre as justificações e todas as
medidas tomadas, no mais breve prazo possível.
9. Abertura e encerramento de representações, agências, escritórios e outras formas de
representação local da Sociedade no estrangeiro.
A Comissão Executiva reúne sempre que seja convocada pelo seu presidente ou por dois dos seus
membros. As respetivas reuniões devem ter uma frequência mínima semanal, podendo ser
estabelecido um calendário de reuniões mensal ou anual.
A Comissão Executiva não pode deliberar sem que esteja presente ou representada a maioria dos
seus membros.
Qualquer membro da Comissão Executiva pode fazer-se representar nas reuniões por
outro membro da Comissão Executiva mediante comunicação escrita dirigida ao Presidente.
As deliberações da Comissão Executiva são tomadas por maioria simples dos votos, tendo o
Presidente voto de qualidade em caso de empate.
Finalmente, no que se refere a aumentos do capital social da Sociedade, embora o artigo 456.º do
Código das Sociedades estabeleça que o contrato de sociedade pode autorizar o órgão de
administração a aprovar aumentos de capital por entradas em dinheiro aumentar o capital, os estatutos
da Sociedade não conferem tais poderes ao Conselho de Administração.

7. Principais elementos dos sistemas de controlo interno e de gestão de risco
implementados na Sociedade relativamente ao processo de divulgação de
informação financeira
Artigo 29-H, número 1, alínea l) do Código dos Valores Mobiliários
É responsabilidade do Conselho de Administração garantir a divulgação de informação financeira
idónea que represente fielmente a situação financeira da Empresa em cada momento, no cumprimento
da legislação e da regulamentação aplicáveis.
No que concerne à qualidade da informação financeira que é alvo de divulgação pública, esta resulta
de um processo de reporting financeiro que é assegurado pelas áreas centrais de serviços, sujeito a
procedimentos e controlos internos da TAP, sendo monitorizado pelo Conselho de Administração e
Comissão de Finanças, Auditoria e Risco da TAP. Em particular, em relação às contas anuais e
semestrais, os documentos são enviados ao Conselho de Administração, que os aprovam, antes de
serem divulgados.
Adicionalmente, compete ao Conselho Fiscal fiscalizar a adequação do processo de preparação e de
divulgação de informação financeira pelo Conselho de Administração.


Graphics
44


8. Comissões especializadas no seio do órgão de administração
No âmbito do modelo de governance da TAP, importa ainda fazer menção à existência de uma
comissão especializada – a Comissão de Finanças, Auditoria e Risco, tendo sido criada pelo Conselho
de Administração, em 27 de agosto de 2021.


Graphics
45

IV - DECLARAÇÃO EMITIDA NOS TERMOS DO ARTIGO 29-G DO CÓDIGO DOS
VALORES MOBILIÁRIOS PORTUGUÊS
Nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 29-G, nº 1, alínea c) do Código dos Valores Mobiliários
Português, os membros do Conselho de Administração da Transportes Aéreos Portugueses, S.A., abaixo
identificados, declaram que, tanto quanto é do seu conhecimento, o relatório de gestão, as demonstrações
financeiras consolidadas do ano de 2022, a certificação legal de contas e outros documentos necessários para a
aprovação das contas anuais foram elaborados em conformidade com as normas contabilísticas aplicáveis, dando
uma imagem verdadeira e apropriada do ativo e do passivo, da situação financeira e dos resultados da Sociedade
e das empresas incluídas no perímetro da consolidação, e que o relatório de gestão expõe fielmente os
acontecimentos relevantes que ocorreram em tal período e o impacto nas respetivas demonstrações financeiras,
bem como uma descrição dos principais riscos e incertezas que a Sociedade e das empresas incluídas no
perímetro da consolidação enfrentam.
Lisboa, 27 de abril de 2023

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO


Luís Manuel da Silva Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração

e
Presidente da Comissão Executiva
Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires
Vogal do Conselho de Administração e
Membro da Comissão Executiva




Ramiro José Oliveira Sequeira
Vogal do Conselho de Administração e
Membro da Comissão Executiva

Silvia Mosquera Gonzalez
Vogal do Conselho de Administração e Membro
da Comissão Executiva



Sofia Norton dos Reis Lufinha de Mello Franco
Vogal do Conselho de Administração e
Membro da Comissão Executiva

Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann
Vogal do Conselho de Administração


Patrício Ramos Castro
Vogal do Conselho de Administração

João Pedro Conceição Duarte
Vogal do Conselho de Administração




Graphics
46

V – GLOSSÁRIO
ANAC: Autoridade Nacional da Aviação Civil.
ASK: Available seat kilometer / Lugar-quilómetro; número total de lugares disponíveis para venda
multiplicado pelo número de quilómetros voados.
Hub: Termo utilizado para designar a base operacional de uma companhia aérea, em que chegadas
e partidas são coordenadas, por forma a reduzir ao máximo, o tempo de trânsito.
IATA: International Air Transport Association.
Load Factor: Número total de passageiro pagante-quilómetros (RPK) dividido pelo número total de
lugar-quilómetros (ASK).
RPK: Revenue passenger kilometer / Passageiro pagante-quilómetro; número total de passageiros
pagantes multiplicado pelo número de quilómetros voados.
Yield: Receita de passagens dividida pelo número total de passageiro pagante-quilómetros (RPK),
ajustada pela etapa média.
YoY: Year-over-year, ou seja, uma variação face ao período homólogo do ano anterior.

VI – INFORMAÇÃO NÃO FINANCEIRA CONSOLIDADA
A informação não financeira não está incluída no presente relatório de gestão e será apresentada em
relatório separado.


Graphics
47

VII – DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS









Graphics
TRANSPORTES AÉREOS PORTUGUESES, S.A.
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS
EXERCÍCIO DE 2022

Graphics

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022

2
ÍNDICE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS


Graphics

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022

3



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
4
DEMONSTRAÇÃO CONSOLIDADA DA POSIÇÃO FINANCEIRA
O anexo faz parte integrante da demonstração consolidada da posição financeira em 31 de dezembro de
2022.
Valores em Euros
Nota 2022 2021
ATIVO
Ativo não corrente
Ativos fixos tangíveis 4 3.077.640.026 2.955.068.050
Propriedades de investimento 5 1.690.000 1.615.899
Ativos intangíveis 6 23.290.174 23.475.789
Participações financeiras - 172.310
Outros ativos financeiros 8 488.720 488.725
Outros ativos não correntes 13 17.828.667 22.903.458
Ativos por impostos diferidos 9 447.429.851 363.523.138
Outras contas a receber 10 442.009.852 112.077.476
4.010.377.290 3.479.324.845
Ativo corrente
Inventários 11 66.384.228 56.556.807
Outras contas a receber 10 875.555.361 347.681.592
Imposto sobre o rendimento a receber 12 435.046 -
Outros ativos correntes 13 44.803.368 21.920.877
Caixa e seus equivalentes 14 916.077.051 812.578.316
1.903.255.054 1.238.737.592
Ativos não correntes detidos para venda 7 225.000 -
Total do ativo 5.913.857.344 4.718.062.437
CAPITAL PRÓPRIO E PASSIVO
Capital e reservas
Capital 15 980.000.000 904.327.865
Prestações suplementares 16 - -
Reserva legal 16 8.300.000 8.300.000
Reservas de justo valor 16 (5.741.822) 184.106
Outras reservas 16 (76.722.347) (200.588)
Outras variações no capital próprio 16 (28.118.831) -
Resultados transitados 16 (525.689.915) 218.425.483
Resultado líquido do exercício 65.597.418 (1.599.110.889)
Total do capital próprio 417.624.503 (468.074.023)
Passivo não corrente
Passivos por impostos diferidos 9 44.000.690 34.022.773
Pensões e outros benefícios pós-emprego 17 108.083.418 89.282.130
Provisões 18 282.879.191 312.912.748
Provisão reestruturação 18 15.072.695 37.012.455
Passivos remunerados 19 551.973.017 795.737.240
Passivo locação com opção de compra 19 634.660.114 488.921.489
Passivo locação sem opção de compra 19 1.660.710.136 1.682.965.393
3.297.379.261 3.440.854.228
Passivo corrente
Passivos remunerados 19 356.826.415 141.456.908
Passivo locação com opção de compra 19 74.641.447 54.754.917
Passivo locação sem opção de compra 19 377.402.908 435.572.934
Outras contas a pagar 20 584.355.883 406.153.858
Imposto corrente sobre o rendimento a pagar 12 19.326 104.803
Outros passivos correntes 21 67.827.868 63.677.145
Documentos pendentes de voo 22 737.779.733 643.561.667
2.198.853.580 1.745.282.232
Total do passivo 5.496.232.841 5.186.136.460
Total do capital próprio e passivo 5.913.857.344 4.718.062.437

Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
5
DEMONSTRAÇÃO CONSOLIDADA DOS RESULTADOS
O anexo faz parte integrante da demonstração consolidada dos resultados em 31 de dezembro de 2022.
Valores em Euros Notas
2022 2021
Rendimentos e ganhos operacionais
Receita
Passagens 24 3.072.352.122
1.067.193.102
Manutenção 24 132.072.002
54.207.466
Carga e correio 24 258.345.803
236.236.180
Ganhos e perdas em associadas (172.310)
-
Outros rendimentos 24 e 25 22.369.869
30.905.744
3.484.967.486
1.388.542.492
Gastos e perdas operacionais
Combustível para aeronaves 26 (1.096.653.890)
(340.478.438)
Custos operacionais de tráfego 26 (699.071.630)
(372.176.563)
Gastos com manutenção de aeronaves 26 (33.439.503)
(19.429.846)
Custo dos materiais consumidos 26 (101.898.211)
(30.169.492)
Custos comerciais, marketing e comunicação 26 (181.011.788)
(71.418.381)
Custos com o pessoal 27 (416.731.490)
(373.397.884)
Imparidade de contas a receber 28 (7.626.917)
(22.886.590)
Imparidade de inventários 28 5.131.380
(12.490.935)
Provisões 28 (53.572.415)
(16.041.875)
Outros gastos 29 (141.862.803)
(118.324.211)
Reestruturação 30 3.433.344
14.246.279
Outros itens não recorrentes 31 16.012.173
(1.024.940.014)
Depreciações, amortizações e perdas por imparidade 32 (509.458.500)
(489.705.211)
Resultados operacionais
268.217.236
(1.488.670.669)
Juros e rendimentos similares obtidos
33 40.088.548
33.952.821
Juros e gastos similares suportados
33 (261.589.548)
(293.608.645)
Gastos overhedge 33 - 8.677.082
Diferenças de câmbio líquidas 33 (12.771.764) (175.473.763)
Resultados antes de impostos 33.944.472 (1.915.123.174)
Imposto sobre o rendimento 34 31.652.946 316.012.285
Resultado líquido do exercício 65.597.418 (1.599.110.889)
Resultado líquido atribuível aos acionistas da TAP, SA 65.597.418 (1.599.110.889)
Resultado líquido atribuível aos interesses que não controlam - -
Resultados por ação
Resultados básicos e diluídos por ação 35 0,4 (25,7)

Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
6
DEMONSTRAÇÃO CONSOLIDADA DO RENDIMENTO INTEGRAL
O anexo faz parte integrante da demonstração consolidada do rendimento integral em 31 de dezembro
de 2022.
Valores em Euros Notas 2022 2021
Resultado líquido 65.597.418 (1.599.110.889)
Elementos que poderão vir a ser reclassificados subsequentemente por resultados:
Ganhos e perdas em instrumentos de cobertura de fluxos de caixa 10 e 20 (116.042.677) 29.247.212
Imposto diferido de instrumentos de cobertura de fluxos de caixa 9 33.594.990 (6.141.915)
Elementos que não serão reclassificados por resultados:
Remensurações de planos de benefícios definidos pós-emprego 17 (30.125.986) 7.371.490
Imposto diferido de remensurações 9 8.444.553 (1.731.976)
Outros impactos 18 (27.650.941) -
Outros rendimentos integrais líquidos de imposto (131.780.061) 28.744.811
Rendimento integral do exercício
(66.182.643) (1.570.366.078)
Atribuível a:
Acionistas da TAP SA (66.182.643) (1.570.366.078)
Interesses que não controlam - -
(66.182.643) (1.570.366.078)

Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
7
DEMONSTRAÇÃO CONSOLIDADA DAS ALTERAÇÕES NOS CAPITAIS PRÓPRIOS
*Montantes líquidos de impostos diferidos, quando aplicável.
O anexo faz parte integrante da demonstração consolidada das alterações nos capitais próprios em 31 de dezembro de 2022.
Valores em Euros
Not as Capital
Prestações
suplementares
Reserva legal
Reservas de
justo valor
Outras
reservas
Outras
variações no
capital próprio
Re s ultado s
transitados
Resultado
líquido do
exercício
Subtotal
Interesses não
controlados
(Nota 16)
Total
Capital próprio em 1 de janeiro de 2021 41.500.000 154.353.400 8.300.000 (22.921.191) (200.588) - (105.028.018) (1.230.255.776) (1.154.252.173) - (1.154.252.173)
Aplicação do resultado líquido do exercício 2020 - - - - - - (1.230.255.776) 1.230.255.776 - - -
Aumentos de capital, prestações suplementares e prémios de emissão 15 862.827.865 (154.353.400) - - - - 1.548.069.763 - 2.256.544.228 - 2.256.544.228
Remensurações* 9 e 17 - - - - - - 5.639.514 - 5.639.514 - 5.639.514
Justo valor de instrumentos financeiros derivados* 9 e 23 - - - 23.105.297 - - - - 23.105.297 - 23.105.297
Resultado líquido do exercício - - - - - - - (1.599.110.889) (1.599.110.889) - (1.599.110.889)
Capital próprio em 31 de dezembro de 2021 904.327.865 - 8.300.000 184.106 (200.588) - 218.425.483 (1.599.110.889) (468.074.023) - (468.074.023)
Aplicação do resultado líquido do exercício 2021 - - - - - - (1.599.110.889) 1.599.110.889 - - -
Aumentos e reduções de capital, prestações suplementares e prémios de emissão 15 75.672.135 - - - - (28.118.831) 904.327.865 - 951.881.169 - 951.881.169
Remensurações* 9 e 17 - - - - - - (21.681.433) - (21.681.433) (21.681.433)
Justo valor de instrumentos financeiros derivados* 9 e 23 - - - (5.925.928) - - - - (5.925.928) - (5.925.928)
Derivados de cobertura do risco cambial* 9 e 33 - - - - (76.521.759) - - - (76.521.759) - (76.521.759)
Outros impactos 18 - - - - - - (27.650.941) - (27.650.941) - (27.650.941)
Resultado líquido do exercício - - - - - - - 65.597.418 65.597.418 - 65.597.418
Capital próprio em 31 de dezembro de 2022 980.000.000 - 8.300.000 (5.741.822) (76.722.347) (28.118.831) (525.689.915) 65.597.418 417.624.503 - 417.624.503

Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
8
DEMONSTRAÇÃO CONSOLIDADA DOS FLUXOS DE CAIXA
O anexo faz parte integrante da demonstração consolidada dos fluxos de caixa em 31 de dezembro de
2022.
Valores em Euros
Notas
2022 2021
ATIVIDADES OPERACIONAIS
Recebimentos de clientes 3.760.672.112
1.433.020.096
Pagamentos a fornecedores (2.558.512.644)
(1.070.343.039)
Pagamentos ao pessoal (404.805.435)
(406.984.633)
Pagamentos de rendas de locação de curto prazo e baixo valor (5.974.037)
(5.652.803)
Fluxos gerados pelas operações 791.379.996
(49.960.379)
(Pagamentos)/recebimentos do imposto sobre o rendimento (159.554)
(2.102)
Outros (pagamentos)/recebimentos da atividade operacional (17.396.278)
21.346.783
Fluxos das atividades operacionais (1) 773.824.164
(28.615.698)
ATIVIDADES DE INVESTIMENTO
Recebimentos provenientes de:
Outros ativos financeiros 4, 8, 10 e 18 58.296.607
28.033.167
Ativos fixos tangíveis -
38.650.099
Empréstimos concedidos 913.833.404
883.424.333
Juros e proveitos similares 37.576.749
35.024.720
1.009.706.760
985.132.319
Pagamentos respeitantes a:
Outros ativos financeiros 4, 8, 10 e 18 (117.296.912)
(100.832.594)
Ativos fixos tangíveis (145.217.788)
(57.076.651)
Ativos intangíveis (2.967.110)
(5.380.649)
Empréstimos concedidos (985.262.222)
(930.777.737)
(1.250.744.032)
(1.094.067.631)
Fluxos das atividades de investimento (2) (241.037.272)
(108.935.312)
ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO
Recebimentos provenientes de:
Aumentos de capital 15 294.000.000
998.000.000
294.000.000
998.000.000
Pagamentos respeitantes a:
Empréstimos obtidos 19 (34.177.161)
(16.444.966)
Passivo locação com opção de compra 19 (62.825.243)
(34.369.217)
Passivo locação sem opção de compra 19 (540.994.575)
(443.587.346)
Juros e custos similares 19 (78.661.627)
(61.388.640)
Derivados de combustivel em situação de overhedge 23 - (11.586.309)
(716.658.606) (567.376.478)
Fluxos das atividades de financiam ento (3) (422.658.606) 430.623.522
VARIAÇÃO DE CAIXA E SEUS EQUIVALENTES (1)+(2)+(3) 110.128.286 293.072.512
EFEITO DAS DIFERENÇAS DE CÂMBIO (6.629.551) 749.197
CAIXA E SEUS EQUIVALENTES NO INÍCIO DO EXERCÍCIO 14 812.578.316 518.756.607
CAIXA E SEUS EQUIV ALENTES NO FIM DO EXERCÍCIO 14 916.077.051 812.578.316

Graphics
NOTAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
9

1
Introdução
A Transportes Aéreos Portugueses, S.A. (“TAP Air Portugal”, “TAP S.A.” ou “Empresa”) é uma sociedade
anónima que se dedica, no essencial, à exploração de serviços públicos de transporte aéreo de
passageiros, carga e correio, bem como à prestação de serviços e à realização das operações comerciais,
industriais e financeiras relacionadas direta ou indiretamente com a referida exploração.
Em 30 de dezembro de 2019, a TAP S.A. constituiu a TAP Logistics Solutions, S.A. (“TAP Logistics”; a
TAP S.A. e a TAP Logistics em conjunto designadas por “Grupo TAP S.A.” ou “Grupo”). Como tal, a TAP
S.A. apresenta demonstrações financeiras consolidadas, de acordo com o disposto no Decreto-Lei n.º
158/2009, de 13 de julho (conforme alterado).
O Grupo TAP S.A. presta serviços em Portugal (Continente e Regiões Autónomas), na Europa, em África,
na América do Norte, na América do Sul e no Médio Oriente. O Grupo TAP S.A. tem 19 representações
em países estrangeiros e 3 em Portugal.
Sede Social Edifício 25 do Aeroporto de Lisboa, 1700-008 Lisboa
Capital Social 980.000.000 Euros dos quais se encontram realizados 294.000.000 Euros
N.I.P.C. 500 278 725
A Empresa encontra-se filiada na IATA – International Air Transport Association (“IATA”), entre outras
associações do setor do transporte aéreo.
Na sequência da eclosão da pandemia da doença COVID-19 e à semelhança da generalidade das
empresas que atuam no setor da aviação, todas as empresas do Grupo TAP (entendendo-se para este
efeito como “Grupo TAP” a TAP S.A. e respetivas subsidiárias, bem como a TAP SGPS e respetivas
subsidiárias) sofreram, a partir de março de 2020, uma redução significativa da sua atividade em resultado
de uma acentuada quebra da procura, da qual resultaram elevadas perdas de exploração. Estas perdas
decorreram maioritariamente da imposição, pelo Estado Português e por muitos países de destino da TAP
S.A., de restrições às viagens para limitar a propagação da doença COVID-19.
Para fazer face ao impacto da pandemia da doença COVID-19, o Grupo TAP adotou um conjunto de
medidas iniciadas em 2020, tendo em vista o controle e a redução de custos, incluindo a suspensão ou o
adiamento de investimentos não críticos, a renegociação de contratos e prazos de pagamento, o corte de
despesas acessórias, a suspensão de contratações de novos trabalhadores e de progressões, e a
implementação de programas de licenças sem vencimento temporárias.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
10

A 9 de junho de 2020, o Estado Português notificou a Comissão Europeia acerca da sua intenção de
conceder um auxílio de Estado, sob a forma de um empréstimo, a favor daquela que, a essa data, era a
acionista única da TAP S.A., a TAP SGPS, no montante de 1,2 mil milhões de Euros. Este apoio teve como
objetivo disponibilizar recursos suficientes para que a TAP SGPS pudesse fazer face às necessidades de
liquidez imediatas do Grupo TAP, e em especial a TAP S.A., tendo em vista a concretização de um plano
de viabilidade de longo prazo.
A 10 de junho de 2020, a Comissão Europeia anunciou a sua decisão de aprovar o referido auxílio do
Estado ao Grupo TAP, por entender que o mesmo era compatível com as regras da União Europeia
relativas a auxílios de Estado.
Na sequência da referida decisão da Comissão Europeia, e tal como aprovado pela Comissão Europeia,
foi concedido, por parte do Estado Português, um empréstimo remunerado a favor do Grupo TAP no
montante de 1,2 mil milhões de Euros, formalizado através da celebração, em 17 de julho de 2020, de um
contrato de financiamento entre a República Portuguesa, a TAP S.A., a TAP SGPS e a Portugália, bem
como de um acordo complementar ao mesmo entre as referidas partes do contrato de financiamento, a
Atlantic Gateway e a Parpública – “Contrato de Financiamento”).
Relativamente ao empréstimo remunerado por parte do Estado Português acima referido, no montante de
1,2 mil milhões de Euros, a primeira tranche (no montante de 250 milhões Euros) foi efetuada no dia 17
de julho de 2020; a segunda tranche (no montante de 224 milhões Euros) foi efetuada no dia 30 de julho
de 2020; a terceira tranche (no montante de 25 milhões Euros) foi efetuada no dia 31 de agosto de 2020;
a quarta tranche (no montante de 79,6 milhões Euros) foi efetuada no dia 30 de setembro de 2020; a quinta
tranche (no montante de 92 milhões Euros) foi efetuada no dia 5 de novembro de 2020; a sexta tranche
(no montante de 171,4 milhões de Euros) foi efetuada no dia 21 de dezembro de 2020; e a última tranche
(no montante de 358 milhões Euros) foi efetuada no dia 30 de dezembro de 2020.
Para garantia do cumprimento das obrigações que para o Grupo TAP resultavam do empréstimo
concedido pelo Estado Português, foi concedido um penhor financeiro sobre a totalidade das ações
representativas do capital social da TAP S.A. e da Portugália a favor do Estado Português.
Na sequência da verificação de diversas condições precedentes previstas nos Contratos, no dia 2 de
outubro de 2020, ocorreu:
(i) A aquisição, por parte do Estado Português, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, de
participações sociais, de direitos económicos e de uma parte das prestações suplementares
detidas pela Atlantic Gateway na TAP SGPS, passando o Estado Português a deter o controlo
efetivo sobre 72,5% do capital social da TAP SGPS, sobre igual percentagem de direitos
económicos na TAP SGPS e sobre uma parte das prestações suplementares realizadas pela
Atlantic Gateway na TAP SGPS; e



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
11

(ii) A amortização da quota detida pela HPGB na Atlantic Gateway, contra o recebimento de ações
representativas de 22,5% do capital social e dos direitos de voto da TAP SGPS e de uma parte
das prestações suplementares realizadas pela Atlantic Gateway na TAP SGPS, deixando a
Atlantic Gateway de ser acionista da TAP SGPS e passando a HPGB a deter uma participação
direta na TAP SGPS.
Neste contexto, no dia 2 de outubro de 2020, a TAP SGPS passou a ter a seguinte estrutura acionista (a
qual já sofreu alterações à presente data):
✈ A Parpública, com 750.000 ações ordinárias, representativas de 50% do capital social e dos
direitos de voto da TAP SGPS;
✈ O Estado Português, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, titular de 337.500 ações
ordinárias, representativas de 22,5% do capital social, dos direitos de voto e dos direitos
económicos da TAP SGPS;
✈ A HPGB com 337.500 ações ordinárias, representativas de 22,5% do capital social, dos direitos
de voto e dos direitos económicos da TAP SGPS; e
✈ Um conjunto de acionistas com um total de 75.000 ações ordinárias, representativas de 5% do
capital social, dos direitos de voto e dos direitos económicos da TAP SGPS.
Em 24 de maio de 2021 o Estado Português, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, realizou
um aumento de capital na TAP S.A. no montante de 462 milhões de Euros.
Na sequência daquele aumento de capital, a estrutura acionista da TAP S.A.
(que até à data era detida a
100% pela TAP SGPS) passou a detalhar-se da seguinte forma:
✈ A República Portuguesa, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, passou a deter 91,8%
das ações representativas do capital social e dos direitos de voto; e
✈ A TAP SGPS passou a deter 8,2% das ações representativas do capital social e dos direitos de
voto da TAP S.A.
No dia 31 de agosto de 2021, a data de reembolso do Contrato de Financiamento foi prorrogada de 1 de
setembro de 2021 para 31 de dezembro de 2021, em caso de não adoção de decisão final pela Comissão
Europeia sobre o auxílio à reestruturação ao Grupo TAP até aquela data.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
12

Na sequência das aprovações pela Comissão Europeia, em 21 de dezembro de 2021, dos auxílios de
Estado para (i) a reestruturação do Grupo TAP e (ii) para a compensação de prejuízos sofridos pela TAP
S.A. em resultado da pandemia COVID-19, no dia 30 de dezembro de 2021, foram aprovadas, em
Assembleia Geral Extraordinária da TAP S.A. e submetidas a registo junto da Conservatória do Registo
Comercial de Lisboa, as seguintes operações societárias (“Operações de 2021”):
a) O aumento do capital social da TAP S.A. de 503.500.000 Euros para 657.853.400 Euros, subscrito
integralmente pela TAP SGPS, através da conversão de prestações suplementares, no valor total
de 154.353.400 Euros;
b) A redução do seu capital social para 0,00 Euros, para cobertura parcial de prejuízos;
c) O aumento do seu capital social de 0,00 Euros para 1.794.544.230 Euros, subscrito integralmente
pela República Portuguesa, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, sendo o montante
de 1.258.544.230 Euros realizado exclusivamente por entradas em espécie, por conversão dos
créditos da República Portuguesa sobre a TAP S.A. decorrentes do Contrato de Financiamento (o
qual representa o valor do financiamento acrescido dos juros incorridos até à data da conversão),
e o montante de 536.000.000 Euros (resultante das compensações de prejuízos sofridos em
resultado da pandemia de COVID-19), realizado por entradas em dinheiro;
d) A redução do seu capital social de 1.794.544.230 Euros para 904.327.865 Euros, para cobertura
parcial de prejuízos.
Na sequência das Operações de 2021 acima descritas, o capital social da TAP S.A. passou a ser de
904.327.865 Euros, encontrando-se representado por 180.865.573 ações, com o valor nominal unitário de
5,00 Euros, passando a ter como acionista único e direto a República Portuguesa, através da Direcção-
Geral do Tesouro e Finanças, não se alterando materialmente o controlo exercido sobre a TAP S.A., na
medida em que a República Portuguesa já era o beneficiário efetivo da TAP S.A.
Ainda na sequência da decisão da Comissão Europeia datada de 21 de dezembro de 2021 que aprovou
o Plano de Reestruturação do Grupo TAP e a concessão de auxílios à reestruturação, nos termos da qual
se previa a concessão de uma tranche do referido auxílio até ao final do exercício de 2022, no dia 27 de
dezembro de 2022 foram aprovadas, por meio de decisão por escrito da acionista única da TAP S.A., as
seguintes operações societárias (“Operações de 2022”):
a) A redução do capital social da TAP S.A. de 904.327.865 Euros para 0,00 Euros, para cobertura
parcial de prejuízos;
b) O aumento do seu capital social de 0,00 Euros para 980.000.000 Euros, subscrito integralmente
pela República Portuguesa, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, a ser realizado por
novas entradas em dinheiro, da seguinte forma:
i) 294.000.000 Euros no dia 27 de dezembro de 2022;
ii) 343.000.000 Euros no dia 20 de dezembro de 2023;



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
13


iii) 343.000.000 Euros no dia 20 de dezembro de 2024.
Em resultado das Operações de 2022 acima descritas, o capital social da TAP S.A. passou a ser de
980.000.000 Euros, representado por 196.000.000 ações, com o valor nominal unitário de 5,00 Euros, dos
quais se encontram realizados 294.000.000 Euros. A TAP S.A. mantém como acionista único direto e
beneficiário efetivo a República Portuguesa, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.
As presentes demonstrações financeiras consolidadas do exercício findo em 31 de dezembro de 2022,
aprovadas em reunião do Conselho de Administração de 27 de abril de 2023 e sujeitas a aprovação da
Assembleia Geral, foram preparadas com o objetivo de apresentação aos diversos stakeholders.

Os membros do Conselho de Administração que assinam o presente relatório declaram que, tanto quanto
é do seu conhecimento, a informação nele constante foi elaborada em conformidade com as Normas
Contabilísticas aplicáveis, dando uma imagem verdadeira e apropriada do ativo e do passivo, da situação
financeira e dos resultados do Grupo.
Plano de Reestruturação em curso do Grupo TAP – Auxílio de Estado
No âmbito da decisão da Comissão Europeia de 10 de junho de 2020 que autorizou a concessão de um
auxílio de Estado a favor da acionista única da TAP S.A. a essa data, a TAP SGPS, sob a forma de um
empréstimo, no montante de 1,2 mil milhões de Euros (“Decisão da Comissão Europeia”), e do Contrato
de Financiamento que concretizou a concessão do referido auxílio de Estado ao Grupo TAP, previa-se a
possibilidade de a data de reembolso do empréstimo concedido ao Grupo TAP, inicialmente fixada em 10
de dezembro de 2020, ser prorrogada caso o Estado Português submetesse um Plano de Reestruturação
do Grupo TAP (“Plano de Reestruturação” ou “Plano”) à Comissão Europeia até essa data, i.e. no prazo
de 6 (seis) meses contados da data da Decisão da Comissão Europeia.
Nesse contexto, o Estado Português submeteu à Comissão Europeia, no dia 10 de dezembro de 2020,
um projeto de Plano de Reestruturação com vista à sua discussão e aprovação.
No âmbito da preparação do Plano de Reestruturação que envolveu as áreas chave do Grupo TAP, foi
criado um steering committee tendo sido contratada uma consultora estratégica para auxiliar o Grupo TAP
na elaboração do Plano.
O Plano de Reestruturação apresentado incorporou uma transformação significativa da operação da TAP
S.A, de forma a garantir a sua viabilidade económica em 2023 e sustentabilidade em 2025. Esta
reestruturação engloba medidas de melhoria de eficiência operacional, um redimensionamento da frota e
de redução de despesas com pessoal.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
14

O Plano de Reestruturação apresentado tinha como objetivos assegurar a sobrevivência e a
sustentabilidade do Grupo TAP, a manutenção de cerca de 7 (sete) mil postos de trabalho diretos, bem
como a preservação de todo o ecossistema de fornecedores do Grupo TAP, garantindo que o mesmo
continua a contribuir para a economia portuguesa.
O Plano de Reestruturação assentou em quatro eixos: (i) foco no core bussiness; (ii) ajustamento da
capacidade (dimensionamento de frota e otimização de rede); (iii) otimização dos custos operacionais
(negociação de locações, revisão de custos com terceiros e ajuste dos custos laborais); e (iv) melhoria da
receita (receitas de passageiros e outras receitas). Todas estas iniciativas visam atingir o equilíbrio do
fluxo de caixa e, consequentemente, balancear a estrutura de capital do Grupo TAP.
Ao nível da otimização dos custos operacionais, previa-se 1,3 mil milhões de Euros decorrentes de
negociações relacionadas com frota, bem como 200 a 225 milhões de Euros por ano em negociações com
outros fornecedores operacionais do Grupo TAP. Do ponto de vista de custos laborais, previu-se o
redimensionamento das operações do Grupo TAP, através, entre outros, da implementação de medidas
voluntárias, como rescisões por mútuo acordo, trabalho a tempo parcial e licenças não remuneradas de
longo prazo, sem prejuízo de outros mecanismos adicionais, além de uma redução dos salários dos
trabalhadores do Grupo.
Estes ajustamentos à capacidade, à frota e ao quadro de pessoal fariam com que o Grupo TAP, e em
particular a TAP S.A., possam ter uma dimensão apta a responder à retoma, mantendo a liderança no hub
de Lisboa e a sua estratégia de conexão entre a Europa, as Américas e África.
No quadro dos trabalhos relacionados com o processo de preparação do Plano de Reestruturação, foi
aprovada a 22 de dezembro de 2020, uma Resolução do Conselho de Ministros que declarou a TAP S.A.
(bem como a Portugália e a Cateringpor – Catering de Portugal, S.A.) em situação económica difícil,
atribuindo a essa declaração os efeitos previstos na legislação aplicável, nomeadamente a redução de
condições de trabalho e a não aplicação ou a suspensão, total ou parcial, das cláusulas dos acordos de
empresa ou dos instrumentos de regulamentação coletiva aplicáveis, com estabelecimento do respetivo
regime sucedâneo (Resolução do Conselho de Ministros n.º 3/2021, de 22 de dezembro de 2020,
regulamentada através do Despacho n.º 818-A/2021, de 14 de janeiro de 2021). O estatuto de situação
económica difícil atribuído à TAP S.A. (e à Portugália e Cateringpor – Catering de Portugal, S.A.) foi
renovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 185/2021, de 29 de dezembro, com efeitos até 31
de dezembro de 2022, e novamente renovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 138/2022, de
28 de dezembro, com efeitos até 31 de dezembro de 2023.
Em conformidade com esta determinação, foi desenvolvido logo em dezembro de 2020, um processo de
negociação conjunta, entre sindicatos, Administração e Governo Português, tendo em vista a celebração
dos denominados “Acordos de Emergência”, procurando-se encontrar uma solução consensual sobre o
caminho para viabilizar a reestruturação e a recuperação da TAP S.A.. Este processo concluiu-se



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
15

favoravelmente, tendo todos os sindicatos que representam uma vasta maioria dos trabalhadores da TAP
S.A. ratificado os acordos de emergência negociados (“Acordos de Emergência”). Os Acordos de
Emergência entraram em vigor no dia 1 de março de 2021, permitindo, sem prejudicar as métricas
propostas no âmbito do Plano de Reestruturação, a proteção de um maior número de postos de trabalho,
quando comparado com o regime sucedâneo. Os colaboradores da TAP S.A. não sindicalizados
beneficiaram de um regime sucedâneo em tudo igual aos Acordos de Emergência em vigor no seu grupo
profissional.
Em paralelo, entre fevereiro e junho de 2021, a TAP S.A. desenvolveu um conjunto de medidas laborais
de adesão voluntária para os colaboradores da TAP S.A., que contemplou rescisões por mútuo acordo,
reformas antecipadas, pré-reformas, trabalho a tempo parcial e licenças sem vencimento. Como
consequência das referidas medidas voluntárias, a meta inicial de redimensionamento do Plano de
Reestruturação pôde ser ajustada em baixa e permitiu que o número de trabalhadores elegível para
medidas unilaterais fosse reduzido para 124 trabalhadores (ou seja menos cerca de 94% face ao número
inicial previsto e imposto pelo Plano de Reestruturação). A continuação da execução do Plano de
Reestruturação conduziu a que, em 8 de julho de 2021, a TAP S.A. tivesse iniciado um procedimento de
despedimento coletivo envolvendo estes 124 trabalhadores, o qual seguiu os seus trâmites de acordo com
um calendário indicativo.
Com estas medidas, a TAP S.A. obteve o compromisso de vários sindicatos nos Acordos de Emergência,
indo ao encontro dos objetivos de custos laborais incluídos no Plano de Reestruturação.
A TAP S.A. continuou a oferecer aos trabalhadores visados condições semelhantes às das fases
voluntárias para aqueles que optassem por reconsiderar a sua decisão anterior de não aderir às medidas
voluntárias, e manteve a possibilidade de candidatura às restantes vagas na Portugália e outras vagas na
TAP S.A. que foram surgindo de acordo com as necessidades da Empresa, tendo estas iniciativas reduzido
o número de trabalhadores com saídas unilaterais em processo de despedimento coletivo para 62.
No contexto do auxílio de Estado à TAP S.A., aprovado pela Comissão Europeia por decisão de 23 de
abril de 2021, a título de compensação de danos COVID-19 verificados durante o período de 19 de março
a 30 de junho de 2020, como já referido, foi realizado em 24 de maio de 2021 um aumento de capital da
TAP S.A., mediante a realização de uma entrada em dinheiro, no montante de 462.000.000 Euros, pela
República Portuguesa, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, e a subscrição, pela mesma, de
92.400.000 novas ações ordinárias representativas do capital social da Empresa, com o valor nominal
unitário de 5,00 Euros. Na sequência do referido aumento de capital, o capital social da TAP S.A. foi
aumentado de 41.500.000 Euros para 503.500.000 Euros, passando a República Portuguesa, através da
Direção-Geral do Tesouro e Finanças, a ter uma participação social representativa de cerca de 92% da
TAP S.A., continuando os remanescentes cerca de 8,2% do capital social da TAP S.A. a ser detidos
diretamente pela TAP SGPS. Conforme referido acima, esta estrutura acionista manteve-se até ao dia 30
de dezembro de 2021, data em que a República Portuguesa passou a ser acionista única da TAP S.A..



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
16

Na sequência das interações com a Comissão Europeia, a 10 de junho de 2021, o Estado Português
atualizou o Plano de Reestruturação submetido inicialmente em 10 de dezembro de 2020, tendo notificado
à Comissão Europeia um auxílio à reestruturação de 3,2 mil milhões de Euros, com o objetivo de financiar
um Plano de Reestruturação do Grupo TAP, que estabelece o pacote de medidas para racionalizar as
operações da TAP S.A. e para a redução de custos.
No dia 16 de julho de 2021, a Comissão Europeia aprovou as seguintes duas decisões autónomas:
(i) Re-aprovação do auxílio de emergência de 1,2 mil milhões de Euros
A Comissão Europeia decidiu re-aprovar o empréstimo de emergência de 1,2 mil milhões de Euros à TAP
SGPS, que já havia anteriormente aprovado por decisão de 10 de junho de 2020, especificando a
fundamentação para a aprovação do auxílio (relacionada com a situação do Grupo TAP e dos seus
acionistas em junho de 2020), conforme exigido nos termos do acórdão do Tribunal Geral da União
Europeia de 19 de maio de 2021 (processo T465/20), que anulou a decisão inicial de auxílio de
emergência, suspendendo simultaneamente os efeitos da anulação até à adoção de uma nova decisão
pela Comissão Europeia.
Por conseguinte, esta nova decisão da Comissão Europeia confirma a anterior decisão desta autoridade
de 10 de junho de 2020, que entendeu que o referido auxílio de emergência de 1,2 mil milhões de Euros
era compatível com o mercado interno, nos termos do artigo 107.º, n.º 3, alínea c) do Tratado sobre o
Funcionamento da União Europeia e de acordo com os requisitos das Orientações da Comissão Europeia
relativas aos auxílios estatais de emergência e à reestruturação concedidos a empresas não financeiras
em dificuldade.
(ii) Plano de Reestruturação do Grupo TAP
A Comissão Europeia decidiu dar início a um procedimento de investigação aprofundada para
complementarmente avaliar a conformidade do Plano de Reestruturação proposto e do correspondente
auxílio com as condições estabelecidas nas Orientações da Comissão Europeia relativas aos auxílios
estatais de emergência e à reestruturação concedidos a empresas não financeiras em dificuldade.
Na sequência das interações com a Comissão Europeia ocorridas após a data da referida decisão da
Comissão Europeia, nomeadamente no que diz respeito à obtenção de informação adicional, em 16 de
novembro de 2021, o Estado Português atualizou o Plano de Reestruturação submetido em 10 de junho
de 2021, o qual apresenta um update das projeções financeiras / análises de sensibilidade para o período
da reestruturação (até ao ano de 2025), bem como a inclusão dos anos de 2026 e 2027, as quais
incorporaram as perspetivas mais recentes, àquela data, do fluxo de transporte aéreo, bem como do preço
de jet fuel e da taxa de inflação, o que gerou um aumento estimado de receitas e custos para o período
de reestruturação até 2025, não existindo variações significativas ao nível dos resultados operacionais.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
17

Esta atualização do Plano de Reestruturação do Grupo TAP, incluindo adicionalmente os anos de 2026 e
2027, foi aprovada pelo Conselho de Administração da TAP SGPS e da TAP S.A em 3 de novembro de
2021.
Tendo por base a investigação aprofundada por parte da Comissão Europeia e das observações das
partes interessadas e do Estado Português, a Comissão Europeia aprovou o Plano de Reestruturação do
Grupo TAP em 21 de dezembro de 2021 (“Plano de Reestruturação Aprovado”), no quadro das regras da
União Europeia em matéria de auxílios estatais que se destinam a vigorar até 31 de dezembro de 2025, o
qual se encontra a ser implementado pelo Grupo TAP.
Mais concretamente, a Comissão avaliou o Plano de Reestruturação, que define um pacote de medidas
para racionalizar as operações do Grupo TAP e reduzir os custos. O Plano de Reestruturação prevê uma
divisão das atividades em i) companhias aéreas TAP S.A. e Portugália (que serão apoiadas e
reestruturadas) e ii) perímetro de ativos não essenciais a alienar ou liquidar durante a reestruturação,
nomeadamente a Groundforce e a TAP ME Brasil. Adicionalmente, a TAP S.A. disponibilizou 18 slots por
dia no aeroporto de Lisboa a uma transportadora concorrente sendo que a Comissão Europeia considerou
relevante que o compromisso de transferência dos slots não comprometesse a viabilidade da TAP S.A.
Na perspetiva de ajustamento da sua capacidade, o Plano de Reestruturação apresentado à Comissão
Europeia assume como objetivo ajustar a frota do Grupo TAP para 99 aeronaves, um número de aviões
superior aos 75 aviões que compunham a sua frota em 2015.
Nesta base, a Comissão Europeia concluiu que o auxílio à reestruturação está em conformidade com as
regras da União Europeia, tendo sido considerado que o Plano de Reestruturação Aprovado se apresenta
como realista, coerente e credível, de forma a atingir o objetivo de garantir a viabilidade a médio/longo
prazo e solucionar os problemas de liquidez e de insolvência do Grupo TAP.
O apoio estatal aprovado pela Comissão Europeia ascende ao valor total de 3,2 mil milhões de Euros,
detalhado conforme segue:
✈ 2,55 mil milhões de Euros referente a medidas de apoio de reestruturação para permitir o regresso
à viabilidade do Grupo TAP S.A., incluindo a conversão do empréstimo de emergência de 1,2 mil
milhões de Euros em capital próprio;
✈ 640 milhões de Euros de auxílio a título de compensação de danos COVID-19 verificados durante
os anos de 2020 e 2021 entre 19 de março de 2020 e 30 de junho de 2021.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
18

1.1 Impacto pandemia COVID-19
A Organização Mundial de Saúde declarou, em 11 de março de 2020, a existência de uma Pandemia
relacionada com a doença do novo coronavírus (COVID-19), em resultado da qual foi estabelecido, nos
mercados onde o Grupo TAP S.A. opera, um conjunto de medidas excecionais relativas à situação
epidemiológica da COVID-19 com a imposição de restrições adicionais à atividade económica nesses
mercados, que foram gradualmente levantadas em 2021 e 2022.
1.1.1 Impacto nos indicadores operacionais
A evolução dos principais indicadores operacionais no exercício de 2022 face a 2021, 2020 e 2019 são
detalhados conforme segue:
2022 2021 2020 2019
Variação vs 2021
Variação vs 2020
Variação vs 2019
Indicadores operacionais Abs. % Abs. % Abs. %
Passageiros ('000) 13.759 5.827 4.657 17.052 7.932 +136,1% 9.102 +195,4% (3.293) -19,3%
RPK (milhões) 36.782 14.917 11.876 42.065 21.865 +146,6% 24.906 +209,7% (5.283) -12,6%
ASK (milhões) 45.960 23.663 18.376 52.527 22.297 +94,2% 27.584 +150,1% (6.567) -12,5%
Load Factor 80,00% 63,00% 64,60% 80,10% +17,0p.p. n.a. +15,4p.p. n.a. -0,1p.p. n.a.
Block Hours 344.900 195.636 147.213 409.522 149.264 +76,3% 197.687 +134,3% (64.622) -15,8%
Número de Partidas 107.856 61.664 47.900 136.705 46.192 +74,9% 59.956 +125,2% (28.849) -21,1%
Etapa média (km) 2.143 2.147 2.044 1.956 (4) -0,2% 99 +4,8% 187 +9,6%
Quadro do Pessoal (final do período) 6.988 6.626 8.106 9.006 362 +5,5% (1.118) -13,8% (2.018) -22,4%
Após a quebra de atividade verificada a partir de março de 2020 em resultado da pandemia de COVID-19,
tendo sido significativamente afetada pelas medidas de contenção adotadas pelas autoridades nacionais
e internacionais que se refletiram numa acentuada quebra na procura e levaram o Grupo a diminuir a sua
capacidade operacional, traduzindo-se numa deterioração da atividade ao longo desse período, em 2022
a atividade do Grupo e da indústria encontra-se em fase de retoma decorrente, essencialmente, do
aumento das taxas de vacinação contra a COVID-19 e da redução das restrições impostas para viajar.
No exercício de 2022, o número de passageiros transportados aumentou 136,1%, a capacidade (medida
em ASKs) aumentou 94,2% e a procura em termos de tráfego de passageiros (expressa em RPKs) registou
um acréscimo de 146,6%, quando comparado com 2021, traduzindo-se ainda numa incremento do load
factor em 17,0 p.p..



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
19


1.1.2 Impacto nos indicadores financeiros
A evolução dos principais indicadores financeiros no exercício findo em 31 de dezembro de 2022 face aos
exercícios findos em 31 de dezembro de 2021, 2020 e 2019, são detalhados como segue:
2022 2021 2020 2019
Variação vs 2021
Variação vs 2020
Variação vs 2019
Indicadores financeiros Valor % Valor % Valor %
Dados dem onstração dos res ultados
Rendimentos operacional 3.484.967.486 1.388.542.492 1.060.184.366 3.298.753.526 2.096.424.994 +151,0% 2.424.783.120 +228,7% 186.213.960 +5,6%
Receita de passagens 3.072.352.122 1.067.193.102 848.373.665 2.914.005.095 2.005.159.020 +187,9% 2.223.978.457 +262,1% 158.347.027 +5,4%
EBITDA *
777.675.736 (998.965.458) (380.090.410) 522.926.690 1.776.641.194 n.a. 1.157.766.146 n.a. 254.749.046 n.a.
Margem EBITDA 22,3% -71,9% -35,9% 15,9% +94,3p.p. n.a. +58,2p.p. n.a. +6,5p.p. n.a.
EBITDA Recorrente **
758.230.219 11.728.277 (273.724.683) 528.410.885 746.501.942 n.a. 1.031.954.902 n.a. 229.819.334 n.a.
Margem EBITDA Recorrente 21,8% 0,8% -25,8% 16,0% +20,9p.p. n.a. +47,6p.p. n.a. +5,7p.p. n.a.
Resultado operacional (EBIT) 268.217.236 (1.488.670.669) (964.762.471) 47.181.525 1.756.887.905 n.a. 1.232.979.707 n.a. 221.035.711 n.a.
Margem EBIT 7,7% -107,2% -91,0% 1,4% +114,9p.p. n.a. +98,7p.p. n.a. +6,3p.p. n.a.
Dados dem onstração dos fluxos de caixa
Fluxos das atividades operacionais 773.824.164 (28.615.698) (312.914.301) 337.083.803 802.439.862 -2804,2% 1.086.738.465 -347,3% 436.740.361 +129,6%
Fluxos das atividades de investimento (241.037.272) (108.935.312) (165.140.557) (134.701.648) (132.101.960) +121,3% (75.896.715) +46,0% (106.335.624) +78,9%
Fluxos das atividades de f inanciamento (422.658.606) 430.623.522 572.919.100 15.805.992 (853.282.128) -198,2% (995.577.706) -173,8% (438.464.598) -2774,0%
2022 2021 2020 2019
Variação vs 2021
Variação vs 2020
Variação vs 2019
Valor % Valor % Valor %
Dados posição financeira
Total do ativo 5.913.857.345 4.718.062.437 4.957.101.564 5.152.800.895 1.195.794.908 +25,3% 956.755.781 +19,3% 761.056.450 +14,8%
Total do passivo 5.496.232.842 5.186.136.460 6.111.353.737 5.018.263.972 310.096.382 +6,0% (615.120.895) -10,1% 477.968.870 +9,5%
Total do capital próprio 417.624.503 (468.074.023) (1.154.252.173) 134.536.923 885.698.526 -189,2% 1.571.876.676 -136,2% 283.087.580 +210,4%
* EBITDA = Resultados Operacionais + Depreciações, amortizações e perdas por imparidade.
** EBITDA Recorrente = EBITDA – Reestruturação - Outros itens não recorrentes
A performance financeira no exercício de 2022 quando comparada com o exercício de 2021 registou um
aumento dos rendimentos operacionais totais em 151,0% no exercício e das receitas de passagens em
187,9%. O EBITDA apresentou um montante positivo de 777,7 milhões de Euros (aumento de 1.776,6
milhões de Euros face a 2021) e o Resultado Operacional (EBIT) apresentou um montante positivo de
268,2 milhões de Euros (aumento de 1.756,9 milhões de Euros face a 2021).
No que respeita à variação apresentada na demonstração consolidada dos fluxos de caixa, verifica-se uma
variação positiva de 802,4 milhões de Euros nos fluxos de caixa operacionais, resultante, essencialmente,
do aumento da receita vendida do Grupo face a 2021. Nos fluxos de caixa de investimento verifica-se uma
variação negativa de 132,1 milhões de Euros em resultado, entre outros, pagamento de pré-delivery
payments, pagamentos de redelivery e de gastos com grandes manutenções (Nota 4). No que respeita
aos fluxos de caixa de financiamento, a variação negativa de 853,2 milhões de Euros, deve-se,
essencialmente à redução do montante de aumentos de capital realizados por parte do Estado Português
em 2022 face a 2021 (ver Nota Introdutória).
1.1.3 Impacto nas principais estimativas (decorrente da pandemia COVID-19 e da aprovação do
Plano de Reestruturação do Grupo TAP pela Comissão Europeia)
O impacto da pandemia COVID-19 e da aprovação do Plano de Reestruturação do Grupo TAP pela
Comissão Europeia em dezembro de 2022 nas principais estimativas do Conselho de Administração,
apresenta-se abaixo detalhadamente.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
20


É entendimento do Conselho de Administração da Empresa que a melhor estimativa, à data de 31 de
dezembro de 2022, encontra-se refletida nas projeções incluídas no Plano de Reestruturação Aprovado,
as quais foram aprovadas pelo Conselho de Administração da TAP SGPS e da TAP S.A. em 26 de maio
de 2021, atualizadas pelo Conselho de Administração em 3 de novembro de 2021 e submetidas à
Comissão Europeia, para os exercícios de 2026 e 2027.
Estas estimativas deverão ser contextualizadas no âmbito do Plano de Restruturação do Grupo TAP
aprovado pela Comissão Europeia em 21 de dezembro de 2021, o qual estabelece todos os pressupostos
de receitas e custos incluindo os de rede e frota. Caso a realidade divirja significativamente deste plano
nomeadamente ao nível da frota, serviço e vendas, ou caso o Grupo não implemente de forma bem-
sucedida o seu atual plano de frota e rotas e de eficiências de custos, os resultados do Grupo podem ser
negativamente impactados no futuro, o que pode gerar alterações significativas nas estimativas a utilizar
no futuro.
Relativamente ao ano de 2022, importa salientar que se verificou um desvio bastante positivo entre a
performance real operacional e a estimada no Plano de Reestruturação Aprovado.
Provisão para reestruturação (Nota 18)
No âmbito do Plano de Reestruturação em curso, foram definidas medidas de reestruturação
organizacional e eficiência operacional, entre as quais uma redução do número de colaboradores, de forma
a garantir a sustentabilidade financeira e económica do Grupo.
Na sequência do processo de reestruturação de colaboradores embutido no Plano de Reestruturação
aprovado pelo Conselho de Administração, em 2 dezembro de 2020, e das subsequentes comunicações
efetuadas pela Administração aos seus colaboradores, foi iniciado um processo de adesão a medidas
voluntárias que contemplaram, rescisões por mútuo acordo, reformas antecipadas, pré-reformas, trabalho
a tempo parcial e licenças sem vencimento e candidaturas à Portugália.
Durante o mês de junho de 2021, com a adesão às medidas voluntarias disponibilizadas, o
redimensionamento do número de colaboradores passou de 2.000 trabalhadores, previstos, para 124
trabalhadores, representando uma redução de cerca de 94%. Estes trabalhadores estão divididos pelos
seguintes grupos profissionais:
✈ 35 pilotos
✈ 28 tripulantes de cabina
✈ 38 trabalhadores da ME Portugal
✈ 23 trabalhadores da Sede




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
21


No segundo semestre de 2021, a TAP S.A. permitiu a alguns dos colaboradores a integração em outras
medidas de rescisão voluntárias. Assim, dos 124 colaboradores, verificou-se que:
✈ 40 aderiram às rescisões por mútuo acordo
✈ 12 foram transferidos para a Portugália com rescisão de mútuo acordo de 50%
✈ 10 não integraram qualquer medida, nem foram considerados para despedimento (esta situação
foi possível tendo em conta as necessidades da Empresa)
Ou seja, dos 124 colaboradores, ficaram em situação de despedimento coletivo 62 colaboradores,
decompostos da seguinte forma:
✈ 20 pilotos
✈ 16 tripulantes de cabina
✈ 14 trabalhadores da ME Portugal
✈ 12 trabalhadores da Sede
Consequentemente, à data de 31 de dezembro de 2022, e tendo em consideração os pagamentos já
efetuados, o Grupo reviu a provisão relativa a gastos a suportar com a reestruturação, a ser concluída em
2023, para o montante de cerca de 15,1 milhões de Euros, o qual refere-se à estimativa de processos a
concluir e a pagamentos futuros já acordados.
Outras provisões (Nota 18)
O Grupo mantém registadas provisões para diversas contingências, procedendo a Administração à
avaliação regular dos critérios usados na mensuração das mesmas.
Em 31 de dezembro de 2021, o Grupo constituiu uma provisão no montante de 140,3 milhões de Euros,
correspondente à estimativa de encargos adicionais que a TAP S.A. previa vir a suportar relacionados com
a reorganização societária em curso.
Na sequência do Plano de Reestruturação Aprovado, o Conselho de Administração da TAP SGPS aprovou
em 29 de dezembro de 2021 o encerramento das operações da sua subsidiária TAP ME Brasil com vista
à sua liquidação. Nessa mesma data, e tendo igualmente em consideração o previsto no Plano de
Reestruturação Aprovado, a TAP S.A. assumiu a responsabilidade de financiar a TAP SGPS para fazer
face às contingências e responsabilidades que pudessem resultar do processo de liquidação,
nomeadamente, as que resultassem de processos judiciais, reestruturação e impostos. Durante o exercício
findo em 31 de dezembro de 2022, foram efetuados pagamentos no montante de 26,7 milhões de Euros
a reduzir à provisão, tendo o valor remanescente anteriormente provisionado sido revertido, decorrente de
alterações de estimativas ocorridas no exercício de 2022, no âmbito das operações de liquidação da TAP
ME Brasil, e da revogação da assunção de responsabilidade por parte da TAP S.A. sobre a evolução das




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
22


operações de liquidação da TAP ME Brasil, considerando a alteração substancial quanto à forma de
reestruturação societária em curso do Grupo TAP, prevista à presente data, com impacto na posição
financeira da TAP SGPS (Nota 31).
Perdas por imparidade de ativos correntes (Notas 10, 11 e 28)
O Grupo mantém registados ajustamentos para perdas por imparidade de alguns ativos correntes,
procedendo a Administração à avaliação regular dos critérios usados na mensuração das mesmas.
Em resultado da aprovação por parte da Comissão Europeia em 21 de dezembro de 2021 do Plano de
Reestruturação e da alteração acionista ocorrida na TAP S.A. em 2021, foi identificada pela Administração
a necessidade de registar perdas por imparidade em determinados saldos. Em 31 de dezembro de 2022
o Grupo tinha registado perdas por imparidade acumuladas (i) do saldo do empréstimo concedido à TAP
SGPS, no montante de 993 milhões de Euros (884,7 milhões de Euros em 31 de dezembro de 2021), (ii)
de contas a receber da SPdH – Serviços Portugueses de Handling, S.A. no montante de 10,7 milhões de
Euros (10,7 milhões de Euros em 31 de dezembro de 2021) atendendo à situação de insolvência em que
a mesma se encontra, (iii) de outras contas a receber no montante de 82,4 milhões de Euros (78,7 milhões
de Euros em 31 de dezembro de 2021) (Nota 10), bem como (iv) dos saldos a receber da TAP ME Brasil
no montante de 30,4 milhões de Euros (17,1 milhões de Euros em clientes e 13,3 milhões de Euros em
outros devedores) (25,7 milhões de Euros em 31 de dezembro de 2021) decorrente do processo de
liquidação em curso na subsidiária brasileira da TAP SGPS (Nota 10).
Perdas por imparidade de ativos não correntes – frota aérea (Nota 4)
Em 31 de dezembro de 2022, o total de ativos consolidados, não corrente, relacionados com a frota aérea,
sujeitos a testes de imparidade nos termos da IAS 36, sempre que existam indícios de imparidade, ascende
a 2.988 milhões de Euros.
A declaração de pandemia pela Organização Mundial de Saúde resultou num conjunto de limitações à
mobilidade das populações, a que se acresceram os efeitos económicos e sociais da própria pandemia,
resultando numa forte diminuição das atividades desenvolvidas pelo Grupo, entendendo a Administração
que existe a necessidade de realizar os respetivos testes de imparidade dos ativos não correntes
relacionados com a frota aérea, à semelhança do efetuado em 31 de dezembro de 2021.
O valor recuperável dos referidos ativos é apurado tendo como base modelos de fluxos de caixa
descontados, o qual requer a utilização de estimativas e pressupostos por parte do Conselho de
Administração, que dependem de projeções económicas e de mercado, nomeadamente no que se refere
aos cash-flows associados à atividade operacional do Grupo, taxas de câmbio, taxas de crescimento na
perpetuidade e taxas de desconto a utilizar no respetivo modelo.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
23


Consequentemente, e tendo em consideração o Plano de Reestruturação Aprovado e a aprovação das
projeções financeiras para os anos de 2022 a 2027 pelo Conselho de Administração da TAP SGPS e da
TAP S.A. em 3 de novembro de 2021, contendo um conjunto de pressupostos de médio e longo prazo
relacionados com a evolução da frota aérea e nível de atividade e performance operacional, que
enquadram a conjuntura atual e seus impactos na atividade do transporte aéreo, o mesmo esteve na base
da análise da recuperabilidade dos ativos fixos tangíveis e intangíveis do transporte aéreo efetuada pela
Administração do Grupo em 31 de dezembro de 2022, não obstante o desvio positivo entre o real e o
previsto no Plano de Reestruturação Aprovado.
É entendimento do Conselho de Administração do Grupo que a melhor estimativa, à data de 31 de
dezembro de 2022, encontra-se refletida nas projeções embutidas no teste de imparidade realizado.
Importa referir que eventuais variações desfavoráveis nos próximos exercícios entre os fluxos de caixa
reais e os estimados no Plano de Reestruturação Aprovado podem originar impactos relevantes no cálculo
do valor recuperável dos referidos ativos e afetar consequentemente, de forma significativa, a posição
financeira e económica do Grupo.
Impostos Diferidos (Nota 9)
O Grupo reconhece os impostos diferidos nos termos da IAS 12, procedendo ao registo de ativos por
impostos diferidos sobre prejuízos fiscais sempre que seja possível aferir sobre a sua recuperabilidade
nos termos legais.
Em resultado da pandemia COVID-19, em junho de 2020 foram aprovadas um conjunto de alterações à
legislação fiscal no âmbito do Plano de Estabilização Económica e Social, nomeadamente no que respeita
ao prazo de caducidade e percentagem de dedução dos prejuízos fiscais gerados em 2020 e 2021, bem
como o aumento do prazo de caducidade para mais 2 anos referentes aos prejuízos fiscais gerados antes
de 2020.
Na sequência da alteração da estrutura acionista da TAP S.A. em maio de 2021 que determinou a saída
da TAP S.A. do Regime Especial de Tributação de Grupos de Sociedades (“RETGS”) da TAP SGPS, os
prejuízos fiscais apurados em 2018, 2019 e 2020 deixam de ser passiveis de dedução na esfera da TAP
S.A., tendo sido desreconhecidos ativos por impostos diferidos por prejuízos fiscais relativos aos anos de
2018 e 2019 no montante de 56,6 milhões de Euros, no exercício findo em 31 de dezembro de 2021.
O Orçamento de Estado aprovado para 2023, coloca fim à limitação temporal para reporte de prejuízos
fiscais e reduz o limite anual da dedução ao lucro tributável de 70% para 65%, aplicando-se estas
alterações à dedução de prejuízos aos lucros tributáveis dos períodos de tributação que se iniciem em ou
após 1 de janeiro de 2023, bem como aos prejuízos fiscais apurados em períodos de tributação anteriores




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
24



a 1 de janeiro de 2023, cujo período de dedução ainda se encontre em curso. O incremento da
percentagem de dedução dos prejuízos fiscais gerados em 2020 e 2021 mantém-se.
Tendo por base o Plano de Reestruturação Aprovado, em 31 de dezembro de 2022, o Grupo tem
registados ativos por impostos diferidos sobre prejuízos fiscais reportados referentes aos exercícios de
2015, 2021 e 2022, correspondentes a impostos diferidos no montante de 160,2 milhões de Euros, e para
os quais existe, por parte do Grupo, uma perspetiva de recuperação do referido montante, tendo em
consideração as projeções dos lucros tributáveis futuros a gerar resultados fiscais no período 2023 – 2025,
conforme incluído no Plano de Reestruturação Aprovado e nas projeções de lucros fiscais aprovadas pelo
Conselho de Administração Grupo TAP na análise de sensibilidade apresentada à Comissão Europeia em
novembro de 2021 para o período 2026 – 2027, tendo sido efetuada uma linearização dos resultados
fiscais para os períodos remanescentes.
Considerando os pressupostos referidos, é expetável a recuperação dos ativos por impostos diferidos
registados em 31 de dezembro de 2022 num período entre 11 a 13 anos, atendendo a diferentes cenários
de sensibilidade.
Para efeitos de análise de recuperabilidade dos impostos diferidos, foi aplicado um haircut/fator de prémio
de risco crescente decorrente do horizonte temporal (7,36%/ano).
Importa salientar que eventuais desvios futuros desfavoráveis entre os resultados reais e os estimados no
Plano de Reestruturação Aprovado podem alterar significativamente o valor do registo dos impostos
diferidos ativos do Grupo.

1.1.4 Continuidade das operações
A Administração do Grupo entende que a preparação das demonstrações financeiras consolidadas do
Grupo TAP S.A. em 31 de dezembro de 2022 deve ser realizada com base no princípio da continuidade,
tendo por base o Plano de Reestruturação Aprovado (Nota introdutória) o qual perspetiva um crescimento
gradual da atividade, conjugada com uma estratégia de redução de frota, de custos operacionais e de
investimento, tendo sido obtidos no exercício findo em 31 de dezembro de 2022 resultados operacionais
e líquidos positivos superiores aos estimados no Plano de Reestruturação Aprovado.
Adicionalmente, em 31 de dezembro de 2022 o Grupo TAP S.A. apresenta um valor de disponibilidades
de 916 milhões de Euros decorrente das medidas aprovadas de auxílio de Estado e dos fluxos de caixa
operacionais positivos do ano de 2022 no montante de 773,8 milhões de Euros, tendo sido ainda, no
âmbito do Plano de Reestruturação Aprovado, subscrito e não realizado um aumento de capital por parte
do acionista único no montante de 686 milhões de Euros, cuja realização em duas tranches encontra-se
prevista para 2023 e 2024 (Nota Introdutória).




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
25



Tendo em consideração o referido acima, é convicção do Conselho de Administração que a continuidade
das operações e liquidez do Grupo se encontram asseguradas, tendo por base o financiamento das
necessidades de tesouraria estimadas, a esta data, para o prazo de doze meses.



2 Resumo das principais políticas contabilísticas
As principais políticas contabilísticas aplicadas na elaboração destas demonstrações financeiras estão
descritas abaixo.

2.1. Base de Preparação
As demonstrações financeiras agora apresentadas reportam-se ao exercício findo em 31 de dezembro de
2022, tendo sido preparadas em conformidade com as Normas Internacionais de Relato Financeiro
adotadas pela União Europeia (“IFRS” – anteriormente designadas Normas Internacionais de
Contabilidade – “IAS”) emitidas pelo International Accounting Standards Board (“IASB”) e com as
interpretações emitidas pelo International Financial Reporting Interpretations Committee (“IFRIC”) ou pelo
anterior Standing Interpretations Committee (“SIC”), em vigor a 1 de janeiro de 2022. De ora em diante, o
conjunto daquelas normas e interpretações serão designados genericamente por “IFRS”.

As demonstrações financeiras consolidadas anexas foram preparadas no pressuposto da continuidade
das operações (Nota 1.1.4), a partir dos livros e registos contabilísticos do Grupo, e tomando por base o
custo histórico, exceto quanto aos instrumentos financeiros derivados e propriedades de investimento, que
se encontram registados ao justo valor.
Na preparação das demonstrações financeiras, em conformidade com as IFRS, o Conselho de
Administração recorreu ao uso de estimativas, pressupostos e julgamentos críticos com impacto no valor
de ativos e passivos e no reconhecimento de rendimentos e gastos de cada período de reporte. Apesar
de estas estimativas terem por base a melhor informação disponível à data da preparação das
demonstrações financeiras, os resultados atuais e futuros podem diferir destas estimativas. As principais
asserções que envolvem um maior nível de julgamento ou complexidade, ou os pressupostos e estimativas
mais significativas para a preparação das referidas demonstrações financeiras, estão divulgados na
Nota 2.33.
Os valores apresentados, salvo indicação em contrário, são expressos em Euros.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
26



Novas normas, alterações às normas e interpretações mandatárias a 31 de dezembro de 2022
As novas normas, interpretações e alterações a normas existentes identificadas abaixo, que se tornaram
efetivas em 1 de janeiro de 2022, detalham-se como segue:
Descrição
Alteração
Data efetiva
1. Novas normas, alterações às normas efetivas a 1 de janeiro de 2022
●
IFRS 16 –
Bonificações de
Extensão do período de aplicação da isenção na
1 de abril de
rendas relacionadas com
contabilização das bonificações atribuídas pelos
2021
o COVID-
19 após 30 de
locadores relacionadas com a COVID-19, como
junho de 2021
modificações, até 30 de junho de 2022
●
IAS 16 – Rendimentos
Proibição da dedução do rendimento obtido com a venda
1 de janeiro de
obtidos antes da entrada
de itens produzidos durante a fase de testes, ao custo de
2022
em funcionamento
aquisição dos ativos tangíveis
●
IAS 37 – Contratos
Clarificação sobre a natureza dos gastos a considerar
1 de janeiro de
onerosos – custos de
para determinar se um contrato se tornou oneroso
2022
cumprir com um contrato
●
IFRS 3 –
Referências à
Atualização às referências para a Estrutura Conceptual e
1 de janeiro de
Estrutura conceptual
clarificação sobre o registo de provisões e passivos
2022
contingentes no âmbito de uma concentração de
atividades empresariais
●
Ciclo de
Melhorias 2018 –
Alterações específicas e pontuais à IFRS 1, IFRS 9, IFRS
1 de janeiro de
2020
16 e IAS 41
2022
2. Normas (novas e alterações) que se tornam efetivas, em ou após 1 de janeiro de 2023, já
endossadas pela U
E
●
IAS 1 – Divulgação de
Requisito de divulgação de políticas contabilísticas
1 de janeiro de
políticas contabilísticas
“materiais”, em detrimento de políticas contabilísticas
2023
“significativas”
●
IAS 8 – Divulgação de
Definição de estimativa contabilística. Clarificação quanto
1 de janeiro de
estimativas contabilísticas
à distinção entre alterações de políticas contabilísticas e
2023
alterações de estimativas contabilísticas





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
27



Descrição
Alteração
Data efetiva
●
IFRS 17 –
Contratos de
Nova contabilização para os contratos de seguro,
1 de janeiro de
Seguro
contratos de resseguro e contratos de investimento com
2023
características de participação discricionária nos
resultados, em termos de agregação, reconhecimento,
mensuração, apresentação e divulgação
●
IAS 12 –
Imposto diferido
Exigência de reconhecimento de imposto diferido sobre o
1 de janeiro de
relacionado
com ativos e
registo de ativos sob direito de uso/ passivo da locação e
2023
passivos associados a
provisões para desmantelamento / ativo relacionado,
uma única transação
quando o seu reconhecimento inicia
l dê lugar a valores
iguais de diferenças temporárias tributáveis e diferenças
temporárias dedutíveis, por não serem relevantes para
efeitos fiscais
●
IFRS 17 –
Aplicação inicial
Esta alteração permite evitar desfasamentos
1 de janeiro de
da IFRS 17 e IFRS 9 –
contabilísticos temporários entre ativos financeiros e
2023
Informação Comparativa
passivos de contratos de seguro na informação
comparativa apresentada, na aplicação da IFRS 17 pela
primeira vez. Esta alteração permite a aplicação de um
“overla
y” na classificação de um ativo financeiro para o
qual a entidade não atualize as informações
comparativas do IFRS 9.
3. Normas (novas e alterações) que se tornam efetivas, após 1 de janeiro de 2023, ainda não
endossadas pela U
E
●
IAS 1 – Passivos não
Classificação de um passivo como corrente ou não
1 de janeiro de
correntes com “covenants”
corrente, em função do direito que uma entidade tem de
2024
diferir o seu pagamento para além de 12 meses, após a
data de relato, quando sujeito a “covenants”.
●
IAS 16 - Passivos de
Requisitos de contabilização de transações de venda e
1 de janeiro de
locação em transações de
relocação após a data da transação, quando alguns ou
2024
venda e relocação
todos os pagamentos da locação são variáveis
As novas normas e alterações às normas referidas no ponto 1 acima, que entraram em vigor em 1 de
janeiro de 2022, não impactaram as demonstrações financeiras do Grupo do exercício findo em 31 de
dezembro de 2022. Relativamente às novas normas e alterações referidas no ponto 2 e 3, não se estima
que venham a ter impactos significativos nas demonstrações financeiras do Grupo.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
28




2.2. Comparabilidade das demonstrações financeiras
As demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2022, apresentadas para efeitos comparativos, são
totalmente comparáveis.






2.3. Perímetro de consolidação
Subsidiárias
Subsidiárias são as entidades sobre as quais o Grupo exerce controlo.
O Conselho de Administração considera que existe controlo sobre uma entidade quando o Grupo está
exposto e / ou tem o direito, como resultado de seu envolvimento, ao retorno das atividades da entidade e
tem capacidade para afetar esse retorno através do controlo existente, sobre essa entidade,
nomeadamente quando detém, direta ou indiretamente, mais da metade dos direitos de voto.
A existência e o efeito de possíveis direitos a voto atualmente exercíveis ou convertíveis são levados em
consideração quando o Grupo avalia se possui controlo sobre outra entidade.
A participação de terceiros no capital próprio e no resultado líquido daquelas empresas é apresentada,
separadamente, na demonstração consolidada da posição financeira e na demonstração consolidada dos
resultados, respetivamente, na rubrica de “Interesse que não controlam”.


As entidades incluídas no perímetro de consolidação são detalhadas abaixo:
Nome
Sede Objeto % Participação
TAP Logistics Solutions, S.A. Lisboa
Serviços postais e transporte de documentos, cargas e outros
bens.
100%


Os custos diretamente associados com aquisições (serviços de consultoria, aconselhamento legal, gastos
administrativos, entre outros) são contabilizados, nas demonstrações financeiras consolidadas do Grupo,
como gastos do exercício em que a aquisição teve lugar, reconhecidos na demonstração consolidada dos
resultados.
Os ativos identificáveis adquiridos, os passivos e os passivos contingentes assumidos numa concentração
empresarial são mensurados inicialmente ao justo valor na data de aquisição, independentemente da
existência de interesses não controlados. O excesso do custo de aquisição relativamente ao justo valor da
parcela do Grupo, dos ativos e passivos identificáveis adquiridos, é registado como goodwill.







Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
29







Os investimentos em subsidiárias onde o Grupo tem controlo são consolidados integralmente a partir da
data em que o Grupo assume o controlo de suas atividades financeiras e operacionais até ao momento
em que o controle deixa de existir.
Se o custo de aquisição for inferior ao justo valor dos ativos líquidos da subsidiária adquirida (goodwill
negativo), a diferença é reconhecida diretamente na demonstração consolidada dos resultados.
As transações internas, saldos, ganhos não realizados em transações e dividendos distribuídos entre
empresas do Grupo são eliminados. As perdas não realizadas são também eliminadas, exceto se a
transação revelar evidência de imparidade de um ativo transferido.
Quando, à data da aquisição do controlo, o Grupo já detém uma participação previamente adquirida, o
justo valor dessa participação concorre para a determinação do goodwill ou goodwill negativo.
Quando a aquisição do controlo é efetuada em percentagem inferior a 100%, na aplicação do método da
compra, os interesses que não controlam podem ser mensurados ao justo valor ou na proporção do justo
valor dos ativos e passivos adquiridos, sendo essa opção definida em cada transação.
Transações subsequentes de alienação ou de aquisição de participações a interesse que não controlam,
que não implicam alteração do controlo, não resultam no reconhecimento de ganhos, perdas ou goodwill,
sendo qualquer diferença apurada entre o valor da transação e o valor contabilístico da participação
transacionada reconhecida no capital próprio.

O capital próprio e o resultado líquido, correspondente à participação de terceiros nas empresas
subsidiárias, são apresentados separadamente na demonstração consolidada da posição financeira e na
demonstração consolidada dos resultados, respetivamente, na rubrica de interesse que não controlam. Os
prejuízos e ganhos aplicáveis aos interesses que não controlam são imputados aos mesmos.
Qualquer montante contingente a ser transferido pelo Grupo é reconhecido ao justo valor à data da
aquisição. As eventuais remensurações subsequentes não afetam os saldos de goodwill, exceto se
efetuadas até 12 meses após a data de aquisição.
As políticas contabilísticas das subsidiárias foram alteradas, sempre que necessário, de forma a garantir
consistência com as políticas adotadas pelo Grupo.




2.4. Relato por segmentos
Tal como preconizado na IFRS 8, o Grupo apresenta os segmentos operacionais baseados na informação
de gestão produzida internamente. De facto, os segmentos operacionais são reportados de forma
consistente com o modelo interno de informação de gestão, providenciado ao principal responsável pela




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
30



tomada de decisões operacionais do Grupo, o qual é responsável pela alocação de recursos ao segmento
e pela avaliação do seu desempenho, assim como pela tomada de decisões estratégicas. O Grupo não
apresenta ativos e passivos segmentais tendo em consideração que esta informação não é apresentada
ao principal responsável pela tomada de decisões operacionais.
Foram identificados dois segmentos operacionais: transporte aéreo e manutenção e engenharia. As
atividades agregadas em “Outros” não qualificam para relatar separadamente.
As políticas contabilísticas do relato por segmentos são utilizadas de forma consistente no Grupo. Todos
os réditos inter-segmentais são valorizados a preços de mercado e eliminados na consolidação. A
informação relativa aos segmentos identificados encontra-se apresentada na Nota 24.


2.5. Conversão cambial
Moeda funcional e de apresentação
Os elementos incluídos nas demonstrações financeiras de cada uma das entidades do Grupo são
mensurados utilizando a moeda do ambiente económico em que a entidade opera (moeda funcional). As
demonstrações financeiras consolidadas são apresentadas em Euros, sendo o Euro a moeda funcional da
TAP S.A. e de apresentação do Grupo.

Saldos e transações expressos em moeda estrangeira
As transações em moedas diferentes do Euro são convertidas na moeda funcional utilizando as taxas de
câmbio à data das transações. Os ganhos ou perdas cambiais resultantes do pagamento/recebimento das
transações, bem como da conversão, pela taxa de câmbio, à data de relato, dos ativos e dos passivos
monetários denominados em moeda estrangeira, são reconhecidos na demonstração consolidada dos
resultados, na rubrica de diferenças financeiras de câmbio líquidas.
As taxas de câmbio utilizadas na conversão das demonstrações financeiras consolidadas expressas em
uma moeda diferente do Euro ou na atualização dos saldos expressos em moeda estrangeira, em 31 de
dezembro de 2022 e 2021, foram as seguintes:
Taxas médias
Moeda
2022 2021 2022 2021
USD 1,067 1,133 1,065 1,182
CHF 0,985 1,033 1,014 1,080
GBP 0,887 0,840 0,848 0,858
BRL 5,639 6,310 5,498 6,379
AOA 537,566 635,751 505,653 722,254




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
31



2.6. Ativos fixos tangíveis
Os ativos fixos tangíveis, nomeadamente edifícios e terrenos, adquiridos até 1 de janeiro de 2004 (data de
transição para IFRS), encontram-se registados ao custo de aquisição, ou custo de aquisição reavaliado de
acordo com os princípios contabilísticos geralmente aceites em Portugal até àquela data, deduzido das
depreciações e das perdas por imparidade acumuladas.
Adicionalmente, à data da transição, a TAP S.A. aplicou a exceção prevista na IFRS 1 – Primeira Aplicação
das Normas Internacionais de Relato Financeiro, pela qual se poderá considerar como custo considerado
(deemed cost) o justo valor de algumas categorias de bens, reportado à data de transição (1 de janeiro de
2004).
Assim, com efeitos a 1 de janeiro de 2004, os bens pertencentes à categoria de edifícios da TAP S.A.,
foram revalorizados para o correspondente justo valor a essa data. O justo valor desses itens, do ativo fixo
tangível, foi determinado por um estudo de avaliação patrimonial efetuado por uma entidade especializada
independente, a qual procedeu, igualmente, à determinação do período de vida útil remanescente desses
bens, à data de transição.
Os ativos fixos tangíveis, adquiridos posteriormente à data de transição, são apresentados ao custo de
aquisição deduzido de depreciações e perdas por imparidade. O custo de aquisição inclui todos os
dispêndios diretamente atribuíveis à aquisição dos bens.
Os custos subsequentes, nomeadamente com renovações de frota e manutenção estrutural, são incluídos
no custo de aquisição do bem sempre que é provável que benefícios económicos futuros fluirão para o
Grupo. Os demais encargos com manutenção corrente são reconhecidos como um gasto do período em
que são incorridos.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
32






As depreciações são calculadas sobre o custo de aquisição, sendo utilizado o método das quotas
constantes por duodécimos, utilizando-se as taxas que melhor refletem a sua vida útil estimada, como
segue:
Anos de
vida útil
Valor
residual
Edifícios e outras construções 20-50 -
Equipamento básico:
Equipamento de voo:
Frota aérea 20 0-5%
Frota aérea em regime de locação com opção de compra 20 0-5%
Reatores de reserva e sobressalentes 20 5%
Reatores de reserva em regime de locação com opção de compra 20 5%
Outro equipamento básico 7-20 0-5%
Equipamento de transporte 4-10 -
Ferramentas e utensílios 8-20 0-5%
Equipamento administrativo 5-16 -
Outros ativos fixos tangíveis 10 -

Os valores residuais dos ativos e as respetivas vidas úteis são revistos e ajustados prospectivamente, se
necessário, na data de relato (Nota 4). Se a quantia escriturada é superior ao valor recuperável do ativo,
procede-se ao seu reajustamento para o valor recuperável estimado mediante o registo de perdas por
imparidade (Nota 2.9).
Os ganhos ou perdas, provenientes do abate ou alienação, são determinados pela diferença entre os
recebimentos das alienações deduzidos dos custos de transação e a quantia escriturada dos ativos, e são
reconhecidos na demonstração consolidada dos resultados, como outros rendimentos ou outros gastos
operacionais.
Relativamente ao direito de uso consultar a Nota 2.24.

2.7. Propriedades de investimento
As propriedades de investimento são imóveis (terrenos, edifícios ou partes de edifícios) detidos com o
objetivo de valorização do capital, obtenção de rendas, ou ambas. As propriedades de investimento foram
valorizadas ao justo valor na data da transição para as IFRS, sendo valorizadas subsequentemente de
acordo com o modelo do justo valor, o qual é aplicado a todos os ativos classificados como propriedades
de investimento.
O justo valor das propriedades de investimento é determinado com base em avaliações efetuadas por
avaliadores externos tendo em consideração as condições da sua utilização ou o melhor uso, consoante
se encontre arrendado ou não.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
33





2.8. Ativos intangíveis
A rubrica Ativos intangíveis, inclui, essencialmente, software de suporte à atividade, registado ao custo de
aquisição deduzido de amortizações e perdas por imparidade, pelo método das quotas constantes, durante
um período que varia entre 3 e 10 anos.
Os valores capitalizados como “Programas de computadores” referem-se aos valores pagos a entidades
externas para o desenvolvimento e parametrização de sistemas de informação de apoio à atividade, não
incluindo a capitalização de custos internos.




2.9. Imparidade em ativos não financeiros
Os ativos não financeiros, que não têm uma vida útil definida, não estão sujeitos a depreciação ou
amortização, mas são objeto de testes de imparidade anuais. Os ativos sujeitos a amortização/depreciação
são revistos quanto à imparidade sempre que eventos ou alterações nas circunstâncias indicarem que o
valor pelo qual se encontram escriturados possa não ser recuperável.
Sempre que o valor recuperável determinado é inferior ao valor contabilístico dos ativos, o Grupo regista
a respetiva perda por imparidade.
Uma perda por imparidade é reconhecida pelo montante do excesso da quantia escriturada do ativo face
ao seu valor recuperável. A quantia recuperável é a mais alta de entre o justo valor de um ativo, deduzido
dos gastos para venda, e o seu valor de uso.
Para a realização de testes de imparidade, os ativos são agrupados ao mais baixo nível no qual se possam
identificar separadamente fluxos de caixa (unidades geradoras de fluxos de caixa a que pertence o ativo),
quando não seja possível fazê-lo, individualmente, para cada ativo.
A reversão de perdas por imparidade, reconhecidas em exercícios anteriores, é registada quando se
conclui que as perdas por imparidade reconhecidas já não existem ou diminuíram.
A reversão das perdas por imparidade é reconhecida na demonstração consolidada dos resultados na
rubrica “Depreciações, amortizações e perdas por imparidade”. Contudo, a reversão da perda por
imparidade é efetuada, até ao limite da quantia que estaria reconhecida (líquida de amortização ou
depreciação), caso a perda por imparidade não tivesse sido registada em exercícios anteriores.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
34




2.10. Ativos financeiros
Classificação
O Grupo classifica os seus ativos financeiros de acordo com as suas características e o modelo de negócio
que tem definido para gerir o recebimento dos cash flows contratuais. A classificação é determinada no
momento de reconhecimento inicial dos ativos financeiros.
Os ativos e os passivos financeiros são compensados, sendo os seus valores reportados pelo líquido na
demonstração consolidada da posição financeira, apenas quando: i) existe um direito legalmente exercível
e não oponível para compensar os referidos valores e ii) quando existe uma intenção para liquidar numa
base líquida, ou quando o ativo seja realizado simultaneamente com a liquidação do passivo. O direito
legal de compensar existe quando seja exercível a todo o momento, no decurso normal da atividade, não
sendo contingente à ocorrência de eventos futuros ou de casos de default, insolvência ou falência da
entidade.

Todas as aquisições e alienações destes investimentos são reconhecidas na data da assinatura dos
respetivos contratos de compra e venda, independentemente da data de liquidação financeira.
✈ Instrumentos de dívida
Um ativo financeiro é mensurado ao custo amortizado se (i) é detido para recebimento dos fluxos de caixa
contratuais; e (ii) os fluxos de caixa contratuais subjacentes representam apenas o pagamento de capital
e juros. Os ativos enquadráveis nesta categoria são inicialmente reconhecidos ao seu justo valor e
subsequentemente mensurados ao seu custo amortizado.
Um ativo financeiro é mensurado ao justo valor através de outro rendimento integral se (i) o objetivo
inerente ao modelo de negócio utilizado é alcançado, quer pelo recebimento dos fluxos de caixa
contratuais, quer pela venda dos ativos financeiros; e (ii) os fluxos de caixa contratuais subjacentes
representam apenas pagamento de capital e juros. Os ativos enquadráveis nesta categoria são inicial e
subsequentemente mensurados ao seu justo valor, sendo as alterações de justo valor registadas em outro
rendimento integral, exceto no que respeita ao reconhecimento de perdas por imparidade, juros e ganhos
ou perdas cambiais, valores que são registados diretamente na demonstração consolidada dos resultados.
Quando o ativo financeiro é desreconhecido, o ganho ou perda acumulado em outro rendimento integral é
reclassificado para resultado do período.
Os ativos financeiros que não reúnam as características para enquadramento nas situações referidas
anteriormente são classificados e mensurados ao justo valor através de resultados, categoria residual nos
termos da IFRS 9.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
35




✈ Instrumentos de capital próprio
Os instrumentos de capital próprio são sempre mensurados ao justo valor. Os instrumentos de capital
próprio detidos para negociação são mensurados ao justo valor por resultados. Para todos os restantes
instrumentos de capital próprio, o Grupo pode optar, instrumento a instrumento, por, no reconhecimento
inicial, apresentar as variações do seu justo valor em outro rendimento integral.
Quando o Grupo exerce opção, todas as variações de justo valor, com exceção de dividendos que
configuram retorno do investimento efetuado, são reconhecidos em outro rendimento integral. Neste caso,
na data do desreconhecimento do ativo, o ganho ou perda acumulado não é reconhecido em resultado do
período sendo, nessa altura, transferido para resultados transitados.



Imparidade de ativos financeiros
A IFRS 9 estabelece um modelo de imparidade baseado em “perdas esperadas”, de acordo com o qual a
estimativa de imparidade é avaliada desde o reconhecimento inicial, tendo em conta a avaliação do risco
de crédito.

✈ Outras contas a receber
O Grupo utiliza a abordagem simplificada prevista na IFRS 9 no apuramento e reconhecimento de perdas
por imparidade em clientes e ativos de contratos com clientes. As perdas esperadas até à maturidade são
registadas, tendo por base a experiência de perdas reais ocorridas ao longo de um período que foi
considerado estatisticamente relevante e representativo das características especificas do risco de crédito
subjacente, ajustadas de informações prospetivas.
O ajustamento para perdas de imparidade é registado por contrapartida de resultados do período, na
rubrica “Imparidade de contas a receber”.
Outros ativos financeiros
O Grupo considera que todos os instrumentos de dívida mensurados ao custo amortizado têm um risco de
crédito nulo.
Caso o risco de crédito de um instrumento financeiro não tenha aumentado significativamente desde o seu
reconhecimento inicial, o Grupo reconhece uma imparidade acumulada igual à expectativa de perda que
se estima poder ocorrer nos 12 meses seguintes.
Caso o risco de crédito tenha aumentado significativamente, o Grupo reconhece uma imparidade
acumulada igual à expectativa de perda que se estima poder ocorrer até à respetiva maturidade do ativo.






Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
36







Qualquer perda por imparidade nestes ativos financeiros é reconhecida em resultado do período, na
rubrica “Imparidade de contas a receber”.


Desreconhecimento de ativos financeiros e passivos financeiros
O Grupo desreconhece os ativos financeiros quando, e apenas quando, os direitos contratuais aos fluxos
de caixa tiverem expirado ou tiverem sido transferidos, e o Grupo tiver transferido substancialmente todos
os riscos e benefícios decorrentes da propriedade do ativo.
Os passivos financeiros (ou partes de passivos financeiros) são desreconhecidos quando, e somente
quando, as obrigações especificadas nos contratos forem satisfeitas, canceladas ou expirarem. Uma
modificação substancial nos termos de um passivo financeiro existente, ou de uma parte do mesmo deve
ser contabilizada como extinção do passivo financeiro original e reconhecimento de um novo passivo
financeiro.”









2.11. Instrumentos Financeiros derivados
O Grupo utiliza derivados com o objetivo de gerir os riscos financeiros e operacionais a que se encontra
sujeito. Sempre que as expectativas de evolução de taxas de juro e do preço do jet fuel o justifiquem, o
Grupo procura contratar operações de proteção contra movimentos adversos, através de instrumentos
derivados, tais como interest rate swaps (“IRS”) e swaps de jet fuel.

Na seleção de instrumentos financeiros derivados são, essencialmente, valorizados os aspetos
económicos dos mesmos. Os instrumentos financeiros derivados são registados na demonstração
consolidada da posição financeira pelo seu justo valor.

Na medida em que sejam consideradas coberturas eficazes, as variações no justo valor das coberturas de
fluxos de caixa são, inicialmente, registadas, em outros rendimentos integrais do período a que respeitam
e posteriormente em resultados do exercício operacionais (“Combustível para aeronaves”), para os
instrumentos de jet fuel, e resultados financeiros líquidos (“Juros e rendimentos/gastos similares”) para os
instrumentos de taxa de juro, na sua data de liquidação. A parte ineficaz da cobertura é registada em
resultados operacionais ou resultados financeiros líquidos, dependo da natureza do instrumento financeiro
derivado, no momento em que ocorre.

Desta forma, e em termos líquidos, os gastos associados aos financiamentos cobertos são periodizados
à taxa inerente à operação de cobertura contratada. Os ganhos ou perdas, decorrentes da rescisão
antecipada deste tipo de instrumento, que apenas é permitida mediante determinadas circunstâncias, são
reconhecidos em resultados, quando a operação coberta também afetar resultados.









Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
37











Sempre que possível, o justo valor dos derivados é estimado com base em instrumentos cotados. Na
ausência de preços de mercado, o justo valor dos derivados é estimado através do método de fluxos de
caixa descontados e modelos de valorização de opções, de acordo com pressupostos geralmente
utilizados no mercado. O justo valor dos instrumentos financeiros derivados encontra-se incluído,
essencialmente, nas rubricas de “Outras contas a receber” e de “Outras contas a pagar”.


Contabilidade de cobertura
Os instrumentos financeiros derivados, utilizados para fins de cobertura, podem ser classificados
contabilisticamente como de cobertura desde que cumpram, cumulativamente, com as seguintes
condições:
✈ À data de início da transação a relação de cobertura encontra-se identificada e formalmente
documentada, incluindo a identificação do item coberto, do instrumento de cobertura e a avaliação
da efetividade da cobertura;
✈ Existe um alinhamento da relação de cobertura com a estratégia de gestão de risco e objetivos de
gestão;
✈ A eficácia da cobertura possa ser mensurada com fiabilidade à data de início da transação e ao
longo da vida da operação;
✈ Existe uma relação económica (50%) entre o item coberto e o instrumento de cobertura; e
✈ O risco de variação de valor não é função, maioritariamente, do risco de crédito.
A partir de 1 de janeiro de 2022, o Grupo designou numa relação de cobertura o risco cambial associado
às vendas previstas altamente prováveis cuja tarifa é determinada em USD, utilizando como instrumentos
de cobertura uma parte dos passivos de locação de aeronaves denominados em USD, de acordo com os
montantes e datas dos fluxos de caixa futuros das vendas previstas e dos passivos de locação. É esperado
que exista uma relação económica entre (i) o instrumento de cobertura, cuja exposição é ao EUR/USD,
nomeadamente pagamento de rendas em USD, e (ii) o item coberto, cuja exposição é ao EUR/USD,
nomeadamente vendas denominadas em USD. Assim, quando o item coberto variar num sentido, o
instrumento de cobertura variará no sentido oposto.




2.12. Ativos e passivos ao justo valor
As mensurações do justo valor e divulgações relacionadas são baseadas em uma hierarquia de justo valor.
A hierarquia categoriza as entradas usadas nas técnicas de avaliação em três níveis.
Os inputs de nível 1 são preços cotados em mercados ativos para ativos ou passivos idênticos, que o
Grupo pode aceder na data do balanço.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
38



Os inputs de nível 2 são inputs que não os preços de mercado cotados incluídos no nível 1, que são
observáveis para o ativo ou passivo, direta ou indiretamente.
Os inputs de nível 3 não são observáveis para o ativo ou passivo. Os inputs não observáveis são usados
para mensurar o justo valor na medida em que os inputs observáveis relevantes não estejam disponíveis,
permitindo situações em que há pouca, se houver alguma, atividade de mercado para o ativo ou passivo
na data da mensuração. Uma entidade desenvolve inputs não observáveis usando as melhores
informações disponíveis nas circunstâncias, que podem incluir os próprios dados da entidade.


2.13. Imposto sobre o rendimento
O imposto sobre o rendimento inclui imposto corrente e imposto diferido. O imposto corrente sobre o
rendimento é determinado com base nos resultados líquidos, ajustados em conformidade com a legislação
fiscal vigente à data de relato.
Os passivos por impostos diferidos são registados com base nas diferenças temporárias entre os valores
contabilísticos dos ativos e passivos e sua respetiva base tributária. Os ativos por impostos diferidos são
reconhecidos sempre que houver uma probabilidade razoável de que lucros tributáveis futuros sejam
gerados ou se houver passivos por impostos diferidos contra os quais possam ser compensados. Os ativos
por impostos diferidos são revistos periodicamente e diminuídos sempre que é provável que não serão
utilizados.
A taxa do imposto sobre o rendimento que se espera estar em vigor no período em que as diferenças
temporárias serão revertidas é usada no cálculo do imposto diferido.
O imposto diferido é registado como gasto ou rendimento do exercício, exceto se resultar de valores
registados diretamente no capital próprio, caso em que o imposto diferido também é registado na mesma
rubrica, ou seja, os valores a serem incluídos no imposto corrente e no imposto diferido, resultante de
transações e eventos reconhecidos em reservas, são registados diretamente nessas mesmas rubricas,
não afetando o lucro líquido do exercício. Deste modo, o impacto de alterações na taxa de imposto também
é reconhecido no resultado líquido, exceto quando se refere a itens reconhecidos diretamente ao capital
próprio, caso em que esse impacto também é reconhecido diretamente no capital próprio.
O registo dos impactos fiscais das transações realizadas pelo Grupo corresponde ao entendimento da
gestão sobre o tratamento fiscal aplicável à luz da legislação emitida. Nas situações em que haja lugar a
interpretação e tal venha a ser questionado pela Administração Fiscal, a gestão procede à sua reanálise,
avaliando a probabilidade (superior ou inferior ao 50%) de o tratamento fiscal adotado ser aceite, e
consequentemente determina qual o valor mais provável ou o valor esperado de ativos ou passivos por
imposto a registar.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
39






2.14. Inventários
As mercadorias e as matérias-primas, subsidiárias e de consumo encontram-se valorizadas ao mais baixo
de entre o custo de aquisição e o valor realizável líquido. O custo de aquisição inclui as despesas incorridas
até ao armazenamento, utilizando-se o custo médio ponderado como método de custeio.
Os inventários detidos referem-se, essencialmente, a peças de manutenção de motores e de componentes
de aeronaves. O material recuperado refere-se, essencialmente, a equipamentos e sobresselentes a
serem utilizados nos aviões e motores e são valorizados ao custo.

O valor realizável líquido corresponde ao preço de venda estimado deduzido dos custos estimados de
acabamento e de comercialização. A diferença entre o custo e o valor realizável líquido, se inferior, é
registada na rubrica “Imparidade de inventários”.





2.15. Clientes e outras contas a receber
Os saldos de clientes e outras contas a receber correntes são, inicialmente, contabilizados pelo valor da
contraprestação acordada, a não ser que tenham uma componente de financiamento significativa, caso
em que são contabilizados ao justo valor. O Grupo detém os saldos de clientes e outras contas a receber
correntes com o objetivo de os cobrar, sendo assim, subsequentemente mensurados ao custo amortizado,
deduzido de perdas por imparidade (Nota 10).
As perdas por imparidade são registadas tendo por base a experiência de perdas reais ao longo de um
período que foi considerado estatisticamente relevante e representativas das características específicas
do risco de crédito subjacente, ajustadas de informações prospetivas.





2.16. Caixa e seus equivalentes
A rubrica de caixa e equivalentes de caixa inclui caixa, depósitos bancários e outros investimentos de curto
prazo com maturidade inicial até 3 meses, que possam ser imediatamente mobilizáveis sem risco
significativo de flutuações de valor. Para efeitos da demonstração consolidada de fluxos de caixa esta
rubrica inclui também os descobertos bancários, os quais são apresentados na demonstração consolidada
da posição financeira, no passivo corrente, na rubrica de passivos remunerados.



2.17. Capital social
As ações ordinárias são classificadas no capital próprio (Nota 15).
Os gastos diretamente atribuíveis à emissão de novas ações ou outros instrumentos de capital próprio são
apresentados como uma dedução, líquida de impostos, ao valor recebido resultante da emissão.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
40





Os gastos diretamente imputáveis à emissão de novas ações ou opções, para a aquisição de um negócio,
são incluídos no custo de aquisição, como parte do valor da compra.



2.18. Passivos remunerados
Os passivos remunerados são, inicialmente, reconhecidos ao justo valor, líquidos dos custos de transação
incorridos sendo, subsequentemente, apresentados ao custo amortizado. Qualquer diferença entre os
recebimentos (líquidos dos custos de transação) e o valor de reembolso é reconhecida na demonstração
consolidada dos resultados ao longo do período da dívida, utilizando o método da taxa de juro efetiva.
Os passivos remunerados são classificados no passivo corrente, exceto se o Grupo possuir um direito
incondicional de diferir a liquidação do passivo por, pelo menos, 12 meses após a data da posição
financeira consolidada (Nota 19).





2.19. Encargos financeiros com empréstimos
Os encargos financeiros com empréstimos genéricos e específicos, diretamente relacionados com a
aquisição, construção (caso o período de construção ou desenvolvimento exceda um ano) ou produção
de ativos fixos que demoram um período substancial de tempo a serem concluídos, são capitalizados,
fazendo parte do custo do ativo.
A capitalização destes encargos começa após o início da preparação das atividades de construção ou
desenvolvimento do ativo e é interrompida após o início de utilização ou quando a execução do projeto em
causa se encontre suspensa ou substancialmente concluída.
Os restantes encargos financeiros são reconhecidos como gastos quando incorridos.




2.20. Provisões
São reconhecidas provisões sempre que o Grupo tenha uma obrigação legal, contratual ou construtiva,
como resultado de acontecimentos passados, seja provável que uma saída de fluxos e/ou de recursos se
torne necessária para liquidar a obrigação e possa ser efetuada uma estimativa fiável do montante da
obrigação.
As provisões para processos judiciais em curso são constituídas de acordo com as avaliações de risco
efetuadas pelo Grupo e pelos seus consultores legais, baseados em taxas de sucesso históricas, por
natureza de processo e probabilidade de desfecho desfavorável para o Grupo.
O Grupo reconhece uma provisão para custos de reestruturação quando os critérios gerais de
reconhecimento de provisões estejam cumpridos, nomeadamente quando existe um plano formal





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
41





detalhado para a reestruturação e tenha sido criada uma expectativa válida nos afetados de que levará a
efeito a reestruturação ao começar a implementar esse plano ou ao anunciar as suas principais
características aos afetados por ele. Os gastos subjacentes são reconhecidos na demonstração
consolidada dos resultados na rubrica “Reestruturação”.

Não são reconhecidas provisões para perdas operacionais futuras. As provisões são revistas na data de
relato e ajustadas de modo a refletir a melhor estimativa a essa data (Nota 18).
Os custos de restauração dos aviões executados imediatamente antes da devolução ao lessor no término
do contrato de locação (definido como redelivery para fins da IFRS 16), são reconhecidos como provisão
desde que possam ser estimados com fiabilidade. Adicionalmente, uma componente de ativo é
reconhecida, no ativo sob direito de uso, que é depreciado pelo método linear pelo prazo do arrendamento.



2.21. Benefícios pós-emprego aos colaboradores
O Grupo assumiu o compromisso de pagar, aos seus empregados, prestações pecuniárias a título de
complementos de pensões de reforma, prestações de pré-reforma, cuidados de saúde e prémios de
jubilação. O Grupo constituiu fundos de pensões autónomos como forma de financiar uma parte das suas
responsabilidades por aqueles pagamentos.
A fim de estimar as suas responsabilidades com os planos de benefícios definidos acima, o Grupo obtém,
periodicamente, cálculos atuariais das responsabilidades determinadas de acordo com o “Método da
Unidade de Crédito Projetada”.
As remensurações resultantes das diferenças entre os pressupostos utilizados para fins de cálculo das
responsabilidades e que efetivamente ocorram (bem como de alterações efetuadas nos mesmos e da
diferença entre o valor esperado do retorno sobre os ativos do fundo e o retorno real) são reconhecidas
quando incorridos diretamente na demonstração consolidada do resultado integral.
As responsabilidades, reconhecidas na rubrica “Pensões e outros benefícios pós-emprego” na
demonstração consolidada da posição financeira, representam o valor atual das obrigações com os planos
de benefícios definidos, deduzido do justo valor dos ativos dos fundos.
Os planos que apresentam um excesso de financiamento são registados como um ativo, quando há uma
autorização expressa para a sua compensação com as contribuições patronais futuras, ou se o reembolso
desse excedente financeiro é expressamente autorizado ou permitido.
Os ganhos e perdas, gerados por um corte ou uma liquidação de um plano de pensões de benefícios
definidos, são reconhecidos em resultados do exercício quando o corte ou a liquidação ocorrer. Um corte
ocorre quando se verifica uma redução material no número de empregados.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
42






Os gastos por responsabilidades passadas, que resultem da implementação de um novo plano ou
acréscimos dos benefícios atribuídos, são reconhecidos imediatamente nos resultados do Grupo. O
aumento dos gastos com serviços passados decorrente de reformas antecipadas (reformas antes do
empregado atingir a idade da reforma) ou alterações de plano é reconhecido na demonstração dos
resultados quando incorrido.
As contribuições efetuadas, no âmbito dos planos de contribuição definida, são registadas como gastos
na demonstração consolidada dos resultados na data em que as mesmas são devidas. De acordo com
estes planos, no caso do fundo não ter ativos suficientes para pagar a todos os empregados os benefícios
relacionados com os serviços prestados no ano corrente e em anos anteriores, o patrocinador não tem a
obrigação legal ou construtiva de fazer contribuições adicionais.




2.22. Outras contas a pagar
Os saldos de fornecedores e outros valores a pagar correntes são, inicialmente, registados ao justo valor
sendo, subsequentemente, mensurados ao custo amortizado (Nota 20).



2.23. Subsídios
Os subsídios estatais só são reconhecidos após existir segurança de que o Grupo cumprirá as condições
inerentes aos mesmos e que os subsídios serão recebidos.
Os subsídios à exploração, recebidos com o objetivo de compensar o Grupo por gastos incorridos, são
registados na demonstração consolidada dos resultados de forma sistemática durante os períodos em que
são reconhecidos os gastos que aqueles subsídios visam compensar.
Os subsídios ao investimento, recebidos com o objetivo de compensar o Grupo por investimentos
efetuados em ativos tangíveis/intangíveis, são incluídos na rubrica “Outras contas a pagar” e são
reconhecidos em resultados, durante a vida útil estimada do respetivo ativo subsidiado, por dedução ao
valor das depreciações/amortizações.

2.24. Locações
O Grupo avalia se um contrato é ou contém uma locação, no início do contrato. O Grupo reconhece um
ativo sob direito de uso e o correspondente passivo de locação em relação a todos os contratos de locação
em que é locatário, exceto para locações de curto prazo (definidos como locações com prazo de locação
de 12 meses ou menos) e locações de ativos de baixo valor (como tablets e computadores pessoais,
pequenos bens de mobiliário de escritório e telefones).




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
43


Para essas locações, o Grupo reconhece os pagamentos da locação como um gasto operacional de forma
linear pelo prazo da locação, a menos que outra base sistemática seja mais representativa do padrão de
tempo durante o qual os benefícios económicos dos ativos locados são gerados.
O passivo de locação é mensurado inicialmente pelo valor presente dos pagamentos não efetuados na
data de entrada em vigor de cada locação, descontados com base na taxa implícita do contrato de locação.
Se essa taxa não puder ser prontamente determinada, o Grupo utiliza a sua taxa de financiamento
incremental.
Os pagamentos de locação incluídos na mensuração do passivo de locação incluem:
✈ Pagamentos fixos da locação (incluindo pagamentos fixos em substância), deduzidos de
quaisquer incentivos a receber associados à locação;
✈ Pagamentos variáveis que dependem de um índice ou de uma taxa, mensurados inicialmente com
base no índice ou taxa na data de início do contrato;
✈ Montantes relativos a garantias de valor residual que se esperam vir a pagar;
✈ O preço de exercício de eventuais opções de compra, se o locatário considerar razoavelmente
certo o seu exercício; e
✈ Pagamentos de penalidades de cancelamento antecipado do contrato de locação, se o prazo do
contrato refletir o exercício de uma opção para rescindir antecipadamente o contrato.
O passivo de locação é apresentado em duas linhas separadas na demonstração consolidada da posição
financeira nas rubricas “Passivos de locação com opção de compra” e “Passivos de locação sem opção
de compra”.
O passivo de locação é mensurado subsequentemente com aumentos que refletem os juros vencidos
sobre o passivo e com reduções que refletem os pagamentos efetuados.
O Grupo remensura o passivo de locação (e faz um ajuste correspondente ao ativo sob direito de uso
relacionado) sempre que:
i) O prazo da locação altera ou ocorre um evento significativo ou uma mudança nas
circunstâncias, das quais resultem uma alteração na avaliação do exercício de uma opção de
compra, caso em que o passivo da locação é remensurado através do desconto dos
pagamentos da locação revistos, utilizando uma taxa de desconto revista.
ii) Os pagamentos da locação são alterados devido a alterações num índice ou numa taxa ou a
uma alteração na expetativa de pagamento de um valor residual garantido, nesses casos, o
passivo da locação é remensurado, descontando os pagamentos da locação revistos usando
uma taxa de desconto inalterada (a não ser em circunstâncias em que alteração dos




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
44




pagamentos resulte de uma alteração na taxa de juros variável, caso em que é utilizada uma
taxa de desconto revista).
Quando um contrato de locação é modificado e a modificação da locação não é contabilizada como uma
locação separada, o passivo da locação é remensurado com base no prazo modificado da locação
modificada, descontando os pagamentos da locação revistos usando uma taxa de desconto revista na
data efetiva da modificação. Decorrente das renegociações dos contratos de locação sem opção de
compra o Grupo reviu a taxa de desconto aplicável a estas locações.
Os ativos sob direito de uso compreendem a mensuração inicial do passivo correspondente, os
pagamentos efetuados antes ou no dia do início da locação, deduzidos dos incentivos recebidos, e
acrescidos de quaisquer custos diretos iniciais. São subsequentemente mensurados pelo custo, deduzido
das depreciações e perdas por imparidade acumuladas.
Sempre que o Grupo incorre na obrigação de gastos para desmantelar e remover um ativo locado,
restaurar o local em que o mesmo está localizado ou restaurar o ativo subjacente à condição exigida pelos
termos e condições da locação, é reconhecida uma provisão, mensurada de acordo com o IAS 37. Na
medida em que os gastos estejam relacionados com um ativo sob direito de uso, os gastos serão incluídos
no ativo sob direito de uso relacionado.

Os ativos sob direito de uso são depreciados pelo período mais curto entre o prazo da locação e a vida útil
do ativo subjacente. Se uma locação transferir a propriedade do ativo subjacente ou o valor do ativo sob
direito de uso reflete que o Grupo espera exercer uma opção de compra, o ativo sob direito de uso
relacionado é depreciado durante a vida útil do ativo subjacente. A depreciação inicia-se na data de início
da locação. Os ativos sob direito de uso são apresentados na demonstração consolidada da posição
financeira na rubrica “Ativos fixos tangíveis”.

O Grupo aplica a IAS 36 para determinar se um ativo sob direito de uso se encontra em imparidade e
contabiliza qualquer perda por imparidade identificada, conforme descrito na política “Ativos fixos
tangíveis”.
As locações de valor variável que não dependem de um índice ou taxa não são incluídas na mensuração
do passivo de locação e do ativo sob direito de uso. Os respetivos pagamentos são reconhecidos como
gasto no período em que ocorre o evento ou condição que determina a ocorrência desses pagamentos, e
são incluídos na rubrica “Outros gastos” (Nota 29) na demonstração consolidada dos resultados.
A IFRS 16 permite que o locatário não separe os componentes que não são de locação e contabilize
qualquer locação e componentes de não locação associadas como um único contrato. O Grupo não usou
este expediente prático. Para contratos que contenham uma componente de locação e uma ou mais
componentes adicionais de locação ou não locação, o Grupo aloca a contraprestação prevista no contrato




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
45




para cada componente de locação com base no preço, independente da componente de locação, e no
preço independente dos componentes de não locação.

2.25. Distribuição de dividendos
A distribuição de dividendos aos detentores do capital é reconhecida como um passivo nas demonstrações
financeiras do Grupo no exercício em que os dividendos são aprovados pelo acionista e até ao momento
da sua liquidação.


2.26. Rédito
A Grupo reconhece o rédito de acordo com os princípios da IFRS 15, isto é, para refletir a transferência de
bens e serviços contratados para os clientes, num montante correspondente à contraprestação que a
entidade espera receber como contrapartida da entrega desses bens ou serviços, com base num modelo
com 5 fases, nomeadamente: (i) identificação de um contrato com um cliente; (ii) identificação das
obrigações de desempenho; (iii) determinação de um preço de transação; (iv) alocação do preço de
transação a obrigações de desempenho e (v) reconhecimento do rédito quando ou à medida que a
entidade satisfaz uma obrigação de desempenho.
O valor da venda do transporte de passageiros e carga é, no momento da venda, registado como um
passivo na rubrica “Documentos pendentes de voo”. Quando o transporte é efetuado ou o bilhete caduca,
o valor da venda é transferido desta rubrica para rendimentos do exercício ou para uma conta a pagar
consoante o transporte tenha sido: i) efetuado pelo Grupo ou o bilhete caduca sem direito a reembolso, e
ii) efetuado por outra transportadora aérea ou o bilhete caduca com direito a reembolso, respetivamente,
por um montante geralmente diferente do registado no momento da venda. São efetuadas análises
periódicas do saldo da rubrica de documentos pendentes de voo, de forma a corrigir os saldos dos bilhetes
vendidos a fim de verificar os que já foram voados ou cujos cupões perderam a validade, não podendo,
portanto, ser voados ou reembolsados.
As comissões, atribuídas a entidades terceiras pelo Grupo na venda de bilhetes, são diferidas e registadas
como gastos do exercício, de acordo com a periodização entre exercícios das respetivas receitas de
transporte.

O Grupo reconhece o rédito de contratos de manutenção de acordo com o método de cost-to-cost (também
denominado de método da percentagem de acabamento), que é definido como o rácio entre os gastos
incorridos em cada contrato até uma determinada data e os gastos estimados para completá-lo. As
diferenças obtidas entre os valores decorrentes da aplicação do método da percentagem de acabamento
ao total de rédito estimado e os valores já faturados são registados na rubrica de contas a receber, como
credores por acréscimo de rendimentos (Nota 10). Além disso, o Conselho de Administração do Grupo




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
46





considera que o método cost-to-cost é o método mais apropriado para medir o grau de cumprimento das
obrigações de desempenho nos contratos de manutenção.
Quando é provável que os gastos totais de um contrato excedam o rédito total, a perda esperada é
reconhecida imediatamente como gasto. Note-se que os contratos de manutenção geralmente têm
durações inferiores a 3 meses.
No programa passageiro frequente “TAP Miles&Go” (antigo “TAP Victoria”), o Grupo segue o procedimento
de, em condições definidas e com base nos voos efetuados, atribuir milhas aos clientes aderentes ao
referido programa de fidelização, as quais podem, posteriormente, ser utilizadas na realização de voos
com condições preferenciais, nomeadamente tarifas reduzidas.
No momento da venda de um bilhete, o Grupo considera que tem uma obrigação de desempenho separada
correspondente aos pontos do programa “TAP Miles&Go” atribuídos. Com base no histórico do número de
milhas atribuídas e não utilizadas nem caducadas no final de cada exercício, ajustadas da estimativa de
milhas a expirar sem utilização, e na valorização unitária atribuída, o Grupo procede ao reconhecimento
do diferimento do rédito estimado como correspondente à atribuição das milhas. A valorização das milhas
é determinada usando o “stand-alone price”, que se baseia no valor médio equivalente do bilhete
considerando o histórico da redenção de milhas. O rédito é assim reconhecido quando as milhas são
utilizadas ou expiram, geralmente três anos após a data de emissão, não considerando o impacto da
prorrogação da validade das milhas ocorrida em 2020.

O rédito é reconhecido líquido de impostos indiretos, descontos e outros custos inerentes à sua
concretização.


2.27. Especialização dos exercícios
As empresas do Grupo registam os seus rendimentos e gastos, à medida que são gerados, de acordo
com o princípio da especialização dos exercícios, independentemente do momento em que são recebidos
ou pagos.
As diferenças entre os montantes recebidos e pagos e os correspondentes rendimentos e gastos são
registadas nas rubricas de outras contas a receber, outros ativos correntes, outras contas a pagar ou
outros passivos correntes.

2.28. Ativos e passivos contingentes
Os passivos contingentes, em que a possibilidade de uma saída de fundos afetando benefícios
económicos futuros seja apenas possível, não são reconhecidos nas demonstrações financeiras




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
47





consolidadas, sendo divulgados nas Notas, a menos que a possibilidade de se concretizar a saída de
fundos, afetando benefícios económicos futuros seja remota, caso em que não são objeto de divulgação.
São reconhecidas provisões para passivos que satisfaçam as condições previstas na Nota 2.20.
Os ativos contingentes não são reconhecidos nas demonstrações financeiras consolidadas, mas são
divulgados no anexo quando é provável a existência de um benefício económico futuro.

2.29. Itens não recorrentes
De acordo com as disposições dos parágrafos 85 e 86 na IAS 1, os itens não recorrentes refletem
rendimentos e gastos não usuais que devem ser reportados separadamente das habituais linhas da
demonstração dos resultados, dada a sua magnitude e relevância para a compreensão das operações do
Grupo. O Grupo procura apresentar uma medida de desempenho subjacente que não seja impactada por
itens não recorrentes relevantes. Os itens classificados como não recorrentes incluem eventos
significativos ou incomuns, não relacionados diretamente com a atividade operacional, nomeadamente no
que diz respeito a eventos intrínsecos ao seu negócio, a atividade de aviação, conforme descrito nas Notas
30 (“Reestruturação”) e 31 (“Itens não recorrentes”).


2.30. Ativos não correntes detidos para venda
Os ativos não correntes são classificados como ativos não correntes detidos para venda quando o seu
valor contabilístico se destina a ser recuperado, principalmente, através de uma transação de venda em
vez do uso continuado e existe uma decisão do Conselho de Administração com a consequente definição
do preço e procura de comprador, que permite classificar a transação da venda, como de realização
altamente provável, no período até 12 meses.
Estes ativos são mensurados ao menor entre o valor líquido contabilístico e o justo valor menos custos de
venda, na data da classificação como detido para venda. Os ativos com vida útil definida deixam de ser
depreciados/amortizados desde a data da classificação como detido para venda, até à data da venda.


2.31. Demonstração consolidada dos fluxos de caixa
A demonstração consolidada dos fluxos de caixa é preparada de acordo com a IAS 7, através do método
direto. O Grupo classifica na rubrica “Caixa e seus equivalentes” os investimentos com maturidade inicial
inferior a três meses e para os quais o risco de alteração de valor é insignificante. Para efeitos da
demonstração consolidada dos fluxos de caixa, a rubrica de caixa e seus equivalentes compreende
também os descobertos bancários incluídos na demonstração consolidada da posição financeira, na
rubrica “Passivos remunerados correntes”.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
48



Os fluxos de caixa são classificados na demonstração consolidada dos fluxos de caixa, dependendo da
sua natureza, em (1) atividades operacionais, (2) atividades de investimento e (3) atividades de
financiamento.
As atividades operacionais englobam, essencialmente, os recebimentos de clientes e os pagamentos a
fornecedores e ao pessoal. Englobam, ainda, os pagamentos de impostos indiretos líquidos, do imposto
sobre o rendimento e os pagamentos relacionados com benefícios de reforma.
Os fluxos de caixa abrangidos nas atividades de investimento incluem, nomeadamente, aquisições e
alienações de investimentos financeiros, dividendos recebidos de empresas associadas e recebimentos e
pagamentos decorrentes da compra e venda de ativos intangíveis e tangíveis, incluindo pré-pagamentos
de ativos sob direito de uso e pagamentos de subcontratos, de materiais e ao pessoal, relacionados com
grandes manutenções da frota.
Os fluxos de caixa relacionados com as atividades de financiamento incluem, designadamente, os
pagamentos e recebimentos referentes a empréstimos obtidos, contratos de locação, pagamentos
relacionados com juros e despesas relacionadas, a aquisição de ações próprias e pagamento de
dividendos.
Os pagamentos de locações são apresentados na demonstração consolidada dos fluxos de caixa, como
segue:
i) Os pagamentos de locações que representam pagamentos em dinheiro da parcela principal e
da parcela de juros dos passivos locação são apresentadas como fluxos de caixa resultantes
de atividades de financiamento;
ii) Os pagamentos de locação que não foram incluídos na mensuração dos passivos de locação,
incluindo pagamentos variáveis, locações de curto prazo e locações de ativos de baixo valor,
são apresentados como fluxos de caixa operacionais.

2.32. Eventos subsequentes
Os eventos ocorridos, após a data de relato, que proporcionem informação adicional sobre condições que
existiam naquela data, são refletidos nas demonstrações financeiras consolidadas.
Os eventos ocorridos, após a data de relato, que proporcionem informação sobre condições que ocorram
após aquela data, são divulgados, se materiais, nas Notas às demonstrações financeiras consolidadas.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
49



2.33. Estimativas e julgamentos
A preparação das demonstrações financeiras consolidadas exige que a gestão do Grupo efetue
julgamentos e estimativas que afetam os montantes de rendimentos, gastos, ativos, passivos e
divulgações à data de relato.
Estas estimativas são determinadas pelos julgamentos da gestão da TAP S.A., baseados: (i) na melhor
informação e conhecimento de eventos presentes e em alguns casos em relatos de peritos independentes
e (ii) nas ações que o Grupo considera poder vir a desenvolver no futuro. Todavia, na data de concretização
das operações, os seus resultados poderão ser diferentes destas estimativas. Conforme disposto na IAS
8, alterações a estas estimativas, que ocorram posteriormente à data das demonstrações financeiras, são
corrigidas em resultados de forma prospetiva. Em resultado da pandemia COVID-19 e do Plano de
Reestruturação Aprovado, algumas destas estimativas foram afetadas materialmente conforme descrito
na Nota 1.1.3.
As estimativas e os pressupostos que apresentam um risco significativo de originar um ajustamento
material no valor contabilístico dos ativos e passivos no período seguinte, são apresentadas abaixo:
✈ Impostos diferidos (Notas 1.1.3. e 9)
O Grupo reconhece e líquida o imposto sobre o rendimento com base nos resultados das operações
apurados de acordo com a legislação fiscal em vigor. De acordo com a IAS 12, o Grupo reconhece os
ativos e passivos por impostos diferidos com base na diferença existente entre o valor contabilístico e as
bases fiscais dos ativos e passivos. O Grupo analisa periodicamente a recuperabilidade dos ativos por
impostos diferidos com base na projeção do lucro tributável futuro e no período estimado de reversão das
diferenças temporais.
✈ Benefícios pós-emprego (Nota 17)
O valor presente das responsabilidades com benefícios de reforma é calculado com base em metodologias
atuariais, as quais utilizam determinados pressupostos. Quaisquer alterações desses pressupostos terão
impacto no valor contabilístico das responsabilidades. Os principais pressupostos demográficos e
financeiros utilizados no cálculo das responsabilidades com benefícios de reforma estão descritos na Nota
17. O Grupo tem como política rever periodicamente os principais pressupostos demográficos e
financeiros.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
50



✈ Reconhecimento de provisões e imparidades (Notas 1.1.3, 10, 11 e 18)
O Grupo tem diversos processos judiciais em curso para os quais, com base na opinião dos seus
consultores legais, efetua um julgamento para determinar se deve ser registada uma provisão para essas
contingências.
As imparidades de contas a receber (Nota 10) são calculadas, com base no risco de crédito estimado para
cada perfil de cliente e na situação financeira dos mesmos.
As imparidades de inventários são calculadas com base em critérios que atendem à natureza, finalidade
de utilização, antiguidade e rotação de materiais.
✈ Programa de fidelização de clientes (Notas 2.26. e 21)
As obrigações de desempenho associadas à atribuição de milhas aos aderentes do programa “TAP
Miles&Go”, são mensuradas, com base em informação histórica no número de milhas atribuídas e não
utilizadas nem caducadas no final de cada exercício, ajustadas da estimativa de milhas a expirar sem
utilização, e do “stand-alone price”, correspondente ao valor médio equivalente do bilhete, considerando o
histórico da redenção de milhas. Alterações nos pressupostos utilizados pelo Grupo, no cálculo desta
estimativa, podem ter um impacto significativo nas demonstrações financeiras.
A alteração da percentagem das milhas a expirar em 10% resultaria num impacto em resultados de 5.289
milhares de Euros, e alterar o “stand-alone price” em 10% resultaria num impacto em resultados de 3.237
milhares de Euros.
✈ Documentos pendentes de voo (Nota 22)
Esta rubrica inclui o montante de bilhetes vendidos a clientes cujo voo ainda não ocorreu e de vouchers
emitidos ainda não utilizados.
O Grupo procede a uma análise periódica do saldo da rubrica “Documentos pendentes de voo” por forma
a corrigir os valores de bilhetes vendidos e vouchers emitidos cujos cupões já não são válidos. A estimativa
do montante desses cupões, que não poderão ser trocados ou reembolsados, requer julgamento por parte
do Conselho de Administração, pelo que alterações nos pressupostos utilizados pelo Grupo, no cálculo
desta estimativa, podem ter um impacto significativo nas demonstrações financeiras consolidadas do
Grupo.
Tendo em conta o impacto da pandemia COVID-19 a Administração reviu a política de utilização de
documentos pendentes de voos, nomeadamente no que respeita à possibilidade de remarcação de
passagens sem custos adicionais e ao reembolso das passagens em voucher com majoração e prazos de





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
51



validade alargados. Em 31 de dezembro de 2022, na ótica da prudência, e tendo em conta a diversa
legislação em vigor nos diversos mercado em que o Grupo atua, não foi registada qualquer percentagem
de rédito associada a vouchers emitidos nos anos de COVID-19 e expirados a 31 de dezembro de 2022,
com exceção do mercado português.
Caso o Grupo tivesse reconhecido receita sobre a totalidade dos vouchers emitidos e expirados, os
resultados do Grupo teriam um impacto positivo de cerca de 35,9 milhões de Euros.
✈ Vida útil e valor residual dos ativos fixos tangíveis (Nota 4)
A determinação das vidas úteis dos ativos, bem como a determinação do valor residual e o método de
depreciação a aplicar, é essencial para determinar o montante das depreciações a reconhecer na
demonstração consolidada dos resultados de cada período.
Estes parâmetros são definidos de acordo com o melhor julgamento do Conselho de Administração para
os ativos em questão, considerando também as práticas adotadas por empresas do setor ao nível
internacional.
✈ Passivos de locação com e sem opção de compra (Notas 4 e 19)
O Grupo reconhece ativos sob direito de uso de ativos e passivos de locação com e sem opção de compra
(rendas vincendas de contratos de locação) sempre que o contrato preveja o direito de controlar a
utilização de um ativo identificável durante um certo período, em troca de uma retribuição. Para aferir
quanto à existência de controlo sobre a utilização de um ativo identificável, o Grupo avalia se: i) o contrato
envolve o uso de um ativo identificável; ii) tem o direito de obter substancialmente todos os benefícios
económicos do uso do ativo durante o período de locação; e iii) tem o direito de controlar o uso do ativo.
A análise dos contratos de locação, nomeadamente no que respeita às opções de cancelamento e
renovação previstas nos contratos e na determinação da taxa incremental de financiamento a aplicar para
cada portfólio de locações identificado requer a utilização de julgamentos pelo Grupo.
O Grupo determina a vida útil destes ativos com base no período não cancelável da locação e revê os
prazos de utilização dos mesmos, sempre que ocorrem alterações nos contratos de locação que
modifiquem o período não cancelável da locação.
✈ Provisão de redelivery (Notas 4 e 18)
O Grupo TAP S.A. incorre em responsabilidades por custos de manutenção em relação a aeronaves
operadas em regime de locação sem opção de compra. Estas resultam de obrigações contratuais legais
e construtivas relativas à condição da aeronave quando esta é devolvida ao locador. Para cumprir estas
obrigações, o Grupo terá normalmente de realizar intervenções de manutenção estruturais durante o





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
52



período de locação. O Grupo TAP S.A. especializa esta responsabilidade com base na utilização efetiva
da aeronave, nomeadamente horas ou ciclos voados. Na mensuração desta responsabilidade são
considerados vários pressupostos, sendo os mais relevantes: i) a utilização (horas de voo, ciclos, etc.) e
condição da aeronave, ii) os custos esperados das intervenções estruturais de manutenção no momento
em que se espera que ocorram e iii) a taxa de desconto utilizada.
Os principais pressupostos são revistos periodicamente, tendo em consideração a informação disponível,
podendo existir circunstâncias que alterem de forma significativa a referida estimativa, como por exemplo
a renegociação das condições de redelivery da aeronave, alteração significativa da utilização da aeronave
e suas condições de navegabilidade, renegociação de contratos de locação, assim como alterações no
custo das referidas manutenções estruturais. A estimativa do custo futuro da manutenção estrutural das
aeronaves requer julgamento por parte do Conselho de Administração, pelo que alterações nos
pressupostos utilizados pelo Grupo, no cálculo desta estimativa, podem ter um impacto significativo nas
demonstrações financeiras consolidadas.
✈ Recuperabilidade de ativos fixos tangíveis e intangíveis (Notas 1.1.3 e 4)
Nos termos da IAS 36 devem ser realizados testes de imparidade anuais ou sempre que se verificarem
fortes indícios de que os ativos não correntes possam estar em situação de imparidade.
O Grupo revê numa base anual os pressupostos que estão na base do julgamento da existência ou não
de imparidade. Os pressupostos utilizados foram revistos em função da envolvente macroeconómica, dos
indicadores do setor e dos pressupostos estratégicos do Plano de Reestruturação Aprovado.
Considerando a incerteza quanto ao valor de recuperação do valor líquido contabilístico dos ativos fixos
tangíveis e intangíveis pelo facto de se basearem na melhor informação disponível à data, as alterações
dos pressupostos poderiam resultar em impactos na determinação do nível de imparidade e,
consequentemente nos resultados.
✈ Provisão de reestruturação (Notas 1.1.3 e 30)
Com base no Plano de Reestruturação em curso, o Grupo disponibilizou aos seus colaborados um
conjunto de medidas voluntárias das quais constam rescisões por mútuo acordo, reformas antecipadas,
pré-reformas, trabalho a tempo parcial, licenças sem vencimento e transferências para a Portugália, com
o objetivo de assegurar as métricas do equilíbrio operacional do Plano de Reestruturação.
Tendo em conta a forte adesão por parte dos colaboradores do Grupo a estas medidas voluntárias,
conjugada com uma fase final de redimensionamento, o Grupo registou uma provisão para os encargos a
incorrer com as medidas de reestruturação definidas, baseada na melhor informação disponível até à data,
tendo em consideração o universo alvo dos colaboradores e das medidas aplicáveis a cada um.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
53


3 Políticas de gestão do risco financeiro
A gestão de risco é conduzida a nível estratégico pelo Grupo e objeto de acompanhamento permanente
por parte dos órgãos de gestão. As linhas de orientação definidas e decisões adotadas no domínio da
gestão de risco são elementos fundamentais para o posicionamento do Grupo face às ameaças externas
que os mercados e a envolvente económico-financeira colocam. Dada a multiplicidade de cenários e
desenvolvimentos possíveis, a estratégia de gestão de risco do Grupo incorpora elementos de flexibilidade
e discricionariedade que permitem adaptação em tempo útil às alterações do contexto em que opera.
As atividades do Grupo estão expostas a uma variedade de fatores de risco financeiro, incluindo efeitos
de alterações de preços de mercado, nomeadamente risco do preço do combustível e das licenças de
emissão de CO2, assim como risco cambial, risco de taxa de juro, risco de crédito e risco de liquidez.
A gestão de risco do Grupo é dirigida e acompanhada pela Comissão Executiva e pelo Conselho de
Administração sendo executada pelas áreas de gestão competentes do Grupo e, em particular, no
respeitante a instrumentos financeiros de gestão de risco, incluindo operações de derivados de
combustível, taxa de juro e cambiais, por parte do departamento de Tesouraria Estratégica e Finanças
Corporativas, seguindo as linhas de orientação e políticas definidas e divulgadas, assim como instruções
específicas emitidas.



✈ Hedging cambial (Notas 16 e 33)
De acordo com a política de gestão do risco financeiro, a partir de 1 de janeiro de 2022, o Grupo designou
numa relação de cobertura o risco cambial associado às vendas previstas altamente prováveis cuja tarifa
é determinada em USD, utilizando como instrumentos de cobertura uma parte dos passivos de locação de
aeronaves denominados em USD, de acordo com os montantes e datas dos fluxos de caixa futuros das
vendas previstas e dos passivos de locação.
Considera-se que a transação futura é altamente provável uma vez que o Grupo tem como objetivo a
cobertura do risco de variação dos fluxos de caixa com a venda de bilhetes,cuja tarifa é determinada em
USD, decorrente do desenvolvimento da sua atividade. Historicamente, à exceção do período pandémico,
mais de 50% das vendas têm sido efetuadas em geografias cuja moeda em que a tarifa é determinada é
o USD.
Para efeitos de determinação da estimativa de vendas altamente prováveis considerou-se um horizonte
temporal de 6 anos, tendo por base o Plano de Reestruturação Aprovado.
Em 31 de dezembro de 2022 a percentagem de cobertura determinada ascende a 73%, sendo que uma
alteração de 5% nesta percentagem teria um impacto no montante de, aproximadamente, 7 milhões de
Euros nos resultados financeiros do Grupo.








Graphics


Durante o exercício de 2022, os efeitos da pandemia COVID-19 na posição económica e financeira do
Grupo ainda se fizeram sentir, em particular no início do ano, mas foi o conflito na Ucrânia que teve o maior
impacto muito materializado na subida dos custos com combustíveis.
✈ Risco de mercado
Após o maior choque na história da aviação com a crise pandémica de COVID-19, e depois desta ter
passado à categoria de endémica, em 2022 a indústria recuperou de forma consistente sendo expectável
que continue esta trajetória nos próximos anos. Não obstante, dada toda a incerteza que o atual ambiente
macroeconómico e que os desenvolvimentos da própria indústria trazem consigo, prevê-se que os RPK
globais só recuperem completamente os níveis de 2019 em 2024.
Apesar da significativa recuperação da atividade face a 2021, um outro evento colocou constrangimentos
à indústria da aviação em 2022: a invasão da Ucrânia pela Rússia levou ao fecho do espaço aéreo
ucraniano, pondo fim aos movimentos por via aérea de cerca de 3,3% do tráfego aéreo total de passageiros
na Europa, e a 0,8% do tráfego total a nível mundial, enquanto que o tráfego entre a Rússia e o resto da
Europa afetou 5,7% do tráfego de passageiros e 1,3% do tráfego total a nível mundial, com referência ao
tráfego aéreo registado em 2021 (Fonte: IATA – Global Outlook for Air Transport – June 2022). Apesar das
operações do Grupo não terem sido afetadas, outras companhias aéreas viram a sua atividade ser
significativamente restringida, com voos a serem reencaminhados ou cancelados. Os mercados mais
impactados foram a Europa-Ásia e a Ásia-América do Norte.
Mas a guerra na Ucrânia desencadeou não só uma crise humanitária dispendiosa, mas também um
prejuízo económico que contribuiu para um abrandamento significativo do crescimento global em 2022 e
para o aumento da inflação. Representando em conjunto quase 3,7% do PIB mundial (Fonte: The World
Bank), a Rússia e a Ucrânia são grandes exportadores de energia, metais preciosos, cereais e outras
mercadorias e, por isso, as disrupções da oferta oriunda destes mercados, a par de toda a instabilidade
geopolítica que lhes está associada, contribuíram para o agravamento da inflação, colocando pressão nos
custos operacionais e para o aumento o preço das passagens aéreas.
Adicionalmente, em alguns mercados, nomeadamente na Europa, a escassez de mão-de-obra e as greves
ao longo do ano de 2022 criaram desafios a curto-prazo para os custos e operações, forçando as
companhias aéreas a reduzir a sua oferta para a época de Verão devido à falta de capacidade dos
aeroportos em toda a Europa.
No mercado europeu, a concorrência baseia-se em: (i) preço, nomeadamente dependendo da rota e do
tipo de cliente (lazer ou negócios) e (ii) modelos de negócio e redes de rotas que as companhias aéreas
usam para ajustar os seus serviços às necessidades dos clientes. Este produto diferenciado incorpora
elementos como a fiabilidade, regularidade, pontualidade, diversidade de horários, frequência de voos,
conforto do equipamento, qualidade dos produtos e qualidade da experiência de voo.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
54

Graphics


Dada a forte contração na procura por passagens aéreas durante o período do Covid, o Grupo adaptou
continuamente a sua rede e a sua capacidade nas diferentes rotas por forma a ter maior rentabilidade.
Com o final das restrições o Grupo tentou estabilizar a sua rede mas ainda com alguns destinos sazonais
e aumentou progressivamente a sua atividade apostando nos destinos entretanto reabertos e com base
no hub de Lisboa. Assim, comparativamente a 2019, o Grupo mostrou já receitas superiores nos seus
principais mercados nomeadamente na América do Sul (+22,0%) e América do Norte (+29,7%) sendo que
para a Europa a receita está ainda abaixo do período de referência (-15,2%).
Relativamente às características dos aviões, nomeadamente o nível de conforto, modernidade, avanços
tecnológicos, economia de uso, baixo consumo, baixo ruído, baixas emissões e flexibilidade em termos de
autonomia de voo, a renovação da frota do Grupo, apresentando-se como uma das mais recentes frotas
na Europa, é uma vantagem competitiva fundamental. Durante o ano de 2022 chegaram 3 aviões da nova
geração Airbus A321neo LR e 6 aviões Embraer (3 dos quais encontravam-se em processo de phase-in
em 31 de dezembro de 2022), tendo saído 10 aviões (2 A319ceo e 8 ATR), 6 dos quais encontravam-se
em processo de phase-out em 31 de dezembro de 2022.
Estas alterações deverão ser contextualizadas no Plano de Reestruturação aprovado pela Comissão
Europeia, o qual estabelece todos os pressupostos de receitas e custos incluindo os de rede e frota. Caso
a realidade divirja significativamente deste plano nomeadamente ao nível da frota, serviço e vendas, ou
caso o Grupo não implemente de forma bem-sucedida o seu atual plano de frota, as receitas e resultados
do Grupo podem ser negativamente impactados no futuro.
✈ Risco do preço do combustível
O combustível é um dos principais custos suportados pela Empresa, existindo uma forte exposição a
flutuações do seu preço, a qual é habitualmente reduzida através da contratação de derivados de cobertura
de preço. Por forma a acomodar a nova realidade pós-pandemia com a maior necessidade de flexibilidade
da operação, reduções inesperadas na procura e alterações significativas no preço do combustível, o
Conselho de Administração reviu a política de contratação de derivados de jet fuel.
Durante 2022, o preço spot do jet fuel apresentou uma subida bastante significativa acompanhando a
recuperação e reabertura das principais economias globais, mas sobretudo foi muito impactado pela
guerra na Ucrânia, que despoletou uma subida muito significativa dos preços do Brent e jet fuel. Assim, os
preços do jet fuel vieram desde um mínimo de 702,75 USD por tonelada em janeiro de 2022 chegando a
um máximo de 1.447,25 USD por tonelada em junho de 2022. Em resultado desta flutuação e crescimento
do preço, verificou-se uma subida de cerca de 40% face ao preço de fecho de 31 de dezembro de 2021.
O justo valor dos derivados de jet fuel a 31 de dezembro de 2022, passou a apresentar uma posição
desfavorável de 7,3 milhões de Euros, não existindo a esta data derivados em situação de overhedge



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
55

Graphics


(Nota 20). Durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2022, a contratação de derivados de jet fuel,
permitiu a redução de gastos com combustível no montante de 89,4 milhões de Euros (Nota 26).
Eventuais variações acentuadas do preço do jet fuel após 31 de dezembro de 2022 poderão vir a ter um
impacto significativo nos resultados do Grupo.
Tendo por base as posições de cobertura do preço de jet fuel (hedging) realizadas à data de 7 de março
de 2023 e assumindo (i) uma taxa de câmbio EUR/USD de 1,055 e (ii) a curva forward de jet fuel à data
de 7 de março de 2023, como cenário base, um aumento de 10% no preço de jet fuel agravaria o valor
expectável da rubrica de custos com combustível para o ano de 2023 em 4,9%.
O Grupo está atualmente sujeito a alterações dos preços das licenças de emissão de CO2, as quais são
adquiridas todos os anos para cumprir com as normas da União Europeia (“EU ETS”) de compensação
destas emissões e, mais recentemente, também do Reino Unido (“UK ETS”). Durante 2022, os preços das
licenças elegíveis para o “EU ETS” oscilaram entre os 57,93 EUR e os 97,59 EUR, por licença, e os das
licenças elegíveis para o “UK ETS” entre os 66,27 GBP e os 96,15 GBP, por licença. A longo prazo, o
compromisso ambiental da indústria relativamente à neutralidade carbónica da sua atividade até 2050 – o
primeiro compromisso deste tipo a nível da indústria – representa outro desafio relevante, uma vez que
exige um modelo económico global que seja sustentável, inclusivo e próspero, implicando certamente
esforços de investimento adicionais e/ou um incremento das despesas operacionais.
✈ Risco cambial
O Grupo adquire uma parte significativa dos bens e serviços de terceiros em USD, assumindo um conjunto
de responsabilidades em USD com contratos de locação (Nota 19). Por outro lado, o Grupo tem alguns
ativos em moeda estrangeira, nomeadamente contas a receber das suas receitas que são geradas em
moedas que não o Euro (essencialmente USD e BRL).
Durante 2022, o EUR desvalorizou 6,1% e 11,3% face ao USD e ao BRL, respetivamente.
Com o despoletar da guerra na Ucrânia e as respetivas implicações da mesma a nível global, mas em
particular na Europa, a recuperação das economias da região foi, de alguma forma, posta em causa, em
larga medida devido ao potencial de escassez energética em função da disrupção do suprimento de gás
e petróleo da Rússia. Tal enquadramento veio colocar fortes limitações à capacidade de ação do BCE em
aumentar as taxas de juros tão rápido quanto a Reserva Federal dos EUA, apesar da inflação recorde que
se tem verificado, ampliando assim o diferencial de taxas (mais altas na Europa) e tendo como
consequência a paridade do EUR face ao USD em parte do segundo semestre.
O mercado norte-americano representava, no final de 2022, no conjunto de vendas de passagens, quase
18% do total, sendo que esteve no início do ano com restrições. A estratégia continua a ser de aposta



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
56

Graphics


neste mercado, dado que a expansão no Atlântico Norte continua a ser um elemento da estratégia
comercial e uma fonte de diversificação relevante não só em termos económicos, mas também em termos
cambiais.
Os diversos custos em divisas do Grupo são responsáveis pelo desequilíbrio significativo na sua balança
cambial, sendo esta deficitária em relação ao dólar. Em termos genéricos, as rubricas de custos do Grupo
são, na sua grande maioria, dependentes do euro e do dólar, tendo as restantes divisas, à exceção do real
brasileiro, uma expressão reduzida. O dólar é a moeda de referência no sector da aviação e abrange inputs
tão importantes e diversos como combustível, locação de aeronaves, materiais e serviços de manutenção,
seguros de aviação, taxas de navegação e aeroportuárias em muitas das áreas geográficas em que o
Grupo opera. No caso concreto dos combustíveis, mesmo em contratos objeto de faturação e liquidação
em Euros, designadamente no mercado português, o cálculo dos valores a cobrar é indexado, e
estabelecido por referência, à cotação do dólar face ao euro, constituindo o gasto com combustível uma
exposição quase integral ao dólar, na qual se excetuam apenas determinadas taxas e comissões
comerciais.
Também no caso de locações e wet leases o mercado é denominado em dólares, desde as rendas
mensais, às reservas de manutenção e aos depósitos de garantia. A manutenção de aeronaves é outra
fonte de exposição ao dólar que nem sempre é repercutida no cliente final em termos de faturação nessa
divisa. Os diversos materiais incorporados na frota do Grupo são também, maioritariamente, adquiridos
em dólares. A nível estritamente financeiro, dado que alguns empréstimos do Grupo são denominados em
dólares, também os respetivos juros e reembolsos de capital representam responsabilidades e exposição
adicional à divisa norte-americana. No final de 2022, cerca de 66% da dívida financeira remunerada do
Grupo estava denominada em dólares, contra 65% no final de 2021.
A exposição ao dólar tem também uma dimensão de longo prazo resultante das responsabilidades
assumidas com a compra de aeronaves no quadro atual de investimentos contratualizados com a Airbus
(Nota 36). A encomenda de aeronaves firmada com este fabricante, a serem entregues ao longo dos
próximos anos, traduz-se numa exposição ao dólar, a médio e longo prazo, de um valor muito significativo,
mas significa, ainda, no curto prazo, um esforço de investimento anual de montantes elevados, em dólares,
a título de adiantamentos pagos ao fabricante.
Após ter desvalorizado mais de 40% nos últimos 5 anos, durante 2022, o BRL foi uma das moedas com
melhor desempenho a nível global. Uma espiral de crescimento nos preços das commodities e uma taxa
de juro das mais altas a nível mundial, contribuíram para a forte valorização do BRL. Note-se que a
exposição do Brasil à economia russa é limitada, tendo sido o condicionamento à importação de
fertilizantes o impacto mais significativo desta guerra. Assim, as exportações, a conta corrente e a moeda
do Brasil beneficiaram da subida dos preços das principais commodities, tais como o petróleo, o açúcar, a
soja e o minério de ferro, impulsionando as exportações para níveis recorde. Por outro lado, com o continuo
aumento da inflação, verificou-se uma subida progressiva da taxa SELIC, tendo-se a mesma fixado nos



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
57

Graphics



13,75% em 31 de dezembro de 2022, representando um aumento de 450 pontos base desde o início do
ano. Com taxas de juro a este nível, o Brasil tornou-se uma economia atrativa para os mercados
monetários em 2022. Em termos prospetivos, é expectável que o BRL tenha uma inversão da tendência
verificada em 2022, desvalorizando durante o ano de 2023.
Outro mercado com uma expressão cambial relevante nas receitas do Grupo é o mercado angolano,
embora apenas uma parcela das receitas deste mercado seja denominada em Kwanzas. No final do ano
de 2022, os ativos denominados em Kwanzas representavam menos de 1% do total de caixa e seus
equivalentes denominados em moeda estrangeira.
A exposição do Grupo ao risco de taxa de câmbio, a 31 de dezembro de 2022 e 2021, com base nos
valores da posição financeira, dos ativos e passivos financeiros do Grupo, em divisas, convertidos para
Euros aos câmbios em vigor à data de relato, apresenta-se como segue:
2022
USD BRL AOA OUTRAS TOT AL
ATIVOS
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 14) 262.818.301 25.682.435 12.473.332 18.152.581 319.126.649
Outros ativos financeiros (Nota 8) 455.915 - - - 455.915
Contas a receber - clientes (Nota 10) 45.538.814 202.115.251 4.272.575 17.118.919 269.045.559
Contas a receber - outros (Nota 10) 209.857.457 10.328.288 955.688 10.958.540 232.099.973
518.670.487 238.125.974 17.701.595 46.230.040 820.728.096
PASSIVOS
Passivos remunerados (Nota 19) 531.388.782 - - 1.214 531.389.996
Passivos com obrigações contratuais (Nota 19) 1.865.415.182 - - - 1.865.415.182
Contas a pagar - fornecedores (Nota 20) 10.581.074 4.937.881 1.042.024 6.419.812 22.980.791
Contas a pagar - outros (Nota 20) 30.026.096 9.654.382 5.558.536 9.282.612 54.521.626
2.437.411.134 14.592.263 6.600.560 15.703.638 2.474.307.595
2021
USD BRL AOA OUT RAS TOTAL
ATIVOS
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 14) 12.138.715 8.324.217 5.667.594 18.321.863 44.452.389
Outros ativos financeiros (Nota 8) 455.915 - - - 455.915
Contas a receber - clientes (Nota 10) 42.523.333 79.542.547 649.558 16.781.422 139.496.860
Contas a receber - outros (Nota 10) 160.121.476 (24.099) 28.797 9.753.015 169.879.189
215.239.439 87.842.665 6.345.949 44.856.300 354.284.353
PASSIVOS
Passivos remunerados (Nota 19) 410.954.442 - - (673.762) 410.280.680
Passivos com obrigações contratuais (Nota 19) 1.923.733.085 - - - 1.923.733.085
Contas a pagar - fornecedores (Nota 20) 27.370.102 (979.042) 2.006.495 6.062.966 34.460.521
Contas a pagar - outros (Nota 20) 23.735.166 3.020.147 1.182.393 3.358.215 31.295.921
2.385.792.795 2.041.105 3.188.888 8.747.419 2.399.770.207
No exercício de 2022 foram registadas perdas cambiais líquidas de 121,3 milhões de Euros, das quais
12,7 milhões de euros na demonstração consolidada dos resultados (Nota 33), incluindo principalmente o
efeito negativo relativo ao impacto da valorização do USD nos passivos registados, nomeadamente das
rendas futuras afetas a locação de aeronaves. Conforme referido na Nota 2.33, a partir de 1 de janeiro de
2022, o Grupo designou numa relação de cobertura o risco cambial associado às vendas previstas
altamente prováveis cuja tarifa é determinada em USD, utilizando como instrumentos de cobertura uma
parte dos passivos de locação de aeronaves denominados em USD, de acordo com os montantes e datas
dos fluxos de caixa futuros das vendas previstas e dos passivos de locação. O impacto da atualização




DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
58

Graphics



cambial das vendas cobertas no montante de 108,5 milhões de Euros foi registado na rubrica Outras
reservas (Nota 16).

A volatilidade dos mercados cambiais poderá afetar de forma relevante a mensuração dos ativos e
passivos do Grupo e impactar significativamente os montantes de recebimentos e pagamentos em moeda
estrangeira.
Em 31 de dezembro de 2022, uma variação (positiva ou negativa) de 10%, de todas as taxas de câmbio
com referência ao Euro, resultaria num impacto nos capitais próprios de, aproximadamente, 166 milhões
de Euros (2021: 205 milhões de Euros).
✈ Risco de taxa de juro
O Grupo realizou, em anos anteriores a 2022, três emissões de obrigações a taxas fixas havendo por isso
uma parte muito significativa da sua dívida que não está exposta a variações da taxa de juro. Ainda assim,
e mesmo relativamente à divida com taxa variável, o risco não se tem materializado de forma significativa,
nos anos recentes dado o prolongado período de taxas de juro negativas, que se tem verificado na Zona
Euro, e das taxas de juro também próximas de zero nos EUA.
Recentemente, o despoletar do conflito geopolítico na Ucrânia culminou num agravamento das taxas de
inflação – dado o risco de crise energética, em particular na Europa –, veio colocar ainda mais pressão
junto dos bancos centrais para levarem a cabo políticas monetárias de contenção através do aumento das
taxas de juro – algo que já se havia começado a verificar no fim de 2021, mas que se intensificou durante
2022. No final do ano a Euribor (a 12 meses) situava-se em 3,291% (vs -0,501% em 2021).
Os impactos futuros de uma subida do nível geral das taxas de juro (EURIBOR) serão relevantes para a
Empresa, mas essencialmente, no que se refere a valores de dívida a contratar no futuro. As taxas de juro
são, ainda, um fator de agravamento de custo nas locações, transações em que, por norma, o nível de
taxas de juro de longo prazo é repercutido na renda da aeronave.
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021, os passivos financeiros sujeitos ao risco de variação de taxa de juro
resumem-se do seguinte modo:
2022
< 1 ano 1 - 2 anos 3 - 5 anos 6 - 10 anos > 10 anos Total
Taxa variável
Passivos remunerados 44.770.080 43.348.248 96.526.389 34.477.561 - 219.122.278
Locações com opção de compra 19.728.546 19.829.103 56.457.089 26.102.226 10.440.890 132.557.854
64.498.626 63.177.351 152.983.478 60.579.787 10.440.890 351.680.132
Taxa fixa
Passivos remunerados 312.056.334 374.803.282 2.817.535 - - 689.677.151
Locações com opção de compra 54.912.901 55.517.267 161.302.347 291.549.154 13.462.035 576.743.704
366.969.235 430.320.549 164.119.882 291.549.154 13.462.035 1.266.420.855
Total 431.467.861 493.497.900 317.103.360 352.128.941 23.902.925 1.618.100.987
% taxa fixa 85% 87% 52% 83% 56% 78%



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
59

Graphics



2021
< 1 ano 1 - 2 anos 3 - 5 anos 6 - 10 anos > 10 anos Total
Taxa variável
Passivos remunerados
21.902.234 43.043.678 130.469.194 43.744.749 - 239.159.855
Locações com opção de compra 14.127.714 14.264.771 54.980.395 - - 83.372.880
36.029.948 57.308.449 185.449.589 43.744.749 - 322.532.735
Taxa fixa
Passivos remunerados
119.554.672 201.099.958 377.379.667 - - 698.034.297
Locações com opção de compra 40.627.205 40.568.974 126.613.628 248.687.827 3.805.888 460.303.522
160.181.877 241.668.932 503.993.295 248.687.827 3.805.888 1.158.337.819
Total 196.211.825 298.977.381 689.442.884 292.432.576 3.805.888 1.480.870.554
% taxa fixa 82% 81% 73% 85% 100% 78%
De salientar que na divulgação dos passivos financeiros negociados a taxas de juro fixas só são
apresentados nos quadros acima para efeitos de reconciliação com as demonstrações financeiras, uma
vez que não estão sujeitas a alteração.
O Grupo utiliza a técnica da análise de sensibilidade que mede as alterações estimadas nos resultados,
de um aumento ou diminuição imediata das taxas de juro de mercado, com todas as outras variáveis
constantes. Esta análise é apenas para fins ilustrativos, já que na prática as taxas de mercado raramente
se alteram isoladamente.
A análise de sensibilidade é baseada nos seguintes pressupostos:
✈ Alterações nas taxas de juro de mercado afetam os rendimentos ou despesas de juros de
instrumentos financeiros variáveis;
✈ Alterações nas taxas de juro de mercado apenas afetam os rendimentos ou despesas de juros, em
relação a instrumentos financeiros com taxas de juro fixas, se estes estiverem reconhecidos ao justo
valor.
Sob estas premissas e considerando igualmente: (i) pressupostos teóricos de taxa de juro e de taxa de
câmbio EUR/USD e (ii) que o ritmo de amortização intra-anual é linear para efeito de cálculo dos juros
futuros (pressuposto simplificador), um aumento ou diminuição de 1% nas taxas de juro de mercado, para
todas as moedas em que o Grupo tem empréstimos com taxa variável, a 31 de dezembro de 2022,
resultaria numa diminuição ou aumento do montante dos juros vincendos de, aproximadamente, 11,8
milhões de Euros (2021: 11 milhões de Euros).
Decorrente da aprovação do Plano de Restruturação pela Comissão Europeia, em abril de 2022, os ratings
de crédito da TAP S.A. foram revistos em alta, tendo a Standard & Poor’s feito um upgrade de B- para B+
(outlook estável) e a Moody’s Investors Service um upgrade de Caa2 para B3 (outlook estável).
Na Nota 19 encontra-se apresentado o detalhe da dívida remunerada.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
60

Graphics


✈ Risco de liquidez
O risco de liquidez do Grupo é uma confluência de fatores que resultam da exploração, do financiamento
existente e respetivo serviço da dívida, das condições de negociação de novas operações, de perdas ou
ganhos cambiais e de atividades de investimento, quando significativas. O Grupo tem que assegurar
anualmente um serviço da dívida que, embora devidamente planeado e distribuído no tempo, tem peso na
tesouraria e tem que ser regularmente avaliado face aos desenvolvimentos ocorridos no exercício.
Eventuais disfuncionalidades verificadas nos mercados financeiros, como as que ocorreram aquando da
crise das dívidas soberanas, ou choques de mercado a nível de gastos ou rendimentos correntes como os
que decorrem da pandemia de COVID-19, condicionam, com maior ou menor intensidade, a tesouraria, a
liquidez, o equilíbrio económico-financeiro e a prosperidade do Grupo.
Na sequência dos auxílios de Estado e compensações por danos COVID-19 aprovadas e consequentes
injeções de capital realizadas durante os anos de 2020, 2021 e 2022, bem como na recuperação da
atividade ao longo de 2022, o Grupo conseguiu níveis de liquidez adequados ao longo do ano de 2022,
terminando o ano com 916,1 milhões de Euros, valor que já reflete a injeção de capital de 294 milhões de
Euros. Esta injeção de capital representa 30% do aumento de capital de 980 milhões de Euros registado
em 28 de dezembro de 2022, valor que decorre do Plano de Reestruturação. As tranches remanescentes
no valor de 343 milhões de Euros cada (35%) serão realizadas em dezembro de 2023 e dezembro de
2024 (Nota introdutória).
No quadro abaixo, englobando capital e juros, assumiram-se pressupostos teóricos relativos a taxas de
juro de mercado e câmbio EUR/USD. Os valores de passivo expressam os valores a pagar nos prazos
indicados, incluindo a estimativa de todos os fluxos de caixa contratuais com amortização e juros, não
descontados, até ao final da vida dos empréstimos. Considerou-se um pressuposto simplificador de ritmo
de amortização intra-anual linear para efeito de cálculo dos juros futuros:
2022
< 1 ano 1 - 2 anos 3 - 5 anos 6 - 10 anos > 10 anos Total
Outras contas a pagar 584.355.884 - - - - 584.355.884
Passivos remunerados 400.401.107 438.616.087 110.671.433 37.710.920 - 987.399.547
Locações com opção de compra 108.907.073 107.846.901 289.945.889 359.145.910 24.966.315 890.812.088
Locações sem opção de compra 377.402.908 335.853.145 682.505.356 607.246.852 35.104.783 2.038.113.044
Total 1.471.066.972 882.316.133 1.083.122.678 1.004.103.682 60.071.098 4.500.680.563
2021
< 1 ano 1 - 2 anos 3 - 5 anos 6 - 10 anos > 10 anos Total
Outras contas a pagar 406.153.856 - - - - 406.153.856
Passivos remunerados 193.076.356 282.317.389 536.277.645 48.549.712 - 1.060.221.102
Locações com opção de compra 79.908.660 79.027.985 236.247.420 281.608.135 3.880.779 680.672.979
Locações sem opção de compra 435.572.934 325.595.955 633.116.824 647.442.684 76.809.930 2.118.538.327
Total 1.114.711.806 686.941.329 1.405.641.889 977.600.531 80.690.709 4.265.586.264



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
61

Graphics



✈ Risco de crédito
O quadro seguinte apresenta elementos relativos aos ativos do Grupo a 31 de dezembro de 2022 e 2021,
bem como saldos de contas a receber, que refletem o risco máximo de crédito nessas mesmas datas:
2022 2021
Ativos não correntes
Outros ativos financeiros (Nota 8) 488.720 488.725
Outras contas a receber (Nota 10) 442.009.852 112.077.476
Ativos correntes
Caixa e equivalentes de caixa (Nota 14) 916.077.051 812.578.316
Outras contas a receber (Nota 10) 875.555.361 347.681.592
2.234.130.984 1.272.826.109
O Grupo aplica a abordagem simplificada prevista na IFRS 9 para mensurar as perdas de crédito
esperadas, a qual utiliza uma expectativa de perdas esperadas para todas as contas a receber. Para medir
as perdas de crédito esperadas, as contas a receber foram agrupadas com base nas características de
risco de crédito comuns e no vencimento. As taxas de perdas esperadas baseiam-se nos perfis de
pagamento das vendas e serviços prestados ao longo de um período de 36 meses antes de 31 de
dezembro de 2022 e das perdas de crédito históricas correspondentes verificadas durante este período.
Decorrente da análise realizada, e atendendo ao facto de parte substancial das receitas do Grupo ser
recebida antecipadamente, a taxa de perda de crédito esperada é muito reduzida e, consequentemente,
os impactos decorrentes imateriais.
Do valor total de contas a receber de clientes, os saldos das companhias de aviação e de agências de
viagens, conforme identificado na Nota 10, são regularizados, principalmente, através dos sistemas IATA
Billing and Settement Plan (“BSP”) e IATA Clearing House (“ICH”), o que minimiza, substancialmente, o
risco de crédito do Grupo.
No que respeita aos saldos a receber de entidades relacionadas, a imparidade de crédito é avaliada
atendendo aos seguintes critérios: i) se o saldo a receber é imediatamente exigível (“on demand”); ii) se o
saldo a receber tem baixo risco; ou iii) se tem um prazo inferior a 12 meses. Nos casos em que o valor a
receber é imediatamente exigível e a entidade relacionada tem capacidade de pagar, a probabilidade de
incumprimento é próxima de 0% e por isso a imparidade é considerada igual a zero. Nos casos em que o
saldo a receber não seja imediatamente exigível é avaliado qual o risco de crédito da entidade relacionada,
e se este for “baixo” ou se o prazo for inferior a 12 meses, então o Grupo apenas avalia a probabilidade
de ocorrer um incumprimento para os fluxos de caixa que se vencem nos próximos 12 meses.
Em 2021 registou-se uma imparidade para valores a receber de entidades relacionadas no valor de 902
milhões de Euros, a qual diz respeito essencialmente ao saldo a receber da TAP SGPS no valor de 884,7
milhões de Euros. Durante o exercício de 2022, reforçou-se esta imparidade em 108,4 milhões de Euros




DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
62

Graphics




(72,6 milhões de Euros relacionados com novos empréstimos concedidos à TAP SGPS em 2022 e 35,8
milhões de Euros decorrentes da alteração de perspetiva quanto à forma de liquidação de montantes
relacionados com transações societárias das subsidiárias da TAP SGPS, nos termos do Plano de
Reestruturação Aprovado). Para todas as outras situações e naturezas de saldos a receber, o Grupo aplica
a abordagem geral do modelo de imparidade.
No desenvolvimento da sua atividade, o Grupo realizou predelivery payments à Airbus com vista à
aquisição de novas aeronaves e celebrou contratos de locação sem opção de compra para a aquisição de
aeronaves, nos quais paga aos lessors reservas de manutenção e cauções. Na análise das perdas de
crédito destes montantes, o Grupo considera a situação financeira das contrapartes, bem como todas as
transações que tem em curso com as mesmas.
Além da gestão financeira, no curto e longo prazo, e da gestão de tesouraria, também no âmbito da gestão
do ativo corrente foi sendo dado um acompanhamento rigoroso à monitorização das posições de clientes
e à repercussão dos efeitos da crise económica na qualidade creditícia destes, tendo sido possível limitar
o agravamento, por exemplo, dos ajustamentos a um valor pouco significativo para a dimensão da
atividade.

Em 31 de dezembro de 2022, a exposição do Grupo por notação de risco de crédito do Grupo face a caixa
e equivalentes de caixa, cujas contrapartes sejam instituições financeiras, detalha-se como segue:
Notação de rating 2022
A1
139.118
A2
53.978
A3
280.123.576
B3
7.730.554
BAA1
193
BAA2
594.568.732
BAA3
32.280
BA1
42.739
BA2
9.458.693
Sem rating atribuído 23.927.188
916.077.051


✈ Gestão de capital
Em termos gerais, o objetivo do Grupo em relação à gestão de capital, que é um conceito mais amplo do
que o capital revelado na face da demonstração consolidada da posição financeira, é manter uma estrutura
de capital equilibrada, sendo que a contratação de dívida é analisada periodicamente através da
ponderação de fatores como o custo do financiamento, perfil de maturidade do financiamento e da dívida
existente e as necessidades de tesouraria.


DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
63

Graphics

Em resultado da pandemia COVID-19, a gestão de capital foi significativamente alterada, passando a
depender em larga maioria do Auxílio de Estado obtido. As alterações ao nível das rubricas de capital
próprio realizadas em 2021 e 2022 tiveram como objetivo fortalecer a estrutura de capital.
Relativamente ao passivo remunerado, corrente e não corrente, verificou-se, uma diminuição de cerca de
3% face a 2021, dado que os financiamentos foram sendo amortizados sem que se tivesse contraído
novos financiamentos deste género. Em relação ao passivo financeiro relativo a locações, subiu cerca de
3% devido aos novos financiamentos contraídos.
A dívida do Grupo tem uma medida contabilística rigorosa, que pode ser analisada e medida de forma
mais abrangente e substancial, englobando agregados cujo comportamento é, nalguns aspetos, similar a
financiamentos. Trata-se do caso das locações, especialmente de aeronaves, fruto da IFRS 16. O
incremento do conjunto de encargos com aeronaves em locação sem opção de compra corresponde a um
aumento de responsabilidades futuras significativas, na medida em que se tratam de contratos de médio
e longo prazo, que se assemelham ao pagamento faseado de dívida, embora sem risco de valor residual
do bem no termo da respetiva locação. Para além da renovação de frota, em regime de locação, será
relevante para a gestão de risco, e em termos de retorno do capital investido, o aumento futuro de dívida
que venha a ocorrer, nos próximos anos, sob a forma de financiamento, ou sob a forma de locação.


DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022
64

Graphics


4 Ativos fixos tangíveis










Durante os exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, o movimento ocorrido na rubrica Ativos fixos tangíveis, bem como nas respetivas
depreciações acumuladas e perdas de imparidade, foi como segue:
Terrenos e
recursos naturais
Edifícios e outras
construções
Equipamento
básico
Equipamento de
transporte
Ferramentas e
utensílios
Equipamento
adm inistrativo
Outros ativos fixos
tangíveis
Outros ativos em
curso
Direito de uso de
ativos Total
Adiantamentos
por conta de ativos
fixos tangíveis
Custo de aquisição
Saldo em 1 de janeiro de 2021 41.125.597 157.071.512 1.343.303.282 2.254.240 30.020.806 52.810.126 12.892.438 22.143.192 61.643.461 2.976.707.505 4.699.972.159
Aquisições - 297.441 134.325.415 42.331 640.009 232.638
326.938 2.931.175
45.007.563 214.526.311 398.329.821
Alienações - - (289.924.589) (66.250) (563.517) (215.005)
(211.729)
- - - (290.981.090)
Regularizações, transf erências e abates - 2.571.257
(8.790.432) (16.316) (70.266) (132.939) (25.369) (5.655.242) (1.074)
122.806.281 110.685.900
Saldo em 31 de dezembro de 2021 41.125.597 159.940.210 1.178.913.676 2.214.005 30.027.032 52.694.820 12.982.278 19.419.125 106.649.950 3.314.040.097 4.918.006.790
Aquisições - 134.323 247.142.359 22.735 1.558.706 1.001.461 128.483 10.240.550 40.953.413 260.658.752 561.840.782
Alienações - - (9.710.459) (68.799) (3.382) (5.053) - - - - (9.787.693)
Regularizações, transf erências e abates - - (3.558.367) (92.421) (24.369) (458.456) (543) (3.631.605) (1.373.243) 62.221.482 53.082.478
Saldo em 31 de dezembro de 2022 41.125.597 160.074.533 1.412.787.209 2.075.520 31.557.987 53.232.772 13.110.218 26.028.070 146.230.120 3.636.920.331 5.523.142.357
Deprec. acumuladas e perdas por imparidade
Saldo em 1 de janeiro de 2021 - 89.720.277 733.470.139 2.172.889 18.244.882 50.179.594 11.498.492 --850.427.299 1.755.713.572
Depreciações (Nota 32) - 5.610.824 58.290.362 64.074 803.052 728.589 264.293
- -
401.666.532 467.427.726
Perdas por imparidade (Nota 32) - -
5.686.331
- 1.623.663 - -
- 3.271.940 -
10.581.934
Alienações - -
(255.433.287) (64.507) (501.464) (71.034) (28.732) - - -
(256.099.024)
Regularizações, transf erências e abates - -
(11.175.808) (16.316) (61.934) (134.103) (25.367) - (3.271.940) -
(14.685.468)
Saldo em 31 de dezembro de 2021
-
95.331.101 530.837.737 2.156.140 20.108.199 50.703.046 11.708.686
- -
1.252.093.831 1.962.938.740
Depreciações (Nota 32) - 5.700.811 60.562.371 16.894 863.443 1.752.557 245.904 - - 429.341.572 498.483.552
Perdas por imparidade (Nota 32) - - (438.751) - (86.047) 923 - - - - (523.875)
Alienações - - (8.555.618) (68.799) (950) (4.206) - - - - (8.629.573)
Regularizações, transf erências e abates - - (6.190.724) (92.421) (24.369) (458.456) (543) - - - (6.766.513)
Saldo em 31 de dezembro de 2022
-
101.031.912 576.215.015 2.011.814 20.860.276 51.993.864 11.954.047
- -
1.681.435.403 2.445.502.331
Valor líquido a 31 de dezembro 2021 41.125.597 64.609.109 648.075.939 57.865 9.918.833 1.991.774 1.273.592 19.419.125 106.649.950 2.061.946.266 2.955.068.050
Valor líquido a 31 de dezembro 2022 41.125.597 59.042.621 836.572.194 63.706 10.697.711 1.238.908 1.156.171 26.028.070 146.230.120 1.955.484.928 3.077.640.026



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 65

Graphics









Durante os exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, o movimento ocorrido na rubrica Direito
de uso, detalha-se como segue:
Edifícios e outras
construções
Leasing de Aviões
e Reatores
ACMI
Redelivery e
Manutenção
Equipamento de
transporte
Total
Ativo Bruto
Saldo em 1 de janeiro de 2021
1.832.381 2.221.869.734 415.625.688 336.604.346 775.356 2.976.707.505
Adições - 85.812.604 - 128.713.707 - 214.526.311
Regularizações, transferências e abates - 3.623.020 136.997.556 (17.814.295) - 122.806.281
Saldo em 31 de dezem bro de 2021
1.832.381 2.311.305.358 552.623.244 447.503.758 775.356 3.314.040.097
Adições - - 82.084.924 178.573.828 - 260.658.752
Regularizações, transferências e abates - 24.033.397 65.676.722 (27.488.637) - 62.221.482
Saldo em 31 de dezem bro de 2022
1.832.381 2.335.338.755 700.384.890 598.588.949 775.356 3.636.920.331
Depreciações Acumuladas
Saldo em 1 de janeiro de 2021 1.424.510 405.011.517 265.528.423 177.930.058 532.791 850.427.299
Depreciações (Nota 32) 407.871 213.446.051 95.952.226 91.663.364 197.020 401.666.532
Saldo em 31 de dezem bro de 2021 1.832.381 618.457.568 361.480.649 269.593.422 729.811 1.252.093.831
Depreciações (Nota 32) - 204.827.227 108.157.628 116.311.583 45.134 429.341.572
Saldo em 31 de dezem bro de 2022 1.832.381 823.284.795 469.638.277 385.905.005 774.945 1.681.435.403
Valor líquido a 31 de dezembro de 2021 - 1.692.847.790 191.142.595 177.910.336 45.545 2.061.946.266
Valor líquido a 31 de dezembro de 2022 - 1.512.053.960 230.746.613 212.683.944 411 1.955.484.928

Os terrenos e os edifícios e outras construções, da sede, foram transferidos para a propriedade do Grupo
ao abrigo do Decreto-Lei nº 351/89 de 13 de outubro.
Para garantia do pagamento dos montantes devidos ao abrigo de um contrato de mútuo, com instituição
nacional, no montante de 75 milhões de Euros, foi constituída uma hipoteca sobre um prédio urbano da
TAP S.A., composto por vinte e nove edifícios para escritório, oficinas de material de construção e outros,
sito no Aeroporto de Lisboa. Adicionalmente em fevereiro de 2020 foi efetuada uma segunda hipoteca
relativa a um financiamento no montante de 25 milhões de Euros. Em 31 de dezembro de 2022, o montante
relativo aos dois contratos mútuos ascendia a 82,9 milhões de Euros.

Os principais movimentos ocorridos durante o exercício findo a 31 de dezembro de 2022 detalham-se
conforme segue:
✈ As adições de equipamento básico no montante de 247.142 milhares de Euros respeitam,
maioritariamente, a: (i) aquisição de três aeronaves no montante de cerca de 202.483 milhares de
Euros, (ii) aquisição de dois motores Leap no montante de cerca de 31.856 milhares de Euros, e (iii)
capitalização de despesas de manutenção estrutural de aeronaves no valor de 8.278 milhares de Euros.
✈ As alienações de equipamento básico no valor líquido de 1.155 milhares de Euros, respeitam
essencialmente à venda de sobressalentes.
✈ As adições da rubrica Direito de uso incluem, essencialmente: (i) sete novos contratos de locação sem
opção de compra (6 contratos de aeronaves em regime de ACMI e 1 contrato de reator em regime de
ACMI) no montante de 79.557 milhares de Euros; (ii) aumento de gastos com grandes manutenções
capitalizados no montante de 97.766 milhares de Euros, (iii) aumento da provisão de redelivery e



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 66

Graphics



capitalização de gastos com reservas de manutenção não recuperáveis no montante de 80.808
milhares de Euros;
✈ Adicionalmente as regularizações, transferências e abates na rubrica Direito de uso incluem,
essencialmente o aumento resultante de renegociações de contratos com lessor no montante de 89.710
milhares de Euros e da revisão da provisão de redelivery procedeu-se a uma redução no montante de
27.489 milhares de Euros;

✈ As adições de outros ativos em curso no montante de 10.240 milhares Euros respeitam essencialmente
a gastos com grandes manutenções em curso, no montante de 9.631 milhares de Euros;
✈ As adições de adiantamentos no montante de 40.953 milhares de Euros respeitam essencialmente a
pre-delivery payments;
Os principais movimentos ocorridos durante o exercício findo a 31 de dezembro de 2021 detalham-se
conforme segue:
✈ As adições de equipamento básico no montante de 134.325 milhares de Euros respeitam,
maioritariamente, a: (i) aquisição de duas aeronaves no montante de cerca de 117.715 milhares de
Euros, (ii) capitalização de despesas de manutenção estrutural aeronaves no valor de 7.807 milhares
de Euros e (iii) aquisição de equipamento de assistência a avião no valor de 6.486 milhares de Euros
(maioritariamente, estes equipamentos fazem parte de um contrato celebrado com a SPdH – Serviços
Portugueses de Handling, S.A. para aquisição de ativos no montante total de 6.970 milhares de Euros
e posterior aluguer à SPdH);
✈ As alienações de equipamento básico no valor líquido de 34.491 milhares de Euros, respeita
essencialmente; à venda de oito aeronaves (seis A319 e duas A320), as quais geraram um ganho no
valor de 11.477 milhares de Euros e à venda à SPdH dos equipamentos adquiridos à própria SPdH no
próprio ano, os quais geraram um ganho de 794 milhares de Euros (Nota 25);
✈ As adições da rubrica Direito de uso incluem, essencialmente: (i) seis novos contratos de locação sem
opção de compra (3 contratos de aeronaves e 3 contratos de reatores) no montante de 77.115 milhares
de Euros; (ii) aumento de gastos com grandes manutenções capitalizados no montante de 52.942
milhares de Euros, (iii) aumento da provisão de redelivery e capitalização de gastos com reservas de
manutenção não recuperáveis no montante de 75.772 milhares de Euros;
✈ Adicionalmente as regularizações, transferências e abates na rubrica Direito de uso incluem,
essencialmente o aumento resultante de renegociações de contratos com lessor no montante de,
aproximadamente, 141.524 milhares de Euros e da revisão da provisão de redelivery procedeu-se a
uma redução no montante de 17.814 milhares de Euros;



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 67

Graphics



✈ As adições de outros ativos em curso no montante de 2.931 milhares Euros respeitam essencialmente
a gastos com grandes manutenções em curso, no montante de 2.780 milhares de Euros;
✈ As adições de adiantamentos no montante de 45.008 milhares de Euros respeitam essencialmente a
pre-delivery payments;
✈ As perdas de imparidade registadas incluem o montante de 6.016 milhares de Euros respeitante a
sobressalentes e ferramentas que se encontram obsoletas.

As depreciações dos ativos fixos tangíveis estão reconhecidas na rubrica Depreciações, amortizações e
perdas por imparidade da demonstração consolidada dos resultados pela sua totalidade (Nota 32).

















Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Equipamento básico tinha a seguinte composição:
2022
2021
Valor bruto
Depreciações e
imparidades acumuladas
Valor líquido Valor bruto
Depreciações e
imparidades
acumuladas
Valor líquido
Equipamento de voo
Frota aérea
87.379.725 (53.447.730)
33.931.995
88.158.127 (48.650.858)
39.507.269
Reatores de reserva
2.969.113 (2.363.028)
606.085
2.969.113 (2.319.949)
649.164
Sobressalentes
93.726.371 (59.195.101)
34.531.270
104.330.465 (68.628.122)
35.702.343
184.075.209 (115.005.859) 69.069.350 195.457.705 (119.598.929) 75.858.776
Equipamento de voo - em regime de
Locação com opção de compra
Frota aérea
997.291.599 (365.416.605)
631.874.994
783.983.286 (322.947.180)
461.036.106
Reatores de reserva
140.915.377 (23.094.884)
117.820.493
109.059.662 (17.194.713)
91.864.949
1.138.206.976 (388.511.489) 749.695.487 893.042.948 (340.141.893) 552.901.055
Máquinas e aparelhagem diversa 90.505.024 (72.697.667) 17.807.357 90.413.023 (71.096.915) 19.316.108
1.412.787.209 (576.215.015) 836.572.194 1.178.913.676 (530.837.737) 648.075.939
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a frota aérea em operação do Grupo, decompõe-se da seguinte
forma:
2022
2021
Propriedade
TAP
Passivo Locação
com opção de
com pra
Passivo Locação
sem opção de
com pra
ACMI Total
Propriedade
TAP
Passivo Locação
com opção de
com pra
Passivo Locação
sem opção de
com pra
ACMI
Total
Airbus A330
--
3 - 3
--
3 - 3
Airbus A330 NEO
-
3 16 - 19
-
3 16 - 19
Airbus A319
-
3 2 - 5
-
3 4 - 7
Airbus A320
-
3 12 - 15
-
3 12 - 15
Airbus A320 NEO
-
- 11 - 11
-
- 11 - 11
Airbus A321
-
2 1 - 3
-
2 1 - 3
Airbus A321 NEO
-
- 10 - 10
-
- 10 - 10
Airbus A321 NEO LR
-
5 6
-
11
-
2 6 - 8
Embraer 190
-- -1010
---9
9
Embraer 195
-- -66
---4
4
ATR 72 - - - - -
---
8 8
- 16 61 16 93 - 13 63 21 97

O Grupo terminou o ano de 2022 com uma frota de 93 aviões. No decurso de 2022, entraram em operação
3 aviões de nova geração Airbus (3 A321neo LR) entraram 3 aeronaves em ACMI (1 Embraer 190 e 2
Embraer 195) e saíram de operação 2 A319 e 8 ATR (dos quais 4 se encontram em processo de phase-
out e 2 em processo de transição de operador).


DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 68

Graphics


Deste modo, da frota no final de 2022, 91 aviões encontravam-se disponíveis para a operação comercial
de passageiros e 2 estavam alocados exclusivamente à operação de carga. No final de 2022, 56% da frota
operacional de médio e longo curso era composta por aviões da família NEO.
Em 31 de dezembro de 2022, encontravam-se em processo de phase-in 3 aeronaves da frota Embraer, 2
E190 e 1 E195.
Imparidade
No exercício findo em 31 de dezembro de 2022, decorrente dos indícios de imparidade existentes nos
ativos não correntes referentes ao transporte aéreo em exercícios anteriores, em resultado da redução de
atividade durante a pandemia COVID-19, conjugado com o aumento das taxas de juro e do custo do Jet
fuel ocorrido em 2022, foi realizada uma análise de imparidade aos respetivos ativos.
Para este efeito, o valor recuperável dos referidos ativos foi apurado em modelos de fluxos de caixa
descontados para o período subsequente de 5 anos de 2023-2027, tendo por base as projeções embutidas
no Plano de Reestruturação Aprovado e utilizando uma taxa de desconto alinhada com o risco inerente ao
negócio à data de 31 de dezembro de 2022.
É entendimento do Conselho de Administração que a melhor estimativa, à data de 31 de dezembro de
2022, encontra-se refletida nas projeções embutidas no teste de imparidade realizado, não obstante o
desvio positivo verificado na performance operacional do exercício de 2022 entre o real e o previsto no
Plano de Reestruturação Aprovado.
Em 31 de dezembro de 2022, a TAP S.A. procedeu ao cálculo da quantia recuperável dos ativos do
transporte aéreo, essencialmente decorrentes da frota, no valor de 2.988 milhões de Euros, através da
determinação do valor de uso alocado à unidade geradora de caixa definida (Transporte Aéreo do Grupo),
de acordo com o método dos fluxos de caixa descontados.
Os principais pressupostos utilizados, para efeitos do teste de imparidade foram os seguintes:
2022 2021
Taxa de desconto (WACC)* 9,1% 8,4%
CAGR da receita** 0,9% 0,9%
Crescimento da perpetuidade (g) 2,0% 2,0%
Taxa de imposto 29,5% 29,5%
* Taxa de desconto líquida de impostos
** Taxa de crescimento média do volume de negócios.
O Plano de Reestruturação Aprovado assentou em quatro eixos: (i) foco no core business, (ii) ajustamento
da capacidade (dimensionamento de frota e otimização de rede); (iii) otimização dos custos operacionais



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 69

Graphics






(negociação de locações, revisão de custos com terceiros e ajuste dos custos laborais) e (iv) melhoria da
receita (pela otimização da rede, receitas de passageiros e outras receitas).
Quanto aos gastos com combustível, o Plano de Reestruturação Aprovado prevê um decréscimo
progressivo a partir de 2023, com o preço de 2026 alinhado com o de 2019 e uma estimativa de menor
consumo por Block hour devido ao phase-in de frota NEO, por ser mais eficiente.
Relativamente à procura de passageiros, foram utilizadas as projeções atualizadas àquela data de
entidades de referência do setor, nomeadamente as projeções da International Air Transport Association
(IATA), considerando a sua maior adequação à realidade operacional da TAP S.A., com um modelo de
negócio alicerçado em voos de conexão e operação de longo curso. Com estas projeções, e decorrente
do efeito da pandemia COVID-19, o Plano de Reestruturação Aprovado estimava que os números da
atividade de 2019 só seriam atingidos novamente em 2025, estimando-se um crescimento gradual entre
os anos de 2023 a 2026 conforme expetativa do mercado. Ver Nota 1.
O Conselho de Administração, suportado no valor dos fluxos de caixa descontados considerados no Plano
de Reestruturação Aprovado, à taxa considerada aplicável, concluiu que, em 31 de dezembro de 2022, o
valor contabilístico dos ativos afetos à atividade do transporte aéreo, não excede o seu valor recuperável.
Uma alteração nos principais pressupostos utilizados no cálculo do valor recuperável teria os impactos
constantes dos quadros abaixo:
Cenário base
Aumento da WACC
em 0,5pp
Diminuição da
g em 0,5pp
Efeito conjunto
(WACC + g)
Taxa de desconto 9,1% 9,6% 9,1% 9,6%
Crescimento da perpetuidade 2,0% 2,0% 1,5% 1,5%
Conclusões da análise de sensibilidade Sem imparidade Sem imparidade Sem imparidade Sem imparidade
Tendo por base os pressupostos considerados no Plano de Reestruturação Aprovado, apresentam-se
adicionalmente as seguintes análises de sensibilidade:
Cenário 1 – Recuperação mais lenta da procura (de entre -4% a -9% de passageiros para os anos de 2023
a 2027), a qual se encontra estimada no Plano de Reestruturação Aprovado de forma mais conservadora
do que o baseline das projeções da IATA acima referidas;
Cenário 2 – Aumento do preço do jet fuel (+5% a +10%);
Cenário 3 – Evolução da yield/rentabilidade operacional (-2% a -5%);
Cenário 4 – Cenário mais pessimista, considerando a ocorrência das três variáveis com parâmetros mais
stressados, acima descritos.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 70

Graphics








Cenário base
Cenário 1
(-% Passageiros)
Cenário 2
(+5% +10%
Combustível)
Cenário 3
(-2% -5% Yield)
Cenário 4
(Worst case
scenario)
Taxa de desconto 9,1% 9,1% 9,1% 9,1% 9,1%
Crescimento da perpetuidade 2,0% 2,0% 2,0% 2,0% 2,0%
Conclusões da análise de sensibilidade Sem imparidade Imparidade Sem imparidade Sem imparidade Imparidade
Importa salientar que os cenários de sensibilidade, acima apresentados, não foram considerados pelo
Conselho de Administração como o cenário base no Plano de Reestruturação, dado que os pressupostos
em causa não se estimam como prováveis, tendo por base a estratégia operacional definida no Plano de
Reestruturação Aprovado e as estimativas macroeconómicas de mercado conhecidas a esta data.
Salienta-se ainda que os resultados operacionais obtidos pelo Grupo no exercício de 2022 superaram
significativamente o previsto para esse mesmo exercício no Plano de Reestruturação Aprovado.
A incerteza resultante da Guerra na Ucrânia não permite a determinação dos possíveis impactos na
atividade do Grupo nos próximos exercícios, considerando que, à semelhança do verificado durante o
exercício de 2022, o principal efeito à data de aprovação das demonstrações financeiras poderá advir do
preço do jet fuel, para o qual o Grupo se encontra a negociar instrumentos financeiros derivados de
cobertura de fixação do preço de uma parte do combustível necessário para a sua operação, semelhantes
aos instrumentos derivados de cobertura que tem vindo a contratar (Nota 3).


5 Propriedades de investimento
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 os movimentos registados nas propriedades de investimento
detalham-se como segue:
2022 2021
Saldo inicial 1.615.899 1.543.825
Transferências para ativos não correntes detidos para venda (Nota 7) (225.000) -
Variação de justo valor (Nota 25) 299.101 72.074
Saldo final 1.690.000 1.615.899
A diminuição de 225.000 euros deve-se à transferência para ativos não correntes detidos para venda de
duas frações do edifício da Portela, estando a 31 de dezembro 2022 assinado contrato de promessa
compra e venda.


DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 71

Graphics







6 Ativos intangíveis
Os movimentos ocorridos na rubrica “Ativos intangíveis” durante os exercícios findos em 31 de dezembro
de 2022 e 2021 detalham-se conforme segue:
Propriedade
industrial e outros
direitos
Programas de
computador
Ativos
em curso
Total
Custo de aquisição
Saldo em 1 de janeiro de 2021 11.951.704 51.844.645 3.197.316 66.993.665
Aquisições -
7.706.964 2.592.312
10.299.276
Regularizações, transferências e abates -
1.683.875 (1.683.875)
-
Saldo em 31 de dezem bro de 2021 11.951.704 61.235.484 4.105.753 77.292.941
Aquisições - 6.787.303 4.525.905 11.313.208
Regularizações, transferências e abates - 72.500 (72.500) -
Saldo em 31 de dezem bro de 2022 11.951.704 68.095.287 8.559.158 88.606.149
Amort. acumuladas e perdas por imparidade
Saldo em 1 de janeiro de 2021 11.951.704 30.169.897 - 42.121.601
Amortizações e perdas por imparidade (Nota 32) - 11.695.551 - 11.695.551
Saldo em 31 de dezem bro de 2021 11.951.704 41.865.448 - 53.817.152
Amortizações e perdas por imparidade (Nota 32) - 11.498.823 - 11.498.823
Saldo em 31 de dezem bro de 2022 11.951.704 53.364.271 - 65.315.975
Valor líquido a 31 de dezembro de 2021 - 19.370.036 4.105.753 23.475.789
Valor líquido a 31 de dezembro de 2022 - 14.731.016 8.559.158 23.290.174
Os principais movimentos ocorridos durante o exercício findo a 31 de dezembro de 2022 são conforme se
segue:
✈ O aumento na rubrica Programas de computador no montante de 6.787 milhares de Euros refere-se,
essencialmente, a contratos de licenciamento de software.
✈ O aumento na rubrica Ativos em curso no montante de 4.526 milhares de Euros refere-se a vários
projetos de desenvolvimento e implementações em curso de software de apoio às áreas de operações,
vendas e manutenção.



7 Ativos não correntes detidos para venda
O saldo registado em 31 de dezembro de 2022 diz respeito a duas frações de um edifício comercial detidas
pelo Grupo (Nota 5). O preço de venda acordado, deduzido dos custos de alienação, é superior à quantia
escriturada dos ativos.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 72

Graphics




8 Outros ativos financeiros
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de outros ativos financeiros tinha a seguinte composição:
2022
2021
Corrente Não corrente Corrente
Não corrente
Depósitos bancários na Guiné Bissau - 1.671.909 - 1.738.465
SITA Group Foundation - 455.915 - 455.915
Outros - 47.363 - 47.368
- 2.175.187 - 2.241.748
Imparidades de outros ativos financeiros - (1.686.467) - (1.753.023)
- 488.720 - 488.725
O montante apresentado relativo a SITA Group Foundation refere-se, essencialmente, a 519.778
certificados (títulos de capital não cotados) daquela empresa, entidade fundada pela Société International
de Télécommunications Aéronautiques.


9 Ativos e passivos por impostos diferidos
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a taxa de imposto utilizada em Portugal, para o apuramento dos
impostos diferidos ativos relativos a prejuízos fiscais reportáveis foi de 21%. Para as restantes diferenças
temporárias a taxa utilizada em 2022 foi de 21% e 29,5%, dependendo do ano estimado da sua realização.
Os benefícios fiscais, por se tratarem de deduções à coleta, são considerados a 100%, sendo que em
alguns casos, a sua integral aceitação encontra-se, ainda, dependente da aprovação das autoridades
concedentes de tais benefícios fiscais. Os impostos diferidos decorrentes de benefícios fiscais são
registados quando se encontram aprovados pelas autoridades concedentes de tais benefícios.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 73

Graphics












As principais naturezas de diferenças temporárias entre os valores contabilísticos e tributáveis, em 31 de
dezembro de 2022 e 2021, os correspondentes ativos e passivos por impostos diferidos e o respetivo efeito
nos resultados dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, são como segue:
2022
Saldo inicial
Variações com
efeitos em
resultados
(Nota 34)
Variações com
efeitos no
rendimento integral
Saldo final
Ativos por impostos diferidos
Prejuízos fiscais reportáveis 134.137.162 26.034.101 -
160.171.263
Responsabilidades com benefícios pós-emprego 27.365.034 (3.666.543) 8.444.553
32.143.044
Perdas de imparidade em inventários 7.784.490 (3.247.137) -
4.537.353
Perdas de imparidade em contas a receber 186.612.370 40.612.677 -
227.225.047
SIFIDE,CFEI e dupla tributação internacional 1.150.497 - -
1.150.497
Outras provisões e ajustamentos não aceites fiscalmente 4.698.737 14.651.413 -
19.350.150
Perdas de imparidade em ativos fixos 1.774.848 (448.658) -
1.326.190
Instrumentos financeiros derivados - - 1.526.307
1.526.307
363.523.138 73.935.853 9.970.860
447.429.851
Passivos por impostos diferidos
Reavaliações efetuadas 15.604.548 (1.376.924) - 14.227.624
Instrumentos financeiros derivados 48.940 - (48.940) -
Ajustamentos decorrentes do IFRS 16 e IFRS 9 18.369.285 43.423.524 (32.019.743) 29.773.066
34.022.773 42.046.600 (32.068.683) 44.000.690
329.500.365 31.889.253 42.039.543 403.429.161
2021
Saldo inicial
Variações com
efeitos em
resultados
(Nota 34)
Variações com
efeitos no
rendimento integral
Saldo final
Ativos por impostos diferidos
Prejuízos fiscais reportáveis 76.902.007 57.235.155 -
134.137.162
Responsabilidades com benefícios pós-emprego 32.308.940 (3.211.930) (1.731.976)
27.365.034
Perdas de imparidade em inventários 6.264.906 1.519.584 -
7.784.490
Perdas de imparidade em contas a receber 6.929.807 179.682.563 -
186.612.370
SIFIDE,CFEI e dupla tributação internacional 456.670 693.827 -
1.150.497
Outras provisões e ajustamentos não aceites fiscalmente 115.613 4.583.124 -
4.698.737
Perdas de imparidade em ativos fixos - 1.774.848 -
1.774.848
Instrumentos financeiros derivados 6.092.975 - (6.092.975)
-
129.070.918 242.277.171 (7.824.951)
363.523.138
Passivos por impostos diferidos
Reavaliações efetuadas 17.134.632 (1.530.084) - 15.604.548
Instrumentos financeiros derivados - - 48.940 48.940
Ajustamentos decorrentes do IFRS 16 90.890.946 (72.521.661) - 18.369.285
108.025.578 (74.051.745) 48.940 34.022.773
21.045.340 316.328.916 (7.873.891) 329.500.365
✈ Prejuízos fiscais reportáveis
O Orçamento de Estado para 2023, aprovado em 2022, colocou fim à limitação temporal para reporte de
prejuízos fiscais e reduziu o limite anual da dedução ao lucro tributável de 70% para 65%, aplicando-se
estas
alterações à dedução de prejuízos aos lucros tributáveis dos períodos de tributação que se iniciem
em ou após 1 de janeiro de 2023, bem como aos prejuízos fiscais apurados em períodos de tributação
anteriores a 1 de janeiro de 2023, cujo período de dedução ainda se encontre em curso. O programa de
estabilização económica e social publicado em 2020 estabeleceu um incremento da percentagem de
dedução dos prejuízos fiscais gerados em 2020 e 2021 em dez pontos percentuais, mantendo-se este
incremento com a aprovação do Orçamento de Estado de 2023.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 74

Graphics





Na sequência da referida alteração o Grupo considera que há uma maior probabilidade na realização dos
impostos diferidos ativos (Nota 34).
O Grupo considera que são recuperáveis os prejuízos fiscais reportáveis gerados em 2015, 2021 e 2022,
através da sua utilização na redução do resultado tributável futuro (calculado com base nas demonstrações
financeiras individuais da TAP S.A., preparadas em conformidade com o SNC) considerando as projeções
de resultados fiscais futuros, tendo por base as projeções dos lucros tributáveis futuros a gerar resultados
fiscais, conforme incluído no Plano de Reestruturação Aprovado e nas projeções de lucros fiscais
aprovadas pelo Conselho de Administração do Grupo TAP na análise de sensibilidade apresentada à
Comissão Europeia em novembro de 2021 para o período 2026 – 2027, tendo sido efetuada uma
linearização dos resultados fiscais para os períodos remanescentes.
Considerando os pressupostos referidos, é expetável a recuperação dos ativos por impostos diferidos
registados em 31 de dezembro de 2022 num período entre 11 a 13 anos, atendendo a diferentes cenários
de sensibilidade.
Para efeitos de análise de recuperabilidade dos impostos diferidos, foi aplicado um haircut/fator de prémio
de risco crescente decorrente do horizonte temporal (7,36%/ano).
De referir que, apesar do Grupo ter vindo a proceder ao exercício do seu legítimo direito de contestação,
não foram registados impostos diferidos ativos relacionados com os prejuízos fiscais reportáveis que
resultaram da operação de securitização nos anos de 2014 e 2015, no montante de 99 milhões de Euros,
atualmente em discussão em tribunal tributário.
A alteração da estrutura acionista da TAP S.A. em maio de 2021, resultante do aumento de capital
realizado (Nota 15), determinou a saída da TAP S.A. do Regime Especial de Tributação de Grupos de
Sociedades (“RETGS”) da TAP SGPS. Consequentemente, os prejuízos fiscais apurados em 2018, 2019
e 2020 deixaram de ser passiveis de dedução na esfera da TAP S.A., tendo sido desreconhecidos em
2021 ativos por impostos diferidos por prejuízos fiscais relativos aos anos de 2018 e 2019 no montante de
56,6 milhões de Euros.
O detalhe dos prejuízos fiscais a 31 de dezembro de 2022 é detalhado como segue:
Sem
Securitização
Securitização Total
Ano limite para
dedução *
2014 - 31.071.827 31.071.827 Sem limite
2015 96.780.011 67.927.000 164.707.011 Sem limite
2021 549.225.430 - 549.225.430 Sem limite
2022 (estimativa) 116.714.860 - 116.714.860 Sem limite
762.720.301 98.998.827 861.719.128
* De acordo com o Orçamento de Estado aprovado para o ano 2023.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 75

Graphics





10 Outras contas a receber



Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 o detalhe da rubrica de outras contas a receber é como segue:
2022
2021
Corrente Não corrente Corrente
Não cor r e nte
Clientes 435.338.029 - 275.737.564 -
Depósitos de garantia de contratos de locação 7.266.337 35.430.579 7.942.181 48.654.070
Reservas de manutenção recuperáveis 19.861.307 64.700.421 - 62.315.215
Adiantamentos a fornecedores 27.676.618 - 15.234.138 -
Acréscimos de rendimentos 37.886.855 - 13.889.002 -
Outros devedores 1.462.227.516 343.800.240 1.032.803.970 3.029.579
1.990.256.662 443.931.240 1.345.606.855 113.998.864
Perdas por imparidade de contas a receber (1.114.701.301) (1.921.388) (997.925.263) (1.921.388)
875.555.361 442.009.852 347.681.592 112.077.476


Para os períodos apresentados não existem diferenças entre os valores contabilísticos e o seu justo valor.
✈ Clientes
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de clientes detalha-se como segue:
2022 2021
Entidades privadas 271.863.914 148.734.668
Clientes de cobrança duvidosa 60.845.174 60.518.807
Agências de viagem 42.401.776 25.466.540
Entidades relacionadas (Nota 38) 19.299.760 17.055.898
Companhias de aviação 17.478.206 19.129.075
Outros 23.449.199 4.832.576
435.338.029 275.737.564
Imparidades (90.018.096) (88.937.364)
345.319.933 186.800.200
A variação nesta rubrica consiste, essencialmente, do efeito da retoma da atividade no exercício findo a
31 de dezembro de 2022.
Em 31 de dezembro de 2022, a rubrica Entidades privadas inclui um saldo referente a uma retenção
efetuada pela entidade de cartões de crédito Elavon, no montante de 42 milhões de dólares, cerca de 30
milhões de Euros (em 2021 o valor da retenção ascendia a 60 milhões de dólares, cerca de 53 milhões de
Euros). Em 2022 foi recebido um montante de 9,5 milhões de Euros, tendo o remanescente valor da
retenção sido recebido no início de 2023.
Os saldos a receber de agências de viagens e de companhias de aviação são regularizados,
essencialmente, através dos sistemas IATA Billing and Settement Plan (“BSP”) e IATA Clearing House,
que não cobre a totalidade dos riscos de falência das Agências de viagem e Companhias de Aviação.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 76

Graphics






✈ Depósitos de garantia de contratos de locação
Os depósitos de garantia são constituídos no âmbito dos contratos de locação sem opção de compra para
aviões e reatores que serão devolvidos, sem juros, à medida que esses aviões e reatores forem sendo
restituídos aos locadores. Adicionalmente, a 31 de dezembro de 2022 a rubrica de Gastos a reconhecer
inclui um montante de 19,7 milhões de Euros referentes ao efeito financeiro destas contas a receber, a ser
reconhecido no período dos contratos de locação relacionados (Nota 13).


✈ Reservas de manutenção recuperáveis
A rubrica Reservas de manutenção recuperáveis respeita a reservas de manutenção pagas em contratos
de locação sem opção de compra, que serão realizadas durante o período dos contratos.
✈ Adiantamentos a fornecedores
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Adiantamentos a fornecedores detalha-se como segue:
2022 2021
Entidades relacionadas (Nota 38) 575.390 516.432
Outros 27.101.228 14.717.706
27.676.618 15.234.138
A rubrica Outros inclui adiantamentos a fornecedores de diversa natureza, nomeadamente entidades
gestoras aeroportuárias e seguradoras.
✈ Acréscimos de rendimentos
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Acréscimos de rendimentos detalha-se como segue:
2022 2021
Trabalhos para companhias de aviação 27.739.776 10.070.865
Entidades relacionadas (Nota 38) 1.046.291 1.899.181
Facilidades de aeroporto - Incentivos 364.477 201.067
Outros 8.736.311 1.717.889
37.886.855 13.889.002
O aumento dos montantes de trabalhos para companhias de aviação resulta da retoma no segundo
semestre de 2022 da atividade de manutenção de aeronaves e reatores de terceiros.
Em 31 de dezembro de 2022, o saldo da rubrica “Outros”, diz essencialmente respeito a notas de crédito
a receber de fornecedores e juros de depósitos bancários.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 77

Graphics






✈ Outros devedores



Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de outros devedores detalha-se como segue:
Corrente
Não corrente Corrente Não corrente
Entidades relacionadas (Nota 38) 1.048.023.603 17.223.370 948.181.025 -
Capital subscrito e não realizado (Notas 15 e 38) 333.540.088 324.341.080 - -
Cauções e garantias 30.350.635 - 21.512.320 -
Pessoal 18.238.492 - 14.531.539 -
Faturação interline e outras entidades 12.644.195 - 18.978.784 -
Devedores de cobrança duvidosa 7.608.261 - 4.285.131 -
IVA a receber das Representações 6.014.767 - 3.322.126 -
Adiantamentos relacionados com contratos de locação - - 6.309.157 -
Derivados de Jet Fuel (Nota 23) - - 233.046 -
Outros 5.807.475 2.235.790 15.450.842 3.029.579
1.462.227.516 343.800.240 1.032.803.970 3.029.579
Imparidades (1.024.683.205) (1.921.388) (908.987.899) (1.921.388)
437.544.311 341.878.852 123.816.071 1.108.191


Conforme referido na Nota Introdutória, em 27 de dezembro de 2022 o acionista único subscreveu um
aumento de capital de 980 milhões de Euros, tendo ficado por realizar 686 milhões de Euros, cuja
realização está prevista em duas tranches de igual montante em 2023 e 2024. O saldo do aumento de
capital por realizar, atualizado financeiramente, encontra-se registado na rubrica de capital subscrito e não
realizado corrente e não corrente, nos montantes de 334 milhões de Euros e 324 milhões de Euros,
respetivamente.
Em 31 de dezembro de 2022, a rubrica de outros devedores – entidades relacionadas – inclui um montante
de 993 milhões de Euros a receber da TAP SGPS, para o qual existe uma imparidade acumulada de igual
montante, o qual decorre da sua gestão de participações financeiras na TAP ME Brasil, SPdH e Portugália
e inclui também o montante de 42 milhões de Euros a receber da Portugália (24,7 milhões de Euros nos
ativos correntes e 17,2 milhões de Euros nos ativos não correntes), relacionado com a refaturação de
reservas de manutenção pagas pela Portugália.

✈ Perdas por imparidade de contas a receber - corrente
O movimento ocorrido na rubrica de perdas por imparidade de contas a receber, em 31 de dezembro de
2022 e 2021, é como segue:
2022
2021
Clientes Outros Clientes Outros
Saldo inicial 88.937.364 908.987.899 80.535.448 10.845.462
Aumentos (Notas 18, 28 e 31) 4.771.382 114.895.991 9.781.832 898.287.753
Reduções (Nota 28) (440.362) (8.876) (454.914) (56.263)
Utilizações (4.160.888) (79.954) (925.002) (89.053)
Câmbio (Nota 33) 910.600 888.145 - -
Saldo final 90.018.096 1.024.683.205 88.937.364 908.987.899




DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 78

Graphics





Durante o exercício de 2022, as perdas por imparidade em contas a receber da TAP SGPS foram
reforçadas em 108,4 milhões de Euros (Nota 31), 72,6 milhões de Euros relacionados com novos
empréstimos concedidos à TAP SGPS em 2022 (dos quais 23,5 milhões de Euros dizem respeito ao
financiamento da liquidação das operações da TAP ME Brasil e que já se encontravam provisionados em
31 de dezembro de 2021 - Nota 18) e 35,8 milhões de Euros decorrentes da alteração de perspetiva quanto
à forma de liquidação de montantes relacionados com transações societárias das subsidiárias da TAP
SGPS, nos termos do Plano de Reestruturação Aprovado.
Decorrente da análise à recuperabilidade de contas a receber, foram registadas no exercício de 2021 (i)
perdas por imparidade no montante de 884,7 milhões de Euros respeitantes à conta a receber da TAP
SGPS decorrente da aprovação do Plano de Reestruturação Aprovado (Nota 1.1.3), (ii) perdas por
imparidade no montante de 10,7 milhões de Euros sobre uma conta a receber da SPdH, essencialmente
referente à alienação de equipamentos de assistência a avião anteriormente adquiridos à própria SPdH
em março de 2021 e (iii) perdas por imparidade no montante de aproximadamente 6,8 milhões de Euros
em contas a receber da TAP ME Brasil.
O detalhe das perdas por imparidade acumuladas referentes a partes relacionadas encontra-se divulgado
na Nota 38.





11 Inventários
O detalhe dos inventários em 31 de dezembro de 2022 e 2021 é como segue:
2022
2021
Matérias primas, subsidiárias e de consumo 81.765.085 82.944.908
Perdas por imparidade de inventários (15.380.857) (26.388.101)
66.384.228 56.556.807
As matérias-primas, subsidiárias e de consumo referem-se a material técnico para utilização na
manutenção e reparação de aeronaves próprias e nas obras realizadas para outras companhias de
aviação.
O movimento ocorrido na rubrica de perdas por imparidade de inventários, nos exercícios findos em 31 de
dezembro de 2022 e 2021, é como segue:
2022
2021
Saldo inicial 26.388.101 21.236.969
Aumentos (Nota 28) 91.378 12.498.098
Reduções (Nota 28) (5.222.758) (7.163)
Utilizações (5.875.864) (7.339.803)
Saldo final 15.380.857 26.388.101


DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 79

Graphics





O montante registado em redução de imparidades durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2022
decorre essencialmente do aumento da rotação de inventários, na sequência do aumento da atividade do
Grupo em 2022.
O montante registado em utilizações durante os exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021
resulta, sobretudo, de materiais vendidos e/ou abatidos para os quais haviam sido registadas perdas por
imparidade em anos anteriores.
O aumento de imparidades durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2021 respeita, principalmente,
a itens referentes a frotas em phase-out ou com baixa rotação, nomeadamente nas frotas A330 e
A320Family, conjugado com o baixo consumo em resultado da pandemia COVID-19.








12 Imposto sobre o rendimento a receber/pagar
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 os saldos relacionados com imposto sobre o rendimento a receber
ou a pagar detalham-se como segue:
2022
2021
Ativo corrente
Passivo
corrente
Ativo corrente
Passivo
corrente
Estado e outros entes públicos
Outros - (19.326) - (19.327)
Retenções na fonte 656.061 - - 28.410
Estimativa de IRC (Nota 34) (221.015) - - (113.886)
435.046 (19.326) - (104.803)
435.046 (19.326) - (104.803)









13 Outros ativos correntes e não correntes
Os outros ativos correntes e não correntes em 31 de dezembro de 2022 e 2021 detalham-se conforme
segue:
2022
2021
Corrente Não corrente Corrente
Não cor r e nte
Gastos a reconhecer 37.288.455 17.828.667 19.313.229 22.903.458
Estado e outros entes públicos 7.514.913 - 2.607.648 -
44.803.368 17.828.667 21.920.877 22.903.458







DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 80

Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 81















✈ Gastos a reconhecer
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica “Gastos a reconhecer” detalha-se como segue:
2022
2021
Corrente
Não corrente Corrente Não corrente
Depósitos de garantia (Nota 10) 1.909.687 17.828.667 - 22.903.458
Partes relacionadas (Nota 38) 272.178 - 1.023.737 -
Comissões 27.667.870 - 13.667.982 -
Trabalhos especializados 1.506.087 - - -
Rendas e alugueres 286.879 - 295.000 -
Outros 5.645.754 - 4.326.510 -
37.288.455 17.828.667 19.313.229 22.903.458

Em 31 de dezembro de 2022 e 2021, as comissões respeitam a valores pagos a agentes por bilhetes
vendidos, mas ainda não voados e não caducados. A sua variação deve-se ao incremento de atividade
verificado em 2022.

✈ Estado e outros entes públicos
Em 31 de dezembro de 2022 e em 2021 os saldos desta rubrica detalham-se como segue:
2022 2021
Imposto sobre o Valor Acrescentado - IVA 5.925.109 1.845.986
Restantes impostos 1.589.804 761.662
7.514.913 2.607.648
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 o saldo devedor do IVA refere-se aos pedidos de reembolsos, ainda
não recebidos.





14 Caixa e seus equivalentes
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 o detalhe de caixa e seus equivalentes apresenta os seguintes
valores:
2022 2021
Depósitos à ordem 82.248.411 48.256.116
Depósitos a prazo 833.698.030 764.104.851
Outros depósitos e títulos 65.000 176.000
Caixa 65.610 41.349
Caixa e seus equivalentes 916.077.051 812.578.316




Graphics


15 Capital
Conforme referido na Nota Introdutória, em 24 de maio de 2021 o Estado Português, através da Direção-
Geral do Tesouro e Finanças, realizou um aumento de capital na TAP S.A. no montante de 462 milhões
de Euros.
Neste contexto, a estrutura acionista da TAP S.A. passou a detalhar-se da seguinte forma:
✈ A República Portuguesa, através da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, passou a deter 91,8%
das ações representativas do capital social e dos direitos de voto; e
✈ A TAP SGPS passou a deter 8,2% das ações representativas do capital social e dos direitos de
voto da TAP S.A..
Na sequência das aprovações pela Comissão Europeia de auxílios de Estado para (i) a reestruturação do
Grupo TAP e (ii) para a compensação de prejuízos sofridos pela TAP S.A. em resultado da pandemia
COVID-19, no dia 30 de dezembro de 2021, foram aprovadas, em Assembleia Geral Extraordinária da
TAP S.A. e submetidas a registo junto da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, as seguintes
operações societárias:
✈ O aumento do capital social da TAP S.A. de 503.500.000 Euros para 657.853.400 Euros, subscrito
integralmente pela TAP SGPS, através da conversão de prestações suplementares, no valor total
de 154.353.400 Euros;
✈ A redução do seu capital social para 0 Euros, para cobertura parcial de prejuízos;
✈ O aumento do seu capital social de 0 Euros para 1.794.544.230 Euros, subscrito integralmente
pela República Portuguesa, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, sendo o montante
de 1.258.544.230 Euros realizado exclusivamente por entradas em espécie, por conversão de
créditos da República Portuguesa sobre a TAP S.A., e o montante de 536.000.000 Euros, realizado
por entradas em dinheiro;
✈ A redução do seu capital social de 1.794.544.230 Euros para 904.327.865 Euros, para cobertura
parcial de prejuízos.
Em virtude das operações acima descritas, a TAP S.A. passou a ter como acionista único e direto a
República Portuguesa, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, não se alterando materialmente
o controlo exercido sobre a TAP S.A., na medida em que a República Portuguesa já era o beneficiário
efetivo da TAP S.A.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 82

Graphics






Ainda na sequência da decisão da Comissão Europeia datada de 21 de dezembro de 2021 que aprovou
o Plano de Reestruturação do Grupo TAP e a concessão de auxílios à reestruturação, nos termos da qual
se previa a concessão de uma tranche do referido auxílio até ao final do exercício de 2022, no dia 27 de
dezembro de 2022 foram aprovadas, por meio de decisão por escrito da acionista única da TAP S.A., as
seguintes operações societárias:
a) A redução do capital social da TAP S.A. de 904.327.865 Euros para 0,00 Euros, para cobertura
parcial de prejuízos;
b) O aumento do seu capital social de 0,00 Euros para 980.000.000 Euros, subscrito integralmente
pela República Portuguesa, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, a ser realizado por
novas entradas em dinheiro.
Em resultado das Operações de 2022 acima descritas, o capital social da TAP S.A. passou a ser de
980.000.000 Euros, representado por 196.000.000 ações, com o valor nominal unitário de 5,00 Euros, dos
quais se encontram realizados 294.000.000 Euros. A TAP S.A. mantém como acionista único direto e
beneficiário efetivo a República Portuguesa, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças.




16 Prestações suplementares e reservas
Prestações suplementares
Por deliberação em Assembleia Geral de Acionistas, datada de 13 de novembro de 2015, a acionista
à data, TAP SGPS procedeu a uma entrada em dinheiro, totalmente realizada, no montante de 29.542.000
Euros sob a forma de prestações suplementares. Adicionalmente, em 11 de dezembro de 2015, por
deliberação social unânime por escrito, foi aprovada a realização de prestações suplementares, no
montante total de 124.811.400 Euros, cuja entrada em dinheiro ocorreu ainda no mês de dezembro.
No dia 30 de dezembro de 2021, foi aprovada, em Assembleia Geral Extraordinária da TAP S.A. o aumento
do capital social da TAP S.A. de 503.500.000 Euros para 657.853.400 Euros, subscrito integralmente pela
TAP SGPS, através da conversão de prestações suplementares, no valor total de 154.353.400 Euros (Nota
15).
Reservas
✈ Reserva legal
A legislação comercial estabelece que, pelo menos, 5% do resultado líquido anual tem de ser destinado
ao reforço da reserva legal até que esta represente pelo menos 20% do capital.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 83

Graphics



Esta reserva não é distribuível, a não ser em caso de liquidação do Grupo, mas pode ser incorporada no
capital ou utilizada para absorver prejuízos, depois de esgotadas as outras reservas.
Com os aumentos de capital ocorridos em 2021 e 2022, a 31 de dezembro de 2022 a reserva legal não se
encontra ainda totalmente constituída.
✈ Reservas de justo valor
Em 31 de dezembro de 2022, o montante negativo de 5.741.822 Euros, apresentado na rubrica “Reservas
de justo valor”, corresponde ao justo valor dos instrumentos financeiros classificados como de cobertura
no montante de 7.268.129 Euros, líquido do imposto no montante de 1.526.307 Euros (Notas 9 e 20).
✈ Outras reservas
Durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2022 o Grupo registou na rubrica de “Outras reservas” o
montante de 76.521.759 Euros, líquido de imposto diferido no montante de 32.019.743 Euros (Notas 9 e
33), referente às perdas cambiais líquidas decorrentes da atualização cambial dos passivos de locação
em USD, para as quais foi definida uma relação de cobertura com as vendas previstas altamente prováveis
cuja tarifa é determinada em USD, com referência a 1 de janeiro de 2022 (Nota 2.33).
Esta rubrica inclui também o saldo da reserva constituída em 2010 resultante da fusão por incorporação
da Air Portugal Tours, S.A. no montante de 200.588 Euros.
Outras variações no capital próprio
O saldo registado na rubrica em 31 de dezembro de 2022 no montante de 28,1 milhões de Euros diz
respeito ao efeito financeiro das contas a receber em dezembro de 2023 e dezembro de 2024 do acionista
único, referentes ao aumento de capital subscrito em 27 de dezembro de 2022 e não realizado (Nota 10).
Resultados transitados
A rubrica “Resultados transitados” corresponde aos resultados líquidos dos exercícios anteriores,
conforme deliberações efetuadas nas Assembleias Gerais. Encontram-se, ainda, registadas nesta rubrica
as alterações decorrentes da aplicação, pela primeira vez, das Normas Internacionais de Relato
Financeiro, bem como os ganhos ou perdas com remensurações dos benefícios pós-emprego, líquidos de
imposto e os ajustamentos decorrentes da adoção da IFRS 16.
Nos dia 27 de dezembro de 2022 e 30 de dezembro de 2021, foram aprovadas, em Assembleia Geral
Extraordinária da TAP S.A. reduções do capital social nos montantes de 904.327.865 Euros e
1.548.069.765 Euros, respetivamente, para cobertura parcial de prejuízos (Nota 15).



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 84

Graphics


17 Pensões e outros benefícios pós-emprego
Conforme referido na Nota 2.21, a TAP S.A. é responsável pelo pagamento de benefícios pós-emprego a
empregados aposentados, pré-reformados e ainda no ativo.
✈ Complementos de pensões de reforma e prestações de pré-reforma (VIVA)
De acordo com as normas vigentes no Grupo, esta assegura aos empregados, admitidos até 31 de maio
de 1993, a diferença entre a pensão de reforma, por limite de idade ou invalidez, atribuída pela Segurança
Social, e um montante mínimo garantido pelo Grupo. Este montante corresponde a uma percentagem fixa
de parte do vencimento pensionável (remuneração de base + anuidades), à data da reforma, por cada ano
de serviço no Grupo, até um máximo de 20 anos, conforme segue:
- Pessoal navegante (pilotos e técnicos de voo) – 3,2% por ano de serviço;
- Pessoal de terra e pessoal navegante de cabine – 4% por ano de serviço.
Adicionalmente, o Grupo assumiu responsabilidades pelo pagamento de prestações de pré-reforma, cujo
montante é fixado, de modo a que o respetivo valor líquido a receber em situação de pré-reforma, se situe
entre 75% e 100% do valor líquido que o empregado auferia no ativo na data da passagem à pré-reforma.
Em outubro de 2008 foi alterado o Acordo de Empresa da TAP S.A. com o Sindicato dos Pilotos de Aviação
Civil (“SPAC”), o qual teve como principais alterações:
- Pilotos admitidos até 31 de maio de 2007: o plano de pensões pressupõe a bonificação do tempo de
serviço garantida pelo Estado (de 15% ou 10%, conforme a data de início da carreira contributiva) e
a possibilidade de bonificação adicional (até 25% ou 30%) por opção do beneficiário na data da
passagem à reforma (esta bonificação adicional será encargo do Grupo);
- Pilotos admitidos a partir de 1 de junho de 2007: o plano de pensões é constituído por um regime de
contribuição definida, no montante de 7,5% da remuneração de base efetivamente auferida (14 vezes
por ano), do qual 80% é encargo do Grupo. Este plano está garantido por contratos de adesão a
fundos abertos de pensões, sendo gerido pelo Banco Português de Investimento (”BPI”). Os contratos
de adesão e a gestão são opção do SPAC, conforme previsto na regulamentação coletiva.
O Grupo tem registado, a totalidade das suas responsabilidades com serviços passados pelo pagamento
de complementos de pensões e prestações de pré-reforma, referente ao plano de benefícios definidos.
A quantificação das responsabilidades teve em devida consideração que, nos termos expressos da
regulamentação coletiva que consagra o plano de pensões referido, a pensão total garantida pelo Grupo,
ou seja, pensão da segurança social e complemento de reforma, nunca será superior ao valor da



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 85

Graphics


remuneração base mensal líquida de IRS e Segurança Social no ativo. Esta premissa não é aplicável, por
não estar consagrada na regulamentação coletiva referente ao pessoal navegante técnico, para o qual
aquele limite não existe e o salário pensionável é constituído pelo vencimento base da tabela de
remunerações, adicionado do vencimento do exercício e das senioridades.
Para cobrir as responsabilidades com o plano de benefícios definidos, o Grupo celebrou um contrato de
adesão ao Fundo aberto de Pensões VIVA. A partir de 2011, o encargo com complementos de reforma,
constituídos desde 1998, é assumido pela adesão. O gasto anual com pensões é determinado de acordo
com o estudo atuarial, revisto e ajustado anualmente, em função da atualização dos salários e da evolução
do grupo participante. Os encargos com complementos de reforma, constituídos até dezembro de 1997,
com prestações de pré-reforma e com a parte dos complementos de reforma dos pilotos, que excede o
limite referido no parágrafo anterior, são assumidos diretamente pela TAP S.A. e estão cobertos por
provisão própria.
✈ Prémio de jubilação – PNT
O Acordo de Empresa da TAP S.A., celebrado com o SPAC prevê a garantia, por parte da TAP S.A., a
favor dos pilotos admitidos até 31 de maio de 2007, para além de um plano de pensões, de um prémio de
jubilação a cada piloto, a ser pago de uma só vez no momento da reforma por velhice, cuja garantia
financeira advém dos capitais acumulados num seguro de capitalização coletiva constituído pela TAP S.A.
em nome dos pilotos. Os princípios subjacentes à apólice de reforma coletiva celebrada com a companhia
seguradora, que reproduzem este Plano de Benefícios de Reforma dos Pilotos, são como segue:
- Condições de admissão: pilotos que se encontrem em efetividade de serviço;
- Idade normal de reforma: 65 anos;
- Garantias: cada participante terá direito, na data da reforma, a um capital, mínimo, de 16 vezes o
último salário mensal declarado.
O financiamento do Plano de Benefícios é efetuado através da apólice, que é reforçada pelas contribuições
(prémios) efetuadas pelo Grupo e pelo rendimento obtido, a partir das aplicações financeiras realizadas
pela companhia seguradora num Fundo Autónomo, que suporta esta modalidade de seguro.
Em outubro de 2008, foi alterado o Acordo de Empresa da TAP S.A. com o SPAC, o qual teve como
principais alterações:
- Pilotos admitidos até 31 de maio de 2007: o prémio de jubilação é mantido, mas apenas será devido
no caso de, na data da reforma, estar constituído o direito à pensão completa, podendo o capital ser
aumentado por cada ano completo de prestação de serviço, após a idade de reforma antecipada,
sem penalizações e com bonificação;



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 86

Graphics







- Pilotos admitidos a partir de 1 de junho de 2007: não existe direito ao prémio de jubilação.
✈ Cuidados de Saúde
O Grupo assegura aos pré-reformados e reformados antecipadamente, que tenham idade inferior a 65
anos, um plano de saúde que lhes dá acesso a serviços médicos a uma taxa reduzida. Por outro lado, o
Grupo vem facultando aos reformados, a título de liberalidade, a possibilidade de acesso e de utilização
dos serviços médicos da UCS – Cuidados Integrados de Saúde, S.A. (“UCS”), uma empresa do Grupo
TAP SGPS, pelos quais pagarão, por cada ato clínico, uma parcela do gasto do serviço, sendo a parte
restante suportada pela TAP S.A.
O Grupo entende que, o facto de permitir aos seus ex-trabalhadores reformados a utilização dos serviços
de saúde prestados na UCS, não constitui uma obrigação, mas tão-somente uma liberalidade em cada
momento concedida, pelo que não terá que registar qualquer responsabilidade com a prestação de
cuidados de saúde, relativamente aos trabalhadores presentemente no ativo, para o período após a
cessação da sua atividade laboral no Grupo. Em 31 de dezembro de 2022, a provisão existente cobre a
totalidade das responsabilidades com atos médicos com pré-reformados, reformados antecipadamente e
reformados, tendo a referida responsabilidade sido determinada com base em estudo atuarial calculado
por entidade independente.
Pressupostos utilizados na avaliação das responsabilidades
As responsabilidades do Grupo foram determinadas por estudos atuariais, reportados a 31 de dezembro
de 2022 e 2021, elaborados por entidades independentes, utilizando o “Método da Unidade de Crédito
Projetada” e utilizando, essencialmente, os seguintes pressupostos financeiros e demográficos:
2022
2021
Portugal
VIVA
Portugal
Jubileu
Portugal
VIVA
Portugal
Jubileu
Tábua de mortalidade TV 88/90 TV 88/90 TV 88/90 TV 88/90
Tábua de invalidez EKV1980 EKV1980 EKV1980 EKV1980
Taxa de desconto 3,50% 3,50% 0,75% 0,75%
Taxa de rendimento do fundo 3,50% 2,00% 0,75% 1,00%
Taxa de crescimento
[0%(até 2024)-
[0%(até 2024)-
[0%(até 2024)-
[0%(até 2024)-
Salários
1,5%(2024+)]
1,5%(2024+)]
1,5%(2024+)]
1,5%(2024+)]
Pensões 1,00% 1,00% 1,00% 1,00%
Salários (Segurança social) 3,70% -- 1,50% --
Taxa de crescimento dos custos médicos
1,50% -- 1,50% --
Idade estimada de reforma 65 65 65 65
O Grupo procede à revisão periódica dos pressupostos atuariais sempre que ocorram eventos relevantes,
com base em informação dos mercados financeiros e informação do universo de beneficiários abrangidos
pelos planos. Em 31 de dezembro de 2022, a taxa de desconto do VIVA e Jubileu aumentou para 3,50%,
decorrente da variação das taxas de juro sem risco de 2022. A taxa de crescimento salarial decorre da
melhor estimativa à data tendo em consideração o Plano de Reestruturação em curso no Grupo.



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 87

Graphics






As responsabilidades em 31 de dezembro de 2022 e 2021 detalham-se como segue:
2022
Fundo Pensões Atos Prémios
Representação
Representação
VIVA VIVA médicos Jubileu Brasil Inglaterra
Total
Responsabilidades por serviços passados
- Ativos
192.663 59.384.309 - 59.779.842 525.706 -
119.882.520
- Pré-reformados
125.617 2.861.925 237.394 - - -
3.224.936
- Aposentados
13.200.670 22.762.018 2.283.971 - - 27.516.264
65.762.923
Valor de mercado dos fundos
(12.216.494) - - (40.667.788) (386.415) (28.392.320)
(81.663.017)
Insuficiência/(excesso) 1.302.456 85.008.252 2.521.365 19.112.054 139.291 (876.056) 107.207.362
2021
Fundo Pensões Atos Prémios
Representação
Total
VIVA VIVA médicos Jubileu Inglaterra
Responsabilidades por serviços passados
- Ativos 1.123.071 5.587.283 - 89.212.919 - 95.923.273
- Pré-reformados 101.613 8.191.930 412.468 - - 8.706.011
- Aposentados 10.945.948 24.615.743 2.649.744 - 33.246.064 71.457.499
Valor de mercado dos fundos (15.032.652) - - (38.525.937) (33.297.234) (86.855.823)
Insuficiência/(excesso) (2.862.020) 38.394.956 3.062.212 50.686.982 (51.170) 89.230.960
A melhor estimativa de contribuições para os planos de benefício de pensões, para o exercício
subsequente, é de aproximadamente de 6 milhões de Euros.
Em 31 de dezembro de 2022 e em 2021, os planos de benefícios definidos do Grupo, em Portugal
(excluindo as Representações de Inglaterra e Brasil), abrangiam 1.286 e 1.302 beneficiários no ativo,
respetivamente. O número total de colaboradores reformados e pré-reformados com direito a um
suplemento de pensão de reforma em 31 de dezembro de 2022 e 2021 era de 510 e 534 beneficiários,
respetivamente.
Em 31 de dezembro de 2022, a maturidade média das responsabilidades para os planos de benefício
definido “Fundo VIVA” e “Prémios Jubileu” é de 10 anos e 15 anos, respetivamente.
Análises de sensibilidade
✈ Taxa de desconto anual
O aumento (diminuição) de 0,25% na taxa de desconto anual dos planos de benefícios definidos “Plano
VIVA” e “Prémios Jubileu” corresponderia a um impacto nas responsabilidades do Grupo, a 31 de
dezembro de 2022 e 2021, conforme segue:
2022 Taxa Plano VIVA*
Prém ios
Jubileu
Taxa de desconto anual das pensões
3,50%
98.527.202 59.779.842
Aumento de 0,25% na taxa de desconto
3,75%
97.644.329 57.954.498
Decréscimo de 0,25% na taxa de desconto
3,25% 99.446.324
61.680.258
* Inclui "Fundo VIVA" e "Pensões VIVA"



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 88

Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 89




2021 Taxa Plano VIVA*
Prém ios
Jubileu
Taxa de desconto anual das pensões
0,75%
50.565.588 89.212.919
Aumento de 0,25% na taxa de desconto
1,00%
49.484.822 86.238.083
Decréscimo de 0,25% na taxa de desconto
0,50% 51.696.467
92.323.269
* Inclui "Fundo VIVA" e "Pensões VIVA"
✈ Taxa de crescimento dos custos médicos
Caso a taxa de crescimento dos custos com cuidados médicos registe um aumento ou decréscimo de um
ponto percentual, o respetivo impacto nas responsabilidades do Grupo, a 31 de dezembro de 2022 e 2021,
é o seguinte:
Taxa 2022 2021
Taxa de crescimento anual dos custos médicos
1,50% 2.521.365 3.062.212
Aumento de 1% na taxa de crescimento dos custos médicos
2,50%
2.690.814 3.304.734
Decréscimo de 1% na taxa de crescimento dos custos médicos
0,50%
2.369.381
2.847.905
✈ Taxa de crescimento das Pensões
Caso a taxa de crescimento das Pensões Plano VIVA registe um aumento ou decréscimo de 0,25 pontos
percentuais, o respetivo impacto nas responsabilidades do Grupo, a 31 de dezembro de 2022 e 2021, é o
seguinte:
Taxa
2022 2021
Taxa de crescim ento das pensões do Plano VIVA*
1,00%
98.527.202 50.565.588
Aumento de 0,25% na taxa de crescimento pensões
1,25%
99.452.681 51.511.448
Decréscimo de 0,25% na taxa de crescimento pensões
0,75%
97.631.252 49.651.818
* Inclui "Fundo VIVA" e "Pensões VIVA"
Evolução das responsabilidades por serviços passados
A evolução das responsabilidades por serviços passados, refletidas na demonstração da posição
financeira, durante os exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, é conforme segue:
2022
Fundo Pensões Atos Prémios
Representação
Representação
VIVA VIVA médicos Jubileu Brasil Inglaterra
Total
Responsabilidades no início do exercício 12.170.632 38.394.956 3.062.212 89.212.919 - 33.246.064 176.086.783
Variação cambial - - - - (348.547) (1.748.649) (2.097.196)
Transferências - - - - 956.587 - 956.587
Valores registados nos resultados do exercício:
Serviços correntes
65.949 - - 2.676.865 - -
2.742.814
Juro líquido
91.281 501.730 11.483 623.438 (82.334) (3.981.151)
(2.835.553)
Ganhos e perdas atuariais
2.560.047 56.144.713 (552.330) (28.136.669) - -
30.015.761
Benefícios pagos
(1.368.959) (10.033.147) - (4.596.711) - -
(15.998.817)
Responsabilidades no fim do exercício 13.518.950 85.008.252 2.521.365 59.779.842 525.706 27.516.264 188.870.379




Graphics


2021
Fundo Pensões Atos Prémios
Representação
VIVA VIVA médicos Jubileu Inglaterra
Total
Responsabilidades no início do exercício 12.820.006 45.931.110 3.207.957 99.759.690 31.073.490 192.792.253
Variação cambial - - - - 2.088.949 2.088.949
Valores registados nos resultados do exercício:
Serviços correntes 61.962 (2.031.488) - 4.577.625 - 2.608.099
Juro líquido 96.150 344.483 12.029 689.732 83.625 1.226.019
Reestruturação - programa pré-reformas (Nota 30) - - - (2.455.530) - (2.455.530)
Ganhos e perdas atuariais 29.263 1.348.311 (157.774) (8.403.830) - (7.184.030)
Benefícios pagos (836.749) (7.197.460) - (4.954.768) - (12.988.977)
Responsabilidades no fim do exercício 12.170.632 38.394.956 3.062.212 89.212.919 33.246.064 176.086.783
As transferências no montante de 957 milhares de Euros relativas à Representação do Brasil, dizem
respeito a responsabilidades com os colaboradores da referida representação que se encontravam
anteriormente registadas na rubrica outras contas a pagar.
Evolução dos fundos afetos aos planos de benefícios pós-emprego
Durante os exercícios findos a 31 de dezembro de 2022 e 2021 a evolução do património dos fundos foi
conforme segue:
2022
Fundo Prémios Representação Representação
Total
VIVA Jubileu Brasil Inglaterra
Saldo inicial
15.032.652 38.525.937 - 33.297.234
86.855.823
Transferências
- - 32.110 -
32.110
Contribuição efetuada no exercício
- 6.000.000 389.744 -
6.389.744
Juro líquido
(1.447.199) 848.786 - (3.153.574)
(3.751.987)
Benefícios pagos
(1.368.959) (4.596.710) - -
(5.965.669)
Remensurações
- (110.225) - -
(110.225)
Variação cambial
- -
(35.439) (1.751.340) (1.786.779)
Saldo final 12.216.494 40.667.788 386.415 28.392.320 81.663.017
2021
Fundo Prémios Representação
Total
VIVA Jubileu Inglaterra
Saldo inicial
15.234.853 36.914.250 31.121.319
83.270.422
Contribuição efetuada no exercício - 6.000.000 - 6.000.000
Juro líquido 634.548 378.995 3.344 1.016.887
Benefícios pagos (836.749) (4.954.768) - (5.791.517)
Remensurações - 187.460 - 187.460
Variação cambial - - 2.172.571 2.172.571
Saldo final 15.032.652 38.525.937 33.297.234 86.855.823



DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 90

Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 91








A composição dos fundos e respetiva categoria das quantias incluídas, em 31 de dezembro de 2022 e
2021, detalha-se conforme segue:
2022
Fundo
VIVA
Prémios
Jubileu
Representação
Inglaterra
Total
Ações 3.204.713 - 3.667.388 6.872.101
Obrigações 4.466.272 37.983.714 1.557.676 44.007.662
Dívida Pública 3.517.713 - - 3.517.713
Imobiliário 461.668 - - 461.668
Liquidez 566.128 2.684.074 574.361 3.824.563
Outras aplicações correntes - - 22.592.895 22.592.895
12.216.494 40.667.788 28.392.320 81.276.602
2021
Fundo
VIVA
Prémios
Jubileu
Representação
Inglaterra
Total
Ações 4.180.850 - 4.300.947 8.481.797
Obrigações 5.544.297 35.675.018 1.826.772 43.046.087
Dívida Pública 4.346.533 - - 4.346.533
Imobiliário 483.322 231.156 - 714.478
Liquidez 477.650 2.619.764 673.585 3.770.999
Outras aplicações correntes - - 26.495.930 26.495.930
15.032.652 38.525.937 33.297.234 86.855.823
Gastos com pensões e outros benefícios pós-emprego
Relativamente aos gastos suportados com pensões e outros benefícios pós-emprego o detalhe é conforme
segue:
2022
Fundo Pensões Atos Prémios
Representação
Representação
VIVA VIVA médicos Jubileu Brasil Inglaterra
Total
Serviços correntes 65.949 - - 2.676.865 - - 2.742.814
Juro líquido 1.538.480 501.730 11.483 (225.348) (82.334) (827.577) 916.434
Sub-total (Nota 27) 1.604.429 501.730 11.483 2.451.517 (82.334) (827.577) 3.659.248
2021
Fundo Pensões Atos Prémios
Representação
VIVA VIVA médicos Jubileu Inglaterra
Total
Serviços correntes 61.962 (2.031.488) - 4.577.625 - 2.608.099
Juro líquido (538.398) 344.483 12.029 310.737 80.281 209.132
Sub-total (Nota 27) (476.436) (1.687.005) 12.029 4.888.362 80.281 2.817.231
Reestruturação - programa pré-reformas (Nota 30) - - - (2.455.530) - (2.455.530)
Total (476.436) (1.687.005) 12.029 2.432.832 80.281 361.701
Conforme mencionado, os pilotos do Grupo, admitidos após 1 de junho de 2007, beneficiam de um plano
de contribuição definida. Foi reconhecido, durante o exercício findo a 31 de dezembro de 2022, um gasto
na rubrica de gastos com benefícios pós-emprego no montante de 2.257 milhares de Euros (2021: 2.489
milhares de Euros), relativo às contribuições efetuadas no ano a favor dos seus empregados (Nota 27).
Os gastos com pensões e outros benefícios pós-emprego, durante os exercícios findos a 31 de dezembro
de 2022 e 2021, encontram-se registados na rubrica de gastos com o pessoal (Nota 27).




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 92







Ganhos/perdas com remensurações
Os ganhos/perdas com remensurações, relacionados com planos de benefício pós-emprego, detalham-se
como segue:
2022
Fundo VIVA Pensões VIVA Atos médicos
Pré m ios
Jubileu
Representação
Inglaterra
Total
(Ganhos)/Perdas actuariais
Retorno dos ativos, excluindo montantes incluídos nos resultados
- - - 110.225 - 110.225
- - - 110.225 -
110.225
(Ganhos)/perdas por alteração dos pressupostos financeiros
(3.887.565) (8.219.138) (520.941) (25.932.004) - (38.559.648)
(Ganhos)/perdas de experiência
6.447.612 64.363.851 (31.389) (2.204.665) - 68.575.409
2.560.047 56.144.713 (552.330) (28.136.669) -
30.015.761
Total (Ganhos)/Perdas com actuariais
2.560.047 56.144.713 (552.330) (28.026.444) - 30.125.986
2021
Fundo VIVA Pensões VIVA Atos médicos
Pré m ios
Representação
Jubileu
Inglaterra
Total
(Ganhos)/Perdas actuariais
Retorno dos ativos, excluindo montantes incluídos nos resultados
- - - (187.460) - (187.460)
- - - (187.460) -
(187.460)
(Ganhos)/perdas por alteração dos pressupostos financeiros
- - - (4.003.695) - (4.003.695)
(Ganhos)/perdas de experiência
29.263 1.348.311 (157.774) (4.400.135) - (3.180.335)
29.263 1.348.311 (157.774) (8.403.830) -
(7.184.030)
Total (Ganhos)/Perdas com actuariais
29.263 1.348.311 (157.774) (8.591.290) - (7.371.490)
Os ganhos atuariais reconhecidos em 2022 relativas a alterações de pressupostos financeiros, no
montante total de 38.560 milhares de Euros, decorrem, essencialmente, da alteração da taxa de desconto
de 0,75% para 3,50%.
As perdas de experiência reconhecidas em 2022, decorrem, essencialmente, da revisão de pressupostos
do cálculo das pensões a suportar pela Segurança Social (taxa de crescimento salarial para cálculo da
remuneração de referência da pensão da Segurança Social e taxa de correção monetária), tendo por base
os desvios ocorridos em 2022 na transição de ativos para pensionistas.
Os ganhos/perdas com remensurações foram reconhecidos diretamente no rendimento integral do Grupo.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 93






18 Provisões
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Provisões teve o seguinte movimento:
Processos
judiciais em
curso (Nota 28)
Outras
(Notas 28 e 31)
Custos de
redelivery
(Nota 4)
Provisão
reestruturação
(Nota 30)
Total
1 de janeiro de 2021 10.552.767 10.801.908 87.616.623 93.197.493 202.168.791
Aumentos 13.379.254 145.265.810 65.378.855 8.569.897 232.593.816
Reversões - (2.334.992) (10.964.710) (20.370.251) (33.669.953)
Utilizações - (6.106.506) (13.885.070) (44.384.684) (64.376.260)
Juros e câmbio - - 13.208.809 - 13.208.809
31 de dezembro de 2021 23.932.021 147.626.220 141.354.507 37.012.455 349.925.203
Aumentos 58.340.451 38.692.641 79.142.563 533.379 176.709.034
Reversões - (117.395.883) (21.453.446) (3.970.837) (142.820.166)
Utilizações (29.703.306) (29.366.203) (19.546.304) (18.502.302) (97.118.115)
Juros e câmbio - - 11.255.930 - 11.255.930
31 de dezembro de 2022 52.569.166 39.556.775 190.753.250 15.072.695 297.951.886
✈ Processos judiciais em curso
As provisões para processos judiciais em curso são constituídas de acordo com as avaliações de risco
efetuadas pelo Grupo e pelos seus consultores legais, baseadas em taxas de sucesso históricas por
natureza de processo e probabilidade de desfecho desfavorável para o Grupo. Em 31 de dezembro de
2022, a provisão existente, no montante de 52,6 milhões de Euros, destina-se a fazer face a diversos
processos judiciais intentados contra o Grupo, em Portugal e no estrangeiro.
Durante o exercício de 2022 verificou-se um aumento e utilização da provisão de cerca de 28 milhões de
Euros no âmbito do acordo celebrado com os sindicatos.
✈ Outras
Em 31 de dezembro de 2021 encontrava-se constituída uma provisão no montante de 7,0 milhões de
Euros relativa a indemnizações a passageiros, cujas reclamações se encontram a ser processadas pelo
Grupo. Em 31 de dezembro de 2022 o saldo desta provisão ascende a 25,3 milhões de Euros.
Adicionalmente, em 31 de dezembro de 2021, foi constituída uma provisão no montante de 140,3 milhões
de Euros referente à estimativa de encargos que a TAP S.A. previa suportar relacionados com a
reorganização societária das subsidiárias do Grupo TAP SGPS, decorrente da aprovação do Plano de
Restruturação pela Comissão Europeia em 21 de dezembro de 2021 (Nota 31). Essa provisão referia-se
à estimativa de encargos assumidos pela TAP S.A. no âmbito do financiamento do processo de liquidação
da TAP ME Brasil (Nota 1.1.3). Durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2022, foram efetuados
pagamentos no montante de 26,7 milhões de Euros, deduzidos à provisão, tendo o valor remanescente
sido desreconhecido, decorrente de alterações de estimativas ocorridas no exercício de 2022, no âmbito




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 94


das operações de liquidação da TAP ME Brasil, e da revogação da assunção de responsabilidade por
parte da TAP S.A. sobre a evolução das operações de liquidação da TAP ME Brasil, considerando a
alteração substancial quanto à forma de reestruturação societária em curso do Grupo TAP, prevista à
presente data, com impacto na posição financeira da TAP SGPS (Nota 31).
✈ Custos de redelivery
Os aumentos da provisão para redelivery são reconhecidos por contrapartida do ativo sob direito de uso,
sendo subsequentemente sujeitos a depreciação. O aumento reconhecido face a 31 de dezembro de 2021
consiste no efeito da atualização da estimativa de redelivery efetuada em 31 de dezembro de 2022, tendo
em consideração a melhor informação disponível nessa data.
✈ Provisão para reestruturação
No âmbito do Plano de Reestruturação em curso, foram definidas medidas de reestruturação
organizacional e eficiência operacional, entre as quais uma redução do número de colaboradores, de forma
a garantir a sustentabilidade financeira e económica do Grupo.
Em 31 de dezembro de 2022, e tendo em consideração os pagamentos já efetuados, o Grupo reviu a
provisão relativa a gastos a suportar com a reestruturação, a ser concluída em 2023, para o montante de
cerca de 15,1 milhões de Euros, o qual se refere à estimativa de processos a concluir e a pagamentos
futuros já acordados.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 95



19 Passivos remunerados e Passivos de locação com e sem opção de compra
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 os passivos remunerados e os passivos de locação com e sem opção
de compra detalham-se como segue:
2022
2021
Corrente Não corrente Corrente Não corrente
Empréstimos bancários 47.069.960 179.131.596 31.380.257 225.782.394
Acréscimos de gastos com juros 1.949.117 - 1.335.092 -
Encargos iniciais (792.265) (608.280) (1.173.334) (1.276.500)
Dívida bancária remunerada 48.226.812 178.523.316 31.542.015 224.505.894
Empréstimos obrigacionistas 315.617.699 375.000.000 118.410.509 575.000.000
Acréscimos de gastos com juros 2.476.143 - 2.526.020 -
Encargos iniciais (9.494.239) (1.550.299) (11.021.636) (3.768.654)
Empréstimos obrigacionistas 308.599.603 373.449.701 109.914.893 571.231.346
Locação com opção de compra 72.947.743 636.032.784 53.537.660 490.781.631
Acréscimos de gastos com juros 2.216.767 - 1.874.106 -
Encargos iniciais (523.063) (1.372.670) (656.849) (1.860.142)
Passivo locação com opção de com pra 74.641.447 634.660.114 54.754.917 488.921.489
Passivo locação sem opção de compra 377.402.908 1.660.710.136 435.572.934 1.682.965.393
Total de passivos remunerados e passivos de locação 808.870.770 2.847.343.267 631.784.759 2.967.624.122

✈ Dívida líquida remunerada
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a dívida líquida remunerada detalha-se como segue:
2022 2021
Passivos remunerados excepto passivos de locação sem opção de compra
Não corrente 1.186.633.131 1.284.658.729
Corrente 431.467.862 196.211.825
1.618.100.993 1.480.870.554
Caixa e seus equivalentes (Nota 14)
Numerário 65.610 41.349
Depósitos bancários imediatamente mobilizáveis 82.248.411 48.256.116
Outras aplicações de tesouraria 833.763.030 764.280.851
916.077.051 812.578.316
Dívida líquida rem unerada 702.023.942 668.292.238




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 96



Em 31 de dezembro de 2022 e 2021, a dívida remunerada e os passivos de locação com opção de compra,
por maturidade e por tipo de taxa de juro, decompõe-se como segue:
2022 2021
Taxa variável
Até 1 ano 64.498.627 36.029.948
1 a 2 anos 63.177.352 57.308.449
2 a 3 anos 63.975.846 58.186.097
Mais de 3 anos 160.028.310 171.008.241
351.680.135 322.532.735
Taxa fixa
Até 1 ano 366.969.235 160.181.877
1 a 2 anos 430.320.549 241.668.932
2 a 3 anos 59.253.663 417.050.807
Mais de 3 anos 409.877.411 339.436.203
1.266.420.858 1.158.337.819
1.618.100.993 1.480.870.554
✈ Apoio de Estado
Em 17 de julho de 2020 o Grupo obteve um empréstimo remunerado da parte do Estado Português no
montante de 1,2 mil milhões de Euros, distribuídos em 7 tranches até 30 de dezembro de 2020 (ver Nota
introdutória). Em 30 de dezembro de 2021, este empréstimo foi convertido em capital (Nota 15).
✈ Empréstimos bancários
Esta rubrica inclui 136 milhões de Euros referente a um financiamento com um sindicato de bancos. De
acordo com as condições estabelecidas no Contrato de Compra de Ações, complementado com o contrato
de Reestruturação e Monitorização da dívida do Grupo TAP, referido na Nota 1, a 30 de junho de 2017, a
dívida bancária foi reestruturada, sendo as principais alterações relacionadas com as maturidades e
condições dos financiamentos, nomeadamente a taxa de juro e spread aplicável.
Adicionalmente, a rubrica empréstimos bancários inclui dois financiamentos com uma instituição de crédito
nacional, no montante de 82,9 milhões de Euros, e um financiamento de uma instituição financeira
luxemburguesa no montante de 2,1 milhões de Euros.
Esta rubrica inclui ainda um financiamento obtido junto do Apple Bank no montante total de 5,5 milhões de
Euros.
✈ Empréstimos obrigacionistas
A TAP S.A. emitiu uma emissão obrigacionista por oferta particular, totalmente subscrita a 14 de janeiro
de 2019, no valor de 137,2 milhões de Euros e com vencimento a 2034. O cumprimento do pagamento do





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 97




valor subscrito e dos respetivos juros beneficia, de uma garantia do banco depositário constituída pelo
emissor para um propósito específico (apresentado na Posição Financeira como uma dedução à divida
financeira bruta) e de garantias adicionais sobre os direitos contratuais que não afetam nenhum ativo
reconhecido na posição financeira do Grupo.

A TAP S.A. fez uma oferta publica de obrigações de 4 anos com uma taxa de juros fixa de 4,375% anual,
no valor de 200 milhões de Euros, denominada Obrigações “TAP 2019-2023”. A emissão, liquidação
financeira e física da transação, bem como a admissão à negociação das obrigações, ocorreu a 24 de
junho de 2019 na Euronext Lisboa.
Em dezembro de 2019, a TAP S.A. também realizou uma oferta de obrigações a 5 anos, com a taxa de
juro fixa de 5,625% anual, no montante de 375 milhões de Euros, denominada “TAP 2019-2024 Bonds”. A
emissão, liquidação financeira e física da transação, bem como a admissão à negociação das obrigações,
ocorreu em 2 de dezembro de 2019.
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021, todos os empréstimos obrigacionistas estão denominados em Euros.

✈ Passivos de locação com opção de compra
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021, os passivos de locação com opção de compra (acrescidos de gastos
com juros e deduzidos de encargos iniciais), respeitam essencialmente a aeronaves e reatores.
As locações com opção de compra estão denominadas nas seguintes moedas:
2022 2021
Passivos de locação em EUR 183.777.055 139.439.418
Passivos de locação em USD 525.524.506 404.236.988
709.301.561 543.676.406
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021, os passivos de locação com opção de compra, por maturidade,
decompõem-se como segue:
2022 2021
Até 1 ano 74.641.447 54.754.917
1 a 2 anos 75.346.370 54.833.745
2 a 3 anos 78.399.467 57.082.339
3 a 4 anos 84.557.879 59.417.553
4 a 5 anos 54.802.089 65.094.130
Superior a 5 anos 341.554.309 252.493.722
709.301.561 543.676.406




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 98



✈ Passivos de locação sem opção de compra
A rubrica de Passivos de locação sem opção de compra refere-se essencialmente a pagamentos não
canceláveis de contratos de locação, que variam até 14 anos e podem ser estendidos por vontade
expressa das partes contratantes, que são reconhecidos na demonstração consolidada da posição
financeira a partir de 1 de janeiro de 2019 com a adoção do IFRS 16.
Em 31 de dezembro de 2022, existem 61 aeronaves, 6 motores em contratos de locação sem opção de
compra e 19 aeronaves em ACMI (conforme Nota 4).
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021, os passivos de locação sem opção de compra, por maturidade, são
detalhados da seguinte forma:
2022 2021
Até 1 ano 377.402.908 435.572.934
1 a 2 anos 335.853.145 325.595.955
2 a 3 anos 266.398.937 247.457.716
3 a 4 anos 225.377.533 202.203.875
4 a 5 anos 190.728.886 183.455.233
Superior a 5 anos 642.351.635 724.252.614
2.038.113.044 2.118.538.327
Os passivos com locações sem opção de compra estão determinados maioritariamente em USD.


✈ Financial covenants
Os financial covenants constantes dos contratos de locação e financiamento são os usuais em operações
desta natureza, incluindo disposições como obrigatoriedade de manutenção da atividade como operador
aéreo, compromissos de fornecimento periódico de informação financeira disponível, bem como, no caso
específico de leasings sem opção de compra, obrigações de caráter operacional relativas a registos nas
entidades oficiais, informações relativas às aeronaves em leasing, estrito cumprimento de toda a
regulamentação, procedimentos definidos pelas autoridades, entre outros.
Adicionalmente, foram assumidos compromissos de acompanhamento da performance financeira do
Grupo TAP, através da análise e cumprimento de determinados rácios relacionados com as
demonstrações financeiras consolidadas do Grupo TAP, nomeadamente, com os capitais próprios,
EBITDAR, Net Debt/EBITDAR e dívida financeira líquida não garantida e valor mínimo de caixa e seus
equivalentes não restritos. Estes rácios pretendem acompanhar a situação financeira do Grupo TAP e
aferir a sua capacidade para garantir o serviço da dívida.
Em virtude da pandemia COVID-19 e da consequente deterioração do EBITDAR com a quebra de
atividade desde 2020, o Grupo incumpriu determinados covenants financeiros, nomeadamente os





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 99



referentes à manutenção de Capitais Próprios e ao cumprimento do rácio Dívida Líquida
Ajustada/EBITDAR conforme fixados em determinados financiamentos.
Relativamente ao financiamento com um sindicato dos Bancos Portugueses no montante em dívida de
136 milhões de Euros em 31 de dezembro de 2022, os covenants financeiros que têm por referência as
demonstrações financeiras nesta data são superiores aos limites contratualmente acordados. No entanto,
o seu incumprimento não gera a possibilidade de reembolso antecipado. Adicionalmente, à data de
aprovação destas demonstrações financeiras está previsto obter o waiver relativamente ao incumprimento
dos seus covenants no período permitido.
Relativamente à emissão de obrigações por oferta particular colocada junto de investidores institucionais
estrangeiros no montante de 111,6 milhões de Euros, apesar de a 31 de dezembro de 2022, o covenant
financeiro do rácio Dívida Líquida Ajustada/EBITDAR que tem por referência as demonstrações financeiras
nesta data se encontrar cumprido, em exercícios anteriores este covenant apresentou valores superiores
ao limite contratual acordado, não tendo sido até à data de 31 dezembro de 2022 obtido o respetivo waiver.
Face ao exposto, em 31 de dezembro de 2022 o Grupo classificou esta dívida como um passivo corrente.
À data de aprovação destas demonstrações financeiras o Grupo encontra-se em negociações para a
obtenção do waiver referente aos referidos incumprimentos.
Relativamente à oferta publica de obrigações de 4 anos denominada Obrigações “TAP 2019-2023” no
montante de 200 milhões de Euros, em 19 de julho de 2021 foi obtida a autorização para o incumprimento
do covenant financeiro do rácio Dívida Líquida Ajustada/EBITDAR até à data de maturidade das
obrigações.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 100







✈ Reconciliação dos fluxos de caixa de financiamento
A evolução dos passivos remunerados e dos passivos de locação com opção de compra e a sua
reconciliação com a demonstração consolidada dos fluxos de caixa é a seguinte:
Dívida bancária
remunerada
Locações com
opção de
compra
Locações sem
opção de
compra
Total
1 de janeiro de 2021 2.151.809.254 438.578.991 2.038.640.352 4.629.028.597
Pagamentos (56.462.323) (55.740.491) (443.587.346) (555.790.160)
Conversão em capital próprio (Nota 15) (1.258.544.230) - - (1.258.544.230)
Novos contratos de locação - 107.245.066 218.783.591 326.028.657
Variação cambial 75.700 16.779.698 144.991.258 161.846.656
Custos com juros (Nota 33) 92.600.310 23.216.966 155.566.103 271.383.379
Outros 7.715.437 13.596.176 4.144.369 25.455.982
31 de dezembro de 2021 937.194.148 543.676.406 2.118.538.327 3.599.408.881
Pagamentos (79.973.284) (95.690.747) (540.994.575) (716.658.606)
Novos contratos de locação - 197.911.472 173.878.741 371.790.213
Variação cambial 387.928 30.125.487 118.872.443 149.385.858
Custos com juros (Nota 33) 40.186.054 32.633.882 163.144.410 235.964.346
Outros 11.004.586 645.061 4.673.699 16.323.346
31 de dezembro de 2022 908.799.432 709.301.561 2.038.113.044 3.656.214.037
Os montantes considerados em Outros referem-se essencialmente ao impacto do reconhecimento da taxa
de juro efetiva.





20 Outras contas a pagar
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 o detalhe da rubrica de outras contas a pagar é como segue:
2022 2021
Acréscimos de gastos
254.928.036
179.861.141
Fornecedores
175.832.888
104.447.082
Swaps jet fuel (Nota 23) 7.268.129 -
Adiantamentos de clientes 430.709 558.381
Outros 145.896.121 121.287.254
584.355.883 406.153.858





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 101





✈ Acréscimos de gastos
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de acréscimos de gastos decompõe-se como segue:
2022 2021
Remunerações a liquidar 104.552.030 79.853.278
Combustíveis de avião e licenças e emissão CO2 57.867.650 40.293.659
Encargos especiais da atividade de venda 13.270.706 4.901.111
Taxas de navegação 12.901.322 11.615.008
Seguros a liquidar 7.859.515 7.017.426
Comissões 6.573.531 606.039
Trabalhos especializados 5.769.493 5.722.832
Partes relacionadas (Nota 38) 4.655.586 4.106.281
Assistência por terceiros 1.914.147 3.416.098
Outros acréscimos de gastos 39.564.056 22.329.409
254.928.036 179.861.141

O aumento da rubrica combustíveis de aviação e licenças e emissão CO2 explica-se, essencialmente, pela
retoma da atividade em 2022 e pelo aumento do preço dos combustíveis e das licenças de CO2.
Os encargos especiais da atividade de venda referem-se a comissões atribuídas a agentes em função da
receita voada do período obtida por este canal.
O aumento na rubrica remunerações a liquidar face a 31 de dezembro de 2021 decorre, essencialmente,
da reposição parcial de cortes salariais e atribuição de ajudas de custo complementares ao pessoal
navegante.

O aumento verificado na rubrica de outros acréscimos de gastos é essencialmente decorrente da retoma
da atividade em 2022 e consequente incremento da contratação de serviços externos.

✈ Fornecedores
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de fornecedores apresenta a seguinte composição:
2022 2021
Fornecedores - faturas em receção e conferência
124.438.672
69.693.896
Fornecedores - conta corrente
39.604.411
16.624.650
Fornecedores - Entidades relacionadas (Nota 38) 11.789.805 18.128.536
175.832.888 104.447.082
O aumento ocorrido nesta rubrica resulta, essencialmente, do aumento da contratação do fornecimento de
serviços como consequência da retoma da atividade em 2022.




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 102



✈ Outros
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de outros decompõe-se como segue:
2022 2021
Taxas e impostos a pagar
123.256.377
96.336.660
Fornecedores de imobilizado
2.045.037
3.537.233
Indemnizações de acidentes de trabalho
1.053.886
867.873
Pessoal 856.526 431.614
Partes relacionadas (Nota 38) 16.090 28.377
Outras contas a pagar 18.668.205 20.085.497
145.896.121 121.287.254
A rubrica de taxas e impostos a pagar refere-se, essencialmente, a valores a pagar a diversas entidades,
relacionados com taxas cobradas aos clientes nos bilhetes emitidos. A variação face a 31 de dezembro de
2021 decorre, essencialmente, do aumento da venda de bilhetes na sequência do incremento da atividade
de 2022.





21 Outros passivos correntes


Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de outros passivos correntes respeita a:
2022 2021
Ganhos diferidos 37.488.272 41.340.328
Estado 30.339.596 22.336.817
67.827.868 63.677.145

✈ Ganhos diferidos
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica de ganhos diferidos decompõe-se como segue:
2022 2021
Programa de fidelização de clientes 34.441.348 41.001.381
Partes relacionadas (Nota 38) 309.914 337.425
Outros ganhos diferidos 2.737.010 1.522
37.488.272 41.340.328
No âmbito da aplicação da IFRS 15 – Rédito de contratos com clientes, na atribuição de milhas aos clientes
aderentes ao programa de fidelização denominado “TAP Miles&Go”, é reconhecida uma obrigação
contratual com base no valor unitário da milha. A diminuição desta rubrica resulta, essencialmente, da
maior utilização de milhas por parte de clientes face a 2021.







Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 103






✈ Estado
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 os saldos desta rubrica detalham-se como segue:
2022 2021
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares - IRS 10.655.797 9.099.305
Contribuição para a Segurança Social 19.185.755 12.456.617
Outros 498.044 780.895
30.339.596 22.336.817
A variação do saldo a pagar à Segurança Social, deve-se essencialmente à regularização de saldos com
essa entidade no âmbito do regime de lay-off.






22 Documentos pendentes de voo
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica documentos pendentes de voo respeita ao montante da
responsabilidade do Grupo, referente a bilhetes emitidos e não utilizados, era a seguinte:
2022 2021
Passageiros 675.156.645 438.687.424
Voucher 61.144.315 203.982.238
Carga 1.478.773 892.005
737.779.733 643.561.667
O incremento do saldo da rubrica face a 31 de dezembro de 2021 decorre, essencialmente, do aumento
da atividade operacional. Importa ainda salientar que, o montante registado na rubrica pendentes de voo
inclui vouchers emitidos por voos cancelados.


23 Instrumentos financeiros derivados
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 o Grupo tinha negociado instrumentos financeiros derivados.
A política de cobertura de risco do Grupo engloba uma ferramenta estatística de risco e análises
fundamentalistas de mercado para suportar a delimitação do nível de cobertura do consumo previsto. Os
fatores avaliados pela ferramenta estatística compreendem nomeadamente a volatilidade do mercado, a
curva de bookings, o comportamento de preços futuros e o risco de over-hedge. A política de cobertura
tem como objetivo cobrir níveis do consumo de jet fuel estimado para os 12 meses seguintes, podendo
cobrir a sua posição para prazos até 24 meses. A guerra na Ucrânia, a envolvente económica, com a
previsão por parte de alguns analistas de uma eventual recessão, quer na Europa quer nos Estados Unidos
da América, o ajustamento de políticas económico-financeiras por parte dos países, a escassez de
reservas e a falta de investimentos nos últimos anos, justificam a incerteza nas previsões de evolução dos



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 104


mercados e a sua volatilidade e a necessidade de acompanhamento e ajustamento de estratégias de
hedging.
Para os contratos em que é possível assegurar o cumprimento dos requisitos da contabilidade de
cobertura, encontra-se registado em 31 de dezembro de 2022, na rubrica de reservas no Capital próprio,
um montante negativo de 5,7 milhões de Euros (líquido de imposto diferido no montante de 1,5 milhões de
Euros – Nota 9) referente ao justo valor dos derivados ainda em aberto a essa data (0,2 milhões de Euros
positivo em 31 de dezembro de 2021).
Em 31 de dezembro de 2022 o Grupo tinha contratado derivados sobre 6% do consumo estimado de jet
fuel dos meses seguintes cujo valor de mercado a essa data era negativo em 7,3 milhões de Euros (Nota
20) e com maturidades entre janeiro e setembro de 2023.










24 Relato por Segmentos
Foram identificados os seguintes segmentos operacionais: transporte aéreo e manutenção. Os resultados
de cada segmento correspondem àqueles que lhe são diretamente atribuíveis, bem como os que, numa
base razoável, lhes podem ser atribuídos. As atividades agregadas em Outros não qualificam para relatar
separadamente.
A informação financeira, por segmentos de negócio, em 31 de dezembro de 2022 e 2021, analisa-se como
segue:
2022
2021
Transp. Aéreo
Manutenção e
engenharia
Outros Total
Transp. Aéreo
Manutenção e
engenharia
Outros Total
Rendimentos e ganhos operacionais 3.340.706.058 135.566.081 8.695.347 3.484.967.486 1.319.875.550 57.149.593 11.517.349 1.388.542.492
Resultados operacionais 250.632.985 23.481.852 (5.897.601) 268.217.236 (510.184.936) (19.155.759) (959.329.974) (1.488.670.669)
Resultados financeiros líquidos externos (237.859.044) 3.586.280 - (234.272.764) (422.595.726) (3.856.779) - (426.452.505)
Imposto sobre o rendimento 42.613.895 (14.014.406) 3.053.457 31.652.946 175.520.859 3.291.178 137.200.248 316.012.285
Resultado líquido do exercício 55.387.836 13.053.726 (2.844.144) 65.597.418 (757.259.803) (19.721.360) (822.129.726) (1.599.110.889)
O Grupo não apresenta ativos e passivos segmentais tendo em consideração que esta informação não é
apresentada ao principal responsável pela tomada de decisões operacionais.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 105




A rubrica rendimentos e ganhos operacionais, excluindo ganhos e perdas em associadas, nos exercícios
findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 é como segue:
2022
Passagens Manutenção
Carga e
Correio
Outros Total
Rédito
Vendas - 1.924.591 - 702.710
2.627.301
Serviços prestados 3.072.352.122 130.147.411 258.345.803 8.397.280
3.469.242.616
Outros rendimentos
- - - 13.269.879
13.269.879
3.072.352.122 132.072.002 258.345.803 22.369.869
3.485.139.796
2021
Passagens Manutenção
Carga e
Correio
Outros Total
Rédito
Vendas - 2.221.703 - 355.294 2.576.997
Serviços prestados 1.067.193.102 51.985.763 236.236.180 6.686.522 1.362.101.567
Outros rendimentos - - - 23.863.928 23.863.928
1.067.193.102 54.207.466 236.236.180 30.905.744 1.388.542.492
As vendas e serviços prestados por área geográfica no exercício findo em 31 de dezembro de 2022 e 2021
são como segue:
2022
2021
Passagens Manutenção Carga e Correio Outros Total Passagens Manutenção Carga e Correio Outros Total
Continente e ilhas 195.986.457 22.253.743 7.687.845 6.109.487 232.037.532 103.568.059 17.937.053 5.592.901 5.555.028 132.653.041
Europa 1.023.694.937 108.338.337 12.729.048 1.943.006 1.146.705.328 370.067.740 27.133.415 10.103.355 966.034 408.270.544
Atlântico Sul 876.397.510 380.344 135.306.281 410.725 1.012.494.860 203.017.839 7.865.841 142.598.773 157.355 353.639.808
Atlântico Norte 557.736.823 568.936 65.859.189 321.386 624.486.334 198.985.223 884.194 50.531.208 161.045 250.561.670
Atlântico Médio 35.373.011 - 8.111.681 23.934 43.508.626 2.033.811 - 9.175.893 889 11.210.593
África 360.986.517 339.784 27.803.903 275.036 389.405.240 186.911.848 101.885 17.481.428 198.706 204.693.867
Outros 22.176.867 190.858 847.856 16.416 23.231.997 2.608.582 285.078 752.622 2.759 3.649.041
3.072.352.122 132.072.002 258.345.803 9.099.990 3.471.869.917 1.067.193.102 54.207.466 236.236.180 7.041.816 1.364.678.564





25 Outros rendimentos
Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica outros rendimentos é detalhada como segue:
2022 2021
Ganhos em ativos fixos tangíveis (Nota 4) 684.250 12.647.962
Serviços prestados 8.397.280 6.686.522
Rendas e sublocações 2.659.174 5.339.272
Material de armazém recuperado 2.100.908 1.575.881
Subsídios à exploração 229.488 1.616.589
Publicidade 196.702 103.232
Justo valor (Nota 5) 299.101 72.074
Comissão de vendas a bordo - 4.368
Outros rendimentos suplementares 7.802.966 2.859.844
22.369.869 30.905.744

A variação verificada na rubrica ganhos em ativos fixos tangíveis respeita, essencialmente, à mais-valia
obtida na venda de oito aeronaves da frota em 2021 (Nota 4).




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 106



No exercício findo em 31 de dezembro de 2022, a rubrica dos outros rendimentos suplementares inclui,
essencialmente, ganhos com reembolsos de reservas de manutenção da parte de locadoras, aquando do
redelivery das respetivas aeronaves, anteriormente consideradas como irrecuperáveis, no montante de
3,2 milhões de Euros, e ganhos com a venda de materiais diversos no montante de 2,9 milhões de Euros.



26 Gastos por natureza
Durante os exercícios de 2022 e 2021, os gastos operacionais por natureza são como segue:
2022 2021
Custos operacionais de tráfego 699.071.630 372.176.563
Combustível para aeronaves 1.096.653.890 340.478.438
Custos comerciais, marketing e comunicação 181.011.788 71.418.381
Custo dos materiais consumidos 101.898.211 30.169.492
Gastos com manutenção de aeronaves 33.439.503 19.429.846
2.112.075.022 833.672.720
✈ Custos operacionais de tráfego
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Custos operacionais de tráfego tem o
seguinte detalhe:
2022 2021
Serviços de handling 181.924.915 105.825.645
Taxas de navegação aérea 140.210.783 72.499.814
Taxas de aterragem 94.048.491 57.470.446
Despesas a bordo 82.495.699 41.584.799
Irregularidades operacionais 67.281.534 25.810.931
Facilidades aeroportos 36.512.483 8.051.456
Encargos com bagagem, carga e correio 23.030.446 19.464.765
Taxas de controlo de tráfego aéreo 26.880.158 14.173.049
Alojamento e alimentação nas escalas 26.764.904 14.484.352
Despesas em terra com passageiros classe executiva 9.141.288 2.862.496
Fretamentos aviões 6.716.892 6.979.184
Outros custos operacionais de tráfego 4.064.037 2.969.626
699.071.630 372.176.563
O aumento verificado na rubrica resulta essencialmente do aumento da atividade da TAP S.A. em 2022
face a 2021.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 107



✈ Combustível para aeronaves
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Combustível para aeronaves tem o
seguinte detalhe:
2022 2021
Combustíveis de avião
Consumos 1.144.017.355
332.038.942
Derivado de jet fuel (89.412.768) (10.985.626)
Comissões de derivados 3.378.637 -
Licenças emissão CO2 38.670.666 19.425.122
1.096.653.890 340.478.438
O aumento nos gastos de combustível de aeronaves deve-se ao efeito combinado do aumento das
quantidades consumidas e do aumento do preço médio do combustível.
O aumento nos gastos com licenças de emissão de CO2 deve-se principalmente ao aumento dos
consumos decorrente da retoma da atividade.
A variação nos derivados de jet fuel deve-se ao aumento significativo do preço e dos consumos do jet fuel
em 2022 face a 2021.


✈ Custos comerciais, marketing e comunicação
A rubrica Custos comerciais, marketing e comunicação, nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022
e 2021, apresenta a seguinte composição:
2022 2021
Comissões 60.578.340 22.572.339
Booking fees 58.387.354 24.611.984
Publicidade 20.083.769 9.500.320
Encargos especiais de venda - transporte aéreo 32.561.816 9.886.413
Trabalhos especializados 9.123.092 4.780.081
Outros gastos comerciais, marketing e comunicação 277.417 67.244
181.011.788 71.418.381
O aumento verificado na rubrica resulta essencialmente do aumento da atividade da TAP S.A. em 2022
face a 2021.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 108





✈ Custos dos materiais consumidos
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Custos dos materiais consumidos tem
o seguinte detalhe:
2022 2021
Inventários consumidos e vendidos 81.335.176 24.912.671
Subcontratação de manutenção de equipamento de voo de terceiros 20.563.035 5.256.821
101.898.211 30.169.492
O aumento verificado na rubrica resulta essencialmente do aumento da atividade da TAP S.A. em 2022
face a 2021.
✈ Gastos com manutenção de aeronaves
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Gastos com manutenção de aeronaves
tem o seguinte detalhe:
2022 2021
Subcontratação de manutenção de equipamento de voo TAP 21.307.829 10.802.116
Inventários consumidos 12.131.674 8.627.730
33.439.503 19.429.846
A rubrica de gastos com a manutenção de aeronaves respeita aos gastos de manutenção recorrente,
incluindo de linha, da frota da TAP S.A.. A variação verificada é consequência da retoma da atividade do
transporte aéreo e, por consequência, da manutenção de aeronaves.

27 Custos com o pessoal
A rubrica Custos com o pessoal, nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, apresenta o
seguinte detalhe:
2022 2021
Remunerações fixas
230.989.942 218.006.813
Remunerações variáveis
82.192.824 44.128.238
Encargos sobre remunerações
67.323.043 66.338.766
Outros seguros de pessoal
9.248.372 14.719.591
Custos de ação social
8.470.276 9.153.042
Benefícios pós-emprego (Nota 17)
5.915.791 5.306.199
Seguro de acidentes de trabalho
4.913.450 7.877.299
Comparticipação de refeições
4.484.490 4.751.034
Uniformes e trajes de trabalho
1.374.565 789.244
Instrução e recrutamento de pessoal
701.721 1.413.308
Outros gastos com o pessoal
1.117.016 914.350
416.731.490 373.397.884



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 109


O aumento verificado em 2022 face a 2021 na rubrica Gastos com o pessoal decorre, essencialmente, do
aumento da atividade face ao período homólogo e da revisão dos cortes salariais acordados com os
colaboradores no âmbito do Plano de Reestruturação.
As remunerações atribuídas aos Órgãos Sociais e restantes gastos com pessoal, em 2022 e 2021,
detalham-se como segue:
2022 2021
Remunerações
Pessoal 416.240.698 373.382.798
Órgãos sociais (*) 490.792 15.086
416.731.490 373.397.884
(*) Até outubro de 2022 esta rubrica incluia exclusivamente as remunerações relativas ao Conselho fiscal, sendo que
os remanescentes Orgãos sociais encontravam-se a ser remunerados na TAP SGPS. A partir de novembro de 2022,
a sua remuneração passou a ser assegurada pela TAP S.A..
Durante 2022 e 2021, o número médio de colaboradores ao serviço do Grupo foi 7.109 e 7.188,
respetivamente:
2022 2021
Sede
Pessoal Navegante de Cabine 2.651 2.517
Pessoal Manutenção e Engenharia 1.438 1.558
Pessoal de Terra 1.516 1.503
Pessoal Navegante Técnico 1.227 1.287
Representações
Brasil 79 90
Estados Unidos 32 38
Espanha 31 34
França 18 20
Angola 19 21
Alemanha 11 18
Itália 20 23
Reino Unido / Irlanda 13 20
Venezuela 7 7
Suíça 4 4
Outras 43 48
7.109 7.188




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 110


28 Imparidades de contas a receber, inventários e provisões
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 a rubrica Imparidades de contas a receber,
inventários e provisões detalham-se conforme segue:
2022 2021
Imparidade de inventários (Nota 11) (5.131.380) 12.490.935
Imparidade de contas a receber (Nota 10) 7.626.917 22.886.590
Provisões (Nota 18) 53.572.415 16.041.875
56.067.952 51.419.400


29 Outros gastos
A rubrica de outros gastos, nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, apresenta o seguinte
detalhe:
2022 2021
Trabalhos especializados e subcontratos 81.031.526 71.141.579
Rendas e alugueres 17.738.528 11.891.700
Comunicação 7.953.464 5.960.403
Conservação e reparação de outros ativos 7.291.671 6.091.538
Seguros 6.533.756 3.938.314
Transporte de mercadorias 3.935.301 2.580.196
Eletricidade 3.233.128 1.557.804
Vigilância e segurança 2.497.201 3.069.059
Limpeza, higiene e conforto 2.130.182 2.393.035
Impostos 1.783.041 777.213
Multas e penalidades 1.663.071 242.713
Deslocações e estadas 1.477.082 666.365
Livros e documentação técnica 1.453.756 1.446.945
Perdas em ativos fixos 438.097 696.377
Honorários 82.304 451.471
Outros gastos operacionais 2.620.695 5.419.499
141.862.803 118.324.211
O aumento da rubrica trabalhos especializados e subcontratos decorre, essencialmente, do incremento da
atividade operacional da TAP S.A.
Em 2022, a rubrica rendas e alugueres inclui contratos de locação de curta duração relativos,
essencialmente, a imóveis e software no montante de 9,5 milhões de Euros e a motores no montante de
6,1 milhões de Euros.





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 111











30 Reestruturação
A rubrica Reestruturação, nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, apresenta o seguinte
detalhe:
2022 2021
Provisão reestruturação (Nota 18) 3.437.458 11.800.354
Outros (4.114) (9.605)
Reestruturação - Cortes (Nota 17) - 2.455.530
3.433.344 14.246.279
Os impactos positivos registados em 2022 e 2021 nos montantes de 3,4 milhões de Euros e 11,8 milhões
de Euros, respetivamente, na provisão para reestruturação, resulta do efeito conjunto da redução do
número de colaboradores abrangidos pelas medidas do Plano de Reestruturação e a atualização do valor
auferido por cada colaborador aquando da sua saída face ao estimado.
A rubrica de cortes respeita a ganhos com a saída de colaboradores do plano de benefícios pós-emprego
pela adesão às medidas voluntárias contempladas no Plano de Reestruturação.


31 Outros itens não recorrentes
A rubrica Outros itens não recorrentes, nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021,
apresenta o seguinte detalhe:
2022 2021
Reestruturação societária Grupo TAP (28.676.979) 1.024.940.014
Outras perdas não recorrentes (Nota 18) 12.664.806 -
(16.012.173) 1.024.940.014
Atendendo às projeções incluídas no Plano de Reestruturação Aprovado e consequente reorganização
societária em curso do Grupo TAP decorrente dessa aprovação, em 2021 o Conselho de Administração
procedeu ao registo de perdas por imparidade em contas a receber da TAP SGPS no montante de 884,7
milhões de Euros e ao registo de uma provisão no montante de 140,3 milhões de Euros referente à
estimativa de encargos adicionais a suportar pela TAP S.A. relacionados com a referida reorganização
societária, incluindo os decorrentes do processo de liquidação da TAP ME Brasil (Nota 1.1.3).
No exercício findo em 31 de dezembro de 2022, decorrente das alterações quanto à perspetiva da forma
de reestruturação societária do Grupo TAP (Notas 10 e 18), esta rubrica inclui o ganho com a redução da
provisão para encargos decorrentes do processo de liquidação da TAP ME Brasil no montante de 113,6
milhões de Euros (Nota 18) e o reforço das perdas por imparidade em contas a receber da TAP SGPS no
montante de 84,9 milhões de Euros (Nota 10).




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 112




Dado o seu enquadramento e natureza, as referidas situações foram consideradas pelo Conselho de
Administração como não recorrentes no contexto das presentes demonstrações financeiras.



32 Depreciações, amortizações e perdas por imparidade
Nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, a rubrica Depreciações, amortizações e perdas
por imparidade decompõe-se como segue:
2022 2021
Depreciações de ativos fixos tangíveis (Nota 4)
Edifícios e outras construções 5.700.811 5.610.824
Equipamento básico 60.562.371 58.290.362
Equipamento de transporte 16.894 64.074
Ferramentas e utensílios 863.443 803.052
Equipamento administrativo 1.752.557 728.589
Outros ativos fixos tangíveis 245.904 264.293
69.141.980 65.761.194
Direito de uso de ativos (Nota 4)
Edifícios e outras construções -
407.871
Equipamento básico
429.296.438 401.061.641
Equipamento de transporte
45.134 197.020
429.341.572 401.666.532
Amortizações de ativos intangíveis (Nota 6)
Programas de computador 11.498.823 11.695.551
11.498.823 11.695.551
Perdas por imparidade em ativos tangíveis (Nota 4)
Equipamento básico
(438.751) 5.686.331
Ferramentas e utensílios
(86.047) 1.623.663
Equipamento administrativo
923 -
Adiantamentos por conta de ativos fixos tangíveis
- 3.271.940
(523.875) 10.581.934
Total
509.458.500 489.705.211
No exercício findo em 31 de dezembro de 2022, foram registadas depreciações não previstas decorrentes
do incremento da estimativa de custos de redelivery relacionada com os trabalhos de phase-out de 6
aeronaves ATR cujos contratos de ACMI terminaram durante o ano 2022, no montante de 26,4 milhões de
Euros.
Tendo em consideração o início de trabalhos de phase-out de 2 aeronaves ATR em regime de ACMI em
janeiro de 2022, foram registadas no exercício findo em 31 de dezembro de 2021 depreciações não
previstas decorrentes de perdas na sua recuperabilidade, no valor de 4.451 milhares de Euros,
decomposto entre depreciações de rendas, manutenções, reservas de manutenção e redelivery.
Em 2021 foram registadas perdas por imparidade em Equipamento básico e Ferramentas e utensílios no
montante de 7.310 milhares de Euros, referentes a sobressalentes e ferramentas obsoletas.



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 113











33 Resultados financeiros







A rubrica Resultados financeiros no exercício findo em 31 de dezembro de 2022 e 2021 tem o seguinte
detalhe:
2022 2021
Juros suportados relacionados com empréstimos
(40.186.054)
(92.600.310)
Juros relacionados com contratos de locação com opçao de compra
(32.633.882)
(23.216.966)
Juros relacionados com contratos de locação sem opçao de compra
(179.674.206)
(164.390.448)
Outros custos e perdas financeiros
(9.095.406)
(13.400.921)
Juros e gastos similares suportados
(261.589.548)
(293.608.645)
Juros obtidos
40.088.548
33.952.821
Juros e rendimentos similares obtidos
40.088.548
33.952.821
Diferenças de câmbio líquidas
(12.771.764)
(175.473.763)
Diferenças de câmbio líquidas
(12.771.764)
(175.473.763)
Gastos overhedge (Nota 23) - 8.677.082
Gastos overhedge - 8.677.082
Total (234.272.764) (426.452.505)
A valorização do Dólar face ao Euro durante o exercício findo em 31 de dezembro de 2022, gerou perdas
resultantes da atualização cambial dos passivos de locação com e sem opção de compra no montante de
149,4 milhões de Euros. Contudo, as perdas cambiais líquidas decorrentes da atualização cambial
verificada durante o exercício de 2022 dos passivos de locação em USD para as quais foi definida uma
relação de cobertura a partir de 1 de janeiro de 2022 com as vendas previstas altamente prováveis cuja
tarifa é determinada em USD, foram registadas na rubrica de outras reservas no outro rendimento integral
no montante de 108,5 milhões de Euros (Notas 2.33 e 16). Desta forma, o montante registado na
demonstração consolidada dos resultados, corresponde à parcela não coberta pelo hedging cambial.
As diferenças cambiais desfavoráveis ocorridas no exercício findo em 31 de dezembro de 2021
decorreram, essencialmente, da valorização do Dólar face ao Euro. O impacto negativo desta atualização
referente aos passivos de locação, com e sem opção de compra, em 31 de dezembro de 2021 ascende a
163.941 milhares de Euros.


A diminuição dos juros suportados em 2022 face a 2021 deve-se, essencialmente, à redução da dívida
global, nomeadamente decorrente da conversão do empréstimo do apoio de Estado em capital em 30 de
dezembro de 2021 (Nota 15).




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 114

34 Imposto sobre o rendimento
A rubrica Imposto sobre o rendimento nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021 tem o
seguinte detalhe:
2022 2021
Imposto diferido (Nota 9) 31.889.253 316.328.916
Imposto corrente (Nota 12) (221.015) (113.886)
Insuficiência/(excesso) de estimativa de imposto (15.292) (202.745)
31.652.946 316.012.285
O apuramento de imposto é feito na esfera das contas individuais da TAP S.A. preparadas de acordo com
as disposições do Sistema de Normalização Contabilística (SNC).
A reconciliação da taxa de Imposto sobre o rendimento no exercício findo em 31 de dezembro de 2022 e
2021 é como segue:
2022 2021
Resultado antes de impostos 33.944.472 (1.915.123.174)
Taxa nominal de imposto 21,0% 21,0%
Imposto esperado (7.128.339) 402.175.867
Diferenças permanentes (27.051) (11.146.295)
Diferenças temporárias sem imposto diferido associado 23.853.091 (43.408.519)
Diferença de taxas (13.951.212) 25.286.067
Saída do RETGS (Nota 9) - (56.578.204)
Tributação autónoma (221.015) (113.886)
Insuficiência/(excesso) de estimativa de imposto (15.292) (202.745)
Constituição de impostos diferidos referentes a anos anteriores 23.643.736 -
Variações patrimoniais tributadas 5.499.028 -
31.652.946 316.012.285
Taxa efetiva de imposto 93% (17%)
Em resultado do final do período temporal para dedução de prejuízos fiscais reportáveis (Nota 9), em 2022
foram registados impostos diferidos ativos no montante de 23,6 milhões de Euros sobre diferenças
temporárias de anos anteriores, sobre as quais não haviam sido constituídos os respetivos impostos
diferidos por não existirem perspetivas da sua realização face às projeções de lucros tributáveis futuros
existentes, nomeadamente: (i) a provisão para reestruturação (Nota 18) no montante de 7,8 milhões de
Euros, e (ii) parte da imparidade registada em 31 de dezembro de 2021 sobre a conta a receber da TAP
SGPS no montante de 15,9 milhões de Euros (Nota 10).
Em 2022 as diferenças temporárias sem imposto diferido associado dizem respeito à reversão da provisão
para encargos com a reorganização societária em curso do Grupo TAP SGPS (Nota 31), para a qual não
foi registado o respetivo imposto diferido em 2021.



Graphics




DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 115



Acrescenta-se que, atendendo ao ano esperado para realização das diferenças temporárias para as quais
foram anteriormente registados impostos diferidos, foi considerada uma taxa de imposto de 29,5%, com
exceção dos impostos diferidos referentes a prejuízos fiscais reportáveis, imparidades de contas a receber
da TAP ME Brasil e da TAP SGPS e outras provisões, para as quais foi considerada uma taxa de imposto
de 21%. O impacto da diferença de taxas é apresentada na reconciliação da taxa de imposto na linha
diferença de taxas.


35 Resultados por ação

Não existem instrumentos financeiros convertíveis sobre as ações da TAP S.A., pelo que não existe
diluição de resultados. O detalhe dos resultados por ação para os exercícios findos em 31 de dezembro
de 2022 e 2021 é conforme segue:
2022 2021
Resultado atribuível ao acionista da TAP S.A. 65.597.418 (1.599.110.889)
Número médio ponderado de ações 180.989.966 62.200.000
Resultado básico e diluído por ação 0,4 (25,7)


36 Compromissos

O contrato de aquisição de aeronaves com a Airbus S.A.S. (“Airbus”) para a aquisição de 53 aeronaves
(39 A320 NEO Family e 14 A330 NEO), inicialmente previstas receber entre 2018 e 2025, foi objeto de
renegociação com vista ao diferimento da entrega de algumas das aeronaves dado os impactos da
pandemia COVID-19 no sector da aviação comercial. As 2 aeronaves A330NEO não entregues à data,
foram objeto de replaneamento de 2022 para 2024, tendo sido recentemente alvo de renegociação
novamente no intuito de diferir a entrega para o último trimestre de 2025 (A339 #11) e segundo trimestre
de 2026 (A339 #12). No que se refere às aeronaves A320NEO Family, 13 aeronaves inicialmente previstas
para entrega no período de 2021-2022 foram objeto de replaneamento para 2025-2027 durante o ano de
2020, na sequência de ações de mitigação do impacto da Pandemia. Em 2022, 7 aeronaves A320NEO
Family foram alvo de novo reajuste nas datas previstas de entrega. Destas 7 aeronaves, 2 (A320NEO #32
e #34) estão atualmente previstas serem entregues no primeiro e no segundo trimestres de 2028, tendo
esta atualização de alteração das datas de entrega das aeronaves sido formalizada através de um acordo
entre a TAP S.A. e a AIB na forma do Amendment #11 ao contrato de aquisição do A320. Neste mesmo
documento, ficou acordado a conversão da aeronave ranking #30 para um A320N (inicialmente a aeronave
estava prevista ser um A321LR). Este contrato de aquisição decorre da novação à TAP S.A. do contrato
de aquisição previamente negociado e assinado entre a Airbus e a DGN Corporation.

Decorrente dos compromissos assumidos no contrato com a Airbus, referente à entrada futura de
aeronaves, em 2021 foi pago um total de 53,3 milhões de Dólares em pre-delivery payments. Já em 2022
foi pago um montante total de 58,2 milhões de Dólares de pre-delivery payments, montante que já se
encontra em linha com as alterações das datas de entrega das 7 aeronaves supramencionadas.




Graphics






DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 116



Encontram-se previstos pre-delivery payments referentes às aeronaves A330NEO até ao ano 2025 e às
aeronaves A320NEO Family até 2027, estando previsto o pagamento faseado de 66,4 milhões de Dólares
durante o ano 2023, da frota A320NEO Family.

Adicionalmente, encontra-se em vigor um contrato com a Rolls-Royce que engloba o suporte de
manutenção à totalidade dos reatores TRENT 7000 que equipam as aeronaves A330 NEO.

Está igualmente em vigor um contrato com a CFM International Inc., S.A. relativo à aquisição de 83
reatores LEAP-A1, incluindo 5 reatores de reserva, que equiparão e servirão a nova frota de aeronaves
A320NEO Family. De referir que, estes reatores, serão adquiridos diretamente pela Airbus, com exceção
dos reatores de reserva. Relativamente aos reatores de reserva que serão adquiridos diretamente à CFM
e que dos 5 previstos todos já se encontram devidamente entregues, tendo o último sido adquirido em
outubro de 2022.






37 Contingências

Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 o Grupo não apresenta ativos contingentes passíveis de divulgação,
e os passivos contingentes eram conforme segue:
2022 2021
Contingências fiscais
42.876 494.207
Contingências civis
18.541.675 11.030.695
Contingências regulatórias
401.021 2.334.446
Total
18.985.572 13.859.348
As contingências incluem, essencialmente, processos instaurados pelos clientes relativamente às
irregularidades da atividade. O Grupo, suportado pela opinião dos Advogados, considerou que um
resultado não favorável destes processos não é provável.

Garantias prestadas

Em 31 de dezembro de 2022 e 2021 as garantias prestadas pelo Grupo decompõem-se como segue:
2022 2021
Garantias bancárias prestadas pela Sede
Aeronaves 40.574.124 38.221.763
Combustíveis 1.532.908 882.924
Aeroportos 1.305.928 1.019.875
Tribunal do Trabalho 450.962 450.962
Outras 4.200.574 4.641.556
Garantias bancárias prestadas pelas Representações 2.358.311 2.261.785
50.422.807 47.478.865





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 117



38 Partes relacionadas
Em 2021, conforme divulgado na Nota Introdutória, a estrutura acionista da TAP S.A. sofreu alterações,
com impacto na identificação das entidades relacionadas.
Em 31 de dezembro de 2022, as partes relacionadas identificadas são as seguintes:
Aeropar TAP ME Brasil
Cateringpor TAP SGPS
Estado Português TAPGER
Portugália UCS
SPdH - Serviços Portugueses de Handling, S.A.
No âmbito da identificação das partes relacionadas, para efeitos de relato financeiro, foram avaliados
igualmente como partes relacionadas os membros do Conselho de Administração e demais Órgãos
Sociais. Ver Relatório de Gestão.

Os saldos e transações, com entidades relacionadas em 31 de dezembro de 2022 e 2021, são como
segue:
✈ Saldos































2022 - Ativos
Clientes
(Nota 10)
Adiantamento
s a
fornecedores
(Nota 10)
Acréscimos
de
rendimentos
(Nota 10)
Diferimento
de gastos a
reconhecer
(Nota 13)
Direito de uso
de ativos
Capital
subscrito e não
realizado não
correntes (Nota
10)
Outros
devedores
não correntes
(Nota 10)
Capital
subscrito e
não realizado
corrente s
(Nota 10)
Outros
devedores
corrente s
(Nota 10)
Imparidade de
contas a
receber
(Nota 10)
Total
Estado Português - - - - - 324.341.080 - 333.540.088 - - 657.881.168
TAP SGPS 32.584 - 885 - - - - - 993.416.334 (993.045.579) 404.224
PGA 451.304 - 1.045.406 - 240.025.053 - 17.223.370 - 25.035.617 - 283.780.750
SPdH 2.187.281 - - - - - - - 16.121.505 (10.773.100) 7.535.686
TAP ME Brasil 16.590.768 574.390 - 272.178 - - - - 13.256.265 (30.398.318) 295.283
Cateringpor 37.823 - - - - - - - 146.737 - 184.560
UCS - 1.000 - - - - - - 47.145 - 48.145
19.299.760 575.390 1.046.291 272.178 240.025.053 324.341.080 17.223.370 333.540.088 1.048.023.603 (1.034.216.997) 950.129.816
2021 - Ativos
Clientes
(Nota 10)
Adiantamentos a
fornecedores
(Nota 10)
Acréscimos de
rendimentos
(Nota 10)
Diferimento de
gastos a
reconhecer (Nota
13)
Direito de uso
de ativos
Outros
devedores
(Nota 10)
Reservas de
manutenção
(Nota 10)
Imparidade de
contas a receber
(Nota 10)
Total
TAP SGPS 17 - 885 - - 921.540.227 - (884.671.817) 36.869.312
PGA 274.994 - 850.961 - 187.329.516 229.080 7.953.186 - 196.637.737
SPdH 791.075 - - - - 15.415.106 - (10.773.100) 5.433.081
TAP ME Brasil 15.603.355 515.432 - 1.023.737 - 9.257.851 - (25.669.547) 730.828
Cateringpor 341.128 - 1.047.335 - - 1.667.512 - - 3.055.975
UCS 45.329 1.000 - - - 71.249 - - 117.578
17.055.898 516.432 1.899.181 1.023.737 187.329.516 948.181.025 7.953.186 (921.114.464) 242.844.511




Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 118





















2022 - Passivos
Fornecedores
(Nota 20)
Acréscimos
de gastos
(Nota 20)
Ganhos
diferidos
(Nota 21)
Passivos de
locação sem
opção de
com pra
não correntes
(Nota 19)
Passivos de
locação sem
opção de
com pra
correntes
(Nota 19)
Outras contas
a pagar
correntes
(Nota 20)
Total
Estado Português - - - - - - -
TAP SGPS (1.625.940) - - - - - (1.625.940)
PGA (3.607.180) - (20.144) (127.797.388) (80.013.076) 344 (211.437.444)
SPdH (4.359.001) (2.020.004) (82.203) - - 3.798 (6.457.410)
TAP ME Brasil (1.821) (21.282) - - - - (23.103)
Cateringpor (2.195.863) (2.541.736) (207.567) - - - (4.945.166)
UCS - (72.564) - - - (20.232) (92.796)
(11.789.805) (4.655.586) (309.914) (127.797.388) (80.013.076) (16.090) (224.581.859)
2021 - Passivos
Fornecedores
(Nota 20)
Acréscimos
de gastos
(Nota 20)
Ganhos diferidos
(Nota 21)
Passivos de
locação sem
opção de
com pra
não correntes
(Nota 19)
Passivos de
locação sem
opção de
com pra
correntes
(Nota 19)
Outras contas
a pagar
correntes
(Nota 20)
Total
TAP SGPS (59.635) - - - - (412) (60.047)
PGA (9.715.176) (56.084) (20.144) (100.306.207) (110.739.906) 344 (220.837.173)
SPdH (4.430.291) (1.760.080) (81.794) - - 4.065 (6.268.100)
TAP ME Brasil 305.588 (12.678) - - - - 292.910
Cateringpor (4.069.068) (2.135.080) (206.504) - - - (6.410.652)
UCS (159.954) (142.359) (28.983) - - (32.374) (363.670)
(18.128.536) (4.106.281) (337.425) (100.306.207) (110.739.906) (28.377) (233.646.732)
Em 31 de dezembro de 2022, o saldo dos passivos de locação correntes devidos à Portugália, encontram-
se deduzidos de adiantamentos efetuados pela TAP S.A. durante o segundo semestre de 2022, no
montante de 48 milhões de Euros.
✈ Transações
2022
Rendimentos
operacionais
Gastos
operacionais
Depreciações
de direito de uso
Juros obtidos
Juros suportados
e diferenças de
câmbio
Total
TAP SGPS 4.160 (1.872.009) - 36.228.919 - 34.361.070
PGA 3.210.357 (16.874.970) (95.522.472) - (14.862.510) (124.049.595)
SPdH 6.247.584 (88.743.524) - - - (82.495.940)
TAP ME Brasil 96.664 (1.020.877) - - - (924.213)
Cateringpor 1.612.107 (43.326.935) - - - (41.714.828)
UCS 662.049 (4.115.695) - - - (3.453.646)
11.832.921 (155.954.010) (95.522.472) 36.228.919 (14.862.510) (218.277.152)



Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 119













2021
Rendimentos
operacionais
Gastos
operacionais
De pr e ciaçõe s
de direito de
uso
Juros obtidos
Juros
suportados e
diferenças de
câmbio
Total
Estado Português - - - - (47.718.792) (47.718.792)
TAP SGPS - (601.194) - 33.712.447 - 33.111.253
PGA 3.739.151 (12.473.119) (71.899.280) - (12.098.409) (92.731.657)
SPdH 6.919.275 (54.836.212) - - - (47.916.937)
TAP ME Brasil 61.166 (2.051.761) - - - (1.990.595)
Cateringpor 1.678.831 (25.121.272) - - - (23.442.441)
UCS 830.875 (4.776.419) - - - (3.945.544)
Grupo Barraqueiro 2.523 (479) - - - 2.044
13.231.821 (99.860.456) (71.899.280) 33.712.447 (59.817.201) (184.632.669)
Os gastos operacionais com a SPdH referem-se a serviços de ground handling prestados pela SPdH para
suporte a aviões, passageiros, bagagem, carga e correio.
Estas transações são realizadas em termos e condições semelhantes aos praticados nos acordos
comerciais habitualmente celebrados com outras companhias aéreas.












39 Ativos e passivos financeiros
A política contabilística descrita na Nota 2.12 foi aplicada de acordo com as categorias apresentadas
abaixo:
2022
Ativos e passivos
financeiros ao custo
amortizado
Ativos e passivos
financeiros ao justo
valor por outro
rendimento integral
Ativos e passivos
financeiros ao justo
valor por resultados
Ativos e passivos
financeiros fora de
âmbito da IFRS 9
Total
Ativos
Outros ativos financeiros 488.720 - - - 488.720
Outras contas a receber 1.279.678.358 - - 37.886.855 1.317.565.213
Caixa e seus equivalentes 916.077.051 - - - 916.077.051
Total Ativos 2.196.244.129 - - 37.886.855 2.234.130.984
Passivos
Passivos remunerados (908.799.432) - - - (908.799.432)
Passivo locação com opção de compra - - - (709.301.561) (709.301.561)
Passivo locação sem opção de compra - - - (2.038.113.044) (2.038.113.044)
Outras contas a pagar (576.657.046) (7.268.129) - (430.709) (584.355.883)
Total Passivos (1.485.456.477) (7.268.129) - (2.747.845.314) (4.240.569.920)
2021
Ativos e passivos
financeiros ao custo
amortizado
Ativos e passivos
financeiros ao justo
valor por outro
rendimento integral
Ativos e passivos
financeiros ao justo
valor por resultados
Ativos e passivos
financeiros fora de
âmbito da IFRS 9
Total
Ativos
Outros ativos financeiros 488.725 - - - 488.725
Outras contas a receber 445.637.020 233.046 - 13.889.002 459.759.068
Caixa e seus equivalentes 812.578.316 - - - 812.578.316
Total Ativos 1.258.704.061 233.046 - 13.889.002 1.272.826.109
Passivos
Passivos remunerados (937.194.148) - - - (1.480.870.554)
Passivo locação com opção de compra - - - (543.676.406) (543.676.406)
Passivo locação sem opção de compra - - - (2.118.538.327) (2.118.538.327)
Outras contas a pagar (405.595.477) - - (558.381) (406.153.858)
Total Passivos (1.342.789.625) - - (2.662.773.114) (4.005.562.739)





Graphics
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 120



As seguintes tabelas apresentam os ativos e passivos mensurados ao justo valor em 31 de dezembro de
2022 e 2021, de acordo com os seguintes níveis de hierarquia de justo valor estabelecidos no IFRS 13:
2022
Nível 1 Nível 2 Nível 3
Ativos não financeiros
Propriedades de investimento -
1.690.000
-
Passivos financeiros
Instrumentos financeiros derivados
-
(7.268.129)
-
2021
Nível 1 Nível 2 Nível 3
Ativos não financeiros
Propriedades de investimento
-
1.615.899
-
Passivos financeiros
Instrumentos financeiros derivados
- - -
Nível 1: o justo valor dos instrumentos financeiros é baseado em preços disponíveis em mercados ativos
e líquidos à data da posição financeira;
Nível 2: o justo valor dos instrumentos financeiros não é determinado com base em preços em mercados
ativos, mas através de modelos de avaliação. Os principais inputs destes modelos são informações
observáveis no Mercado; e
Nível 3: o justo valor dos instrumentos financeiros não é determinado com base em preços em mercados
ativos, mas através de modelos de avaliação, cujos inputs principais não são observáveis no mercado.
Instrumentos financeiros derivados
O justo valor dos instrumentos financeiros derivados é registado na rubrica de Outras contas a pagar
quando negativo, e na rubrica de Outras contas a receber quando positivo.
Durante 2022 e 2021, a variação do justo valor dos instrumentos financeiros derivados foi reconhecida no
capital próprio ou resultados, tendo em consideração a situação de overhedge verificada em 2020
decorrente da redução de atividade provocada pela pandemia COVID-19 (Notas 15 e 33).
O detalhe do justo valor dos instrumentos financeiros derivados é apresentado na Nota 23.





Graphics

40 Custos com revisão legal de contas

Durante os exercícios findos em 31 de dezembro de 2022 e 2021, os honorários faturados pelos serviços
prestados pelo Revisor Oficial de Contas e por outras entidades pertencentes à mesma rede, detalham-
se conforme segue:

2022 2021
Serviços de Revisão Legal de Contas 169.300 133.250
Serviços de Revisão Limitada 47.250 45.000
Serviços de garantia de fiabilidade e procedimentos acordados 8.870 194.500
225.420 372.750


Os serviços de Revisão Limitada foram efetuados com referência aos meses de junho de 2022 e 2021.

Os serviços de garantia de fiabilidade dizem respeito a validação de informação financeira e de rácios
financeiros no âmbito de contratos de financiamento.

Em 2021 inclui adicionalmente trabalhos de validação de despesas/pagamentos no âmbito do auxílio de
Estado e pedido de subsídios à União Europeia.

41 Eventos subsequentes

Acordos com sindicatos

✈ Em 23 de Janeiro de 2023, a TAP S.A. e o SNPVAC concluíram um acordo que foi aprovado em
Assembleia Geral de Associados e permitiu cancelar uma greve de tripulantes de cabine e reabrir a
negociação do novo Acordo Coletivo de Trabalho.

✈ Em 25 de janeiro de 2023, a TAP S.A. fechou um acordo com o SITEMA e o SITAVA, sindicatos que
representam os Técnicos da Manutenção de Aeronaves (TMA) da Empresa o qual reforça e viabiliza
a permanência destes técnicos especializados na Empresa.

✈ Em 17 de março de 2023, a TAP S.A. e o SPAC concluíram um acordo que foi aprovado em
Assembleia Geral de Associados e permitiu cancelar uma greve de pilotos e reabrir a negociação do
novo Acordo Coletivo de Trabalho.

Composição dos órgãos sociais

✈ Por carta dirigida à TAP S.A., recebida em 20 de fevereiro de 2023, o Senhor Dr. António de Macedo
Vitorino apresentou renúncia ao cargo de Presidente da Mesa da Assembleia Geral da TAP S.A., por
motivos pessoais, com efeitos a 31 de março de 2023.
DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 121

Graphics

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 122

✈ A vogal do Conselho de Administração e vogal da Comissão Executiva da TAP S.A., Eng.ª Silvia
Mosquera González, apresentou no dia 21 de março de 2023 a sua renúncia a estes cargos, em carta
dirigida à Empresa. Esta decisão produzirá efeitos a partir de 23 de junho de 2023.

✈ Na sequência da publicação do Relatório n.º 24/2023 da Inspeção-geral de Finanças – Autoridade de
Auditoria sobre a avaliação do processo relativo à cessação de funções de administradora do Grupo
TAP, e após promoção da respetiva audiência prévia, o acionista único da TAP S.A. deliberou a 12 de
abril de 2023 aprovar a demissão do Presidente do Conselho de Administração, Dr. Manuel Beja, e da
Presidente da Comissão Executiva, Eng.ª Christine Ourmières-Widener nos termos da alínea b) do n.º
1 do artigo 25.º do Estatuto do Gestor Público, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/2007, de 27 de março,
com efeitos a 14 de abril de 2023.

✈ Também a 12 de abril de 2023, o acionista único da TAP S.A. deliberou eleger o Dr. Luís Manuel da
Silva Rodrigues como Presidente do Conselho de Administração da TAP S.A., para exercer funções
no período remanescente do mandato em curso de 2021/2024, produzindo a designação efeitos no
dia 14 de abril de 2023. Neste dia, o Conselho de Administração da TAP S.A. deliberou integrar o Dr.
Luís Manuel da Silva Rodrigues na Comissão Executiva e designá-lo como Presidente da Comissão
Executiva.


Acordo de Subscrição relativo à SPdH

Em 11 de abril de 2023, foi celebrado entre a TAP S.A., a subsidiária portuguesa da MENZIES AVIATION,
a SPdH e a sua respetiva Massa Insolvente um Acordo de Subscrição, nos termos do qual as partes
acordaram nos termos e condições essenciais do Plano de Recuperação a apresentar no processo de
insolvência da SPdH, tendo em vista a recuperação e revitalização da SPdH.

A submissão do Plano de Recuperação na Assembleia de Credores da SPdH está sujeita à prévia
obtenção de um conjunto de aprovações e autorizações, iniciando-se, nesta data, o prazo para tal
obtenção.

Caso o processo de obtenção das necessárias aprovações e autorizações seja concluído com sucesso,
sem alterações materiais, e após a aprovação do plano de insolvência pela Assembleia de Credores da
SPdH e homologação do plano de insolvência pelo tribunal competente, a SPdH deverá ser capitalizada
pela subsidiária portuguesa da MENZIES AVIATION, passando esta a deter a maioria do respetivo capital
social, sendo o capital remanescente subscrito pela TAP S.A., mediante a conversão de créditos sobre a
SPdH, sem aporte de capital adicional pela Empresa.



Graphics

DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS CONSOLIDADAS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2022 123
CONTABILISTA CERTIFICADO CONSELHO ADMINISTRAÇÃO


Ana Maria Fragueiro Navarro Luís Manuel da Silva Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva


Ana Teresa C. P. Tavares Lehmann
Vogal


Gonçalo Neves Costa Monteiro Pires
Vogal


João Pedro Conceição Duarte
Vogal


Patrício Ramos Castro
Vogal


Silvia Mosquera Gonzalez
Vogal


Sofia Norton dos Reis Lufinha de Mello Franco
Vogal


Ramiro José Oliveira Sequeira
Vogal


Graphics


PricewaterhouseCoopers & Associados – Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, Lda.
Sede: Palácio Sottomayor, Rua Sousa Martins, 1 - 3º, 1069-316 Lisboa, Portugal
Receção: Palácio Sottomayor, Avenida Fontes Pereira de Melo, nº16, 1050-121 Lisboa, Portugal
Tel: +351 213 599 000, Fax: +351 213 599 999, www.pwc.pt
Matriculada na CRC sob o NIPC 506 628 752, Capital Social Euros 314.000
Inscrita na lista das Sociedades de Revisores Oficiais de Contas sob o nº 183 e na CMVM sob o nº 20161485

PricewaterhouseCoopers & Associados – Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, Lda. pertence à rede de entidades que são membros da PricewaterhouseCoopers International Limited,
cada uma das quais é uma entidade legal autónoma e independente.

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria



Relato sobre a auditoria das demonstrações financeiras consolidadas

Opinião

Auditámos as demonstrações financeiras consolidadas anexas da Transportes Aéreos Portugueses,
S.A. (o Grupo), que compreendem a demonstração consolidada da posição financeira em 31 de
dezembro de 2022 (que evidencia um total de 5.913.857 milhares de euros e um total de capital próprio
de 417.625 milhares de euros, incluindo um resultado líquido do exercício de 65.597 milhares de
euros), a demonstração consolidada dos resultados, a demonstração consolidada do rendimento
integral, a demonstração consolidada das alterações nos capitais próprios e a demonstração
consolidada dos fluxos de caixa relativas ao ano findo naquela data, e as notas anexas às
demonstrações financeiras consolidadas que incluem um resumo das políticas contabilísticas
significativas.

Em nossa opinião, as demonstrações financeiras consolidadas anexas apresentam de forma
verdadeira e apropriada, em todos os aspetos materiais, a posição financeira consolidada da
Transportes Aéreos Portugueses, S.A. em 31 de dezembro de 2022 e o seu desempenho financeiro e
fluxos de caixa consolidados relativos ao ano findo naquela data de acordo com as Normas
Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) tal como adotadas na União Europeia.

Bases para a opinião

A nossa auditoria foi efetuada de acordo com as Normas Internacionais de Auditoria (ISAs) e demais
normas e orientações técnicas e éticas da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas. As nossas
responsabilidades nos termos dessas normas estão descritas na secção “Responsabilidades do auditor
pela auditoria das demonstrações financeiras consolidadas” abaixo. Somos independentes das
entidades que compõem o Grupo nos termos da lei e cumprimos os demais requisitos éticos nos
termos do código de ética da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas.

Estamos convictos de que a prova de auditoria que obtivemos é suficiente e apropriada para
proporcionar uma base para a nossa opinião.

Ênfase

Chamamos a atenção para o divulgado na nota 1 do anexo contendo as notas explicativas,
nomeadamente quanto à aprovação do Plano de Reestruturação do Grupo TAP pela Comissão
Europeia, em 21 de dezembro de 2021, no âmbito do auxílio de Estado ao Grupo (“Plano de
Reestruturação Aprovado”), e consequente monitorização futura por parte da Comissão Europeia
quanto ao seu cumprimento e respetivos impactos na posição financeira e atividade operacional futura
do Grupo TAP SA.

A nossa opinião não é modificada em relação a esta matéria.


Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 2 de 14
Matérias relevantes de auditoria

As matérias relevantes de auditoria são as que, no nosso julgamento profissional, tiveram maior
importância na auditoria das demonstrações financeiras consolidadas do ano corrente. Essas matérias
foram consideradas no contexto da auditoria das demonstrações financeiras consolidadas como um
todo, e na formação da opinião, e não emitimos uma opinião separada sobre essas matérias.
Consideramos que as matérias descritas abaixo são as matérias relevantes de auditoria a comunicar
neste relatório.


Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria

Reconhecimento do rédito com transporte
de passageiros, incluindo responsabilidades
com documentos pendentes de voo

Divulgações relacionadas com o rédito com
transporte de passageiros apresentadas nas
notas 2.26, 2.33, 22 e 24 das demonstrações
financeiras consolidadas.

Em 31 de dezembro de 2022, os rendimentos e
ganhos operacionais ascendem a 3.485 milhões
de euros, os quais correspondem,
essencialmente, ao transporte de passageiros.
Tal como divulgado na nota 2.26 das
demonstrações financeiras consolidadas, no
momento da venda do bilhete, o valor é
registado como um passivo na rubrica de
Documentos pendentes de voo, a qual, a 31 de
dezembro de 2022, ascende a 738 milhões de
euros, sendo o respetivo rédito reconhecido
apenas quando o transporte é efetuado ou no
momento da caducidade do bilhete, tendo em
consideração neste caso as condições
associadas à sua venda e respetiva estimativa
quanto à probabilidade do passageiro solicitar o
respetivo reembolso ou emissão de novo
bilhete.

Tal como divulgado nas notas 2.26 e 2.33 das
demonstrações financeiras consolidadas, a
rubrica de Documentos pendentes de voo
respeita ao saldo de voos não realizados até
essa data, correspondendo a uma obrigação de
prestação do serviço no futuro ou a uma

Os procedimentos de auditoria incluíram, entre
outros, o entendimento e a avaliação dos
diversos sistemas de informação relacionados
com o reconhecimento do rédito de transporte
de passageiros, a identificação e avaliação da
eficiência operacional do sistema de controlo
interno do Grupo associado aos processos de
gestão de sistemas de informação, tendo para o
efeito recorrido a especialistas em auditoria de
sistemas de informação, bem como à avaliação
dos respetivos controlos-chave destinados a
assegurar o correto, completo e atempado
reconhecimento do rédito de transporte de
passageiros.

Procedemos à realização de testes substantivos
específicos sobre o rédito de transporte de
passageiros e o saldo da rubrica de
Documentos pendentes de voo, nomeadamente
a reconciliação de informação extraída dos
diversos sistemas de suporte com os registos
contabilísticos, a validação, por amostragem,
dos diversos inputs da listagem de documentos
pendentes de voo e a análise das reconciliações
bancárias. Efetuámos, também, procedimentos
de revisão analítica para as diversas categorias
de rédito de transporte de passageiros,
nomeadamente, tarifas, taxas e comissões.

Avaliámos igualmente o percentual de bilhetes
válidos e não utilizados, cujo respetivo rédito foi
reconhecido, tendo por base o histórico
normalizado de documentos não reembolsados
ou não reemitidos.


Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 3 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
obrigação de reembolso do valor do bilhete
conforme definido nos termos contratuais.

O Conselho de Administração efetua análises
periódicas do saldo da rubrica de Documentos
pendentes de voo, de forma a verificar os
bilhetes que já foram voados ou que perderam
validade.

Face à expressão dos montantes em causa,
bem como ao grau de julgamento inerente ao
reconhecimento do rédito, este tema constituiu
uma matéria relevante para efeitos da nossa
auditoria.

Verificámos a adequação das divulgações
apresentadas nas demonstrações financeiras
consolidadas, tendo por base o enunciado no
normativo contabilístico aplicável e os fatores
considerados relevantes.


Estimativas associadas à manutenção e
redelivery da frota

Divulgações relacionadas com a manutenção e
redelivery da frota apresentadas nas notas 2.6,
2.20, 2.33, 4, 10 e 18 das demonstrações
financeiras consolidadas.

Tal como divulgado na nota 2.33 das
demonstrações financeiras consolidadas, as
estimativas para a manutenção

e redelivery da
frota requerem a definição de um conjunto de
pressupostos significativos por parte do Grupo,
assentes em previsões com elevado grau de
julgamento, nomeadamente, a utilização das
aeronaves e as suas condições de
navegabilidade, custo das intervenções,
cláusulas contratuais e eventuais renegociações
dos contratos de locação. Estas estimativas
influenciam o registo da provisão para os
trabalhos a realizar imediatamente antes da
devolução das aeronaves em regime de locação
sem opção de compra, designados por
redelivery, a qual ascende ao montante de 191
milhões de euros em 31 de dezembro de 2022,
assim como a determinação da vida útil das
manutenções estruturais e a recuperabilidade
das reservas de manutenção entregues aos
locadores.


Desenvolvemos um conjunto de procedimentos
de auditoria com o objetivo de avaliar a
razoabilidade das estimativas para manutenção
e redelivery da frota, entre os quais, o
entendimento e apreciação dos processos e
procedimentos de controlo interno adotados
pelo Grupo no que respeita ao seu apuramento.

Obtivemos os elementos de suporte ao cálculo
das estimativas de manutenção

e redelivery,
tendo apreciado a razoabilidade dos
pressupostos assumidos, bem como a sua
razoabilidade com as estimativas embutidas no
Plano de Reestruturação Aprovado.
Questionámos os técnicos internos da área de
manutenção e a Gestão quanto à razoabilidade
dos pressupostos utilizados e verificámos os
cálculos efetuados.

Analisámos os diferentes períodos de
intervenção considerados nas estimativas,
atendendo às especificidades de cada
aeronave, assim como a estimativa dos custos a
incorrer no futuro e a razoabilidade da taxa de
desconto utilizada, tendo por base as condições
que se encontram definidas contratualmente,
assim como a informação fornecida por
engenheiros internos com experiência
específica desta matéria.


Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 4 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
No que respeita à estimativa dos encargos
resultantes dos trabalhos de redelivery, estes
são reconhecidos como provisões, por
contrapartida do respetivo direito de uso das
aeronaves, o qual é depreciado linearmente ao
longo do prazo dos contratos de locação sem
opção de compra.

Relativamente às manutenções estruturais, que
incrementam a vida útil dos ativos subjacentes,
são capitalizadas e reconhecidas como um
complemento ao direito de uso dos ativos,
sendo subsequentemente depreciadas até à
ocorrência de nova manutenção. A estimativa
do prazo até à ocorrência da próxima
manutenção é definida de acordo com o melhor
julgamento do Grupo, sendo esta revista a cada
data de relato financeiro. O período estimado de
ocorrência das manutenções estruturais das
aeronaves em regime de locação sem opção de
compra, assim como a estimativa do respetivo
valor, tem impacto na utilização das reservas de
manutenção entregues aos locadores, sendo as
mesmas recuperadas através da realização das
referidas manutenções.

Face aos montantes envolvidos e ao elevado
nível de julgamento associado aos pressupostos
utilizados na estimativa para a manutenção e
redelivery da frota, este tema constituiu uma
matéria relevante para efeitos da nossa
auditoria.

Averiguámos, igualmente, a consistência
histórica das estimativas de manutenção face
aos eventos efetivamente ocorridos e a
razoabilidade da evolução da estimativa de
manutenção e redelivery em 31 de dezembro de
2022 face ao exercício homólogo.

Verificámos a adequação das divulgações
apresentadas nas demonstrações financeiras
consolidadas, tendo por base o enunciado no
normativo contabilístico aplicável e os fatores
considerados relevantes.


Recuperabilidade dos ativos fixos tangíveis
e intangíveis do transporte aéreo

Divulgações relacionadas com a
recuperabilidade dos ativos fixos tangíveis e
intangíveis do transporte aéreo apresentadas
nas notas 1.1.3, 2.9, 2.33 e 4 das
demonstrações financeiras consolidadas.

Em 31 de dezembro de 2022, o montante de
ativos fixos tangíveis e intangíveis respeitantes
ao transporte aéreo reconhecido nas

Os procedimentos de auditoria desenvolvidos
incluíram, entre outros, a avaliação da
adequação do modelo de imparidade utilizado
pelo Conselho de Administração e a reexecução
matemática dos cálculos.

Foi apreciada a razoabilidade das estimativas e
julgamentos realizados pelo Conselho de
Administração, subjacentes aos pressupostos
relevantes utilizados no modelo do teste de
imparidade e respetivas análises de
sensibilidade.

Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 5 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
demonstrações financeiras consolidadas do
Grupo ascende a 2.988 milhões de euros.

De acordo com a IAS 36 – Imparidade de ativos,
e conforme divulgado nas notas às
demonstrações financeiras consolidadas, o
Grupo procede à realização de teste de
imparidade aos ativos fixos tangíveis e
intangíveis do transporte aéreo, sempre que
existam indícios que o seu valor contabilístico
possa não ser recuperável.

O valor recuperável dos referidos ativos é
apurado com base em modelos de fluxos de
caixa descontados, os quais requerem a
utilização de estimativas e pressupostos
definidos pelo Conselho de Administração, com
base em projeções económicas e de mercado,
nomeadamente no que se refere aos cash-flows
associados à atividade operacional do Grupo,
taxas de câmbio, taxas de crescimento na
perpetuidade e taxas de desconto.

Conforme divulgado nas notas 1.1.3 e 4 das
demonstrações financeiras consolidadas, em 21
de dezembro de 2021 a Comissão Europeia
aprovou o Plano de Reestruturação do Grupo
TAP para os anos 2020-2025, o qual inclui as
projeções do Conselho de Administração da
TAP SA apresentadas em 10 de junho de 2021
e atualizadas em 3 de novembro de 2021, as
quais incluem adicionalmente os anos de 2026
e 2027, com base num conjunto de
pressupostos de médio e longo prazo
relacionados com a evolução da frota e nível de
atividade e performance operacional, tendo em
consideração a incerteza associada aquela data
quanto à evolução futura da pandemia COVID-
19 e os seus impactos na atividade do
transporte aéreo. Os pressupostos embutidos
no Plano de Reestruturação Aprovado
estiveram na base da análise da
recuperabilidade dos ativos fixos tangíveis e
intangíveis do transporte aéreo efetuada pelo
Conselho de Administração, não obstante o
desvio positivo verificado na performance

Efetuámos a reconciliação das projeções dos
fluxos de caixa futuros com o Plano de
Reestruturação Aprovado. Foi igualmente
avaliada a razoabilidade da definição da
unidade geradora de caixa, ao nível da qual foi
realizado o teste de imparidade.

Inquirimos a Gestão quanto à adequação dos
pressupostos que apresentam maior
sensibilidade na determinação do valor de uso,
nomeadamente a evolução das receitas e a
margem de EBITDA. Foi igualmente realizada
uma análise à adequação da taxa de desconto e
da taxa de crescimento na perpetuidade, com
recurso a análises com comparáveis e outra
informação disponível no mercado. Foram ainda
desenvolvidas análises de sensibilidade aos
principais pressupostos de modo a determinar
qual o nível de variações que, individualmente
ou no seu conjunto, poderiam originar perdas
por imparidade nos ativos testados.

Os procedimentos acima descritos, realizados
para avaliar a razoabilidade dos pressupostos e
metodologia associada ao modelo de
imparidade utilizado pelo Grupo, foram
realizados com o apoio da nossa equipa de
peritos internos.

Foi ainda revista a adequação das divulgações
apresentadas nas demonstrações financeiras
consolidadas, em especial as que se referem às
estimativas e pressupostos que apresentam
maior sensibilidade na determinação do valor
recuperável baseado no valor de uso, tendo por
base o enunciado no normativo contabilístico
aplicável e os fatores considerados relevantes.

Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 6 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
operacional de 2022 face à estimada no Plano
de Reestruturação Aprovado.

Conforme igualmente divulgado na nota 1.1.3
das demonstrações financeiras consolidadas,
importa referir que eventuais variações futuras
desfavoráveis entre os fluxos de caixa reais e os
estimados no Plano de Reestruturação
Aprovado podem originar impactos relevantes
no cálculo do valor recuperável dos referidos
ativos e afetar consequentemente, de forma
significativa, a posição financeira e económica
do Grupo.

Face aos montantes envolvidos, à
complexidade dos modelos de avaliação, aos
pressupostos utilizados e ao elevado nível de
julgamento e subjetividade que lhe estão
inerentes, este tema constituiu uma matéria
relevante para efeitos da nossa auditoria.


Recuperabilidade de ativos por impostos
diferidos
Divulgações relacionadas com a
recuperabilidade de ativos por impostos
diferidos apresentadas nas notas 1.1.3, 2.13,
2.33, 9 e 34 das demonstrações financeiras
consolidadas.

Na demonstração consolidada da posição
financeira de 31 de dezembro de 2022, os
ativos por impostos diferidos ascendem a 447
milhões de euros, dos quais (i) 160 milhões de
euros respeitam a prejuízos fiscais gerados nos
exercícios de 2015, 2021 e 2022 e (ii) 227
milhões de euros respeitam a perdas por
imparidade em contas a receber, decorrentes
essencialmente do saldo com a TAP SGPS.

Conforme divulgado nas notas 1.1.3 e 9 das
demonstrações financeiras consolidadas, a
recuperabilidade dos ativos por impostos
diferidos foi avaliada tendo por base as
projeções de resultados fiscais futuros e o valor

Os procedimentos de auditoria desenvolvidos
incluíram, entre outros, a avaliação da
adequação do modelo de análise da
recuperabilidade dos ativos por impostos
diferidos, aprovado pelo Conselho de
Administração, a razoabilidade da metodologia
utilizada e a reexecução matemática dos
cálculos.

Efetuámos a reconciliação dos resultados antes
de impostos utilizados no respetivo modelo com
(i) o Plano de Reestruturação Aprovado para os
exercícios de 2022 a 2025, (ii) as projeções
atualizadas pelo Conselho de Administração em
3 de novembro de 2021 e submetidas à
Comissão Europeia, para os exercícios de 2026
e 2027, e (iii) a linearização dos referidos
resultados para os exercícios posteriores a
2027, tendo por base a aplicação de um
haircut/fator de prémio de risco crescente
decorrente do horizonte temporal.

Avaliámos criticamente as estimativas e
julgamentos realizados pelo Conselho de

Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 7 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
de passivos por impostos diferidos à data de 31
de dezembro de 2022, considerando
adicionalmente o disposto na Lei n.º 24-D/2022,
de 30 de dezembro de 2022, quanto à
eliminação da limitação temporal para o reporte
de prejuízos fiscais.

De acordo com a IAS 12 – Impostos sobre o
rendimento, os ativos por impostos diferidos são
reconhecidos na medida da expetativa do
Conselho de Administração quanto à sua
recuperabilidade futura, tendo por base a
capacidade de geração de lucros tributáveis
futuros.

A estimativa de recuperação dos referidos
ativos por impostos diferidos teve por base a
projeção dos resultados antes de impostos
embutida no Plano de Reestruturação
Aprovado, não obstante o desvio favorável do
montante do prejuízo fiscal de 2022 face ao
estimado no referido Plano, o qual inclui as
projeções do Conselho de Administração
apresentadas em 10 de junho de 2021 e
atualizadas em 3 de novembro de 2021,
ajustados dos respetivos efeitos fiscais, tendo
ainda em consideração que as demonstrações
financeiras individuais da Empresa são
preparadas em conformidade com as Normas
Contabilísticas e de Relato Financeiro adotadas
em Portugal através do Sistema de
Normalização Contabilística (SNC).

Conforme igualmente divulgado na nota 1.1.3
das demonstrações financeiras consolidadas,
importa referir que eventuais variações futuras
desfavoráveis entre os resultados reais e os
estimados no Plano de Reestruturação
Aprovado podem originar impactos relevantes
no cálculo do valor recuperável dos referidos
ativos e afetar consequentemente, de forma
significativa, a posição financeira e económica
do Grupo.

Face aos montantes envolvidos, aos
pressupostos utilizados e ao elevado nível de
julgamento e subjetividade que lhe estão
Administração, subjacentes aos pressupostos
relevantes utilizados no modelo, nomeadamente
períodos discretos utilizados e respetivo
haircut/fator de prémio de risco, resultados
antes de impostos nos períodos de projeção e
ajustamentos fiscais que concorrem para a
determinação da estimativa dos lucros
tributáveis futuros.

Os procedimentos acima descritos, realizados
para avaliar a razoabilidade dos pressupostos
fiscais associados ao modelo utilizado pelo
Grupo, foram realizados com o apoio da nossa
equipa de peritos internos.

Verificámos a adequação das divulgações
apresentadas nas demonstrações financeiras
consolidadas, tendo por base o enunciado no
normativo contabilístico aplicável e os fatores
considerados relevantes.



Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 8 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
inerentes, este tema constituiu uma matéria
relevante para efeitos da nossa auditoria.


Adoção de contabilidade de cobertura
cambial

Divulgações relacionadas com a adoção de
contabilidade de cobertura cambial
apresentadas nas notas 2.11, 2.33, 16 e 33 das
demonstrações financeiras consolidadas.

Conforme divulgado na nota 2.11 das
demonstrações financeiras consolidadas, no
presente exercício, com referência a 1 de
janeiro de 2022, o Grupo designou uma relação
de cobertura do risco cambial associado às
vendas previstas altamente prováveis cuja tarifa
é determinada em USD, utilizando como
instrumentos de cobertura uma parte dos
passivos de locação de aeronaves
denominados em USD, de acordo com os
montantes e datas dos fluxos de caixa futuros
das vendas estimadas e dos passivos de
locação.

Na medida em que esta cobertura seja
considerada eficaz, as diferenças de câmbio
resultantes da atualização dos passivos de
locação de aeronaves denominados em USD
são, inicialmente, registadas na rubrica de
outras reservas no outro rendimento integral. A
parte ineficaz da cobertura é registada em
resultados.

No exercício de 2022, a valorização do USD
face ao Euro gerou perdas resultantes da
atualização cambial dos passivos de locação,
com e sem opção de compra, no montante total
de 149 milhões de euros, das quais 109 milhões
de euros foram registadas em outro rendimento
integral, tendo por base o acima descrito.

Face aos montantes envolvidos e ao elevado
nível de julgamento associado aos pressupostos
utilizados na contabilidade de cobertura
Os procedimentos de auditoria incluíram, entre
outros, a verificação do cumprimento dos
requisitos de cobertura de acordo com a IFRS 9
para cobertura do risco de taxa de câmbio e a
avaliação da documentação que suporta a
classificação como de cobertura e do cálculo do
apuramento da reserva de cobertura e
ineficácias da cobertura.

Foi discutida a aplicação da contabilidade de
cobertura de fluxos de caixa com o Conselho de
Administração.

Foi verificado que o instrumento de cobertura
considerado é permitido de acordo com a IFRS
9 e que existe relação económica entre o item
coberto (vendas cuja tarifa é determinada em
USD) e o instrumento de cobertura
(pagamentos de locação em USD).
Avaliámos a informação suporte considerada
para efeitos de apuramento dos registos
efetuados na reserva de cobertura e das
ineficácias da cobertura registadas em
resultados, e a sua reconciliação com as
demonstrações financeiras consolidadas.
Avaliámos a razoabilidade das transações
futuras altamente prováveis consideradas como
item coberto na relação de cobertura, tendo por
base as estimativas embutidas no Plano de
Reestruturação Aprovado, bem como os
pagamentos de locação em USD tendo por
base os respetivos contratos de locação
considerados relevantes.
Verificámos a adequação e consistência da
informação de mercado considerada no modelo,
nomeadamente taxas de câmbio e taxas de
juro, tendo por base o cálculo efetuado.

Efetuámos o recálculo dos valores (i) a

Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 9 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
cambial, nos termos da IFRS 9, este tema
constituiu uma matéria relevante para efeitos da
nossa auditoria.


reconhecer na reserva de cobertura, (ii) das
ineficácias de cobertura e (iii) do impacto do
instrumento de cobertura em resultados à
medida que o item coberto é registado em
resultados.
Os procedimentos acima descritos, realizados
para avaliar a consistência do método de
avaliação do cumprimento dos requisitos de
eficácia da cobertura do risco da variação da
taxa de câmbio com a IFRS 9 e razoabilidade
dos pressupostos utilizados, foram realizados
com o apoio da nossa equipa de peritos
internos.


Verificámos a adequação das divulgações
apresentadas nas demonstrações financeiras
consolidadas, tendo por base o enunciado no
normativo contabilístico aplicável e os fatores
considerados relevantes.


Impacto da aprovação do Plano de
Reestruturação no pressuposto da
continuidade das operações

Divulgações relacionadas com o impacto da
aprovação do Plano de Reestruturação no
pressuposto da continuidade das operações nas
notas 1, 1.1.3, 1.1.4 e 10 das demonstrações
financeiras consolidadas

Em 31 de dezembro de 2022, conforme
divulgado nas notas 1, 1.1.4 e 10 das
demonstrações financeiras consolidadas, no
âmbito do Plano de Reestruturação aprovado
pela Comissão Europeia e respetivas medidas
de auxílio de Estado, o apoio financeiro
acionista já realizado por parte do Estado
Português à TAP SA ascende ao valor de 2.492
milhões de euros, estando aprovada a
realização de capital de 686 milhões de euros
em duas tranches, de igual montante, em 2023
e 2024, com o propósito fundamental de
assegurar a sustentabilidade financeira e

Os procedimentos de auditoria desenvolvidos
incluíram, entre outros, a avaliação da
adequação da utilização do pressuposto da
continuidade das operações, utilizado pelo
Conselho de Administração, na preparação das
demonstrações financeiras consolidadas com
base na análise de razoabilidade efetuada aos
pressupostos e metodologia associada ao
modelo de fluxos de caixa para o exercício de
2023 incluídos no Plano de Reestruturação
Aprovado e atualizados no orçamento de 2023
aprovado pelo Conselho de Administração em
12 de janeiro de 2023.

Foram igualmente analisados cenários de
sensibilidade aos principais fatores de risco de
liquidez identificados pelo Grupo TAP SA, tendo
por base as disponibilidades existentes em 31
de dezembro de 2022 e perspetiva de geração
de fluxos de caixa durante o exercício de 2023.

No âmbito da análise efetuada, inquirimos
igualmente o Conselho de Administração sobre
o racional e pressupostos utilizados no

Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 10 de 14
Matérias relevantes de auditoria Síntese da abordagem de auditoria
viabilidade económica que permita a
continuidade das operações do Grupo TAP SA.

Desta forma, o Grupo TAP SA apresenta um
valor de disponibilidades de 916 milhões de
euros em 31 de dezembro de 2022, a que irá
acrescer a contribuição de 343 milhões de euros
a realizar pelo acionista durante o ano de 2023,
conforme previsto no Plano de Reestruturação
Aprovado. Adicionalmente, foram gerados fluxos
de caixa operacionais positivos no exercício de
2022 no valor de 774 milhões de euros. Desta
forma, é convicção do Conselho de
Administração que a continuidade das
operações e liquidez do Grupo se encontram
asseguradas, tendo por base as necessidades
de tesouraria estimadas, a esta data, para o
prazo de doze meses.

Conforme divulgado na nota 1.1.3 das
demonstrações financeiras consolidadas,
importa referir que eventuais variações futuras
desfavoráveis entre os fluxos de caixa reais e os
estimados no Plano de Reestruturação
Aprovado podem afetar, de forma significativa, a
posição financeira do Grupo.

Face aos montantes envolvidos, ao nível de
julgamento associado aos pressupostos
utilizados no Plano de Reestruturação Aprovado
e ao impacto que os mesmos têm na análise da
liquidez e continuidade das operações, este
tema constituiu uma matéria relevante para
efeitos da nossa auditoria.

orçamento de tesouraria do exercício de 2023 e
sua avaliação dos potenciais efeitos da
evolução estimada dos preços dos combustíveis
e das taxas de juro e respetivo impacto no
desempenho operacional e na liquidez do
Grupo.

Verificámos a adequação das divulgações
apresentadas nas demonstrações financeiras
consolidadas, tendo por base o enunciado no
normativo contabilístico aplicável e os fatores
considerados relevantes.



Responsabilidades do órgão de gestão e do órgão de fiscalização pelas demonstrações
financeiras consolidadas

O órgão de gestão é responsável pela:

a) preparação de demonstrações financeiras consolidadas que apresentem de forma verdadeira e
apropriada a posição financeira consolidada, o desempenho financeiro e os fluxos de caixa
consolidados do Grupo de acordo com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) tal como
adotadas na União Europeia;

Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 11 de 14

b) elaboração do relatório consolidado de gestão e demonstração não financeira consolidada nos
termos legais e regulamentares aplicáveis;

c) criação e manutenção de um sistema de controlo interno apropriado para permitir a preparação
de demonstrações financeiras consolidadas isentas de distorções materiais devido a fraude ou a erro;

d) adoção de políticas e critérios contabilísticos adequados nas circunstâncias; e

e) avaliação da capacidade do Grupo de se manter em continuidade, divulgando, quando
aplicável, as matérias que possam suscitar dúvidas significativas sobre a continuidade das atividades.

O órgão de fiscalização é responsável pela supervisão do processo de preparação e divulgação da
informação financeira do Grupo.

Responsabilidades do auditor pela auditoria das demonstrações financeiras consolidadas

A nossa responsabilidade consiste em obter segurança razoável sobre se as demonstrações
financeiras consolidadas como um todo estão isentas de distorções materiais devido a fraude ou a erro,
e emitir um relatório onde conste a nossa opinião. Segurança razoável é um nível elevado de
segurança, mas não é uma garantia de que uma auditoria executada de acordo com as ISAs detetará
sempre uma distorção material quando exista. As distorções podem ter origem em fraude ou erro e são
consideradas materiais se, isoladas ou conjuntamente, se possa razoavelmente esperar que
influenciem decisões económicas dos utilizadores tomadas com base nessas demonstrações
financeiras.

Como parte de uma auditoria de acordo com as ISAs, fazemos julgamentos profissionais e mantemos
ceticismo profissional durante a auditoria e também:

a) identificamos e avaliamos os riscos de distorção material das demonstrações financeiras
consolidadas, devido a fraude ou a erro, concebemos e executamos procedimentos de auditoria que
respondam a esses riscos, e obtemos prova de auditoria que seja suficiente e apropriada para
proporcionar uma base para a nossa opinião. O risco de não detetar uma distorção material devido a
fraude é maior do que o risco de não detetar uma distorção material devido a erro, dado que a fraude
pode envolver conluio, falsificação, omissões intencionais, falsas declarações ou sobreposição ao
controlo interno;

b) obtemos uma compreensão do controlo interno relevante para a auditoria com o objetivo de
conceber procedimentos de auditoria que sejam apropriados nas circunstâncias, mas não para
expressar uma opinião sobre a eficácia do controlo interno do Grupo;

c) avaliamos a adequação das políticas contabilísticas usadas e a razoabilidade das estimativas
contabilísticas e respetivas divulgações feitas pelo órgão de gestão;

d) concluímos sobre a apropriação do uso, pelo órgão de gestão, do pressuposto da continuidade
e, com base na prova de auditoria obtida, se existe qualquer incerteza material relacionada com
acontecimentos ou condições que possam suscitar dúvidas significativas sobre a capacidade do Grupo

Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 12 de 14
para dar continuidade às suas atividades. Se concluirmos que existe uma incerteza material, devemos
chamar a atenção no nosso relatório para as divulgações relacionadas incluídas nas demonstrações
financeiras consolidadas ou, caso essas divulgações não sejam adequadas, modificar a nossa opinião.
As nossas conclusões são baseadas na prova de auditoria obtida até à data do nosso relatório. Porém,
acontecimentos ou condições futuras podem levar a que o Grupo descontinue as suas atividades;

e) avaliamos a apresentação, estrutura e conteúdo global das demonstrações financeiras
consolidadas, incluindo as divulgações, e se essas demonstrações financeiras representam as
transações e os acontecimentos subjacentes de forma a atingir uma apresentação apropriada;

f) obtemos prova de auditoria suficiente e apropriada relativa à informação financeira das
entidades ou atividades dentro do Grupo para expressar uma opinião sobre as demonstrações
financeiras consolidadas. Somos responsáveis pela orientação, supervisão e desempenho da auditoria
do Grupo e somos os responsáveis finais pela nossa opinião de auditoria;

g) comunicamos com os encarregados da governação, incluindo o órgão de fiscalização, entre
outros assuntos, o âmbito e o calendário planeado da auditoria, e as conclusões significativas da
auditoria incluindo qualquer deficiência significativa de controlo interno identificada durante a auditoria;

h) das matérias que comunicamos aos encarregados da governação, incluindo o órgão de
fiscalização, determinamos as que foram as mais importantes na auditoria das demonstrações
financeiras consolidadas do ano corrente e que são as matérias relevantes de auditoria. Descrevemos
essas matérias no nosso relatório, exceto quando a lei ou regulamento proibir a sua divulgação pública;
e

i) declaramos ao órgão de fiscalização que cumprimos os requisitos éticos relevantes relativos à
independência e comunicamos-lhe todos os relacionamentos e outras matérias que possam ser
percecionadas como ameaças à nossa independência e, quando aplicável, quais as medidas tomadas
para eliminar as ameaças ou quais as salvaguardas aplicadas.

A nossa responsabilidade inclui ainda a verificação da concordância da informação constante do
relatório consolidado de gestão com as demonstrações financeiras consolidadas, bem como a
verificação de que a demonstração não financeira consolidada foi apresentada.

Relato sobre outros requisitos legais e regulamentares

Sobre o relatório consolidado de gestão

Dando cumprimento ao artigo 451.º, n.º 3, alínea e) do Código das Sociedades Comerciais, somos de
parecer que o relatório consolidado de gestão foi preparado de acordo com os requisitos legais e
regulamentares aplicáveis em vigor, a informação nele constante é concordante com as
demonstrações financeiras consolidadas auditadas e, tendo em conta o conhecimento e a apreciação
sobre o Grupo, não identificámos incorreções materiais.





Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 13 de 14
Formato Eletrónico Único Europeu (ESEF)

As demonstrações financeiras consolidadas da Entidade referentes ao exercício findo em 31 de
dezembro de 2022 têm de cumprir os requisitos aplicáveis estabelecidos no Regulamento Delegado
(UE) 2019/815 da Comissão, de 17 de dezembro de 2018 (Regulamento ESEF).

O órgão de gestão é responsável pela elaboração e divulgação do relatório anual em conformidade
com o Regulamento ESEF.

A nossa responsabilidade consiste em obter segurança razoável sobre se as demonstrações
financeiras consolidadas, incluídas no relatório anual estão apresentadas em conformidade com os
requisitos estabelecidos no Regulamento ESEF.

Os nossos procedimentos tomaram em consideração o Guia de Aplicação Técnica da OROC sobre o
relato em ESEF e incluíram, entre outros:

a) a obtenção da compreensão do processo de relato financeiro, incluindo a apresentação do
relatório anual no formato XHTML válido; e

b) a identificação e avaliação dos riscos de distorção material associados à marcação das
informações das demonstrações financeiras consolidadas, em formato XBRL utilizando a tecnologia
iXBRL. Esta avaliação baseou-se na compreensão do processo implementado pela entidade para
marcar a informação.

Em nossa opinião, as demonstrações financeiras consolidadas, incluídas no relatório anual estão
apresentadas, em todos os aspetos materiais, em conformidade com os requisitos estabelecidos no
Regulamento ESEF.

Sobre a demonstração não financeira consolidada

Dando cumprimento ao artigo 451.º, n.º 6, do Código das Sociedades Comerciais, informamos que o
Grupo preparou um relatório separado do relatório consolidado de gestão que inclui a demonstração
não financeira consolidada, conforme previsto no artigo 508.º-G do Código das Sociedades Comerciais,
tendo o mesmo sido divulgado juntamente com o relatório consolidado de gestão.

Sobre os elementos adicionais previstos no artigo 10.º do Regulamento (UE) n.º 537/2014

Dando cumprimento ao artigo 10.º do Regulamento (UE) n.º 537/2014 do Parlamento Europeu e do
Conselho, de 16 de abril de 2014, e para além das matérias relevantes de auditoria acima indicadas,
relatamos ainda o seguinte:

a) Fomos nomeados revisores oficiais de contas da Transportes Aéreos Portugueses, S.A. pela
primeira vez na assembleia geral de acionistas realizada em 17 de dezembro de 2019 para um
mandato compreendido entre 2019 e 2020. A nossa última nomeação ocorreu na assembleia geral de
acionistas realizada em 24 de junho de 2021 para o mandato compreendido entre 2021 e 2024.


Graphics

Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria Transportes Aéreos Portugueses, S.A.
31 de dezembro de 2022 PwC 14 de 14
b) O órgão de gestão confirmou-nos que não tem conhecimento da ocorrência de qualquer fraude
ou suspeita de fraude com efeito material nas demonstrações financeiras. No planeamento e execução
da nossa auditoria de acordo com as ISAs mantivemos o ceticismo profissional e concebemos
procedimentos de auditoria para responder à possibilidade de distorção material das demonstrações
financeiras consolidadas devido a fraude. Em resultado do nosso trabalho não identificámos qualquer
distorção material nas demonstrações financeiras consolidadas devido a fraude.

c) Confirmamos que a opinião de auditoria que emitimos é consistente com o relatório adicional
que preparámos e entregámos ao órgão de fiscalização do Grupo em 28 de abril de 2023.

d) Declaramos que não prestámos quaisquer serviços proibidos nos termos do n.º 1 do artigo 5.º
do Regulamento (UE) n.º 537/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de abril de 2014 e
que mantivemos a nossa independência face ao Grupo durante a realização da auditoria.


28 de abril de 2023

PricewaterhouseCoopers & Associados
- Sociedade de Revisores Oficiais de Contas, Lda.
representada por:



Hugo Miguel Patrício Dias, ROC nº 1432
Registado na CMVM com o nº 20161042



Graphics



1


RELATÓRIO E PARECER DO CONSELHO FISCAL

(CONTAS CONSOLIDADAS)




Ao Acionista da
Transportes Aéreos Portugueses, S.A.


Em conformidade com a legislação em vigor e com o mandato que nos foi confiado, vimos submeter à Vossa
apreciação o nosso Relatório e Parecer que abrange a atividade por nós desenvolvida e sobre os documentos
de prestação de contas consolidadas da Transportes Aéreos Portugueses, S.A. (“Empresa” ou “Grupo TAP”),
relativos ao exercício findo em 31 de dezembro de 2022, os quais são da responsabilidade do Conselho de
Administração.


Acompanhámos, com a periodicidade e a extensão que considerámos adequada, a evolução da atividade do
Grupo TAP, a regularidade dos seus registos contabilísticos e o cumprimento do normativo legal e estatutário
em vigor, tendo recebido do Conselho de Administração e dos diversos serviços da Empresa e das suas
subsidiárias, as informações e os esclarecimentos solicitados.


No âmbito das nossas funções, examinámos as demonstrações financeiras consolidadas, preparadas de
acordo com as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) tal como adotadas na União Europeia,
que compreendem a Demonstração consolidada da Posição Financeira em 31 de dezembro de 2022, a
Demonstração consolidada dos Resultados, a Demonstração consolidada do Rendimento Integral, a
Demonstração consolidada das Alterações no Capital Próprio e a Demonstração consolidada dos Fluxos
de Caixa, relativas ao ano findo naquela data e o respectivo Anexo.


Adicionalmente, revimos o Relatório Consolidado de Gestão de 2022, preparado pelo Conselho de
Administração, tendo verificado que naquele documento, bem como no anexo às demonstrações financeiras
consolidadas, são incluídas as divulgações relevantes, nomeadamente as divulgações efectuadas na Nota 1
do anexo, sobre a aprovação do Plano de Reestruturação do Grupo TAP, por parte da Comissão Europeia,
cujo cumprimento será monitorizado por aquela entidade.


Graphics



2

Também revimos a Certificação Legal das Contas e Relatório de Auditoria sobre as demonstrações financeiras
consolidadas, emitida pelos revisores oficiais de contas do Grupo TAP, datada de 28 de Abril de 2023, a qual
não contendo reservas, inclui na secção “Ênfase”, um parágrafo relacionado com o Plano de Reestruturação
do Grupo TAP apovado pela Comissão Europeia, em 21 de dezembro de 2021, no âmbito do auxílio de
Estado ao Grupo TAP (“Plano de Reestruturação Aprovado”), e posterior monitorização por parte da
Comissão Europeia quanto ao seu cumprimento e respetivos impactos na posição financeira e atividade
operacional futura do Grupo TAP.


Nos termos do nº 6 do artigo 451º, do Código das Sociedades Comerciais, o Grupo TAP irá preparar um
relatório separado do relatório consolidado de gestão, que inclui a demonstração não financeira
consolidada, nos termos do artigo 508º - G do Código das Sociedades Comerciais, o qual dentro do prazo
legal previsto, deverá ser publicado no seu sítio da Internet.


Nos termos do art. 8º nº 1, alínea a) do Regulamento da CMVM nº 5/2008 e nos termos previstos na alínea
c) do nº 1 do art. 245º do Código dos Valores Mobiliários informamos que, tanto quanto é do nosso
conhecimento, a informação constante nas demonstrações financeiras consolidadas, foi elaborada em
conformidade com as normas contabilísticas aplicáveis, dando uma imagem verdadeira e apropriada do
activo consolidado e do passivo consolidado, da situação financeira consolidada e dos resultados
consolidados do Grupo TAP e que o Relatório de Gestão consolidado expõe fielmente a evolução dos
negócios, do desempenho consolidado e da posição financeira consolidada do Grupo TAP, contendo uma
descrição dos principais riscos e incertezas com que se defronta.

Aferimos o cumprimento das orientações do accionista Estado em matéria de reporte de informação legal
aplicável ao Setor Empresarial do Estado (SEE), sendo que relativamente ao cumprimento da exigência
constante no n.º 1 do artigo 54.º do RJSPE, a Empresa confirmou que irá preparar o Relatório do Governo
Societário em separado do Relatório Consolidado de Gestão, que incluirá a informação prevista neste
normativo, o qual deverá ser reportado ao seu accionista e publicado no seu sítio da Internet.

Por outro lado, tal como divulgado no Anexo às demonstrações financeiras, tendo em consideração que a
posição financeira da Empresa evidencia que as disposições previstas no artigo 35º do Código das
Sociedades Comerciais lhe são aplicáveis, é desejável que a Administração continue a desenvolver e a
implementar as medidas que se manifestem adequadas para a inversão desta situação.



Graphics



3

Face ao exposto, tendo em consideração a matéria descrita na secção “Ênfase” da Certificação Legal das
Contas e Relatório de Auditoria, sobre as demonstrações financeiras Consolidadas, bem como as matérias
descritas nos parágrafos anteriores, deste Relatório, é nosso parecer que as demonstrações financeiras
consolidadas supra referidas e o Relatório Consolidado de Gestão, estão de acordo com as disposições
contabilísticas, legais e estatutárias aplicáveis, pelo que poderão ser aprovados em Assembleia Geral de
Acionistas.


Desejamos ainda manifestar ao Conselho de Administração e aos serviços da Empresa e suas subsidiárias, o
nosso apreço pela colaboração prestada, nomeadamente pela disponibilidade dos seus colaboradores no
esclarecimento das questões colocadas pelo Conselho Fiscal.


Lisboa, 28 de Abril de 2023



Baker Tilly, PG & Associados, SROC, Lda.
Representada por Paulo Jorge Duarte Gil Galvão André
(Presidente)

_________________________________________
José Manuel Fusco Gato
(Membro Vogal Efetivo)