ENQUADRAMENTO ECONÓMICO
O processo longo de vacinação marcou o ano de 2021, no âmbito da luta contra a pandemia de Covid-19. O
processo de vacinação em massa nas economias desenvolvidas resultou numa diminuição do número de infeções
e, consequentemente, numa diminuição das restrições, o que permitiu o crescimento da atividade económica. No
entanto, o ritmo de recuperação não foi constante, dado que o mundo esteve sempre em alerta com a possibilidade
de surgirem novas variantes infeciosas. As projeções da variação anual do PIB a preços constantes (em %) da
economia mundial andam maioritariamente na casa dos 5%: 5,5% do Banco Mundial, 5,7% da Comunidade
Europeia e 5,9% do Fundo Monetário Internacional, sendo que a OCDE é um pouco mais prudente, estimando um
crescimento de 3,8%.
Em 2022, irá manter-se o combate à pandemia, mas também surgirão novas adversidades, nomeadamente o
conflito armado no território ucraniano, que, para além do lamentável impacto social que tem tido na vida dos
cidadãos ucranianos, irá ter repercussões na economia mundial. Os impactos irão sentir-se nomeadamente no
preço das matérias-primas onde, por exemplo, o petróleo tem atingido novos máximos históricos. Em simultâneo, o
mundo tem tentado responder à invasão russa com sanções económicas que terão impacto em inúmeras
economias, quer com o papel de exportador, quer com o papel de importador. Desta forma, a inflação poderá ser
um tema particularmente relevante, dado que poderá implicar alterações importantes na política monetária. Os
Bancos Centrais poderão ter que adotar políticas monetárias mais restritivas, estrangulando a procura e, dessa
forma, provocar a desaceleração económica. Para 2022, a OCDE avança com projeções do crescimento do PIB (a
preços constantes) da economia mundial na ordem dos 3,9%. Já o Banco Mundial aponta para uma variação anual
do PIB a preços constantes de 4,1%, enquanto o FMI aponta para uma previsão superior, na ordem dos 4,8%.
Relativamente à economia da Zona Euro, que em 2020 tinha registado uma queda, registou uma sólida recuperação
em 2021, com as mais recentes estimativas da OCDE a apontarem para um crescimento de 5,2%. O consumo
privado foi dos principais responsáveis para esta recuperação. As taxas de inflação, quer a taxa global quer a taxa
subjacente, sofreram grandes aumentos, atingindo 4,1% e 2,0%, respetivamente, em outubro de 2021. Nos
próximos dois anos, prevê-se que o crescimento abrande gradualmente na ordem dos 4,3% em 2022 e dos 2,5%
em 2023. Relativamente ao desemprego, é expectável que se situe novamente em níveis pré-pandémicos e que
desça abaixo desse nível em 2023. As previsões da OCDE estimam que a taxa de desemprego na Zona Euro desça
de 7,9% em 2020 para 7,7% em 2021, 7,2% em 2022 e 7,0% em 2023. Já a inflação da Zona Euro, encerrou 2021
nos 2,4%, estimando-se 2,7% e 1,8% para 2022 e 2023.
Em relação a Portugal, o incentivo do consumo privado, após a retirada da maioria das medidas restritivas, levou a
uma recuperação da atividade económica de forma mais robusta do que o esperado no segundo e terceiro
trimestres de 2021. As mais recentes projeções avançam com um crescimento do PIB entre 4,8% e 4,9% em 2021.
Para 2022, a OCDE estima um crescimento do PIB de 5,8% para 2022 e de 2,8% para 2023. Simultaneamente,
após ter fechado o ano de 2020 com uma ligeira deflação de 0,1%, Portugal terá atingido níveis de inflação nos
0,9% em 2021. As projeções do Banco de Portugal (BdP) para os próximos anos apontam para uma inflação de
1,8% em 2022 e 1,1% em 2023. Relativamente ao desemprego, as estimativas do BdP e INE apontam para os 6,6%
em 2021, 6,0% em 2022 e 5,7% em 2023 (valores em % da população ativa).
Fonte: IMF - Informação de Mercados Financeiros, Relatório de Enquadramento Macroeconómico em 2021 e
Cenário para 2022, 21 de março de 2022